Episódios de Inclusão em Foco

INCLUSÃO EM FOCO - EDIÇÃO 49 - 06 05 2026

06 de maio de 202658min
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  • Você sabe o que está por trás do chamado Transtorno Opositivo-Desafiador (TOD)?
  • O talento que venceu o preconceito: João Hélio, do isolamento ao cenário internacional
  • E uma entrevista sobre os problemas de visão nas pessoas com a T21
Participantes neste episódio4
J

Júnior Patente

HostApresentador
E

Elenilza Maria de Araújo Souza

ConvidadoMãe de João Hélio
E

Emanuele Freitas

ConvidadoEscritora, neurocientista
J

Jaime Rosenblatt

ConvidadoOftalmologista
Assuntos3
  • João Hélio: do isolamento ao cenário internacionalJoão Hélio · Síndrome de Down · Trissomia do cromossomo 21 · Expulsão escolar · Artista plástico · Museu do Louvre · Elenilza Maria de Araújo Souza
  • Transtorno Opositivo-Desafiador (TOD)TOD · Emanuele Freitas · Eros · Autismo · Análise do Comportamento Aplicada (ABBA) · Diagnóstico diferencial
  • Problemas de visão em pessoas com Síndrome de DownSíndrome de Down · Trissomia do cromossomo 21 · Dr. Jaime Rosenblatt · Exame de refração · Hipermetropia · Astigmatismo · Ceratocone · Acuidade visual
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Está no ar um espaço de escuta, diversidade e transformação Entrevistas, histórias reais e debates sobre acessibilidade e direitos Inclusão em foco Porque inclusão não é detalhe, é compromisso

Seja muito bem-vindo, este é o programa Inclusão em Foco, ano 2, edição número 49. Mais do que palavras, este é um espaço de ação concreta, de presença ativa e de protagonismo real.

Eu sou Júnior Patente e reforço, inclusão não pode ser promessa nem discurso vazio. Inclusão é compromisso diário, é voz que se impõe, é história que se constrói. E acima de tudo, transformação que se realiza.

E no programa de hoje, aqui pela Mega Rádio VCA e pela Rádio Câmara de Vitória da Conquista, você vai ficar por dentro. Tudo sobre o chamado transtorno positivo desafiador, TOD. Uma entrevista com especialistas sobre o assunto.

O talento que venceu o preconceito. João Hélio, do isolamento ao cenário internacional. É uma bela história que você vai ouvir no programa de hoje, direto do interior do Piauí. E ainda no programa de hoje nós vamos falar sobre problemas de visão nas pessoas com síndrome de Down. Fique ligado, tudo isso e muito mais a partir de agora.

É bom lembrar que o nosso programa, nesta edição, tem o patrocínio da Granola Tia Sônia e da Life Club Academia. Fique ligado e prestigie o nosso programa e os nossos patrocinadores.

E se você quer participar do nosso programa, é muito fácil. Você pode mandar mensagens através do nosso Instagram, Portal Incluir. Também tem o Facebook do Portal Incluir. É só você procurar lá o Portal Incluir que você vai achar. E a gente vai estar disponibilizando aí o link também. Vamos divulgar bastante, vamos participar.

E contribuir para esse debate aqui sempre na Mega Rádio e na Rádio Câmara de Vitória da Conquista, além do Spotify, evidentemente. E no Instagram você pode mandar sua mensagem com sugestão, manda lá aquele bate-papo, um alô que você quer receber no nosso programa. Está aberto aqui agora, você pode mandar sua mensagem e participar com a gente no nosso Inclusão em Foco, que está apenas começando.

Olha, lembrando que a gente no programa de hoje vai estar trazendo essa entrevista com a mãe do João Hélio. João Hélio, eu vou contar um pedacinho rapidinho para você não sair daí e ficar com certeza esperando a chegada dessa entrevista. João Hélio, menino de 8 anos de idade, foi rejeitado, foi expulso de uma escola depois de estudar na escola por algum tempo.

segundo a escola, porque não estava conseguindo trabalhar, porque o João atrapalhava os outros alunos. A mãe levou esse menino para casa, começou a educar em casa, começou a descobrir os dons que esse menino tinha. E só para resumir...

Daqui a pouco você vai ter a história toda. Hoje ele é um artista plástico de reconhecimento internacional. E sabe qual é a idade dele hoje? 16 anos. Essa com certeza é uma bela história e que você não vai querer.

deixar de ouvir e compartilhar depois com a sua família, com seus amigos, com todas aquelas pessoas que gostam e que gostam de acompanhar o que está acontecendo aí no mundo da inclusão, porque afinal de contas o mundo que a gente está vivendo hoje precisa todo dia falar mais de inclusão, porque não tem cabimento o que está acontecendo aí pelo mundo afora. Tá bom, minha gente?

Muito bem, nosso Inclusão em Foco vai começar falando de problemas da visão na trissomia do cromossomo 21 ou síndrome de Down, como queira, tá certo? Vamos à entrevista que eu fiz com um dos maiores especialistas no Brasil em relação à oftalmologia e ele que é também especialista em síndrome de Down. Vamos a essa entrevista, com certeza você vai gostar muito de ouvir essas informações.

Temos um entrevistado muito especial, o Dr. Jaime Rosenblatt, que é um dos grandes oftalmologistas do país, inclusive por ser um especialista com relação à síndrome de Down ou trissomia do 21. Bom, eu vou conversar com o Dr. Jaime sobre um assunto importante, que é a questão do exame de vista. Quando que deve fazer, por que que deve fazer, quais os problemas que uma criança com T21 pode enfrentar na sua vida.

