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Páscoa é convite ao recomeço, não à fixação nas cicatrizes

05 de abril de 202614min
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Rossandro Klinjey destaca que o renascimento faz parte da vida e que a esperança se constrói no cotidiano e nas relações

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Participantes neste episódio2
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Petria

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Tatiana Nando

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Assuntos2
  • Renovação de EsperançaCicatrizes e superação · Rituais familiares · Reflexão sobre a vida
  • Rituais e CerimôniasConexão familiar · Valores humanos
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O Divã de Todos Nós, com Rosandro Klinger.

Rosandro Klinger comigo nesse domingo de Páscoa. Que data especial. É interessante porque ano a ano, quando a gente revisita as datas comemorativas, as datas dos encontros, se a gente para para prestar atenção, a gente faz uma retrospectiva e lembra, como é que eu estava no passado, na Páscoa do ano passado, ou no Natal do ano passado.

Como é que eu estava no ano retrasado? Quais foram minhas vitórias? Quais foram as minhas perdas? Quais foram minhas reflexões sobre liberdade, amor, conexão, reunião, almoços, jantares? E esse ano, mais um ano, meu amigo Rossandro Klinger, a gente se reúne mais um domingo para falar.

sobre Páscoa, renascimento, esperança, relembrar nossos lutos, mas também lembrar da esperança e da fé, que é tão importante, né, Rossandro? Boa tarde. Boa tarde, Pétria. Boa tarde, ouvintes. Pessoal que está tendo estúdio aí, um feliz passo para todos vocês. O bonito é isso, né, Pétria? A gente pode revisitar a vida, as datas e perceber os processos acontecendo.

a maturidade. Eu sei que algumas pessoas estão comentando que é a primeira Páscoa, alguém que eu amo, ou que é a Páscoa que chegou alguém que eu estou amando. Então, a vida tem essa sucessão de idas e vindas, essa estação em que a gente vai e vem. E a gente tem que olhar para essa esperança, que é o sentido mais clássico do renascimento, dessa reconstrução de possibilidades.

E quando a gente tem essa capacidade de se olhar simbólico sobre a vida, de a gente voltar e revisitar e perceber que a gente cresceu, isso dá uma sensação de que mesmo nesse mundo tumultuado, com guerra, com tanta coisa que no primeiro momento a gente olha, parece que tudo está meio que estranho, nesse momento da história humana, a esperança não acontece sempre no coletivo, é muitas vezes na nossa pequena vida, no milagre que acontece.

Para quem está agora com a família, ouvindo a gente, fazendo um almoço de páscoa, reencontrando quem ama, nada como uma mesa cheia. E ao mesmo tempo também a simbologia para o mundo que é majoritariamente cristão, judaico-cristão que é o nosso, lembrar dessa mensagem de um renascimento de alguém que volta com as mãos feridas.

A imagem de Jesus voltando com as mãos feridas mostra simbolicamente na leitura que eu queria fazer hoje, pede com os ouvintes e com você, que renascimentos trazem cicatrizes. Agora, a grande questão, que é onde se estabelece mais esperança do que dor, é você entender que há momentos em que a gente olha para dor, para cicatriz. Quando a criança corre e cai, ela primeiro começa a chorar, olhar para o joelho ferido.

Mas aí o pai e a mãe chegam dizendo, não, só foi isso, está tudo bem, você está crescendo, você acolhe o choro e de repente ela volta a brincar, ou seja, ela não fica fixada na cicatriz. O problema não é ter cicatriz porque todos nós temos, é não se fixar nela e a cicla define quem você é. Ninguém que te machucou define quem você é e quem você vai se tornar. Mas são as partes da vida, o renascimento exige isso. A mãe que dá a luz, não importa de parto natural.

ou de parto cesariano, a cicatriz. Mas o rebento que liberta também é muito bonito. E assim a vida nos convida a esse olhar sobre o renascimento. A começar uma nova profissão em meio aos desafios da IA e das mudanças tecnológicas. A reiniciar um novo relacionamento após o fim de um. A viver o luto de um relacionamento que acabou de acabar quando você apostou muito que seria o amor da sua vida.

a experimentar a saudade de quem você ama, a alegria de quem chega. A vida está sempre nos convidando a esse renascimento. Hoje é apenas uma reflexão, digamos assim, mais coletiva, de algo que vivemos todos os dias.

intensamente, dias com mais intensidade e dias mais comuns, em que a gente está só no piloto automático, vivendo a vida comum, até que chega um evento ou muito bonito, que nos convida a viver a vida, ou às vezes um pouco doloroso, que também nos convida a olhar para a existência. Mas em todos esses momentos, você falou isso desde o começo da sua fala, a esperança, não no sentido de uma expectativa vazia, mas de um sentimento de que...

