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Tecnofascismo e a era de dominação por IA

08 de maio de 202655min
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No episódio de hoje, debatemos como uma big tech estadunidense - a Palantir - tem ajudado a formular um programa fascista mundial.

Participantes neste episódio2
L

Letícia Chagas

HostAdvogada
D

Davi Bonfim

ConvidadoMilitante
Assuntos6
  • Palantir e o TecnofascismoPalantir · Tecnofascismo · Inteligência Artificial · Alex Karp · Manifesto Tecnofascista
  • Tecnologia e Soberania Digital no BrasilGoverno Federal · Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação · Samia Bonfim · Instituto Butantan · Fiocruz · Soberania Digital
  • Big Techs e o Poder GlobalBig Techs · Imperialismo · Estados Unidos · Ocidente · Colonialismo Digital
  • O Papel das Big Techs na PolíticaVale do Silício · Neoliberalismo · Supremacia de Nações · Armas com Inteligência Artificial · Dominação por IA
  • Relação entre Tecnologia e FascismoTecnologia da Informação e Comunicação · Regime Capitalista · Extrema-direita · Bolsonarismo
  • A Esquerda e o Debate TecnológicoEsquerda Anticapitalista · Capitalismo Contemporâneo · Inteligência Artificial · Tecno-dissidentes
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Oi, eu sou a Letícia Chagas e esse é o Podcast em Movimento. Palantir, você já ouviu falar desse nome? É um nome estranhíssimo, né? Esse é o nome de uma Big Tech, ou seja, uma grande empresa de tecnologia. Quando a gente fala em Big Tech, geralmente vem na nossa cabeça uma empresa que é responsável por uma rede social, né? Mas não é só isso. Big Tech são grandes empresas de tecnologia.

E a Palantir é uma dessas empresas, mas ela não tem uma rede social. A Palantir usa tecnologia para guerra, isso mesmo, literalmente. Ela usa análise de dados e inteligência artificial para auxiliar as forças de segurança estadunidenses em combate.

Isso já é ruim por si só, mas na verdade é ainda pior, porque recentemente um dos fundadores da Palantir, o Alex Karp, publicou um livro fascista, em que ele apresenta 22 pontos sobre como as big techs devem influenciar na política mundial. Para falar sobre isso, eu troquei uma ideia com o Davi Bonfim. O Davi é militante do mês, é trabalhador da área de comunicação e atualmente faz mestrado na UFABC,

estudando a atuação do Grupo Meta no Brasil. Recentemente, o Davi publicou um texto no portal da revista Movimento sobre esse manifesto da Palantir. Bora lá?

Oi, Davi. Bom dia. Muito obrigada por ter topado trocar ideia com a gente. E eu queria começar te perguntando como é que você começou a se interessar pelo tema da tecnologia, a relação da tecnologia com o fascismo, e pedir para você me contar um pouco também sobre o que você está estudando hoje no mestrado, né? Você está estudando a atuação do Grupo Meta aqui no Brasil. Bom dia, Letícia. Obrigado pelo convite. Eu sou Davi.

Eu sou militante do Movimento Esquerda Socialista e do PSOL desde 2017, quando eu comecei a militar no Movimento Estudantil da USP. Fui diretor do DC Livre da USP, também construí o Juntos. E desde então eu atuava sempre na comunicação, que sempre foi um espaço importante para nós do mês, para nós do Juntos, dos nossos mandatos.

mas ao longo também da atuação na comunicação para as redes, foi ficando mais evidente para mim que faltava alguma elaboração mais política sobre as redes sociais, sobre as plataformas, sobre o nosso uso.

enquanto militantes anticapitalistas das redes sociais. Então foi aí que no último ano eu acabei chegando na pós-graduação na UFABC, que é onde eu estou agora, no Programa de Ciências Humanas e Sociais.

na linha de comunicação, cultura e tecnologia, onde eu estudo a ação e organização do Grupo Meta no Brasil. O Grupo Meta que hoje reúne a administração do Facebook, do Instagram, do WhatsApp, do Threads, além de uma série de outros serviços de inteligência artificial, de realidade virtual, por exemplo.

e que a gente vê uma presença muito forte das plataformas do Grupo Meta no nosso cotidiano. Todos nós nos comunicamos por WhatsApp, todos nós temos o Instagram, tínhamos ou temos um Facebook. Então, eles construíram uma espécie de hegemonia na nossa vida social.

que tem impactos na soberania do país, que tem impactos nas nossas formas de sociabilização, de interação entre nós mesmos, nos nossos comportamentos, que é o que a gente chama de colonialismo digital. Então, que essas plataformas desenvolveram um colonialismo de novo tipo, que carrega...

o que são as estruturas e as relações de dependência do colonialismo histórico com a ascensão das tecnologias de informação e comunicação que tem uma centralidade no regime capitalista hoje. Então, eles reatualizam regimes de dependência a partir dessa dominação por meio das redes sociais, das plataformas e das tecnologias. Então,

Foi um pouco a partir disso que eu cheguei nesse tema, a partir dessas inquietações que eu tinha de uma atuação na comunicação com tecnologia, com redes sociais, mas que a gente via muitos estudos apenas da ponta das redes sociais e das plataformas. Então, sempre me incomodou muito como academia, sempre se voltou muito para a compreensão sobre...