E para não perder tempo, já vamos começando a nossa entrevista, esse nosso bate-papo com o Dr. Jaime Roisemblad. Dr. Jaime, muito bem-vindo. Eu gostaria que o senhor falasse um pouco sobre essas características do ponto de vista oftalmológico das crianças e adultos com T21. A frequência de distúrbios na visão. Atendendo o convite do meu amigo Júnior.

Vamos falar hoje um pouquinho sobre alterações oftalmológicas que nós encontramos nas crianças, adolescentes e adultos com a trissomia do 21.

Primeira coisa, é importante salientar a altíssima frequência de distúrbios de refração nas crianças com T21, com trissomia do cromossoma 21, sendo que a grande maioria necessita de correção para hipermetropia e astigmatismo.

Até prova em contrário, todo portador de T21 necessita de óculos. E essa afirmação pode parecer um pouco forte, mas é um fato. E essa necessidade do óculos...

é algo que tem que ser providenciado de forma precoce. E essa necessidade se estende, via de regra, ao longo de toda a vida.

Bom, passada essa fase inicial, colocou os óculos na criança, enfim, tem aquela fase inicial. Como é que são os resultados disso? Qual é o processo? O que acontece passada essa fase inicial de adaptação?

Passada a fase de adaptação inicial, a aceitação dos óculos, via de regra, é muito boa. Passada a certa idade, a criança solicita, em geral, sozinha, os óculos. Fundamental.

é haver aprovação familiar ao uso da correção. Se não há essa parceria e aceitação, fica muito difícil a fase inicial. A família precisa entender desde cedo o benefício que o uso dos óculos trará para o desenvolvimento da criança.

Por incrível que pareça, a gente conversando, o senhor me dizia que um dos problemas até, que a gente não entende, mas tudo bem, que uma criança ou uma pessoa com T21 enfrenta na questão da utilização do óculos é a colaboração da família. É isso mesmo, doutor?

Pode parecer paradoxal, mas a grande dificuldade no dia a dia da prática oftalmológica é conseguir a colaboração das famílias. Felizmente, esse cenário vem se alterando por conta da conscientização das famílias.

Grande esforço precisa ser desenvolvido pelo médico para que as famílias aceitem o fato que as crianças com T21, com enorme frequência, necessitam precocemente dessa correção ótica.

Da mesma forma, as famílias precisam entender que com o crescimento das crianças, esse grau irá se alterar. E, portanto, elas precisam de revisões frequentes e periódicas.

A mudança do grau com o passar do tempo não significa nem melhora nem piora. Significa apenas isso. A criança está crescendo e é natural haver mudança do grau. E como a gente poderia fazer para melhorar essa questão, para que essas pessoas pudessem ter uma aceitação e, inclusive, um acompanhamento que é necessário com a pessoa com T21?

A formação de grupos de pais e mães de crianças com T21 tem ajudado de forma extraordinária nesse trabalho de conscientização a respeito da necessidade das crianças com T21 terem acesso a exames oculares periódicos.

Como a necessidade de uso precoce é muito frequente, as lentes dos óculos riscam com muita frequência, pois a criança, quando pequena, ainda não sabe cuidar sozinha corretamente das lentes.

há necessidade de supervisão constante por parte dos adultos, seja na limpeza das lentes, seja na colocação dos óculos em posição adequada no rosto. Há também necessidade frequente de ter os óculos reserva para serem usados enquanto as lentes riscadas são trocadas.

Bom, sobre os cuidados com a lente, a necessidade do uso precoce, realmente a gente sabe que é frequente. E existem os incidentes no meio do caminho, um arranhão, enfim. Como é que deve ser aí essa manutenção, esse acompanhamento, já que muitas vezes a criança não sabe fazer a manutenção desse óculos?

A criança, ainda pequena, percebe facilmente o quanto o uso dos óculos tem um significado todo especial para o resto da família. Por isso, às vezes, a criança usa esse fato.

E num momento de birra, de chantagem, ou quando quer contrariar a família, a criança tira os óculos e esconde-nos lugares mais inverossímeis. Quando não, chega a tirar pela janela.

A criança faz arte mesmo e temos de aceitar isso com muita calma. Temos de saber lidar com essas situações e não fazer um cabo de guerra com esses episódios. Pior ainda seria punir a criança.

Agora, o interessante, doutor Jaime, é quando a criança começa a utilizar o óculos, eu estou falando isso por experiência com minha filha, ela imediatamente percebe que ele é importante para ela.

Nas crianças pequenas, de meses de idade até 3, 4 anos, o exame de refração é feito de forma totalmente manual, com o chamado esquiascópio, estando a criança cicloplegiada com o colírio cicloplégico.

Via de regra, não é necessário mais do que uma gota de cicloplégico em cada olho. Não se deve utilizar colídeos à base de atropina, devido à alta frequência de reações paradoxais, até com agitação psicomotora, alterações cardíacas, chegando em alguns casos até a ocorrer alucinações nas crianças.

com o uso de colírio diatropina. Já nas crianças a partir dos 4 anos, o autorrefrator é uma ferramenta utilíssima e ajuda muito no exame de refração das crianças. Os dados obtidos no autorrefrator devem sempre ser conferidos pelo exame de refração manual com esquiascópio. Vale lembrar...

que também a partir dos quatro anos utilizamos apenas o colírio cicloplégico, bastando uma gota em cada olho, nunca mais do que isso. Mais do que uma gota de cicloplégico por olho tem grande chance de causar efeitos colaterais importantes.

