Encontro de Segunda | Pedro Thompson, CEO e co-fundador da Tuesday Capital
Neste episódio, o Encontro de Segunda recebe Pedro Thompson, CEO e co-fundador da Tuesday Capital. Com passagens por grandes empresas como Deloitte, BTG Pactual, Estácio e Exame, ele conta sobre sua trajetória até a decisão de se tornar um gestor de investimentos.
Além dos âncoras Stephanie Tondo e William Passos, a conversa contou ainda com a participação especial de sua mãe, Andréia, e de seu filho, Pedro Henrique, de 8 anos.
"Eu sempre fui muito generalista, para absolutamente tudo. E acho que até nesse sentido entre arte e vida executiva, eu sou bem generalista também", diz Pedro sobre o que o levou a construir uma carreira tão diversa.
Sobre a filosofia de investimentos da Tuesday, o CEO explica que a casa é avessa a modismos: "A gente é muito avessa a hype. É muito menos o número, mas muito mais a narrativa: o número é uma foto, mas a narrativa é história do passado e principalmente o que é o futuro."
O Encontro de Segunda é uma parceria do Startups com o Canal21, apoiado pelo Instituto 12 e pela Zoox Smart Data.
O projeto nasce com a proposta de dar voz ao empreendedorismo com identidade carioca, integrando conteúdo ao vivo, experiência presencial e conexões de valor.
Durante o encontro, o entrevistado também recebe no estúdio convidados que fizeram parte da sua trajetória, tornando a experiência mais dinâmica e interativa.
Stephanie Tondo
William Passos
Andréia
Pedro Henrique
Pedro Thompson
- Tuesday Capital: Filosofia de InvestimentoAversão a Hype·Narrativa vs. Número·Private Equity·Club Deals·Bridgewise·WDC·Fidic (Crédito Estruturado)
- Cenário Econômico Brasileiro· EconomiaJuros Altos e Renda Fixa·Deseducação Financeira·Assimetria de Renda·Criptomoedas e Day Trade·Burocracia e Complexidade Regulatória
- Trajetória Profissional de Pedro ThompsonDeloitte·BTG Pactual·Estácio·Exames e diagnósticos·PDG Realty·Liar
- Empreendedorismo vs. Carreira CorporativaMaturidade e Autoconfiança·Alinhamento de Valores e Convictções·Complementaridade de Sócios (Yin e Yang)·Banco Modal·O Ímpeto do Jovem Empreendedor
- Educação e Criatividade na FormaçãoImportância da Leitura e Cinema·Flexibilidade e Empatia·Diferenciar Opinião de Fato·Carreira e Formação·Harvard
- O Ecossistema Carioca e o Potencial do Rio de JaneiroFuga de Capital e Deterioração Política·Segurança Pública e Milícias·Turismo e Grandes Eventos·Capital Intelectual e Universidades·Cultura Carioca (Praia, Diversidade)
- O Papel da Sorte e do MéritoBill Gates·Carreira na Deloitte·Humildade e Empatia
- Jornalismo e Mídia· SociedadeMonetização de Conteúdo·Financial Times·Palavras cruzadas do New York Times e IA·Crise do Jornalismo e Mídia·IA e o Futuro do Conteúdo
E esse Pedro aqui, a gente chama de Pedro mesmo ou tem algum apelido?
Pedro Henrique.
Pedro Henrique.
Quantos anos você tem, Pedro Henrique?
8. 8? Você já sabe o que você vai ser quando crescer?
Jogador de futebol.
Jogador de futebol?
Eu não consigo, eu não me adaptei ao final de semana em São Paulo, sabia?
Ah, mas é difícil mesmo. Dos amigos que eu tenho morando lá, eles sentem falta disso, de estar ao ar livre, né, ir pra praia.
Tem, tem. Ele tem um viés, eu não tô falando isso de maneira bairrista não, tá, de verdade, mas ele tem um viés um pouco, sabe aquele Truman Show que você vê as pessoas no trabalho, vê nos horários de almoço e no final de semana você vai ver ou na casa de campo, pô, sei lá, na Baronesa, na Fazenda Boa Vista, ou no restaurante que você vai sair com a tua família. Então dá um pouco, eu gosto desse local mais assim aleatório barra bucólico do Rio que você sai andando e E o Klebinho, a gente chamou para o meu aniversário, que foi aquele churrasco lá em casa, se lembra?
Ele foi? Ele não foi. Ele teve que— acho que ele teve alguma coisa com o filho dele, não foi.
Tá comprovado, né? Por que que tem que ter uma família no estúdio, né? Você chamou minha avó, deu duplo clique.
Você chamou minha mãe, deu duplo clique.
Deu duplo clique.
Deu duplo clique total.
E eu e Stephanie hoje vamos entrevistar e conversar com Pedro Thompson, que aí é uma fera, um cara que foi CEO de um monte de empresa, empresa listada, e a gente vai citar cada uma delas aqui, Pedro, sem aquela história, ah, não quero exibir muito. Não é para exibir essa conversa, é para que a gente possa te conhecer profundamente, né? E que mais recentemente começou a empreender, empreender com uma base no Rio, embora passe boa parte da semana em São Paulo.
A gestora que o Pedro montou chama Tuesday, queremos saber a razão do nome, né? Essa história de criar uma empresa E você poder escolher o nome talvez seja a primeira vez, né? O Pedro foi CEO da Exame, uma das maiores publicações de negócios do Brasil, talvez a maior. E vai contar também de outras empresas que ele foi CEO, nada mais nada menos que presidente. Recentemente foi fazer um curso de MBA com 3 das maiores universidades do Brasil.
Então esses rótulos todos você tem. E agora vai estar batizando uma empresa, batizando uma gestora, dizendo de tese de investimento, a Stephanie do do Portal Startups é especialista nisso. Então a gente vai ter uma hora, uma hora e 15 para conversar lá embaixo. As pessoas assistem essa conversa num ambiente também descontraído da library do Instituto 12, com uma cerveja disponível, porque é para a gente ficar um tempo com energia para poder ter um pouco de paciência para o encontro, que pode parecer demorado, mas às vezes é a demora que faz passar rápido, né?
Passa rápido, faz conversar mais.
Psicologicamente, parece que eu tive, é, pô, a gente vai ficar aqui horas, maravilhoso.
Que bom, que bom. Então vamos começar do começo, eu gosto de começar na ordem cronológica. Você se formou em quê?
Me formei em administração, certo? Ingressei na PUC do Rio de Janeiro em 2002. Até muito engraçado que eu morava literalmente em frente à faculdade, então eu era habitué ali do Pires, das vilas ali da PUC, etc. Etc. Foi uma vida muito bacana universitária, mas eu dei muita sorte, Stephanie, que eu, no meu segundo mês de aula na PUC, eu passei como trainee numa época, não, já era Big Four, na Deloitte. E aí, pô, já desde o primeiro dia de faculdade, assim, do primeiro dia não, mas o primeiro período de faculdade já comecei com emprego.
E super sorte assim, não imaginava nunca passar. E aí Comecei minha jornada ali, sabe, nesse universo corporativo, universo corporativo.
Mas como sua mãe tava comentando, sempre teve esse lado criativo meio aflorado.
Sempre, sempre. É engraçado isso. Eu, eu, a gente tem um estereótipo, né, que o mundo de negócios, etc., tem aquela coisa mais formal, linha de produção rotineira, etc. E os meus desafios, eu não sei se é por mim ou Se for uma coisa aí quase que uma sincronicidade junguiana, sempre foi meio caótico no bom sentido, sabe? Eu nunca tive rotina, eu sempre foram os projetos assim os mais diferentes possíveis. Então nesse ponto eu dei muita sorte, acho que o destino foi muito grato aí em relação à variedade do repertório que eu consegui pegar ao longo aí dessa jornada corporativa.
E aí depois da Deloitte?
Fui Deloitte, aí depois eu fui para o Private Equity do Pactual. Na época o banco ele tinha sido vendido para os suíços do UBS, foi a primeira vez que o banco tinha sido vendido. E o capital proprietário dos sócios na época ele ficava, foi criado um veículo chamado PCP, Pactual Capital Partners, e dentro desse veículo tinha diversas linhas de investimento, investimentos em equities líquidos, investimentos que na época não era nem Private Equity, era ilíquidos, Que aí você tinha Private Equity propriamente dito, muita coisa em energia, que na época era a Semar, que hoje veio a ser a Equatorial, que foi um super caso de sucesso.
Tinha algumas coisas de venture dentro desse fundo e tinha também uma área de real estate, que aí foi para onde eu fui. Pô, super jovem na época, tinha 22 anos. E acabou que—
Mas muito jovem, né?
Não, pô, super sorte. Fiquei 3 anos e meio na Deloitte, aí depois fui para essa área de real estate dentro da PCP. E foi muito legal que na época, era final de 2006, meados de 2006, o mercado de capitais no Brasil tava muito pujante. O Brasil tinha sido recém-descoberto como um mercado emergente, de certa forma seguro naquela época, etc. Era um país que você tinha uma agenda social bacana, mas que por outro lado, pô, tinha uma agenda econômica super ascendente.
Então você tinha muito capital de fora E a nossa área de real estate nessa época, que ficava no partnership do Pactual, dos sócios do Pactual, eram investimentos em canteiros de obra. Basicamente, tinha tanto projetos para renda, mas a maioria era incorporações imobiliárias. O Pactual entrava dando funding desses projetos e sendo um sócio ali financista barra capitalista, e sempre com outro sócio operador. E o negócio começou a crescer muito, muito, muito, muito, muito, muito.
E acabou que na época a gente tomou uma, a gente tomou uma decisão que foi uma decisão super vanguardista, que a gente decidiu fazer um spin-off desses projetos, envelopar esses projetos numa nova companhia, digamos assim, e listar essa companhia em bolsa. Que aí nasceu a PDG Realty, e eu desci para operar PDG Realty, e foi case de sucesso e fracasso. Foi listada na B3, foi listada na B3, ela chegou, ela chegou, já era Bovespa, ela chegou a ser uma das maiores empresas de valor de mercado do Brasil, chegou a ser a maior incorporadora de valor de mercado do mundo.
Então, e hoje a empresa acho que entrou em RJ, etc. Eu saí bem antes, mas assim, foi um case muito grande de ascendência e pô, término, entendeu? Mas teve muita lição aprendida.
Desculpa, quando você sai para operar, já tinha esse nome de diretor-geral e CEO nessa época?
