Episódios de PODDELAS

MaterniDelas - Maxiane com Tata e Cláudia Raia

03 de junho de 20261h4min
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No episódio de hoje, recebemos Maxiane para uma conversa emocionante sobre maternidade solo, rede de apoio e a descoberta da maternidade atípica 🧩🤍

Mãe do Joaquim, Maxi compartilha os desafios de criar um filho sozinha, a importância da família em sua jornada e o processo recente de confirmação do diagnóstico do filho.

Um episódio sobre acolhimento, força e sobre como a maternidade nos transforma de formas que nunca imaginamos.

Não perca! ✨

Participantes neste episódio3
C

Cláudia Raia

Host
T

Tata

Host
M

Maxiane

ConvidadoMãe do Joaquim
Assuntos7
  • Maternidade SoloDesafios da maternidade solo · Rede de apoio familiar · Descoberta da maternidade atípica · Diagnóstico de autismo nível 1 de suporte · Maxiane Rodrigues · Joaquim
  • Desafios da MaternidadeTranstorno de sono em crianças · Hiperfoco em animais (cavalos) · Atraso de fala e coordenação motora · Seletividade alimentar · Necessidade de previsibilidade e rotina · Interação social em crianças atípicas · Impacto do barulho e multidões · Importância das terapias (fonoaudiologia, TO)
  • Maternidade e Saúde MentalConfiar na intuição materna · A necessidade de pedir ajuda profissional e de amigos · Cuidar de si para cuidar do filho · Acolhimento e rede de apoio para mães
  • Comunidade e Rede de ApoioApoio materno e paterno · Importância da avó na criação · Rede de apoio de amigas e profissionais · Dona Sônia (mãe de Maxiane)
  • O Papel da Mulher como MãeAutocuidado e saúde mental da mãe · Sentimento de solidão e falta de tempo para si · Dificuldades em relacionamentos amorosos · A busca por reencontro pessoal
  • Vida pessoal e maternidadeRenúncia a sonhos pessoais (casar, ter mais filhos) · Preconceito em relação a mães solo e atípicas · A relação com o pai da criança · Desejo de ter mais filhos
  • Rotina e trabalho do apresentadorTrajetória de Cláudia Raia na televisão e internet · A importância do programa Maternidélas · Parceria e amizade entre as apresentadoras · Cláudia Raia · Tata Werneck
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?Voz A

Oi, gente!

?Voz B

Ai, eu vou ficar com saudades do "Oi, gente".

?Voz C

Oi, gente! Nosso último episódio de Maternidélas dessa temporada. Último episódio com a Cláudia. Eu não posso falar muito que eu choro, tá? Vamos deixar pro final.

?Voz B

Nossa, uma causa desde o começo, gente.

?Voz A

Ela acolhe, cara.

?Voz B

Uma loucura, nossa vida.

?Voz C

Tá difícil.

?Voz B

Mas eu vou voltar, tá? Só explicar, né, pra vocês que estão aí, que a minha agenda tá muito puxadinho esse ano. Eu tenho muitos projetos, graças a Deus. E não consegui o tempinho pra gente poder fazer o nosso Maternidade delas como o programa merece. Então eu vou sair, vou ali, já volto. Fazer uma Tarsila, fazer uma Miranda do Diabo da Estrada. Vou estrear meu programa na Netflix, que é Sua Mãe Te Conhece. Tem a série também, tô até com preguiça de falar de tanta coisa que tem.

A série A Fúria também, que é do Netflix. Vai estrear agora no final de julho e sua mãe te conhece no final de agosto. É tudo no segundo semestre.

?Voz C

Chique demais! Então juntou muita coisa, a gente super entende, mas a gente deixa pro final pra falar porque eu não—

?Voz B

é só pra explicar, tá, gente? Mas nossa, a convidada de hoje é babado e confusão, tá preparada?

?Voz C

Vamos falar dela, né? Depois a gente fala de Cláudia também. Mas ó, ah não, antes também se inscreve no canal, né?

?Voz A

Vamos pedir pra você se inscrever no canal, você não pede, você não se inscreve. Então vai lá, a gente dispersou.

?Voz C

Se inscreve no canal, deixa o like, compartilha. Já compartilha esse vídeo para outras mamães que precisam. E tenho certeza que sempre assim, se a gente conseguir ajudar uma mamãe, a gente já, né, dever cumprido.

?Voz A

É verdade.

?Voz C

Durante a gestação Toda mãe imagina muitas coisas sobre o filho. Imagina os primeiros passos, as primeiras palavras, a rotina, os desafios. Mas às vezes a maternidade, ela apresenta caminhos que a gente nunca imaginou viver. E quando isso acontece, a mãe também precisa aprender a olhar para o mundo de um novo jeito, né?

