Parcerias de negócio como estratégia de crescimento
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- Negócios e ParceriasMemed · indústria farmacêutica · digitalização na saúde · prescrição médica digital · telemedicina · inteligência artificial na saúde
- Modelo de negócio da Memedfinanciamento da plataforma · sustentabilidade financeira · parcerias estratégicas
- Saúde no Brasilfragmentação do setor de saúde · comunicação entre médicos e farmácias · regulamentação da Anvisa
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Mundo Corporativo, com Milton Jung. Olá, tudo bem com você? Seja muito bem-vinda, seja muito bem-vindo a mais um capítulo do Mundo Corporativo, que hoje se dedica a falar sobre negócios, carreira e parcerização. Um conceito que eu arrisco dizer que é um formato de colaboração ativa, que vai além da simples prestação de serviço, cria uma rede de cooperação ali em busca de...
resultados mútuos, ou seja, todos saírem ganhando neste processo. E para falar deste assunto, nós convidamos o Rodolfo Chung, CEO da Memed, que é uma plataforma de receita médica digital. Rodolfo Chung, muito obrigado pela sua gentileza de estar conosco aqui no mundo corporativo. Um bom dia para você. Bom dia, Milton. Para mim que é uma honra. Obviamente eu sou ouvinte, admiro o trabalho há tantos anos. Obrigado pela oportunidade.
Como é que essa experiência da Memed nos ajuda a entender o conceito de parcerização a qual eu me referi? A Memed é uma empresa super interessante. Ela é bastante diferente. Ela está nesse mundo da saúde. E o mundo da saúde, ele já é bem específico. Eu acho que...
Ele é muito fragmentado, existem muitas empresas. E se você parar para pensar, as pessoas às vezes não refletem muito, mas essas empresas não se conversam muito. É impressionante como elas são isoladas. Se eu paro para pensar que o médico, por exemplo, primeiro um ator na saúde, você vai fazer uma consulta, o médico não sabe nada que acontece na farmácia.
Ele não sabe o que tem em estoque, qual é o preço, se você comprou o remédio, não comprou. Ele não entende de laboratório de exame. Ele pede para você fazer o exame, não sei onde você vai fazer, como é que faz. Ele não sabe muito. Eles não se trocam informação, não se conversam. A farmácia não entende muito de plano de saúde. Toda vez ela pergunta qual plano você tem, ela toda vez pergunta a mesma coisa. Ela não troca informações, ela não está integrada, não está conectada. O plano de saúde...
Não entende de faculdade de medicina, faculdade de menino, não entende de associação de paciente, não fala com a Anvisa. É impressionante como são tantos atores na saúde e ninguém, parece que ninguém conversa com ninguém. Ninguém parece que coopera com ninguém. É tudo quebrado, tudo separado, né?
Então eu fico fascinado com isso, porque eu acho que tem uma oportunidade enorme nesse setor de saúde da gente unir mais cada um desses atores. São todos importantes, mas são todos isolados, não é isso? Quem são os parceiros da Memed para que essa plataforma atenda as suas necessidades?
Olha, a Memed, que a gente conhece, é a receita médica que chega no médico. Você faz a consulta, sai da consulta já com um SMS, um WhatsApp no seu celular, com a sua receita de quais exames, de quais remédios. Então, você imaginar, olha, a Memed lida com o médico. A Memed lida com tanta gente. A Memed tem que tocar. Por isso que eu queria fazer ela muito especial. Ela tem que interagir com o médico.
Ela interage, obviamente, com o paciente, ela está no WhatsApp do paciente, mas ela também tem que ser aceita em todas as farmácias do Brasil, e ela tem que ser aceita em todos os laboratórios que fazem exames. A consulta, às vezes, é numa clínica, então ela tem que lidar com esse mundo de clínicas particulares. Às vezes, ela é num hospital, ela sai de um hospital, o paciente recebe alta. Os exames, às vezes, são feitos nos hospitais, uma endoscopia, um exame de imagem. Então, hospitais também são importantes.
Só que tem muito mais. A indústria farmacêutica, ela precisa conversar com o médico, prescrevem o remédio dela, a marca dela. Então, ela também é muito importante. Você pede o reembolso da consulta, você tem que ver se o exame vai ser aprovado ou não pelo plano de saúde. O plano de saúde é muito importante. Aí tem os órgãos reguladores.