Não, eu entrei como faz tudo assim. Eu fiz um job rotation na PDG de altíssima categoria. Obviamente eu sou um animal assim mais financista, então meu background sempre foi finanças, mas lá eu rodei todas as áreas da empresa, pô. Relações com investidores, é a parte de planejamento estratégico, fusões e aquisições, tesouraria, controladoria, que eu via muito. Até algumas partes ali de operações também. Fiquei na PDG durante 5 anos operando a companhia, era todo um time.
Saí como diretor da companhia, diretor financeiro, mas foi uma experiência muito legal. Você formou? Me formei, me formei. Não, imagina, me formei em administração e contabilidade. Eu tinha uma demanda desde a época de Deloitte e tal, e acaba que contábeis, sempre quando você vai para uma empresa, etc., tem que ter um responsável técnico e tal. Até agora na Na gestora, a gente teve que passar por N certificações na CVM e tal. Então eu vi, pô, cara, contábil é um negócio também que eu quero já tirar da frente, que mal ou bem eu já tenho ali um CRC e tô apto a trabalhar com isso.
Então, mas foi uma experiência super legal a da PDG. Aí saí da PDG, voltei para Private Equity, aí voltei para o Private Equity do BTG. O banco já tinha toda essa nova roupagem do André Esteves, etc., e fiquei no Private Equity do BTG de 2000, e aí fiquei mais 4 anos. Aí depois fui para Estácio, e na Estácio mais quase 4 anos também. E foi muito legal trabalhar com educação.
E aí depois foi para Exame?
Depois para Exame, saí da Estácio, volto para o BTG para operar. Na verdade, a gente tinha uma ideia de abrir uma vertical de mídia dentro do BTG. Num primeiro momento era para fazer aquisição de cliente para o varejo, pro banco de varejo do BTG, mas a gente viu, a gente fez muita pesquisa e a gente viu que a marca da Exame tinha muita autoridade. Era uma marca assim, é difícil você ver uma marca com tanta credibilidade como a Exame tinha.
E ali a gente viu que tinha uma oportunidade imensa de montar um business de educação. E a gente começou com cursos livres, depois MBA, e hoje, pô, o pessoal tá voando baixo lá, já tem uma faculdade própria e etc. Pô, ficou um trabalho super bacana. Ela continua com o portal de notícias, Num primeiro momento era para fazer aquisição de clientes, você colocar ali de certa forma um conteúdo mais direcionado a finanças, a trading, e acabar para engajar novos correntistas, digamos assim, do BTG Pactual Varejo.
Mas no final, a unidade de negócio de educação, dada a autoridade da marca, deu super certo. E de lá fui para a Liar, que é uma empresa de saúde, uma holding de clínicas de saúde, mais diagnóstico por imagem. Fiquei também praticamente 3 anos. Antes de ir para a Tuesday.
Eu queria voltar um pouquinho na Insider, porque a gente é da área aqui de mídia, então acho que temos um interesse pessoal mais forte.
Eu adoro mídia também.
E aí te perguntar como é que você vê esse mercado, porque a gente brinca que jornalismo não dá dinheiro, né? Em geral é difícil achar ali um modelo de negócio que dê certo. E quando a gente vê as empresas jornalísticas, tem sempre algum negócio Brasil Paralelo para conseguir financiar o jornalismo, que é um pouco o que aconteceu com a Exame, com esse braço de educação, né? Você acha que é possível encontrar um modelo de negócios rentável? Sua mãe falou que você é bom em monetizar as coisas.
Muito bom. Eu tenho uma visão um pouco diferente, tá? E tendo operado a Exame, eu acho, não é autoridade, mas eu posso contribuir de certa forma. Realmente o mundo hoje é diferente, tá? O mundo é diferente em em diversos cenários. A nossa geração é a primeira geração que a gente está naquela era de Alexandria, né? Porque assim, o mundo sempre foi uma escassez de informação, né? E quem conseguia arbitrar a oferta e demanda de informação se dava super bem.
Hoje mudou. Hoje a gente tem muito mais informação disponível do que a nossa capacidade de processar essa informação. Mas quando você olha, eu tenho uma crença, e essa crença é embasada por números, O bom jornalismo, a boa notícia, ele vai sempre existir. A gente tava falando aqui antes de— ah, não sei se pegou, tomara que tenha pegado, e vai ser um privilégio falar sobre isso. Eu adoro conteúdo, e boa parte dos conteúdos que eu leio são conteúdos pagos.
Por exemplo, a gente tá falando Financial Times. Bom, Financial Times é a Nikkei, né, que é uma empresa japonesa. Pô, tá no all-time high de valor. Pô, New York Times tá no all-time high de valor.
Então assim, eu acho que consegue viver só de assinatura, né?
Totalmente, totalmente, totalmente. Assinatura e da palavra cruzada também, mas é um super canal de monetização. Então eu acho que assim, por mais que a gente esteja nessa área que hoje tem mais informação disponível do que a nossa capacidade de assimilar toda informação disponível, eu acho que o bom jornalismo ele vai sempre existir.
Mas quem paga pelo bom jornalismo não é uma elite pequena?
Olha, você tá certíssima, tá? Eu acho que sim, mas eu acho que mesmo assim essa elite pequena vai cada vez pagar mais e vai estar mais engajada, tá? E para mim isso daí, pô, reflexo total no valuation das empresas. E mídia muito estratégico, você vê, por exemplo, Estados Unidos. Estados Unidos você tem uma mídia lá que transcende a parte financeira, que virou quase que uma política de Estado, né? Você tem a CNN super democrata, você tem a Fox News lá com o Murdoch super republicano, e o negócio virou muito mais que mídia, né? Virou quase não, virou de fato inteira e manda ali de política, de tudo.
Não existe essa pretensão de ser imparcial, né?
Não existe, não existe, não existe, não existe. Eu acho isso daí maravilhoso.
E como é que a gente tava falando dessa questão de pagar e tudo? E eu lembro quando surgiu o jornalismo popular aqui no Rio, Jornal Meia Hora, não sei se vocês lembram.
Aliás, as manchetes são as mais melhores.
E ele surgiu um pouco partindo desse princípio de que pagar por informação era sinal de status e de que por que não tornar esse status acessível para quem não podia pagar muito, né? Mas hoje o que eu vejo aí é uma percepção totalmente pessoal, que eu não sei se é verdade ou não, é de que tem tanta informação, como você falou, online, que as pessoas não têm mais o hábito de pagar ou não é mais um símbolo de status assim. Como que você transforma isso num símbolo de status de novo, assim?
Eu acho que ainda vai sempre existir a demanda, de verdade. Eu até, eu tava lendo, até uma preocupação que eu tenho com meu filho em relação à tela. Tava lendo uma matéria super interessante no New York Times que o, eu não me lembro quem era o cronista, que ele falava que hoje em dia as crianças elas podem virar aquele goldfish, aquele peixinho de aquário, porque a janela de assimilação do do peixinho de aquário é entre 5 e 8 segundos.
E o TikTok, se você pega ali a duração do conteúdo, é mais ou menos por aí. Mas eu de fato acho que o bom jornalismo, bom conteúdo, independente se ele é pago, não pago, se ele é monetizado via anunciante, se ele é monetizado via subscription, ele vai sempre existir, de verdade.
Bom, esperança aí para frente.
Enfim, opinião Sim, legal.
E Pedro Henrique, gosta de ler jornal? Já leu? Já pegou um jornal impresso de papel ou não? Já pegou? Vocês assinam jornal?
Eu assino vários, mas impresso não, mas no tablet eu assino vários, vários. Eu acho que eu assino, eu, a minha conta, eu devo ter mais de 20 periódicos.
Nossa, e Pedro Henrique tem esse costume de ler também livrinho.
Eu já li um livro que chama Homem-Cão.
Homem-Cão, como que é a história?
É um policial.
Ele é um policial?
Eu já li um, o 12.
E o Pedro Henrique tem 8 anos, hein?
Só um parênteses aqui, e aí também jogando um pouco de sardinha para minha brasa, um dos maiores entendedores de Beatles. É incrível, ele agora tá numa fase que ele não gosta mais, mas foi outrora um dos maiores entendedores de Beatles que já habitaram o planeta Terra.
Quer dizer, André tava contando que tem esse espírito meio roqueiro assim, a música faz parte da família?
Então assim, os meus pais vieram, eles casaram em 60, né, e começaram a ter muito filho um atrás do outro. Então era assim, minha mãe criando muito filho, meu pai trabalhando, era geólogo, então ele ficava muito tempo na Amazônia, era tipo Indiana Jones mesmo, sempre Foi ali com o martelinho e o chapéu. E assim, eu acho que na minha família eu era a que tinha, vamos dizer assim, um... Por isso que eu falo da criatividade. Eu comecei a ver filme muito cedo, sessão da tarde, eu chegava do colégio, isso em 65, 66.
Eu adorava os musicais. E aí a minha mãe também gostava. Então a música começou a fazer parte através do cinema. E aí depois veio o rock and roll no final dos 60, que eu peguei porque o meu irmão mais velho já ouvia a galera do rock. E aí eu, muito metida, ficava assim atrás da porta ouvindo as reuniões que ele dava para os amigos. Então eu acho que a música fez muito parte, porque aquilo que eu falo, que eu lamento um pouquinho, tanto a música te faz sonhar Como um livro te faz sonhar, como um jornal te faz sonhar, porque você tem ali uma história, mas quem vai elaborar na sua percepção é você.
Você quando lê Jorge Amado ou qualquer, todo mundo tem a sua Gabriela, que às vezes não é aquela Gabriela, né, da novela, mas então eu acho que isso é um tempo que foi muito fecundo na criatividade e a música tinha sempre uma trilha sonora. Eu fui adolescente dos anos 70, final de 60 eu já era até um pouco precoce por causa do meu irmão. Então tudo tinha uma trilha sonora. Aí quando a primeira vez que eu vi Led Zeppelin, eu falei, cara, fiquei louca, eu achei o máximo, sabe?
Então eu acho que essa questão, o Pedro também novinho, a gente participava. Eu me separei do pai dele muito cedo, fiquei 20 anos solteira. Ai, que delícia! E aí ele costuma dizer que eu sempre fui. Não, foi delicioso. Nossa Senhora, não tem como não amar esse chocolate também. Não, não, eu recomendo uma fase da vida você ficar, sabe? Mas era verdade. Então, como era eu e ele, às vezes a gente fala, né? Às vezes tem, a gente faz uma assim sessões.
Eu sou muito psicanalizada, ele também é. Às vezes a gente junta, ele fala, mamãe, vai participar Você topa participar da minha? Eu falei, topo. Aí eu falo, Pedro, você topa?
Aí a gente já chegou à conclusão... Aí a gente participa da sessão de outro aí?
De vez em quando, tem vezes que eu preciso de uma prova real, sabe? Eu falo, pô, acho que eu tô com viés aqui, porque eu, porra, mãe, então...
