Quem na sua vida vale um ovo de Páscoa?
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Michel Coforado
Fernando Andrade
- Ovos de PáscoaImportância do presente · Relações interpessoais · Preços de chocolate · Cultura do consumo
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Pra Onde Vamos, com Michel Alcoforado. Boa tarde, Michel. Boa tarde, Fernando. Boa tarde, Nadédia. Boa tarde, Michel. Ótima discussão teremos a partir de agora com Michel Alcoforado.
Ovo ou barra? Barra? Quem inventou essa história de ovo de Páscoa? A pergunta do Michel é, quem na sua vida vale um ovo de Páscoa? Na vida do Fernando, ninguém. A barra? Não, mentira, nem pros meninos você não compra ovo de Páscoa? Só quando era bem criancinha eu consegui enganar. Agora não tem jeito, só dou a barra. E você faz conta?
Eu faço conta. Você diz pra eles, olha, não é, porque o pessoal que... Eu mostro ali o balanço do Procon e tal, faço tudo. Aprendi com pode isso, meninas.
Eu sou o Team Ovo, defenderei até o fim. Estou com os ouvintes que o ovo tem gosto de redondo, a barra tem gosto de quadrado. E não é a mesma coisa. E é só uma vez por ano. Aí o ouvinte me chamou de fraca aqui. O capitalismo aí, predando em pessoas fracas como eu. Tá mesmo, eu admito. Esse consumismo não me pega. Mas vamos lá, por onde a gente vai começar, Michel?
Não, o que a gente precisa começar é que todos os ouvintes sabem, amanhã é sexta-feira da paixão, os cristãos vão abandonar o consumo de carne, domingo todo mundo vai amanhecer já procurando a pegada do coelhinho da Páscoa, porque...
ele vai deixar um presentinho para cada um de nós. O que se define ali como a grande diferença fundamental nesse domingo é que uns ganharão barra, outros ganharão caixa de bombom e outros tantos, os mais abençoados, ganharão ovos de Páscoa.
E aí, nesse momento, se define quem é quem na sua vida. Pode parecer besteira, mas não é. E eu quis trazer essa pauta aqui, porque, mais uma vez, como faz todos os anos, o Procon de São Paulo, sempre atento às variações de preço e também atento ao direito do consumidor brasileiro e ao consumidor de São Paulo, trouxe mais uma vez essa diferença que nos atormenta.
Segundo o Procon, na última relatória que apresentou agora essa semana, o quilo do chocolate na barra de chocolate, no formato barra, gira em torno de R$ 132, algo em torno disso. E quando a gente está pensando em ovo de Páscoa, o mesmo quilo de chocolate já começa com preço médio em torno de R$ 290. Pronto. Aí o ouvinte está se perguntando, ué, mas não é chocolate?
Então, é, mas o chocolate quadrado vale muito menos do que o chocolate redondo oval, como Nadege já colocou. E colocou por quê? Por que tem essa variação? Por uma questão fundamental que é dada pela...
Com quanta cultura? Peraí, peraí, é dado pela cultura isso? Falhou. É, sim. É dado pela cultura. Por quê? Porque nós, brasileiros, nessa época do ano, nos preocupamos em fazer uma divisão que é uma divisão fundamental. O tipo de gente que vai ganhar só aquela trufinha, que é uma gente que entra na categoria lembrancinha. Essas pessoas são pessoas que você precisa mostrar algum grau de afeto, mas elas não têm muita importância para você, não.
É, você vai me entender, Fernanda. Quando você chega na redação, aquele fulano que trabalha num turno diferente do teu, você só encontra de vez em quando no café, você começa a distribuir ovo de páscoa para quem é muito importante para você, ou manda uma barra ou uma caixa de bombom para quem é mais ou menos importante. Aí, para não ficar feio, você vai lá e dá uma trufinha ou um bombom para aquele fulano que você não tem muita relevância na sua vida, não tem muita importância para você.
Há um segundo grupo, que é um grupo importantíssimo, que é o grupo da Barra. O grupo da Barra é aquele grupo que você tem algum vínculo mais duradouro. Em geral, a gente está falando de pessoas que têm uma relação igualitária com a gente. É o teu colega de baia, no trabalho. É o teu colega aqui da academia. É o fulano que faz pilates com você.
