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Diogo Costa | Digaí no Fórum da Liberdade

05 de maio de 202626min
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Presidente da Foundation for Economic Education (FEE), Diogo Costa é um dos principais nomes do pensamento liberal e da formação de lideranças no Brasil e no mundo.Mestre em Ciência Política pela Columbia University, reúne experiência acadêmica e institucional no centro do debate sobre liberdade, Estado e políticas públicas.-As opiniões, declarações e pontos de vista expressos neste episódio são exclusivamente dos entrevistados e não representam, em nenhuma hipótese, a posição oficial dos realizadores e apoiadores do Podcast Digaí. O conteúdo tem caráter informativo. Os realizadores não se responsabilizam por decisões tomadas com base nas informações aqui veiculadas.

Assuntos11
  • Reforma educacional no BrasilMonopólio estatal da educação · Modelo arcaico do Estado na educação · Financiamento público da educação
  • Foundation for Economic Education (FEE)História e fundação por Leonard Reed · Ensaio 'Eu Lápis' · Seminários educacionais e hackathons · Olimpíadas Econômicas
  • Produtividade e crescimento do BrasilEstagnação da produtividade brasileira · Comparação com nações do Sudeste Asiático e Leste Europeu · Potencial de liderança do Brasil na região
  • Prioridades e avaliação na educaçãoFoco no ensino básico vs. superior · Confiança na escolha das famílias · Necessidade de avaliação séria de escolas e professores
  • Políticas econômicas e soma zeroPensamento de soma zero na política econômica · Criação de riqueza como atividade coletiva · Impacto nas políticas públicas
  • Modelos de escolha na educaçãoExperiência de Mark Zuckerberg com microescola · Programas de financiamento educacional nos EUA · Vouchers educacionais · Escolas Charter
  • Economia austríaca e a FEELudwig von Mises · Tradução de 'Ação Humana' · Friedrich Hayek · Israel Kirzner
  • Desigualdade educacional no BrasilDesempenho de escolas particulares vs. públicas · Ranking da OCDE · Abismo entre quem tem e não tem escolha
  • Independência intelectual e endividamentoEducação econômica e financeira nos EUA · Emancipação econômica e intelectual · Endividamento no Brasil
  • Autonomia e consumo do brasileiroPreferência por cartão de débito vs. serviços diretos do governo · Sonho do brasileiro por qualidade de vida via consumo
  • Cenário político e econômico dos EUAGoverno Biden e políticas identitárias · Donald Trump e políticas protecionistas · Reação à política identitária
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Estado mínimo, ideias máximas. Fala galera, diga aí, bom dia, boa tarde, muito boa noite. E aqui diretamente do Fórum Porto Alegre, o queridíssimo Diogo Costa. Como é que você tá meu velho? Tudo bem Marcelo. Tudo bem? Segunda vez que a gente tá junto, uma vez a gente fez online, um papo muito bom. Agora vamos lá Diogão, a gente tá aqui, o tema Brasil tem jeito. Tô fazendo essa pergunta pra muita gente. Se eu tô dizendo que o Brasil tem jeito, quer dizer que tem alguma coisa que precisa ser consertada. Ou melhorada e tal. Tá certo.

E aí, o Brasil está o quê? Está doente? Está quebrado? Está o quê? Está imoral? As instituições estão jogadas ao que cada um acha que é? Muita gente vai responder que sim, para todas essas perguntas.

Uma forma de perceber que o Brasil precisa de jeito é que a produtividade brasileira está estagnada há duas décadas. Então, o Brasil precisa crescer. A gente está vendo, desde os anos 90, dos anos 2000 principalmente, várias nações ultrapassando o Brasil em produtividade, em renda per capita, o Sudeste Asiático.

o leste europeu. O Brasil está ficando para trás. Essa é a verdade. Então, o Brasil precisa de jeito para o Brasil conseguir acompanhar o mundo. E o Brasil precisa de jeito porque o Brasil tem um potencial muito maior do que apenas acompanhar o mundo. O Brasil precisa liderar, pelo menos, a sua região. Sem dúvida.

