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Desromantizando a vida adulta | #158

01 de maio de 202625min
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Neste episódio do Sala Precisa, a gente desromantiza a vida adulta a partir de produções que mostram o lado mais real (e desconfortável) de crescer: boletos, decisões difíceis, frustração profissional e a pressão constante de “dar certo”.

Se você já se sentiu perdido, atrasado ou só tentando sobreviver… esse episódio é pra você!

Corre dar o play!

Assuntos8
  • Autonomia emocional na vida adultaJovens tentando viver de forma independente sem conseguir · Divisão de moradia por necessidade financeira · Acúmulo de dívidas básicas (cartão de crédito) · Perda de plano de saúde ao ser demitido · Sensação de estar atrasado na vida e frustração profissional · Improvisação e provisoriedade na vida adulta
  • Breaking Bad e a crise financeiraDiagnóstico de câncer e necessidade de deixar dinheiro para a família · Transformação de necessidade em poder · Escalada de violência e manipulação · Perda total de limites éticos · Sistema de saúde precário nos EUA e dívidas
  • Vida Pessoal e FamiliarBoletos e impostos · Pressão financeira e decisões desesperadas · Precarização do trabalho e economia digital · Monetização da intimidade · Falta de rede de apoio
  • Margot's Got Money TroublesGravidez na universidade e abandono dos estudos · Criação de conteúdo adulto online (OnlyFans) · Precarização do trabalho e falta de rede de apoio
  • Resposta feminina a exploração financeiraMulheres suburbanas à beira do colapso financeiro · Assalto a supermercado como ato impulsivo · Envolvimento com lavagem de dinheiro e ameaças · Dependência de dinheiro ilícito · Escolha entre o ruim e o pior
  • Controvérsia do filme Marte SupremeObsessão por resultados e sucesso financeiro · Preterição de relações e saúde mental em prol do sucesso · Influenciadores e creators ganhando dinheiro fácil
  • Friends como contraponto aspiracionalModelo de vida adulta confortável e estável · Problemas financeiros nunca críticos · Resolução rápida de conflitos e rede de apoio sólida · Representação desatualizada da vida adulta
  • Depressao e Crise PessoalSalto temporal e a entrada na vida adulta · Crise financeira e envolvimento com atividades ilícitas · Queda na qualidade do roteiro e atuação
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Bem-vindos à Sala Precisa. Eu sou a Laura. Eu sou a Gil. E esse é o nosso podcast.

E hoje a gente vai falar sobre uma coisa que ninguém prepara a gente direito. A vida adulta real. Então, não é aquela versão romantizada de seguir os seus sonhos, fazer a carreira dos sonhos, apartamento bonito, uma família já, tudo concretizado. Mas sim a versão que envolve conta chegando, escolhas erradas, pressão financeira e decisões meio desesperadas. É tipo basicamente o nosso dia a dia, gente. Sim.

E o mais interessante é que o audiovisual tem parado de romantizar isso. Então, várias séries e filmes estão mostrando exatamente o contrário. Que crescer, muitas vezes, é se virar como dá. Então, inédito hoje, gente, nesse episódio, a Laura vai comentar sobre filme de terror. Que são os boletos. Fim.

Olha só, Laura. Eu nunca falo de filme de terror antes. Hoje a gente vai falar de um terror real. Da vida real. Que são boletos. Me fala que eu tenho o meu maior medo, gente. Agora, não. Na verdade, mais do que boletos. Eu acho que o que mais é terror psicológico mesmo. É imposto de renda. Que eu vou ter que pagar pela primeira vez. Ah, já vai pagar. Mas eu vou ter que pagar pela primeira vez. Eu tô muito triste, gente. Eu tô muito depressiva esse ano. Porque eu só recebia, né? Ai.

Mas enfim, quando a gente fala de vida adulta sem romantização, hoje, né? Uma das produções mais atuais é Margot's Got Money Troubles, ou Margot está em apuros, né? Foi traduzido. Sim, é da Apple TV e é baseada no livro da Rufi Torp. Já começa com uma premissa que por si só quebra qualquer idealização. A Margot é uma jovem universitária que engravida...

professor da faculdade e a partir daí, a vida dela simplesmente sai do eixo. Então, ela abandona a faculdade fica sem estrutura financeira e precisa criar um filho sozinha que é o... Mano, a maioria das mulheres quase todas as mulheres passam por isso, né?