A Anvisa, a Vigilância Sanitária, ela tem que saber tudo o que acontece, quais remédios foram prescritos, teve fraude, não teve. Conselho Federal de Medicina, Conselho Federal de Enfermagem, Conselho Federal de Farmacêuticos, as associações, todas elas têm associações.
São quase praticamente todos os atores. Pesquisa clínica é importante. Todos os atores da saúde, eles meio que passam pela prescrição médica. Um médico, ele receita um remédio, receita um exame, encaminha para um outro médico. Então, eu sinto que a memédia é especial porque ela toca em vários, quase todos os atores da saúde.
No modelo da Memédia, as farmacêuticas passaram a ocupar um espaço importante ali dentro dessa plataforma. Como é que se garante que essa parceria gera valor para todos? Inclusive para o médico e para o paciente, que afinal de contas seriam talvez os dois principais atores nessa relação. Verdade, é.
Existem uma... a gente estudou um pouquinho, né? E a indústria farmacêutica, obviamente, é um dos atores, né? É um dos mais importantes da saúde. Eu já li alguns livros, né? As pessoas perguntam muito assim... É subestimado, né? Imagina que a gente voltasse séculos atrás, né? Qual foi a maior contribuição para as pessoas melhorarem a saúde, ter longevidade? Será que foi um médico?
Será que foram os hospitais? Será que foram os remédios, medicamentos? Não tem resposta, obviamente, mas só essa provocação já faz você pensar o que seria do médico e do hospital sem o avanço tecnológico. A farmacêutica são fundamentais, centrais na saúde moderna. E ela tem vários problemas. Uma delas é que ela não pode fazer no Brasil desafios. Ela não pode fazer no Brasil, e eu super concordo, fazer propaganda de remédio.
Porque tem um risco muito grande de automedicação, da pessoa tomar remédio demais, tem efeitos colaterais. Então no Brasil, acho um grande avanço que a indústria farmacêutica não pode fazer propaganda de remédio para paciente. Só pode fazer para médico. Mas como é que você conta das suas vantagens, dos seus estudos clínicos, das suas novidades para o médico? Não é fácil achar o médico.
Você não pode ir no Instagram e falar assim, esse cara pelo algoritmo eu acho que esse daqui é um doutor, eu vou fazer uma propaganda. Não tem como provar. Então é muito difícil uma indústria farmacêutica se comunicar com um médico. São mais de 500 mil médicos no Brasil, em qualquer lugar, no particular, no privado, no público, na clínica, no Brasil profundo. Então é muito difícil chegar nesse médico. A indústria usa um recurso que são os representantes, os propagandistas.
São dezenas de milhares no Brasil. É uma classe incrível. Eles fazem um papel super importante. Mas eles têm suas limitações. Eles não chegam no Brasil profundo. Eles não conseguem visitar um médico toda semana, uma vez por mês. Ele não tem tempo para ser recebido por tantas empresas, tantas indústrias. Como é que ela vai comunicar que tem um novo estudo clínico, uma nova indicação?
Aí entra a Memed. A gente descobriu que a gente pode ajudar a indústria farmacêutica a se comunicar com o médico também. Porque a gente é o software que o médico usa todo dia na consulta durante a prática médica dele. 150 mil médicos usam por mês a Memed. Esse mês, mais de 150 mil médicos vão usar.
Então a gente sentiu que a gente tinha esse canal de comunicação com o médico e a gente poderia facilitar, ajudar a informações científicas pertinentes chegarem ao médico. A Memed passou a ser mais conhecida do público no período da pandemia. Agora já existe há muito mais tempo. 15 anos, Milton. Ela é pioneira, ela inventou a prescrição médica digital no Brasil.
E isso ainda tem um trabalho muito grande de difundir. Essa pressão digital, que você recebe num QR Code, que a farmácia BIPA já sabe tudo o que foi pedido para você, o laboratório já sabe tudo o que foi pedido para você, isso é prática em outros países, 100%. Nos Estados Unidos, todas as pressões são digitais. Na Europa, na China, na Argentina, na Austrália. No Brasil, ainda não. No Brasil, eu estimo que só 15%.
E a Mimed começou essa jornada lá atrás, mas é tão devagar a adoção. Não é igual o Pix, que de repente já foi adotado. A gente ainda vive na saúde, na era do talão de cheque. Ainda a grande maioria, como eu falei, 85%, ainda é um editor de texto, tira foto, PDF, imprime.