?Voz B

É, gente, a maternidade atípica pode ser um desses caminhos. Quando chega um diagnóstico Não chegam só respostas, chegam também dúvidas, adaptações, medos e uma nova forma de entender as necessidades daquela criança. É um processo de descoberta para um filho, mas também para mãe, com certeza.

?Voz C

E a nossa convidada de hoje, ela conhece bem o processo de se reinventar dentro da maternidade. Desde a gestação, ela precisou lidar com mudanças de rota e assumiu a criação do filho como mãe solo, contando com o apoio da família e com uma força que foi descobrindo no caminho.

?Voz A

E que força!

?Voz B

Uma pernambucana, né, gente? Agora, com a confirmação recente do diagnóstico de seu pequeno, ela vive um novo capítulo dessa história. Um capítulo cheio de perguntas, aprendizados, adaptações e muito amor. Porque a maternidade nem sempre vem com manual, mas pode vir com cuidado, coragem e uma rede que ajuda a seguir.

?Voz C

Seja muito bem-vinda, mamãe do Joaquim, Maxiane Rodrigues.

?Voz B

Maxiane Rodrigues.

?Voz A

Nossa, tá chorando. Juro, eu tava tentando segurar, mas nossa. É porque é um lugar tão importante, um lugar tão meu, é tão único, que assim, vocês falando, vem um filme na cabeça, né? Então é impossível a gente não se emocionar. Acho que falar de filhos, falar de maternidade é você se despir por completo de tudo e mostrar suas vulnerabilidades, mostrar sua força. Força que você acha que nunca tem, mas tem.

?Voz C

Acho que é o nosso lugar mais frágil, né?

?Voz A

É o lugar mais frágil, verdade.

?Voz B

E é o lugar mais verdadeiro, que não existe como você encobrir, sabe? Ou fingir.

?Voz A

É o lugar mais frágil, mas eu juro que também pra mim é o meu lugar de força mesmo, assim. Tem hora que em situações eu olho e falo: "Acho que eu não vou conseguir." Eu vou lá e consigo. Não sei como, mas eu consigo.

?Voz B

Mas você acha que sendo uma pernambucana você não teria essa força que sai sei lá de onde? E você é mulher, querida, a gente tem uma força que é inagradável. Outro dia eu vi na internet uma coisa bizarra, desculpa, mas é porque é sobre isso. Uma mãe parindo em trabalho de parto, só que ela era mototáxi, então ela só tinha a moto dela para ir. Ela foi dirigindo a moto, parindo a criança no meio do caminho.

?Voz C

Aonde isso?

?Voz B

Menina, no Nordeste, claro, né?

?Voz C

Aqui, mas aqui no Brasil?

?Voz B

Aqui no Brasil.

?Voz C

Meu Deus!

?Voz B

Eu fiquei chocado, eu falei: meu Deus, só mulher? Consegue fazer isso. É inacreditável. Imagina por que você não conseguiria.

?Voz A

É, né? E ainda mais pernambucana arretada, né? Está arretada. E eu venho de uma família de mulheres com muita força em todos os sentidos. Então não poderia ser diferente, né?

?Voz C

Claro, esse sotaque mais fofo do mundo. O Joaquim tá com 4 ou 5?

?Voz A

Joaquim tá com 4 anos. Ele fez agora dia 27 de março. Ah, ele fez 4 anos. Ele é de 2020? 2. 2022, março de 2022.

?Voz C

Achei que ela era de 2021.

?Voz A

4 aninhos. E a gente começou, eu comecei a perceber, né, as características atípicas há 2 anos. 2 anos eu comecei a... Isso aqui tá... E o que você percebeu?

?Voz B

O que você percebeu primeiro?

?Voz A

Primeiro é o transtorno de sono. Todo mundo falava que eu ia dormir. Você vai dormir, vai chegar uma hora que você vai dormir. E desde que eu engravidei eu não dormia, né? A gestação em si já era desafiadora. Puerpério foi mais difícil ainda. Tive um puerpério muito delicado, precisei usar medicação ansiolítica, né, porque tava à beira de um pós-parto. E solo, né?

?Voz B

Solo.

?Voz A

Solo.

?Voz B

E então assim... E descobrindo uma traição no meio da gestação.

?Voz A

Isso.

?Voz B

Legal, né?

?Voz A

E indo no... Acho que um dos momentos mais assim delicados pra mim mesmo foi ir pro cartório mesmo registrar sozinha, porque eu precisava vacinar meu filho. Então, pra vacinar meu filho eu precisava do cartão do SUS. Pra fazer o cartão do SUS eu precisava registrar. Então cheguei lá com 3 dias de cesárea, assim, queimava, queimava. Registrei, enfim, e solo, né? Nunca tive medo assim. Falei para os meus pais: olha, eu vou ser mãe solo, tá?

