Demissão de presidente do INSS afeta popularidade de Lula?
Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
- Demissao Presidente INSSGilberto Waller · corrupção no INSS · fila de benefícios · impacto na popularidade de Lula
- Renúncia e eleição tampãodesgaste do governo Lula · candidatos da direita · pesquisa Datafolha
Viva a voz, com Vera Magalhães. E aí, Vera? Oi, Sardenberg. Boa tarde para você e para o Muniz. Uma ótima semana para vocês e para os nossos ouvintes.
Boa tarde, Vera. Então, Vera, o presidente do INSS já caiu. É parte da campanha, né?
Pois é, Sardenberg, é um órgão que, além da denúncia gravíssima de corrupção durante muitos anos e de forma sistemática, também está às voltas com o recorde de uma fila para concessão e análise de novos benefícios. Essa fila chegando a quase 3 milhões de pessoas e sem que houvesse qualquer forma dela andar.
No último mês houve uma tentativa de reverter esse quadro, ela caiu de 3 milhões e 100 mil pessoas para 2 milhões e 700, mas ainda assim um número muito mais alto do que era quando o Lula assumiu. E isso ficou ali muito claro para o governo que seria cobrado e seria uma das razões de desgaste do governo nessa campanha, porque o INSS já enfrentou o escândalo dos desvios.
nas aposentadorias e pensões, nos benefícios dos segurados, e agora também essa dificuldade mínima de gerenciamento ali, um caos administrativo que levou a essa fila para análise de novos requerimentos. Então, caiu o presidente do INSS, Gilberto Waller, e já assim, logo no início da semana, porque no fim de semana houve um certo pânico ali.
por parte do governo, conversei com alguns auxiliares do presidente Lula depois que saiu a pesquisa da Datafolha, e essa constatação de que a análise do governo só piora e de que mesmo candidatos que no primeiro turno se mostram nanicos ali, portanto são desconhecidos da população.
chegam no segundo turno competitivos contra o Lula, isso fez soar uma sirene bem alta no Palácio e eles viram que precisam, se quiserem evitar um desastre na eleição, tomar uma série de medidas. E aí a demissão do presidente do INSS foi cobrada pelo Lula, do ministro Von Ney Queiroz, porque era um caso que já vinha se arrastando há muitos meses.
sem solução e que vai cobrar um preço altíssimo na campanha eleitoral. Pois é, agora, esse presidente do INSS, ele ficou 11 meses, né? E as coisas só pioraram, né? E agora tem aqui, tem 8, 9 meses, 8 meses até a eleição, né?
Com certeza não vão zerar essa fila, né, Sartreberg? A fila era de um milhão de pessoas em dezembro de 2022, no fim do governo Bolsonaro. Não é pequena também. O que me disseram lá no Palácio é que tem que chegar pelo menos...
no que era, não pode chegar na eleição pior do que era no governo Bolsonaro, porque isso certamente vai ser uma arma usada pela direita contra o Lula, juntamente com a coisa dos escândalos, que também começaram no governo Bolsonaro, mas se agravaram em volume de desvios.
no governo do Lula. A verdade é que é um órgão que enfrenta problemas. Há muito tempo, esse presidente tinha ali uma relação ruim com o ministro, ele dizia que estava sendo boicotado pelos seus imediatos ali, pelos outros diretores do INSS.
que seriam aliados do presidente anterior, o Stefanuto, que foi afastado na época dos escândalos. Enfim, é uma gestão que nunca engrenou e agora estão apostando numa servidora de carreira. Mas você apontou muito bem, o tempo é muito curto, a percepção de um órgão que não funciona e que ainda está marcado por corrupção, ela é generalizada e parece haver muito pouco espaço para mudar isso no intervalo de poucos meses.
Agora, isso aí é parte de campanha, né? Esse ponto que você levantou, que acendeu aí uma sirene vermelha, uma luz vermelha no Palácio, porque mostrou que os outros, todos os candidatos da direita acabam tendo um empate técnico com o Lula, né? No segundo turno.
E você veja, no primeiro turno eles pontuam algo como 4% ou 5%, o Romeu Zema não se sabe nem se vai conseguir ter força para chegar a ser candidato. E ainda assim, quando confrontados com o Lula no segundo turno...
Eles têm um desempenho ali razoável, vão quase à situação de empate. O Flávio Bolsonaro passa numericamente o Lula e o Caiado tem um empate técnico, 5 a 42 e até o Zema.
também chega a 45 a 42. Qual é a constatação disso, quando você conversa com qualquer especialista em pesquisa? Quem está ganhando a eleição, o que o eleitor está dizendo é eu quero votar em qualquer pessoa que não seja o Lula. E isso é fatal para uma candidatura quando você chega a esse ponto de desgaste.
da pessoa olhar uma cédula com um nome que ela nem sequer conhece, não sabe de onde é, não sabe o que já fez, e ainda assim optar por esse nome em contraposição ao incumbente. É sinal de que o governo realmente não está conseguindo fazer as pessoas enxergarem uma razão para que o presidente continue. As pessoas, eu digo, metade da população, a outra metade é lulista.
declara voto no Lula e o voto nele é até mais decidido do que o voto na oposição. Mas ele precisa ampliar o que ele já tem para vencer a eleição, para chegar ao percentual de 50% mais um do eleitorado. Ele tem feito 45, né? E é essa dificuldade que ele vai demonstrando ter. Você acha que existe, pergunta assim, você acha que existe alguma possibilidade no horizonte de que o Lula deixe a candidatura?
Semana passada, a colunista da Folha de São Paulo, Mônica Bergamo, chegou a dizer que começaram a haver conversas nesse sentido. Eu soube que houve um almoço aqui em São Paulo de expoentes ali do lulopetismo, juntamente com outros empresários, e que isso foi ali conversado ao pé do ouvido, mas não como uma possibilidade, mas como uma especulação mesmo.
Mas ninguém acredita seriamente, com os dados de hoje, que o Lula esteja cogitando isso. Mas vale a gente lembrar que ninguém imaginava que o Biden, depois já do primeiro debate, inclusive, fosse abandonar a candidatura em nome da Kamala Harris.
Então, é uma coisa que já tem um precedente, um precedente nos Estados Unidos, recente, e numa circunstância muito parecida de polarização, parecida na idade do incumbente e parecida no desgaste de material do governo. Então, não é impossível, a gente não pode aqui dizer nada para além disso, porque não tem nenhuma conversa séria.
e com consequências a esse respeito. Questionei aliados do Fernando Haddad, que é o nome que sempre aparece como a Câmara possível aqui no Brasil, e eles dizem que ele descarta peritoriamente, eu sou candidato ao governo, não tem nada disso. Então, não tem nada para valer sendo discutido. Mas a gente já viu acontecer num cenário parecido.
Vera Magalhães, muitíssimo obrigado, Vera. Até amanhã aqui no CBN Brasil, até mais tarde no Ponto Final. Tchau, até amanhã, até mais tarde, um ótimo jornal para você.