é o que acontece na ponta desse processo. Então, a formação de bolhas, os processos que acontecem de polarização nas redes sociais, e que é importante, é preciso estudar isso, é algo fundamental, mas que eu sempre senti falta de estudar as estruturas, o que leva a formação.

de bolhas ou a um processo de polarização nas redes sociais, como a gente vê hoje, é, na verdade, uma estrutura que sustenta esse tipo de processo. Então, uma estrutura plataformizada, como a gente vê hoje, que é uma estrutura particularmente nova na história do capitalismo. Então, é olhar também para um pouco...

esses processos que são anteriores ao que a gente vê na tela. Até as coisas chegarem na tela do nosso celular, do nosso computador, eles passaram por muitos lugares, eles vieram de determinados países, são estruturas construídas a partir de determinados ideais de poder e coisas assim que eu acho que...

Voltar o olhar também para esse lado estrutural do tema da tecnologia e das plataformas é algo fundamental para a gente conseguir, aí sim, entender qual que é a relação entre tecnologia e fascismo e o que um alimenta o outro.

Eu achei muito interessante isso que você trouxe, que a sua problemática toda de pesquisa veio a partir da prática militante. Eu acho que isso mostra como a prática militante também ajuda a produzir ciência. E entrando aqui já no tema da Palantir, você escreveu recentemente um texto para o portal da Movimento, trazendo uma problemática que a gente pouco vê, na verdade, saindo nos jornais hoje, que é uma grande empresa, uma big tech, a Palantir.

que fez o que você chama de um manifesto tecnofascista. Eu queria pedir para você explicar um pouco melhor esse manifesto e também explicar um pouco para a gente qual tem sido o papel das big techs na ascensão, no crescimento do neofascismo hoje. Bom, eu acho que...

Nos últimos anos, em especial no último ano, a partir da própria posse do Trump, acho que ficou mais evidente para todo mundo, algo que obviamente já acontecia, uma relação que já estava estruturada.

entre o poder político do imperialismo, hoje dos Estados Unidos, e as big techs. Então, a presença ali na posse do Trump de diversos CEOs de big techs que estavam ali enfileirados lado a lado.

numa das primeiras filas da posse do Trump, mostra que uma relação que já existia, de alguma forma, mas que existia ali por debaixo dos panos, com a ascensão do Trump à presidência, um pouco se perdeu a vergonha de assumir essa relação entre as big techs e o governo dos Estados Unidos, mas que no limite é uma relação entre o Estado e essas empresas.

Então, o manifesto da Palantir, eu acho que ele não aparece do nada. Ele é fruto justamente desse acúmulo e dessa aproximação cada vez mais acelerada entre o que é hoje os estados do norte global, em especial os Estados Unidos, e as big techs. Então, a Palantir é uma empresa...

que era uma empresa de tecnologia, que ela tem dois principais serviços hoje.

E aí, para quem também não conhece o que é a Palantir, o que ela faz, né? Então, a Palantir é uma empresa estadunidense, foi fundada em 2003, e ela oferece dois serviços. O primeiro é a Palantir Gotham, que é um serviço de vigilância. Então, é um serviço que ele é usado para policiamento preditivo. Então, você...

segundo eles, prever onde está o crime, mas que a gente sabe, na verdade, que isso também tem as suas implicações, porque, para eles, o crime sempre vai estar em um determinado território, não em outro, então o crime sempre vai precisar ser vigiado na periferia e não, por exemplo, nos grandes centros de negócio, mas, para além disso...

vigilância mesmo em massa de pessoas, de organizações. O Palantir Gotham também é muito usado para o cruzamento de dados para a definição de alvos militares. Então, quando se está num campo de batalha, quando os Estados Unidos, por exemplo, entra numa guerra com um determinado país,

Esse programa pode ser usado no cruzamento de dados para delimitar alvos de guerra, alvos de onde vão se lançar mísseis, explosões e coisas do tipo. Então, é justamente os dados que são coletados cotidianamente de nós, servindo justamente para esse objetivo militar de expansão do poderio militar dos Estados Unidos e, por consequência, também das próprias Big Techs.

E o segundo serviço é o Palantir Foundry, que é um serviço de análise, integração e modelagem de dados. É como se fosse um grande software de tratamento de dados que ele é oferecido tanto para empresas quanto para instituições públicas. Então, é como se fosse um grande programa de tratamento de dados.

onde você coloca ali sua base de dados e ele vai cruzar tudo isso para te oferecer uma espécie de gêmeo digital. Então, ele vai cruzar todos os dados que você colocou naquele programa e ele vai te oferecer ali meio como se fosse a concretização daqueles dados que você colocou no programa. Então, a gente também vê a presença e depois eu volto a falar disso.

a presença desse programa em especial já em diversas instituições públicas brasileiras. Então, essa é a Palantir. Ela é uma empresa que, desde o princípio, já tinha essa aspiração, com a vigilância, com ser uma empresa capaz também de responder aos anseios militares, em especial dos Estados Unidos, mas não só.

