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A armadilha da IA: como a ascensão da tecnologia está induzindo a preguiça mental

08 de abril de 20268min
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Diante de um cenário de ascensão da IA, com a tecnologia se tornando cada vez mais acessível, um outro fenômeno se torna mais presente na sociedade: a preguiça mental. Rossandro Klinjey explica o que é esse tipo de preguiça, como ele se faz presente no dia a dia e quais são os meios de evitá-la. Ouça.

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Participantes neste episódio2
T

Tatiana Nando

Co-hostJornalista
R

Rossandro Klinjey

ConvidadoPsicólogo
Assuntos1
  • Psicose de IAImpacto da IA na cognição · Desenvolvimento do pensamento crítico · Educação e uso de IA · Consequências da preguiça mental
Transcrição24 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

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Saúde integral, saúde integral, com Rossandro Klinger. Oi, Rossandro, boa tarde. Boa tarde, Tati, boa tarde, Nando. Boa tarde, bem-vindo. Bom, Rossandro hoje vai falar sobre preguiça mental. Acho que a inteligência artificial colabora bastante para isso, não?

Deixa eu perguntar aqui o chat GPT o que eu quero responder. Deixa eu perguntar pro chat GPT o que é que eu acho. O que é que eu acho disso? Deixa eu ver o que é que eu acho, né? É igual quando a gente dá assim... Deixa eu perguntar se minha esposa concorda que eu vá. Deixa eu perguntar pra minha esposa se eu quero ir. Se eu quero ir, é. É, se eu quero ir. Exatamente, é nesse nível aí, né?

Na verdade, uma das coisas mais interessantes que a gente tem visto nesse caso do uso da IA é que preguiça mental não é falta de inteligência, não, porque eu conheço muita gente que está aí no mundo acadêmico e tal e que estão ficando cognitivamente preguiçosas. Não saber não chega a ser uma problemática para a gente. Agora, perder disposição.

para a gente sustentar a dificuldade de um raciocínio complexo, de uma resposta que exige mais camadas e que não é simplificada por um tópico, isso aí é muito complicado. Porque a gente sabe muito bem, a gente que lida com comunicação, eu que lido com comportamento humano, vocês como jornalistas, pensar dá trabalho pra caramba, exige frustração, porque nem sempre o que a gente imaginou estava lá. A tese, às vezes, que a gente prova é que a nossa tese está errada, e isso é ciência também.

Também tem que ter silêncio para a gente decantar o que a gente absorveu. A gente tem que rever, e uma das coisas que é bonito na imprensa é a checagem da fonte e poder depois saber quem deu a informação, diferente do que a fake news provocada por IA a gente tem aí muito claramente acontecendo. Só que a IA oferece velocidade, o ser humano precisa continuar oferecendo uma coisa que velocidade não dá, que é discernimento. Discernimento precisa de tempo. Então, nós não estamos apenas...

automatizando, na verdade, nesse processo, a gente não está apenas automatizando tarefas. A gente está começando a automatizar o nosso esforço interior de pensar. Tem noção do impacto disso, Tatiana? É muito sério isso.

Eu acho que eu nunca pensei Profundamente sobre o impacto da inteligência Artificial na nossa inteligência Até porque eu nem uso Muito Enfim, para Me ajudar a lapidar algumas coisas E tal, ou para me dar algumas ideias Que depois eu vou desenvolver Selecionar, aperfeiçoar E tal E tal

como se fosse um mentor que você está ali usando para dar uma referência mas não faz por você da minha própria inteligência é existe uma sedução da facilidade desde o mundo toda tecnologia ela seduz porque ela promete exatamente a economia de tempo e energia

Isso é bom até certo ponto. Agora, quando começa a uma conveniência que substitui a maturação, aí é complicado, porque tem coisa que só se desenvolve com o tempo lento. Pensamento crítico, criatividade. Um vocabulário emocional, por exemplo. Nem tudo que a gente pode facilitar deveria ser simplificado a ponto que a gente perde a capacidade de fazer só depois. É diferente.

Agora, o que tem acontecido hoje quando a gente terceiriza demais a forma de pensar? A gente perde, de fato, a chamada musculatura cognitiva, que é importante. E aí isso, olha como complica para a gente que vive um ambiente polarizado politicamente, pobreza de raciocínio, que diminui a tolerância à complexidade da vida.

