Peru vai às urnas sob incerteza e fragmentação histórica
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Ariel Palacios
- Eleições PeruFragmentação política · Candidatos presidenciais · Instabilidade governamental · Cenário econômico
- Possíveis candidatosKeiko Fujimori · Carlos Álvarez · Rafael Lopes Aliaga
- Economia PeruanaCrescimento econômico · Desigualdade social
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O Ariel em geral chega um pouquinho mais tarde. Depois da Maria Cristina, hoje a gente inverteu os fatores. Como sabemos, a inversão dos fatores não altera o produto. Boa tarde, Ariel.
Boa tarde, Antena. Boa tarde, Fernando. Boa tarde. Isso se chama dar um rock quando você troca duas peças uma do lado da outra pra ali tentar era salvar o rei, se não me engano. Não me lembro direito. Não sou muito, Xadrez, mas adorei. São muitos anos que eu não jogo, mas é rock, dar um rock. Demos um rock aqui. Rock. Reta final para as eleições presidenciais no Peru. Ariel.
Quais são as perspectivas, as dúvidas? Alguma certeza? Certeza é commodity quase inexistente no Peru, na área política. Na área econômica não, mas na área política, está tendo o Fernando falar em certeza no Peru, é algo de ficção científica, as dúvidas são...
Muitas, há uma plenitude de dúvidas, porque a política no Peru é algo totalmente imprevisível, é uma instabilidade crônica, recordando que, depois eu vou dar uma detalhada maior, mas em uma década o Peru teve nove presidentes.
Em dez anos, o presidente eleito nesta ocasião será, e quem tomar posse em meados do ano, será o décimo presidente em uma década, ou seja, uma sucessão vertiginosa de impeachments, renúncias, prisões, tentativas de autogolpe. Então, é algo até insólito para os padrões de coisas sui generis da América Latina. Bom...
Os números são bastante sui gêneros. Primeiro número sui gêneros, que é quase surreal. 35 candidatos presidenciais disputando este cargo. Eram 36, mas um deles, Napoleão Becerra, morreu num acidente de carro. Então ficaram 35. É um recorde...
Nunca na história peruana houve tantos candidatos. É um sintoma muito claro da fragmentação do sistema partidário peruano, do enfraquecimento do sistema partidário e do descrédito que eles têm.
O outro número é mais eloquente ainda, a pulverização das intenções de voto, com os principais candidatos incapazes de romper sequer uma barreira imaginária dos 20% a pouquíssimos dias da eleição. A eleição agora, primeiro turno, é domingo. Quer dizer, em outras palavras, ninguém lidera coisa alguma. Todos apenas estão sobrevivendo. Ah, e um aviso aqui que parece que está...
Já estamos vendo. Isso, isso. Já estamos vendo. No YouTube, calma. Vocês estão me ouvindo. Sim, aqui está perfeito. A gente está perfeito. Às vezes dá esse pauzinho aí no YouTube e a gente arruma rapidinho. Não, não, está certo. Socorro de alguém sem som. O pessoal desesperado. Ariel, então vamos lá. Não lidera ninguém. Ninguém lidera. Ninguém lidera. Porque está todo mundo com um pouquinho. Cada um tem um pouquinho.
Tá todo mundo com muito pouquinho, mas assim, vamos ver, dos pouquinhos que tem, quais são os menos pouquinhos, né? No menos pouquinhos estão três figuras.
Bastantes sui generis que são todas de direita. Keiko Fujimori, para começar, que está no topo desse pouquinho. Filha do ex-presidente Alberto Fujimori. Lembram? É quase um déjà vu. Mais uma vez Keiko Fujimori. Sim, mais uma vez Keiko Fujimori. Mais um Fujimori. Mais um Fujimori, mais uma vez ela mesma. 18,6% das intenções de voto. É a quarta tentativa de chegar ao poder. É muito persistente, porque em todas as outras...
nas três ocasiões anteriores, ela sempre ficou em segundo lugar, ela sempre esteve no segundo turno. Bom, isso mostra que ela tem uma base eleitoral fiel, mas também, ao mesmo tempo, mostra como o Fujimorismo não consegue produzir alternativas. É sempre a Keiko Fujimori...