E o ponto mais interessante da série é que ela não tenta transformar isso numa jornada inspiradora clássica. Ela mostra o que quase ninguém gosta de falar, o custo real de existir na vida adulta. Sem diploma, sem emprego estável, com um bebê, a Margot começa a procurar formas de renda e entra no universo de criação de conteúdo adulto online, o famoso OnlyFans. Quem nunca pensou entrar no OnlyFans?

Não, nunca pensei, tá, gente? Não pensei em outra coisa de mim, não. Não pensei, não. Pack, vender pack de pé. Eu ia falar isso. Já acreditei. Eu ia falar isso, que a gente já teve essa conversa, né? Pois é. Sim. Agora, com inteligência artificial, gente. Olha só que facinho criar um pé lá, bonito. Ou pelo menos tirar uma foto do nosso pé e a gente conseguir arrumar um pouquinho, né? É, né? Deixar mais bonito, né?

Bom, mas a série não trata isso como empoderamento fácil, nem como julgamento moral. Ela trata como sobrevivência. E tem um detalhe muito forte. O pai dela é um ex-lutador meio fracassado. E entra nessa dinâmica ajudando a construir a persona dela na internet, né? Ou seja, até a identidade vira produto.

E isso é muito contemporâneo, gente, porque a série tá falando de precarização do trabalho, economia digital, monetização da intimidade e falta de rede de apoio. E a Margot, ela não tem uma escolha ideal, ela tem escolhas possíveis. E isso é o retrato mais honesto da vida adulta hoje.

E quem faz a série, ninguém menos que Elle Feigning. Gente, as irmãs Feigning arrasam, né? Eu sempre falo que elas nunca erram um papel. Então assistam, porque tá muito legal. Saiu o quarto episódio, então tá bem no início ainda. Não tem por que não assistir. Assista também, viu, Laura? Coloca aí na sua lista.

Bom, agora se My Girls Got Money Troubles mostra o início da vida adulta em crise, a gente tem uma outra série, que é Breaking Bad, uma série muito famosa, né? Que muita gente não para pra pensar isso, mas ela mostra o que acontece quando essa crise chega mais tarde, né? E implode tudo.

A série, criada pelo Vince Gilligan, exibida entre 2008 e 2013, acompanha Walter White, um professor de química extremamente qualificado, mas completamente frustrado financeiramente. É, ele trabalha em dois empregos, não consegue sustentar a família com conforto.

E vive uma sensação constante de fracasso. Até que ele recebe um diagnóstico de câncer de pulmão. E isso abala mais ainda a vida dele. É, porque aqui é o ponto chave da série. A decisão dele de começar a produzir metanfetamina não vem de ganância inicial. Vem de um raciocínio muito humano e muito adulto. Eu preciso deixar dinheiro pra minha família antes de morrer.

Só que Breaking Bad, gente, é brilhante porque mostra que essa justificativa rapidamente se transforma, né? O dinheiro deixa de ser necessidade e passa a ser poder. Quando ele começa a perceber, principalmente que, tipo assim, ele é o professor de química que melhor consegue fazer uma metafetamina boa, sabe? É o Heisenberg.

E o Walter, ele deixa de ser alguém tentando resolver um problema e passa a ser alguém que cria problemas pra continuar no controle. É, então, a série constrói isso de forma gradual, quase clínica. Então, você acompanha assistindo a escalada de violência, a manipulação das pessoas ao redor dele, a destruição da família, quando, aos poucos, as pessoas começam a ficar sabendo e também outras pessoas começam a se envolver na família dele.

E a perda total de limites éticos. Que acho que isso é o principal que acontece. E o Jesse, né? Ai, gente, como adorava o personagem dele.

E o mais desconfortável é perceber que em algum nível tudo começou com algo compreensível. A série não tá dizendo que todo mundo faria o que ele fez. Mas ela tá mostrando que a pressão financeira pode ser o gatilho pra decisões que a gente nunca imaginou tomar. Ai, não quero chegar nesse nível, Laura, na minha vida. Ai, Deus, não permita, não deixa.

Se você criar metafetamina, acho que não vai acontecer de chegar assim mesmo. Não, tipo... Não, mas tipo, tem que fazer uma coisa assim, sabe? Desesperada. Falei, não, pelo amor de Deus. Não, Deus. Não, mas eu acho que essa questão do Walter White, gente, acaba piorando mais ainda. Porque ele descobre esse câncer dele morando nos Estados Unidos. Eu acho que isso piora mais ainda. Porque a saúde nos Estados Unidos, ela é muito precária.