Fala um pouco sobre o exame de refração que é feito com as crianças, principalmente as pequenininhas, de até 4 anos de idade. Dr. Jaime. É frequente os pais perguntarem, como o senhor sabe o grau que meu filho ou minha filha tem se ela não sabe falar ou não respondeu a nenhuma pergunta sua nesse exame?

É importante explicar que no exame de esquiascopia manual, o médico vai focalizando a retina com o uso de diferentes lentes até conseguir o foco, ou seja, focalizar a mácula, que é o ponto central da retina. Da mesma forma que o médico necessita...

de um determinado grau de lente para chegar ao foco, ou seja, chegar a focalizar a mácula, a criança que está sendo examinada necessita do mesmo grau para enxergar o mundo exterior. É como se fosse uma via de mão dupla.

A mesma via que permite a entrada e focalização dos raios luminosos de fora para dentro é a via ótica de mão dupla que permite ao olho focar de dentro para fora, ou seja, da mácula para o mundo exterior.

Ainda na parte da refração, é de extrema importância o diagnóstico precoce das crianças com astigmatismo, especialmente se ele é progressivo e se ele ocorre em crianças com perfil alérgico.

Nessas crianças com T21, há alta incidência de ceratocone, que pode ser objeto, inclusive, de prevenção, pois são crianças alérgicas que coçam frequentemente os olhos, o que as torna propensas ao desenvolvimento desse problema chamado ceratocone.

o simples ato repetitivo de coçar, se evitado de forma ativa, seja mediante o uso frequente e constante de colírios antialérgicos não esteroidais, sem cortisona, seja mediante o próprio uso dos óculos,

pois estes são uma barreira entre as mãos e os olhos, são capazes, em conjunto, de evitar a progressão do ceratocone.

O importante é que os pais, tutores nas escolas, professores e demais profissionais da área de saúde estejam conscientes que coçar os olhos não é algo tão inocente ou sem consequências.

Eu estou entrevistando o oftalmologista Jaime Roisemblat, da cidade de São Paulo, um dos especialistas em oftalmologia na T21 e que traz para nós informações importantes nesta edição de hoje do programa Inclusão em Foco.

Bom, com relação a aumento de grau, piora, melhora, é normal, não é normal, muda toda vez que faz exame, isso poderia desmistificar essa questão, doutor Jaime?

Compete também ao oftalmologista desmistificar a falsa correlação frequentemente questionada pelos familiares entre aumento do grau e piora da situação oftalmológica e vice-versa, a diminuição de grau e a melhora da situação oftalmológica.

Não é porque tenho seis graus de hipermetropia, por exemplo, que não posso enxergar bem com os meus óculos. É fundamental explicar às famílias que as alterações de grau, para mais ou para menos, são inerentes ao crescimento e desenvolvimento da criança.

seja aumentando ou diminuindo o grau. O que é importante é que o exame de refração precisa ser bem feito e a criança consiga alcançar a acuidade visual a melhor possível. Isso sim é que é importante. Qual é a importância do uso precoce dos óculos para o desenvolvimento das crianças com T21?

É função do oftalmologista explicar às famílias a influência que o uso precoce dos óculos tem sobre o desenvolvimento de todas as outras capacidades, habilidades e domínios da criança com T21.

Considerando que os problemas de refração na criança trissômica envolvem, muitas vezes, graus elevados, é fácil compreender que a criança com T21 que não teve acesso precoce à correção óptica apresentará dificuldades visuais que se refletem em todos os campos de atividade e do desenvolvimento.

Por exemplo, na interação com outras crianças, no aprendizado escolar, na motricidade, no equilíbrio, na fala, na audição. Isso é tão mais evidente quanto maior o grau da correção ótica. Bom, há a questão da qualidade da visão. As crianças com T21 alcançam a mesma acuidade visual das crianças que não têm atrissomia?

Os níveis máximos de acuidade visual que uma criança com T21 alcança são diferentes, via de regra, da acuidade visual máxima que as outras crianças, ditas típicas, alcançam. E essa limitação se deve à configuração do sistema nervoso central das crianças com T21.

Isso já foi provado em testes de eletrofisiologia de potencial evocado. Assim, na escala de Snelling, que é a escala que normalmente nós usamos para a feriacuidade, as crianças com T21 alcançam em geral até o chamado 2040.

com correção. Excepcionalmente, chegam até 20,30 ou até 20,25. O nível de 20,40 de visão é perfeitamente compatível com o aprendizado escolar, com a boa interação social e com uma ótima qualidade de vida.

Sobre a questão do grau mudar a cada ano, isso acontece via de regra? Isso pode acontecer de diminuir, de estabilizar, doutor Jaime? É muito frequente a pergunta dos pais em exames em anos sucessivos, em especial no exame de uma criança em idade de crescimento mais acelerado. Doutor, esse grau vai subir daqui a um ano?

Muitas vezes os próprios pais já sabem a resposta, mas muitas vezes eles se sentem mais calmos de escutar do médico que tudo pode acontecer, inclusive subir o grau, e que isso não representa nenhum problema.

Este foi o Dr. Jaime Rosenblatt, um especialista na oftalmologia AT21, oftalmologista com mais de 35 anos de trabalho diário com a AT21, que é um grande formador de oftalmologistas pelo Brasil e que a gente teve o prazer de receber no nosso programa de hoje.

Eu falo com muita tranquilidade sobre o Dr. Jaime Roisemblah. Conheço de perto o trabalho dele. É ele que atende a minha filha lá em São Paulo. E é sensacional. O conhecimento que ele nos passou nessa entrevista. E quando você conversa com ele pessoalmente, é tranquilizador. Eu juro para vocês, é tranquilizador. Qualquer dia eu conto essa história aqui no nosso programa.