quase uma década nos anos 90. Segundo lugar, Carlos Álvarez tem 12,1%. Ele estava lá na rabeira das pesquisas, de repente o cara foi subindo, subindo, subindo e agora está com 12,1%. É um humorista, é um roteirista e ele poderíamos dizer assim, é a epítome, o emblema do outsider, mas assim uma versão ultra extrema. Ele se define simultaneamente como vou colocar aspas, porque a coisa é bastante complexa. Ele
assim, eu sou de direita, de esquerda e de centro, fecha aspas, né? De esquerda, direita e centro, tudo ao mesmo tempo. Bom, ele propõe medidas radicais, como a pena de morte e a retirada do país, a retirada peruana da Convenção Americana de Direitos Humanos.
E aí em terceiro, completando esse trio da direita que está ali na ponta desses pouquinhos fragmentados na intenção de voto, está Rafael Lopes Aliaga, ex-prefeito de Lima, tem mais ou menos nas intenções de voto quase 11%, tem 10,9%. O representante de uma direita ultra católica...
um católico paralado e fervoroso, ele se autoflagela com um silício, silício é aquele instrumento metálico, quase uma espécie de tira metálica, para reprimir os seus desejos sexuais, ele está em abstinência sexual, não tem relações sexuais.
Desde o distante ano de 1981, isso não era nem na época dos millennials, isso ainda é geração Z, se não me engano. Ele está em abstinência desde, X, perdão, obrigado, desde aquele ano, desde 1981, ele diz que pensa na Virgem Maria para não pensar em sexo, mas disse que também considera a Virgem Maria, abre aspas, um mujeron, fecha aspas, quer dizer, um mulherão. É bastante peculiar.
ele tem perdido espaço para o humorista Carlos Álvares, esse que é a favor da pena de morte. Então, temos esse cenário no qual está tudo fragmentado, mas a única certeza, perdão, antes eu disse que não havia certeza, sim, existe uma certeza, é que...
Levando em conta esta fragmentação de votos para presidentes, que está totalmente amarrada com a votação para os partidos políticos, isso vai ter um resultado de que no domingo os peruanos votarão num parlamento totalmente fragmentado também. Então, seja lá quem for o próximo presidente, mais uma vez, desde 2016, serão presidentes.
governabilidade. Terá que fazer alianças, que no Peru tendem a ser frágeis, negociações constantes, um equilíbrio político ultra mega giga precário e governar é quase um exercício de sobrevivência em terras peruanas. Tatiana e Fernando. Ariel, eu queria entender mais sobre os motivos de tanta instabilidade política e uma outra coisa, é a economia vai bem no Peru?
A economia vai bem, a macro vai bem, o Peru tem um crescimento persistente, que só teve uma queda ali durante a pandemia, como toda a região, mas o Peru está há 20 anos mais ou menos crescendo e de forma persistente. Mas a macro, mas ao mesmo tempo que a macro vai bem, as divisões sociais...
A precariedade trabalhista no Peru e a brecha social entre os ricos e os pobres é cada vez maior no Peru. Então também tem isso. Uma imensa maioria da população trabalha na informalidade, no pequeno comércio.
Da parte política, o problema da instabilidade é que o Peru tem um sistema muito peculiar, que não é presidencialista, não é nem parlamentarista, é um mix. Eles têm um sistema semi-parlamentarista, no qual o parlamento tem grande poder, quando um presidente tem maioria parlamentar, não ocorrem problemas.
foi entre o ano 2000 e 2016, com os presidentes Alejandro Toledo, José Tomalo, Alan Garcia, todos tiveram maioria parlamentar. Então, governaram com tranquilidade. O problema foi quando, entre 2015 e 2016, começaram a surgir muitos escândalos de corrupção que afetaram os grandes partidos políticos peruanos, da esquerda, centro e da direita, todos. E aí, por exemplo, os ex-presidentes Toledo, Mali e Garcia foram acusados entitled entitled
edição peruana do caso Odebrecht. Toledo fugiu para os Estados Unidos, foi depois pego, foi extraditado, foi julgado, agora está na prisão. O Malay está preso. Alan Garcia, quando a polícia chegou para detê-lo, preferiu se suicidar em vez de ir para a cadeia. Pedro Pablo Kuczynski, que foi eleito
Sem contar com maioria parlamentar em 2016. E aí começou a crise que assola o país até agora. Em 2018, Kuczynski foi destituído. Um escândalo que também abalou o principal partido opositor, o fujimorismo. Aí o Vistom oposto e foi destituído posteriormente.