Com tudo você gasta dinheiro, gente. A questão financeira lá, tipo, as dívidas nos Estados Unidos são... Então...

altíssima de pessoas que têm que hipotecar a casa, sabe? Que perde a casa, que acaba tendo que vender sua alma por causa de você pagar uma dívida com o governo, de você pagar uma dívida com o hospital. Então, tipo... E é coisa de milhões, né? Milhões. É, eu acho que o peso da série do Breaking Bad é muito mais essa, sabe? Porque o Walter White, ele não precisaria criar metanfetamina, porque ele sabe que é um jeito fácil e rápido dele conseguir uma grana tão alta, assim, pro tratamento dele, né?

Então, assim, ele não iria entrar nessa se ele não precisasse pagar uma dívida tão alta. Se as coisas nos Estados Unidos não fossem, sabe? Tipo assim, se não te matasse tanto pra você ter que pagar as coisas. Então, assim, é absurdo, gente. É absurdo. A gente tem que agradecer muito aqui no Brasil.

a gente consegue saúde de graça, e principalmente, né, que a gente tem o SUS, né, graças a Deus, e que a gente consegue principalmente parcelar as coisas, e que as dívidas aqui, né, ainda conseguem chegar num certo limite, sabe, você tem que fazer muita, muita coisa errada pra você, sei lá, virar uma pessoa miserável aqui, ou você tem que, sabe, não é impossível também aqui no Brasil, pra você perder o dinheiro rápido também, mas, né, é um pouco mais difícil, tipo assim, demora um pouco mais que nos Estados Unidos.

E talvez o mais importante, Breaking Bad desmonta completamente a ideia de que o sucesso financeiro resolve a vida. Porque no final, o Walter consegue o dinheiro, mas perde absolutamente tudo no processo. É uma excelente série. Se vocês não assistiram ainda, o que eu acho difícil, assistam. Eu assisti na época que o Kenji gravava no CD pra eu assistir Breaking Bad. Você também, Laura?

Não, eu assisti na época da faculdade. Assisti bem depois. Ah, tá. Eu assisti na época que... Foi essa época que lançou, eu acho, hein? 2008, 2009. Bom, agora uma série que traduz muito bem o desespero financeiro na vida adulta é Good Girls. Ela foi exibida entre 2018 e 2021 e acompanha três mulheres suburbanas, a Betty, a Ruby e a Annie.

que à primeira vista tem vidas completamente normais, comuns. Só que a série começa justamente quando essa normalidade quebra. A Betty é uma dona de casa que descobre que o marido destruiu as finanças da família. A Ruby precisa pagar um tratamento médico caro pra filha. E a Anne está tentando manter a guarda do filho enquanto vive cheia de dívidas.

Ou seja, são três mulheres que fizeram tudo certo e mesmo assim estão financeiramente à beira do colapso. E aí vem o ponto de ruptura. Elas decidem assaltar um supermercado. E o mais interessante é que a série não constrói isso como um grande plano genial. É impulsivo, mal calculado e claramente motivado por desespero. Só que, diferente do que elas imaginam, o crime não resolve o problema. Ele abre um sistema novo de problemas.

Que é envolvimento com lavagem de dinheiro. Ameaça de criminosos, né? Que começa a se envolver junto com elas. Risco constante de perder tudo. E uma dependência crescente daquele dinheiro ilícito e fácil, né? Gente, é muito boa essa série. Não sei se você chegou a assistir, Laura. Ainda não. Mas eu adorava.

Eu não lembro como que acabou, não lembro se ela foi cancelada ou se, tipo, der um final ocorrido, sabe? Eu não lembro, não sei dizer agora, mas eu gostava muito. Assim, era um humor ácido, sabe? Tipo, três mulheres, assim, mães, né, já com filhos, escondendo do marido, né? Os maridos nem sabiam que elas se envolviam com coisas ilícitas. E supermercado, pra mim, é lavagem de dinheiro, eu acho, sei lá, né? Alguns, pelo menos, devem ser, porque, né?