Por que você atribui essa estagnação, principalmente, das duas décadas do Brasil? Se eu fizer uma análise rápida aqui, me parece que são duas décadas que a gente tem um PT à frente também, né? De forma geral. Tudo bem, teve o Bolsonaro, quatro anos, teve o Temer, dois. Mas são quantos anos no poder aí? Desde 2003, praticamente.

A gente precisa rever as nossas lideranças políticas, a gente precisa rever nossas instituições, isso é fato. O Brasil tem políticas econômicas que são muito focadas nisso que eu estava trazendo aqui, que é esse pensamento de soma zero. Que se alguém está ganhando alguma coisa, é porque alguém está perdendo. Está errado, né? Você vê alguém lucrar, você já liga o teu alerta. Não, espera aí, então alguém está sendo explorado.

Exato, também com política internacional. Se existe algum país enriquecendo é porque outro país está sendo roubado, perdendo. E a verdade é que os países que dão certo no mundo são os países que, em vez de pensarem em soma zero, pensam em soma positiva. Sem dúvida. Como eu posso fazer com que a minha população vença junto?

ganhe junto, prospere junto. Esse pensamento de soma negativa é um pensamento antigo, né? Quando você não tinha uma revolução industrial, um grande enriquecimento da modernidade. E aí as pessoas, de fato, tinham que competir ali pelo recurso natural que tinha à sua disposição. Hoje a gente não disputa apenas o recurso natural, a gente produz recurso. A gente cria riqueza.

Criar riqueza não é uma atividade individual, é uma atividade que acontece por meio de grupos, de empresas, de organizações, corporações e países. O Brasil precisa pensar menos da forma de soma zero e pensar mais da forma de soma positiva. E é isso que informa políticas públicas, econômicas, educacionais, como eu estava trazendo. É outra forma da gente pensar em ver o mundo, em ver o Brasil. A questão educacional é uma questão que eu já tratei muito lá no podcast.

Mas é um tema tão difícil, porque a gente basicamente tem um controle do sistema educacional brasileiro nas mãos de um ministério, nas mãos do Estado. E aí o Estado tem um centralismo muito grande. E a partir do momento que o Estado tem um centralismo muito grande, o modelo que a gente vem tendo do Estado, enfim, aí eu não vou falar dos últimos anos, vou falar historicamente do Brasil, é um modelo extremamente arcaico.

Mas como que eu faço então para melhorar esse problema educacional? Porque se o Estado hoje tem o monopólio da educação, inclusive controlando aquilo que as faculdades podem ou não podem administrar, e pior do que as faculdades, o ensino básico e fundamental, como que eu faço isso? É através disso aqui, levando conhecimento, fóruns? O que é? Internet ajudando? Como que a gente resolve isso? Faz um ano atrás, mais ou menos, a polícia bateu na porta do Mark Zuckerberg, na casa dele.

E eles falaram que eles tinham uma denúncia de que ele estava tendo uma operação ilegal dentro da casa do Mark Zuckerberg. Essa operação ilegal era uma escola. Depois da pandemia...

O Zuckerberg trouxe tutores para suas filhas e aproveitou e chamou outras crianças da vizinhança para virem e aprenderem juntos. Isso se tornou, ao longo do tempo, uma microescola que estava sendo operada ali dentro. Alguns vizinhos não gostaram do trânsito, do tráfego que gerava com os pais deixando filhos. Resolveram denunciar e a escola dele foi fechada.

Mas isso mostra como que mesmo na elite americana, o Zuckerberg podia ter... E o homeschooling é permitido lá, né? É permitido. Ele podia até colocar os filhos na escola que ele queria. Ele resolveu experimentar. Ele resolveu ter escolha. Esse poder de escolha...

É algo que hoje nos Estados Unidos acontece tanto na elite, o Zuckerberg é um dos homens mais ricos do mundo, mas acontece também na base da pirâmide americana. Porque lá os estados têm programas que eles financiam a educação não por meio da escola exatamente, mas por meio dos pais, das famílias, dos alunos. E aí você tem várias políticas. Ou políticas que fazem uma coisa chamada... E aí

contas educacionais, o governo meio que deposita um recurso para que a família gaste recursos com atividades educacionais. Uma escola, um material escolar, uma tutoria. O curso de Valsh é do Friedman.

