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Pesquisa traz dados da saúde mental dos jovens brasileiros

08 de abril de 20266min
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Luis Fernando Correia traz detalhes da Pesquisa Nacional de Saúde Escolar. Um recorte mostra o fato de que três em cada dez adolescentes, de 13 a 17 anos, afirmaram na pesquisa que já tiveram vontade de se machucar de propósito. O IBGE, em cima desses dados, calculou que cerca de 100 mil estudantes tiveram uma lesão autoprovocada no ano anterior à pesquisa. Saiba mais.

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Participantes neste episódio1
L

Luis Fernando Correia

HostJornalista
Assuntos1
  • Saúde Mental JuvenilPesquisa Nacional de Saúde Escolar · lesões autoprovocadas · pressão acadêmica · isolamento emocional · rede social · satisfação com a imagem corporal · transtornos de humor e ansiedade · acolhimento psicológico nas escolas · Centro de Valorização da Vida
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Saúde em Foco. Com Luiz Fernando Correia. Muito bom dia, doutor Luiz Fernando Correia. Bom dia, Milton. Bom dia, Marcela. Bom dia, ouvintes. Bom dia, doutor.

O senhor foi olhar os dados da Pesquisa Nacional de Saúde Escolar, e esse é um estudo bastante amplo, importante, que traz uma série de recortes importantes para que a gente possa fazer algumas análises. O senhor define uma delas para trazer aqui para nós, que trata sobre esse comportamento dos jovens com eles próprios? Pois é, Milton. Um dado muito duro que saiu dessa pesquisa e que passou um pouco batido.

nas análises, é o fato de que três em cada dez adolescentes de 13 a 17 anos afirmaram na pesquisa que já tiveram vontade de se machucar de propósito. Isso não é uma conta à toa, nós estamos fazendo uma ideia de você pegar uma sala de 30 alunos, são dez alunos dessa sala. 18,5% deles sempre ou na maioria das vezes pensam que a vida não vale a pena ser vivida.

Então, o IBGE, em cima desses dados, calculou que cerca de 100 mil estudantes tiveram uma lesão autoprovocada no ano anterior à pesquisa. Essa pesquisa avaliou 118 mil adolescentes entrevistados em mais de 4 mil escolas públicas e privadas no país todo. Então, o que a gente tem por trás disso tudo, Milton? Pressão acadêmica, estabilidade familiar, violência, isolamento.

e o consumo intenso das redes sociais, que mostram vidas perfeitas, enquanto o jovem que está de fora ali vendo aquilo se sente péssimo por dentro. Se a gente for olhar por gênero, a disparidade é pior ainda. 41% das meninas se sentem tristes com frequência, quanto 16% dos meninos.

Em todos os indicadores analisados, tristeza, vontade de se machucar, sentimento de que a vida não vale a pena, as meninas tinham números muito piores. E a gente sabe que isso vem da pressão estética, que recai sobre as meninas no ambiente digital. A satisfação com a própria imagem corporal caiu para todos os estudantes, desde 2019, de 66,5% para 58%.

E aí esse adolescente ou essa adolescente olha para o TikTok ou para outra rede cheia de filtros e padrões impossíveis. Ou seja, é a receita para o desastre perfeito.

O nível de insatisfação com o próprio corpo, Milton, é um preditor clínico cientificamente comprovado de transtornos de humor e ansiedade em adolescentes. Uma revisão sistemática publicada no Journal of Child Psychology and Psychiatry em 2024 já mostrava que o uso excessivo de mídias sociais com foco em comparação social está associado a maiores índices de depressão e ansiedade em adolescentes, especialmente do sexo feminino.

E o que tem do outro lado? Menos da metade desses alunos estudam em escolas que oferecem algum tipo de acolhimento psicológico. Na rede pública, esse número cai para 45%. Psicólogo contratado diretamente pela escola, apenas disponível para 34% dos estudantes brasileiros. Ou seja, dentro da sala de aula, esse jovem está passando por todo esse estresse, todo esse problema. E o professor...

está sobrecarregado, muitas vezes é o único adulto que consegue perceber alguma coisa errada, sem ter condição, sem ter preparo, sem ter treinamento específico para lidar com isso. 26% dos estudantes afirmaram sentir constantemente que ninguém se preocupa com eles. Isso é isolamento emocional, Milton. Os maiores fatores de risco que existem para transtorno mental grave. Então o que a gente precisa fazer? Não tem uma resposta simples, é óbvio.

Mas tem três coisas importantes. Escuta ativa sem julgamento. Uma normalização pela busca de ajuda profissional. Ensinar as crianças que isso é normal, isso é útil, é importante. Pressão política pública para que o governo leve saúde mental para dentro das escolas. Esses dados não são para nos paralisar. Não são para possíveis candidatos a candidatos quererem fazer lacrar a internet. São para acordar a sociedade.

Se você tem um adolescente em casa, começa pela conversa, mas não começa cobrando não, gente. Fala de falar de nota, de futuro. A conversa é como é que você está de verdade hoje? E, enfim, a gente sabe que existe ajuda. É importante sempre lembrar recursos como o Centro de Valorização da Vida, o CVV, disponível 24 horas pelo número 188. Também precisa ser divulgado para os jovens, Milton. A gente precisa lembrar que saúde mental não é luxo. Saúde mental é direito.

E precisa ser cobrado, principalmente num ano como esse. Sem dúvida. E muito obrigado por trazer esses dados. Obrigado e bom dia. Bom dia para você, Milton, Marcela e todos os ouvintes. Muito obrigada, doutor.