É hora de um rápido intervalo. Já já nós voltamos trazendo mais notícias importantes. Vamos falar de um assunto que ainda tem muito tabu, tem muita gente que evita de falar e que é preciso que a gente discuta cada vez mais. É o chamado transtorno positivo desafiador. Fique ligado porque é logo depois do intervalo.

Conheça o Portal Incluir no Instagram. No arroba Portal Incluir, famílias e especialistas se unem para compartilhar experiências, informações e apoio. Junte-se a nós e faça parte de uma comunidade colaborativa e inclusiva. Siga agora arroba Portal Incluir.

A inclusão é essencial para uma sociedade justa. Cada pessoa, independente de suas limitações, tem muito a contribuir. Seja parte dessa mudança. Inclua, respeite e valorize as diferenças.

Estamos de volta com o programa Inclusão em Foco, para você pela Mega Rádio VCA, pela Rádio Câmara de Vitória da Conquista, aqui no Spotify. Muito obrigado para você que sintoniza e curte o nosso programa, todas as edições. Estamos chegando, hein? Semana que vem será a edição número 50, quase um ano e meio no ar, 50 edições de muita informação e de muita inclusão.

Você sabe o que está por trás do chamado transtorno positivo desafiador, o TOD? No episódio de hoje, o Inclusão em Foco coloca a luz sobre um tema cercado de dúvidas, estigmas e desafios cotidianos, tanto no ambiente familiar...

quanto no ambiente escolar. Mais do que rótulos, como rebeldia, falta de limites, o TOD é uma condição complexa que envolve fatores neurológicos, emocionais e ambientais. Compreender este cenário é fundamental para substituir julgamentos por informação qualificada e acolhimento.

Nossa convidada é Emanuele Freitas, escritora, neurocientista, especialista em psicopatologia e neurodesenvolvimento. Ela é autora da obra Transtorno Positivo Desafiador, Sintomas, Avaliação e Diagnóstico e Alia Conhecimento Técnico com Experiência Pessoal sobre o tema. Vamos então a nossa entrevista com a Emanuele Freitas.

Doutora, para começar a nossa conversa, o seu livro mistura conhecimento técnico e uma vivência pessoal. Em que momento você sentiu que precisava transformar essa experiência em uma obra para outras famílias? Olá, é um prazer imenso estar aqui com vocês do Inclusão e Foco. E poder estar falando de um tema tão relevante, tão importante, que tem uma vitrine muito pessoal também. Além do meu lado profissional, do meu lado como mãe.

O livro Transtorno Cositivo Desafiador, ele foi o mais atual a ser publicado, mas ele foi provavelmente o segundo que eu pensei logo depois que eu comecei nessa caminhada. Veio o peitador escolar primeiramente e ali na mediação, quando eu comecei o meu trabalho, eu comecei em mediação, eu já via que existiam comportamentos alterados em algumas crianças que não eram dentro de um padrão de...

naturalidade, digamos assim, de desenvolvimento, né? E o meu filho, realmente, o Eros, ele tinha um comportamento muito acertuado.

E todo mundo dizia que era do autismo, que aquilo era do autismo, né? Porque ele tem cefalopatia crônica como comorbidade principal e tem autismo como patologia secundária, comórbida, né? E tem o transtorno positivo desafiador. E nesse caso...

Eu comecei a estudar realmente para que eu pudesse entender o meu fio, entender como eu poderia ajudá-lo, mas também como eu poderia me ajudar. E o Transtorno Positivo e Desafiador chegou na minha vida assim, como algo realmente vindo do estudo, da liouciência. Então, com isso, eu vi que não era do autismo, aquilo era uma questão muito além.

e que realmente era um dos fatores que mais era prejudicial no desenvolvimento dele, porque o não aceitar ordens, o não aceitar regras, a agressividade, a questão dele descompassar com pouquíssima coisa e não conseguir voltar ao seu eixo, voltar a termos para o controle emocional, era algo que fugia do...

É padrão de criança, é padrão de alguma patologia. Então eu realmente fui estudar, tentar entender o que era o transtorno positivo desafiador e outras patologias também do comportamento, né? E ver como eu poderia ajudar ele. Com esse contexto, uma das primeiras coisas que eu fui buscar foi a análise do comportamento aplicado, o ABBA, para que eu pudesse me especializar e saber como agir em comportamentos inadequados.

e atuar dentro de casa. E isso expandiu-se para o meu trabalho terapêutico. E quando eu realmente me senti pronta para passar isso adiante, foi quando o livro se formou, pergunte-se. Eu queria passar realmente a minha realidade de mãe, primeiramente, com um contexto profissional, porque eu sei o quanto é difícil uma mãe...

as pessoas entenderem o que uma mãe de um filho com transtorno positivo desafiador passa. E muitas das vezes, os pacientes chegavam no meu consultório já bem alterados, de nível 2, nível 3, mas o principal era os pais. Os pais estavam ali desesperados, sem saber o que fazer.

Então, isso me motivou realmente a montar o livro, a escrever com todo o carinho, toda a dedicação e inclusive colocar a minha própria história, para que todos entendessem que eles não estão sozinhos. Logo no início, a senhora relata um impacto de enfrentar o desconhecido, do modo errado, inclusive. Quais foram os principais erros seus ou da sociedade no início dessa caminhada?