E aí eu cheguei à conclusão que a gente tinha uma relação, obviamente, mas era uma coisa também de irmã mais velha, sabe?
Você foi mãe com quantos anos?
Eu fui com 22, mas 22 naquela época não sabia nada.
Não, mas até hoje, né?
É assim, era muito jovem, né? Meu pai era superprotetor, aquilo tudo. Então eu acho que o Pedro, a gente tinha esse viés, ele pequeno, ele adorava cinema desde muito pequeno, adorava. E ele sempre foi muito maduro para a idade dele, assim, nesse sentido. E aí nós ganhamos um livrinho que a gente brincava o seguinte, para ver, adivinhar o nome do filme, lembra, filho? Era um catálogo, né? Era um catálogo dos 100 melhores filmes.
Mil filmes, cara.
Aí eu dava uma dica e ele tinha que matar qual era o filme. A música, eu botei ele pequeno para ver Blade Runner, que eu sempre achei uma obra-prima, o primeiro. Eu falei, filho, veja que você vai amar aquela trilha sonora deslumbrante. Então eu acho que essa questão É assim, da alma roqueira, de achar que isso era importante. E eu via que ele era uma criança de muita responsabilidade, sabe? Já desde pequeno também.
Isso dá uma aliviada, né?
Dava uma aliviada, cara. No Natal, por isso que eu falo que ele sabe monetizar, teve uma coisa assim que eu adoro contar. Ele tinha uns 7 anos, aí eu fui comprar, eu ainda tava ganhando pouco, voltei pra minha casa dos meus pais, mas meu pai de cara falou, bom, você vai voltar, mas você vai escolher uma conta pra pagar aqui, você não vem de graça não. Pô, tudo bem. Aí vamos para Loja Americana comprar o presente dele. Aí ele escolheu um boneco, não sei o quê.
Aí ele tá na fila, eu tô na fila com ele para pagar. Ele olha: nossa, mãe, que boneco caro! Não vou ficar com isso não, é muito caro, é muito caro. E foi lá trocar o boneco. Menina, as pessoas na fila ficavam assim: ele tá achando caro e não quer o boneco?
Posso conversar com meu filho aqui?
Não, quase isso. E eu acho que Você vê, olha o raciocínio, olha que interessante o raciocínio que ele já tava pensando em monetizar. Pô, eu posso pegar o mais barato, claro, e para minha mãe eu sei que ela paga isso, aquilo. Então era uma responsabilidade um pouco exacerbada. E eu falava, não, não, mamãe pode pagar. Não, não, tá muito caro. E foi lá e trocou e voltou para fila. Então eu tinha necessidade de dar esses inputs, sabe, mais música, Música, essas coisas a gente curtia muito desde pequeno.
Só um parênteses também, que ele não pôde estar aqui. Meu pai, ele também, acho que ele, ele é bem responsável pela minha cultura musical. Eu adoro música brasileira e muito música brasileira assim anos 70, sabe? E pô, eu cresci com meu pai escutando muito Tim Maia, Jorge Ben. Então acho que a minha cultura musical eu sou bem adepto isso aí das influências do meu pai.
Ele aderiu bem.
E a gente tava falando dessa questão de educação, né, de ter que ensinar os filhos, enfim, hoje em dia educação financeira. Mas e esse tipo de educação, né, essa parte da criatividade?
Dá para ver que vocês gostam também de filosofia, de canário, de tudo, cinema, surrealismo, arte. Isso é muito legal. E é engraçado, meu filho Pedro Henrique, ele tem um canal muito aberto para museu. E você se lembra, filho, que a gente foi naquele museu do Prado lá em Madrid, que tinha aquele, aquela gravura do deus Cronos comendo os filhos? Você ficou super impactado também. Aquela do São Jorge matando o dragão, que o papai até comprou o quadrinho que botou do lado da cama, se lembra?
Aquele quadrinho que tá do lado de onde o papai dorme, que é um cara num cavalo matando dragão. Ele tem um canal super aberto para arte, para museu, e eu super tento influenciar ele nisso, acho muito legal.
E como que isso impactou na sua carreira assim? Como que você acha que isso, ter essa visão abrangente de mundo, ajudou você a se tornar o executivo motivo que você é?
Pô, legal. Essa pergunta, ela é muito densa. É engraçado que eu tava outro dia conversando com uns amigos, tá? A gente tava conversando assim, o que são predicados barra qualidades para alguém ser bem-sucedido? Obviamente, o fator sorte, ele é desproporcional, né? Lato sensu. Mas a gente ficou elucubrando e a gente chegou à conclusão que são 3 questões. Eu diria que a primeira é você ter uma flexibilidade para resolução de problemas.
A segunda, empatia. Independente de estar certo ou errado, você conseguir ter olhos que não sejam os seus. E a terceira, e eu tento trabalhar isso muito com Pedro Henrique, é você diferenciar diferenciar, você conseguir diferenciar o que é opinião, o que é fato. E eu acho que essa parte da criatividade em específico, para você ter um repertório vasto ali para solução de problemas, ela é muito importante, sabe? Que acaba que invariavelmente você vai ter que ter recursos que não necessariamente vão estar ali na tua cara, ou não vão ser uma rotina, ou não vai ser um playbook, um processo, um sistema, um size, etc., entendeu?
Quando a gente fala de pensar fora da caixa, é um pouco isso.
Totalmente, totalmente, totalmente.
E eu queria só dar uma palavrinha aqui, o Pedro, e eu fiz uma carta, uma vez me pediram na Exame para eu fazer uma cartinha para ele, que eles estavam fazendo uma festinha de boas-vindas para ele na Exame. E eu acho que uma das coisas de maior virtude no meu filho é humildade. Tô falando como clichê não, né, que hoje é uma palavra que todo mundo, ah, mas eu acho que ele é profundamente empático e humilde dentro dessa cabeça tão genial que pipoca tanta coisa. Eu acho que isso—
Vou pagar os royalties.
Não, não, mas é, cara, é o ser dele, porque antes do profissional tem o ser, quem é, né, aquele ser que vem anterior, né. Então eu acho que isso, ele encanta muito. As pessoas. E assim, funcionários assim de todas as ordens de graus de relevância, os mais simplórios, amam ele. Então isso que para mim é o meu verdadeiro orgulho, porque eu tenho pavor e jamais suportaria, até no meu ciclo de amizades, ter alguém vencendo bem-sucedido e que fosse tão insensível e tão distante da qualidade do ser humano, né?
Daquilo que você esquece qual é a razão, a situação social, cultural, mas tem uma coisa ali que você é o vínculo e ele faz isso muito bem, naturalmente.
Então eu acho que você falou que foi mãe aos 22, eu já tinha te perguntado a idade do Dom são 42. Então a gente acabou descobrindo a tua idade, mas os 42 anos do Pedro acabaram sendo 42 anos desse sucesso mesmo. CEO muito cedo. E você falou de sorte aqui, e quando você falou que foi para Deloitte, você fala, pô, foi sorte, no começo da PUC ali eu já fui para Deloitte. E esse fator sorte, a gente vê já estudos, né? Por exemplo, uma coisa bem clichê, mas que o Google foi o terceiro buscador, sendo que vários outros estavam fora do timing, talvez fora daquele momento de sorte.
E você explorou isso com amigos, já falou que dividiu opinião de fatos. Você é um cara que quando dá uma opinião você baseia demais em fatos. Por que você bota esse aspecto sorte, que você falou obviamente é o principal, como com a afirmação de que é tão preponderante nessa história do sucesso e da realização?
Eu acho que de fato, eu acho que é uma combinação de coisas, tá? Mas assim, você tá certo, a sorte ela existe, mas é muito importante você dar para sorte o mérito da sorte, né? Aí é o, por exemplo, o Bill Gates, né? O Bill Gates, ele, o cara fundou a Microsoft, acho que ele foi durante anos o cara mais, enfim, eu acho que se provavelmente eu consegui ter mais patrimônio, recurso que meu pai, foi muito em função do legado da Microsoft, de pô, otimizar a economia, etc.
Mas assim, porque ele é o Bill Gates, foram dois fatores. Um que foi a sorte. O high school que ele estudava tinha uma— a mãe de um colega dele tinha perdido o marido e ela ganhou um super seguro de vida do marido, que ele morreu de uma maneira precoce. Na época ela comprou aqueles macroprocessadores, acho que da IBM, custava sei lá não sei quantos mil dólares. E só tinham 3 nos Estados Unidos, e um ela doou para escola, e doou justamente no ano que o Bill Gates ele tava tendo ali, pô, discernimento e etc., para começar a rodar.
Então, cara, isso é um fator sorte. Mas outra coisa que ninguém fala dele, pô, o pai dele era um baita advogado de M&A nos Estados Unidos. O cara era assim uma sumidade. Então, pô, imagina a qualidade do, da conversa, tá?
Inspirava.
Pois é, então eu acho que é sempre essa combinação, sabe? Tem, tem eventos que acontecem na tua vida. O da Deloitte, por exemplo, pô, foi um. Eu me lembro que assim, eu tava na, eu tava na casa do meu pai, tava conversando com ele e tal no domingo. E pô, aquela época tudo era jornal impresso, internet ainda, pô, era 2002. E a minha madrasta viu, pô, Pedro, olha que legal, um anúncio aqui no jornal para um negócio de trenis. Aqui de uma empresa de consultoria, auditoria e tal, não sei o quê.
Pô, acho que você tá aí começando faculdade agora, de repente faz sentido. Pô, eu peguei os dados, mandei as coisas, acho que por carta e tal, e acabei sendo chamado. Então eu acho que assim, é muito— a sorte existe e é muito importante você colocar o lugar dela nas coisas, sabe? Você conseguir dar o mérito da sorte.
Eu queria dar só um parênteses nessa questão da Deloitte. Olha a humildade que ele não deixa ele falar. É sorte, mas nem tanto. Na época, essa função, né, de trainee, você tinha que ter, tinha que ter já se graduado. Ele não tinha, tava no início da PUC. E eu lembro quando ele fez a entrevista com Bill, esse executivo da Deloitte, o Bill, quando ele falou mãe, A gente fez uma entrevista super boa e tal, ele me perguntou muito sobre a minha vida, porque viu que ele tava no segundo período, terceiro período só da PUC?
Primeiro.
Primeiro período. Nossa! Quando ele falou os livros que ele lia, e foi uma entrevista que o Bill ficou assim bem encantado com ele, por isso que eu falo, volto mais uma vez, com a pessoa que ele era. Com aquele jovem interessante que não tinha experiência, tava no segundo período, mas cujo talento vinha muito de uma percepção muito interessante que ele tinha ali de uma forma precoce. E uma das razões que ele entrou foi isso, era o único que não era formado.