Mas esse aí, pelo menos que elas assaltaram, né? Começaram a se envolver aí com lavagem de dinheiro. Mas sério, gente, se puder, assistam também a uma série da Netflix. E acho que tá lá no catálogo ainda. E aqui está o ponto central da série, né? Não existe solução simples quando o problema, ele é estrutural. Então elas entram, né, nesse ciclo onde cada decisão pra consertar a vida delas acaba complicando mais ainda.

E isso é muito vida adulta real, gente. Porque muitas vezes você não tá escolhendo entre o certo e o errado. Mas entre ruim e pior. É verdade. Né? É só isso que tem no final do dia. Bom, e uma das produções que melhor traduz a vida adulta hoje, sem exagero e sem glamour também, é Adults. Ou adulto, né? Em português.

E a série acompanha um grupo de jovens na faixa dos 20 e poucos anos que estão tentando viver de forma independente, mas sem conseguir, de fato, sustentar essa independência. Então, eles acabaram, tipo assim, eles acabaram de entrar na vida adulta, sabe? É muito do que eu vivencio com os meus alunos quando eles acabam de sair do terceiro ano e estão ali pelo seu primeiro e segundo ano, assim, de faculdade ou de, tipo, vida pós, sei lá, pós 18, sabe?

E isso já quebra uma expectativa muito forte, porque crescer, teoricamente, significa autonomia. Só que aqui, autonomia é uma ilusão. Eles dividem em casa, não por escolha estética, tipo vida entre amigos, mas porque morar sozinho simplesmente não é viável financeiramente. E eu vivo isso hoje em dia aqui também, gente, em São Paulo. Eu não consigo morar sozinha ainda no apartamento. Então, desde que eu me mudei pra cá, desde a idas e vindas, desde 2018, eu nunca morei sozinha.

É, então, e a série, ela constrói o conflito em cima de coisas muito pequenas, mas que na vida adulta elas viram gigantes, né? Como a gente já tinha falado, elas viram uma bola de neve. Então, um dos pontos é que um deles perde o emprego e não consegue pagar a parte do aluguel. Daí acaba, né, os amigos acabam agregando ele lá no apartamento.

Na verdade, o apartamento é do... A casa, né? Eu não lembro se era casa ou apartamento. Mas é dos pais de um dos meninos. E, tipo, os pais, eles vivem viajando. Eles são ricos, né? Eles vivem viajando, eles nunca estão na casa. Então, ele aproveita esse momento pra deixar todo mundo morar lá junto com ele. Né? Alguns ajudam no aluguel. Outros, tipo assim, só ajudam na companhia mesmo. Ai, eu seria essa pessoa.

Aí outro ponto também é que acumula dívidas básicas, tipo cartão de crédito, e também uma questão que já aparece logo no começo da primeira temporada, é a questão do seguro-saúde, né? Que uma das meninas, ela trabalhava numa empresa onde ela recebia, igual a gente aqui no Brasil também, que quando a gente tem o plano de saúde, que é vinculado à empresa que a gente trabalha.

Só que daí, o que acontece? Ela sofre um acidente, só que no dia que ela sofreu acidente, ela tinha se demitido do trabalho. E daí, eu lembro que eles explicam na série… Ah, sorte da vida adulta, né? Muita minha cara com vocês comigo também. Só que eu lembro que eles explicaram na série que como ela, tipo assim, ela não é… Ela é meio que assim, não é CLT, é que eles não falam CLT, né? Mas ela é, tipo assim, ela é contratada, sabe? Ela não é de carteira assinada. Então assim, no dia que você…

foi demitida, você pediu demissão, você já perde o seu plano de saúde, né? Justamente por ela ser contratada. E daí acontece, ela sofre um acidente lá, e o amigo dela que ele é muito assim, é muito engraçado porque ele não manja nada de vida adulta, sabe? Por causa dele ser filhinho de papai. Daí ele manda a amiga dela pro hospital mais caro e fala assim não, pode fazer todo o procedimento que você precisar fazer com ela, porque ela tem o plano de saúde do emprego lá.

Aí quando ela acorda, quando ela volta, de todos os procedimentos que ela fez, inclusive tinha lá endoscopia, colonoscopia, um monte de coisa assim. Aí ela vê a conta que ela vai ter que pagar, e ela quer matar o amigo dela, porque ela já não tinha mais direito ao plano de saúde. E tipo, mano, isso é muito uma coisa vida real, porque a gente, por exemplo, eu agora no momento, eu estou sem plano de saúde, eu cancelei meu plano de saúde recentemente, porque eu achava muito ruim o que eu tava usando.