A Palantir também tem relação com os serviços de inteligência israelenses. Então, desde o princípio, a Palantir se propôs a esse objetivo. E a gente viu o seu CEO, que é o atual CEO da Palantir hoje.

que é o Alex Karp, escreveu um livro, então ele escreveu um livro, esse manifesto é oriundo desse livro, mas a Palantir, as redes sociais da Palantir, publicaram um resumo desse livro, estruturado em 22 pontos.

num formato de manifesto mesmo. Então, à luz do que foi essa produção de um livro do CEO da Palantir, a empresa, porque a gente poderia também pensar o que o CEO produz intelectualmente, entre aspas, não necessariamente é o que a empresa pensa.

Mas aqui, na verdade, é exatamente o que a empresa também pensa. Então, as redes sociais da Palantir fizeram questão de publicar um resumo desse livro do Alex Karp, que se chama A República Tecnológica, Tecnologia Política e o Futuro do Ocidente, que foi lançado em 2025, estruturado em 22 tópicos, como se fosse de fato um manifesto, como se fosse de fato uma tentativa de disputa também da opinião pública.

E aí eu queria um pouco tentar resumir em quatro eixos esse manifesto. Acho que convido todo mundo a ler o manifesto em si, está nas redes sociais, em especial no Twitter, no X da Palantir. No meu texto eu coloquei o link, e eu acho que é importante a gente ler.

A gente vê com os nossos próprios olhos o que eles estão falando, quais palavras eles estão utilizando, qual é a linha de raciocínio que esse cara está fazendo nesse livro e concomitantemente nesse manifesto, e que eu acho que se estruturam a partir de quatro eixos. O primeiro é que a Palantir tenta romper com uma ideia e que eu acho que é uma ideia.

que é uma ideia vigente até hoje ainda, e que foi muito hegemônica no mundo da tecnologia, que são os ideais do Vale do Silício, que foram ali onde surgiu o próprio Facebook, o Google, então as principais empresas de tecnologia estão sediadas lá, e ali também se produziu uma espécie de ideologia.

Então, a ideia de que a tecnologia e a internet iam fazer as sociedades avançarem, de que ia ser progressivo, de que...

ali o contato entre as pessoas poderia gerar novas coisas ali, isso no início, né? Agora, a gente já vê que não é muito bem assim, o próprio Vale do Silício se tornou parte do que é sistema de dominação e de exploração do capital, então hoje eles também se querem Ok. Ok.

se preocupam em parecer ter essa roupagem do que já foi o ideal de internet um dia, o ideal de uma internet...

empreendedora também, que era um pouco as marcas do Vale do Silício. Hoje eles já não se preocupam mais com isso. Mas a Palantir quer romper, inclusive, com isso. Eles acham que o Vale do Silício, como ele está estruturado hoje, já não é mais suficiente para os objetivos.

dos Estados Unidos e do que eles chamam de Ocidente. Então, eles falam que as big techs do Vale do Silício precisam abandonar, por exemplo, a produção de e-mails gratuitos. Por exemplo, o Gmail. Não precisa mais se preocupar com isso de oferecer e-mail gratuito para as pessoas.

e nem de fazer iPhone, por exemplo. Vocês precisam se preocupar agora em se incorporarem ao aparato militar dos Estados Unidos, no momento onde o manifesto aponta que os Estados Unidos estão em um declínio do ponto de vista militar. Então, ele fala assim, chega disso, né, de um pouco...

fazer o que vocês já fazem. Agora é hora de vocês se somarem, de fato, de forma completa, ao que é esse aparato militar industrial dos Estados Unidos. E, quando eu falo isso, eu não estou falando também que, por exemplo, o modus operandi do Vale do Silício hoje é bom. Na verdade, é terrível. Eles operam através do que eu já falei, por exemplo, do colonialismo digital.

o que é o impacto hoje das redes sociais, da meta do Google, sobre a vida de bilhões de pessoas ao redor do mundo. Então, o próprio Vale do Silício hoje já não tem nenhum tipo de relação com o que foi os primórdios dos ideais da internet algum dia. Na verdade, hoje já é uma ferramenta de controle, de domínio econômico, de domínio político. Mas, o que ele fala...

de abandonar o e-mail gratuito e o iPhone para se juntar ao aparato militar, é ele falando, a gente precisa agora dar um passo além.

Então, ele chama essas big techs para dar um passo além do que elas já fazem, que já é algo terrível. Ou seja, é um recrudescimento também da própria ideia do capital. Então, é um abandono dessa ideia do neoliberalismo para que você parta para um novo estágio, e que a gente sabe que é um estágio fascista. Então, quando a gente estuda fascismo, a gente sempre fala...

Ah, não é que o fascismo deixa de ser capitalismo. Na verdade, o fascismo é um estágio de recrudescimento a partir de novos marcos do próprio capitalismo. E o que eu acho que esse chamado que ele faz às big techs do Vale do Silício é justamente isso.

Ele não está rompendo com o regime neoliberal ou com o modo de organização que as empresas de tecnologia e as big techs californianas construíram ao longo dos últimos anos. Na verdade, ele está falando que é preciso dar um passo além, é preciso construir novos arcabouços de dominação à luz da vigilância, à luz da tecnologia, da violência e da militarização.

Então, não é deixar de ser capitalismo, na verdade, é aprofundar o capitalismo a partir de marcos de cada vez mais violência e tendo agora como uma ferramenta de uso a própria tecnologia.

