Vidas de escritores marcam relação entre pai e filho
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Petria
José Godói
- Vontade do Pai e do FilhoHistórias de escritores · Javier Peña · Margaret Atwood · James Joyce · Maya Angelou
- Obra Tinta InvisívelLiteratura e memórias · Conexão emocional
- Histórias de vida de grandes escritoresSomerset Maugham · Doris Lessing
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3 horas e 23 minutos. Clube do Livro CBN, com José Godói. Nosso Clube do Livro Zé Godói já com a gente. Zé, boa tarde. Oi, Pétria. Boa tarde, boa tarde aos ouvintes. Qual é o nosso tema de hoje?
Vou falar hoje aqui, Pétria de Tinta Invisível, é uma mistura de ensaio literário e memórias do espanhol, do galego Javier Penha. Javier era inédito por aqui até agora, está sendo o primeiro livro dele que saiu por aqui.
É um livro bem pessoal, mas também que comunica para quem gosta de literatura, para quem gosta de histórias de escritores. Esse é o caminho que o Javier vai encontrar para se conectar ou se reconectar emocionalmente com o pai dele. Ele ficou afastado do pai por alguns anos e quando o pai fica doente no final da vida, eles voltam a se...
a se encontrar, e aí ele percebe que a relação dele sempre foi muito pontuada, o afeto era transmitido por meio de histórias, e muitas vezes por meio de histórias de outros, e na maior parte das vezes esses outros eram escritores, era o modo que eles tinham de dialogar, de encontrar alguma coesão nessa relação. Então o Javier vai fazer um livro onde ele reflete um pouco sobre essa relação dele com o pai dele.
o caminho que a leitura, a literatura, os livros vão ganhar na vida dele por meio da relação do pai, que era um leitor compulsivo, e de que forma essas histórias que o pai recolheu, que depois ele passa a recolher, vão marcar a própria história dele. Aí vira um livro muito instigante ou muito interessante para quem gosta de pequenas passagens na vida ou na trajetória de grandes autores.
Ele conta, por exemplo, do Somerset Morgan, que é um dos maiores escritores ingleses da primeira metade do século passado, que estava na Índia esperando o trem, o trem estava atrasado, a mala dele tinha sido extraviada, ele não tinha nenhum livro para ler.
e ele começa a ler um contrato que ele tem no bolso, lê esse contrato seis vezes, se cansa, pede para o chefe da estação se ele tem alguma coisa para emprestar, ele diz que ele só tem a lista telefônica, e ele pega a lista telefônica e fica lendo a lista telefônica inteira para esperar o trem, pela necessidade desse hábito da leitura compulsiva. Ou ele fala, por exemplo, do James Joyce também, que opera os olhos e pede para uma amiga...
que leia partes de um livro para ele. E assim que ela começa a ler, ele começa a falar em voz alta esse trecho que ela lê, mostrando o quanto essa leitura está tão introjetada dentro dele que ele é capaz de lembrar mesmo sem enxergar a página.
Tem a história incrível da Margaret Atwood, que é uma história que vai dar, no final das contas, no conto da Aya. A Margaret estudava em Harvard nos anos 60 e até 67 a biblioteca de poesia da Universidade era vedada às mulheres.
E ela era fascinada, ela escrevia versos e não podia entrar na biblioteca, só os estudantes homens poderiam entrar na biblioteca. Essa informação ela vai guardar dentro dela, anos depois ela vai para o Afeganistão, vê a situação das mulheres naquele país, e quando ela ganha uma bolsa para a Alemanha no começo dos anos 80, ela resolve escrever um livro, tem a ideia de um livro de uma sociedade onde as mulheres são excluídas de forma violenta.
acha que não deveria ser feita essa história contada num país como Afeganistão, que deveria ser contada num país como os Estados Unidos. E é a junção da história dela com a biblioteca, da juventude dela e da experiência dela no Afeganistão, que ela vai criar o conto da Aya, por exemplo. O Amai Angelou também, que tinha que sair de casa para escrever, não podia escrever em casa. Aí alugou um quarto de hotel para onde ela ficava das seis da manhã até a noite, escrevendo.
todos os dias, só voltava para casa para dormir. Ou a Doris Lessing, que lança livros com pseudônimo para provar que, na verdade, os críticos só criticam os escritores conhecidos. E esses livros que ela assina com esse outro nome são um fracasso. São histórias saborosas que vão sendo passadas de pai para filho.
ou agora, do Javier, para os leitores desse livro, para quem gosta de histórias de escritores, histórias literárias, ou para também ter interesse nessas formas de conexão entre pais e filhos, acho que é um prato cheio esse livro. Muito bom. Eu ia te perguntar a parte que mais te tocou nesse livro, Zé, mas o nosso tempo está curto e você ainda tem que anunciar o nosso livro do mês, né?
A que eu mais gosto é essa da Margaret Wood. Eu acho incrível essa história. A gênese mesmo do conto da Aya, que nasce nesse caminho de mais de 10 anos, juntando passagens na própria vida. O livro do Meis, Petra, foi uma indicação que eu recebi do Milton Ratum, grande romancista brasileiro, que chamou Filho de Adam. Filho de Adam é o primeiro volume de uma trilogia chamada Crianças do Gueto, escrita pelo Elias Curi, que foi um dos maiores escritores...
dos libaneses, desse século. Ele faleceu agora recentemente e a gente está tendo a oportunidade dele no Brasil. Então, eu vou falar de O Filho de Adam. Na última semana de abril, eu exploro esse livro com mais calma. O Filho de Adam, então, do Elias Cury. Esse é o livro do mês, para que você possa ir acompanhando aqui o Estúdio CBN Lê e ouvir aqui a crítica, análise do Zé Godói.
É isso, né, Zé? Estamos listos? É isso. Estamos e você, boa Páscoa. Periado. Com seus ouvintes. Chocolatinhos. Beijo para você, querido. Bons livros. Você também, valeu. Tchau, tchau. E com isso, reporta CBN. Parte de 5 segundos.
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