Isso foi gerando um debilitamento interno dos presidentes perante o parlamento. O parlamento ficou acostumado a derrubar presidentes, não é? Porque as normas do trâmite de impeachment são muito rápidas e fáceis no Peru. Aí começou toda aquela troca-troca de presidentes interinos. Em 2021, houve uma eleição, foi eleito Pedro Castilho, com um partido minoritário. Um ano depois ele tentou dar um autogolpe, fracassou, foi destituído, foi preso. Aí veio o Dina Boloardi, tomou posse, sem deputado algum próprio.
Ela foi destituída no ano passado, sumiu José Geri, que durou quatro meses, que esteve envolvido numa caraivada de escândalos, inclusive em denúncias de abuso sexual. E agora governa interinamente José Maria Balcaça, que tem que levar o país agora até essas eleições e repassar o poder, seja lá para quem for em meados deste ano. Tatiana e Fernando. Muito bem. Efeméride, Ariel.
Efeméride, num dia como deste, mais de 1513, lá distante, o explorador espanhol Juan Ponce de Leon tomava posse da Flórida, ou Florida, em nome da coroa espanhola. Assim, antes de ser dos Estados Unidos, como uma boa parte do atual território dos Estados Unidos, não era dos ingleses, era dos espanhóis. E depois dos mexicanos, nesse caso, a Florida foi espanhola durante vários séculos. E o explorador, Juan Ponce de Leon.
Ele está muito vinculado com a história da lenda da fonte da juventude. Então, diz a lenda que ele teria investigado, explorado na Flórida, onde estava essa fonte que daria a juventude eterna para quem...
bebesse das suas águas, mas a lenda é muito legal e a lenda diz que inclusive que Juan Ponce de León morreu ali cravejado de flechas pelos índios na hora que ele estava chegando ali na fonte da juventude, quase ali bebendo
o primeiro golinho e que ele foi morto, não, nada disso, Juan Ponce de Leon não morreu nessa ocasião, não achou a fonte da juventude, ele sim, enquanto explorava a Flórida, entrou em conflito com os indígenas, levou uma flechada na coxa, foi...
sangrou adoidado, levaram ele de novo para o barco, do barco da Flórida para Puerto Rico, porque já era uma colônia consolidada da Espanha e ele faleceu aí finalmente. Perdão, não morreu em Puerto Rico, desculpa, pararam em Havana, Cuba, onde ele morreu ali depois de receber.
a extrema unção. Então, a lenda do cara que teria ido atrás da fonte da juventude, nem foi atrás da fonte da juventude, ia atrás de ouro e outros metais, que não achou tampouco, e não morreu ali à beira da fonte, mas sim morreu em Havana. Ariel, uma música pra gente ir embora.
Bom, tem a ver com uma efeméride também, porque num dia como esse de 1876, em Milão, debutava a ópera La Gioconda, de Amilcar e Ponchielli. Então temos a Dança das Horas, do Ponchielli.
Boomer's e Zeração X devem lembrar
que não é o caso de vocês, que são todos os garotos, devem lembrar da fantasia de Walt Disney dos anos 40, onde depois teve a fantasia do 2000, aí sim vocês viram. Mas a fantasia do ano 2000 de Walt Disney, há uma cena totalmente delirante com esta música, na qual um grupo de elefantas, ou eram hipopótamas, ai, hipopótamas, dança balé e são perseguidas por um grupo de jacarés.
Tudo com fundo de colunatas greco-romanas. Brilhante. É Disney, depois de ter experimentado não sei que produto, porque é impressionantemente delirante. Muito bom, excelente. Ariel Palacios está com a gente toda quarta-feira no nosso CBN Pelo Mundo. Valeu, Ariel. Um beijão. Até a semana que vem. Até logo.
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