Um novo momento para o VC | Humberto Matsuda, Venture Partner na Kamay Ventures
O mercado de venture capital está atravessando um momento de ruptura. Com a inteligência artificial redefinindo modelos de negócio, novas dinâmicas de investimento e mudanças na relação entre startups, fundos e grandes empresas, investidores precisam repensar estratégias e formas de gerar valor.
Neste episódio do podcast MVP, Gustavo Brigatto, fundador do Startups, conversa com Humberto Matsuda, Venture Partner na Kamay Ventures, sobre essas transformações.
Ao longo da conversa, Humberto analisa como a IA está mudando a forma de avaliar startups, investir em tecnologia e construir vantagens competitivas. O episódio também aborda a evolução dos fundos de Corporate Venture Capital (CVC), os desafios de integrar startups às grandes empresas, o cenário atual dos investimentos e as diferenças entre retorno financeiro e retorno estratégico.
Além disso, Humberto compartilha como utiliza ferramentas de IA no dia a dia — do apoio à análise de investimentos até a criação de agentes personalizados e composições musicais — e discute os impactos da inteligência artificial sobre criatividade, produtividade e o futuro dos negócios.
O MVP traz conversas novas toda semana, disponíveis no YouTube e Spotify.
Gustavo Brigatto
Humberto Matsuda
- Inteligência ArtificialImpacto da IA na avaliação de startups · IA na criação de vantagens competitivas · Ferramentas de IA no dia a dia · IA e criatividade · IA e produtividade · Recursos energéticos e hídricos para IA
- Investimento em Venture Capital e IAIA e redefinição de modelos de negócio · Novas dinâmicas de investimento · Mudanças na relação entre startups e fundos · Evolução dos fundos de Corporate Venture Capital (CVC) · Cenário atual dos investimentos
- Uso da IA na gestão e tomada de decisãoAutomação de tarefas de back office, marketing e vendas · Criação de agentes e modelos personalizados · Ferramentas de IA para análise de investimentos · IA na composição musical (Suno) · Democratização da criação musical
- Impacto no NegócioMudança rápida de modelos de negócio · Adoção de IA como nova onda de inovação · Necessidade de adaptação e atualização profissional · IA como ferramenta de solução de inovação
Bom dia, boa tarde, boa noite! Seja muito bem-vindo, seja muito bem-vinda a mais um episódio do podcast MVP no YouTube, nas principais plataformas de áudio. Hoje eu tô aqui com um convidado especial, já vou falar por que que é especial.
O Humberto Matsuda da Camai, tudo Tudo joia, um prazer estar aqui, obrigado pelo convite.
Prazer todo meu. E dizendo, explicando porque é um convidado especial, porque quando eu comecei jovenzinho jornalista a aprender esse mundo de venture capital, Humberto foi um dos primeiros caras a me instruir, a me dar os primeiros passos nesse mundo de venture capital, né? Quando você atuava muito lá na BV Capital, foi a gente se falava. Então, pô, queria te agradecer por me colocar no mundo das drogas aqui.
Perdão, vou pedir desculpas.
Mas, cara, muito bom estar com você agora novamente e até aproveitar esse, né, você já tá bastante tempo nesse mercado, até aproveitar isso para o gancho para nossa primeira, nosso primeiro papo aqui, que é, cara, o que que você tá vendo no mercado hoje? Como é que você tá enxergando o mercado hoje? Quer dizer, avalanche da IA, até a gente fala no fim do episódio, a gente fala um pouquinho mais sobre as suas brincadeiras aí, tá bom, posições com IA.
Mas o que que você tá vendo dessa avalanche nos últimos tempos? A gente tá falando até do SaaS Apocalypse, né? Qual que é a sua leitura do mundo hoje?
Eu acho que assim, vamos lá, a gente tem um tempo limitado, vamos escolher alguns temas aqui para abordar que eu acho que são relevantes para o pessoal. Com certeza, IA é uma coisa que tá trabalhando, forçando as pessoas a entender IA em muitas dimensões. Ou seja, não é só um problema de startups e venture capital, é uma questão que muda como a sociedade consome informação, consome serviços, afeta como a gente avalia uma startup, como a gente entende as oportunidades de longo prazo, muda cenários de tendências, né?
E junto com IA, a gente tá falando num momento onde aumento de guerras internacionais, A gente tá falando um momento onde a gente tem, em termos de crescimento econômico global, um nível de incertezas muito grande. Então a percepção de risco global para tudo aumentou para caramba. A gente tem algumas tendências muito fortes em questões de agro que estão intimamente relacionadas a mudanças climáticas. Então quando a gente olha para venture capital como um universo maior, tem muita coisa rolando que tá mudando a relação de de startups com fundos e de fundos com investidores de fundos, né?
Que muda como se avalia uma startup, como se faz projeções, como se cria expectativas do que que é possível conseguir, risco de saída, o que era 10 anos atrás versus a hoje.
Hoje não tem saída, já aconteceu.
É um universo. E como que você analisa potenciais saídas para investimentos hoje, daqui a 5, 10 anos?
É, pois é.
Então, o que a gente tem na prática é que muitos dos modelos tradicionais de trabalhar com venture capital, eles estão ficando ultrapassados, eles estão ficando ineficientes. Legal. E aí se faz necessário, vem sendo exigido dos profissionais dessa área uma atualização, uma mudança de mindset para muitas coisas, uma nova régua de risco para muitas coisas.
Inclusive, isso é um bom ponto, porque, quer dizer, durante muito tempo, sei lá, Ainda hoje, fazer venture capital é comprar o venture deals, né? Senta lá, até o Brian, o Breckhoff conta essa história, né, que ele não sabia nada de venture capital, comprou venture deals num voo ali para Califórnia e foi lendo, falou, ah, tá bom, é assim que tem que fazer. Mas, cara, acho que se você for pensar, desde década de 50, quando venture capital foi inventado, é praticamente do mesmo jeito, né?