Só que daí agora eu tô sem nenhum plano de saúde. Então, assim, ou acontecer alguma coisa, eu vou pro SUS, né? Ou eu tenho que pagar particular. Então, assim, é muito vida real realmente isso, né? E também o último ponto dessa série é que alguém precisa escolher entre pagar uma conta ou resolver um problema pessoal. Então, eles meio que fazem roleta russa do que que eles vão resolver, do que que eles vão pagar. E querendo ou não, resolver um problema pessoal sempre vem antes de pagar uma conta, né? É.

nada é extremo, mas tudo pesa isso é o mais desconfortável não tem um grande evento dramático é só soma de dificuldades constantes porque a vida é um drama de todo mundo, gente pelo menos a minha é, não sei a de vocês sim, é então, e a série também trabalha muito bem o aspecto emocional dessa fase adulta que é a sensação de estar atrasado na vida, nossa eu tenho muito isso gente, muito isso, e muitas coisas sim, eu também sim, eu também

A comparação com outras pessoas. Sim, também tenho. Dou cheque nessa aí também. A frustração profissional também tenho. Tenho, tipo, vários cheques, né? Também dou cheque nessa aí. E aquela insegurança silenciosa de eu deveria estar melhor do que eu estou. Principalmente pela idade, né, que a gente tem. Sim, também.

Ah, isso que eu ia falar, gente. 32 anos a gente vai fazer, né? E eu ainda tenho aquela sensação de que nossa, não conquistei nada, não fiz nada na minha vida. O que eu fiz? E tem um ponto muito importante. Ninguém ali sabe o que tá fazendo. Eles estão tentando performar uma vida adulta, mas claramente ainda estão aprendendo, errando e improvisando. E eu também, aos 31 anos, ainda estou aprendendo. Ah, eu aos 31 anos ainda estou improvisando muita coisa. Não, também. Aprendendo, errando e improvisando.

O combo completo. Então, nessa série, Adults, tudo é provisório, né? Os empregos, os relacionamentos, a casa, as decisões, tudo. E talvez o mais honesto da série seja isso, né? A vida adulta não começa pronta, ela vai sendo improvisada. É o nosso dia a dia. E, gente, não assisti essa série, Laura, mas assim, depois de saber mais, eu lembro de você comentando, você já indicou, né? Aqui no podcast, acho que fez um post ou reels.

Eu preciso assistir. Onde que ela tá? É da Disney? Disney Plus? Na verdade, ela é da... Não sei se é da Star, da Hulu, mas tá dentro da Disney. Ah, então aí, ó, gente, tá no Disney Plus, todo mundo assistindo em versão contemporânea de Friends, gente, que não tem como não falar, né, trazendo um contraponto aí, que é quase obrigatório, nesse bate-papo aqui, nesse episódio, que é a série Friends. Porque Friends foi, durante muito tempo, um modelo de vida adulta que a cultura pop vendeu pra gente.

É, então, a série acompanha seis amigos em Nova York, lidando com carreiras, relacionamentos e principalmente a independência. Só que tudo é construído de uma forma muito confortável. Então, tipo, Friends, ela é uma realidade que a gente, tipo assim, é um perrengue que eu gostaria muito de passar, aquele perrengue que eles passam, entendeu?

Porque é muito legal a vida deles, mesmo eles passando perrengues. Mesmo eles tendo que trabalhar. Mesmo eles tendo, sabe? Tipo assim, agora em adulto, gente, na série do adulto. É tipo assim, eles... Tudo bem, eles estão ali também morando entre os amigos. É tipo como seus friends, sabe? Eles estão morando junto com os amigos. Só que tipo assim, eles brigam. Eles se chateiam com os outros, sabe? Tipo assim, mano, é muita coisa...

muita coisa mais pesada, sabe, tipo assim, entre aspas, que acontece, do que Friends. Friends é muito gostosinha, muito confort, sério, sabe? Tipo, mesmo você só assistindo, mas você queria muito estar ali junto. Só que tudo isso é construído de uma forma, né, muito confortável. Eles têm tempo pra estar juntos o tempo inteiro. Então eles sempre estão lá, tipo, tudo, é engraçado, tudo termina no café no final da tarde, né? Nossa, é lindo, maravilhoso.

