Tecnoshow Comigo, uma das maiores feiras do agro, acontece em Rio Verde, Goiás
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Paulo Vinícius Foelho
Luiz Gustavo Medina
- Estratégia de Compra e VendaFertilizantes e guerra no Oriente Médio · Safra de milho
- Subsídio ao DieselMovimentação dos produtores · TRRs e abastecimento
- Fenômeno El NiñoChuvas e secas no Brasil · Irregularidade do clima
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Cassiano Ribeiro, onde estás? Sandenberg, Trubeng, boa tarde. Estou neste momento no aeroporto de Confins, voltando de Goiás, Sandenberg.
Voltando de Goiás, onde participou de uma das maiores feiras do agro, que começou ontem em Rio Verde, Goiás. Sabe que eu já estive em Rio Verde também. Fiquei impressionado com a pujança do agro na cidade, na região. E você sabe que fazia muito tempo que eu não voltava lá. Fiz questão de vir esse ano, porque fazia muito tempo que eu não ia. E fiquei mais impressionado ainda. Impressionante, né? Porque é impressionante como cresce e rápido. É.
Bom, você então participou da Tecno Show comigo e vai abordar aqui com a gente alguns dos principais temas que você tratou lá com os produtores rurais.
Exato, Sabernak. Tem alguns temas aí, eu acho que são bem importantes. Primeiro é sobre o diesel, né? A gente tem esse problema de alta do preço, subiu já mais de R$ 3 o litro em algumas regiões. Conversei com produtores, conversei também com um representante dos chamados TRRs, que são os transportadores e revendedores retalhistas. Eles são empresas que têm autorização oficial para transportar, armazenar e também revender óleo diesel.
E aí a informação que eu tive é que realmente está havendo uma restrição nesse mercado, na oferta do diesel aos produtores. Não tem um problema de abastecimento, mas o que acontece é que como o preço subiu e tem esse risco, esse medo, esse temor dos produtores de não conseguirem acessar o combustível, que é essencial para as atividades.
agrícolas, os TRRs estão percebendo uma movimentação maior. Então, os produtores estão buscando diversificar agora os fornecedores. Então, quem tinha parceria com algum TRR, apenas um, por exemplo, ele já está tentando...
se esquematizar para conseguir outros fornecedores. Mas, ao mesmo tempo, parece haver uma especulação também nesse mercado, porque os próprios transportadores estão falando, bom, se eu não tinha parceria aqui com o Guilherme ou com o Sardenberg, eu não tenho porquê assumir um compromisso de que eu vou fornecer diesel para ele, eu vou priorizar os meus clientes, os meus parceiros.
de longa data. Então, hoje não tem problema de oferta, mas tem uma restrição, tem um mercado um pouquinho mais cauteloso no sentido tanto de vender e muito mais, quase um alvoroço por parte dos produtores de conseguirem garantir um fornecedor e ter plano A, B e C caso falte combustível. Mas o fato é que o diesel subiu muito o preço já no campo e o produtor está bastante preocupado.
E você falou também que tem um problema aí, uma questão da estratégia de compra de insumos para a próxima safra. É, e é o fertilizante, basicamente. A gente está falando aí de uma safra que já foi plantada, a safra de milho agora no Brasil já está em campo. Foi muito plantada, inclusive, fora de uma janela ideal de clima. Então, tem um risco aí por parte dos produtores que assumiram...
esse plantio fora da janela, porque atrasou a chegada de chuva, atrasou a colheita da soja, atrasou o plantio do milho também. Então, muito milho foi plantado fora da janela ideal. E aí eu estava perguntando para os produtores, para as cooperativas, como é que eles estão lidando com esse cenário de risco, e principalmente para a safra seguinte, considerando a alta dos fertilizantes por causa da guerra no Oriente Médio.
E aí o que eu ouvi, especificamente da Comigo, da cooperativa que organiza essa feira lá em Goiás, é que a cooperativa já tinha um estoque grande. Então, quem tem condições de armazenar fertilizantes, sementes, insumos, para a safra de verão, que vai ser plantada só lá no final do ano, essas cooperativas já tinham boa parte.
estão relativamente mais tranquilas, mas não conseguiram garantir tudo. Ou seja, elas vão ter uma média de preço, vão pagar uma média de preço ali menos do que o preço atual do fertilizante. Mas quem deixar ou quem não conseguiu ainda garantir o seu fertilizante, seu insumo para a safra seguinte, se comprar hoje, vai pagar um valor que inviabiliza a operação. O produtor teria prejuízo se ele comprasse hoje.
Então, o que eu ouvi de um produtor de soja, por exemplo, é que já estava difícil antes da guerra, já estava difícil fechar a conta e ter margem de lucro antes da guerra. Agora, com o preço nas alturas, quem não tinha comprado nada está aí no escuro, está preocupante, porque se garantir hoje o preço atual, não fecha a conta. A expectativa do produtor é que o preço caia, que a guerra acabe, e aí ele tem aí um prazo relativamente pequeno, porque a gente está falando de um produto que tem que chegar...
Aqui no Brasil, lá em agosto, setembro, no máximo, quem planta em setembro, outubro, tem que receber esse produto antes. Para ele receber, ele tem que fechar o contrato bem antes para essa empresa mandar o produto lá de onde vem. O produto que vem lá de fora, que vem lá do Irã, inclusive.
Exatamente, Oriente Médio, Canadá, e tudo isso mudou, essa logística internacional, tanto quem manda do Canadá, quem manda do Oriente Médio, da China, está pagando mais pelo frete marítimo e a gente não sabe ainda como que vai chegar, quando que vai chegar esse produto. Então hoje a questão é exatamente essa, o preço...
e quando o produtor consegue comprar para garantir esse insumo a tempo do plantio. Então, um quadro bastante preocupante. A cooperativa disse que nessa semana da feira, ela espera que 60% dos insumos sejam comercializados durante a semana. Então, ela está oferecendo condições especiais para os cooperados dela para garantir já o insumo e ele não ficar exposto a risco lá na frente.
Como eu disse, quem não tem essa cooperativa, essa estratégia, essa condição de guardar insumo, de comprar antecipadamente, está correndo um grande risco. E para completar a sequência de desastres, tem um Eleninho chegando?
Tem um El Ninho chegando, que ele preocupa principalmente quem está no sul, Sardenberg, e no norte e nordeste do Brasil, porque normalmente esse fenômeno traz chuvas acima da média para o sul. Então, lembra das enchentes lá de 2024 no Rio Grande do Sul, no dia El Ninho. Norte e nordeste, por outro lado, tem um risco de seca. Então, essas duas regiões aí...
Estão em alerta no centro-oeste do Brasil, que é um importante cinturão de produção. Os produtores estão relativamente tranquilos, mas ainda assim notando uma irregularidade da chuva, um clima diferente. A gente viu agora nessa safra mesmo, não tem uma influência grande de alninho nem laninha, mas tem aí um atraso de colheita, um atraso de plantio, tudo por causa de um clima irregular e cada vez mais diferente.
Cassiano Ribeiro, muitíssimo obrigado pela sua participação, pelo esforço de participação e muitíssimo obrigado. Valeu, Sanderberg, até mais. Até mais, Gui. Valeu, até mais. Boa viagem.
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