E o próprio fato dele no primeiro, segundo período ter aplicado para esse tipo de vaga, porque no primeiro período você quer saber o quê? De tomar cerveja, de entender o que é faculdade, né?
Foi, e ali ele começou a trabalhar de terno, gravata, e a digitar CSN.
É engraçado, o pessoal tem horror ao centro, eu adorava o centro do Rio. Nossa, adoro o centro, adoro. Pô, tem, adoro.
E ele dizia que todo trainee, isso eu nunca esqueço, ele falava que era o apelido deles, eram pica-pau, né? Porque toda hora eles faziam assim para perguntar: e aí, o que que é isso?
O que que é aquilo?
Engraçado perguntar uma coisa que a geração Z não faz mais, né?
Não faz, não faz.
Completamente pessoal.
Você vê isso então?
Não é uma coisa que todo mundo faz? Total, total, total.
Adorei, acho que é bom vocês não perguntam.
Mas é por quê isso? É um senso de que eles sabem tudo ou é uma vergonha?
Eu acho que é rede social barra busca. Eu acho que é mais uma digitalização digitalização da tecnologia.
Pergunta para o Google, né?
Pergunta.
E aí a gente— desculpa, essa época você tinha 22 anos?
Não, 22 você formou, né?
Não, no primeiro semestre da PUC você tinha 18 para 19. E você gostava de ir para o centro e já tinha esse clima de não querer ir para o centro naquela época do Rio?
Já tinha, já tinha. Me lembro que assim, essas empresas de consultoria você é muito alocado em clientes, né? E acaba que, pô, o pessoal adorava quando eu para clientes assim mais para Zona Sul, Barra. Adorava ir para o centro, adorava.
E por quê?
O centro é um lugar super cosmopolita, você tem música, você tem museu. Pô, me lembro que tinha aquele museu ali do Paço Imperial, que era até muito perto onde eu trabalhava. Pô, tinha um bistrô ali super gostoso e volta e meia tinha exposição. O centro hoje em dia acho que não mais. Eu confesso que outro dia até fui naquela Rua do Senado, que eu achei maravilhosa, mas perdeu muito, né? Mas eu gostava dessa, entre aspas, bagunça que era o centro, sabe?
Esse lugar tão cosmopolita. Hoje, pô, vejo aqui pelo Leblon, vejo na própria Faria Lima lá em São Paulo, que é perto da onde fica o nosso escritório lá, e de fato as coisas são menos caóticas, sabe? Eu gostava daquela vida mais caótica do centro.
Desculpa, Andréia.
Não, não, mas assim, o que eu percebia quando eu conversava com ele, que ele tem também, ele via o centro dentro de uma percepção dele de uma licença poética. Já não era mais aquilo, mas não Sabe aquele, aquela coisa que você bota, o óculos virtual que hoje ele tinha esse óculos. Então quando você tem esse óculos, mesmo diante talvez de um lugar mais decadente, você ainda vê beleza, você vê aquilo que foi e você se motiva por uma visão que é só sua e que não era mais isso que ele falou, não era, já era, né, filho? Já tinha passado.
Hoje o centro tá degradado, mas Mas quem botar esse óculos vai conseguir ver isso também. Consegue, consegue ver. Porque quando você tinha 18, 19 anos, 20 e tantos anos atrás, o centro já tava degradado, a galera só queria ir pra Zona Sul. E você via isso no centro.
E ele via.
Tem jeito de ver que é. E aí a gente vai chegar no teu escritório de São Paulo, da Faria Lima.
Legal.
Vai chegar na Tuesday. Mas eu queria explorar um pouco mais dessa história que tua mãe falou, de que talvez na entrevista pra Deloitte O Bill, que não era o Bill Gates, mas era o Bill.
Era o Bill.
Bill Ballantine, pô, cabeça Bill.
Era o Bill.
Ele viu em você um jovem diferente. Você falou que teu pai é o Vietnã, a tua mãe é uma mulher criativa que trabalhou na TV Globo como figurinista e depois—
Não, é gestora da caracterização.
Gestora da caracterização.
Que não tinha nem nome, porque era meu primeiro cargo, não tinha nome. Eu falava, gente, que nome sou eu assim, né? O crachá não tinha.
E Pedro Henrique hoje aqui com 8 anos de idade nesse estúdio nosso fazendo uma coisa moderna, que é gravar um videocast, não sei o quê. Esse cara de 19 anos tem a história. Por que que você acha que era diferente ali e que o Bill da Deloitte viu isso? Você morava na Gávea, podia ter— como é que era?
Eu acho que teve, eu acho que teve uma agenda assim de engraçado, foi, eu nunca tinha parado para pensar, mas acho que foi uma questão de repertório, sabe? Eu sempre fui um cara, pô, adorava ler, sempre li de absolutamente tudo, tudo, tudo, adorava ler. Sempre fui um cara muito também do cinema, puta, adorava cinema como um todo. Eu acho que teve essa questão no papo com ele de repertório, sabe? Era um perfil, eu não diria que era um perfil diferente, mas eu sempre fui um cara muito generalista, e muito generalista para absolutamente tudo.
E acho que até nesse sentido, entre, pô, arte, vida executiva, etc., eu sou bem generalista também. Então acho que ele gostou ali do papo, desse repertório que eu dei. Pô, me lembro que a gente falou de cinema, a gente falou de arte, foi até bacana.
E aí a gente, William tava comentando da questão da educação, né, dos cursos. Como é que é?
Eu agora tô numa pegada bem, eu Eu fiquei durante anos assim com uma agenda de academia, né, muito até em função de trabalho mesmo, pouco, como é que eu posso falar para vocês, em segundo plano, mas agora decidi retomar. Então eu fiz um curso em Harvard super legal chamado OPM, que ele é um curso executivo, ele não tem diplomação ali técnica, etc., mas é um curso só para ou fundador de empresa ou CEO de empresa. OPM, Owners and Presidents Management.
Muito legal, que você fica 3 semanas por ano durante 3 anos. E acabou que eu na época tava na estácia, eu não consegui fazer minha última perna. E agora eu tô fazendo um mestrado, que é um mestrado que são, é um triunvirato de 3 faculdades, que é a NYU de Nova York, Estados Unidos, a LSE, London School of Economics, e a HEC de Paris. E é bacana porque cada faculdade dessa tem uma ilha de excelência, digamos assim. A NYU muito na parte de finanças corporativas, até com Damodaran, etc., e ele que basicamente puxa o curso ali da parte de finanças corporativas.
A London School of Economics muito a parte de macroeconomia, porque é fantástico o que os caras fazem lá de pesquisa, dados, etc. E a HEC, ela é muito boa em finanças, mas ela É a faculdade, digamos assim, a França ela tem um diferencial muito grande de marca, né, de marca ali mais para parte de alto luxo, etc., com Hermès, todo mundo. E especificamente a LVMH, o Arnault Bernard, o dono e CEO, ele é um dos maiores mantenedores da HEC.
E a HEC ela é uma super faculdade de branding barra marketing. Então é bacana que mestrado, ele consegue reunir 3 ângulos assim super diferentes, sabe? Ele é itinerante. A cada 3 meses eu tenho que passar 3 semanas em algum lugar do mundo. Tô no meio dele, vou me formar em fevereiro do ano que vem. Nossa, parece super interessante, super legal. E é engraçado, eu tinha relegado durante muito tempo academia, e agora, a partir desse mestrado, eu tenho um plano.
Não é aposentadoria, vai, mas eu penso em fazer um PhD beirando 50, após 50. Já tem mais ou menos assim, ou vai ser filosofia ou vai ser mais na parte de macroeconomia.
É bom que é bem parecido, né?
Ou filosofia, mas eu penso fazer pesquisa aplicada, sabe?
Mas seria alguma coisa integrando filosofia e economia?
Seria, com certeza seria, falando da da qualidade das instituições através de traços culturais, através de vieses de economia comportamental. Com certeza seria sobre isso. Parte religiosa também, que molda muita gente, né?
Agora você vai ter que dissertar mais sobre religião.
Tem um peso muito grande, né? Você pega, por exemplo, na economia, na forma que a gente lida com dinheiro, né? Você pega pelo Você pega os países latinos, o peso que foi dado à igreja, né, em relação a Portugal, Espanha, toda América do Sul, invariavelmente isso também, o clero, a burocratização do Estado começou ali, né. E nos países ali nórdicos, etc., não, porque, pô, foi Henrique V que, enfim, o cara quis se divorciar, não podia.
Aí ele teve que criar a Igreja Anglicana e criou uma igreja muito mais leve. E aí era uma igreja, digamos assim, muito menos culpa, com menos burocracia, com menos imposto, que não era imposto, né, era o dízimo. Então assim, isso é história, né, social, não adianta.
Mas você acha que existe isso nos países latinos, essa questão da culpa de ter dinheiro?
Culpa, burocracia, totalmente. Tem um lado muito legal que eu acho que os países latinos, a gente é muito menos impessoal. E eu acho que, pô, cara, calor humano é fundamental. Eu tento até levar isso para o meu dia a dia, no meu escritório, com as minhas pessoas, etc. Eu não gosto daquele negócio de just business, cara. Não é just business aqui, é, porra, tem um ser humano por trás, que tem um contexto, que tem uma história, que tem uma família.
Não é just business. E eu acho que o latino nesse ponto ele é muito caloroso, mas tem um ponto da burocracia, da culpa, do imposto, etc., que eu acho que é demais, sabe? E acaba que invariavelmente isso foi moldando a nossa cultura, né?
Tem uma discussão que tá rolando agora, principalmente na Europa, né, que é do quanto que o europeu realmente— porque existe uma cultura lá muito de aproveitar a vida, né, de trabalhar menos horas, enfim. Sexta-feira é comum ter o meio período ali, ali, mas que agora eles estão querendo correr atrás desse crescimento econômico, de depender menos dos Estados Unidos e de outros países, até na questão tecnológica e tal. E como equilibrar isso, né, essa qualidade de vida que a Europa, esse bem-estar social e tudo, com esse crescimento econômico? Como que você vê isso desse ponto de vista?
O europeu, ele é bem idiossincrático, né, nesse sentido. Eles, pô, a gente tava até falando que eu moro em Portugal, etc., o europeu ele é bem fora da caixa assim. Eu acho que eles têm um lado social muito bacana do welfare ali, de ajudar e etc., mas eu acho que o europeu ele peca um pouco às vezes por convicções que não necessariamente são fundamentadas, sabe? Eu sinto que em muitos lugares da Europa um pouco mais de visão empírica, números, fatos, dados, seria melhor.
