Como organizar a vida financeira do zero
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Maria Cristina Fernandes
Natália Larghi
- Organização FinanceiraAplicativos de finanças · Prioridade de dívidas · Reserva de emergência
- Planejamento FinanceiroAutoeficácia financeira · Desperdícios financeiros
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No fim das contas. O que vocês acharam, hein? Ana Leone, Natália Largue, boa tarde. Ah, gente. Adorei. Estou emocionada. Que braçinha. Eu estou emocionadíssima. Adorei. Com o nosso novo nome, nossa vinheta. Roupa nova, gente. Vamos lá.
Chiquérrima, achei chiquérrima. E dias novos também. Dias novos, é. Agora as terças e quintas e não mais as segundas e quartas, você ouve sempre uma duplinha. Diana Leone, Natália Largue e Nayara Bertão.
No nosso No Fim das Contas, que eu brinquei na abertura do Estúdio CBN, que no caso hoje é no começo das contas, né? Porque a gente vai falar sobre o começo da organização de uma vida financeira para investimentos. Ter uma vida financeira em ordem, ter escolha, né? Eu não sei se a gente pode falar isso assim, não sei se isso vale para todo mundo na situação socioeconômica em que estamos. Mas eu quero te ouvir, Natália.
Pois é, Tati, a gente tem que fazer muitos adendos mesmo, né? Porque as pessoas têm realidades diferentes, rendas diferentes, gastos diferentes. Mas existe um caminho das pedras que dá para quase todo mundo ir adaptando, né? De acordo com a sua própria realidade, para colocar as suas contas em dia, né? Enfim, conseguir juntar ali um dinheirinho no final do mês para conseguir começar a investir.
E é esse caminho das pedras que a gente vai tentar dar hoje. Primeira coisa que a gente sempre fala é para anotar as receitas e os gastos. E existem muitos aplicativos que podem te ajudar nessa tarefa. Inclusive, a gente vai trazer aqui alguns. Tem um aplicativo PR, que ele permite uma conexão com o Open Finance. Ou seja, ele conecta ali direto com seus bancos e aí ele importa automaticamente seus dados. Ele é bem intuitivo, ele é bem avaliado também pelos usuários.
Só que o plano gratuito contempla só algumas usabilidades mais básicas. Se você está procurando um aplicativo gratuito que é mais detalhado, tem o Minhas Finanças, tem também uma boa avaliação nas plataformas, é o terceiro mais bem avaliado nessa categoria. Tem a possibilidade de desenhar ali as suas metas, acompanhar também relatórios de acordo com os dados que você vai preenchendo de uma forma bem simples e com recursos avançados.
Tem também uma outra opção que é o Móveis, que pertence ao Grupo Santander, é considerado uma das melhores plataformas de educação e controle financeiro do mercado. E com ele você consegue organizar ali seus ganhos, seus gastos, consegue dividir por categoria. E a partir dessa divisão você tem acesso a uma análise completa e visual da sua vida financeira, que isso é bem bacana, porque muita gente consegue enxergar melhor.
Aquilo organizado de uma forma bem visual e intuitiva. Então, facilita o diagnóstico, digamos assim, da sua situação, do destino, de cada pedaço do seu dinheiro, além de trazer ali artigos educativos e tudo mais. Agora, quem não quer lançar a mão de aplicativos...
quer continuar de uma forma um pouco mais analógica, pode fazer o bom e velho Excel ou até mesmo o bom e velho Caderninho, né? Tem gente que funciona melhor assim, anotando mesmo, de forma como faziam os maias, incas e aztecas. E eu faço, inclusive, sobre muitas coisas, prefiro fazer as anotações ali à mão.
Mas assim, o que é importante nesse ponto é deixar claro com o que você gasta, quanto você ganha e aonde vai o seu dinheiro, né? Para você tentar fazer realmente um diagnóstico. Não sei se alguém ia falar alguma coisa que é um maia, inca e azteca como eu. Não, eu também sou desse que anota. Nem tudo, tenho que ser sincero. Bom, vamos lá. Tenho uma dívida. Tenho uma não, tenho várias. Qual que eu pago primeiro?
Ah, mas cara, a gente fala às vezes, é engraçado, né? Porque quando a gente dá a dica de você contrair um empréstimo para pagar outro, as pessoas acham que é quase uma piada, uma brincadeira, etc. Mas no fim das contas isso pode funcionar. Eu vou trazer alguns dados só para a gente entender como é que é o cenário do Brasil hoje, né?
As dívidas com cartão de crédito, cheque especial, por exemplo, continuam ali entre as mais caras do mercado, mesmo com alguns esforços por parte dos reguladores para tentar deixar os juros mais palatáveis, digamos assim. Só que o endividamento das famílias brasileiras bateu recorde em fevereiro, segundo uma pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens e Serviços, a CNC.
que foi 80,2% das famílias entrevistadas disseram que possuem alguma dívida e é o maior nível de endividamento de toda a série histórica desde 2010. Então a gente está falando realmente de um contexto em que as pessoas estão endividadas e elas precisam priorizar o pagamento de dívidas mais caras, como cartão de crédito, por exemplo, cheque especial.
