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Apesar de empate em pesquisa, eleição ainda está 'muito em aberto'

12 de abril de 202616min
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O presidente Lula perdeu vantagem na pesquisa Datafolha e empatou com Flávio, Caiado e Zema no 2º turno. Marco Ruediger afirma que, apesar disto, a eleição ainda está 'muito em aberto'. Ouça!

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Participantes neste episódio2
P

Petria

HostJornalista
M

Marco Rudiger

ConvidadoAnalista político
Assuntos3
  • Pesquisas DatafolhaEleições 2026 · Conselhos de Lula · Flávio Bolsonaro · Ronaldo Caiado · Romeu Zema
  • Comunicacao PoliticaEstratégia de comunicação · Redes sociais
  • Reforma TrabalhistaTecnologia e trabalho · Futuro do emprego
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A Semana Política, com Marco Rudiger. Com Marco Rudiger. Marco, boa tarde. Oi, Petra, boa tarde. Boa tarde, ouvintes.

Antes de mais nada, Marco, a gente tem aí um domingo quente no noticiário internacional, não só a questão do conflito no Oriente Médio, mas também como eu trouxe aqui, a gente vai falar ao longo do Revista de Hoje, eleições no Peru, eleições na Hungria, essa dinâmica de poder e a discussão política sobre as forças políticas pelo mundo. E aqui no Brasil, eu queria puxar o gancho com você antes de todos os assuntos que a gente tem para abordar.

Sobre pesquisa Datafolha, que é uma fotografia do momento, esse momento de, vamos dizer assim, pré-início de campanhas, de eleições em 2026, mas uma fotografia importante. Eu queria que você comentasse um pouco para a gente sobre a pesquisa Datafolha que foi divulgada nesse sábado, apresentando um contexto de Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema.

empatados praticamente, quando a disputa é de Lula com cada um deles para segundo turno. O que a gente pode falar disso, hein, Marco? Então, Petra, eu acho que essa pesquisa, assim, em geral, eu adoro todas essas pesquisas, entendeu? Então, assim, Tata Folha, Quest, Atlas, todas são interessantes, as nossas próprias que nós fazemos.

Quando você olha essa pesquisa, se é primeira vista, vem assim, nossa, o Lula está mal na pesquisa, não está tão na frente, empataram com ele e tal. Na verdade, se a gente olhar com um pouquinho de atenção, não precisa de muito tempo, um pouquinho de atenção, o que está se mostrando ali? A direita tem três candidatos e eles dividem o eleitorado com a esquerda.

Então, na verdade, não é exatamente que um esteja se sobrepondo ao outro, você não tem um grande favorito, você tem três nomes aí que estão disputando o campo da direita. E a esquerda tem um candidato só e ela tem, digamos assim, metade da intenção de voto.

nesse momento. Então, se você pensar e olhar com calma, qual o desgaste que o Flávio Bolsonaro aparentemente tem? Ele não é governo, nunca governou nada. Na verdade, se você chegar e falar para o eleitor, vem cá, me diz três coisas importantes, uma que seja, que o senador Flávio Bolsonaro conseguiu fazer durante os mandatos consecutivos que ele teve como deputado, senador, etc.

provavelmente ninguém vai saber. Então, eu vejo isso como uma fraqueza, na verdade. E essa força vem do campo político que ele está. Ele é uma proxy, digamos assim, do pai, do bolsonarismo. Então, a questão toda é, ele como candidato, ele se sustenta num debate com um ator político importante que teve três eleições, foi eleito...

está indo para a sua quarta eleição, tem uma experiência enorme, está no governo. Então, eu acho que é uma eleição que está muito em aberto. A gente não pode dizer sem muita coisa a esse respeito. Poderia dizer mais do Caiado, por exemplo, que foi governador, que teve atuações bastante expressivas na vida pública, muitas vezes, e que foi, inclusive, crítico em algumas ocasiões do próprio bolsonarismo, na questão das vacinas, por exemplo.