É um voucher ainda mais abrangente, porque você não precisa gastar nem com apenas uma escola. Você pode gastar com a escola, mas também com outros materiais. Crianças com necessidade especial dependem muito, às vezes, de uma educação mais customizada. Voucher é uma segunda opção. Também o recurso vai para a escola, mas a escola que os pais escolhem. E Charter, que são escolas também que funcionam dentro de uma lógica pública.

Ou seja, a escola é aberta para qualquer aluno, ela não faz exclusão, não escolhe o aluno. Mas, como existe muita demanda, normalmente fazem-se loterias. E essas escolas também recebem recurso, mas todas elas, todos os modelos, dependem do poder de escolha dos pais. Eu acho que é isso que falta no Brasil. Qual é o poder que os pais têm de escolher? Quando as famílias brasileiras têm o poder de escolher, isso significa que elas têm recurso para pagar uma escola particular?

O resultado não é tão ruim. As escolas particulares, quando você vai para o ranking da OCDE, que mede vários países, a escola particular brasileira está ali competindo com os Estados Unidos, Israel, França. Agora, quando você vai para o ensino público brasileiro, a gente cai para as últimas posições, competindo com o Peru, com a Tailândia. Ou seja, existe um abismo no Brasil entre quem tem escolha e quem não tem. Por que a gente não dá escolha também?

para a família mais necessitada, mais desprivilejada. Seria essa uma reforma muito importante do modelo educacional, em que a gente mudaria a forma de financiamento público da educação, ao invés de... Hoje vamos lá, vamos fazer a análise aqui da educação brasileira. Vamos lá.

Tem muito dinheiro no ensino superior. Muito. As universidades públicas são gigantescas. Eu pego lá a UFES, lá no Espírito Santo, é um mundo, uma cidade aquele negócio. E já quando eu penso na educação básica fundamental, tem muito menos dinheiro ali alocado. Seria então essa reforma no sentido de, vamos colocar mais dinheiro...

para os pais escolherem nesse modelo de voucher, talvez até melhorando esse modelo de voucher, e deixando de lado o financiamento público das escolas em si? Seria essa uma revolução, uma reforma interessante? Acho que tem três pontos aí que você tocou, né? O primeiro é o que a gente quer priorizar como país, como nação.

Cara, o Brasil é um país de renda média. O Brasil é um país que precisa remover milhões de pessoas da pobreza. Será que o foco, aquilo que ganha mais atenção do governo, mais recursos, é o ensino superior ou o ensino básico? Na minha opinião, deveria ir para o básico sem dúvida. Primeiro é o foco no básico. Não tenho dúvida. Primeiro é o foco no básico. É o básico que vai, inclusive, construir um ensino superior melhor. Claro, sem dúvida nenhuma.

E não tem um ensino superior como a gente tem hoje, desconectado até da realidade econômica do país. Total, eu dei aula já em ensino superior, cara.

Você sabe como é que é? Tá foda, tá foda. Agora, então o primeiro é foco. O segundo é escolha. Ou seja, fazer com que o recurso público dependa também da escolha das famílias brasileiras. É ter um pouco de confiança de que a família é capaz de escolher. E o terceiro é você conseguir boa informação. Isso significa avaliação de escolas, de professores. O Brasil não gosta de avaliar. A gente viu hoje a Ana Carla Abrão falando sobre...

agências de governo que tem mil empregados, mil funcionários públicos, mil servidores e aí tem a avaliação. A gente tem aqui a avaliação de todo mundo. Aí vai ver a média. É 997 de mil. Ou seja, a gente precisa ter uma avaliação séria, uma avaliação decente.

E essa avaliação comunica às famílias para que elas possam tomar decisão. A família que é o melhor para os seus filhos, então ela quer colocar também numa escola que, é claro, seja conveniente, às vezes, perto de casa, mas que também prometa o futuro que talvez a própria família não teve. Só que você não acha que a gente tem um problema aqui? Um outro problema também que é o seguinte. Um, será que o Estado quer essas pessoas tão independentes assim, em termos intelectuais? Essa é a primeira pergunta. Eu tenho a minha opinião é que não.