Então, um dos principais impactos, o começar do modo errado, do jeito errado, veio justamente por cobrança social. Você não sabe cuidar do seu filho, você não sabe criar seu filho. Se fosse meu filho, eu faria desse jeito. E ali, muitas das vezes, eu perdia a calma, eu perdia a paciência.

E muitas das vezes também, no passado, antes de saber o que era o transtorno positivo desafiador, eu agi de impulso, tive momentos de sair mesmo do controle e houve palmadas, como todo mundo dizia na época, isso aí é malcriação, você não sabe cuidar do seu filho.

Também muitas das vezes eu me peguei sem saber o que fazer, literalmente. E é ponto de sentar, chorar e achar que ali era o fim. Por quê? Eram provas que se passavam em nível social, por exemplo, dentro de um metrô, a criança entrar em condição de desregulagem por causa de um som muito alto.

das portas se fechando no metrô, e ali as pessoas falaram, ah, Bess, a criança está incomodando, segura seu filho, você não sabe conter seu filho. E aquilo me prejudicava emocionalmente. Então, assim como eu, outras mães passam por isso também, porque eu escuto muito o relato das mães quando elas vêm até a mim.

esse relato de que a criança não sabe se comportar, a mãe não sabe dar limite, só que as pessoas não sabem ainda o desgaste emocional que isso vai causando. E uma fala que é muito comum...

Eu me afastei da sociedade, eu me afastei dos meus parentes, por exemplo, eu parei de frequentar festas, eu parei de ir em locais públicos, como eu também fiz. Eu parei de ir em shopping, em locais muito cheios e questões de vivenciar, por exemplo, o desespero sem saber o que fazer com aquela criança. E teve um período muito pior, que era o período onde eu não sabia realmente o que era o transtorno positivo desafiador.

E ali, não saber como agir, não saber o que fazer quando entrava numa crise, quando entrava num processo desregulatório. O TOD ainda é muito confundido com falta de limites ou má criação. Por que esse preconceito ainda é tão forte e como ele afeta as famílias?

Sim, o Todd ainda é muito confundido por falta de limites, com malcriação. As pessoas, eles tendem a ter essa visão de que o transtorno positivo é desafiador. Não é nada. Porque muitas das vezes, não é o caso, por exemplo, quando você tem uma criança que ela tem alguma outra comorbidade principal, por exemplo, né?

um autismo, né, e ali ela tem uma, não tem uma verbalização adequada, então ele já tem uma comorbidade, por exemplo, principal, digamos, né, e...

as pessoas vêm de outra forma, né? E aí a gente tem duas vertentes nesse quesito. Mas quando a criança, ela fala, ela interage, ela tem um cognitivo preservado, mas ela tem o transtorno positivo desafiador, como comorbidade principal, as pessoas tendem a achar que é falta de limite.

No caso de alguns pacientes que eu atendo e do meu próprio filho, visivelmente, as pessoas têm essa questão do visível, de ele não parece que tem nada, ele não parece que tem alguma patologia, alguma deficiência. Então, se ele não tem nada disso, não justifica o fato dele ter esse comportamento. Mas se ele tem, aí algumas pessoas até justificam, mas ele faz isso porque ele tem isso. Ele tem essa tal patologia, ela tem essa tal deficiência.

Então, no início da caminhada, ela é muito difícil, porque fisicamente e visivelmente, né, seu filho não tem nada que diga assim, olha, é um transtorno do comportamento, né? Então você se pega, muitas das vezes, pensando, eu me peguei várias vezes pensando, nossa, eu não, eu realmente, as pessoas falam tanto que eu...

Acho que eu realmente não sei criar o meu filho, não sei cuidar dele. Sendo que eu tenho uma filha mais velha, né? Criada da mesma forma e que não tem esses comportamentos e não tinha aquele tipo de problemas, né? De comportamento. Então, mas acabava que de tanto ouvir, de tantas pessoas julgarem, né? Eu acabava pensando mesmo que eu não estava sabendo fazer o meu trabalho, o meu cuidado de mãe, né?

E isso realmente, eu muitas das vezes falava para ele mesmo, para o meu próprio filho, nossa, você é muito mal criado, né? Sendo que seria eu a culpada em si. Para você ver como se torna um processo muito complicado mentalmente, emocionalmente, para a mãe, para o pai, para os irmãos, porque...

A gente tem que ter esse olhar para os irmãos também, porque o transtorno positivo, ele afeta todo mundo, não só a mãe e o pai, a irmã, muitas das vezes é um primo, uma tia, e indifere das pessoas que moram próximos da pessoa. Então, o preconceito ainda é muito forte.

principalmente se tem essas duas vertentes. A pessoa não tem uma comorbidade principal mais deficitária e aí ele tem o transtorno positivo desafiador, e aí as pessoas acham que é malcriação, é falta de limite, não sabe criar o filho. Ou quando ele tem uma patologia principal, ele faz isso por causa...

Por exemplo, você está ao autismo. Ah, ele faz isso porque ele é autista. E não é. Muitas das vezes é confundido um comportamento de indígena optivo, de nível 2, 3, um transtorno positivo desafiador, como um comportamento normal de uma pessoa com autismo. No livro, a senhora destaca a importância do diagnóstico correto e do diagnóstico diferencial. Por que isso é tão decisivo no tratamento do TOD?