O venture capital funciona, a indústria de venture capital Mas não sei, liberdade poética jornalista, mas me parece que esse modelo tá quebrado. A gente precisa de um modelo novo para venture capital.
Como profissional, eu não diria quebrado, é quebrado, acho que não é a palavra, mas com certeza é um momento de ruptura de modelos. É o que foi feito, como se trabalhava nesses assuntos nos últimos anos, ele provavelmente, o profissional vai ter que se adaptar, ele vai ter que repensar como construir relacionamento, como construir deal flow, como ajudar, ser capaz de ajudar as startups, né? Porque muitas das ofertas que um VC fazia 5, 10 anos atrás, ah, vou organizar o teu pipeline, isso tudo hoje em dia tem software para isso.
E agora é aí que faz estruturar vendas, estruturar automação de marketing. Poxa, tem muita, muita coisa que há 2 anos atrás requeria um certo estudo, uma dedicação um pouco mais demorada, que em 5 minutos hoje você tem um cloud que te mapeia todas essas coisas, cria um walkthrough que te dá step by step o que fazer, que te organiza a casa, né? Óbvio que a gente ainda não existe já de verdade, né? Mas o que existe de ferramentas de grandes modelos de linguagem úteis para caramba, é inegável.
Aí tem uma boa discussão de IA, o que que é IA de verdade, né? E é um outro capítulo, outro desdobramento.
Tem muita coisa legal aí de IA. IA hoje em dia acho que virou um termo que nem inovação, né? Durante muito tempo usou-se inovação para tudo, qualquer coisa que é legal, diferente, digital, né? Mas a verdade é que A evolução da indústria de IA, antes da gente querer entrar num conceito de um organismo digital ou uma inteligência realmente independente, a gente tem questões super relevantes para lidar, que é questão de servidores, recursos energéticos para rodar IA, recursos hídricos, que são temas que vão tocar inclusive impacto social, impacto ambiental.
Já começou algumas comunidades já se manifestando contrárias à instalação de data centers e tal, né?
Pois é, e eu acho que tem muita falta de informação para o público em geral.
Os data centers talvez sejam as novas torres de celular, né?
É um lençol, mas a torre de celular ela concorre pouco com os recursos humanos. Os novos data centers eles precisam, né, disputam mais recursos do que qualquer outro tipo de tecnologia anterior. Esse é um paradigma que a gente não tá acostumado, porque a evolução também do digital, ela foi muito feita à margem do conhecimento técnico do público. Muita gente não fazia ideia de quanta energia se gasta quando você faz uma busca numa ferramenta de busca, quanto data center lá consome de energia, o que que isso tem de impacto ambiental, emissões de carbono.
Agora vai começar a ficar muito mais evidente ou vai ser muito mais pessoal a relação do consumidor com esse tipo de necessidade de produção.
Você acha que, voltou nesse ponto das ferramentas, você acha que hoje, não vou dizer chegar ao limite de ter uma empresa tocada por IA, mas hoje com as ferramentas de IA disponíveis já dá para você ter uma gestão melhor da companhia? Dá para você delegar tarefas de gestão de uma companhia para IA?
Vamos lá, acho que aí tem dois tipos de serviços disponíveis. Você tem os de prateleira, que você entra lá no search engine e acha as IAs, as startups que já estão fornecendo isso diretamente, versus você também criar dentro da sua própria empresa um ambiente de treinamento e construção de ferramentas, agentes tailor-made para tua necessidade. Né? Eu diria que assim, do ponto de vista de capacidade técnica, sim, dá para automatizar já muita, muita coisa.
Tudo que é de back office, marketing, vendas, recursos humanos, a maioria dessas coisas já existem ferramentas que funcionam praticamente sozinhas. É óbvio que aí também tem uma questão de compliance, uma questão de ser empreendedor e assumir risco. Ser startup assumir mais risco ainda.
Mentira, né? É sério. Então, se você tivesse me falado isso lá atrás, quando a gente começou a conversar, talvez eu não estivesse aqui. Enfim, mas então te elogiei, mas agora tem que dar.
Por isso que eu pedi desculpas, eu pedi desculpas. Dependendo do nível de risco você tá disposto a correr, você pode deixar mais coisas ou menos coisas, mais automáticas, menos automáticas, né? Agora, que é possível criar esse parque de agentes, é óbvio assim. O que você não tiver capaz de desenvolver interno, tem externo. Inclusive, recentemente eu dei um treinamento para um grupo de startups de como fazer um critério do que que você desenvolver internamente e externamente.
Ah, boa, legal. É para uma grande corporação, ou build ou buy, né?
Exatamente. A estação tem opção do buy, mas você pode contratar serviços de IA das coisas que não são core ou que são comuns a outras startups, porque aí vai ter alguém mais especializado em resolver o problema de todo mundo de maneira horizontal.
Então, sem dar o segredo, que você não, né, ou dar o contato para você vender essa palestra, mas sem dar o segredo, a gente pode desenvolver aí a qualquer hora.
Não é um curso que eu vendo, tava batendo um papo com mais, tá perdendo dinheiro aí. Não, pode conversar, não tem problema, faz uma parceria aqui, a gente vende junto. Mas é como você avalia o que que dentro da tua organização realmente é algo que você vai fazer melhor que os outros. Então não faz sentido você comprar de alguém que tá fazendo, né? E aí para isso você tem que ter open kimono, ter uma estratégia clara, ter toda a maturidade para poder definir: não, isso aqui nós como startup X nos propomos ser bons nisso.