Caneta, garrancho do médico. Ainda estamos nessa época. Mas a Memed tem 15 anos já nessa batalha. E é verdade, na pandemia foi aprovada a lei da telemedicina. Isso também impulsionou muito a digitalização. Então a gente vem crescendo muito mais rápido depois da pandemia do que antes.
E agora, quando você chegou à Memed, você inclusive encontrou uma empresa ali que havia investido por décadas e sem gerar lucro. Houve uma grande transformação. Qual foi ali o grande sinal de que o caminho que vocês estavam buscando, que você pensava era o caminho que poderia dar um resultado que vocês estão alcançando hoje?
Essa parte de negócio, de modelo de negócio, acho que a Mimed é bem especial, bem diferente. Ela foi muito corajosa. Ela foi fundada por médicos, dermatologistas de avaré. Mas no começo ela decidiu, gente, é muito importante e a adoção é muito importante. Então, eu poderia cobrar do médico, eu poderia cobrar do paciente, eu poderia cobrar da farmácia.
E se a gente não cobrasse de ninguém? Vamos fazer de graça para incentivar a adoção. E durante 10 anos eles foram dessa forma. Foi de graça, distribuído de graça. Talvez assim como o Google, assim como o WhatsApp, assim como várias outras plataformas digitais. Vamos ser de graça. Depois a gente descobre, quando a gente for bem adotado, a gente descobre como ganhar dinheiro. Então a Memed durante muitos anos ela passou...
Sem faturamento, sem receita. E eu trabalho muito, eu penso muito sobre modelos de negócio e acho que hoje ela acertou esse caminho. Hoje ela já sabe como se manter e ela sempre vai ser de graça para o médico, para o paciente, para a farmácia. Ela nunca vai precisar cobrar do paciente nem do médico. Quem paga a conta?
A indústria farmacêutica, como a gente falou, ela tem essa necessidade de acessar o médico, de falar para ela quais são os lançamentos. E só ali, hoje em dia, a gente já consegue manter o negócio sustentável, só com esse um ator. Mas a gente tem outras possibilidades no futuro, mas isso já tem sido suficiente para a gente ser lucrativo. E quais são os resultados financeiros que vocês têm obtido a partir dessa mudança?
Olha, a gente consegue medir, a indústria farmacêutica consegue realmente ficar bastante satisfeita, porque a gente mostra, como qualquer veículo de comunicação, um canal de mídia, a gente mostra com quantos médicos ela consegue falar, ela consegue ver se a marca dela está sendo mais lembrada, se a mensagem que ela quis disseminar foi absorvida ou não pela classe médica. Então a gente consegue olhar esses retornos de investimento, de mídia.
E como muitos canais de comunicação, a gente consegue já deixá-las bem, bem felizes e satisfeitas como uma alternativa no mix de comunicação que ela tem. Ela tem vários jeitos de falar com o médico, digitalmente deveria ser um meio. Nos Estados Unidos, a gente estima que 25% da comunicação com o médico é feita digitalmente. No Brasil...
Acho que nem 1%. Então tem muito a avançar no Brasil a parte da digitalização da comunicação com o médico. Agora, quando você chegou na empresa e aí você foi buscar ali quem era, e essa era uma das suas missões,
quem vai financiar essa plataforma para que ela possa realmente atender as demandas necessárias e continuar respeitando essa proposta inicial de que nem paciente nem médico pagariam essa conta, quando você chega lá, você traz uma experiência de trabalhos anteriores que você realizou.
contar para o nosso ouvinte que parte desse trabalho? Podemos começar ali pelo Zé Delivery? Podemos, podemos. É curioso, porque o meu background não é de saúde. E saúde é conhecido por ser uma coisa tão específica, técnica e fechada, é muito específico, foi muito intimidador para mim.
fazer essa mudança de carreira para a saúde. O meu background, inclusive, é o oposto. Eu vendia... Eu trabalhava na indústria de bebidas. Trabalhei tantos anos, 21 anos na Ambev. Globalmente. Fui expatriado por muitos países e tudo mais. Meu último cargo, minha última função foi CEO do Zé Delivery. A gente fala que ele tem um tamanho de unicórnio. Ele deu muito certo. Ele cresceu também na pandemia.
E naquela época eu ajudei ele a se estruturar como um negócio, né? E foi um prazer, foi uma honra poder ser seu desadeler. E eu trago, não é irônico, mas eu trago aprendizados, talvez de negócios, de tecnologia, do setor de bebidas para o setor de saúde. Eu acho que tem um fascínio, assim, de até setores tão opostos, tão diferentes, a gente conseguir fazer conexões. Um desses negócios foi descobrir qual era o parceiro que você poderia ter e que financiaria aquele processo.