Que eu preciso ter um problema, eu preciso resolver esse problema, eu preciso seguir minha vida e não dá para ficar remoendo. Enfim, fiz meu chá revelação sozinha, fui massacrada na live do meu chá revelação. Fui massacrada porque tava todo mundo esperando, né, o casal bonitinho, e eu não tava porque eu já tinha resolvido a questão.

?Voz C

Pois é, que doido, né? Porque aí se perdoa, também é massacrada. Aí se segue, é massacrada.

?Voz A

A gente é massacrada, né? É a coisa do, ah, ou foi abandonada ou abandonou, né? Porque eu acho que acreditava-se que eu que tinha abandonado. Enfim, então eu fui muito massacrada. E tanto que a minha gestação toda eu fiquei mais guardada mesmo assim, evitando falar sobre, porque era um lugar muito delicado pra mim.

?Voz C

Você já trabalhava também com redes, né? Com as redes sociais.

?Voz A

Já, trabalhava com as redes sociais.

?Voz C

Era super forte lá na sua região.

?Voz A

Era super forte, era conhecida.

?Voz C

Então era essa galera que ficava fomentando essa coisa.

?Voz B

Mas geralmente é mulher, né?

?Voz A

Mulher.

?Voz C

Que triste.

?Voz A

99% das críticas que eu recebi, né, por ser mãe solo vinhera de mulheres.

?Voz B

Você sabe que eu também, na gestação do Luca, eu fui massacrada por dizer que eu tava fazendo um desserviço.

?Voz C

Ô, Cláudia, até hoje eu tenho que te defender na rua, tá?

?Voz A

Não é?

?Voz C

Juro! E eu defendo com unhas e dentes, tá? E as pessoas falam: "Ai, é um desserviço." Eu falo: "Fala mais, fala mais pra mim aqui." E sabe o que eu fico mais assim...

?Voz A

Loucura, né? O que me deixa mais triste é porque parece, a sensação que eu tenho pra outras pessoas, pra outras mulheres, é que eu tenho que esconder essa parte. É como se eu tivesse que esconder a parte da minha história em que eu sou mãe solo, mãe atípica, e que passei por N desafios que são reais e que muitas e muitas mulheres vivem. Parece que eu tenho que contar só a parte boa, sabe? A parte do "Uau, sou mãe solo, incrível e forte" e não contar as partes da minha vulnerabilidade mesmo, dos meus momentos de fundo do poço, assim, que eu vivi.

?Voz B

É porque vulnerabilidade pra mulher, segundo o patriarcado, é mimimi. Né, porque a gente tem que aguentar tudo, a gente é obrigada a aguentar tudo, a gente foi criada para aguentar tudo.

?Voz A

Ah, você não quis? Não foi você que quis? Então por que agora você tá reclamando?

?Voz C

Sobre o sono, você como era? Ele não dormia?

?Voz A

Então, meu filho nunca dormiu uma noite toda. Já teve noite de ele acordar 8 vezes, 8 vezes. Então todo mundo dizia que aquilo ia passar, conversava com a pediatra e vai passar e vai passar, e nunca passava. E um primeiro ano nunca passava, um ano e meio e nada. E aí, com o passar do tempo, isso foi piorando. Dependia da noite, cada noite é uma aventura diferente. Então tinha noite que ele passava a noite inteira falando, falando, falando, falando, falando a palavra que ele ouviu.

Então uma vez ele ficou falando batom, batom, batom, batom, batom. E aí ele falava, falava, depois ele levanta, ele senta em W, e aí ele começa a chorar e não para mais, não para mais.

?Voz C

Isso com que idade, mais ou menos?

?Voz A

Isso com 2 anos e meio já acontecia isso, mas eu achava que era normal, achava que era pela rotina. Ah, teve algum dia agitado, sonhou, tava sonhando.

?Voz C

Não, é só primeira experiência também, né? Claro!

?Voz A

E aí assim, isso foi piorando ao longo do tempo, eu passeava a cama inteira agoniado, despertava muitas vezes, a soneca da tarde também. Na soneca da tarde ele levanta e ele acorda muito irritado e aquele choro dura uns 40 minutos, porque na verdade ele tá desregulado, né? Mas eu só vim entender isso com o diagnóstico.

?Voz B

Mas a médica também não diagnosticou?