Então, o que você pode fazer? Foca primeiro nesses que têm juros mais altos e continua pagando o mínimo de outras, caso você tenha outras dívidas. E aí você pode tentar trocar uma dívida cara por uma barata. Por exemplo, se você conseguir pegar um crédito pessoal consignado, que geralmente tem juros mais baixos, porque ele é um pouco mais seguro, né? Já que desconta ali do seu salário ou da sua aposentadoria, da sua pensão, etc. Você pode pegar esse consignado.
pagar essa dívida cara que você tem no cartão de crédito, no cheque especial, por exemplo, e aí conseguir ir pagando parcelas mais baratas nessa outra dívida. Uma outra questão também interessante é tentar negociar diretamente com o banco, parcelar a fatura, reduzir os juros, descontar algumas coisas para quitação, porque o banco...
sempre tem interesse em receber, claro. E se você não está conseguindo pagar aquela dívida, é mais negócio para eles renegociar com você e fazer com que você pague, mesmo dentro de um formato ali que fique mais interessante para você.
Então, é do interesse deles e essa negociação costuma estar aberta. E aí, uma outra coisa que é importante é tentar usar a renda extra, por exemplo, um bônus, uma participação de lucros que você receba da sua empresa, até o próprio décimo terceiro ou qualquer renda extra que você tiver para quitar essas dívidas caras ou até avaliar o uso de uma reserva de emergência, caso você tenha, se os juros realmente forem muito altos.
Então é interessante você sempre focar nessas dívidas que você tem, que os juros são muito elevados, porque é isso que coloca a gente na bola de neve que a gente fala.
Ana, eu fiz essa ressalva no começo porque tem muita gente, vou falar uma expressão bem popular, vendendo almoço para comprar a janta, não é mesmo? Fazendo continha, seja no aplicativo, seja como os incas, maias e aztecas na mão, para ver se sobra alguma coisa e às vezes não sobra. Como é que faz para sobrar?
Então, esse é um ponto, Tati, e você tem razão que a gente precisa colocar isso em contexto. Tanto é que nos últimos dias, o que tem se falado muito, a gente trouxe até na semana passada uma pesquisa que mostrou que as pessoas nem estão sentindo...
o avanço de algumas políticas para beneficiar as pessoas com mais baixa renda, justamente porque elas estão pagando muitos juros. Então, num contexto desse, o que dá para fazer? O fazer sobrar é uma coisa importante, porque o brasileiro até tenta se organizar, mas ele não consegue transformar essa organização em alguma sobra de dinheiro.
Mas a gente sabe que também, quando a gente olha o comportamento financeiro, a gente vê que sempre tem algum meio de se programar e se organizar mais no médio e longo prazo. Porque você tem razão, se a gente olhar sempre o curto prazo, a gente sempre vai estar tratando a emergência e a gente não vai estar olhando porque é importante.
Só para você ter uma ideia no Brasil, Tati, 34% da classe A, que são os mais engenheirados, não tem nenhuma reserva financeira. E a gente tem quase 20% da classe D e E que consegue fazer esse sobrar. Então, tem uma contradição entre o que a pessoa percebe de organização e do que ela pratica como organização. Porque mesmo que você não consiga fazer sobrar, o se organizar é importante. Então, tem 59% de brasileiros que se consideram planejados.
Mas, ainda assim, 84% desses que se consideram planejados enfrentaram alguma emergência financeira, segundo uma pesquisa da Planejar. Então, o que a gente precisa fazer? A gente precisa criar qualquer sobra possível.
Então, às vezes, aqueles 50 reais ou um boleto que você conseguiu pagar com desconto ou uma dívida que você conseguiu renegociar. E mesmo aquelas pessoas que têm dívidas, elas podem começar a fazer sobrar um pouco, nem que seja 50, 100 reais por mês. Isso já muda o comportamento que os especialistas chamam de auto-eficácia. Porque quando você percebe que você conseguiu...
Dar um passo na organização, você se sente capaz de dar um passo maior para uma organização ainda maior e melhor. Então, a gente precisa atacar os gargalos. Então, muitos gastos acabam sendo escondidos, porque a gente sempre vai naquelas grandes contas. Mas, às vezes, é um desperdício aqui ou ali, porque é mais fácil a gente cortar desperdícios do que a gente cortar as coisas que a gente gosta e que a gente precisa. E sempre tem alguns desperdícios.
E aí transformar o controle em decisão, ou seja, a gente tem um número grande de pessoas que responderam essa pesquisa que eu citei, mas que elas até têm dinheiro, mas elas estão aí mal organizadas. E reduzir a dependência do crédito emergencial, porque quando a gente não faz sobrar e não tem o mínimo de reserva...
sem reserva a qualquer imprevisto que aconteça, vai virar uma dívida futura. E com esses juros do jeito que está, a gente precisa organizar isso melhor, pensando no curto prazo, mas mirando mais o médio e longo prazo.
Muito bem, ótimo. Vocês já sabem sobre o que a gente fala na quinta-feira, já para deixar esse acepip para o nosso ouvinte? Olha, a gente preparou essa série aqui, essa nova roupagem do nosso quadro. Então, na próxima semana, a gente vai falar sobre...
Criar uma reserva financeira para urgências e imprevistos. Então, a gente vai dar uma pincelada aqui em algumas coisas que a gente falou hoje, mas a gente vai trazer já alguns comos fazer essa reserva sair do papel. Legal, muito bom. Ana, Natália, obrigada. Um beijo e até quinta-feira.
Um beijo, pessoal, até quinta. Toda terça e quinta tem No Fim das Contas, aqui no nosso Estúdio CBN, com a Natália Largue, a Ana Leone e a Naera Bertão. Quer proteger a experiência do seu adolescente online? No TikTok, a segurança vem desde o início.
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