E a segunda coisa também que ele fala no manifesto é que ele fala nitidamente que existem nações superiores, que aí ele fala dos Estados Unidos, de nações também do Ocidente, ele sempre marca isso, não à toa é o título do livro dele, esse tema do Ocidente, e ele fala que tem algumas outras nações que não agregam tanto para o mundo e que são nações que podem ser vistas como nações inferiores.

E isso é nitidamente um discurso que a gente já ouviu sair da boca de outros líderes fascistas ao longo da história, mas que também, quando ele fala que quer se desvencilhar do pluralismo vazio, que a gente pode entender como é hoje o regime multilateral, que na verdade também já está em frangalhos, o tema da ONU, das relações multilaterais entre os países.

na verdade o que ele está querendo falar é que é preciso reforçar a supremacia de alguns países sobre outros países, em especial sobre os países do Ocidente, em especial os Estados Unidos. Só que quando ele fala que tem algumas nações que são inferiores, que não contribuem tanto, para mim ele está nitidamente autorizando com que essas nações, esses países, virem alvos de guerra em algum momento.

Quando você diminui um país, quando você busca fazer uma disputa ideológica de que aquele país é inferior, de que a cultura daquele país não importa, como o que a gente vê acontecer hoje na Palestina e na faixa de Gaza, na verdade é uma aposta para desumanizar aquele povo para que você possa empreender todas as práticas genocidárias e de massacre possíveis sobre aquele povo. Então...

para mim fica muito nítido que quando ele fala que alguns países são inferiores, na verdade ele está colocando um alvo sobre aqueles países, ele está desenhando o que vão ser os próximos alvos também dos Estados Unidos no momento em que eles estão nessa toada militarista a partir do governo Trump.

A terceira coisa é que ele fala nitidamente de que é preciso construir armas com inteligência artificial. Ele fala, se nós não construímos armas com inteligência artificial, alguém vai construir armas com inteligência artificial. E eu acho que os últimos massacres que a gente vem vendo, tanto na Palestina, mas agora no Irã, no Líbano também,

a presença da inteligência artificial na definição de alvos, na automação de drones, por exemplo, a gente está vendo na nossa frente o que é o papel que a inteligência artificial pode cumprir.

para essa dominação e essa expansão imperialista que a gente vê hoje, essas agressões imperialistas que a gente vê hoje. Então, ele fala, é preciso construir arma com E.A., é preciso que você tenha os softwares mais atualizados possíveis para quem estiver na mesa de comando dos campos de batalha dos Estados Unidos. Então, é ele falando, vamos utilizar sim a tecnologia e a tecnologia.

para uso militar, para uso bélico, e que no limite é usar a inteligência artificial, a tecnologia de informação e de comunicação para essas agressões imperialistas, para a guerra, para o massacre, para o genocídio, como a gente vê hoje na faixa de Gaza, como a gente vê hoje no Líbano, no Irã, mas que pode se espalhar por todo mundo. E a última coisa...

que ele diz no manifesto, e que eu acho que resume um pouco também da ideia do manifesto, é que ele fala que é preciso dar fim à era atômica.

a era da divisão, de que não dá mais para a gente trabalhar no mundo a partir de núcleos, de um pouco instituições, então de que a gente precisa iniciar uma era de dissuasão por IA, que eu acho que, na verdade, é uma era de dominação por IA. Então, ele quer construir sistemas, softwares capazes de conseguir ter um controle total e absoluto sobre o mundo inteiro, onde não haja mais divisões,

o que para nós isso seria uma coisa boa, nós queremos um mundo sem muros nem fronteiras, mas que para ele no limite, ele não quer, ele quer muros e fronteiras, mas ele quer ter a capacidade de vigiar todo mundo ao mesmo tempo em todo lugar.

Então, isso também demonstra essa ânsia de expansão imperialista, de dominação no momento em que os Estados Unidos também vivem uma crise. Então, eu acho que esse manifesto resume um pouco do que é a ânsia das big techs de conseguir ocupar um novo local.

no próprio regime capitalista. E aí, só para trazer algumas informações, no governo Trump, e por que a gente também fala tanto nos Estados Unidos nesse tema da tecnologia? Porque é quem cedia a maioria esmagadora de empresas de tecnologia no mundo hoje. Então, das dez maiores empresas em rendimento...

Do mundo, sete são empresas de tecnologia, da informação e da comunicação. Então, isso por si só já demonstra como o nosso regime de acumulação tem hoje a centralidade nas empresas e nas plataformas de tecnologia. Mas dessas sete empresas de tecnologia, seis são dos Estados Unidos. Microsoft, Google, Apple, Meta.

a Amazon. Então, existe uma concentração muito grande nos Estados Unidos dessas empresas, o que também gera desdobramentos políticos, porque significa que está concentrado num país que é também o coração do capitalismo, esse poder tremendo que as big techs estão desenvolvendo hoje. E no governo Trump, depois que ele foi eleito...

houve uma intensificação de um processo de trazer para dentro do Estado figuras das big techs. Não que já não existisse. Nenhum governo estadunidense teve uma ruptura com as big techs. Na verdade, todos eles tiveram relações profundas com as big techs, inclusive o governo Biden, que não fez nada, que na verdade incentivou o genocídio que acontece hoje na Palestina.