Mas ali aquela relação que está dada, ela só precisa reforçar que aquela pessoa é interessante ou importante para você. Você não precisa mostrar nenhum grande gesto.
Mas tem um outro grupo que eu chamo dos ováveis. Quem são os ováveis? Os ováveis são aqueles fulanos que a gente precisa marcar muito fortemente que eles têm uma importância enorme, enorme para a gente. E aí, o fato de você escolher ovo para essa pessoa, não só mostra que você gastou mais dinheiro, mas que também você teve uma preocupação de escolher o ovo de páscoa que combina com ele ou com ela. E por conta disso, você está dando aquele presente.
O que é o ponto mais interessante? É que quando a gente olha a pesquisa do Procon, outros tantos órgãos que agora ficam mostrando para a gente essa comparação de preço, parece que o consumidor brasileiro tem uma escolha racional, que ele tem o direito de sozinho, em casa, fazer a conta na calculadora do celular e decidir o que é mais vantajoso, se é ovo ou é barra.
Se a gente tivesse que fazer essa conta, não faria nenhum sentido a gente comprar ovo. Que é óbvio que o chocolate em barra é mais barato. Mas o ponto aqui que é o mais interessante é que não é a gente que escolhe se vai dar ovo, se vai dar caixa ou se vai dar só uma trufinha. Quem escolhe é o tipo de relação que a gente tem.
Então, para a tua alma gêmea, quem está ouvindo a gente, não inventa de botar caixa de bombom dessas marcas mais tradicionais, não. Você precisa ali marcar que aquela pessoa é importante para você. Para alguém que é muito importante, tipo o teu chefe, não vai também no supermercado, naquela loja de conveniência da esquina do teu trabalho e compra três caixas de bombom por R$10 e leva para o teu chefe, que também não vai funcionar. Você precisa marcar que o teu chefe é importante.
É o tipo de relação que te condiciona ou te obriga a escolher um dessas três categorias. Então, o que é o ponto aqui? Não vai cometer nenhum erro também agora. Gente que é de ovo, que é ovável, você dê ovo. Gente que é de barra, você dê barra. E gente que é de caixa de bombom, você dê caixa de bombom. Eu quero falar.
Eu já te levou rapidinho. Porque se trocar, vai dar problema. Se você dá um ovo de Páscoa pra alguém que não tem muita importância assim pra você, tipo, o porteiro do teu prédio. O porteiro vai achar ou a porteira do teu prédio. Tanto faz o gênero.
O porteiro vai achar que você está achando ele mais importante do que ele é e vai achar que você está com alguma outra intenção para lençó de um agrado nessa data. Agora, se você der barra para a sua alma gêmea, ela vai achar que você vale menos. Porque você não está entendendo ou dando a dimensão dessa relação. Então, muito cuidado nessa hora na hora de escolher. Tá. Fala, Nadege.
O Fernando Andrade hoje me ofereceu uma mordida de chocolate dele. Era um Kit Kat. Que ele come igual um psicopata. Eu fiquei chocada, porque são várias barrinhas. Ele morde todas ao mesmo tempo. Eu fiquei horrorizada com isso. É o meu bis. Nossa, tá maluco o Fernando. O que é isso?
Então eu não sou nem ovável, nem barrável, nem o bombom, nem a trufa. Ele me ofereceu uma mordida. Pô, por educação, né? Era pra não aceitar mesmo. Que eu recusei por educação também. Olha aqui. Se eu não consigo defender o Fernando diante do fato de que ele dá barra de chocolate pros meninos...
que são filhos dele, eu vou ter que defender o Fernando, dada a voracidade com que ele come Kit Kat. Pra alguém que come chocolate com essa voracidade, te dá uma mordida, eu te oferecer uma mordida, é um ato de generosidade. É quase filantropia.
Mas eu tenho uma coisa assim com ovo de Páscoa. Eu gosto, já proclamei aqui minha defesa do ovo de Páscoa. No primeiro ano que eu tava junto com o meu companheiro, a gente teve uma situação que ele foi me dar um ovo de Páscoa. Só que o meu negócio no ovo de Páscoa não é só o ovo de Páscoa. É o brinquedinho. Também. Não, é a embalagem, é o lacinho. E eu sou obcecada com o copinho que vem com o ovo de Páscoa. E aí ele foi me dar um ovo de Páscoa que não vinha copinho.