Ele tem um diálogo forte, tem experiência, tem um diálogo forte com o agronegócio. O Zema também foi governador de Minas Gerais. Então, eles têm um certo repertório para mostrar um currículo.

para mostrar mais forte que Flávio Bolsonaro. Flávio Bolsonaro basicamente representa o pai. Esse é um ponto que eu acho importante. Então, quando a gente olha, não é tanto nome. Você tem uma divisão hoje entre esquerda e direita que sempre se colocou. A gente sempre teve essa divisão em torno de 30%, 35% para cada lado. E quando a gente olha... weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit weit

o número ainda muito alto de votos que não estão decididos, se vão para um ou para outro, basicamente você tem o centro político ali. Então, eu não vejo uma grande novidade. Eu acho que duas novidades que são importantes aí é a seguinte, três candidatos que vão ter que disputar entre si. Em algum momento, algum deles vai ter que dizer, eu sou melhor que esse outro para te representar.

Então vai ter também um debate interno do campo da direita para ver quem vai ser essa pessoa. E esse debate não vai poder ser feito só com flores o tempo todo. Em algum momento vai ter que dizer, eu sou melhor que esse outro por isso, por isso, por isso. Então eu acho até que de certa forma tem um certo conforto.

A posição do Lula, porque ele vai disputar mesmo no segundo turno. No primeiro turno, ele vai ver os outros disputando entre si. Ele tem um problema, o Lula. O problema dele é a comunicação, que sempre foi muito fraca no governo, melhorou com o Sidonio, mas com o Pimenta foi um desastre, basicamente. Tem outros problemas também. A questão do Rio Grande do Sul foi um problema sério. Tinha um candidato muito forte lá, o Edgar Preto, que está sendo preterido para ficar numa composição que está se...

construindo com o PDT, com a Juliana Brizola. E aí é uma coisa controversa, porque o D.H. Preto tinha muita potência para ser candidato.

Ele não foi para o segundo turno na última eleição no Rio Grande do Sul, por mil e tantos votos, quase dois mil, mas não foi tão significativo assim, quase que ele tira Eduardo Leite do segundo turno. Então, é um candidato que passou pela Conab, é um sujeito que hoje tem experiência, é um cara forte lá. Então, essas dificuldades são dificuldades internas, digamos assim, do campo da esquerda, principalmente do PT. Mas, assim...

Eu acho que o Lula vai disputar muito bem isso daí, então essa pesquisa não me impressiona no sentido de já haver qualquer definição. A única definição que tem é essa, vai ter que ter uma briga muito grande dentro do campo da direita, talvez se o Zema compor com o Flávio, aí vai ter o Caiado, vai ter o Flávio, mas alguém vai ter que se decidir, vai ter dois turnos, isso sempre se soube também. Então, ok, eu acho que está, digamos assim, acho que o...

O sinal de alerta, basicamente, para o governo é o seguinte, vocês estão se comunicando mal. Vocês não têm uma proposta, talvez, para o futuro. Isso a gente sempre tem falando aqui. Que diga algo além. Exatamente, que diga algo além do que, de fato, já foi feito até hoje. Marco, isso é interessante. É uma análise, é como se o presidente Lula tivesse uma...

Talvez um domínio mesmo da linguagem, num jeito velho de se fazer política. Não dominou, não conseguiu até agora entender como é essa comunicação em tempos de redes sociais, Marco.