Os problemas financeiros existem, mas nunca são realmente críticos. Os conflitos se resolvem rápido e existe uma sensação constante de estabilidade. Então mesmo quando eles estão perdidos, existe uma rede de apoio muito sólida. Isso cria uma fantasia muito específica. A ideia de que a vida adulta é difícil, mas no fundo funciona. Só que quando você olha isso hoje, principalmente comparando com séries como Good Girls ou como adulto...

Fica muito claro que essa representação não se sustenta mais. Sim, gente, a realidade atual é outra. Porque Friends era lá nos anos 90, né? Agora a gente tá aqui nos anos 2020. Se passaram 31 anos. Então a realidade atual é diferente daquela época. O aluguel hoje em dia é inviável. Os empregos são instáveis. A pressão financeira é constante.

E existe muito atraso em marcos tradicionais da vida adulta. Tipo, casamento, ter filho. Então, hoje em dia, a galera... Tem gente que tem, tem gente que tem, né? Mas, assim, é mais difícil, hoje em dia, construir uma família, entendeu? Pela questão financeira. É.

E aí Friends vira quase que um retrato de outra época, né? Que nem a Ju falou. Não é que esteja errado, mas é uma versão muito mais leve, quase aspiracional da vida adulta, né? Uma coisa que, assim, a gente até... Que nem eu falo. A gente queria ter a vida que eu queria ter.

É, a gente queria muito ter. E essa questão, gente, de aluguel inviável, empregos instáveis, isso daí a gente pensava antes também em grandes cidades, né? Capital, assim, que nem a gente que mora em São Paulo. Mas aqui no interior de São Paulo também, a gente mora numa cidade pequenininha. E mesmo assim, o aluguel tá inviável, tá inviável você comprar um apartamento aqui na nossa cidade. Então, assim, até em cidades de interior, tá? Tipo, inviável você ser adulto.

E bom, a gente aí tem também um outro tipo de pressão na vida adulta que não tem a ver com faltar dinheiro. Tem a ver com nunca ser suficiente. E é aí que entra Marte Supreme. É, então, muitas pessoas pensam que não, né? Que Marte Supreme não ia entrar nesse tema. Mas ele entra muito até, porque a história acompanha o Marte, né? Um rapaz obcecado por se tornar o melhor.

E ao longo do caminho, tudo vira secundário. As relações, a saúde mental, o equilíbrio. Porque o foco dele vira um só, né? O resultado e conseguir tudo. É, porque quem assistiu o filme sabe, né? Ele tem problemas financeiros? Ele tem. Mas assim, você vê com... Ai, às vezes eu fico chocada, Laura, como tem pessoas, assim, de vida real mesmo, que ganham dinheiro tão fácil. Né? E você pensa assim, putz... São esses influencers da vida, assim.

se fosse eu não ia reclamar mas enquanto eu não sou influencer eu vou reclamar de influência porque eles me irritam creators e influencers né eles acham que são os donos de tudo que eles podem fazer tudo e eu fico Nossa sério eu fico com muita raiva que você estuda para caramba para ganhar um salário Ok que te mantém mas assim passando perrengue enquanto eles

Só falam de filme e séries, que é meu sonho. Falar o dia inteiro disso, fazer conteúdo só disso. E fazem publicidade e ganham, tipo, muito mais que meu salário com dois posts. Ou com reels. Sério, Deus. Quando? Quando vai chegar nossa vez, minha vez? Quando vai chegar? Quando que a gente... Netflix, quando que você vai contratar a gente pra falar da nova série? Ah, HBO Prime Video, a gente tá aqui. A gente tá esperando. Bom, e uma menção aqui, antes da gente finalizar. É a terceira temporada de Euphoria, que tá indo ao ar, né? Todos os...

domingos, a gente tá agora no terceiro episódio, é uma série que caiu muito, né, a qualidade agora na terceira temporada e que se a gente fosse falar das duas primeiras temporadas, elas não encaixariam aqui nesse tema, porque até então eles ainda não eram adultos, né, eles já estavam na escola apesar deles fazerem algumas coisas, né, alguns vendiam drogas outros faziam também esse negócio do OnlyFans e tal, pra ganhar dinheiro, mas eles eram menor de idade, então tipo, era uma coisa muito errada que acontecia

Só que a gente tem um salto temporal agora na terceira temporada muito grande. E eles se encaixam muito bem nesse tema, porque agora, depois desse salto temporal, eles viraram adultos. E eles estão com crise financeira. Alguns aí começam a se envolver ainda mais com essa questão de venda de drogas para poder pagar contas e dívidas que acabaram entrando. Outros fazem OnlyFans também, ou também outras coisas um pouco mais pesadas do que OnlyFans.