Então não dá para eu ser muito foda, pode falar foda, muito foda nisso, se eu for depender de terceiros para fazer o meu core, entendeu? Então assim, se essa é a tua área de expertise, esse é o teu roadmap, cara, isso aqui tem que estar dentro. O que que disso é acessório? O que que disso é fundamental? Que for acessório dá para terceirizar, comprar de outra AI, entendeu?
Tá, mas a hora de, por exemplo, Isso, isso em última instância é um fundador não técnico, um jornalista, um Gustavo da vida, e lá no logo, bom, e montar uma empresa em cima do logo. Bom, assim, você como investidor, você investiria numa startup que usa, né, que tem isso?
Vamos lá, vou separar algumas respostas para a gente não ter problema depois de interpretação. Como Camai, a gente tem uma estratégia e tem uma visão de mercado onde a gente busca soluções já que enquadram em certas teses e certos modelos de atuação que a gente busca. Eu pessoalmente, como não sou um fundo corporativo, na pessoa física eu já olho o mercado de maneira talvez mais no dia a dia, tá? É uma discussão que a gente tá tendo lá na Camai, por exemplo, é assim, você tem lá Tô chutando aqui os números, eu não lembro exatamente. 70, 80%, 60% das pessoas ainda não usam IA. 30% já estão usando IA em algum nível básico. 19% pagam e usam IA com uma certa recorrência, então de maneira consciente usando IA.
E 0,0 qualquer coisa tá usando IA hardcore, fazendo os próprios agentes, programando e sendo um do mercado de IA e não simplesmente consumidor, né? Qual desses universos você acha que seria o mais atraente para investimento?
Ao 0, o cara tá mais—
se você tiver lá no Vale do Silício com um budget do tamanho do Google, eu também focaria nesse 0, qualquer coisa, tá? Mas na prática eu acho que tem muito mais dinheiro na mesa em ajudar esses 40%, 60% da população que ainda não sabem do que que a gente tá falando, tá? É o cara que vai usar o ônibus, que self-driving bus, e não faz ideia do que que tá rolando.
E não tá nem aí também, ele quer que o ônibus chegue no horário.
É isso, exatamente. Então tem um universo de agentes e serviços e coisas que vão surgir que não estão aqui nesse top tier de uso de conhecimento. Então eu aposto muito nesse universo. A gente como Camai, tendo os nossos LPs, né, a gente tem a Arcor, Coca, Bimbo, Coca-Cola, a gente tem dentro da estratégia de cada uma dessas corporações as áreas de interesse onde a gente tá buscando serviços de IA, seja em logística, seja em IoT, seja uma parte industrial, parte agro.
Aí tem já um outro layer de análise. Mas via de regra, eu, é um tema que vai permear qualquer tipo de atividade de investimento de venture capital, né? A gente teve aí nos últimos anos uma onda de startups e fundos que se beneficiaram muito da digitalização das empresas. Agora a nova onda, a adopção de IA, né? Só que se o universo de digitalização de empresas teve um certo tempo de latência, um certo budget e um certo ritmo. A gente tá falando de um universo agora muito mais rápido, envolvendo muito mais dinheiro, com impactos talvez muito mais profundos do que simplesmente você sair do analógico para o digital.
E com mudança muito mais rápida, né? Porque, pô, por quanto tempo a gente falou de digitalização? Quer dizer, as empresas tiveram tempo para— não vou dizer que também tiveram tempo a se digitalizar, mas tiveram tempo para digerir um pouco ali e ver para onde ia. Aí, ah não, pô, o 2023 era a generativa, 2026 já é a gente, né? Então, pô, eu tava fazendo um negócio aqui, agora já é um outro negócio.
Eu vou, eu vou te dar uma perspectiva da lógica corporativa disso, né?
Que agora você tá legal.
Estratégia. Quando a gente fala de estratégia, você tem dentro de um, pegar lá o exemplo do Gartner, né, que é muito conhecido pelo Hype Cycle. Quanto tempo um late adopter tinha para entrar na onda da digitalização versus quanto tempo um late adopter tem para entrar? Então, o conforto emocional das pessoas ficar condicionando o movimento estratégico das empresas, a gente tá falando uma função de um novo tipo de risco que talvez a gente não discutisse corporativamente há 5 anos atrás.
É verdade. Então, a falta de informação, falta de clareza, falta de envolvimento no ecossistema para ver o que realmente é espuma, o que realmente tem conteúdo, o que realmente gera resultado, gera uma insegurança e um nível de ansiedade nos executivos que muitas vezes levam a tomadas de decisões precipitadas e que são caras.
É uma boa, bom ponto esse até, porque investimento corporativo, né, e o contato com inovação aberta e tal, tem ciclos, né. Tem época que tá um pouco mais, um pouco mais, fala-se mais. Aí algumas empresas investem muito, saem porque gastou demais e tal. Depois então tem várias fases assim. Hoje acho que, pela percepção externa, parece que tá naquela fase de baixa de novo. Muita gente que, né, ressaca um pouco do que aconteceu ali sei lá, 24, né, onda dos CVCs ali.
Como que você enxerga, como é que você, ouvindo agora pelo lado ótica corporativo, como você tá, como que você enxerga hoje o posicionamento das empresas em relação ao relacionamento com ecossistema?
Eu acho que tá rolando um processo de maturidade. Talvez, talvez não. Até pouco tempo atrás, a gente fala 5, 10 anos atrás, CVCs no Brasil era uma coisa que não tinha nenhum label de CVC, quando tinha. Então a maioria das empresas sequer sabiam mexer com isso, né? E aí obviamente veio uma onda onde, por conta de exemplos internacionais, por conta de necessidade de inovação, por conta do movimento de digitalização, criou-se uma tendência, um ponto comum de adoção de criação de CVCs.