Quanto mais ignorante, mais fácil do Estado ter aquele controle sobre a vida daquela pessoa numa situação de perpetuação. E quando eu falo Estado, é principalmente os políticos de determinadas, não vou dizer que é só de uma, mas principalmente da ideologia da esquerda, que eles gostam de manter as pessoas ali sob o cabelo. Essa é uma opinião minha, depois você é na sua. Segundo, você não acha que o brasileiro, ele não se sente, pela falta de educação que ele tem,

Você não acha que ele se sente inapto a escolher o que é melhor? Eu sinto que muita gente fala assim, não, o Estado já cuida disso pra mim. Eu não quero tomar essa decisão. Você não acha que tem esses dois problemas aí?

Bom, sobre o primeiro ponto, é sempre difícil discutir intenção, ainda mais intenção de um bloco como Estado. Eu acho que tem lideranças públicas que têm boa fé, tem lideranças públicas que não têm. Mas a questão é, nós temos um tipo de educação que dá essa independência?

Então, eu trago o exemplo dos Estados Unidos, porque é a realidade que agora eu estou estudando e vivendo. Sim. 22 Estados americanos passaram para o currículo de ensino médio, educação econômica. 39, educação financeira, de 50. Isso está crescendo.

Ou seja, você está tendo uma atenção de que você quer que aquela criança, quando tem 18 anos, não pegue um cartão de crédito e crie uma dívida que vai pagar para o resto da vida. E o Brasil é uma das que tem mais pessoas endividadas, famílias endividadas. É, o Brasil em números absolutos é campeão em endividamento. A gente quer dar emancipação econômica, assim como você quer dar emancipação intelectual.

Eu acho que isso é, primeiro isso é muito importante. Concordo, concordo. O segundo ponto, que agora eu me esqueci qual que você falou. O segundo ponto foi do fato de que as pessoas hoje, pela falta de educação que tiveram, se sentem inaptas a escolher. Exato. Porque aí você entra num ciclo vicioso. Mas então, mas isso é, eu acho que é algo que quando a gente vai testar,

Não sei se é bem verdade. Pensa, por exemplo, no próprio Bolsa Família ou qualquer outro tipo de auxílio. Uma forma do governo gerar auxílio é o governo oferecer diretamente para a pessoa que ela quer. Ou ele dá o bem, uma cesta básica, ou ele dá a educação, ou ele dá o transporte. O que a gente viu no Brasil é que o brasileiro prefere muito mais ter um cartão de débito do que ter o governo oferecendo diretamente o serviço ou o bem.

E aí você vai e escolhe o seu serviço bem. Você vai no mercado, você vai e consome aquilo que você quiser conforme a sua opção. Então, acho que o brasileiro, ele gosta de ter, né? As famílias brasileiras gostam de ter autonomia, gostam de ter opção. Quando você dá autonomia para o brasileiro, opção, eu acho que ele não refrata. Ele vai à frente e eu acho que ele consome. O Brasil gosta de consumir, né? O brasileiro é um país muito consumidor.

De consumir. O Brasil gosta de consumir. Não, com certeza. Eu acho que a principal bandeira de um político no Brasil, nesse momento, é aumentar o nível de consumo do brasileiro. E isso acontece na última eleição, com promessas sobre corte de carne. Mas eu acho que acontece hoje também com qualidade de vida. Você quer ter qualidade de vida por meio do consumo. Acho que isso é o sonho do brasileiro. Isso é verdade.

Diogão, você hoje está à frente da Foundation for Economic Education. Me explica um pouco o que essa fundação faz e me explica mais ainda o olhar em relação ao Brasil para o resto do mundo, a gente falou muito dos Estados Unidos aqui, em relação às soluções para a educação. Adoro esse tema, adoro falar em educação. E depois eu vou te fazer uma pergunta mais polêmica. Vamos lá. Essa fundação, a Foundation for Economic Education, foi criada em 1946.