Então, acho que a terceira temporada, ela entra certinho nesse tema que a gente tá conversando. E para pensar que nenhum deles teve uma carreira, né? Assim, tipo assim, de sucesso. Todos eles caíram na drogas, caíram nesse negócio de vender o corpo online, né? Imagens, vídeos.

Gente, o roteirista e o diretor, né, não gosta, né? Eu acho de dar um futuro, assim, pros personagens dele. Porque se vocês estão assistindo, né, já dá pra perceber que a qualidade foi de 10 pra 0, né? Assim, de uma temporada. A segunda já tava qualidade 5, né?

Aí agora a terceira qualidade zero. Eu só assisto, né? Porque, né? Estou tentando ser influencer, né? E creator. Então tem que estar por dentro das séries. Mas assim, sério, Laura, na minha opinião, nem Zandaya deixa aquilo lá legal. Nem ela sustenta ali a série pra mim de tão ruim que tá esse roteiro. Coitada dela, sinto pena. Acho que ela fez assim... Puts, que raiva ter que fazer esse negócio aqui porque é contratual, né? Enfim, tem que fazer. Porque sério, tá muito ruim, gente. O que aconteceu?

É, eu acho que ela... Eu acho que, tipo, também nem ela sustenta mais essa temporada. Porque ela não queria estar lá, né? Naquela temporada. Não, e a cara dela, da personagem dela, tá estampado na cara dela. Tipo, eu não quero estar aqui. É, então. Daí fica meio complicado mesmo sustentar. Eu acho que, tipo, tá muita polêmica envolvendo essa série. Os atores da série, o diretor da série. Até trilha sonora da série. Então, assim, é realmente nenhum daqueles... Eu acho que, tipo assim, é uma realidade que... Gente, tipo assim...

Sei lá, é uma realidade muito fora da casinha, sabe? Todo mundo que tá envolvido ter virado drogado, sabe? Tipo assim, não tem um que se salvou. É muito difícil acontecer isso. É, sabe, deu a volta, né? É, é muito irreal tudo aquilo que acontece agora na última temporada. Mas é uma série aí que, como a gente já assistiu as duas primeiras, eu vou continuar, vou terminar. Mas também tá bem sofrido terminar essa última temporada. Eu faço isso só pela Zendaya e pela...

Eu sempre esqueço o nome dela, mas a... A Hunter. A Hunter, é. Mais pelas duas, que eu gosto muito das duas atrizes. Mas, realmente, essa série é uma vida adulta, gente. Que, tipo, assim, não tem nada a ver com essas outras séries, esses outros filmes que a gente falou aqui até então, sabe? É uma série muito fora da casinha. E esse, gente, foi o máximo de terror que a Laura comentou aqui nesse podcast.

que são, né, a vida adulta, que são os boletos então é o máximo que vocês vão ouvir da Laura deve ter alguns, né, episódios de Halloween que a gente comentou de alguns filminhos, né slasher, que você gosta assim, mas acho que o maior terror, terror mesmo, que você já comentou aqui no podcast, foi esse acho que se algum dia, gente, sei lá alguma, não sei, alguém me pagar assim, pra eu assistir um filme de terror, mas que eu vá com um monte de gente que eu gosto talvez eu assista um filme de terror pesado, mas não sei também porque realmente eu sou muito muito cagona 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구 구

mas é isso, qual que é o terror da vida adulta pra você que está aí do outro lado ouvindo a gente, conta aqui pra gente se faltou alguma série, se faltou algum filme que você acha que retrata muito bem sobre esses perrengues de vida adulta e sobre essas coisas que a gente faz pra conseguir pagar conta, que nem a gente estava conversando sobre esse tema com o Kenji, o Kenji falou muito sobre também aqui

todo mundo odeia o Cris, que tipo assim, não entra completamente nesse tema, mas que sim, o pai do Cris tem dois empregos pra poder, né, dois ou três empregos pra poder pagar todas as contas da família. Então, se você tem alguma indicação, deixa aqui embaixo nos comentários ou lá no nosso Instagram, arroba salaprecisapodcast. Pega o que tenham gostado desse episódio e já sabem, né, até o próximo. Tchau, tchau, pessoal.