O dialinótico tem um papel fundamental no tratamento. Por quê? Quando a gente tem, por exemplo, um comportamento disruptivo que não é o TOD, ele não é uma patologia neuroquímica cerebral, como é o tristolo positivo desafiador, existem outras vertentes que podem ser utilizadas.

para o contexto. Não é que a criança tenha uma patologia, muitas das vezes é a própria pessoa, o ambiente onde ela vive que conduz aquilo. Agora, quando a gente tem ali o diagnóstico diferencial...

onde é aplicado os protocolos corretos, os exames, por exemplo, um eletrodecefalograma, um exame de catecolaminas, para a gente verificar se existe alguma disfunção neuroquímica naquela criança ou naquele jovem também, né? A gente tem uma vertente diferente. Por exemplo, se ele vai precisar de medicamento para dar uma...

Para poder ser um coadjuvante ali do tratamento, qual a terapia mais adequada e principalmente...

a preparação e o trabalho junto com os pais. Porque a partir do momento que os pais entenderem o que é essa patologia e como eles devem agir com o seu filho ou com sua filha, isso torna tudo muito diferente. A gente consegue ter resultados com muito mais eficácia, com mais...

funcionalidade, né? E é isso. A gente vê um sofrimento diminuído. Tá aí, portanto, a especialista no assunto que a gente tá tratando aqui agora, que é o TOD, o transtorno.

Atenção, porque tem gente que fala até um nome um pouquinho diferente, né? Não é opositor, é transtorno opositivo desafiador, tá certo? Então, a nossa entrevistada, ela vem para cá falar sobre esse assunto com todo o conhecimento, como vocês puderam observar aí, ela contando de uma experiência, inclusive pessoal, que ela tem um filho com essa condição do Todd e foi realmente uma entrevista maravilhosa. Se você quer um acesso a essa entrevista completa,

Tenho essa entrevista, são 30 minutos aproximadamente, lá no site portalincluir.com.br. Convido você a estar conosco acompanhando esse portal, que ele tem muita, muita informação. Se você ainda não acessou o portalincluir.com.br, você vai ver falar de tudo lá, de autismo, de TOD, de T21, de deficiência visual.

de todo tipo de discriminação que existe na sociedade, como bullying, racismo, discriminação contra a mulher, violência, todo tipo de situação que necessita de inclusão nessa sociedade. Então, fique ligado e acesse o nosso portal. Muito obrigado à escritora e neurocientista Emanuele Freitas pela participação aqui em nosso programa. Eu vou lhe pedir um minuto de intervalo para a gente voltar e trazer a nossa última entrevista de hoje.

Essa, com certeza, você vai sentir o seu coração mais aquecido depois do resultado. Mas que no começo vai lhe dar um ódio. Essa matéria, no dia que eu li, que eu conheci a história desse menino, eu fiquei nesse misto de sentimentos também. Eu tenho certeza que você vai...

Gostar muito de ouvir essa história. Vou contar a história de João Hélio Araújo Castro. E quem vai contar é a mãe dele, direto de Esperantina, no interior do Piauí. É uma história realmente sensacional. Aliás, muito obrigado pela audiência, o pessoal de Esperantina. Já recebi mensagem aqui de lá. Quero mandar um abraço para o Bruno Maia, que está ouvindo a gente. Quero mandar um abraço também para o Daniel Tami, lá na cidade de Itabuna. Grande Daniel.

meu eterno coordenador lá na TV Cabralha nos anos 90, obrigado pela audiência, uma honra, viu professor? Adriano Araújo, lá de São Paulo, lá do Rio de Janeiro, melhor dizendo, ouvindo a gente, Shirley Assunção, aqui em Vitória da Conquista, pois é, muita gente ouvindo o nosso programa, se informando e contribuindo, inclusive, muitas dessas pessoas que eu falei aqui, elas, inclusive, contribuem com o nosso programa através de entrevistas, através...

de informações e tudo mais e para finalizar os abraços aqui vamos mandar um abraço para Bianca Menezes lá da Darana Darana pessoal que a só assessora a afia aqui em Vitória da Conquista o nosso intervalo como eu falei é de um minuto não passa de se passar se me cobra tá bom e a gente volta com a entrevista sobre o João Hélio

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A inclusão é essencial para uma sociedade justa. Cada pessoa, independente de suas limitações, tem muito a contribuir. Seja parte dessa mudança. Inclua, respeite e valorize as diferenças. Atenção, ouvinte do Inclusão em Foco. A história que você vai ouvir agora...

É daquelas que começam com dor, mas terminam com superação. É a história de João Hélio Araújo Castro. Nascido em Esperantina, interior do Piauí, ele teve a vida transformada ainda criança. Aos oito anos, foi expulso da escola. O motivo, segundo a direção, ele atrapalhava a turma.

A família tentou reagir, procurou outras escolas, mas encontrou portas fechadas. Duas instituições também recusaram matrícula. Veio o silêncio, veio a dor e veio o isolamento. Mas foi nesse momento difícil que nasceu a arte, sem telas e sem tinta profissional.

João começou a pintar onde dava, paredes, móveis, no chão da própria casa, cores fortes, pinceladas intensas. Era ali que ele colocava para fora tudo o que sentia. A família percebeu, ali existia talento. E aí veio a decisão, investir.

Em março de 2019, veio a primeira exposição, no Teatro 4 de Setembro, em Teresina. E aí tudo começou a mudar. As exposições se multiplicaram, casas de cultura, bibliotecas, galerias. Em pouco tempo, o trabalho ultrapassou fronteiras. Chegou ao Rio de Janeiro, à Califórnia e também ganhou projeção em prédios de Belém.

