Votação do veto à dosimetria antecipa sabatina de Messias e pode agravar crise do governo Lula
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- Veto à dosimetriaCrise política do governo Lula · Sabatina de Jorge Messias · Articulação política no Congresso
Viva a voz com Vera Magalhães.
Vera? Oi Sardenberg, boa tarde pra você e pro Muniz, pra todo mundo que nos ouve e nos assiste. Boa tarde Vera. Vera, está se aproximando uma votação muito importante no Congresso Nacional que é a votação do PL da dosimetria, projeto de lei aprovado no Congresso Nacional que reduz as penas dos condenados lá da trama golpista.
O presidente Lula vetou o projeto, vetou o projeto por inteiro, e é esse veto que vai ser analisado no Congresso Nacional. O que nós estamos achando disso, Vera?
O que todo mundo está achando disso, Sardenberg, é que ao anunciar que está para marcar a sessão conjunta do Congresso, que vai analisar vetos do presidente, entre eles esse, que é o mais importante de todos, o presidente do Congresso e do Senado, Davi Alcolumbre, está mandando um recado do que pode ser ali um prenúncio para a votação do Jorge Messias no Senado. Tudo bem, são duas casas diferentes.
Dois contextos que também não são os mesmos, mas são duas votações igualmente importantes para o governo. Perder qualquer uma delas ou as duas significará mergulhar numa nova crise, num novo patamar de crise, que é...
a demonstração de ingovernabilidade com o Congresso, faltando poucos meses para a eleição e para o início oficial da campanha eleitoral. O presidente Lula, como você disse, vetou integralmente a nova dosimetria de penas para os condenados do 8 de janeiro e também da trama golpista, entre eles o ex-presidente.
Jair Bolsonaro, ele escolheu para esse veto justamente o dia 8 de janeiro, para dar a ele um peso simbólico e mostrar ali um alinhamento com o Supremo Tribunal Federal nas suas decisões que consideraram praticantes de tentativa de golpe, tanto os que invadiram a sede dos três poderes em 2023, quanto Bolsonaro e seus auxiliares.
E o Congresso deverá derrubar esse veto, não tem dúvida quanto a isso, porque esse projeto foi votado nas duas casas e ele foi vendido pelos presidentes das duas casas como uma tentativa de corrigir o que eles consideram que foi um excesso do Supremo em relação às punições para uns e para outros.
Isso, às vésperas da eleição, ganha um peso enorme, porque beneficia o Bolsonaro, beneficia seus principais ex-ministros, inclusive os militares condenados de maneira inédita em setembro do ano passado, e de novo vai significar uma derrota para o Supremo num momento muito delicado para a corte, em que dois ministros têm aí o seu comportamento escrutinado pela sociedade por ligações com o Banco...
E isso também vai mostrar a fraqueza, a tibieza da articulação política de Lula no Congresso, porque o presidente está ali sem muita interlocução, nem com o presidente da Câmara, nem com o presidente do Senado.
A gente pode ver ontem, o presidente da Câmara, Hugo Mota, disse que o governo havia desistido de mandar um projeto sobre a escala 6x1. No mesmo dia, mais tarde, o ministro Guilherme Boulos veio dizer que não, o governo vai mesmo mandar um projeto. Então, falta completa de articulação. E no Senado, o Jorge Messias, indicado pela segunda vez pelo Lula, e segundo o Davi Alcolumbre, sem combinar direito com ele,
Ontem fez um jantar com vários integrantes do Senado. Ele foi, inclusive, escoltado por um ministro do Supremo, o ministro Cristiano Zanin. Fez ali as honras para o Messias para mostrar que existe uma boa receptividade do próprio Supremo com a sua indicação. Mas o que aconteceu nesse jantar?
Não só o Davi Alcolumbre não foi, como também uma boa parte do Centrão não compareceu, compareceu a um outro jantar junto com a bancada do PL. Então são muitas as pistas que estão aí, estão dadas para quem quiser ouvir, entender, para bom entendedor, de que o governo está patinando na articulação política do Congresso.
