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A origem das palavras 'paixão', 'amor' e 'amizade'

03 de abril de 202615min
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Professor Pasquale fala sobre a origem das palavras e conta com os auxílios luxuosos de "Amor e Paixão", de M. Nascimento e F. Brant, com Simone, "Canção da América", de M. Nascimento e F. Brant, com M. Nascimento "Paixão e Fé", de Tavinho Moura e F. Brant, com Milton Nascimento e Canarinhos de Petrópolis

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Participantes neste episódio3
P

Professor Pasquale Caminha

HostProfessor
P

Petria

Co-hostJornalista
S

Simone

Convidado
Assuntos3
  • Etimologia de Palavraspaixão · amor · amizade
  • Semana Santa e Paixão de Cristosofrimento de Cristo
  • Histórias pessoais de amorAmor e Paixão · Canção da América · Paixão e Fé
Transcrição38 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

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A nossa língua de todo dia, com o professor Pasquale. E hoje, ele fala...

a propósito da Sexta-feira da Paixão, ele vai falar sobre isso, sobre amizade, amor e paixão. É isso, professor Pasquale? Boa tarde. Pétria, querida, boa tarde. Ouvintes, boa tarde. É uma honra estar de novo com você aqui no Estúdio CBN. São poucas vezes, mas quando elas acontecem...

A alegria é monumental. Ontem a Jana me disse, amanhã, pétria. Falei, ah, então... Então, estou na porta. Maravilhoso. É isso. Conta para mim, por que desse assunto de hoje? E o que você vai me falar sobre essas palavras maravilhosas, professor?

Pois é, é bom lembrar que eu sou o Pascoal e não sou o Rossando Klinger. Isso não é um sábado, isso não é um domingo, isso é uma sexta-feira. Se situa.

E ele certamente teria muito a falar sobre isso, mas eu vou falar sobre o ponto de vista linguístico. Sexta-feira da paixão, paixão de Cristo. Nós estamos no ar desde 2017, o Estúdio CBN, e sempre na sexta-feira da paixão eu fico pensando e dou um jeito de tocar no assunto. Essa paixão...

da sexta-feira da paixão, da paixão de Cristo. Que origem tem a palavra paixão? E a palavra amor? Que tem a ver, claro, todo mundo sabe que paixão e amor andam, né? Então, para começar, eu vou pedir um auxílio luxuosíssimo.

Hoje nós temos três canções, três auxílios. As três canções têm letra de Fernando Brant, do monumental Fernando Brant. Essa que a gente vai ouvir agora chama-se justamente Amor e Paixão. Letra de Fernando Brant e melodia de Milton Nascimento. Quem canta para a gente é a Simone.

Ela gravou isso em 1986 num disco que tem o mesmo nome, Amor e Paixão. Vejam o que diz o Fernando nessa letra. Vamos lá.

O amor que mora na rua do coração Nenhuma vizinha de quarto é a paixão É bom saber nessa casa Onde andar, onde está Quem...

E quem aparece pra gente é a paixão A paixão é o lado hermoso do amor A paixão que vem

Paixão tem a mesma raiz de patos, de sofrimento, patirae, lá no latim. A paixão é o sofrimento. A paixão de Cristo é o sofrimento pelo qual ele passou. E dizem que quem ama sofre. Aquelas histórias todas, não vamos entrar nesse mérito. Aí a gente chama o Rossandro.

E ele vai fazer o esclarecimento todo, mas em termos linguísticos, a paixão, patir, sofrer, patíbulo, que é o lugar em que se executa uma tortura e tal, uma coisa assim. É o sofrimento. E o amor? Amor é uma palavra surpreendente, porque ela é da mesma família.

De uma a outra, normalmente a gente não faz a relação. Então, eu vou pedir novamente letra de Fernando Branche, novamente melodia de Milton Nascimento, agora quem canta é o próprio Milton, Canção da América, do disco Sentinela, de 1980. Vamos lá.

Debaixo de sete estados

Assim falava a canção que na América ouvi. Mas quem cantava chorou ao ver seu amigo partir. Mas quem ficou no pensamento voou com seu canto que ouve.

E quem voou no pensamento ficou Uma lembrança que o outro cantou Amigo é coisa pra se guardar No lado esquerdo do pé

Mesmo que o tempo e a distância Então não Mesmo esquecendo a canção Nossa, essa música é demais. Eu falava que pra Débora ficou muito marcada pra mim essa música, professor, com a morte do Ayrton Senna. Nossa.

Sim, sim. Mas fala, desculpa. Foi muito tocada, né? Não, não, que é isso. Maravilhosa. E um dia eu perguntei para o Fernando, para o Fernando Branche, com quem eu tinha a honra de privar.

Eu perguntei para ele, Fernando, você não fica chateado quando você vê gente por aí com camiseta? Assim, amigo é coisa para se guardar debaixo de sete chaves, não sei o quê, entre parênteses, Milton, Nascimento. Você não fica chateado? A frase é sua, o texto é seu, a letra é sua. Ele dizia que nada, eu quero mais, eu anonimato, eu quero mais. Deixa o Bituca, é o Milton, né? Deixa o Bituca ficar no palco, aparecer, eu me contento.

com o anonimato, grande Fernando que está no céu. Amigo, você se lembra do que você estudou no colégio, a chamada cantiga de amigo? Claro. Lembra? Lógico. A cantiga de amigo era uma composição medieval, uma composição poética, e nessa composição, a amada, que era uma mulher do povo, era uma mulher simples, de origem simples, ela chora, ela lamenta a ausência de quem?