No Zé Delivery, ele tem um modelo de negócio bastante diferente. Talvez o mais intuitivo, o mais óbvio seria que como é que o Zé Delivery... Ele compra e vende bebidas, ele ganha dinheiro na margem, ele é o varejo. Se não é ele que compra e vende, talvez ele ajuda a adega do bairro, cobre uma comissão da adega do bairro. Esse era o mais óbvio.
Modelos como o iFood, eles trabalham dessa forma, né? Eles cobram uma comissão de quem vende, né? E o Zadelivri descobriu que não, que ele cobraria zero da Dega, ele pagaria muito bem, ele não apertaria o entregador.
um motoboy, e ele pensou que quem tinha bastante problema e recursos e margem para conseguir contribuir era a indústria de bebidas. Uma fabricante de destilados, uma fabricante de cerveja, um beve, por exemplo. São essas grandes empresas que tinham recursos e tinham dores para serem resolvidas, problemas para serem resolvidos. E o Zé Deliver sempre ficou muito próximo dessas empresas, as empresas fabricantes de bens de consumo, por exemplo.
Esse é um paralelo que a gente faz da Memed. A Memed aprendeu uma coisa. Para quem você cria valor, não necessariamente é com quem você deveria monetizar. Não tem que ser direto. Você pode muito bem criar valor para um ator, para uma entidade e cobrar ou criar valor para uma outra. Não tem que ser linear dessa forma. E a Memed é assim. Por isso que ela pensa que ela cria valor para o médico, mas não necessariamente ela precisa cobrar do médico.
Aí tem um ponto do olhar sobre essa ideia da parcerização, porque de cada parceiro, não se tira tudo de todos os parceiros. Tem que se entender o papel de cada um deles e onde tem o valor que cada um pode ganhar naquele processo. Como é que funciona isso na lógica de um negócio? E nós podemos estar falando dos mais diversos negócios que nós temos hoje na economia brasileira.
Eu acho que a Memet é muito especial porque eu falei que ela lida com muitos atores. Mas isso vale para qualquer negócio. Qualquer negócio tem mais de um stakeholder, mais de um agente. E será que todos eles eu quero uma coisa transacional? Ou de alguns deles eu quero uma outra coisa, um outro benefício, uma outra parceria, uma outra ajuda? Então a Memet pensa muito disso. O que eu quero...
do médico, como eu quero ajudar ele, o que eu quero do governo, o que eu quero da Anvisa, como eu posso ajudar a Anvisa. E para cada um deles a gente tem um valor na parceria, tem um valor na parceria. E nem todos, ou quase nenhum, é monetário.
Na maioria das vezes é uma troca de integração, de parceria. Eu faço o negócio dele ser melhor, ele faz o meu negócio ser melhor e não precisa ter uma troca monetária nisso. Então a gente tem muito essa cabeça. Posso dar um exemplo. A farmácia.
Eu acho que a farmácia se beneficia, sim, da prescrição ser digital e não ser um garrancho do médico. É melhor para a operação dele, é mais rápido, é mais seguro. E eu preciso dele também, eu preciso que ele aceite, eu preciso que ele prefira uma prescrição digital. Se ele não aceitar, não funciona esse meu negócio. Então, nem sempre eu preciso pagar para ele, ele precisa pagar para mim. Pode ser simplesmente eu ajudar o negócio dele a ser mais eficiente e ele ajuda eu a ser mais bem adotado.
No final das contas, o que eu queria muito era que mais atores achassem que a prescrição digital seja boa.
porque a penetração da pressão digital ainda é muito baixa. Muita gente ainda acha que imprimir é melhor. Então, o que eu preciso desses atores do hospital, o que eu preciso do plano de saúde, o que eu preciso da Anvisa, é que eles impulsionem, que eles favoreçam, que eles privilegiem a digitalização. Não necessariamente que eles me paguem por isso. O que impede uma adoção mais rápida, especialmente entre os médicos mais experientes?