Isso somado às pesquisas, e a gente falou delas aqui ontem, deveria ser suficiente para o governo entender que precisa fazer alguns gestos em direção a esses dois, ao Columbre e ao Hugo Mota, sob pena de perder discussões importantes no Congresso e demonstrar para a sociedade, para o eleitorado, um isolamento, um desgaste muito grande do Lula, que só vai corroborar os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os os
aquela avaliação que existe de que o governo vai mal, de que o governo não entrega o que promete, de que a economia vai mal, de que as pessoas acham que a sua vida não melhorou e que elas estão cansadas do Lula, que existe um desgaste muito grande de material do presidente Lula. E quando é que vai ter essa votação?
Ele falou que está próximo de marcar, que tem que ser marcado ali com algum... Ele falou, o meu desejo é que o mais rápido possível nós façamos uma sessão do Congresso para deliberarmos um assunto relevantíssimo e que carece de deliberação do Congresso, que é o veto ou a manutenção do veto do projeto de lei da dosimetria. Foi a declaração.
do Davi Alcolumbre. A manutenção do veto, nesse caso, é quase uma impossibilidade. Deverá ser derrubado. Existe maioria nas duas casas para derrubar também integralmente esse veto, porque o veto foi integral e a derrubada deverá ser também integral. Mas você falou que o Alcolumbre estava dando um recado. O que o Lula poderia fazer para evitar essa votação?
O que o Alcolumbre se queixa é que o Lula toma as iniciativas sem combinar, sem conversar, sem medir o pulso do Congresso. Fez isso quando mandou o Messias da primeira vez, fez isso quando reenviou agora a mensagem de indicação dele.
E nessa questão do veto, também ficava evidente que não tinha outro caminho a não ser a derrubada, porque o Lula sabe que o projeto passou com uma folga nas duas casas, com votos inclusive de partidos da base aliada. Então o que ele se ressente, reclama, é de não ser chamado para conversar. Nessa conversa, o que ele tentaria emplacar?
A gente nunca sabe. A Columbre é alguém que sempre tem um pleito e sempre um pleito que lhe interessa individualmente para emplacar. Mas numa democracia com regime de tripartição de poderes, quando você é minoritário no legislativo, estabelecer uma via de conversa permanente é o mínimo que você pode fazer para não sofrer várias derrotas. E o governo não tem feito isso. Inclusive agora está a pé na articulação política.
porque saiu a ministra Gleisi, que tinha um mínimo de interlocução principalmente com a Câmara, saiu o Rui Costa, saiu todo mundo do Palácio, e hoje a pessoa que é mais influente ali no ouvido do presidente, além do Sidone Palmeira, é o Guilherme Boulos, que é alguém bem à esquerda, com um pensamento de esquerda bem ali caracterizado e mais ou menos difícil de mudar, é meio inflexível.
Então o Congresso também reclama disso, que o Lula durante todo esse mandato acenou sempre à esquerda, fez inflexões sempre à esquerda. E isso dificulta o trânsito. O Columbre queria ter emplacado o Rodrigo Pacheco como candidato nessa vaga, mas é um bonde que também já passou agora, né Vera? Agora ele já se encaminhou para as eleições, então essa também nem é mais uma discussão aí em jogo.
Não sei não, Muniz, porque se for marcada logo a sabatina, e a depender das articulações que o Messias esteja fazendo de um lado, mas que esteja sendo feita contra ele de outro, digamos que ele perca numa discussão, num placar inédito. Nunca houve na redemocratização um ministro do Supremo rejeitado na CCJ ou no plenário.
aí essa vaga volta a ficar em aberta. Aí qual é a dúvida? O Lula vai querer dobrar a aposta e pôr alguém mais próximo a ele ainda, ou vai entender o recado e falar, não, para que isso seja aprovado no curso do meu mandato, eu preciso pôr alguém que o Senado tope. E aí reestabelecer...
uma conversa e aí de repente o nome do Rodrigo Pacheco pode voltar. Se puser ele naquele foguetinho que tinha do Silvio Santos e falar você prefere ir para o Senado ou para o Supremo ou ser candidato ao governo de Minas Gerais? Não tem a menor dúvida que ele prefere. Ele nem anunciou essa candidatura ainda porque ele não quer ir de jeito nenhum para essa candidatura. Então se tiver qualquer brecha para mudar essa escrita, não tenha dúvida de que ele vai topar.
Vera Magalhães, obrigado Vera, até mais tarde do Ponto Final e até amanhã aqui no CBN Brasil, obrigado. Combinado, até lá. Valeu, Vera.