Então, só que com o governo Trump, houve um incentivo estatal para que isso acontecesse. Então, vários CEOs, pessoas do alto escalão das big techs, agora são parte do que se chama desse aparato industrial.

militar, né? Então, a gente vê hoje pessoas das empresas de tecnologia e das Big Techs ocupando, por exemplo, o escritório de ciência e tecnologia da Casa Branca, cargos de alto escalão do exército, cargos de alto escalão dos escritórios de informação dos Estados Unidos, do departamento de Estado dos Estados Unidos.

Então, quando eu falo em empresas big techs, eu estou falando sobre a própria Palantir, que é quem tem mais presença nesses setores militares e do alto escalão do governo americano, mas também tem a própria meta, que é...

ofereceu um dos seus diretores para o Exército Americano, a OpenAI, que é a gestora do chat GPT, também ofereceu uma pessoa para ser parte do serviço de inteligência do Exército Americano. Então,

há um aprofundamento dessa relação umbilical entre o Estado norte-americano e as Big Techs, justamente numa construção do que o professor Sérgio Amadeu, da UFABC, vai chamar do complexo militar industrial dataficado.

que é um avanço do que já representava o complexo de guerra dos Estados Unidos, agora com a novidade de que eles também detêm o controle das tecnologias e o que as tecnologias podem servir para o massacre, para a guerra, para a dominação, para as agressões imperialistas, para a dominação na América Latina, na África, na Ásia. Então...

é um novo momento, de fato. E é por isso que a gente precisa virar os olhos sobre isso. Porque as empresas de tecnologia, as Big Techs, elas detêm hoje as nossas formas de comunicação, elas detêm hoje as nossas... as formas como a gente apresenta as nossas ideias.

para o mundo, detém, inclusive, as formas de comunicação dentro das universidades, dentro dos governos, e elas têm um lado, não é o nosso lado, é o lado da extrema-direita, é o lado dos super ricos, dado que eles próprios são, correspondem hoje às pessoas mais ricas do planeta Terra, então...

a gente também ficar suscetível a esse sistema, a essas plataformas, a essas redes, significa que quando eles quiserem cortar qualquer possibilidade de comunicação dos países do sul global, por exemplo, eles vão poder fazer isso do dia para a noite, à luz do que é essa relação umbilical entre as big techs e a extrema-direita global internacional hoje. Então, é...

Quando a gente fala do tecnofascismo, a gente está falando justamente de como as tecnologias da informação e da comunicação estão sendo mobilizadas numa relação política e econômica.

de construção de um novo regime, que não necessariamente é um rompimento com a forma de organização capitalista, mas que é justamente um recrudescimento visando a instituição de um regime ainda mais violento e ainda mais brutal para a classe trabalhadora.

Então, quando a gente fala de tecnofascismo, a gente está falando justamente do uso dessas ferramentas para a construção dessa nova hegemonia fascista que a gente está vendo com a eleição do Trump, com o fortalecimento do Netanyahu, com figuras como o Milley e o próprio bolsonarismo no Brasil. Então, todos eles se apoiam de alguma maneira nas big techs.

inclusive no Brasil. Então, isso que eu ia perguntar para você, porque você está falando que as big techs sempre estiveram nos governos, mas que é num governo fascista do Trump que elas têm crescido.

mas que faz muito sentido também essa ligação das big techs com o bolsonarismo, com a extrema-direita no Brasil, não é à toa que a gente vê esses grupos crescerem muito nas redes sociais. Mas agora, o que explica, por exemplo, o governo Lula ter contratos com a Palantir, que é um tema que você traz no seu texto, de que a gente está num ano de eleição, em que há chances reais de Lula perder a eleição para um fascista, que é o Flávio.

O que explica, então, o Lula ter relações com a Palantir? Não, é importante essa pergunta, porque quando a gente fala da hegemonia que as big techs conseguiram construir sobre diversos países do mundo, sobre o Brasil, em especial sobre os países da periferia do capitalismo, a gente está falando também que...

todo mundo está suscetível. Então, o governo Lula, que a gente já sabe que é um governo que não busca fazer os enfrentamentos profundos necessários e os rompimentos necessários com os setores do capital, ele também, à luz do discurso de gestão, de estamos fazendo uma gestão técnica, ele também se utiliza, por exemplo, do software da Palantir de gestão de dados.

Então, em algum momento, eles precisaram de um software de gestão de dados, o que era o melhor, entre aspas, no mercado naquele momento, era o da Palantir, e eles contrataram, sem um pouco fazer uma reflexão, de todas as implicações que isso levaria.

a curto, médio e longo prazo. Então, hoje, o governo federal, através do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, mantém um contrato com a Palantir, que, a partir de questionamentos do mandato da deputada federal Samia Bonfim, feitos para o governo federal, questionando esse contrato, a gente conseguiu ter acesso a gente conseguiu ter acesso.

aos números, então hoje o governo brasileiro pagou já, até agora, 1 milhão e 500 mil dólares por esse software da Palantir, o que significa mais ou menos 7 milhões e 700 mil reais que estão indo do governo brasileiro, então é dinheiro público do povo brasileiro.

indo para Palantir, ou seja, é dinheiro do governo e dinheiro público brasileiro sendo enviado para uma empresa que tem como objetivo a construção de uma...

nova etapa de dominação militar e de dominação por IA no mundo, aliada à extrema direita. Então, no limite, o Brasil está financiando uma arma que vai se virar contra a gente em algum momento. E quando a gente questionou, quando o mandato da Samia questionou esse contrato, a justificativa foi de que era o melhor software disponível no mercado naquele momento.