E a vida é muito complexa, e não tolerar isso é querer respostas simplificadas que os grupos que manipulam pessoas de um espectro ou outro gostam de dar para simplificar a resposta. O inimigo é o outro, é o imigrante, é o da outra religião, é da outra sexualidade.

E a gente fica muito menos capaz, por causa disso, de sustentar uma coisa que é fundamental, que é a atenção. Não tem como ter retenção de conhecimento sem a atenção. E aí a gente vai enfraquecendo a memória de trabalho, a gente vai trocar o que seria uma compreensão real de uma coisa por uma sensação de compreensão. Tipo, eu li um... Você vai lá e lê uma página do Wikipedia sobre...

Um poeta russo como Mayakovsky diz, agora eu entendo o que é Mayakovsky, o que ele pensou e as influências culturais da Rússia pós-kizariana sobre a obra dele. Não entende nada. E saber apertar o botão não é a mesma coisa que saber pensar. Então, é a pessoa ler, por exemplo, um...

Um resumo da obra de Freud, que são 24 volumes, o último volume é o índice dos 23 que faltam, dizendo, agora entendi o conceito completo da psicanálise, o que é que Freud oferece. É um homem que é genial e que vários dos conceitos são geniais, como inconsciente, atria de ego, super-ego, id. Aí a pessoa faz uma leitura assim, ou então pede resumo da obra de Freud, ou explica Freud para uma pessoa de 15 anos, que é como você no fundo é.

Aí você agora acha que é o gene da lâmpada. Ô, Sandro, eu recentemente li aqui no ar uma reportagem que falava sobre universidades que agora estão fazendo o seguinte, estão fazendo chamada oral.

Para substituir essa questão do aluno que entrega um trabalho maravilhoso, espetacular. E aí quando o professor pergunta o que você entendeu, a figura não faz nada. E ainda teve um professor que montou uma inteligência artificial. Não vou lembrar o nome da faculdade agora, mas é nos Estados Unidos. Isso é graduação, é alto nível. Ele montou uma inteligência artificial que a inteligência artificial faz a chamada horário no aluno.

Ele usou a inteligência artificial pra fazer a chamada no aluno. É super legal, mas você tem que falar o que você entendeu. Porque ele já tá dado que o aluno já usou a inteligência artificial pra fazer o trabalho. E aí ele pergunta pra quem você entendeu.

E você sabe que antes mesmo da inteligência artificial, quando eu tava dando aula na universidade, no começo chegou o Google. Era Alta Vista na época, era Alta Vista. Já revelei a idade, né? Alta Vista foi no Oeste. Foi um bar que eu lembro. E aí, uma aluna que tava fazendo orientação de monografia, ela pegou e copiou. Mas assim, com uma preguiça tão grande que até a cor do texto da página, ela manteve as fontes trocadas. De uma página era Arial, a outra é Times New Roman. Aquela coisa assim, tipo, eles acham que...

Nós somos dinossauros, teram nossa aula Rex, que a gente não tem acesso à internet, que a gente não usa também, né? É um negócio incurioso isso. E aí, quando eu fui, ela já estava vendo de uma professora que tinha abandonado, porque ela estava colando na monografia, eu disse, ó, eu quero agora que você faça escrita à mão.

E aí ela não conseguiu fazer, ela foi reprovada na disciplina de monografia. Eu fui pra formatura, porque sempre tinha uma mesa pros professores, e a família com ódio de mim, porque eu tinha reprovado a menina. Imagina a distorção que é, né? Ela se reprova, a família tem raiva de você. É agora que pronto.

Não sabem que estão plantando um nível de incompetência tão grande que depois vai se voltar contra eles mesmos. Porque, veja, os filhos da gente, os netos das pessoas, eles estão indo para um nível de competição com o universo que não é entre pessoas mais. E quanto menos habilidade eu tenho, mais vulnerável voltar para o que Yuval Noah Harari coloca na obra dele, bem antes da IA se popularizar, ele já prevendo isso e visualizando, virar a categoria dos irrelevantes.

Não é as pessoas que têm uma capacidade que é explorada pelo capital. É irrelevante porque o capital nem precisa mais de você. Então, tem muita coisa em jogo para a gente ficar com essa preguiça mental que as pessoas estão alimentando todos os dias. Muito bem. Vamos pensar no que você está dizendo, viu, Rossandro? Vou usar aqui a minha inteligência natural. Obrigada por hoje. Exatamente. Um beijo. Tamo junto. Beijo a vocês. Tchau, Rossandro. Tchau.

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