Em 2022, o reconhecimento internacional. As obras de João Hélio chegaram ao Museu do Louvre, um dos maiores símbolos da arte no mundo. Em 2025, mais um marco, premiado em Londres e reconhecido como embaixador da cultura. Autodidata.

ambidestro, com estilo próprio, cores vibrantes, muitas vezes neon, uma identidade que chama a atenção. João nasceu com síndrome de Down, a trissomia do cromossomo 21, e transformou o preconceito em potência. Hoje, aos 16 anos, ele vai além da pintura, participa de desfiles, estampa produtos e também atua como modelo.

Carrega valores simples, amor, família, inclusão. Inspirado por Mussoumano, ele acredita na arte como ponte, como conexão, como transformação e deixa uma lição clara. Sucesso, para ele, não é fama. É viver com humildade, com verdade e sem perder a essência.

E a caminhada continua com mais arte, com mais inclusão e um sonho cada vez maior. E o sonho do João é levar a sua mensagem para o mundo. Eu tive a honra de conversar com a mãe do João Hélio. Ele estava com muitas atividades no dia que a gente conversou e não tive como gravar com ele, mas está prometido que qualquer hora dessa a gente vai fazer uma gravação com o João para o nosso programa.

E a Helenilza é uma mulher de muita garra, muito forte. E eu fiz questão de trazer essa história que eu acabei de contar para vocês na versão, na visão, da guerreira Helenilza, a mãe do João Hélio. Vamos à entrevista.

Muito bem, o nosso programa Inclusão em Foco vai ter uma entrevistada hoje que vai falar de um garoto sensacional. Eu tive o prazer de conhecer a história desse menino de 16 anos de idade e realmente me tocou profundamente. Eu procurei, encontrei a família e a gente vai falar hoje sobre a história de João Hélio. João Hélio é um garoto que aos 8 anos de idade...

foi tirado, retirado, expulso, vamos colocar dessa forma, da escola, porque, segundo aquela instituição, ele atrapalhava o desenvolvimento dos demais alunos. Isso aconteceu em outra escola e depois a família teve dificuldade, não conseguia mais inserir o João numa instituição escolar e a mãe teve o trabalho de levar o garoto para casa e, a partir de casa, tentar ajudar o seu filho da maneira que era possível.

E aí ela descobriu, nesse meio termo, que o João tinha um dom muito bom para a pintura. Ela incentivou, comprou material, viu que aquele trabalho estava ficando bom, e aí ela investiu no material profissional, e o João cresceu, desenvolveu e se tornou um artista plástico, conhecido fora do Brasil, inclusive, com exposição até no Museu de Louvre, na França, que é um dos mais famosos do mundo.

E é essa mãe, essa mãe heroína que a gente traz no programa de hoje com muita alegria, com muito prazer, para falar sobre a história do João Hélio. Elenilza, seja muito bem-vinda ao programa Inclusão em Foco. Para começar, eu gostaria que você me falasse como você reagiu quando o João foi retirado, expulso de uma escola. O que mais te marcou naquele período?

Quando o João Welles foi pedido para se retirar da escola, né, dessa escola que o dono não quis mais ele lá, há oito anos, na época eu não fui à procura dos meus direitos, né. Eu realmente, eu só desabei, chorei horrores. E foi o momento que eu conheci de perto a dor, a dor real da exclusão social.

Então, eu entendi que se a pessoa não queria meu filho lá, então, aquele realmente não era um ambiente pra ele. A dor, ela foi terrível, porque ele passou quatro anos naquela escola, então ele fez amizades. Mas eu não fui atrás dos meus direitos, eu não briguei, porque eu sou de entregar muitas coisas, eu entrego pra Deus resolver. E vida que segue, né?

E após a recusa de outras escolas, o que vocês fizeram? Quais foram os desafios encontrados e enfrentados pela família? Eu acho que o maior desafio para a gente foi encontrar uma escola que de fato entendesse o meu filho, que aceitasse ele, que acolhesse ele, porque ele estava saindo de um momento muito difícil.

E ele estava naquele mundo de introspecção, sofrido demais. Então, a gente percebia muita tristeza nele.

E a gente precisava que ele chegasse em um ambiente acolhedor e que fosse também um ambiente feliz. Graças a Deus foi exatamente isso que aconteceu. Ele realmente chegou em uma escola que o acolheu. A professora foi muito, muito paciente com ele, entendeu e o ajudou demais.

Bom, aí eu contei um pouco dessa história no começo, mas aí a partir de que momento você percebeu que João tinha esse dom voltado para as artes plásticas, para a pintura? Perceber essa saída do João Hélio desse momento de exclusão.

para trilhar o caminho da acessibilidade. Através do pincel, ele conseguiu criar a ponte da acessibilidade. Eu acho que tudo isso para a gente perceber isso dentro de casa, para nós, familiares, foi um aprendizado muito grande, porque a partir daí a gente começou a valorizar coisas que talvez antes a gente não valorizasse tanto.

E a arte, ela fez, provocou essa união bem maior da família em torno do nosso bem maior, né? Que é o nosso João. Bom, com certeza há uma grande mudança na família a partir daí, né? Da expulsão, da exclusão da escola até o menino se transformar num artista reconhecido em todo o mundo. Como é que vocês acompanharam essa transformação da exclusão para a expressão artística no contexto aí, né? Dentro de casa.

Como uma criança com trissomia 21, as artes, quando ela chega na vida do João Hélio, ela vai provocar mudanças positivas, quando se fala da questão da aprendizagem, do desenvolvimento motor, que está relacionado também à coordenação motora dele. Então, as artes, elas contribuíram muito nesses aspectos.

