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‘Trump está se colocando em uma posição de não retorno’

07 de abril de 20268min
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Maria Cristina Fernandes analisa o veto do Conselho de Segurança da ONU a respeito do uso da força para a liberação do Estreito de Ormuz. A especialista conversou com um diplomata que atua no Conselho e compartilhou as razões para o veto. Ouça.

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Participantes neste episódio2
P

Paulo Vinícius Foelho

HostJornalista
M

Maria Cristina Fernandes

ComentaristaEspecialista
Assuntos2
  • Veto da ONU ao Estreito de HormuzConselho de Segurança da ONU · Relações EUA-Irã · Posição da China · Ultimato de Donald Trump
  • Oriente Médio e Estreito de OrmuzCessação de fogo do Irã · Tarifas no Estreito de Hormuz
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Tudo é Política, com Maria Cristina Fernandes. Ela voltou! Maria Cristina Fernandes, boa tarde.

Boa tarde, Tati. Fernando, boa tarde, ouvinte. Boa tarde, bem-vinda. Chegou chegando. Um dia bom para voltar. Obrigada, obrigada. Você faz muita falta, Maria Cristina.

Muito obrigada, muito obrigada. Ainda bem que alguém acha isso. Bom, e os ouvintes também acham, não é só a gente não. Mas vamos lá. E ela já chega com informação, claro. Maria Cristina vai se debruçar sobre o veto do Conselho de Segurança da ONU a respeito do uso da força para a liberação do Estreito de Hormuz. O veto foi de China.

e Rússia. Maria Cristina conversou com um diplomata que atua no Conselho de Segurança da ONU e tem as razões desse veto, Maria Cristina, é isso? Acho que sim, pelo menos a interpretação dele sobre isso, Tati. É o seguinte, o Bahrein, que é um dos 15 integrantes do Conselho de Segurança da ONU, tem 15 integrantes, cinco são permanentes, China, França.

Rússia, Reino Unido e Estados Unidos. E outros 10 variam, eles são constantemente trocados.

E o Bahrein, que é um desses integrantes que são rotativos, fez uma proposta que na sua versão original tinha lá o uso de todos os meios necessários para o desbloqueio do estreito de Hormuz, que é o estreito por onde passam os navios com o petróleo do Oriente Médio. E...

Então, por todos os meios necessários, se entendia que estava ali incluído o uso da força. Como este texto não havia qualquer chance de obter o consenso de todo o Conselho, e nenhuma proposta passa sem o consenso de 100% do Conselho, pelo menos dos cinco permanentes, começou um processo de desidratação do texto.

E aí chegou-se a um formato de que os países ali representados naquela votação encorajariam fortemente o desbloqueio do Estreito de Hormuz. Mesmo assim...

foi vetada por Rússia e pela China. Por quê? Porque, entre outros motivos, a resolução, o texto da resolução não condenava a iniciativa de Estados Unidos e Israel no ataque ao Irã. A iniciativa do ataque foi dos dois países e esta iniciativa foi revidada pelo Irã.

E como o texto não condenava isso, essa circunstância, os dois países, pelo menos isso é o que circulou ali entre os diplomatas presentes à reunião do conselho, o texto foi vetado. É um pouco o que está predominando ali.

nessas Nações Unidas da era Trump. Se a gente vê, por exemplo, só uma pequena digressão, essa disputa em torno da Secretaria-Geral das Nações Unidas, o candidato que está almejando o apoio americano, que é o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, o agente Daniel Gross, uma entrevista recente ao Farid Zakaria.

Ele não quis responder, ele foi perguntar diretamente se o ataque americano tinha sido uma violação às leis internacionais.

Ele disse que preferia não responder isso porque não era assim, ele era candidato, não era assim que a ONU ia resolver os problemas. Bem, se a ONU não se posiciona sobre o comportamento das nações frente às leis internacionais e frente à Carta das Nações Unidas, fica difícil saber sobre o que a ONU vai se posicionar, não é mesmo? Mas o fato é que esta...

O veto, a resolução, não surpreendeu. O que surpreendeu foi a adesão da China ao veto. Tinha certeza que a Rússia vetaria, mas a China não se sabia porque a China está andando um pouco ali em cima do muro. Mas a China depende muito do petróleo do Irã. E a informação que me foi passada é que o recado que ficou da posição desses dois países no Conselho...

na opinião deste diplomático que acompanhou em loco a votação, é uma sinalização aos Estados Unidos de que o Irã, se o ultimato do Trump for levado ao cabo, o Irã terá o apoio desses dois países. E o ultimato do Trump, como a gente sabe, é o de que...

Se até a noite de hoje o Estreito de Hormuz não for desbloqueado, abre aspas o que ele colocou nas redes sociais dele, uma civilização vai desaparecer. Sugerindo aí um ataque de enormes proporções ao Irã.

E a questão, Tati e Fernando, é que a coisa está ficando tensa porque o Trump está se colocando numa posição de não retorno. É. E a Reuters trouxe, acabou de trazer essa notícia, que a gente também tem que tentar manter os pés no chão e tentar ver com objetividade isso que na manchete parece realmente um...

O fim do mundo está próximo. Ou pelo menos o fim de uma população, né? Chama genocídio. Exatamente. Essa notícia da Reuters diz que o Irã aceitaria um cessafogo se as nações que usam o estrito de Hormuz passarem a pagar uma tarifa para a travessia. Hoje...

Você só paga tarifa em Hormuz se você utilizar alguns serviços oferecidos pelo estreito, pelos administradores do estreito, que é o governo do Irã. Por que está propondo isso? Ninguém sabe se quer recuperar os gastos com a guerra. Mas é uma nota que indica que o fim do mundo, na verdade, pode ser uma questão de preços.

Mas o que nós temos de concreto é a votação desta resolução, o veto desses dois países, a sinalização deste veto e a expectativa do que frente a este veto fará o presidente americano Donald Trump.

Muito bem, Maria Cristina Fernandes, de volta ao nosso Tudo é Política, diariamente às 2h32. Obrigada, Maria Cristina, um beijo para você, até amanhã. Um beijo, Tati, Fernanda, até amanhã, boa tarde aos ouvintes. Até amanhã, obrigado.

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