Eleições na Hungria: 'Orbán só aceitou a derrota porque teve muita pressão internacional'
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- Derrota de Viktor OrbánPeter Maggiar · corrupção na Hungria · política energética da Hungria · relação com a União Europeia · aparelhamento do judiciário
- Crise Política na Hungriagoverno conservador · prefeito de Budapeste · pressão internacional · reforma do judiciário
CBN Pelo Mundo, com Felipe Figueiredo. Oi, Felipe, boa tarde.
Boa tarde, Tati. Boa tarde, Fernando. Boa tarde, Felipe. Espero que estejam todos bem por aí. Espero que estejam todos me ouvindo bem. Afoitos para ouvir a sua análise a respeito da não eleição de Victor Orbán, um homem de extrema direita que esteve à frente da Hungria nos últimos 16 anos. Queria te ouvir a respeito desse tempo e o que aconteceu para essa mudança.
Olha, Tati, eu acho que a primeira coisa que o nosso ouvinte tem que ter em mente é que o resultado do Orbán, a derrota do Orbán, ela, primeiro, foi uma derrota avassaladora. O Peter Maggiar conseguiu, até o momento, a contagem.
136 assentos de 199, ou seja, é uma maioria mais do que uma maioria. E isso se deve principalmente à campanha do Peter Maggiar. O nosso ouvinte é interessante ter em mente que o Peter Maggiar não é um candidato à esquerda. Ele não é um candidato social-democrata, ele não é um socialista, ele não é um verde. Ele é um homem conservador.
que foi do partido do Orbán durante muito tempo. Então, a campanha do Petra Magiar foi muito baseada na ideia de traição, de que o Orbán é uma traição desses valores conservadores, que ele traiu esses valores, esse projeto, em nome dos próprios interesses, dos próprios benefícios e dos seus asseclas. Então, esse eu acho que é o primeiro recado.
Tanto que o Peter Maggiar, ele disse que no seu programa ele vai manter questões como migração, ele vai manter uma retórica nacionalista. Ele é um conservador que era do partido do Vitor Orbán. E do lado do Vitor Orbán, o que nós precisamos apontar é o altíssimo grau de corrupção na Hungria e a percepção dessa corrupção.
o altíssimo grau de aparelhamento das instituições húngaras ao ponto em que a esquerda votou em peso, a esquerda de Budapeste votou em peso no Peter Magiar, com a ideia de precisamos conter o Vitor Orbán, precisamos conter esse processo de fascistização do Estado húngaro.
E também o fato de que a Hungria, embora receba vultosos investimentos da União Europeia, apesar do discurso do Vitor Orbán, o desempenho econômico da Hungria sobre o Vitor Orbán também não foi bom. Um grande exemplo disso, e acho que isso encerra essa primeira resposta, é o fato de que, quando Orbán entra no poder...
O PIB da Hungria era mais ou menos 50% maior do que o da Romênia, um país vizinho e de perfil socioeconômico parecido. Hoje o PIB da Romênia é o dobro. Então, o governo Vitor Orbán foi muito benéfico para Vitor Orbán, seus aliados e seus parceiros ideológicos pelo mundo. Tirando eles, não foi bom para ninguém.
Parece um outro país que eu conheço. Ah, desculpa. A possibilidade agora, então, é de que a Hungria olhe mais para a Europa, em detrimento do que acontecia anteriormente, de olhar para a Rússia, por exemplo? A sua pergunta é muito precisa, Fernando, porque o Peter Maggiar, uma das primeiras indicações que ele fez na sua campanha eleitoral e, assim, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho,
foi de quem seria a sua ministra de Relações Exteriores. E, embora o nome dela no momento me fuja, peço até desculpas, mas ele anunciou como ministra de Relações Exteriores uma especialista em política energética e especialista em Rússia.
Por quê? Porque muito do Vitor Orbán, dos laços dele com a Rússia de Vladimir Putin, são muito baseados no fato de que a Hungria tem uma dependência energética da Rússia. A Hungria recebe hidrocarbonetos da Rússia. Então ele nomeia essa especialista para justamente começar uma política que certamente vai se distanciar da Rússia.
vai mudar a política energética húngara e se aproximar da União Europeia. Mas numa lógica, novamente, de que a União Europeia, numa lógica conservadora, o partido do Peter Maggiar faz parte do grupo conservador no Europarlamento.
E a ideia de que o processo da União Europeia é um processo que beneficia economicamente a Hungria, que beneficia os húngaros que podem ir trabalhar na Alemanha. Ele não vai defender uma União Europeia, num ponto de vista, usando uma palavra muito utilizada pelo Vitor Orbán, pelo Trump, seus aliados, num ponto de vista woke. A ideia de que a União Europeia legisla sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Não. Vai ter uma perspectiva.
mais conservadora sobre essa postura europeia e, principalmente, mais do que a União Europeia, uma postura pró-OTAN. Lembrando que a Hungria é parte da OTAN, ou seja, uma postura certamente de, se não virar o melhor amigo da Ucrânia, mas, certamente, diminuir os freios que a Hungria impunha às ajudas militares econômicas à Ucrânia. Tem dinheiro parado que era para ir para a Ucrânia que o próprio Orbán vetou.