Olha, a gente tem uma frase na parede do escritório de um ator importante do mundo de startups, que se chama Peter Thiel, americano. E ele fala assim, olha, tem um livro que se chama De Zero a Um. Ele fala que para você mudar o hábito de alguém é muito difícil. Demora, é difícil. E você não consegue mudar o hábito de alguém com uma solução melhor.
a solução tem que ser 10 vezes melhor. E isso ficou muito na nossa cabeça. Talvez hoje a prescrição digital é mais rápida, ela é mais segura, ela não se perde. Talvez isso seja melhor. Mas eu acho que ela tem espaço para ser 10 vezes melhores. Então a gente vai evoluir muito. A minha obsessão, a única coisa que a minha empresa faz vai ser a melhor prescrição digital possível e imaginável.
Até que a gente dê razões o suficiente para que o médico... Não, agora não tem condições. É muito melhor fazer digital. Eu não vou mais fazer impressa. Então, eu acho que é isso. Eu acho que a gente ainda pode melhorar bastante o produto nessa direção. E é verdade. Os jovens usam muito mais. Os mais experientes usam menos. E acho que é uma curva natural. A prescrição digital já vem crescendo rapidamente. Eu estimo que ela cresça 35% todo ano, pelo menos.
Então, uma questão de 3, 4 anos vai acabar o papel na receita médica. A autorização para as receitas que eu chamaria especiais, que é a receita azul, amarela, para os remédios tarja preta, pode ser um ponto também que amplie este mercado? Até porque essa restrição, imagino, acaba deixando muita gente de fora? Com certeza.
Para remédio digital de apreta, ela não pode até hoje ser prescrita da forma digital. Só pode ser feito com um talonário azul amarelo, que é quase que um talão de cheque. E não é irônico, porque não é que deveria poder ser digital, deveria só poder ser digital, porque digital é mais seguro.
digital você não consegue, você traqueia, você monitora as fraudes. Você sabe que um médico não pode prescrever demais, um paciente não pode passar em cinco médicos e receber cinco prescrições para a mesma doença, para o mesmo medicamento. Você consegue enxergar que uma farmácia...
Não pode dispensar mil caixas num dia só, porque daí é fraude. Então, o digital deveria ser melhor, mas ele demorou mais porque tem muitos padrões, era muito difícil, mas a boa notícia é que a Anvisa, nessa gestão, conseguiu finalmente regulamentar isso. E agora, em abril de 26, talvez entre abril ou um pouquinho depois, vai estar em prática isso. Isso é um grande marco e é um grande avanço e, obviamente, vai impulsionar a pressão digital no Brasil.
Sobre a questão da segurança que você estava chamando a atenção, uma preocupação que se tem é quanto àquela prescrição de remédios por mais longo tempo, que eu preciso tomar 3, 4 meses muitas vezes. E aí precisaria comprar em maior quantidade, mas nem sempre eu quero comprar em grande quantidade, eu quero comprar mês a mês até por uma questão do meu orçamento. Isso a Receita Digital já resolve para mim?
É muito bom, acho que as pessoas, poucas pessoas pensaram nisso, mas isso é um problema real do dia a dia das pessoas. Em outras palavras, o que você disse é que tem muitos remédios que precisam de receita retida, e o médico te prescreve 3, 4, 5 caixas ou uso contínuo. Eu chego lá, tomo um susto no preço daquele remédio, digo, nesse mês eu só vou poder comprar uma. Ou não tem estoque. Às vezes a farmácia não tem 10 caixas de estoque do remédio. Então eu vou comprar uma das 3 que eu deveria comprar. Se for no papel...
você tem que entregar a receita e ela é inutilizada e você tem que voltar no médico para pedir uma nova via no mês que vem, na semana que vem. No digital, não. Você tem que invalidar ela, mas você faz isso digitalmente, eletronicamente. Então, você pode, na Memed, você pode, olha, das três caixas, na verdade, tem cinco remédios aqui. Esse você comprou, esse você não comprou. Esse você comprou duas caixas, não as três. E aí, você pode reutilizar o saldo que sobrar.
Digitalmente isso é possível, no papel é impossível. Ou seja, é mais uma vantagem que o digital nos oferece. E isso já é possível de fazer hoje, isso já acontece hoje. Já acontece, mas às vezes as pessoas não sabem. Então essa é mais uma razão das 10 que eu vou dar para que o digital um dia realmente prevaleça sobre o papel.
Tá, estão faltando mais ou menos umas sete aí para você me trazer aqui. A primeira delas é que eu vou entender a letra do médico. Nunca mais certeza. E nós estamos aqui, claro, a gente fala disso até porque tem um estereótipo da letra do médico, mas é uma verdade quantas vezes você chega ou chegou numa farmácia e o próprio farmacêutico não compreendia direito. E se o próprio paciente não sabe direito o que vai tomar, o farmacêutico não entende, os riscos são grandes.