Primeira coisa que a gente tem que olhar aí é que CVC não é tudo igual. Então todos esses estudos que colocam CVCs todos numa mesma caixinha, eles já pecam porque eles tratam CVCs como se fossem fundos de venture capital, uma categoria de fundo de venture capital que são super homogêneos. Não são, né? CVC, por definição, se for bem feito, ele tá muito mais alinhado e com a identidade própria alinhada com a corporação do que com outros CVCs.
Começa aí. Segundo, que quando você começa a criar, você tem um processo de aprendizado, de teste, de adaptação. Olhando de fora parece muito simples como um CVC se integra na corporação, mas no dia a dia isso é complexo para caramba. Você vai ter um cara do CVC mexendo com uma startup que ainda ninguém conhece na corporação, enchendo o saco do diretor de logística para usar isso, enchendo o saco do diretor de não sei o quê. Não é fácil.
E o cara tá com os pepinos dele, com as coisas dele ali.
E ele não virou diretor dando sim para qualquer um, fazendo qualquer coisa loucura, testando qualquer coisa. Então essa dinâmica de como o CVC se integra e se relaciona com uma empresa não é trivial. E esse ritmo de azeitamento não dá para você prever de fora. Pode ter políticas internas que facilitam, políticas internas que dificultam, compliance, autonomia das diretorias. Aí, por isso eu volto, tratar todo CVC como CVC igual outro CVC é absurdo.
Tem companhias que são gigantescas que as regras de compliance e governança são extremamente rígidas e dificultam para caramba a atuação do CVC. Tem outras companhias que têm umas regras mais flexíveis, talvez sejam menores, ou tem dono muito claro, E aí a governança é um pouco mais simples e consegue facilitar essa relação do CVC com as áreas de negócio, né? Mas não dá para trazer uma regra universal. Aí quando a gente tem esse período de adaptação, de compreensão de como funciona um CVC, eu acho que a gente chega nesse momento que a gente tá hoje, onde as companhias conseguem de maneira um pouco mais clara definir o que faz sentido para elas individualmente de um CVC, tanto em termos estratégicos como em termos financeiros, é budget para rodar isso, tempo disponível para esperar resultado.
É porque essa questão do tempo é importante, porque, pô, só pensar, um VC, né, um fundo de venture capital é 10 anos, né, capital normalmente, teoricamente, né, ali pelo, na regra geral é isso. Dentro de uma corporação, aí que negócio, pô. Qual que é o ciclo de um executivo? É 3, 4 anos. É um CEO, um diretor e tal, esse cara vai sair.
E aí, na média, na média, na média, na média, às vezes menos, né?
Tem, tem mais. Exatamente. Lógico, lógico. Mas vamos pensar nessa, na vida útil do cara ali. Ele vai deixar um negócio, né? Se ele, sei lá, 3, 4 anos ele vai sair, ele vai deixar um negócio que vai maturar em 10 anos. Ninguém vai reconhecer o trabalho dele, né? Então essa coisa, sempre que eu vejo uma empresa falar, ah, vou, né, vou dedicar centenas de milhões para um fundo de CVC em 5 anos, tá, cara, cadê? Tá numa escrow ali?
Tá no balanço? Não, tá uma promessa de um dia, quem sabe, talvez, que pode ser o milhão, centenas de milhão, mas Depois o cara fala, não, peraí, não, vamos cortar um zero aqui, vai ser dezenas de milhões. Tá muito, fica muito, e esse comprometimento com o ecossistema, né?
Então, acho que a primeira coisa interessante de prestar atenção nessas relações é como que você tá avaliando o resultado do CVC. Da forma como você descreveu, que acho que é a mais intuitiva, é a forma como você avaliaria um fundo de venture capital normal. Certo, vamos investir nesse fundo, esperar eles rodarem, vai ter as startups que dão errado, depois sobra as que dão certo, vamos ver como que vende essas startups e como que vira retorno, né?
Já é difícil e complicado para investimento financeiro em venture capital. Quando a gente olha num CVC, quem trabalha só com isso, vamos dizer assim, se a corporação olhar para um CVC, simplesmente avaliar o antes e o depois, e portanto um executivo que tem uma vida corporativa mais curta vai virar um negócio idiossincrático e não vai fazer sentido nenhum. Por isso que é importantíssimo que o CVC tenha essas relações internas dentro da corporação para que as startups já gerem benefícios e resultados positivos para corporação mais rapidamente na entrada, tá?
A gente na Camai trabalha inclusive com uma ideia de gerar resultados inclusive com startups que não sejam exclusivamente do portfólio, né, que eu tava te contando. A gente tem a Overboost, né, dentro da Overboost a gente tem 3 pilares ou 3 unidades de negócio. Um é o fundo de CVC venture cap, mas a gente também tem um braço de consultoria onde a gente ajuda as corporações a criarem programas de inovação, consultoria tradicional de inovação mais software, onde a gente ajuda a administrar essas relações com as startups.
Por software, interessante.
Por software, a gente desenvolveu um software proprietário e temos também uma terceira área de negócios que são uns eventos que a gente promove, que chama Comei Code, como eles fizeram no Museu da Manhã lá no Rio, onde a gente consegue facilitar a relação entre startups e corporações. E aí não só investidores do nosso fundo, corporações diversas. A gente tá trazendo, trouxe lá para o Rio Notion, Basf, Globo, um monte de corporações legais para participar do nosso evento.
Onde a gente consegue mostrar para as startups como essas grandes empresas funcionam, as necessidades que elas têm para poder contratar uma startup, facilitar, criar, ajustar a expectativa das startups. E ao mesmo tempo, para um grupo de executivos que se dispõem a trabalhar dentro dessa conferência, a gente ajuda esse pessoal a entender como olhar uma startup, como se relacionar com uma startup.
