‘Abracadabra’ é uma palavra ou expressão?
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Professor Pasquale Caminha
- Origem e Etimologia de AbracadabraPalavras universais · Magia mística · Etimologia do hebraico · Uso em amuletos
- Mistério e misticismo na linguagemSim Salabim · Canções infantis
A nossa língua de todo dia, com o professor Pasquale. Professor Pasquale, tudo bem? Boa tarde. Tudo bem, Fernando. Boa tarde. Nadedja, boa tarde. Ouvintes, boa tarde. O Raio Kili.
O trovão que andou por aí deve ser o mesmo, porque foi no mesmo segundo aqui, que bateu aqui também, então estamos unidos por um trovão. A gente fala isso porque está chovendo em São Paulo, está chovendo em São Paulo de novo, de novo.
Meu Deus do céu. Bom, hoje, ouvinte Paula Caritá manda a seguinte mensagem. Luxuosíssimo, professor. Preciso saber a origem e o significado da palavra abracadabra. Aliás, abracadabra é uma palavra ou uma expressão?
Boa pergunta, né? Em português é uma palavra, aliás, é uma palavra universal. Eu sempre falo aqui, quando é o caso, de um livro que se chama, se não me engano, palavras, eu estou até pesquisando aqui, palavras sem fronteiras, livro.
É isso mesmo, Palavras Sem Fronteiras, escrito por Sérgio Correia da Costa. Sérgio Correia da Costa não está mais entre nós, ele foi embaixador do Brasil, mundo afora, terminou a carreira dele na ONU, como representante do Brasil na ONU, e ele escreveu esse livro, Palavras Sem Fronteiras, depois de décadas de atividade diplomática.
Ele reuniu documentos e documentos e documentos e viu quais são as palavras que mais aparecem, palavras de todas as línguas, né? E que mais aparecem. E ele chamou de palavras sem fronteiras. Eu não lembro mais a classificação, mas o italiano estava nas cabeças, o latim, né? E o inglês, diferentemente do que se supõe.
O inglês não era o número um nesse caso. Impressionante, né? E abracadabra é uma dessas palavras que frequentam o mundo todo. Se a gente pegar um dicionário estrangeiro, por exemplo, o La Russe francês, a gente vai encontrar lá abracadabra, tudo junto, abracadabra. Se pegar o Cambridge, né?
em inglês, vai encontrar. Abra, cadabra, tudo junto. Uma palavra só muda, claro, a pronúncia de língua para língua, mas está lá, em espanhol também. Estou aqui com o dicionário da Academia Real Academia de España. Está lá, abracadabra. O nosso trecane, querida Nadeja. Você usa o trecane? Nunca usei. Não?
Não. Por enquanto. Agora eu vou usar. Agora, vixe, depois dessa. Trecane é com dois Cs. T-R-E-C-C-A-N-I ponto it. É um dicionário monumental. É mais do que um dicionário. É uma enciclopédia também.
E está tudo lá, é aberto, é gratuito. Está lá, abracadabra, do mesmo jeito que a gente escreve aqui. Agora, a origem é, digamos, incerta. Os dicionários todos dizem isso. Por exemplo, o dicionário Trecani, que é esse dicionário italiano,
diz o seguinte, que é uma palavra mágica, ininteligível por ela mesma, ainda que lhe seja, que tenha sido proposta uma etimologia, teoricamente, do hebraico, e aí vem uma coisa que eu não sei pronunciar, Ha-beraká-daberá.
Mais ou menos isso. O pessoal que tem essa língua como nativa, que me perdoe, mas é por aí. E diz aqui o dicionário que isso era de uso comum na magia mística antiga, que se escrevia frequentemente nos amuletos e tal. O dicionário da Academia...
espanhola, diz que é uma palavra cabalística a qual se atribuem efeitos mágicos. E diz que vem do latim tardio, abracadabra, através do grego, que por sua vez vem lá de Abraxas e parará, parará. O nosso...
o AIS, né? Palavra cabalística a que os antigos atribuíam a virtude de curar moléstias, professor. É, você está espertinho hoje, Fernando. Eu achava que não tinha. Será que abracadabra tem no dicionário? Foi a primeira coisa que eu fiz. Está aqui. Então, agora você clica em origem, por favor. Ah, já tinha ido também. É, super interessante.
Então leia, por gentileza. Abra cadabra. Palavra cabalística. Que? Metiam em um amuleto na crença de que tinha a virtude de curar certas enfermidades?
Do grego abracadabra, de origem duvidosa. De origem duvidosa. Aí... É nascentes, esse N-A-S-C, é o antenor nascentes, que é um linguista importantíssimo, que o Ai sempre cita. Ele parte do grego e afirma que... E aí a coisa vai, é uma enciclopédia isso.
Muita coisa. Mas, em suma, para nós, em português, em italiano, em espanhol, em inglês, em francês, é uma palavra.
e não uma expressão, embora se pense, uma das hipóteses é que venha de uma expressão. De uma expressão, o próprio Weiss está dizendo, um, dois, três, quatro, na quarta linha lá, Fernando, deu um trovão aqui. Na quarta linha, está vendo? Ao hebraico, Arba, Dak, Arba. Você viu ali, né?
