Casos de Influenza A crescem no Brasil; ‘vacina ainda é a intervenção mais eficaz‘
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Luiz Fernando Correia
- Vírus da influenzaAumento de mortes por gripe · Eficácia da vacina · Grupo de risco para gripe
Saúde em Foco. Com Luiz Fernando Correia. Muito bom dia, doutor Luiz Fernando Correia. Bom dia, Milton. Bom dia, Marcela. Bom dia, ouvintes. Muito bom dia.
Doutor Luiz Fernando Corrêa, ontem quando eu cheguei aqui em Porto Alegre, onde eu estou hoje, e permanecerei até amanhã, um dos assuntos logo na chegada aqui era sobre gripe. E muita gente falando o seguinte, ah, o filho do fulano está com gripe e passou para o ciclano.
O outro que trabalha com jovens também, dizendo que na sala de aula também tem gente com gripe. Isso aí está se disseminando? É a influência que está por aí? O que está acontecendo? Pois é, Milton, a gente está vivendo o surto de influência A no Brasil, que a gente já tinha comentado que podia acontecer e estava esperado.
Agora, o mais importante é prestar atenção que o número de mortes associadas a essa gripe já subiu 36% nas primeiras quatro semanas epidemiológicas. O país já registrou mais de 28 mil casos de síndrome respiratória aguda grave nesse ano de 2026, e nós estamos ainda no início da temporada de gripe. Essa gripe, esse vírus de influenza A que está circulando agora no Brasil...
Ele pertence a uma sublinhagem do H3N2, especificamente a uma variante chamada K, que foi identificada pela primeira vez no ano passado em Nova Iorque, e que rapidamente se tornou dominante em vários países, inclusive agora no Brasil. Por que ela é perigosa? O vírus da influência H3N2, como todos os vírus da influência, aliás, eles são famosos porque fazem mutações muito rapidamente.
E esse H3N2 são as mutações mais rápidas que o H1N1, que a gente já conhece, que causou aquela pandemia lá há mais ou menos 20 anos atrás, um pouco mais de 20 anos atrás. Então, um artigo que foi publicado no New England Journal of Medicine agora, esse ano, mostra exatamente isso. Essa variante K sofreu o que a gente chama de drift antigênico. Não chega a ser uma mutação, mas uma variação, o que significa que ela mudou.
E mudou a ponto de que parte das vacinas que foram definidas para o H3N2 no ano passado, a definição da vacina um pouco anterior, tem uma eficácia reduzida, especialmente em adultos. Ou seja, essa gripe de 26 não é a mesma do ano passado. Vamos lembrar que o sistema imunológico de muita gente não vai reconhecer esse novo vírus tão bem. E por isso a gente vê casos mais graves.
Agora, tem um alerta também importante. A maioria das pessoas acha que gripe grave só mata idoso. Isso está errado.
Os dados da Infogripe da Fiocruz mostram que em 2026 a gente está vendo aumento de casos graves em adultos jovens, pessoas de 20 a 59 anos de idade. É lógico que quem está ainda no topo da lista do risco real são os idosos acima de 60 anos, crianças menores de 2 anos, gestantes, pessoas com doenças crônicas, como diabetes, asma.
doenças cardíacas e pessoas que têm a sua imunidade comprometida, seja por doença ou seja até por uso necessário de um tratamento médico que comprometa a imunidade. Uma revisão feita no PubMed, que é a maior base de dados de saúde, em 2025, analisou dezenas de estudos e confirmou. A vacina ainda é a intervenção mais eficaz para doença grave nesse caso.
com efetividade de até 75% em menores de 18 anos, mas com efetividade um pouco menor, em torno de 40% em adultos. Gente, 40% pode parecer baixo, mas isso é uma proteção contra internação e morte, não só contra sintomas. E em saúde pública, a gente tem que entender que qualquer hospitalização que for evitada é muito importante. Ela é importante para o próprio paciente, é claro. É importante para o sistema.
para o sistema único e para o suplementar também. E para você, que não quer pegar a gripe de ninguém no pronto-socorro quando for lá, se precisar.
Lembrar que a campanha nacional de vacinação está aberta até dia 30 de maio, gratuita, no SUS, qualquer unidade básica de saúde. Se você está nos grupos prioritários, idosos, gestantes, crianças de seis meses a cinco anos, profissionais de saúde, povos indígenas e professores, vá se vacinar hoje mesmo, se possível, se não amanhã no máximo.
Se você não está no grupo prioritário, ainda dá para se proteger. Com medidas simples, que valem para todo mundo. E valem para eles sempre, não é só durante agora esse surto de gripe.
Lavar a mão com frequência. Isso inclui lavar a mão antes de comer, depois você andou e segurou em corrimão, passou no metrô, dinheiro, ônibus. Ventilar o ambiente fechado. Eu sei que vai começar, daqui a pouco vai começar a esfriar em alguns lugares do Brasil. Evitar aglomerações se você tiver com sintomas. E se você tiver febre alta, falta de ar, tosse intensa, não espere tratar em casa. Procure atendimento médico. Uma coisa importante, gente. Mais uma.
O OZOTAMIVIR, que é o Tamiflu, funciona melhor nas primeiras quarenta e oito horas do sintoma. Depois disso, a eficácia vai cair muito. E se você tem fator de risco em desenvolver sintoma de gripe, procure o médico logo. Não espera em casa pra ver se vai passar.
Essa gripe é mais agressiva, é verdade. Ela está causando mais mortes. Ainda assim, tem muita gente que não se vacinou. A boa notícia é que a gente tem informação, né, Milton? E é o que salva vidas em saúde. Muito obrigado, doutor Luiz Fernando. Bom dia. Bom dia para você, Milton, Marcela e todos os ouvintes.