Pesquisa traz dados da saúde mental dos jovens brasileiros
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Luis Fernando Correia
- Saúde Mental JuvenilPesquisa Nacional de Saúde Escolar · lesões autoprovocadas · pressão acadêmica · isolamento emocional · rede social · satisfação com a imagem corporal · transtornos de humor e ansiedade · acolhimento psicológico nas escolas · Centro de Valorização da Vida
Saúde em Foco. Com Luiz Fernando Correia. Muito bom dia, doutor Luiz Fernando Correia. Bom dia, Milton. Bom dia, Marcela. Bom dia, ouvintes. Bom dia, doutor.
O senhor foi olhar os dados da Pesquisa Nacional de Saúde Escolar, e esse é um estudo bastante amplo, importante, que traz uma série de recortes importantes para que a gente possa fazer algumas análises. O senhor define uma delas para trazer aqui para nós, que trata sobre esse comportamento dos jovens com eles próprios? Pois é, Milton. Um dado muito duro que saiu dessa pesquisa e que passou um pouco batido.
nas análises, é o fato de que três em cada dez adolescentes de 13 a 17 anos afirmaram na pesquisa que já tiveram vontade de se machucar de propósito. Isso não é uma conta à toa, nós estamos fazendo uma ideia de você pegar uma sala de 30 alunos, são dez alunos dessa sala. 18,5% deles sempre ou na maioria das vezes pensam que a vida não vale a pena ser vivida.
Então, o IBGE, em cima desses dados, calculou que cerca de 100 mil estudantes tiveram uma lesão autoprovocada no ano anterior à pesquisa. Essa pesquisa avaliou 118 mil adolescentes entrevistados em mais de 4 mil escolas públicas e privadas no país todo. Então, o que a gente tem por trás disso tudo, Milton? Pressão acadêmica, estabilidade familiar, violência, isolamento.
e o consumo intenso das redes sociais, que mostram vidas perfeitas, enquanto o jovem que está de fora ali vendo aquilo se sente péssimo por dentro. Se a gente for olhar por gênero, a disparidade é pior ainda. 41% das meninas se sentem tristes com frequência, quanto 16% dos meninos.
Em todos os indicadores analisados, tristeza, vontade de se machucar, sentimento de que a vida não vale a pena, as meninas tinham números muito piores. E a gente sabe que isso vem da pressão estética, que recai sobre as meninas no ambiente digital. A satisfação com a própria imagem corporal caiu para todos os estudantes, desde 2019, de 66,5% para 58%.
E aí esse adolescente ou essa adolescente olha para o TikTok ou para outra rede cheia de filtros e padrões impossíveis. Ou seja, é a receita para o desastre perfeito.
O nível de insatisfação com o próprio corpo, Milton, é um preditor clínico cientificamente comprovado de transtornos de humor e ansiedade em adolescentes. Uma revisão sistemática publicada no Journal of Child Psychology and Psychiatry em 2024 já mostrava que o uso excessivo de mídias sociais com foco em comparação social está associado a maiores índices de depressão e ansiedade em adolescentes, especialmente do sexo feminino.
E o que tem do outro lado? Menos da metade desses alunos estudam em escolas que oferecem algum tipo de acolhimento psicológico. Na rede pública, esse número cai para 45%. Psicólogo contratado diretamente pela escola, apenas disponível para 34% dos estudantes brasileiros. Ou seja, dentro da sala de aula, esse jovem está passando por todo esse estresse, todo esse problema. E o professor...
está sobrecarregado, muitas vezes é o único adulto que consegue perceber alguma coisa errada, sem ter condição, sem ter preparo, sem ter treinamento específico para lidar com isso. 26% dos estudantes afirmaram sentir constantemente que ninguém se preocupa com eles. Isso é isolamento emocional, Milton. Os maiores fatores de risco que existem para transtorno mental grave. Então o que a gente precisa fazer? Não tem uma resposta simples, é óbvio.
Mas tem três coisas importantes. Escuta ativa sem julgamento. Uma normalização pela busca de ajuda profissional. Ensinar as crianças que isso é normal, isso é útil, é importante. Pressão política pública para que o governo leve saúde mental para dentro das escolas. Esses dados não são para nos paralisar. Não são para possíveis candidatos a candidatos quererem fazer lacrar a internet. São para acordar a sociedade.
Se você tem um adolescente em casa, começa pela conversa, mas não começa cobrando não, gente. Fala de falar de nota, de futuro. A conversa é como é que você está de verdade hoje? E, enfim, a gente sabe que existe ajuda. É importante sempre lembrar recursos como o Centro de Valorização da Vida, o CVV, disponível 24 horas pelo número 188. Também precisa ser divulgado para os jovens, Milton. A gente precisa lembrar que saúde mental não é luxo. Saúde mental é direito.
E precisa ser cobrado, principalmente num ano como esse. Sem dúvida. E muito obrigado por trazer esses dados. Obrigado e bom dia. Bom dia para você, Milton, Marcela e todos os ouvintes. Muito obrigada, doutor.