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Por que o 's' não é mantido nos plurais diminutivos de algumas palavras?

09 de abril de 202611min
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O ouvinte Sérgio pergunta por que o 's' não é preservado nos plurais diminutivos, como em 'açõezinhas' ou 'coraçõezinhos', sendo que no plural se escrevem com 's' em 'ações' e 'corações'. O Professor Pasquale responde.

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Participantes neste episódio1
P

Professor Pasquale Caminha

HostProfessor
Assuntos1
  • Plurais diminutivosUso do 's' em plurais · Diminutivos com 'z' · Exemplos de palavras
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A nossa língua de todo dia, com o professor Pasquale. Oi, professor, boa tarde. Dequeterista, Tatiana, boa tarde. Boa tarde, Fernando, boa tarde. O pessoal da técnica aqui, o Dani, o Doug, que duzinha, viu?

Fazendo o que esses dois? E aí, tudo bem, professor? Rádio, né? Rádio, rádio é assim. Tudo sob controle. Eu quero dizer uma coisinha antes. Quero dizer do boletim do Zé Godó, e ele falou do livro Águas de Março. Eu já estou para falar faz tempo, recebi o livro aqui da editora e comecei a devorar. O livro é monumental.

Então, Águas de Março, Editora 34, são ensaios memoráveis, o livro todo é memorável, e quem se interessa pela cultura brasileira, por essa obra magnífica que é esse livro e a canção que inspira o livro.

Um hino, um hino internacional, onde quer que a gente ponha os pés, a gente ouve águas de março. Às vezes, em outra língua, as versões não são muito felizes. Em italiano, por exemplo, a versão é meio boba. Em inglês também não é grande coisa. Mas em português, meu Deus do céu, viva Tom Jobim. Vamos lá.

Professor, hoje dúvida de Sérgio Campelo de Santana do Parnaíba em São Paulo Aproveitando a dúvida do ouvinte da redação Renato isso foi no dia 18 de março sobre preservar o S em palavras como paralisar e analisar porque isso não acontece nos plurais diminutivos como em aço açoenzinhas URiat

Ou coraçõezinhos. Sendo que no plural se escrevem com S e ações e corações. Grande abraço, parabéns aqui. Aliás, parabéns pela canção do Zé Geraldo como exemplo. Coisa linda. Ele já dá aqui o auxílio? Ok.

Não, é que nesse dia 18 de março eu toquei o Zé Geraldo e ele gostou do auxílio que eu pus lá. Bom, a pergunta dele é interessante porque ele quer saber, afinal das contas, por que alguns diminutivos, como açõezinhas, por exemplo, coraçõezinhos, por que em alguns diminutivos a gente tem o Z, coraçõezinhos?

se escreve com o Z e em outros diminutivos a gente não tem o Z, tem o S, casinha, por exemplo, freguesinho, ele é um freguesinho, uma criança que seja freguesa, um freguesinho que vai se escrever com S e tal, afinal, qual é a explicação para isso?

Então eu vou começar com um auxílio, parece uma coisa simples, mas é mais do que isso, é uma coisa interessante para a gente começar a pensar. O primeiro auxílio é um clássico do príncipe Paulinho da Viola, uma canção dele chamada Nada de Novo.

que ele gravou em 70 no disco Foi um Rio que Passou em Minha Vida, a primeira palavra do trecho que eu destaquei parece uma coisa simples, mas é o começo de tudo. Vamos lá. Papéis sem conta sobre a minha mesa O vento espalha as cinzas que deixei

E aí

Alguma coisa diz, preciso abandonar os versos que já fiz. Nada de novo capaz de despertar minha alegria, diz a letra. Qual é a primeira palavra dessa memorável canção de Paulinho da Viola?

A palavra é papéis. Papéis sem conta sobre a minha mesa. O vento espalha as cinzas que deixei e tal. Papéis. Papéis se escreve com E, I, S. E é o plural de papel com L. Cuidado para não confundir o plural de troféu que é com U.

troféu, o plural é troféus, não é troféus. Muita gente faz o plural troféus se apoiando em papéis, só que a grafia do singular papel é com L, troféu é com U.

E de papéis, que é plural de papel, se a gente quiser fazer o diminutivo plural, o que vai acontecer? Então vamos para Maria Creuza, que vai cantar uma canção chamada A Timidez Me Devora, composta por Jorginho e Walter Rosa. Ela gravou isso no disco Maria Creuza e os Grandes Mestres do Samba 75.

Vamos lá que vai haver o plural diminutivo e a gente vai pensar na grafia disso. Vamos lá. Luzes, fantasias serpentinas, papéis coloridos.

Amores se renovam toda hora. Minha alegria parte e vai embora.

Então por que somente eu não tenho direito Aos folguedos próprios da idade aproveitar? A timidez me devora Favorece a tristeza que invade o meu lar

A gente pega carona aí e antes do plural diminutivo a gente vê timidez que se escreve com Z. Está aí a timidez me devora, favorece a tristeza que se escreve com Z e é fácil entender isso. Timidez vem de tímido, o adjetivo é tímido. E o substantivo que dá nome à qualidade possuída por quem é tímido é timidez.

Esse substantivo é formado pelo adjetivo tímido mais o "-es", sufixo, que nesse caso é com "-z". A mesma coisa acontece com triste e tristeza. Triste é o adjetivo para formar o substantivo que designa o nome da qualidade. Tristeza, eu acrescento "-esa", acrescento com "-z".

Isso vale para todos os casos análogos, belo, beleza, fraco, fraqueza, estúpido, estupidez e por aí vai. E lá em cima, no começo da letra, luzes, fantasias e serpentinas, papeizinhos coloridos. Vimos na letra do Paulinho, papéis. E agora, papeizinhos, que se escreve com Z.

e é a pergunta do ouvinte, mas papéis termina em S? Por que que papéisinhos é com Z? Porque papéisinhos é o plural de papelzinho. E a palavra papelzinho se forma com a letra Z.

Por isso, ó, tá chegando a pamonha aqui. Por isso, papelzinho é com Z. Consequentemente, o plural de papelzinho, que é com Z, é papeizinhos, que é com Z. Coraçõezinhos, que ele cita lá, é o plural de coraçãozinho. Coração maiszinho, com Z de zebra. Então, coraçãozinho, coraçãozinhos com Z de zebra. E o outro caso que ele dá é ações.

açãozinhas, que são pequenas ações, então ação, açãozinha, mas isso é uma açãozinha, nós precisamos de uma açãozona, uma açãozinha que vai se escrever com Z, porque o diminutivo aí é feito com Z, e de açãozinha, a açãozinhas com Z. Então está aí a explicação para essa questão Sérgio Campelo, que é de Santana de Parnaíba, município da Grande São Paulo.

E isso vale para todos os casos analogos. Certo? Certíssimo. Obrigado, professor. Beijo, professor. Até amanhã.

Um ouvinte aqui, o Carme, está dizendo que o Vinícius tinha mania, eu estou vendo aqui o chat, o Vinícius tinha mania de usar o diminutivo. É verdade. Ele chamava todo mundo pelo diminutivo. Tonzinho. Já que falei de Tom Jobim, ele chamava o Tom de Tonzinho. E por aí vai. É isso. Beijo para vocês. Até amanhã.

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