E acho que isso daí agora, pô, os caras têm que correr atrás. Eles ali fizeram aquele Green Pact, que foi uma cagada, ficaram dependentes da Rússia em relação à matriz energética. E isso daí acabou que impactou na OTAN, que os caras não puderam tomar decisão na guerra da Ucrânia. A Rússia se aproveitando disso, porra, foi com tudo porque sabia que os caras iam ficar reféns. Então eu acho que a Europa, assim, eu acho que é um lugar de muita cultura, eu acho que é um lugar de, pô, tem uma educação, uma cátedra educacional maravilhosas.
Faculdades na Europa, pô, é outro nível assim, de fato. Mas eu acho que a Europa, ela tem algumas convicções que transcendem o lado empírico ali do número, etc., que, pô, estou começando a revisitar isso agora.
E essas tradições, elas vêm, essas convicções, elas vêm do quê assim? É da história mesmo, né?
Pelo menos assim, do mundo conhecido. Sentido durante a vida inteira. É engraçado que agora no mês de abril eu passei em Paris, e o parisiense, ele é duro, né? Assim, difícil o parisiense. E a sensação que eu tenho usando esse micromundo de Paris expandindo para Europa, pô, de certa forma a guerra lá do capitalismo entre a Primeira Guerra e o imperialismo A Inglaterra ganhou da França. E a sensação que eu tenho é que os franceses até hoje não caiu a ficha.
Porra, cara, a gente perdeu essa guerra, a gente tem que correr atrás, entendeu? Eu acho que o europeu como um todo é um pouco por aí, sabe? Pô, mas calma aí, eu descobri a América. Pô, beleza, mas isso foi em 1500, cara. A gente tá passando, querido, entendeu? Então acho, pô, mas a religião católica vem daqui, Roma. Pô, legal, mas cara, e aí? Então acho que tem um pouco disso, sabe?
Sabe?
Mas eu adoro a Europa, só para deixar claro.
Não, todos adoramos, mas é isso, né?
Tem essa idiossincrasia, sabe?
Sim.
Andréia, eu ia te propor fazer uma pergunta para o Pedro e não um comentário.
Ah, interessante, gostei. Meu filho, você tem uma resistência, talvez— já tô no comentário, então deixa eu ir direto para pergunta. O terceiro setor setor, ele vem sempre com um lado humanitário muito grande e que às vezes a questão de rentabilizar o terceiro setor é uma coisa meio complicada, né? Parece que tem um contrassenso aí, mas ao mesmo tempo, o que que você teria dentro da sua cabeça tão genial de colocar, é mãe, de colocar dentro do terceiro setor alguma coisa que pudesse ser monetizada e ao mesmo tempo também ser altamente necessária.
Eu tenho uma visão política um pouco diferente. Eu acho que assim, Eu sou a favor do Estado ser o menor possível, mas o Estado ser muito eficiente em 3 coisas, tá? E sinceramente, essas 3 coisas eu não sei se é ele se apropriando 100% e fazendo a gestão, se é ele abrindo 100%, ou se é um híbrido, que eu acho que é o modelo que eu mais gosto, e apenas regulando. Que é o Estado ser mínimo, deixar tudo na iniciativa privada, mas Segurança, educação e saúde são um negócio assim, estado da arte em relação à regulação, sabe?
E o terceiro setor é um pouco enchendo o buraco disso?
Então, eu acho que assim, quando a gente fala de terceiro setor, pra mim é deixar o Estado, pô, quase que invisível, sabe? Ele se autorregular. Mas esses três pilares específicos você tem uma overregulação. Essa visão que eu tenho.
Mas eu achei curioso o André perguntar do terceiro setor. É porque vocês são envolvidos assim com essa área?
Não, eu não sou envolvida, mas eu acho assim, eu tenho alguns filhos de amigos que são dessa área, sabe? Algumas ONGs, algumas coisas bem interessantes. E eu acho que talvez para o Pedro, que já passou por tantas esferas e tanta área educação, saúde, contabilidade, aquilo. Eu, eu talvez com desejo de mãe, porque o mundo tá muito carente disso, porque muita não é só responsabilidade do governo. Eu acho que nós podemos, né, cada um, né, ter essa corresponsabilidade.
E aí eu sempre quis assim que ele tivesse, que sempre fiz, não, eu sempre imaginei ele um pouco nesse viés, mas também com foco assim, mas eu sei que é difícil, não é uma coisa fácil de você, porque ninguém entra para uma coisa absolutamente filantrópica, é a coisa de rentabilizar.
Ah, mas aí o governo ele só vai gerar impacto social se diminuir. É difícil isso.
É difícil, né?
É muito grande o governo aqui no Brasil.
As ONGs, né?
Eu sou fã de ONG. Muito grande nesse sentido.
Você acha que não deixa, né?
Não é que não deixa, você compete, é muito difícil.
Entendi.
Você tá falando em termos de fundações e de alguma forma aí piora, né?
Porque aí tá abrindo mão de imposto e estrangula, né? Porque a questão do imposto, pô, a gente tem a carga tributária, sei lá, acho que a terceira maior do mundo.
Nos Estados Unidos funciona.
O que que sobra para você investir, entendeu? No terceiro setor, para ir para ONG. Eu acho que é um nó, infelizmente é um nó tão grande, sabe? E aí também falando a parte de heranças latinas religiosas, etc., o nosso estado é muito grande, então a gente também adquiriu o hábito de sempre culpar o estado, sabe? É até legal, isso era uma, é uma cultura no BTG que eu acho maravilhosa, que a gente lá sempre falava o seguinte: empresa ruim depende do estado para sobreviver.
Empresa boa não. Eu acho que é mais ou menos por aí também, sabe? Acho que parte desse tamanho gigante que a política tem na nossa vida é muito também a gente que dá, né?
Legal. E aí a gente podia falar um pouco da sua nova empreitada. Então você comentou que você tem esse espírito agnóstico, né, de olhar para várias coisas ao mesmo tempo.
Legal.
E agora essa sua Tuesday Capital. É uma firma de— começou como family office?
Era um family office meu e do meu sócio e a gente decidiu institucionalizar e hoje a gente já é, sei lá, já tá liderando 250, 300 milhões de recursos sobre gestão nossa e pretende crescer mais.
E foi mais para um lado de private equity?
Foi para um lado de private equity, Stephanie. Na verdade, como é que a Tuesday surgiu. Já conhecia meu sócio há bastante tempo, Dato, e até se não fosse ele não teria Tuesday. O Dato sempre teve essa ideia na cabeça, ele é um cara, pô, é engraçado isso, acho que é o Warren Buffett que fala que o atalho para você empreender é você ter um bom sócio, e pô, isso é fundamental. Ele lá com Charlie Munger, obviamente numa escala É muito mais humilde, pô, eu consegui achar o meu Warren Buffett, o Charlie Munger, que é o Dato.
E a gente já se conhecia bastante tempo de mercado, ele muito mais na parte de análise financeira e eu muito mais na parte de operações. A gente começou a olhar alguns investimentos juntos, pessoa física, para fazer. A gente fez um primeiro investimento que foi basicamente um cheque grande, mas foi, a gente trouxe outras famílias para compor o cheque com a gente. Que é uma empresa que ela começou em Israel e hoje ela tá nos Estados Unidos, que ela se chama Bridgewise.
É uma empresa que ela usa um LLM próprio de AI para fazer recomendação de investimentos para varejo, para pessoas físicas. Pô, uma empresa que já tá mais presente em mais de 20 países, maior mercado dela é Japão. Pô, por uma questão totalmente fora da caixa, chegou uma oportunidade de investir nessa empresa A gente fez o primeiro investimento, agora fez um segundo. A nossa gestora detém 15% da companhia, já uma companhia global.
A gente acha que primeiro semestre do ano que vem, se o mercado continuar aquecido, tem uma boa razoabilidade da gente conseguir listá-la lá fora nos Estados Unidos. E o segundo investimento que a gente fez foi um investimento numa empresa brasileira chamada WDC. É uma empresa pública aqui listada em bolsa, né, pública no sentido de listado em bolsa. O nosso fundo comprou 15% da companhia e é uma companhia que ela aluga e vende hardware de infraestrutura para empresas de tecnologia.
Torre de 5G privativa, câmera inteligente de monitoramento de tráfego em rodovias, toda essa parte de hardware mais sofisticado, painel de media home inteligente, é um superpotencial de crescimento. E a gente é uma empresa listada, então a gente comprou em bolsa 15% dela. Eu tô no conselho da companhia e tal. Então a Tuesday, ela nasce como— a gente é completamente agnóstico em relação a setor, apesar dos dois setores que a gente desenvolveu ter como core tecnologia.
Mas ela nasce sempre assim, oportunidades que a gente vê uma simetria grande do valor que a gente tá entrando para o valor que ela efetivamente valha ou venha a valer, e a gente tendo uma agenda para destravar esse valor.
Então é potencial, vocês calculam matematicamente ou é uma coisa de percepção, ou os dois?
Os dois, os dois, tanto inferências assim como matemático. Mas eu diria que a Tuesday a gente é muito menos do número, não que a gente não acredite no número, muito pelo contrário, Pô, a gente é altamente empírico, mas a gente é muito mais da narrativa, entendeu? Que o número é uma foto, mas a narrativa, pô, história, história do passado e principalmente que é o futuro. E a gente tentar aí antecipar esse futuro e ver aonde esse valor vai sair, entendeu?
E aí entra o lado da criatividade que a gente tava conversando, né?
Tá tudo ligado.
Exatamente.
E a capacidade de destravar é isso, né? De potencializar a história e usar a tua a tua vida de mercado para destravar aquilo no Brasil e outros mercados. E aí vamos falar mais de empreender, mas antes, Pedro, você fez um mestrado agora de um triunvirato em 3 universidades, uma Nova York, uma em Londres, uma em Paris. Tava terminando esse OPM de Harvard que não tinha terminado porque tinha que trabalhar, né? Aquela CEO da Stasio na época, aquela confusão toda, aquela confusão, cara, interessante.
O mínimo na minha vida.
Pois é, maravilhoso. E a gente falou aqui já de idade, 42 anos é a idade premium para continuar executivo, totalmente, né? Não tem ainda etarismo de 55, 60, nada disso. Se tivesse uma oportunidade para executivo, você tinha que voltar novo com essa experiência toda, saindo de uma estrada, você tinha— como é que faz para querer empreender, botar o nome criar? Como é que foi filosoficamente essa análise, cara?