Do amigo, que é o amante, que é aquele que ela ama. Porque amigo, amizade, amor, tem a mesma raiz latina, são farinha do mesmo saco. Então, a amizade...

tem a ver com um amigo que tem a ver com o amor, a raiz é a mesma, é só procurar nos dicionários etimológicos de qualquer língua em que haja isso, português, italiano e tal, a gente vai ver essa relação entre amor e amizade.

que são no começo, na origem, a mesma coisa. E aí essa paixão de Cristo, eu já toquei a próxima canção que vai entrar aqui agora, toda sexta-feira da paixão eu toco porque é uma coisa absurda de linda,

Nós temos novamente o Fernando Branche como letrista, mas agora outro melodista. O melodista é o Tavinho Moura. Quem canta para a gente é o Milton Nascimento, junto com um grupo musical lindíssimo chamado Canarinhos de Petrópolis. Isso está no disco Clube da Esquina, número 2, de 78. A música se chama Paixão e Fé. Vamos lá.

Já bate o sino, bate no coração Que o povo, onde ela dura a sua dor Pelas ruas capestranas de louvor Esquece a sua paixão para viver

e a paixão lá eu vi a harmonia da marca dos homens veleja velejei no mar do Senhor

A agonia da barca dos homens Mais uma vez eu vou dizer, neste dia, você viu aí que aparece a palavra capistrana, lá no fim da letra, pelas ruas capistranas, de toda a cor, o Fernando Branche, mineiro, mineiríssimo.

sabia muito bem o que era uma rua capistrana. A origem disso é de diamantina. Isso é uma pavimentação feita com lajes, lajes grandes no centro de uma rua. Isso forma uma espécie de calçada.

E isso vem do nome de um cidadão chamado João Capistrano, que foi presidente da província de Minas Gerais e que mandou fazer isso nas ruas de Ouro Preto. Mas o que voga nessa canção é quando ele diz, já bate o sino, bate no coração e o povo põe de lado a sua dor.

pelas ruas capistranas de toda cor, esquece a sua paixão para viver a do Senhor. O povo esquece a paixão dele, povo, para viver a paixão do Senhor, que é o sofrimento de Cristo, aquilo pelo qual ele passou nesta sexta-feira, que é assim denominada a sexta-feira da paixão de Cristo, do sofrimento de Cristo.

da tortura de Cristo e por aí vai. Então, paixão, amor, amizade, veja só, né? Há uma linha que conduz e que entremeia esses três sentimentos. É isso, querida Petra. Que coisa mais linda! Ah, professor, uma honra poder ter essa conversa com você. Eu já estava falando aqui para o pessoal no estúdio, falei, gente, uma sexta-feira dessa, a gente num plantão...

Olha essa aula que esse professor dá para a gente, coisa mais maravilhosa. Inclusive essa música é lindíssima, né, professor Pascoalho? Paixão e Fé, olha, eu conheço muita gente graúda do meio musical que põe essa música entre as mais belas de todos os tempos da música brasileira. E uma dessas pessoas, por sinal, é Celso Adolfo, compositor de Nós Dois, que voltou a ser gravada.

recentemente, compositor de coração brasileiro que o Milton gravou, Celso Adolfo que está lá em Brasília, vai fazer um show amanhã no Clube do Choro. O pessoal de Brasília que estiver aí, estiver pela cidade, Clube do Choro amanhã à noite, Celso Adolfo, vale a pena. E o Celso sempre me diz que acha essa música Paixão e Fé.

das mais belas de todos os tempos. É realmente uma maravilha. Uma maravilha. Está no disco Clube da Esquina 2, de 78. Tudo nessa música é bonito. O arranjo, que é do Tavinho Moura e do Vermelho. A participação dos meninos de Petrópolis. Os músicos, o Danilo Caim, tocando flauta. O Flávio Venturini toca órgão. O Pau Jobim.

O Paulo Jobim toca flauta, o Beto Guedes está no bandolim, o Nelson Ângelo está no violão.

O Novelli está no Baixo Eléctrico. Só tem fera. Só fera. Não é à toa. No momento que o Enderstein faz assim para mim, Petra e encerra, porque se deixar, ela vai com o professor Pasquale até três. Até cinco da tarde. Ela não quer largar o professor Pasquale. Ah, veja lá. Ele acabou de mandar uma mensagem para mim aqui, dizendo tchauzinho. Querido.

Beijo para você. Vamos embora. Boa sexta-feira da faixão e bom feriado, boa Páscoa. Beijo, professor. Até a próxima. Obrigadíssimo, Petra. Parabéns pelo seu trabalho nos fins de semana da CBN. Altíssimo nível. Grande beijo para você. 4 horas, 22 minutos agora.