Então, esse discurso da gestão técnica, que é muito presente nos governos petistas e que muitas vezes encobre essa visão dos governos petistas de não fazer os enfrentamentos necessários, eles um pouco falaram que era apenas um software de gestão de dados, só que a gente não sabe.

A Palantir, mesmo nas entrelinhas do contrato, falando que ela não tem acesso aos dados que são tratados nesse software, quem nos garante? Quem nos garante que dados da educação pública brasileira não estão sendo diretamente enviados para os Estados Unidos, para a Palantir, para que isso volte para nós novamente como uma política...

muito mais precisa sobre a situação educacional brasileira hoje né então é

Um pouco essa inocência, entre aspas, que não tem nada de inocente, na verdade é uma decisão política de utilizar softwares de empresas estrangeiras, não buscar construir tecnologia nacional com segurança nacional, para que a gente não reforce a dinâmica de dependência que já é tão presente no Brasil hoje, é algo que é uma disputa que o governo federal parece não querer fazer.

Só que nada nos garante que daqui a cinco meses, quatro meses, não sei quando vai ser a eleição, a Palantir não seja usada para interferir na eleição brasileira, na derrota do Lula e na eleição do Flávio Bolsonaro. Então o governo federal hoje está alimentando o...

seu próprio inimigo, né, então alguém que pode se virar contra ele assim que possível, porque eles estão a serviço do que é hoje a política da extrema-direita a nível internacional, mas não só no governo federal, a gente tem a presença da Palantir na Secretaria de Segurança Pública de São Paulo e do Rio de Janeiro, com o uso do software de vigilância, de policiamento preditivo.

Tem também um contrato da Palantir. Esses softwares que existem hoje, que são softwares que, por exemplo, a gente vê às vezes reportagens de que pessoas foram identificadas por câmera. A pessoa está andando e tinha uma foto dela na base da polícia, a câmera identificou, ela foi presa. Isso é parte dos serviços da Palantir?

Isso é parte do serviço da Palantir. As câmeras em si, não. Mas as câmeras em si são um outro mundo à parte. Por exemplo, a gente está vendo agora, eu que moro em São Paulo, você que mora em São Paulo, está se multiplicando pela cidade os tótens de vigilância. Então, vários prédios agora têm tótens na porta do prédio com câmeras.

A maioria desses totens são geridos por empresas israelenses de tecnologia. Então, elas se complementam ao passo de que esses dados vão servir para que a Apalantir depois cruze esses dados e ofereça serviços de, entre aspas, segurança pública para os governos. Então, no limite...

Sim, tem relação. Então, quem vai cruzar esses dados? Quem vai cruzar o dado do banco de dados de crimes com as imagens? Tudo isso é feito também através dos serviços que a Palantir oferece.

Mas é engraçado também ver que a própria ponta da coisa, as câmeras em si, também são empresas de tecnologia israelenses, que são parte também desse mesmo complexo militar-industrial dataficado, que acho que define bem.

Então, sim, o Butantan, o Instituto Butantan, hoje também mantém um contrato com a Palantir de gestão de dados de imunização, ou seja, além dos dados de educação, pode ser que o Brasil esteja entregando de bandeja dados sobre a imunização do povo brasileiro para uma empresa estadunidense. E a Palantir tem uma estratégia que é muito comum também nas Big Techs, que é de oferecer serviços de forma gratuita,

para que você consiga, a partir dali, construir uma hegemonia daquele serviço, um monopólio daquele serviço, para que daqui a um tempo não seja mais possível pensar em outra empresa que ofereça aquele serviço, se não a Palantir, se não a Meta.

Então, essa estratégia é muito comum nas Big Techs e é muito comum ser utilizada no Brasil e nos países da periferia do capitalismo. Então, esse pacote entre a Palantir e o Instituto Butantan é um presente da Palantir para o Instituto Butantan. Eles ofereceram esse serviço de software de gestão de dados para o Butantan.

sem que o Butantan pagasse nada, mas a gente sabe que sempre vai estar sendo pago alguma coisa, ou a gente vai estar pagando com os nossos dados, ou a gente vai estar pagando com o enfraquecimento de qualquer tipo de ideal de soberania digital no Brasil hoje.

Enfrentar esses contratos também é um pouco falar que não dá para a gente falar de soberania digital se o nosso governo federal está entregando dinheiro público para o que é uma máquina de guerra hoje, que é a palantira, a serviço do governo dos Estados Unidos, a serviço do governo Trump.

Então, eu acho que essa infiltração nas instituições públicas, através dessa estratégia de se mostrar como bonzinho para depois cobrar o preço, é algo muito comum e que a gente precisa, primeiro, identificar, denunciar e buscar desconstruir qualquer forma de relação que a gente tenha com essas empresas. Hoje, as universidades brasileiras estão rendidas às big techs.