Pô, essa pergunta é muito boa. E essa pergunta, ela é muito mais, digamos assim, a resposta ela é muito mais freudiana do que uma resposta convencional. É, você vai tendo uma curva de maturidade barra autoconhecimento, né? E isso é legal da vida, você vai mudando. E pô, se Deus quiser, você vai mudando para melhor. E eu diria, cara, que por um lado, pô, eu fui conseguindo ficar cada vez mais capaz do ponto de vista de execução, do ponto de vista de planejamento, de foco, de ligar os pontos, de resolver problemas.
Mas por outro lado, eu fui ficando cada vez mais averso a engajar em coisas que eu não tivesse um alinhamento assim total. Sabe, quase que umbilical. E o mercado corporativo, ele é um mercado fascinante, mas ali entre você poder começar uma história, se não sua, mas com os ideais que você acredita, ou você, esse movimento de você se encaixar numa outra história, ele é muito bonito, mas ele é muito difícil. E eu acho que o bacana do empreendedorismo é esse: você ter suas ideias, você ter suas convicções fala, cara, eu vou tentar.
Eu, pô, tá aí o mercado, eu acredito, eu acredito nas pessoas, eu acredito no que eu tô construindo, eu vou tentar. Então eu acho que tem esse lado de, cara, você ter suas convicções e tentar, que é o empreender. Isso eu acho maravilhoso. E chegou numa hora que a maturidade bateu nesse sentido, sabe?
Principalmente não só maturidade, mas como autoconfiança, que não deve ser fácil é você ser um bicho corporativo, que a gente chama, né? É muita coisa que no final, aquilo que o Pedro falou é certíssimo, ele tem hoje um conhecimento que não tiram dele, mas qualquer faculdade, mestrado, doutorado, pós-doutorado, mas ao mesmo tempo, até quando você quer também enfrentar algumas situações que firam sua ética, que firam uma série de coisas, entendeu?
Então eu acho que ele chegou numa idade bacana de maturidade que ele tá em paz nisso. Ele, ele, o empreender é isso, é maturidade. Porque não é só, ah, se ele tivesse um pai rico, ó, toma aqui, vai empreender. Não, é muito mais a maturidade, é aquilo que você ao longo da sua vida no mercado corporativo. Ele aprendeu com muito mais vitória, vitórias, mas com muito sofrimento também, né, que faz parte do pacote. E chegar agora, querer ser um pouco dono da vida dele, sabe, empreendendo, acreditando filosoficamente numa linha que ele se sente bem. Porque tem uma série de variáveis que na no corporativo diferem muito, né?
Sim.
Mas veja, nesse ponto aí, voltando para o fator sorte, acho que eu dei muita sorte assim também, que eu trabalhei em lugares muito pródigos, muito legais, e pude aprender muito. Pô, por exemplo, a gente tá falando de resolução de problema, pô, cultura do BTG, cara, é o tempo todo pautado nisso, entendeu? De você ter que se virar ali rápido, de maneira assertiva. Tem uma cultura muito legal de a gente, como é que a gente brincava lá, que a gente falava que era cultura, ditadura do melhor argumento.
Então acho que assim, reunindo, fazendo aqui uma colagem de todos os lugares que eu trabalhei, pô, por que não tentar empreender, sabe? Já tem as ideias, já tem a convicção, pô, arrumei um, tive a sorte também de ser agraciado com um super sócio, pô, por que não?
Mas a maturidade fala bem, né?
A maturidade não começar esse negócio de zero.
Como é que foi a história do sócio? Conhece há muito tempo, mas e aí?
A gente se conheceu de uma maneira totalmente peculiar. O Dato, ele, história dele rapidinho, ele fez Chicago. Aí em Chicago ele ficou trabalhando com M&A, investindo fundos de private equity americanos que investiam em empresas aqui da América Latina. E depois ele resolveu vir para o Brasil e abriu Ele abriu, eu não diria que foi a primeira, mas foi a principal casa de research, de recomendação de investimentos independente, que foi a Eleven Financial.
Aí fez um processo competitivo, vendeu para o Banco Modal, ficou sendo um dos maiores sócios do Banco Modal, fez o IPO do banco, depois fez a venda do banco para XP. E a gente se conheceu de uma maneira muito engraçada. Eu tava na época recém-chegado na Stasi, e a Stasi teve uma uma oferta hostil da Croton, que na época era o maior player do setor de educação, uma super empresa. E eu me lembro que todo mundo era a favor dessa fusão e só 3 pessoas não eram a favor dessa fusão, que acreditavam que a Stasio ia ter— a Stasio tendo vida separada, né, própria, ia gerar muito mais valor para os seus acionistas.
Era eu, um acionista minoritário nosso que é uma pessoa fantástica, o Shaín Zaer, que é um super empreendedor de inovação e o dato via o meu sócio, via o research lá da Eleven. Ele fez uma, ele na época fez um super relatório falando isso, etc. Foi, e aí daí que a gente se conheceu e ficou amigo. E depois ele tocou, ele foi presidenciar de um single family office que investiu na Liar, e a gente ficou mais junto, etc. Puta, a gente foi ali afinando visão, crença, cultura, os mesmos valores e a gente decidiu fazer esse negócio juntos. Ele começou e depois eu me juntei.
E a gente tava falando de casamento antes, né? Mas a sociedade é meio que um casamento também. Como que você vê essa relação assim? Que que é preciso para você ter não só encontrar um bom sócio, mas manter esse bom sócio?
Engraçado que eu acho que é exatamente a mesma fórmula que você colocou do casamento, tá? E até já tendo a experiência de ter passado por dois casamentos também. Eu acho que é um yin e yang, mas esse yin e yang, ele é fluido, no sentido que tem algumas coisas que você tem que ter literalmente o mesmo nível de crenças, convicções e etc., e tem outras que você tem que ser diametralmente diferente para ter encaixe, entendeu? E a sociedade é isso.
Por exemplo, sou um cara muito mais ali de do micro. Pô, o Dato é um cara totalmente do macro, pô, de como é que tá o mercado agora, para onde ele vai, pô, o que que é juros, que que é curva futura. Então eu acho que é complementar. E por exemplo, assim, a gente até, porra, gosto, crenças, valores, visão de mundo, a gente tem muito parecido. Então eu acho que é justamente essa dança da onde você tem que ser muito conectado, quase que igual Alice e a Neize, da onde você tem que ser completamente diferente, complementar.
Quem que deu o nome, você ou ele?
Não, foi o Dato. Já tava, né?
Então explica o nome que eu esqueci de te explicar.
O nome Tuesday é o Tuesday na mitologia nórdica dos vikings, etc., é o deus da guerra. E pô, para empreender aqui faz todo sentido. Você colocar essa nomenclatura.
Eu achei que fosse alguma coisa relacionada ao dia da semana, sei lá, o dia que vocês criaram.
É o deus da guerra.
Legal, bacana, interessante, né? E aí, voltando um pouco nessa questão do William, então, você sente falta do mundo corporativo, de ser funcionário, ou não? Tá curtindo esse momento de—
de vez em quando eu sinto, tá? Eu confesso. Eu acho até que se a gente um dia investir numa empresa que que tenha demanda para eu descer e operar, pô, vou adorar.
Sério?
Esse sentido eu sinto um pouco de falta, sabe?
O que que você sente falta?
Ah, eu gosto daquele, pô, mobilizações, agenda, aqueles turnaround que você tem que pôr, tá no transatlântico ali, que você tem que pôr, transacionar o negócio, operação mesmo, operação, dia a dia, estresse, bateção de bumbo. Pô, eu adoro esse sentido. Então acho que um dia Se os mundos aí coincidirem, a gente tiver que investir numa empresa que demandar gestão, que, pô, graças a Deus os nossos dois investimentos hoje, pô, eles têm gestores de primeiríssima qualidade.
Mas se um dia demandar, eu vou voltar a botar a mão na graxa de novo. Mas tô gostando muito da parte de investimento, já trabalhei antes, enfim, tô gostando bastante.
Mas você quer dar uma saída?
Quer um banheiro?
Você vai lá com ele?
Pausa para comercial.
Atrás da cortina vermelha, talvez tem que pedir um microfone.
Tem essas coisas do ao vivo que fazem parte. Mas voltando, falando um pouco então da gestora, você seria então gestor mais hands-on? Dependendo da empresa, se chegasse uma empresa, né?
Se tivesse essa demanda, eventualmente eu desceria para operar.
Legal, bacana.
Ainda não teve, pô. A gente tá super satisfeito com o management das nossas duas empresas.
E estão indo para terceira que você tinha comentado?
A gente espera aí fechar, mas ainda tá na fase de diligência, etc.
Legal. E são quantos funcionários hoje?
Hoje na Tuesday a gente tem 12 funcionários.
12?
12. A gente também lançou uma vertical de Fidic. Parte de crédito estruturado, que já tem uma massa crítica bacana também.
Essa parte de crédito privado tá bombando, tá bombando.
A gente tem uma crença muito, pô, você pega mercados, não precisa ser nem tão evoluídos como Estados Unidos, mas minimamente evoluídos, a maior parte de crédito privado tá muito mais em fundos, gestores, entre parênteses varejo, do que em bancos. No Brasil, justamente ao contrário. E a gente, essa oportunidade também, a gente começou um FDIC aí. Acredito que nos próximos 2 meses a gente deve ter nessa iniciativa uns R$50 milhões under management, mas crescendo, sabe?
Vocês já têm então esse fundo estruturado?
A gente começou com uma debênture porque o fundo ainda tá em questão de aprovação, etc., mas já tem uma vertical, já tem uma equipe de 3 pessoas tocando, etc. E os investidores são só vocês, os LPs, ou Não, a gente tem de LPs hoje, são quase 100 LPs, tá? A maior parte é family office e multifamily office e algumas pessoas físicas também, mas num viés mais wealth barra private, que é produto mais sofisticado, né? Então para varejo fica mais difícil.
E como é que você vê o cenário? Porque a gente escuta de todo mundo, ah, os juros estão altos, então até as famílias mesmo só querem deixar em renda fixa. Como é que tá para vocês em termos de captação? E como que você, até como um family office também, né, como que você vê isso assim? O que que leva uma família a querer sair da renda fixa e ir para um—
Perfeito. Eu vejo, ô Stephanie, o seguinte, tá? No meu mundo, que é alternativos, o que que eu vejo é difícil, de fato tá muito difícil para para captar, tá dado, porque os juros estão nesse patamar, você tem uma certa, o mercado tá mais seco. Você não captar blind pool, que são fundos abertos e generalistas, muito difícil. Então assim, o que a gente faz é club deal, sempre assim, uma tese, uma tese que tem um determinado risco, mas que a gente tem um target ali de retorno.
