Dia do Jornalista: ‘hoje em dia, discordar de alguém é uma ofensa’
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Luiz Gustavo Medina
Merval Pereira
- Jornalismo IndependenteViolência verbal nas redes · Regulamentação das redes sociais · Fake news
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Momento da Política, com Merval Pereira. E aí, Merval? Tudo bom, Sardenberg? Boa tarde, ouvintes. Boa tarde, Muniz. Boa tarde, Merval.
Merval, queria de você uma reflexão sobre o jornalismo de hoje, o jornalismo que nós fazemos, jornalismo da imprensa independente, jornalismo profissional. E você viu aqui a reportagem do Felipe Igreja, dados da Aberte, falando em duas mil agressões virtuais nas redes, ataques nas redes, ataques dos quais a gente foi vítima, nós aqui fomos vítimas.
Temos sido vítimas várias vezes, inclusive com fake news, ofensas, etc. Enfim, como é que você está vendo essa situação, jornalismo independente hoje, Merval? Eu acho, Sardenberg, que com a incrementação da internet e das diversas mídias eletrônicas e esses blogs, essas...
redes sociais que são formadas para defender, do ponto de vista, é até espantoso que não tenha sido maior, porque com a polarização política do país, hoje você não tem mais fóruns de debate, você tem fóruns de xingamento.
Ninguém está disposto a ouvir o outro lado, ninguém aceita uma notícia que não seja favorável ao seu líder, ao seu grupo. Então, qualquer coisa, motivo para agressões, para palavras chulas, como você também não precisa se identificar nas redes para dizer coisas.
Você abusa, abusa do anonimato. Você comete crimes de calúnia, difamação e tal, sem ser punido. Porque as big techs não controlam isso. E o sujeito que está te atacando, te acusando, está escrevendo sobre pseudônimo.
Então, você fica completamente sem ação. Mas é natural que isso aconteça num mundo que está dominado pelas redes sociais e não está mais querendo, não é nem que esteja disposto a ouvir, não está querendo mais ouvir o outro lado. Está simplesmente querendo defender a sua posição.
E quem é contra a sua posição é seu inimigo, não é um adversário, não é uma pessoa que pensa diferente. Então, realmente, a coisa tende a se agravar, porque as redes sociais, se não forem controladas e minimamente organizadas...
você vai ter um ambiente que favorece a violência verbal. E a violência verbal não é só xingamento, é ameaça. E muitas ameaças que se concretizam. Então, não é uma situação que mereça ser normalizada. É uma situação que chama para uma...
a organização do meio para o governo tomar providência, as big techs tomarem providência, porque hoje em dia você discordar de alguém é uma ofensa. Então, a partir daí, essa polarização favorece a esse clima de violência que a gente vê diariamente. Os números são bastante claros.
para indicar que alguma coisa tem que ser feita. Pois é, meu irmão, mas o mundo inteiro tem essa discussão, o mundo inteiro tem essa discussão que é o controle, algum tipo de controle, algum tipo de acompanhamento das redes sociais. E para falar a verdade, não se chegou a nenhuma legislação, digamos que fosse aceita universalmente, ou seja, fosse aceita pela maioria em nenhum país.
Isso tem a ver com a própria facilidade que as redes sociais têm de criar conteúdos de uma maneira quase infinita. Como é que você vai controlar isso sem estabelecer uma censura geral para o Merval? Pois é, esse é um problema básico. Toda vez que você vai querer regularizar, regulamentar...
As big techs veem a acusação de que é uma censura prévia que você não pode fazer. E se não for censura prévia, também as redes sociais não tomam providência a posteriori.
não tomam nenhuma atitude, nem favorecem a quem está tentando se defender, processando o caluniador. Então, é muito difícil, é uma situação, o começo disso.
é que foi errado. Tinha que exigir registro de nome, CPF, para poder participar das redes. Mas não foi, e não foi de propósito, porque quanto mais gente entrar, mais faturam as big techs. Isso agora não tem mais jeito, não tem como.
Tem que arranjar uma maneira de agilizar os processos contra quem abusa da liberdade de expressão. Porque muitas vezes você sofre calúnia, sofre ataques, e não consegue nem identificar quem fez o ataque para que você possa se defender na justiça. Ou, por exemplo, no meu caso, já mais de uma vez, aparecem...
posts na internet, posts no Instagram, por exemplo, em que aparece a minha foto de certa, a minha foto certa, e eu aconselhando compra de ações, aconselhando compra de papéis e tal. Absolutamente fake. E em todas as vezes que eu tentei me emergir, eu não consegui encontrar quem era, onde estava a origem disso. Esse é um dos problemas que a regulamentação tem que resolver. A obrigação dos é um dos problemas.
de controlarem o seu uso, porque senão eles ficam posando de vítimas também, eles não são vítimas, imagina se um jornal permitisse que qualquer coisa fosse publicada, qualquer pessoa xingasse o outro, não ia dar certo, não podia continuar, ia quebrar de tanto o processo.
eles é que têm que aceitar uma regulamentação disso, porque não é possível estar chegando a um ponto de limite. Esse abuso tem uma vantagem só. As big techs já foram muito mais críveis.
do que são hoje. As big techs estão muito mais ligadas a fake news do que a notícia. Então, isso é um bom sinal. A sociedade já chegou à conclusão que não pode acreditar em tudo que sai nessas redes sociais. E aí vão checar na imprensa profissional para ver se aconteceu mesmo.
Então isso já é um bom avanço, é um sinal de que a sociedade está atenta a esse abuso das big tech. Tá certo. Merval Pereira, obrigado, esse é um assunto que vai nos ocupar ainda muitas vezes, mas por hoje, obrigado Merval e até amanhã. Até amanhã, Senão.
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