Avaliar o resultado de um, de uma hipótese, com as medidas a usar para avaliar, né?
Porque ninguém vai colocar um budget gigante ou expor o seu próprio negócio para uma startup desconhecida, um produto inovador. Você, por definição, vai limitar risco e disponibilizar algo pequeno. Mas às vezes, se for pequeno demais, não dá para avaliar resultado.
É isso, pois é.
Então a gente consegue, nessa hora, ajudar as corporações a criarem um um teste mínimo para conclusões, definir quais são os KPIs que vão realmente comprovar que deu resultado, ajustar budget, o cronograma dessas, desses testes, desses POCs. Então acaba sendo uma terceira unidade de negócio onde, para resolver isso, para deixar tudo dinâmico, A gente conta inclusive com outras startups do ecossistema participando, trazendo novas soluções e trabalha essas duas coisas em paralelo.
Não é porque a empresa faz negócios que a gente vai investir, ou as análises são independentes. Análise de investimento é análise de investimento.
É isso que eu ia te perguntar.
Aproximação comercial é aproximação comercial.
Ah, não é funil, então não é pipeline, você gera, né, topo funil para você investir depois.
Muitas vezes o que a solução mais importante ou mais relevante para uma corporação vem de uma startup que não tem um perfil de crescimento compatível com venture capital, por exemplo.
Poxa, legal isso.
E essa maturidade é importante também.
Exato.
Se um CVC de uma grande corporação colocar para dentro do portfólio muitas startups que não são, do ponto de vista de resultado financeiro, tão compatíveis ou parecidas com outras empresas de venture capital, isso também tem que ser feito de maneira pensada e controlada, porque isso vai afetar retorno financeiro, muito embora possa gerar retornos operacionais e estratégicos.
De novo, voltando aí, voltando na lógica do venture capital, que muita gente fala, né, ou os mais puritanos do VC reclamam ou rotulam CVC que é a seleção adversa, né? CVC só pega o que o VC não quis, né? Então, mas na verdade não é essa visão, né? Às vezes o cara, beleza, não tem um potencial de 100x ali, mas, cara, ele resolve um problema, um baita problema, tá ótimo, é isso.
Eu aí tenho uma visão super liberal no seguinte sentido: a startup vai escolher o melhor dinheiro que ajuda ela a crescer naquele momento. Então tá bom, qual que é o melhor dinheiro para entrar numa startup? É o cliente, é o maior valuation. Não deveria ser, eu diria que é o faturamento. É, sim, que fundo de venture capital puro gera faturamento para startup? Eu, como CVC, eu consigo gerar faturamento para startup de largada, né?
Isso. Então, na prática, é na verdade assim, como não fazendo POCs gratuitas, né? Exatamente, exatamente.
POC tem que ser paga.
Se você faz uma POC gratuita com uma empresa grande, é uma relação. Uma startup normalmente não tem condições financeiras de fazer uma POC gratuita, especialmente se entrar na área de hardware, insumos, né? Então todo fundo de investimento, todo investidor anjo, ele tem que ter um superpoder para ele agregar para startup. Qual que é a sua capacidade? O que que é o teu diferencial? Por que que ele vai pegar o seu dinheiro e não de outro?
O que que você faz de diferente dos outros caras que têm dinheiro, né? No caso da Camai, a gente tem todo esse corpo de inovação, da conferência, do relacionamento próximo às corporações. Inclusive, a gente bate muito na nossa propaganda de falar assim: olha, eu reduzo o risco para a corporação contratar startups e, do outro lado, eu ajudo a startup a internacionalizar com receita.
Legal. Você tava contando do caso de até de uma— a gente tá aqui no Cubo hoje, sabe, de uma startup aqui residente. A Logitech.
A gente investe na Logitech e a gente tá trabalhando com a Logitech para numa tese de expansão internacional, mas sempre baseado nas plataformas da Coca-Cola, da Arcor, da Bimbo, onde a gente consegue gerar receita para a Logster em outros países.
Pois você chega no outro país falando que você já tem esse cara, você tem um cliente, e é uma FEMSA, é uma Arcor, é uma Bimbo, é outra coisa, né?
Isso. Só um disclaimer, a gente é Coca-Cola Company. Fenza faz parte do nosso ecossistema de engarrafadores.
Caramba, que louco! E a gente surpreendeu ainda mais.
E a gente trabalha não só a Latinoamérica, mas também Iberoaméricas. Então a gente pega Portugal, Espanha e América Latina.
Legal, legal. Aí falando um pouco então até do, né, que o CVC ganhou um pouco mais de preeminência nos últimos tempos, pela crise do VC, né, pelo inverno do VC. Aí a gente tá falando um pouco dessa ótica e tal. Então não deveria se ver como dinheiros concorrentes. Então não tem o dinheiro do VC, eu vou para o dinheiro do CVC. Não deveria ser essa.
Eu acho que aí tem muito mais a ver com o que que a startup faz, tá? Se você é uma startup B2C, você tem um universo de coisas para decidir e pode ter apoio ou não de certas corporações do teu universo, né? É uma startup que esteja aí no ramo de aplicativos para, sei lá, para logística, para tipo um Uber da vida, vai ter um apetite ou um apelo para certos fundos de venture capital E vai ter um apelo para corporações de maneiras diferentes.
Corporações na área de logística, de transporte, mais diferente do que uma corporação na área de mineração ou energia, né? Então tem uma série de nuances que depende muito mais do que que a startup faz do que olhar para o mercado em geral e falar assim: tem dinheiro, não tem dinheiro. Obviamente existe um momento difícil de aumento de percepção de risco global, de onde os investidores que investem em fundos de venture capital estão mais conservadores, investindo menos em venture capital, private equity.