O Leonard Reed, o fundador, autor de vários livros sobre educação econômica, ele percebeu, na época, que o país, os Estados Unidos, estava dividido entre uma década de políticas socializantes que veio com o New Deal depois da Grande Depressão.

e a outra metade presa em uma economia de guerra, direcionada, de comando e controle. Ele sentiu que a tradição americana não era nenhuma nem outra. A tradição americana é uma tradição liberal, uma tradição empreendedora, descentralizada, plural. Ele queria retomar essa tradição e ele criou essa fundação de educação econômica e com um jeito também muito próprio de ensinar a economia. Então o ensaio que ele escreveu, que foi o mais famoso, chama Eu Lápis, tenta mostrar para as pessoas que nenhum ser humano no mundo conseguiria fazer um lápis.

Não tem nenhum conhecimento para fazer um lápis. Você precisa de tanto conhecimento disperso. A cadeia é tão grande. A cadeia é tão grande, tão vasta.

Tem um vídeo do Ray Dalio, é isso? Do? É do Ray Dalio, falando da fabricação de uma caneta. De um, de um, de um, de um. O Milton Friedman tem um. É o Friedman, desculpa. O Friedman tem um. É isso, é isso, é isso. Ele usa esse ensaio do Reed pra falar, olha, olha esse lápis aqui. É simples, qualquer um tem, é barato. E mesmo assim, é um milagre que esse lápis é produzido. Porque ninguém na cadeia tá pensando, cara, eu quero fazer um lápis. Não, o cara tá transportando...

grafite, ou tá estranhando borracha, pensando na família dele, no salário, precisa pagar as contas, e no fim do dia você consegue ter um milagre que é barato, que é ordinário, mas que ainda assim é fantástico. Então o Reed começou a falar, a gente precisa ensinar a economia dessa forma, e criar, não

todos os americanos, mas criar uma minoria de americanos que entenda essa conexão entre economia e bem-estar, entre os princípios da civilização americana e a qualidade de vida material e o progresso econômico. E essa fundação vem fazendo isso há 80 anos, comemora 80 anos esse ano, principalmente por meio de seminários educacionais. Eu fui no seminário da FIA 20 anos atrás, foi assim que eu conheci melhor o movimento liberal, o meio liberal.

por meio de publicações, por meio agora de hackathons que a gente tem criado. A gente está testando novos modelos desde que eu cheguei na fundação. Então agora a gente fez um hackathon ano passado na Califórnia, vai fazer um em Las Vegas esse ano e outro na cidade do México. A gente tem ido às escolas fazendo jogos, simulações. E esse ano a gente trouxe um modelo europeu para os Estados Unidos e para a América Latina chamado Olimpíadas Econômicas.

que já rolava na Europa já faz alguns anos, tem 120 mil alunos que tomam essa atividade. E a gente conseguiu, num projeto piloto esse ano, 1.400 alunos fazendo as Olimpíadas de Economia. E no Brasil a gente conseguiu mais de 100 alunos fazendo também essas Olimpíadas. Três vão ser finalistas, estão indo para a Guatemala para a final.

E aí, dois finalistas dos campeões das Américas, eles vão para a Europa, tipo o Mundial de clubes. Massa! Vão para o Mundial na Grécia Antiga, na Olímpia Antiga, para ter um Mundial. É bem bacana. Que legal, que legal. O quanto da... Trazendo para o mundo liberal, o quanto da teoria econômica da escola austríaca...

Está dentro da... Não como princípio, mas eu digo assim. Enfim, vocês são uma fundação de educação econômica. Sim. Bom, tem gente que fala que a teoria marxista funciona. O jogo soma zero, como a gente estava falando aqui agora. Já a austríaca que se mostra como livre mercado, capitalismo, da livre iniciativa, quanto mais liberdade você der, vem a criatividade, aí vem a destruição criativa do Schumpeter e tal. O quanto da teoria está lá dentro?

Olha, só para você ver, historicamente, a FI foi quem conseguiu abrigar o Ludwig von Mises quando ele veio para os Estados Unidos. Ele está dentro do staff original, já diz bastante. A tradução do Human Action foi financiada pela FI, foi escrita... Da Ação Humana, né? Da Ação Humana, perdão.

Foi escrita nos escritórios da FII. Hayek foi professor da FII. A FII não é exclusivamente austríaca. Milton Friedman já escreveu, George Stigler já escreveu papers para a FII. Mas ela sempre teve muito carinho pela economia austríaca e sempre foi um canal de transmissão dessa escola econômica.

