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'Esse' ou 'este': Dias Toffoli acertou o uso em despacho de caso do Banco Master?

08 de abril de 202610min
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Um ouvinte pergunta se o ministro Dias Toffoli acertou na gramática no despacho do caso do Banco Master. No texto, ele diz: "Causa espécie a esse relator (...). O correto seria "esse relator" ou "este relator"? O Professor Pasquale responde.

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Participantes neste episódio1
Á

Álvaro Machado Dias

HostEspecialista
Assuntos2
  • Língua PortuguesaDiferença entre 'esse' e 'este' · Gramática do despacho de Dias Toffoli · Expressão 'causa espécie' · Uso de pronomes demonstrativos
  • Música e CulturaCaetano Veloso e pronomes · Legião Urbana e gramática
Transcrição26 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

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A nossa língua de todo dia, com o professor Pasquale. Oi, professor, boa tarde. Tatiana, boa tarde. Fernando, boa tarde. Boa tarde. Vocês me ouvem bem? Sim.

Tá. Então isso é o que importa. Hoje dúvida de... Pois não? Meio pipocando, mas vamos lá, vamos lá. Wilson Lima de Oliveira, de Balneário Camboriú, Santa Catarina, diz abaixo o despacho de Dias Toffoli, ministro do STF, no lamentável caso Banco Master. Pergunta ele aqui, acertou o ministro na utilização do pronome esse, não seria este? Então tem aqui o trecho.

causa espécie a esse relator não só o descumprimento do prazo por mim estabelecido para cumprimento das medidas cautelares ordenadas, posto que resta claro que outros envolvidos podem blá blá blá blá blá. É o esse relator, professor. É, pois é. Agora, nesse mesmo trecho que o nosso ouvinte mandou...

na verdade não nesse parágrafo, mas no parágrafo seguinte, está escrito, destaco ainda que a autoridade policial apenas representou por novas providências urgentes, por meio da bababá bababá.

protocolada nesta data, e ele põe a data, 13 de janeiro de 2026, e tal, e tal, e tal. Então, você vê que ele usa dois critérios para o mesmo caso. O fato é o seguinte, ST e EC no Brasil, no português do Brasil, já estão quase fundidos. Na oralidade, isso já...

Já foi, na oralidade isso é completamente concreto, ou seja, este e esse na oralidade viraram esse. Na fala, muito difícil a gente ouvir um este. Em termos formais, formalíssimos, este...

É o que está comigo, este livro, esse é o livro que está com você. Esse livro, Fernanda, é muito bom. O livro está aí com você. Este que vos fala sou eu. Este, este que vos fala. Esse que fala não sou eu, é o meu interlocutor. E por aí vai.

No caso, como ele escreveu causa, aliás, a expressão causa espécie, é muito engraçado, né? Toda vez que eu ouço isso, causa espécie, eu dou muita risada, porque é uma expressão meio embolorada, né? Meio antigona e tal. Mas ele põe causa espécie a esse relator, e o relator é ele, né? É ele que assina, ele que é o relator.

O texto é escrito formalmente, sobretudo na linguagem escrita, seria este, com T de tatu, do mesmo jeito que ele fez no parágrafo seguinte, quando ele escreveu o protocolado da Nefsta.

data, aí deve ter havido algum cochilo, sabe Deus. Em termos formais, seria este, já que o relator é ele mesmo, é ele falando dele, né? Causa, espécie, a este relator que sou eu, ou seja, causa-me, espécie, né? Seria essa a ideia. Bom, mas para a gente ver como essa questão é interessante, eu vou citar dois aspectos, vou tocar.

Fazia tempo, viu, Fernando, que eu não punha aqui língua de Caetano Veloso? Sempre bom. Você tá brincando que você vai trazer essa música, professor. Sempre bem-vindo. O Fernando é fã. Eu também sou. Então, vamos lá. Os três aqui somos fãs dessa obra-prima de Caetano Veloso, que ele canta junto com Elza Soares. Está no disco Velô.

de 1984, prestem atenção, porque ele usa aí de maneira muito interessante um pronome demonstrativo. Esses pronomes aí que a gente está mencionando são pronomes demonstrativos. Vamos ouvir.

Gosto de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões. Gosto de ser e de estar. E quero me dedicar a criar confusões de prosódias e uma profusão de paródias que encurtem dores e furtem cores como camaleões. Gosto do pessoa na pessoa, da rosa no...

E sei que a poesia está para a prosa, assim como o amor está para a amizade E quem há de negar que esta lhe é superior? E quem há de negar que esta lhe é superior? E deixa os portugais morrerem a míngua, minha pátria é minha língua, fala mangueira

Tchau, tchau.

E então, Caminos, o que quero que pode esta língua digam? Bom, há um trecho em que ele diz, cadê, cadê, cadê? Gosto do Pessoa na Pessoa, o Pessoa é o Fernando Pessoa, gosto da Rosa no Rosa, o Rosa é o Guimarães Rosa.

E sei que a poesia está para a prosa, assim como o amor está para a amizade. Isso é uma velha discussão filosófica. Aliás, na sexta-feira passada, com a nossa monumental Petria Chaves conduzindo o programa, eu falei justamente de amor, amizade e paixão. E expliquei que amor e amizade têm a mesma raiz latina. É a mesma palavra.

Então quando Caetano diz E sei que a poesia está para a prosa Assim como o amor está para a amizade E quem há de negar que esta lhe é superior Quem é esta?

Esta é o último termo citado, que é a amizade. Então, e quem há de negar que esta lhe é superior, significa quem há de negar que a amizade é superior ao amor. É esse o sentido. Então, temos aí um dos empregos do demonstrativo este, esta.

que é retomar o último elemento citado. Se o Caetano quisesse fazer referência a amor, e quem há de negar que esta é superior àquele, aquele que é o amor. E como é que está o nosso tempo? Janaína já mandou aqui... Ih, temos um minutinho, rápido. Vamos lá. Segundo auxílio, Legião Urbana... Não vou dizer nada, toquem, vamos lá.

Cheira pra todo lado Ninguém respeita a Constituição Mas todos acreditam o futuro da nação Que país é esse? Que país é esse?

Todo mundo conhece a música composta por Renato Russo. Ele compôs a música em 78, mas só foi gravada em 87. E o nome oficial da música, que é o nome do disco, é Que País É Este? Com T de tatu.

Mas a letra, o tempo todo na cantoria, vocês viram como é que é, né? Que país é esse? Para provar aquilo que eu disse antes, que no Brasil o pronome esse já tomou o lugar do pronome esse na oralidade. Isso já virou regra, já virou norma. Mas em termos formalíssimos, seria que país é este, porque ele fala do país em que ele está, do país dele.

seria eu, por exemplo, dizendo que país é este, o país em que estou, o meu país e por aí vai. É isso então, querido ouvinte Wilson, o ministro formalmente deveria ter usado a palavra este, já que se refere a ele mesmo, este relator, é isso. Obrigado professor, mais uma vez e até amanhã. Obrigada professor. Até amanhã, beijinho para vocês.

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