E para isso a gente conseguiu encontrar demanda, tá? Para fundos assim monotese, fundo barra monoativos. Por exemplo, a empresa de hardware, a WDC, é um fundo só com essa tese. A empresa, a Bridgewise, que é a empresa lá de Israel que agora tá nos Estados Unidos, é um fundo só com essa tese. Fidic, outro. Então acho que fazer club deals, você conseguir segmentar os investimentos, fica mais fácil para captar. Mas a vida de fato com esses juros, a gente até soltou um relatório tem uns 2 meses que a gente entende que o patamar de juros hoje ele ter um prêmio aí do que seria razoável, de mais ou menos 3%.
E aí, o que que levou você como pessoa física, em vez de colocar o dinheiro na renda fixa e só ver ele render, decidir empreender?
E eu gosto de uma confusão, eu gosto de uma confusão. E de fato, o retorno que a gente vê ali é, a gente sabe que ele tá muito seguro das duas teses.
Entendi. Falta um pouco essa visão de longo prazo então, às vezes, para o brasileiro.
Completamente, completamente. Brasileiro é um bicho, infelizmente, que a gente ficou aí totalmente adestrado com a figura do rentista, né, de juros altos. Isso é muito perverso. A gente teve um período baixo de juros baixos, mas aqui no Brasil a gente ficou absolutamente acomodado como rentista. E de fato também mercado de capitais como um todo teve muita coisa boa para captar muita coisa também que não necessariamente estava na ordem, sabe, na hora.
É uma mistura então do hábito com o trauma também, né?
Totalmente.
E aí, partindo para o lado da filosofia que o William gosta também, filosoficamente, por que que o brasileiro é curtoprazista? É só isso ou tem alguma outra explicação?
Acho que são várias, ô Stephanie. Você tem a questão do, você tem a questão de décadas e décadas de inflação alta, né, que pô, ali o preço mudava completamente. Você tem infelizmente uma deseducação financeira, pô. Estados Unidos, se eu não me engano, é 55% da população investe em pelo menos uma ação. No Brasil esse número é abaixo de 5%. Você tem uma questão de assimetria de renda. Brasil tem muita renda, mas tem muita renda para poucas pessoas.
Você tem uma cultura do porque isso vai acabar, né, do Estado prover aposentadoria. E em países desenvolvidos não, você tem que fazer o teu pé de meia, você tem que fazer a tua aposentadoria. Então, pô, tem diversos aspectos aí sociais, históricos, etc., que contribuem para o brasileiro não ser um animal investidor.
Mas é interessante quando a gente olha, por exemplo, criptomoedas, e os brasileiros adoram, né?
Adoram. O brasileiro tem uns fetiches Day Trade, que pô, nem acredito em Day Trade, acho um negócio quase que místico, mitológico, whatever, mas o Brasil gosta, o brasileiro também tem essa questão do entre parênteses atalho, sabe?
Essa promessa do dinheiro rápido.
Mas o cripto não, né? O cripto de fato é uma ordem de ativo, você tem análise fundamentalista, você tem uma tese muito Uma tese muito palpável, consistente por trás.
Vocês pretendem olhar para esse universo de cripto?
Não, cripto não. Eu acho que assim, na camada de prestação de serviço, sim. Até de certa forma essa empresa de hardware, eles fazem alguns lockers para cripto, vendem alguns lockers para cripto, etc., mas assim, diretamente em cripto não. E é um assunto também que a gente não domina.
Então vocês são agnósticos, mas tem alguns assuntos que vocês preferem investir?
Tem, tem. E a gente gosta muito também de uma coisa que a gente olhou muito, mas ainda não fechou, que a gente chama de boring business. Empresa que tem aquele modelo de negócio, sabe, super conhecido de anos e anos e anos, etc., que por algum motivo tá com valor deslocado. Por exemplo, já bateu trave. A gente já bateu na trave em algumas. A gente já olhou duas junior mines aqui no Brasil, uma de potássio, outra de rare earths, que acabou que a gente viu que era um risco muito desproporcional ali em relação à parte de aprovação.
A gente não engajou. A gente olhou uma indústria petroquímica que fabrica a resina, que é o principal composto de escola, principalmente escola para painel de MDF. A gente olhou uma empresa de tubo de aço galvanizado para petróleo, construção civil. A gente gosta, a gente gosta, sabe, de coisas assim boring nesse sentido também. Mas acabou que a gente nunca conseguiu engajar nesses cases por N questões, seja diligência, seja que algum acionista na hora que o RH não queria vender, etc.
Mas a gente olha, pô, a gente é completamente agnóstico. Acho que esse é o grande barato da Tuzi, a gente olha literalmente tudo.
E aí o que te atrai nessas empresas é justamente a parte econômica por trás.
Totalmente. A gente é muito averso a hype, a gente tem muito medo de hype, sabe? Aquele, putz, cara, tá bombando marketplace, tá bombando isso aqui, por acaso a gente investiu nessa empresa de AI, mas foi uma questão muito sujeira. Eles que tinham, tinha um investidor que foi seeder da companhia logo no início dela, que ele era um fundo israelense, mas o passivo dele era todo no Catar. E teve a questão da guerra lá do 7 de setembro, e o dinheiro árabe, o que tinha alocado em empresa israelense, tirou.
E os caras tiveram que fazer um fire sale. A gente conseguiu compor rápido ali o cheque e nisso a gente comprou também um direito de preferência para se tivesse um outro round a gente ter um valuation ali mantido. E aí a gente honrou o direito de preferência e para a gente não sofrer arbitragem financeira. E por acaso ela é AI, enfim, é uma empresa que de fato você tem toda essa mística do AI, etc., mas a gente entrou no valor totalmente deslocado, que efetivamente é o valor aí para uma empresa que faz o que ela tá fazendo.
É, não, mas o IA tem o hype, óbvio, mas tem também o futuro, né, que não tem muito como fugir assim. Como que vocês olham para isso também assim? O que que, como diferenciar, né? Como que o investidor deve olhar para IA tentando separar o joio do trigo ali?
Olha, a gente olha muito a parte de aplicação, tá, que ficou um buzzword total, IA, né? Aí, por exemplo, pô, IA vai acabar com SaaS. A gente bateu na trave também numa empresa de SaaS. A gente definitivamente acha que a IA não vai acabar com SaaS. A gente acha que as empresas de software, obviamente, na hierarquia de valor, elas devem perder algum valor, mas vai continuar sendo usado, tá? E a gente acha, inclusive, que o IA, ele vai ser o que a gente chama do— tem o SaaS, né, o Software as a Service, e o IA, ele vai ser o que chamam de TAAS.
Que é o task as a service. Por exemplo, você quer ir com os agentes, você não vai mais, pô, vou comprar uma licença do Salesforce porque eu quero aumentar vendas. Não, você vai, ah, eu quero aumentar vendas, e se a tua IA ali entender que o Salesforce é uma ferramenta para tal, vai lá e vai mandar bala, entendeu? Então a gente vê muito mais uma visão de ecossistema do IA como um todo, do que o IA canibalizando e disruptando tudo.
Até porque existe hoje uma ideia de que a IA faz tudo, mas eu converso com várias pessoas que falam assim: não, mas tem coisas que a computação tradicional faz melhor, tem coisas que o SaaS faz melhor.
Então, SaaS, por exemplo, tem um custo de desmobilização muito grande. O cara fez aquilo durante, sei lá, 25 anos. Pô, você vai falar que agora o fechamento contábil do sujeito vai ser via um prompt de IA, que vai ter que uploadar um monte de coisa, etc. Não, entendeu?
Legal. E nesse momento de vida, então, eu imagino que a própria rotina tenha mudado, né, depois que você sai da vida executiva para vida empreendedora. Enfim, como é que tá esse?
Olha, é uma agenda muito mais dinâmica, com muito mais controle de certa forma, mas por outro lado também muito mais É muito menos instável, por mais paradoxal que isso possa parecer. Por exemplo, meu filho tá com 8 anos, consigo aí boa parte das segundas-feiras buscá-lo na aulinha de jiu-jitsu dele, que termina 4:30. Antes eu não conseguia na vida executiva, pô, ia ter alguma reunião, alguma coisa que eu não ia conseguir. Já consegui bloquear esse slot, entendeu?
Faço aqui segunda-feira as reuniões de casa, etc. Busco ele no jiu-jitsu, deixo na casa da mãe e vou para São Paulo. Então assim, eu acho que é um flexível caótico, mas é muito mais flexível nesse sentido. Eu me sinto com muito mais domínio da minha agenda, isso é legal para caramba.
A gente tava falando de você ter começado nessa vida executiva com 22 anos, e tem muitos founders hoje que vão empreender com 22 anos. Como que você Acho que sua mãe tava comentando isso, né? Ah, ele só é esse empreendedor que ele é hoje porque ele passou por toda essa trajetória executiva e tal. Como que você vê isso do founder que com 17, 18 anos nunca passou pelo mercado de trabalho, ele já vai empreender? Você acha que é possível ou ele tá perdendo alguma coisa?
Não, acho que é possível, pelo contrário. Eu acho, Stefano, que boa parte do sucesso de você empreender, o ímpeto, sabe, é você conseguir conseguir ter esse ímpeto, que isso vai te levar. E assim, obviamente é um jogo de tentativa e erro, pô, colossal. É um jogo de muita humildade, de você saber, pô, que a gente tava falando, dá o lugar correto para o que é sorte e para o que é mérito. Mas, pô, eu acho esse ímpeto maravilhoso. Quisera eu ter tido esse ímpeto antes, sabe?
Quisera mesmo.
Não, que era outro mundo, né? É, pô, era um, infelizmente, o mundo empreendedorismo há 24, 25 anos atrás era muito mais fechado, né?
Nem se falava muito sobre isso.
Não, pô, imagina, era primeiro teu sonho era ser um funcionário público super bem concursado e remunerado, depois era você trabalhar em alguma multinacional, aí o negócio foi aperfeiçoando.
Legal.
Uma, uma um olhar sobre a China assim. Você falou que na Tuesday vocês não querem muita coisa hypada. Você, quando escolheu o teu mestrado, foi lá Paris, Londres, Nova York, né? Nada de Singapura, nada de Tóquio. E como é que tá teu olhar sobre a China, cara?
Eu acho a China absolutamente fantástica, tá? Eu acho que é um país de dono, é efetivamente um país de dono. Não no sentido ruim, tá, Will, mas não é uma democracia. Ali quem manda é o partido e acabou, tá. É uma cultura para business, eu não diria que é fechada, mas ela é muito segregada do que é China e do que é fora China, tá. Mas eu acho assim, por exemplo, as empresas de hardware que a gente investe, os nossos produtos são basicamente todos chineses, 85% dos nossos produtos são chineses.