Isso faz com que a liquidez do sistema de venture capital global reduza, que o custo de capital aumente, baixa a valuation de startup, né? Mas do ponto de vista de necessidades dia a dia, estratégico, visão de longo prazo, as corporações precisam de soluções e vão continuar precisando, seja investindo via CVC, seja contratando completamente, seja comprando uma solução de alguma outra empresa que desenvolveu algo que resolva. Então, por um lado, talvez a gente falar do financeiro, daquele, da lógica pura financeira de investimento de venture capital, é um inverno, com certeza.
Agora, quando a gente olha o venture capital como uma máquina de solução de inovação, essa necessidade ela não para porque o custo do dinheiro tá caro, porque o family office quer investir em renda fixa e não em em venture capital.
E aí, até aproveitando, você falou de estudos hoje, coisa, quer dizer, recentemente saiu aquele estudo da Spectra falando que os fundos CVC não dão resultado. Percebi algumas pessoas chorando, as pitangas reclamando, falando que, ah, né, ah, o estudo leva em consideração poucos fundos, a safra ali que ele pega talvez não seja a melhor. Qual que é a sua leitura dessa crítica aos CVCs?
É, eu acho que tem que entender quem são os players e como que, qual que é a intenção ali, né? A Spectra, antes de mais nada, a gente tem que ver como fund of funds. Fund of funds não é uma corporação, fund of funds é investidor financeiro. Eles estão acessando o mercado de capitais e olhando oportunidades de retorno e comparando quanto venture capital dá versus private equity versus real estate versus renda variável. Quando a gente olha para fundos tradicionais de venture capital, acho que é uma comparação válida, mas quando a gente faz o recorte de venture capital, o resultado já não é igual do CVC.
De venture capital a gente tem muito mais dados históricos, a gente tem dados de outros países para comparar. Seria necessário fazer uma série de ajustes de câmbio, de inflação, mas vamos lá, dá para fazer. Quando eu falo de CVCs, eu olho para CVCs, eu acho que é muito complicado querer colocar todos os CVCs na mesma caixinha por todos esses motivos que a gente tava falando. Se o CVC ele é bem feito, ele tá muito mais orientado na estratégia da corporação que deu, criou o CVC, do que uma lógica puramente financeira de retorno.
E se a gente tentar avaliar o CVC, comparar que nem um fundo de venture capital normal, só com dinheiro que entra, dinheiro que sai. Primeiro que a gente não tem um universo de CVCs tão grande que nem de fundos de venture capital para normalizar. Segundo, a gente não tem um histórico tão grande para poder normalizar no tempo, fazer os ajustes de risco, crises, câmbio, inflação. Fora isso, eu como operador de CVC, eu te garanto que eu tenho muito mais coisas no meu prato para tomar decisão se é um bom investimento ou não porque eu conheço as necessidades estratégicas das corporações mesmo que são clientes nossas, do que o olhar de quem tá de fora.
Exatamente. Tem questões sensíveis que são internas, sigilosas. Dentro da estratégia das corporações, a gente tem os horizontes, né, estratégicos. Então a gente tá olhando muito mais coisas para H2, H3, que são coisas que normalmente não são difundidas, divulgadas amplamente no mercado. Então pode ter um fundo de CVC de uma outra corporação que eu não tenho relacionamento, que olhando de fora você vai falar assim, putz, resultado financeiro desse portfólio tá lento, não tô vendo chegar.
Mas do ponto de vista operacional, tá todo mundo comemorando e super feliz porque as startups daquele portfólio resolveram aquele problema que eles não conseguiam ambiental, resolveu o problema de logística. Resolver o problema de fornecedores, né? Então o propósito do CVC, por definição, ele é maior, ele é mais complexo do que uma análise financeira. Então talvez o que a gente possa depender de um estudo que a Spectra fez é que para a gente misturar dentro de um fundo dinheiro financeiro de um family office, um fund of funds, com um dinheiro de uma corporação que tem uma estratégia clara e definida, tem que ter muito alinhamento, tem que ser muito bem feito para não ter esse descompasso e ninguém ficar bravo depois.
Expectativas, né, alinhamento de expectativas, né. A paciência estratégica é diferente da paciência financeira. O apetite de risco estratégico é totalmente diferente do apetite de risco financeiro, né. Quando você olha para a parte tecnológica, eu tenho duas opcionalidades: eu tento com essa startup, eu continuo convivendo com minha plataforma industrial ineficaz. Quando eu olho para o mundo financeiro, eu tô comparando a startup com renda fixa, com renda variável, entendeu?
Então são dinâmicas, é, entendeu? Então eu não conheço a metodologia, não sei, não vi detalhes do estudo, não sei como que tipos de informações estratégicas foram disponibilizadas para a Spectra. Mas eu acho muito difícil, é uma comparação meio que— até queria entender a motivação, porque fundos de CVC geralmente não são abertos.
Dá uma ligada aí para o Método.
É, não, porque CVC geralmente não tá aberto para dinheiro de fora, tá, né? Então falar que o CVC tá indo mal, tá indo bem, tipo, para o mercado que tá procurando opções de fundos, motivação preço, né? Mas eu acho que, eu já acho difícil para membros das corporações com as quais a gente trabalha, que não estão envolvidas no dia a dia do fundo, conseguirem fazer essa avaliação, muito menos gente de fora. Eu ouvi falar de fundos, corporações que eu não conheço, não tenho relacionamento, né?