Exatamente. No ano passado foi articulado uma linha de crédito da União Europeia para a Ucrânia que pode chegar a 90 bilhões de euros. Muita grana, muita grana mesmo. E a Hungria, naquele momento, parganhou para autorizar. Porque uma coisa interessante de lembrar para o nosso ouvinte é que as instituições europeias funcionam na base da unanimidade.
Ou seja, o voto da Hungria tem o mesmo peso que o voto da Alemanha ou da França. Se um país, seja ele Hungria, Eslováquia, um país menor do ponto de vista geográfico populacional, barrar, está barrado. Então, o que o Vitor Orbán fez nesses 15 anos, especialmente desde a invasão...
da Ucrânia pela Rússia em 2022, foi botar uma faca no pescoço das instituições europeias e falar, olha só, para autorizar isso daqui, eu exijo isso e isso e tal coisa. Incluindo aí o descongelamento de fundos que previamente foram congelados pelo fato da Hungria estar descumprindo as normas jurídicas europeias e a cláusula democrática.
E o Vitor Orbán, como era a campanha eleitoral, Fernando, ele volta atrás desse acordo que ele fez e fala não vou liberar os 90 bilhões, porque ele precisava se mostrar firme na sua campanha eleitoral. A sua campanha eleitoral foi muito centrada na ideia de que a Ucrânia queria derrubá-lo. As campanhas eleitorais do Orbán sempre são marcadas por um inimigo externo.
seja o Soros, o Soros barra o capitalismo judeu, sejam as instituições da União Europeia, as instituições woke pelo casamento gay, etc., seja a Ucrânia. Então, agora, muito provavelmente, essa grana para a Ucrânia será liberada.
Agora, você disse que Magiar não é exatamente um social-democrata. Ele é um homem de direita, é um homem conservador. Ainda assim, ele está à esquerda do Orbán. Queria entender, na sua perspectiva, Felipe, o que é que se pode esperar desse novo governo, sobretudo internamente, que vai diferenciá-lo do antigo premier?
Olha, Tati, eu acho que assim, eu não resisto a dizer que, eu acho que 99% da população mundial está à esquerda do Orbán. Sim. Eu não resisto a fazer esse comentário. Inclusive, falando no sobrenome Orbán, a primeira ministra nomeada, eu fui colar aqui o nome, é Anitta Orbán. Não tem relação com o Vitor, só sobrenome em comum.
Internamente, Tatiana, o que nós vamos ver, muito provavelmente, vai ser uma manutenção de várias questões ideológicas do governo Orbán, porém, muito provavelmente, feitas, talvez, arrefecidas, diminuídas, para que o Estado húngaro, especialmente a postura do Estado húngaro no aparelhamento das instituições,
E aí eu falo universidades, falo imprensa, falo todos os meios de financiamento do Estado húngaro, inclusive os que recebem fundos da União Europeia, serão reformados para se voltar e se adequar aos parâmetros europeus. E nós vamos ter uma questão interessante dentro da Hungria, Tatiana, nos próximos anos, visando a próxima eleição, que é o prefeito de Budapeste e, assim, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo, eu falo
e na Grande Budapeste reside basicamente um terço da população húngara, o prefeito de Budapeste, ele sim, é um cara de centro-esquerda, ele é do Partido Verde, ele foi candidato, ele foi um dos principais articuladores na eleição passada. Então agora, na Hungria, em que vai ter a ideia de, olha só, freamos o Orbán, freamos esse autoritarismo,
E o ouvinte não se engane, o Orbán só aceitou a derrota porque teve muita pressão internacional para isso. Ele não aceitou a derrota porque ele acordou e virou um cara legal.
Mas nos próximos anos, nós provavelmente vamos voltar a ter um embate mais clássico entre um conservador, que é o primeiro-ministro, e um verde, que é o prefeito de Budapeste. Tá. Orbán, eu não quero usar a palavra destruiu, mas ele influenciou e... Que palavra usa para falar do judiciário? Aparelhou também. Aparelhou, obrigada. O judiciário da Hungria, isso deve mudar agora?
Essa é uma pergunta, eu diria, de 90 bilhões de euros. Olha, eu estou fazendo perguntas muito valiosas ultimamente. Essa é uma grande questão, porque, voltando um ponto atrás, a Hungria foi considerada em descumprimento.
das determinações jurídicas da União Europeia e em descumprimento da questão da cláusula democrática, por conta também desse aparelhamento do judiciário com o afastamento de juízes, a aposentadoria compulsória antes do tempo, feita a partir de um parlamento completamente subserviente ao Orbán, um parlamento que simplesmente carimbava o que o Orbán determinava.
Então, essa reforma do judiciário, ela talvez seja revertida. Mas por que eu digo talvez? Porque é possível que o novo governo húngaro...
afirme que, olha, ela não tem como ser revertida, não tem como modificar. O que nós precisamos fazer é, talvez, agora propor uma nova reforma, uma contra-reforma, uma nova mudança do judiciário. Esse vai ser um assunto muito importante na Hungria nesses próximos meses, junto com a guinada na política externa, que essa, sim, vai ser a principal distinção entre os dois governantes. Perfeitamente. Peter vai ter trabalho, hein, Felipe?