Pô, é tecnologia lá, é um fato. Eu, eu, o meu pai tem um BioID, tava até vendo no Financial Times, eles fizeram um, eles têm uma, acho que é quinzenal, uma sessão automotiva. Eles rodaram 300 km com BioID com Tesla equiparáveis, né? Pô, deu couro no Tesla com 300 km rodados. Então a China acho que é um negócio gigante que veio para ficar. Eu só acho que a China é mal interpretada e de maneira às vezes até pejorativa por nós ocidentais, tá?
A China é o país com mais história do mundo, não adianta, pô. Eu acho que é a primeira civilização aí que perdurou tudo e todos. A China tem algumas idiossincrasias, é verdade, mas assim, a China é o que eles falam, eles nunca escravizaram ninguém. E por mais que tem essa briga agora, eles sempre falam isso. O Xi Jinping, pô, ele fala, cara, calma aí, vocês falam, vocês falam aqui que aqui é comunismo, etc., tudo cabeça fechada, mas pô, eu nunca tive escravo, é um país de não sei quantos mil anos, e todas as brigas que eu tive eram territórios que eram meus, e quem anexou e escravizou a gente foram vocês.
Então assim, eu acho que tem uma certa resistência também de nós ocidentais a entender China, sabe? Mas é um lugar com muita história.
O que que você acha que o Brasil poderia aprender com a China?
Ah, eu acho que essa parte de intercâmbio de tecnologia a gente já tá aprendendo muita coisa. Você pega, por exemplo, infraestrutura Pô, infraestrutura, a parte de energia e etc., tudo é tecnologia chinesa. Até, pô, indústria automotiva aqui eles estão tomando de assalto, no bom sentido. Então acho que isso é uma herança positiva que a gente teve, né, do PT, de ter aberto o canal para a China. A China hoje em dia, sei lá, 40% da nossa balança comercial.
É, quando vier tarifação agora, a gente comeu uma rona.
Estados Unidos é 12. Então eu acho que tem uma má compreensão da China, sabe?
Mas você acha que existe a possibilidade, existiria a possibilidade do Brasil conseguir ter um ritmo de crescimento como a China teve?
Ou é uma coisa totalmente, totalmente, totalmente aqui? Infelizmente, aquele país do futuro que nunca chega, né? Mas a gente tem tudo. É engraçado, a impressão que eu tenho é o seguinte: se você virar para um marciano, um cara que, um cara que não conhece nada aqui do nosso planeta, e falar: pô, eu tenho um país que é o seguinte, ele territorialmente é o terceiro ou quarto maior país do mundo, ele tem a quinta maior população, ele tem a quinta maior população jovem do mundo, ele tem absolutamente todas as, todos os recursos naturais mais possíveis, dos quais 8 commodities ele é líder de produção isolado.
Ele não tem nada relacionado a risco ambiental, etc. O que que você acha desse país? Pô, esse país é o maior país do mundo, é, porra, é a maior nação que você, maior potência. Pois é, não é, fica 13ª, entendeu? Então é, enfim, aqui a gente tem potencial infinito.
Você acha que deu errado?
Acho que é, pô, Stephanie, você tem um bom ponto. Outro dia tava até um cara que eu admiro muito, que é o Daniel Goldberg, tava escutando ele falar sobre a nossa Constituição. Eu, a Constituição brasileira, a Constituição brasileira, ela que tem o maior, a maior, uma das maiores quantidades de leis possíveis. E aí você gera uma simetria muito grande porque você tem que ter pessoas que entendam da Constituição para para declamar sobre.
Essas pessoas que entendem da Constituição, dada a complexidade que é a Constituição, você acaba fazendo uma simetria de valor, porque o cara que é um super acadêmico, que cobra caro para caramba a hora, e aí desbalança tudo, entendeu? A gente aqui tem um Estado, uma burocracia muito grande. Estado é muito grande no Brasil.
Você acha que o problema é mais esse então, uma complexidade regulatória, É uma complexidade regulatória e política imensa, imensa, imensa, imensa.
Eu fico vendo os Estados Unidos, obviamente, infelizmente, nos dias de hoje, os Estados Unidos, ele ficou um lugar muito politizado, né? Mas assim, pô, você vai para os Estados Unidos, os Estados Unidos assim, o pessoal quer saber trabalho, dólar. No Brasil não, no Brasil é o Estado, é a política, entendeu?
Então acho que a política aqui infelizmente ocupa um espaço muito Fica difícil de entrar, fica difícil.
E aí é um emaranhado de coisas, principalmente por esse nosso arcabouço jurídico aí maluco.
Legal.
E então, voltando para gestora, vocês estão buscando empresas não no estado early, num lugar já mais, já tem alguma massa crítica, e que por alguma questão a gente vê um valor que pouca gente tá vendo, entendeu? A gente tem uma agenda para destravar esse valor.
E a perspectiva é investir em quantas empresas mais até o final do ano, nos próximos anos?
A gente espera até final do ano fazer mais 2 deals grandes, sabe, duplicar o tamanho dela.
E vocês olham aqui para as empresas do Rio também com carinho especial por ser do Rio?
Eu sou mega bairrista, eu amo Rio de Janeiro, enfim, adoro isso aqui, é 100%. Se a gente puder dar um peso bairrista para empresas do Rio, certamente a gente vai dar.
Porque um pouco do objetivo, um pouco não, né, totalmente o objetivo do podcast foi esse também, né, jogar um pouco de luz sobre as empresas cariocas assim. E aí, como que vocês veem o ecossistema carioca? Por que que as pessoas têm que ir para São Paulo para fazer negócio? Por que que as pessoas não conseguem?
Aqui fugiu muito capital, né? Eu acho que o Rio de Janeiro, infelizmente, aí nos últimos anos teve uma agenda política aí que deteriorou demais, né? Principalmente no nível de estado. Acho que a prefeitura aqui, ela até corre bem e tal, organizada, etc. Mas o estado do Rio de Janeiro como um todo ficou um lugar inseguro, ficou um lugar com violência, essa questão de milícia, tráfico, etc. Espantou muita gente, sabe? Então eu acho muito legal o movimento aqui, pô, de idoso, etc., pô, de vocês dando voz para isso também.
Certa forma da gente retomar essa agenda aqui para o Rio. E pô, vejo com ótimos olhos e acho que aqui tem tudo para voltar a ser o que era. Acho que ficou muito monodependente de recursos naturais, principalmente petróleo, tá? Mas acho que aqui, pô, tem um capital intelectual imenso para a gente explorar. Pô, tem a PUC aqui, que é um lugar, pô, sensacional. Tem muita coisa bacana, pô. Tem o Ninho, tem o Nime, tem muita coisa legal no Rio de Janeiro.
Não, é várias universidades públicas, né?
Acho que UFRJ, mas pô, imagina, tem muita coisa legal.
Legal, muito bom, que hoje era segunda-feira, né, que o Pedro tava no Rio. E muito legal você trazer teu filho, trazer tua mãe.
Pô, um prazer, cara, imagina, maravilhoso.
O que que você achou, Pedro Henrique?
Cansativo.
Fala, filho.
Esses assuntos de adultos são muito chatos.
Ele, coitado, ele tá triste. Outras vezes tá vendo o jogo do Vasco.
É, mas aí também você passou uma herança aí complicada para o teu filho.
Você, Andréia, experiência?
Então, eu adorei participar desse bate-papo. Eu acho que é exatamente isso.
Pode usar com microfone, mãe. Pode segurar aí.
É exatamente isso, a intenção, né, de fazer uma coisa descontraída com assuntos. E eu acho que o Pedro é inspiracional, assim, ele motiva.
Desconto de mãe, né?
Não, não, não, os jovens gostam muito dele. Nossa, já tô falando que os jovens gostam muito do meu filho.
Chamou de velho, hein?
Não, mas assim, a galera de 20 e poucos anos, 18 e tal. Mas gostei muito, eu achei Bem interessante e mais ainda é trazer luz para o nosso estado. Eu tava querendo até complementar, o turismo tá começando a decolar, os grandes eventos. Eu moro ali pertinho, eu vejo ali de camarote, eu acho que tá sendo sensacional, sabe? Essa coisa de colocar amigos meus portugueses que há anos atrás disse, não, jamais, eu morro de medo de ir para o Brasil, para o Rio de Janeiro.
Hoje querem, estão na fila de um Airbnb para o Carnaval, sabe? Eu acho que eu vejo muito, eu acho que é a capital intelectual, a capital da vanguarda, sempre será Rio de Janeiro. Mas é verdade, eu acho que sempre será.
Rio de Janeiro é cool, a gente tem uma áurea aqui muito bacana, né, desse repertório, no bom sentido, da humildade de transitar em todos os lugares, falar com absolutamente todos, pô, dá uma cultura.
As pessoas são felizes, né?
Aqui, pô, Rio de Janeiro, cara, você tem o candomblé, você tem o católico, você tem o evangélico, pô, isso aqui é maravilhoso.
Tudo junto e misturado.
Você tem a praia, pô, e a praia, cara, é um ecossistema, pô.
Mas o turismo tá sendo um bom mote, né? Eu sou um fã do turismo. Eu acho que é por aí que a gente vai estar renascendo. Turismo tá ficando organizado, Eu acho que dentro da quantidade de pessoas não sai nada, fica tudo muito seguro assim, não tem nenhum problema maior, né? Eu acho que o turismo tá dando e é consequência, né? Um efeito dominó, né? E a coisa vai começando, efeito dominó ao contrário, vai crescendo, né? Né, filho? Você não acha?
É bonitinho demais isso, né, filho? Meu filho já aprovou a sua prova hoje de manhã, tá imaginando?
Ele é um oráculo, esse menino é muito especial. Eu sempre falo, brincava que eu era meio Cher, minha mãe é uma sereia. Eu falava assim, filho, tá chovendo, não vai à escola não, não vai ao colégio. Mãe, você pode me proibir qualquer coisa a menos eu faltar ao colégio.
Falei, cara, normalmente é assim, né? A mãe quer de boa, o filho fica mais certinho.
Mas é um orgulho máximo, né, Pedrão?
Papai, então queria propor que a gente descesse Vou conversar com quem tiver lá embaixo ainda. E aí Pedro dá uma relaxada também, Pedro Henrique.
Beleza?
Se quiser desce um pouquinho ali embaixo, já é mais divertido.
Tem uns livrinhos lá embaixo, tá?
Você gosta de ler?
Então tá, tá bom.
Pedro Thompson, obrigado.
Obrigada.
Imagina, cara, privilégio estar aqui com vocês.
Obrigado, Pedro. Obrigado, Andréia.