Agora a gente vai, vou estrear aqui com você uma nova sessão aqui, um novo segmento do podcast, é como que você tem usado aí A gente brincou aqui no começo, até mostrou, me mostrou aqui umas composições que você tem feito. Então você é músico e tal. Então queria que você me falasse um pouco o que que você tem usado nessa, na pessoa física e também na pessoa jurídica para trabalhar.
Eu vou inverter a resposta para ficar mais fácil. O que a gente tem hoje é uma série de agentes ou de plataformazinhas que a gente pode brincar, usar para vários fins. Né? Quando eu olho para o corporativo, a gente primeiro tem toda a questão de governança, do compliance, do que que a gente pode usar, não usar. Mas eu tenho usado bastante o Gemini para fazer pesquisas, né? Porque o Gemini dentro do Google acessa uma série de base de dados para fazer resumos de vídeos no YouTube.
O Gemini é uma mão na roda. Então, dependendo do conteúdo, dependendo do objeto de pesquisa, eu uso muito Gemini. Eu tenho usado também bastante o cloud para construção de modelos, para programação básica. No meu dia a dia eu não preciso desenvolver software, mas a gente tem criado vários templates e vários modelos de planilhas, de sisteminhas para facilitar a vida do analista, para processar um pitch, para criar uma rotina de diligência mais eficaz.
Que nem a gente tava falando, né, o meu último desafio que eu tenho trabalhado com cloud é criar um modelinho para simplificar a análise de exit para daqui a 5, 10 anos. Então ele tem que puxar perguntas, ele tem que puxar pesquisas que estão disponíveis na internet e ao mesmo tempo conduzir o analista para usar a ferramenta de maneira a gerar um resultado interessante. Ainda a gente não usa nada sem supervisão humana, tudo que é cuspido, do outro lado é controlado.
Uso também o Copilot bastante para dentro do corpo do Office. Copilot me resolve muita coisa de Excel, de PowerPoint. Então também é uma mão na roda que os outros LLMs eles não são tão versados em ambiente Windows como o Copilot.
Legal. E Então vejo aí uma especialização, né? Tipo Microsoft Windows é o Copilot, né? E cada segmento ou cada área é um cara que tem a sua especialização ali.
Isso. E para questões de fins pessoais, eu uso mais o ChatGPT, né? Eu tava te contando que eu adoptei a plataforma Samsung e o ChatGPT dele já vem integrado, né, no Samsung. Então isso também tem criado várias coisas de automação de dia a dia, de saúde, ah, tipo pegar os dados do meu Samsung Health e cruzar com os meus do que eu tô comendo, para viagem. Então isso tudo vai criando pequenas rotinazinhas que vão me ajudando. E o ChatGPT tem um feature que eu particularmente uso, que é acessar o histórico de conversas para aquela história do negócio do cloud, que você tem que carregar o histórico.
Então, para as questões pessoais, desde que eu não use a minha conta do ChatGPT para mais nada, ele vai ficando melhor. Ah, mas você tá se arriscando, expondo. Bom, eu sei o que que eu tô abrindo para o ChatGPT, que eles não tem acesso a todos os meus dados, mas eu tenho alguns temas, algumas linhas de uso pessoal que eu tô curtindo muito, tanto os temas de interesse que ele vai desenvolvendo pesquisas e me ajudando a estudar mais física quântica, música, é aquelas coisas que são de interesse, são de dia a dia, mas que você não tem tem que arranjar tempo para organizar, né?
Fazer rotina de exercício, acompanhar os filmes que eu sei que ainda não lançaram para ver quando que eles vão lançar, se muda o quê, sabe? Essas coisas assim, publicação de autores que eu gosto, né? Então, conforme ele vai aprendendo que eu gosto, ele vai começando a ficar cada vez, ele vai ficando cada vez mais eficiente em trocar figurinha comigo, trocar Bater bola.
E as músicas? Me fala um pouco disso aí, que eu achei legal essa questão.
Eu, quando era criança, eu aprendi a tocar piano. Aí depois, na adolescência, tive banda cabeluda.
Sério?
É mesmo? É banda de heavy metal e tal, tecladista. Mas aí na pandemia eu resolvi aprender a tocar baixo, comecei a levar o baixo um pouco mais a sério. Fiz até curso de lutheria para aprender a construir instrumentos dos locais.
Aprendeu, construiu alguma coisa?
Já fiz 2 baixos elétricos.
Caramba!
Depois eu te mando as fotos. E nessa brincadeira de tocar música e tal, você também, né, começa a se envolver, mexer com software, primeiro para gravar, depois para editar alguma coisa que você filmou de você tocando e tal. E aí saiu, né, essas IAs, o SunHy especialmente. No início era mais difícil usar e tudo mais, Mas para quem tem um pouco de conhecimento musical, para quem dá para fazer muita coisa legal, né? Eu sei que existe um debate muito sério hoje sobre direitos autorais e tudo mais, mas eu acho que esse debate ele é mais importante do que as pessoas percebem do ponto de vista da indústria fonográfica. Como que você aprende a tocar um instrumento musical?
É tocando outras músicas que você gosta, que você conhece.
Você vai aprender a tocar guitarra, violão se você não puder tocar música de ninguém?
Não, não, não vai.
Você vai virar um bom compositor se você não for um bom intérprete?
Provavelmente não.
Então como que você treina um algoritmo se ele não pode usar uma base de dados com resultado final de alguma coisa? Se isso for verdade, você não pode treinar um LLM com nenhum texto, porque todo texto foi escrito por alguém. Como é que você ensina alguém a escrever se não pode replicar um texto, se ele não pode ler um texto?
É um ponto interessante.
Não tô dizendo que, portanto, beleza, vamos se apropriar. Não é isso. E não tenho aqui, não tenho a pretensão de ser o cara que tem a solução mágica.