E a FIA até há pouco tempo tinha no seu conselho o Israel Kirchner, que é um dos grandes, talvez o maior expoente da economia austríaca vivo, e tinha um seminário de economia austríaca que foi descontinuado, era um seminário avançado. A gente está trazendo de volta esse seminário avançado e vai ter agora uma edição no Canadá, vai ser a primeira desde muitos anos. Então a gente honra esse DNA, essa tradição que a fundação tem.

E analisando a economia americana, que vem passando por alguns altos e baixos aí nos últimos tempos, sei lá, quando eu olho o governo Biden, a gente levanta os cabelos pela... Enfim, o democrata hoje está bem esquerda mais do que nunca. Mas quando eu olho o Trump, eu também levanto os cabelos, por uma política super protecionista, nacionalista e tal.

Como que a FII está olhando para esse lado? Porque, pô, beleza, eu tive um de esquerda, tive um de democrata, agora eu tenho um republicano, cada um fazendo suas besteiras dentro do lado econômico. Como que a FII está tentando trabalhar para levar uma boa informação? Não sei se tem algum tipo de movimento e tal, mas como que vocês estão olhando esses movimentos de direita e esquerda lá também?

Primeiro, a FII é a parte da área. Então, nós conversamos com quem quiser conversar com a gente. A gente aceita alunos, mesmo que tenham inclinações diferentes. Agora, a FII é do livre mercado, do livre comércio. Essa é a nossa tradição. O EuLabs que eu mencionei é uma cooperação internacional. Então, tem um governo que diz dêem dos economistas e acredita que livre mercado e livre comércio...

São ideias ultrapassadas, que a gente precisa de protecionismo, de colocar o nosso mercado fechado. Então isso, obviamente, é uma ideia antieconômica. Então é uma ideia que a gente não é parte do que a gente ensina. A gente ensina o contrário, prosperidade por meio da cooperação global e internacional. O que eu acho que aconteceu, e aí falando como pessoa física, não como presidente da FII, é que, de fato, os democratas ficaram muito identitários recentemente.

E a reação a isso foi muito grande. Você vê gente do Vale do Silício que simpatizava com os democratas e falam, cara, mas eu quero ensinar para os meus filhos, por exemplo, que existe diferença entre homens e mulheres. E se eu não puder fazer isso porque eu moro em São Francisco e eu tenho que mudar da minha cidade ou mudar o meu governo, eu prefiro mudar o meu governo.

Eu acho que tem uma reação muito grande aos democratas, até a era do Biden. Eu acho que o Biden exatamente não era um cara super identitário, mas nem uma base, mas uma grande parte da elite do Partido Democrata foi muito longe na política identitária, descolou do resto da população, defendeu pautas sem lastro social.

E a mesma coisa com políticas que eu sou mais simpático, como políticas imigratórias. Mas foi tão longe em algumas pautas de acreditar que você não precisa ter sequer um processo legítimo de entrada no país.

Ou achar que você não precisa ter sequer uma documentação para poder votar. Então algumas políticas ficaram tão descoladas da população que a população falou, cara, eu não quero mais isso. E o Trump trouxe uma mudança, como a gente fala, uma mudança de vibe. Tem uma mudança de vibe. Várias empresas mesmo reagiram a isso. E falaram, cara, talvez eu não preciso ser tão engenharitário. Eu posso ser como eu era alguns anos atrás.

Respeito por todas as pessoas, respeito por minorias, igual oportunidade para todas as pessoas, sem discriminação, mas não preciso forçar, fazer uma coisa performática. Isso mudou no governo, mudou também no setor privado. Então teve essa mudança original, que eu acho que levou muita gente a votar no Trump mesmo, pessoas que não eram tradicionalmente republicanas ou se viam de direita. Mas eu acho que depois disso a votada de Trump caiu bastante.

Acho que esses eleitores do Trump, os que migraram para o Trump, talvez já tenham voltado um pouco. Parte por causa dessas grandes bautas, de não querer que tenha um presidente que fala que vai arrasar com uma civilização, ou a forma como o tato que não é presidencial.