E por aí vai. Mas para nós é uma palavra. Agora, muita gente acha que o abracadabra é abracadabra. Abra do verbo abrir. Abracadabra. Não, não é nada disso. É uma palavra, em português, uma palavra só.
com toda essa história que a gente já mencionou. Então, vamos para o nosso primeiro auxílio, que é uma canção que se chama justamente Abra Cadabra, composta por Júnior Mendes e Paulo Imperial. Sabe quem vai cantar para a gente? A Eliana é uma canção do disco dela chamado Os Dedinhos. Quem é que não se lembra disso? Em 1993, a Anadédia era uma...
Eu era nada ainda. Não era nada. Todo mundo olhou pra Nadé. Fazia coreografia. Imagina. É. Então, vamos ouvir um pedacinho e vai aparecer uma outra coisa aí também. Vamos lá.
E o mágico que eu lhe peço nessa apresentação Um truque especial com a varinha de condão Passa a aparecer na próxima atração Alguém especial pra encantar meu coração No bolso do...
Colete voando num tapete Do fundo com certeza De uma caixa de surpresa De surpresa, que surpresa! Abra cadabra Sim, salabim Tira da cartola um gatinho pra mim Abra cadabra Sim, salabim Tira da cartola um gatinho pra mim Abra cadabra Sim, salabim
Pois é, então. E a gente vai do abracadabra pro sim salabim. E o que é sim salabim? São três palavras. Sim, a palavra sim. S-I-M. Sala-bin. Com M de Maria no final. E de onde vem esse sim salabim? Que também é uma fórmula mágica e tal. Da Dinamarca. Exatamente. Sei tudo, sou um mágico.
Você é um mágico, Fernando. Isso vem de um dinamarquês cujo nome é Harry August Jensen, que depois foi morar nos Estados Unidos e...
E lá se instalou, morreu lá. Fez muito sucesso lá com a mágica que ele produzia, não é? Andou pela Broadway e, aliás, morreu no ano em que eu nasci, 1955. Ele foi e eu vim, vê se pode. E ele tinha essa fórmula mágica que ele usava para...
para iniciar as coisas, Sim Salabim. E ele tirou isso de uma canção infantil dinamarquesa, Sim Salabim, e ficou também como uma coisa desse tipo. Eu estou olhando para o relógio, eu não sei como está nosso tempo. Meu Deus do céu, já são 4h24, Ave Maria. Tranquilo. Tem um segundo auxílio da tempo. Dá, dá, dá.
Então, nós vamos ouvir de novo a Eliana uma canção que se chama Palavrinhas Mágicas. É uma canção educativa, muito legal, composta por Dani Júnior. Está em outro disco dela, chamado E10, de 2002. Essa, a nossa Nadedja já estava por aqui. Vamos lá.
Essas palavrinhas mágicas, palavras mágicas são assim Tem um poder maior que a brava dá pra esse salabrinho Essas palavrinhas mágicas, palavras mágicas são assim
Abre a cadáver e sim salabim.
É, mas essas palavrinhas mágicas, que são o boa tarde, o boa noite, um monte de coisa que a letra diz antes, né? Brinca comigo, por favor, com licença, não sei o quê. São palavras mágicas que têm um poder maior que abra cadabra e sim salabim. Nesses sites de letras, o sim salabim virou uma palavra só, tudo junto. Esses sites são terríveis, né? Sim, sala...
BIM, são três palavras. E essa letra faz todo sentido. Vocês viram o que aconteceu no Maracanã ontem? Vocês viram aquela aula de educação, de civilização? Viram aquilo? Não. Pois é. Qual foi? Não viram? Não. Então o pessoal do 4 em Campo vai falar. Mas houve uma baixaria monumental. Eles vão falar, certamente vão falar.
do jogador, jogador, do fulano chamado, não vou dizer o nome dele, um fulano do Corinthians, que deu uma aula de subdesenvolvimento. Então é isso, essas palavrinhas mágicas têm mais poder, têm poder maior que Abracadabra e sim Salabim. É isso.
Bom, você falou que é uma palavra universal, aí chegou mensagem de ouvinte aqui, no caso, ouvinte e repórter Karen Lemos, querendo ouvir a bracadabra da Lady Gaga, que eu acho que talvez seja a música que vem primeiro na cabeça hoje em dia quando a gente fala da palavra. Aí peguei aqui pra gente ir embora.
Eu tinha achado essa música, mas não pus porque quis pôr música brasileira. Mas vamos lá. Vamos sair com a Lady Gaga. E obrigado a ela pela indicação, pela sugestão. Tem mais ainda. Tem Steve Miller Band. Gostei, né?
Tem vários ouvintes que falam assim, o José Martins fala, tem uma também do Black Sabah, que chama Abracadabra. Eu adoro Black Sabah. Que legal. Professor, obrigado. I'm going to change. Lembra disso? Obrigado, professor. Até amanhã. Amanhã, Petra Chaves com você.
Eu soube, a Jana já me disse que eu estou orgulhosíssimo, porque trabalhar com a Petria não é moleza, é um negócio muito sério, muito sério. Estou feliz da vida. Então tá bom. Grande abraço. Beijo pra vocês. Beijo. Beijo.
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