É um contraponto interessante, porque ainda mais indústria de mídia, a gente convive com isso, né? É um problema que nossos textos, nossa produção é usada pelas LLMs, a gente não recebe nada por isso. Então é esse, esse é o ponto. Mas é interessante isso que você tá trazendo.
Então eu particularmente, quando eu uso o Suno para fazer música, eu não tô fazendo música para publicar no Spotify e monetizar seu consumo próprio. Beleza, exatamente. Eu vejo uma ferramenta como Suno como uma ferramenta de democratização para o processo de fazer música. Beleza. Eu sei tocar piano, eu tô aprendendo a tocar baixo, mas eu tenho que nascer de novo para poder cantar bem, certo? Se eu for aprender a tocar bateria para gravar uma composição, quantos anos eu vou ter que aprender bateria para poder tocar bateria como eu consigo fazer no solo, né?
E aí eu vou ter que fazer, gravar guitarra, fazer solo, gravar o baixo, cantar, o piano, bateria. Para eu poder fazer, não, então quantos caras no mundo, Prince, né? Quantos caras no mundo conseguem fazer isso e vão ter dinheiro para montar um estúdio próprio, gravar suas próprias composições e vai ficar bom? Talvez se eu fizesse só isso, eu em X anos conseguisse. Mas então por que que eu não posso usar um software que nem o Sono e em 5 dias eu tenho meia dúzia de músicas que seriam músicas que se eu tivesse condições, se eu soubesse tocar, eu teria feita assim, de qualquer jeito, e tô usando para o consumo próprio, não tô impondo isso para o meu vizinho. Bom, meu vizinho, acho que ele escuta um pouco, né?
O vizinho, meu neto aqui para ver.
Mas eu não tô monetizando o dinheiro. Sim, beleza.
O problema é, o problema, o ponto é, beleza, se chegar lá, mano, eu vou lançar isso como um disco, ou enganar falando assim, olha, usei a voz do cantor X e tô dizendo isso aí. E pior ainda, aí é fraude, aí é fraude, claramente Composições de Humberto Matsuda apoiadas por IA.
Com todos os disclaimers para quem quiser ouvir, né? Poderia até ser, mas eu nesse momento me tô preservando de não publicar nada para depois ninguém falar.
Obrigado pela saúde mental das pessoas. Não, mas pô, um pouquinho que você me mostrou ali parece bem legal.
Então o grande lance que eu acho que essa popularização é dar acesso, essa democratização É você poder fazer a música que você gosta. Sim, você não fica dependendo do seu artista favorito fazer a música que você gosta. Eu sou roqueiro, quantas vezes a minha banda X lá que eu curto para caramba lança um disco, você fica maluco, acha aquilo animal, passa um tempo, eles lançam o próximo álbum e não tem nada a ver com aquele. Você fala assim, por que que não fez igual agora?
Quando eu que faço, quando eu que faço, vai sair sempre do jeito que eu gosto. Eu não vou me decepcionar criando a minha própria próxima música de uma música que eu não gosto.
Legal, boa.
Então todo mundo que tem interesse em mexer com essas coisas uma hora aprende, uma hora consegue, vai fazer música que gosta. Legal.
Aí é um bom ponto, ponto mais filosófico, mas quer dizer, é questão da criatividade, né? Isso, se isso turbina, se isso para você então isso turbina a criatividade e não deixa a criatividade num loop?
É, vamos lá, eu acho que a criatividade tem mais dimensões que isso, né? O que eu tô dizendo é que eu não preciso aprender a tocar todos os instrumentos para poder fazer, gravar uma música que eu gosto. E eu não vou, assumindo que eu tô fazendo música que eu gosto, fazer uma música fora do meu gosto musical. Então quando a gente olha hoje, e isso você pode ver geração após geração, sempre a geração anterior lamenta o gosto musical da geração próxima.
E quando você liga o rádio, você vai escutar o que tá na moda para geração atual, né? Tem rádios de música antiga, tá, mas via de regra, né, o que bomba é o que a galera— isso, se você não gosta desse tipo de música, você vai fazer o quê? Vai sentar e ficar esperando? A sua banda favorita da década X voltar a tocar junto para lançar um disco, né? E da mesma forma, eu acho que tem muita gente criativa que gosta de música, mas não teve oportunidade de ter exposição à cultura musical, aprender instrumento.
E aí, portanto, ela tá proibida de produzir música porque não teve acesso a uma aula de música, um professor, uma professora. Eu acho que é aí que tá a beleza dessa democratização.
Legal.
Você não precisa saber tocar guitarra, nenhum instrumento, para fazer música com IA. E aí você, porque não toca no instrumento, você não tá obrigado a fazer uma música tosca, simples ou sem musicalidade, né? Agora, mesmo que você nunca tenha feito faculdade de música clássica, não toca violino, não toca, você pode fazer uma composição de música erudita. Talvez aí tem um outro universo, né?
Pode, deve. Aí é outra.
Não, mas acho que Mozart, o Bach, eles não vão ficar chateados que você tá, né? O direito de autorais deles já morreram faz um tempo.
Beleza, Roberto, obrigado mais uma vez aí pelo seu tempo, pelo papo aí.
Obrigado mais uma vez pelo papo, pelo convite, e desculpa mais uma vez de ter Tá perdoado, tá perdoado.
Obrigado. É isso aí, continua acompanhando os papos, né, por conta, por obra, por obra e conta de Humberto Matsuda do passado. Continue acompanhando o podcast MVP, né, daqui no YouTube e nas principais plataformas de áudio. E lógico, se cadastre aí para receber a nossa newsletter todos os dias na sua caixa postal com o melhor com a nata daí do mundo da tecnologia e inovação. Valeu!