Todas as universidades brasileiras públicas hoje têm sistemas de comunicação, seja o e-mail institucional, seja o drive da universidade, é do Google, é da Microsoft. Então, quem nos garante que os dados de educação pública brasileira da produção científica não estão indo?

para os Estados Unidos, para as empresas e para as big techs, para que elas processem esses dados e depois esses dados retornem para nós como publicidade, como influência no comportamento. Então, a gente viu agora a capacidade de armazenamento.

da Fiocruz ser reduzida brutalmente. Por quê? Porque a Fiocruz tinha um contrato com a Big Tech para fazer o seu armazenamento em nuvem. E do dia para a noite foi cortado em coisas de 90%. A capacidade de armazenamento de uma das principais instituições de produção científica do país. Então isso demonstra também uma rendição do Estado brasileiro ao domínio das Big Techs.

E isso também acaba reforçando o fascismo, porque significa que mesmo que haja um discurso bonito do Lula de enfrentamento à extrema-direita, de construir soberania nacional e etc., a gente não vê práticas reais de ruptura com esses setores que estão a serviço da extrema-direita e da construção do fascismo hoje.

Muito bom, Davi. Acho que você trouxe um monte de coisa e que demonstra também a importância da gente se aprofundar nesse debate. Porque eu acho que a gente sempre faz o debate das big techs muito, às vezes, parece muito restrito à coisa das redes sociais. Sendo que as big techs estão muito para além das redes sociais. Elas estão no nosso cotidiano, no dia a dia. Você colocou isso nas câmeras. De fato, o prédio em frente à minha casa tem...

Esse tipo de câmera, aqui no centro muitos prédios tem agora esse totem para fazer a segurança, né? Então isso é uma coisa muito bizarra, a gente não tem nenhum controle sobre os nossos dados. E sempre penso também que isso até para um momento possivelmente revolucionário, toda essa tecnologia pode ser utilizada.

para frear a classe trabalhadora. Então, eu acho que é um tema que nós precisamos aprofundar e que é de suma importância para a nossa atuação política também. A gente está caminhando para o final, mas eu queria te perguntar se tem mais alguma coisa que você acha importante colocar. E a sua opinião também. O que a gente faz enquanto esquerda revolucionária para tentar mudar hoje? Qual é a possibilidade da nossa intervenção hoje para frear as big techs aqui no Brasil?

A gente vem construindo também dentro da nossa corrente uma iniciativa que ainda é nova, que ainda é pequena.

mas que eu acho que já vem colhendo bons frutos a partir do nosso grupo de estudos sobre o digital, a partir do que foi a nossa mesa enfrentar as big techs e derrotar o fascismo na primeira conferência internacional antifascista, que é, nós precisamos começar a elaborar política sobre as big techs.

nós precisamos ter posição nós precisamos ter lado para isso nós precisamos também nos debruçar sobre a forma como essas estruturas funcionam como elas se organizam como elas se organizam economicamente é o que que significa para o mundo hoje para o mundo do trabalho para o mundo da sensibilidade a ascensão acelerada da inteligência artificial hoje nós precisamos incorporar

Isso nas nossas elaborações políticas, porque, na verdade, significa que nós estamos atrasados. E eu não digo nós mes, eu digo nós esquerda anticapitalista. Nós estamos atrasados, nós precisamos correr atrás do prejuízo de que nós já vivemos sobre um sistema bastante consolidado de domínio das big techs, sobre a economia, sobre a política, sobre a vida social, sobre o cotidiano, e nós agora...

Em 2025 e 2026, estamos um pouco vendo que a coisa está ficando escabrosa. Mas ainda há o que fazer. O enfrentamento às big techs, ele não está separado de um enfrentamento ao próprio regime capitalista. Na verdade, as big techs são hoje quem sustenta o próprio regime. Se a gente pensa, é até...

um tema que não é um consenso na própria universidade, na academia, de que a gente vive uma crise de acumulação, né? O capitalismo, ele sempre vai estar numa crise permanente.

de acumulação em alguns momentos mais e em alguns momentos menos. A gente segue vivendo essa crise. O mundo industrial está em crise, está em decadência. Mas existe um setor que está lucrando como nunca, que são as big techs. Então, a gente buscar visualizar como esse setor econômico está conseguindo superar, pelo menos nesse momento, para si próprio.

não ainda para o conjunto do sistema capitalista, porque nós seguimos em crise, como eles estão conseguindo superar o tema de conseguir lucrar mais, de conseguir acumular mais. Então, eles estão acumulando riqueza. A gente conseguir visualizar de onde vem isso, de que forma se estrutura, também é essencial para a gente entender a forma como o capitalismo contemporâneo está se estruturando.

E entender isso é fundamental para a gente construir armas para derrotá-lo. Então, não dá mais para a gente achar que o debate sobre a estrutura do capital é o mesmo debate do século passado. A forma de organização do capital está se metamorfoseando. A ascensão da tecnologia...

do que alguns chamam de capital imaterial, vem tomando um espaço importante, a plataformização do trabalho, as fábricas vão deixar de ser importantes para o regime de acumulação? Essa é uma pergunta que é patente para a gente hoje.

Eu acho que não, mas eu acho que tem um impacto profundo da plataformização do trabalho sobre o mundo do trabalho, que também impacta o próprio regime de acumulação capitalista. Então, nós estamos passando por mudanças na forma como o capital está se organizando. E olhar para isso, estudar isso, fazer grupos de formação, fazer grupos de estudos, ele é o primeiro passo para que a gente tenha munição para produzir política.