Nós não vivemos tudo o que nós estamos vivendo sem um sentido mais amplo, mais transcendente, mais cósmico. E que faz com que haja uma ordem mesmo no caos que a gente encerga. Porque para a gente, a gente está vendo no curto prazo, no espectro pequeno. Mas o cosmos, Deus, essa grande força que nos criou, ele sabe os destinos, ele sabe o que nos aguarda. Então mesmo temporariamente os homens que estão no poder e que passarão, como todos os outros passaram.

não vão determinar a história toda da nossa civilização. Estamos escrevendo esse livro da humanidade. Então, escreva o seu capítulo, a sua história, olhe para a sua cicatriz, mas não se fixe nela. Renaiça, reviva, agradeça, comemore, porque a vida está sempre nos convidando a renascer.

Sabe, Rosandra, é tão importante, não é uma questão de ser saudosista, porque não acho que também as coisas eram muito melhores. Antigamente, a gente tem aí um misto de coisas melhores e coisas piores, mas algo que a gente vem perdendo bastante, inclusive, é um dos temas de um filósofo que a gente adora, eu adoro, que é o Bichu Han.

Ele fala sobre o desaparecimento dos rituais. Nesse tempo tão corrido que nós temos, né? Eu falo isso muito, muito direcionado. Eu tenho filhos pequenos, mas falo isso também muito direcionada para as gerações mais novas. A gente tem um costume, eu tinha um costume, de nessas reuniões, como a Páscoa, por exemplo,

sempre ter uma palavra, uma reflexão em mesa, na sala do almoço, na sala do jantar, relembrando alguns valores importantes como esses que você falou. Lembro muito do livro da Clarissa Pinkolos Tess, que é o Mulheres que Correm com os Lobos, e ela fala muito sobre essa ideia de vida, morte e vida. A vida não é linear, a sabedoria não é linear, a gente tem cada vez mais...

uma vida que é toma lá, dá cá, experiências só interessadas, é o networking, o que essa pessoa pode me dar, se ela não pode me dar, ela não me interessa. E essas reuniões familiares relembrando valores humanos, como o valor da liberdade.

O valor do respeito, o valor de se aprender a ver o outro na sua frente, não como um boneco, mas como uma pessoa que merece respeito, amorosidade, afeto. O renascimento enquanto a vida pode vir em uma situação difícil, mas vai passar. Minha filha ontem quebrou o braço. Vai passar. E é um aprendizado. Cair faz parte, porque a gente levanta e a vida continua.

essas reuniões com falas importantes vêm se perdendo. E aí a gente acha que o problema é só a rede social, é só jovens que não saem da rede social tão depressivos, tão ansiosos. A gente esquece de um elo, um vínculo que precisa ser feito, talvez agora, para quem está ouvindo a gente, na mesa do almoço de Páscoa ou no carro a caminho da reunião familiar.

Passa dois, três minutos de uma fala importante que se conecta com a mesa do almoço. Como é que você vê isso, Rossandro? Petra, os rituais familiares são a costura dos afetos.

As pessoas não entendem que cada almoço de domingo, que cada pizza da sexta-noite... Que delícia! Que cada café da manhã tomado juntos vai costurando os afetos. As pessoas querem amor, mas não querem estar costurando esses afetos. A argamassa da nossa vida é o contato planejado, intencional.

Então hoje, comemorar, pensar, viver essa experiência, lembrar dentro do seu campo de espectro de fé o significado que isso tem, olhar para sua família, agradecer estarmos juntos, agradecer a vida de estarmos juntos, essa experiência.

É o que faz com que a gente crie memórias. É o que faz com que a gente olhe para a fotografia e tenha sentido para a gente. Contando histórias, né? Para suportar os dias de despedida, os dias difíceis, lembrando de tudo que a gente viveu, não só do que a gente não vai mais viver. Para quem hoje está com saudade, eu recomendo lembrar de tudo que foi vivido, de cada risada, de cada história, de cada coisa engraçada que acontece.

para que a gente possa olhar para a vida e perceber isso. Então, os rituais são importantes. Estarmos juntos na mesa, desconectar. Porque, no fundo, no fundo, e você sabe muito bem que eu falo muito que a nossa relação é uma relação de soul work, não é de network, né? É soul work total. É soul work total. A gente quer justamente isso, não é o que eu vou ganhar com você do ponto de vista de negócios. O que a minha alma ganha ao estar com a sua?