E a política econômica. Perfeito. A grande pauta que elegeu, por exemplo, o prefeito de Nova York, Mandani, é a pauta de custo de vida. E isso afeta não apenas Nova York, isso afeta os Estados Unidos todos. Eu acho que isso afeta o Ocidente hoje. Com certeza, mas o que o cara está fazendo lá só vai aumentar o custo de vida. Aumenta o custo de vida. Porque a galera está... Então, agora de um novo imposto, não sei se você viu, essa semana ele falou de mais um imposto sobre os que ganham ainda mais para ajudar os que ganham menos.

E, meu irmão, a galera que está saindo de Nova York são muitos milhões. Eu estava falando recentemente com uma família que está construindo uma casa. Fez todo o plano. Em Nova York? Não, não. Na Geórgia, o estado onde eu moro. E, de repente, viu que a matéria de excursão aumentou 30%. Então, você planeja algo, passa três meses, você tem um salto. Por causa de China, por causa de guerra no Oriente Médio.

Então, o Trump perde, eu acho que, grande parte da sua base por também ficar desconectado. O prefeito de Nova York, Mondani, eu acho que tem as ideias completamente equivocadas sobre soluções, mas ele se conectou na base do problema. O teu problema é que o teu aluguel está muito caro, o transporte você não consegue pagar e quando você vai no supermercado você acaba com um carrinho menor do que mês passado.

As respostas são erradas, né? Congelar aluguel... Ele encontrou o problema, só que ele não sabe funcionar. Ele se conectou emocionalmente com as pessoas, né? Mostrou que eu entendo o que está acontecendo com a tua vida, eu me importo. Eu acho que é a mesma coisa que o Trump. Eu acho que por isso que o Trump e o Mandani se dão bem, né? Pessoalmente, um de direita e um de esquerda, mas eles se dão bem. Porque eu acho que eles têm esse tato popular, pelo menos na campanha.

O problema com os dois é você chegar com as soluções erradas. Cara, tanta gente votou no Trump porque entendia que o Trump não ia entrar em guerra. As pessoas falavam, as guerras infinitas dos Estados Unidos, não quero mais guerra infinita. E de repente vem o presidente e começa uma guerra que nesse momento não parece ser uma estratégia clara de vitória. Claro. Então isso mina a popularidade e a autoridade e a gente está vendo isso porque os Estados Unidos, diferente do Brasil...

tem uma parte das suas eleições legislativas no meio do mandato presidencial. Então agora, no final do ano, em outubro, vão ter eleições para deputados e senadores. Entendi. Os republicanos que hoje controlam tanto a Câmara quanto o Senado, se você for olhar pesquisas, mercados de previsão, eles vão perder os dois. Porque a popularidade está tão baixa que está trazendo todo o seu partido junto. E aí o Trump peste também apoio do partido, porque se eu sou deputado e eu quero me reeleger,

e o presidente está tirando voto meu, eu vou me distanciar do presidente. Ele fica bem travado lá, sem a casa, né? Então, com a casa ele se trava, porque ele tenta fazer muita coisa por ordem executiva, sem a negociação com o parlamento. Então ele já se trava um pouco. Se ele perde a casa e passa a ter, de fato, líderes, os speakers, né, contra o presidente, aí eu acho que ele...

se torna, talvez, nos últimos dois anos, um presidente pouco efetivo, inócuo. Sim, poder. Ô, Rodrigão. Ô, Rodrigão. Diogão, cara, foi bem bacana aqui. Não vou tomar muito mais seu tempo, não. É sempre um prazer estar com você. Vamos depois marcar, voltar a fazer um bate-papo mais longo lá.

Sempre um prazer, tá? Não diga aí. Tá gostando de morar nos Estados Unidos? Gosto, gosto. Conheci minha esposa lá, me casei. Tô feliz. Parabéns pela caminhada. Não é pouca coisa, não. Obrigado por estar levando sempre boas ideias, meu querido. E é isso. Obrigado. Conta comigo. Valeu, cara. Valeu, Diogo. Gente, mais um excelente episódio aqui no Fórum Liberdade em Porto Alegre. Brasil tem jeito. Valeu, um abraço. Fui.