É, eu acho que isso aí certamente é um problema. E como também eu acho que é um problema, que existe uma transformação profunda hoje no mundo do trabalho que advém da tecnologia. A gente já falou isso algumas vezes, né? E isso tem uma mudança na forma de produção.

que gera também, que conversa diretamente com a mudança da geopolítica. Então, quando a gente olha essas coisas num conjunto, é um mundo meio novo, em que a representação política já é mais fluida, os sindicatos já não são tão mais potentes. Enfim, então, o que vai ser a proposta para os próximos quatro anos que o governo...

que a esquerda pode colocar na mesa, que vai ser tão interessante que as pessoas vão se sentir seguras e mais protegidas e vão querer investir esses quatro anos. Agora, a gente tem o outro lado da moeda também. Quando a gente olha, por exemplo, pegar talvez o personagem mais protagônico hoje, por causa da filiação familiar, digamos assim, que é o Flávio Bolsonaro, por exemplo, o Brasil teve um tarifaço.

que tem repercussões ainda, e em momento algum a gente viu o senador falar qualquer coisa quanto a isso. Muito pelo contrário, ele participou da convenção ultraconservadora nos Estados Unidos.

colocando o Brasil, inclusive, de uma forma muito exposta para o interesse do presidente americano. E quando nós sofremos um tarifácio. Então, o que se esperava do senador? Ok, eu estou num campo político de oposição, estou à direita, mas o Brasil está acima de tudo. Então, como é que fica esse discurso? Então, você vê que tem fragilidades aí também.

Muito sérios. E isso, eu acho que é uma coisa que me incomoda. Isso vai ser levantado, com certeza, quando começar a... Não, certamente. Certamente. Mas meu incômodo vem daí, sabe, Petra? Porque eu fico pensando, ambos os lados não têm propostas muito interessantes, muito claras para o Brasil, que se defronta com um mundo em que a geopolítica mudou, em que a tecnologia, a forma de produção e, portanto, também a inserção no mundo do trabalho das pessoas está mudando, a insegurança das pessoas aumenta muito.

O potencial do desemprego é gigantesco com as novas tecnologias, gigantesco, nossos ouvintes aí.

devem estar um pouco angustiados e aqueles que já têm emprego, etc., devem pensar nos filhos, como é que vai ser o futuro desses filhos. Então, qual é a nossa estratégia para esse novo mundo? E aí eu vejo uma certa falência propositiva no nosso tabuleiro político, porque, de uma forma, por um lado, existe uma certa dificuldade de se articular, vamos supor, para a esquerda, uma proposta mais...

fronteira, e até acho interessante, isso é um detalhe legal. Por exemplo, o presidente Lula vai participar da feira de Hanover, que é uma feira de alta tecnologia na Alemanha. Acho que logo por agora, nesse mês, se não me engano, no final desse mês.

E isso, espero que abra os olhos para entender como o mundo está mudando. E talvez isso pudesse ser uma boa parte, digamos assim, da pauta. Porém, quando eu vejo, eu vejo uma pauta de discussão de um regime menos Estado, quando o Estado é super necessário justamente para dar proteção social, talvez...

não da forma ineficiente, ineficaz, como é agora, é claro, mas ele é importante. Então, você vê essa discussão e, por outro lado, você vê a discussão também de extensão de direitos através de benefícios e bolsos, que é importante, é central, porque o país é muito desigual, mas, ao mesmo tempo, não é suficiente. Acho que a grande chave para o Brasil são duas.

Uma é um investimento muito grande numa educação que conversa com essa mudança tecnológica e a outra é entender que existe uma série de empresas para as quais o Brasil é muito interessante, principalmente as de alta tecnologia, as plataformas, que elas têm que ser taxadas, elas têm que trazer de volta o que elas nos levam. O que elas nos levam? Essa é uma pergunta importante que as pessoas talvez não entendam. Elas nos levam o nosso olhar.