Tem pessoas que a gente olha assim, essa pessoa é tão incrível que eu preciso ser amiga dessa pessoa.

Porque ela é incrível, não é sobre o que ela vai me trazer de business, é sobre o que ela me traz de valores. Porque quem vive só desse network vazio, vive dobrando a aposta num consumismo vazio, que leva até para a espiritualidade, um consumismo que está completamente distante daquele que na manjedoura nasceu pobre e morreu crucificado. Mas o ponto de distorção é tão absurdo sobre isso.

Que o príncipe da paz, que não tinha uma pedra para deitar a cabeça, hoje é cultuado como aquele que dá a prosperidade para as pessoas. E a proposta é de prosperidade espiritual e moral. Porque a financeira do mundo, a de mamão, é pobre.

São as pobres pessoas que se dizem espiritualizadas. Que nós possamos entender isso. E começa com o ritual. Porque quando a gente tem um ritual na família, a gente sente que mais importante do que aonde eu estou com o meu filho agora, se é num condomínio de luxo ou numa casa pequena, o importante é, eu estou com os meus filhos.

Não importa se você tem um uva de Páscoa de 2 kg ou apenas um chocolate pequeno que você fez em casa, qualquer coisa para não passar em branco, é o símbolo que aquilo representa. Porque eles vão lembrar, é de presença e não de presentes. A vida é exatamente sobre isso.

E aí a minha pergunta pra você, ouvindo você falar aqui comigo, tô ouvindo uns barulhinhos aí no fundo também. Ao fundo. Ao fundo. E aí eu te pergunto, me veio uma pergunta bem profunda, quando você fala disso de reunião, de independente de onde você tá agora, se é no condomínio de luxo, se é na Disney, ouvindo revista CBN.

Ou em qualquer lugar da cidade. Ou em Lisboa, né? Ou em Lisboa, o irmão tá lá. O que é a vida? Porque se essa figura histórica perdeu a vida em determinado momento, fala frases muito importantes, perdoa eles porque eles não sabem o que estão fazendo. Eu gosto muito dessa frase, porque a gente precisa ter uma posição de humildade nessa vida, Roçando, quanto mais a gente sabe, mais a gente vê.

E quão pequenininho a gente é. O que é a vida, meu amigo? Eu acho que é, como diz Gonzaguinho, um sopro do Criador numa atitude repleta de amor. E essa compreensão do perdoe a eles, que eles não sabem o que fazem, a gente tem que lembrar que, mesmo que você perdoe, e a gente deve perdoar, as pessoas que não sabem o que fazem, ainda assim vão ter que colher os frutos do que fizeram.

O meu perdão a quem erra não exime a pessoa de colher o fruto do erro para aprender, porque isso também é amor. Eu não posso evitar que meu filho caia e sinta dor, de jeito nenhum. Mas eu perdoo porque as quedas fazem parte da vida.

mas que a gente possa olhar esse sopro do Criador que renova a nossa vida, numa atitude repleta de amor, porque às vezes você se sente tão pequeno, o mundo te compara, as redes sociais te minimizam, você acha que todo mundo está bem menos você. Parece a música da Xuxa, todo mundo está feliz, todo mundo quer dançar menos você.

real e não a instagramável da tua vida, a felicidade real que está do teu lado aí agora, às vezes com dificuldade pedindo perdão, um abraço pra sociedade uma conversa difícil que retoma os laços e isso é o renascer todos os dias Renascer todos os dias querido amigo quer deixar uma última palavra pros nossos ouvintes de Feliz Páscoa ou algo forte pra você? Petra, eu acho que quem escuta você na VTCBN é uma pessoa tão diferente E aí E aí

Que eu quero que esses ouvintes, eles possam, e eu sei que eles fazem isso, o meu desejo é que eles possam levar tudo que eles escutam aqui, de você, de todos nós que estamos aqui com você, e possa levar para o mundo. Porque adquirir consciente, ficar só para si não é suficiente. Que nós possamos ser também, nessa Páscoa, como dizia o próprio Cristo, luz do mundo, sal da terra. Ser Páscoa na vida dos outros.

Rosandro Klinger, meu querido amigo, que essa Páscoa seja de uma renovação tamanha, que te surpreenda nessa vida e te presenteie pelo tanto que você dá para o mundo e dá do seu coração para o mundo, tá bom? Um beijo para você. Boa Páscoa.

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