Então eu brinquei aqui com a história da receita escrita. Mas é real isso. Mas é real.
É uma realidade que se tem. Tá bom, vamos lá. Para quem está nos ouvindo aqui, lidera um negócio. Com todos esses ensinamentos, como identificar se é a hora de buscar parceiros em vez de expandir sozinho? Eu acho que hoje em dia tem uma palavra que está na moda, que é você ser mais leve no capital empregado, ser mais ágil. Agilidade é muito importante.
Eu penso muito sobre IA agora, como ela vai mudar tudo. E nesse momento é importante ser rápido. E nem sempre você ser humilde para reconhecer que nem sempre você vai fazer melhor tudo. Tem gente que só faz aquilo, tem gente que só pensa nisso o dia inteiro. E eu acho que nessas horas que você deveria procurar parceiros. Foca no que você faz, bem feito.
E procura parceiros para as outras coisas. Dessa forma você consegue fazer com que a jornada seja mais fluida, o produto final para o seu cliente seja melhor, mas sempre trazendo parceiros. Não sempre a regra, mas esse é um contraponto a uma tendência que a gente chama de verticalização. A verticalização significa que você vai fazer todos os elos da jornada inteira.
É um modelo, pode acontecer. A Memed não acredita nisso. A Memed acredita muito em parcerizar com atores, ser mais horizontal, ser mais especialista, fazer mais bem feito uma coisa.
Você falou aqui de inteligência artificial, a aplicação dessa tecnologia toda, ela é intensa dentro de uma empresa digital como a MMMed. Transformacional. Então, em saúde, talvez, sejam os setores em que a IA mais vai transformar, mais vai ser impactante. Desde a decisão clínica...
Desde a diminuição da burocracia, nossa, não tem setor que tem mais papelada do que a saúde. O médico é um mundo de informações, a gente precisa dar ferramentas para o médico tomar as decisões dele melhor.
Cada vez mais tem generalistas, clínicos gerais. É difícil ele se aprofundar em todas as especialidades. Então a IA está aí para ajudar ele. A gente sempre vai achar que a IA é um superpoder para o médico. Nunca para substituir o médico. A MIMED acredita que o médico sempre vai ser central e fundamental.
O paciente vai se beneficiar muito com o IA, sabe? O nível de informações, de engajamento, o empoderamento do paciente. Isso vai ser muito importante. Não adianta o médico prescrever alguma coisa. Se o paciente não entender para que serve, qual é a importância, ele não vai fazer. Porque no final das contas é ele que decide se ele vai ou não vai tomar o remédio, se ele vai ou não vai fazer o exame. Então, a IA vai ajudar em tantos lugares na saúde. É muito importante. E para a memédia vai ser transformacional mesmo.
Rodolfo Chung, muito obrigado pela gentileza de ter aceitado o nosso convite, pelo compartilhamento do seu conhecimento e da sua experiência aqui com aqueles que nos acompanham no mundo corporativo. Até uma nova oportunidade. Um prazer, Milton. Obrigado pela oportunidade de falar sobre parcerias e falar sobre digitalização na saúde.
Rodolfo Chung, CEO da Memete, foi o nosso convidado aqui no Mundo Corporativo. Essa entrevista completa você pode assistir no canal da CBN no YouTube, no site cbn.com.br ou no aplicativo da CBN. O Mundo Corporativo também está disponível no Spotify ou no podcast mais próximo do seu celular.
Lá no meu blog, miltonjung.com.br, Jung, você escreve com J-U-N-G. Além do texto dessa nossa conversa, do vídeo à sua disposição, tem também o espaço para você deixar a sua opinião e a sua sugestão. Colaboraram com esse programa Carlos Greco, Wendell Stiles, Rafael Furugem, Débora Gonçalves e Priscila Gobiotti. Até o próximo capítulo do Mundo Corporativo.
Chegou a hora de deixar os carros da idade da pedra para trás. O BYD Dolphin Mini foi o elétrico mais vendido no varejo por dois meses consecutivos. Pela primeira vez, um carro 100% elétrico lidera essa posição no Brasil. E chegou a sua vez de ter um carro mais econômico que moto. BYD Dolphin Mini, a partir de R$ 109.990 para CNPJ. Fala até uma concessionária BYD e faça um test drive. Consulte condições em byd.com.br. No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas.
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