Aí, com isso, a gente vai entender que não dá para a gente ter uma relação simplória ou acrítica com as redes sociais. Não dá para nós, enquanto militantes, marxistas e anticapitalistas, achar que as redes sociais vão ser um espaço de emancipação do povo. Nós a utilizamos, elas são táticas, elas são importantes hoje para que a gente tenha a capacidade de falar.

com as massas, mas elas podem deixar de existir ou podem deixar de existir para um setor da sociedade, vulgo nós, a qualquer momento.

E nós também precisamos, ao entender que as plataformas são uma estrutura inimiga da classe trabalhadora, a gente entender que não dá para a gente achar que qualquer tipo de emancipação da classe trabalhadora, do povo negro, das mulheres, das LGBTs, vai vir por meio de um discurso de emancipação via rede social.

a solução para a classe trabalhadora não é construir o melhor influencer, não é construir a melhor figura pública de uma rede social, mesmo que isso seja muito importante. Mas isso significa que a gente está jogando o jogo no terreno do inimigo. Compreender isso vai fazer com que as nossas posições e a nossa estratégia ela seja mais consciente das limitações que é a gente precisar sim hoje utilizar as redes sociais, mas...

mas de que é preciso ter uma construção de base para além das redes sociais, é preciso ter organização, é preciso ter programa e política para além das redes sociais, porque elas podem simplesmente ser bloqueadas para nós a qualquer momento, como aconteceu, por exemplo, no ano passado, durante o dia que o Glauber ocupou a mesa da Câmara dos Deputados, em que diversas figuras de esquerda foram...

bloqueadas, seu alcance foi cortado, diminuído, para que elas não pudessem comunicar o que estava acontecendo ali. Então, a gente não pode cair nem no discurso ludista anti-tecnologia.

dado que quem produz tecnologia hoje da ponta da extração do minério até a construção dos softwares também é a classe trabalhadora, não é uma classe apartada da classe trabalhadora. Quem constrói de fato a tecnologia hoje somos nós, mas quem a domina é a classe dominante.

a gente vai precisar um pouco se jogar nesse meio e nessas contratações para conseguir ter uma posição mais firme sobre isso. Tendo uma posição mais firme sobre isso, é que a gente passa a não naturalizar, por exemplo, o governo brasileiro ter um contrato com uma empresa como a Palantir. Porque a gente consegue compreender o pano de fundo de uma disputa política, no limite de uma disputa de vida, sobrevivência de toda uma geração.

que passa pela tecnologia. A inteligência artificial, super legal, pode ser que diminua no socialismo. Para mim, a tecnologia tinha que servir para a gente conseguir ter melhores condições de vida. Não precisa não ter tecnologia no socialismo. Pode ter tecnologia no socialismo. Ele precisa estar a serviço da classe trabalhadora. Então, a gente...

também acho que elaborar sobre isso com firmeza também nos dá mais precisão na política, nas nossas elaborações, e também a gente estar mais consciente de que já passou do tempo que era possível se iludir com a forma como as redes sociais se organizam. É preciso buscar construir tecnologias próprias, públicas, que sejam tecno-dissidentes,

Eu acho que isso é parte fundamental dessa disputa e é preciso cada vez mais falar sobre soberania digital. A gente não fala mais sobre soberania sem falar sobre soberania digital, porque é uma das principais formas de dominação que o capitalismo tem sobre os países hoje. Então, a esquerda, se voltar contra isso, denunciar as ações das big techs, denunciar o poderio sem precedentes que elas têm,

também é uma forma de denunciar a própria forma como o capitalismo se organiza hoje. Então, eu sempre digo que as big techs, elas são agora a cara pública do capitalismo. Elas são o que está dando certo, a gente não sabe até quando, mas hoje está dando certo. E, para isso, a gente precisa também incorporar no nosso programa cada vez mais formulações, elaborações políticas e, principalmente, enfrentamentos e, para isso,

Dentro da esquerda, inclusive, onde muitos setores ainda são iludidos com esse tema das redes sociais e das plataformas, nós precisamos ser aqueles que vão construir uma alternativa a esse discurso hegemônico. E isso precisa começar com nós mesmos, com a lição de casa dentro da própria esquerda, dentro do próprio mês. Então, acho que é um pouco disso.

Muito obrigada, Davi. A gente com certeza vai ter que trocar mais ideias sobre isso, sobre o impacto das redes sociais, das big techs durante as eleições. Acho que é uma coisa que vai ser muito importante. Também, acho que inclusive deve estar no site da Movimento, vou verificar isso, mas sei que foi elaborado pelo Grupo de Estudos do Mês um manifesto, um manifesto nosso, socialista.

sobre tecnologia, que eu acho que vale todo mundo conferir esse manifesto, que é muito importante, porque nós estamos elaborando política, a gente está pensando sobre isso que está acontecendo. Então, muito obrigada e até a próxima, porque tenho certeza que você vai voltar aqui. Valeu. Voltarei. Tchau, tchau.

O podcast em movimento é uma iniciativa da Revista Movimento e do Movimento Esquerda Socialista. Nos acompanhe também pelo site movimentorevista.com.br. A trilha sonora de Alex Maia e a edição de áudio da Zap Multimídia.

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