E aí ele comprou um outro separado de mercado, porque esse vem com copo só pra me dar o copo. Olha que fofo.
Eu acho que tá certo. O ovo de Páscoa sem copinho não é confiável, né? É a experiência de comer chumate oval no copinho. É um ovo que não para em pé, né? É um ovo que não para em pé. Não tem aquele negócio de argumento que não para em pé? Ovo de Páscoa sem copinho não para em pé. Tem uma nova categoria. Eu não sei se você tá nas... Você deve saber já, porque lá em casa os meninos estão falando... Tem uma brincadeira que é o seguinte. Ah, essa carne aqui tá com sabor carne.
Esse chocolate está com sabor chocolate.
Tem que inventar uma nova prateleira aí para os ovos sabor chocolate. Eu acho que já tem, hein? Tem, não adianta também meter um ovo de chocolate cheio de gordura hidrogenada, sem cacau, porque o cacau tá caro, né? Sem cacau, só porque inventou que vai dar. Não, tem que ter cuidado nessa hora. Eu sugiro fazer uma poponcinha, guardar um dinheirinho pra...
nesse momento especial, você presentear os presenteáveis, os ováveis de forma certa. Mas a pergunta que fica é quem são os ováveis da sua vida, quem é o pessoal que só vale uma vaga? Eu dei ovos de Páscoa para os professores do Mais Novo. Pronto.
Quer dizer, pro mais novo não, mas pros professores sim. Pra criança não. Ganha de outras pessoas, de mim não precisa. Mas para os professores do meu filho mais novo, sim. Eu fui lá, participei da conta, ovos bonitos.
Fernando, tem uma dimensão super interessante nessa brincadeira, né? De preço versus vale a pena ou não vale a pena. Porque quando a gente está falando de consumo, sobretudo em datas especiais, aquilo que você compra não tem nada a ver com o valor pragmático de um objeto, né? Se a gente for pensar, não vale a pena você pagar, em termos pragmáticos, jantar no melhor restaurante de São Paulo, uma grana preta.
só pela comida que está lhe sendo oferecida. Porque se fosse só para matar a fome, a gente comia em casa ou se alimentava com qualquer coisa, com barrinha de cereal. Boa parte das nossas atividades de consumo, elas estão balizadas ou são embasadas por um conjunto de ideias que orientam a nossa forma de pensar a vida.
Então, o ovo de Páscoa versus barra não tem nada a ver com preço. Tem a ver com demonstração de afeto e hierarquia. De quem importa pra você e quem não importa. E a Naded inaugurou agora uma outra categoria, né? Que é a categoria ovo com copinho, que essa eu lembrava. E acho que a gente tem um negócio com a brincadeira do sabor, que é fundamental. Que são as pessoas saborovável, né?
que não é digna de um ovo, mas você tem que até fingir que é. Mas estou mudando minha percepção. Tem uma mensagem linda que chegou. Do ouvinte Maurício. Tem que ter ovo sim. Ele fez o pedido de noivado da esposa dele com um ovo de Páscoa, Michel. Ele comprou um, abriu, colocou uma rosa e uma aliança dentro e deu certo. Mas a Jociel Varaújo ela mandou uma boa também. Ela prefere vinho que um ovinho.
Fica só com o final, o vinho. Tá bom, olha lá. É, do jeito que o preço tá caro, tá mais barato tomar vinho do que tomar ovo, né? Michel, obrigado. Você é vinho. Você é vinho, não. Você é barra, você é ovo, você é vinho. Eu sou ovável, pelo amor de Deus. É ovável? Claro. Ou seja, eu tô certa.
tá bom, Michel Michel, muito obrigado até segunda semana que vem, eu já tô aqui adiantando uma informação, que teremos novidades no Estúdio CBN o Michel participa dessas novidades, mas a gente só vai contar na segunda tá bom, até lá beijo, beijo, feliz Páscoa, tchau, tchau
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