Desculpa. O tempo que a gente olha numa plataforma...

numa rede social, que a gente dá um like, que a gente gosta de alguma coisa, gera uma informação importante para a venda de mercadorias. Então, esse olhar, que é uma coisa imaterial, intangível, é uma coisa que a gente está aportando lá. Portanto, alguma coisa tem que voltar também. A nossa cultura é muito prezada e muito utilizada para a construção de bancos de dados no mundo, por causa da nossa diversidade. Então, usando o Brasil quase como uma...

um laboratório, você consegue meio que...

desenhar estratégias algorítmicas para o mundo todo. Então, isso tem valor também. A cultura tem um peso e um valor. São coisas muito intangíveis, fica muito longe da gente. A gente não está acostumado com isso. A gente está acostumado com o carro, com o computador, com a roupa, enfim, com coisas tangíveis que a gente pode pegar e tal. Mas o intangível hoje é onde está o maior valor da economia do futuro. Você vê a inteligência artificial, passa muito por aí. Então, temos que ter proposta para isso. Temos que preparar o futuro.

para um mundo muito diferente. E o emprego está sob ameaça. Então, essa insegurança deveria ser central na pauta e a defesa do Brasil central. E a gente não vê o movimento nesse sentido. Inclusive, ontem, foi uma pergunta que veio para a gente no nosso comentário de política também do sábado aqui no Revista. Justamente sobre isso. O quanto, a gente já está invadindo aqui o Repórter CBN, mas quero só te fazer essa última pergunta.

Até talvez sugerir essa, como o sussurro das redes, no sentido assim, o quanto que o eleitorado vai pressionar por projetos, por planos de governo, porque até agora a gente está de novo vendo o mesmo recorte de intenção de voto, muito focado nas figuras políticas.

E muito menos em planos de governo, estratégia. A gente não sabe o que cada um quer para o Brasil. Para esse Brasil que você está falando, que está situado num momento do mundo de transição profunda, transição do trabalho, transição da sociedade, transição até dos modelos políticos. Como é que a gente entende isso, Marco?

As pessoas, simplesmente, elas têm hoje, eu acredito que a maior parte dos nossos ouvintes, eu compartilho isso também, todos nós temos uma angústia com o futuro. Essa angústia não é muito definida, ela não é muito clara. E isso, evidentemente, impacta não só a nossa vida pessoal, mas impacta a vida, por exemplo, também das corporações, das empresas. Qual o futuro do trabalho? Como é que vai se dar a mudança do processo de mercado?

a compra, a inserção das pessoas, tudo isso é muito complexo. Eu acho que a gente precisa de uma nova geração de personalidades políticos ou de funcionários públicos, ou de juristas, ou de parlamentares que comecem a incorporar essa pauta com mais vigor. Eu vou entrar só pegar aqui um rabicho aqui, teve dois pontos muito importantes aí que finalmente o presidente do Senado, a Columbre, ele colocou.

Na pauta, a questão da dosimetria, que tem sido extremamente polêmica e está crescendo muito nas redes. Eu diria que esse é um bom surro, surro interessante para se prestar atenção, ter uma atenção muito grande nisso. E a outra, a indicação do ministro da AGU, Messias, para o STF, que é muito importante, a meu ver. Por quê? Porque o Messias é um sujeito que conseguiu colocar dentro da AGU essas pautas que a gente está conversando. E é muito importante que a gente tenha o Supremo.

Ele é absolutamente central, o Supremo observa sobretudo a nossa Constituição. Então é muito importante que no momento que tem uma vaga de um ministro, quer dizer, o Supremo está com menos ministro, que se coloque ali alguém não só que seja capaz, intelectualmente bem formado, mas também que traga essas pautas que são fundamentais para o futuro do Brasil para compor o elenco de repertório da Corte, da mais alta Corte.

Eu acho que a gente tem que ter atenção nesses dois pontos que estão agora sendo discutidos no Senado e eu espero que a gente consiga trazer essas pautas que a gente está conversando aqui para o dia a dia da reflexão pública. Eu vou ter que aumentar o quadro da semana política, é isso que vai acontecer. Querido, um beijo imenso para você, muita coisa para comentar, sempre brilhante, ótima semana e até domingo que vem. Beijo para todos aí nossos ouvintes e fé no Brasil. Beijo.

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