Com certeza a família tem um papel muito importante para todas as crianças que são PCD. E eu queria saber qual o papel da família, qual foi e qual tem sido o papel da família para contribuir com o desenvolvimento do talento do João. Eu acho que a nossa contribuição enquanto família para o desenvolvimento intelectual do João L. nessa área das artes plásticas, eu acho que foi muito relacionada à questão da confiança que a gente sempre repassou para ele.

O acolhimento e o acreditar. Eu acho que o acreditar, o oportunizar, são palavras que são fundamentais no desenvolvimento dele em toda essa trajetória. E a gente sempre procurou apoiá-lo. E eu acho que o apoio é um elemento muito grande para o desenvolvimento de qualquer criança.

Qual foi a importância da primeira exposição do João no Teatro 4 de Setembro? Como é que isso influenciou na trajetória dele? A exposição no Teatro 4 de Setembro acontece exatamente no mesmo mês que houve essa questão da exclusão nas escolas. E o João Hélio foi no final do mês de março, dia 27 de março.

Ele foi para o Teatro 4 de Setembro, ele foi convidado para ir para o Teatro 4 de Setembro. E eu acho que eu vi ali um artista, uma personalidade, uma representatividade muito grande nascendo para o mundo. Foi isso que eu observei quando eu vi o João Hélio naquele local, sendo aclamado por muitas pessoas. E para a gente foi um momento que a gente respirou e agradeceu a Deus.

pelo presente, pelo nosso filho, pela evolução que ele teve, que ele conseguiu, a partir de um momento de dificuldade que ele passou, ele transformar isso aí em vitória e mostrar para o mundo do que ele é capaz. Elanilza, como você avalia a síndrome de Down, o impacto da síndrome de Down na carreira artística do João? Isso que eu queria falar é relacionada à criança com trissomia 21.

e a carreira que ela pode escolher, né? No caso do João Eli, que escolheu as artes plásticas. O diagnóstico, ele não é responsável pela identidade de ninguém. Ele não define ninguém. O que define é o caráter.

é a sensibilidade, é a humildade, e são muitos valores que definem realmente quem é a pessoa, a identidade real de alguém. E eu acho que esses valores a gente conseguiu repassar para o João Helio. E ele utiliza isso todos os dias. Todos os dias ele é uma pessoa muito paciente, uma pessoa muito feliz, é uma pessoa muito humilde.

companheiro, gentil. Então, ele tem inúmeros valores, né? E eu acho que a cisdominal, ela é... Ela não vai definir... O cromossomo, ele não vai definir, de fato, o caráter de ninguém.

E agora, passados esses oito, nove anos, o João já expôs fora do Brasil, no Museu de Louvre, enfim, em vários lugares. Qual é a avaliação? O que você sente ao ver seu filho alcançar reconhecimento internacional como o verdadeiro artista que ele é? Perceber que a arte do João Hélio chegou no Louvre e que a partir daí ele conseguiu acessar novos caminhos.

dentro do cenário internacional, é ser muito grato e eu não consigo nem traduzir o orgulho que eu sinto através de palavras. E quando eu faço reflexões sobre tudo que ele passou e que nós passamos junto com ele, é perceber que através do pincel ele conseguiu mostrar sua voz e a sua voz foi ouvida. E pra gente...

É uma satisfação muito grande, é um orgulho, um orgulho muito grande saber que através da sua voz, milhares de crianças que foram silenciadas, que elas também começam a aparecer. E o que mais deixa a gente agradecido é a pureza e a coragem do João Helio, a coragem de enfrentar tudo. Quando pensavam que ele não era capaz, ele mostrou que ele é capaz.

E ele vai longe. E eu só tenho mesmo que agradecer pelo filho, pela pessoa que ele se tornou. Parabéns, Elenilza. Parabéns, João. Foi um prazer enorme ter a presença dessa mãe guerreira aqui no nosso programa, lutadora, que não desistiu, com certeza serviu e vai servir de apoio para muitas famílias que estão assistindo a gente neste momento. Um abraço para o João.

Tentei falar com ele, mas ele tinha muita tarefa naquele dia. Ele falou que estava cansado e que de outra vez ele gravava uma entrevista também para o nosso programa Inclusão em Foco. Estou aguardando, viu, João? Um abraço. Muito obrigado à família que nos acolheu tão bem e que nos respondeu a essa entrevista.

Está aí, portanto, a entrevista com a Elenilza Maria de Araújo Souza, a mãe do João Hélio Araújo Castro. Esse garoto vai longe e vai ser exemplo para muita gente, que muitas famílias possam tomar como base para a sua luta o que essa família está fazendo, porque não dá para a gente deixar barato nem deixar para lá.

É lutar pelos nossos direitos. Essa história vai rodar esse Brasil e quem sabe o mundo. E a gente está contribuindo para isso aqui no Inclusão em Foco. Daqui a pouco já está no Spotify. E você também já pode assistir essa entrevista com a Elenilza no canal do YouTube. youtube.com.br arroba portal incluir.

Já está lá essa entrevista que você pode assistir a partir de agora para ter essa informação e mandar para todo mundo. Manda para muita gente para que as pessoas possam conhecer essa história e se inspirar nessa belíssima história.

E com isso a gente chega ao final do programa Inclusão em Foco desta quarta-feira. Hoje a gente está agradecendo a você pela audiência mais uma vez. Gente, um grande abraço. Muito obrigado pela audiência e até a próxima edição do Inclusão em Foco.

Chegamos ao fim de mais uma edição, porque incluir é mais do que falar, é agir. Inclusão em foco, dando voz, promovendo direitos, construindo um mundo para todos. Até o próximo programa.

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