?Voz A

Não, não diagnosticou. E aí, além do transtorno de sono, que era o que me chamava atenção, o hiperfoco em animais. Ele tem hiperfoco em animais, especificamente cavalos, desde o primeiro aninho dele a cavalos, e tubarões, animais marinhos e dinossauros, mas sempre cavalo. E o brinquedo é a segurança dele, então eu percebi que pra todo lugar tem que ter o brinquedo. Tomar remédio, tomar banho, dormir, ir pra escola, passear, tudo tem que ter esse brinquedo.

O mesmo brinquedo, o mesmo, que é o quê? Patinete, bicicleta, carrinho. Uma vez eu comprei para ele Dia das Crianças um carro desse tamanho assim. Poxa, me realizei, né, com meu trabalho. Dei um presente para ele. Cavalo, ele só quer cavalos, só pensa em cavalos, sempre cavalos, sempre a mesma coisa. Repetição de desenhos, repetição de comportamento, é hiperfoco em cores, dificuldade na escola. Então eu sou professora, então eu fazia essa faço as tarefas com ele.

E eu percebia a fragilidade na coordenação motora. Eu estranhava, por que que ele não tem força na mão? Por que que ele não se decide? Enfim, eu fui vendo esses pontos, o atraso de fala. E é impossível a gente não se comparar, gente. Na maternidade é impossível você não olhar para outra criança e pensar, por que meu filho não tá agindo daquela forma?

?Voz B

E ele não falou até que idade?

?Voz A

Até agora, 3 anos, ele ainda não. Mamãe, como foi na escola? Lanchou, ele fala na terceira pessoa ainda, né? Ele lanchou, ele brincou, somente. Então eu não sei o que acontece na escola, então aquilo tava me angustiando, me angustiando. Ele não forma as frases ainda, só fala. Ele não consegue seguir um diálogo, uma ideia, não, não consegue, né? Ontem na terapia ele tava tentando colocar o caranguejo na massinha, ele não conseguiu, não conseguiu.

Então veio a frase, coisa que ele não fazia nunca, Ele não consegue, ele não consegue. Então agora que ele tá falando, agora que eu consigo. O que você quer? Onde você sente? Sente dor? Joaquim nunca falou para mim onde doía. Ou por exemplo, a barriga tá cheia? Nunca ouvi ele falar. Então atraso de fala me chamava atenção, o transtorno de sono me chamava atenção, a fragilidade, né, a coordenação motora que ele não tinha, e outros comportamentos de repetição, por exemplo, seletividade alimentar. O meu filho, ele come só coisas crocantes, são as mesmas coisas sempre.

?Voz B

Tipo o quê?

?Voz A

Cuscuz com carne, cuscuz com carne, cuscuz com carne, feijão. A textura do feijão ele não come de jeito nenhum. Refrigerante ele não usa, determinadas frutas ele não come. As frutas, ele só come a parte crocante da fruta. Então se você der uma ameixa para ele, ele vai comer a borda da ameixa inteira e a parte mole ele vai devolver. A coxinha, a mesma coisa. A bolacha creme crack, a mesma coisa. E toda e qualquer novidade ele não reage bem, toda e qualquer mudança ele não reagia bem.

E eu agia muito por instinto no começo, eu percebia, ué, Joaquim tem que dar previsibilidade para ele, porque se não der previsibilidade ele não reage bem. Então, por exemplo, o carro chegou, o carro da escola chegou, então eu trabalho com ele 30, 40 minutos antes. Ó, fulano tá chegando, vai buscar a gente. Porque se eu interromper ele no que ele tá fazendo, ele degula. A gente precisa ir para tal lugar, eu tenho que trabalhar antes.

A aula de natação tá acabando. Nossa, uma vez, gente, Ainda não sabia, né? A aula de natação acabou, a gente esqueceu de falar pra ele. Cara, assim, foi um... Desregulou completamente na aula de natação, né? Então eu percebi que eu tinha que dar previsibilidade pra ele. Mudança é uma coisa que não funciona. E a interação com outras crianças, né? Eu percebia que não havia interação.

?Voz C

Como é a socialização? Você entendeu que também...

?Voz A

No começo era a timidez, as pessoas falavam: "Não, mas ele é uma criança tímida." Mas não é uma criança tímida, tem alguma coisa diferente aí.

?Voz B

Você colocou ele na escola com que idade?

?Voz A

Coloquei na escola com 2 aninhos, com 2 anos. E na escola as pessoas também falavam isso, né? Ele é tímido, Max, ele é mais tímidozinho, fica lá com o brinquedinho dele, com o cavalinho o tempo inteiro assim, ó, não dá função para as brincadeiras, entende? Então eu fui anotando isso, fui anotando essas coisas.

?Voz C

E tudo isso ainda trabalhando, fazendo maquiagem, de tudo, e ainda tendo, ainda prestando atenção, prestando atenção em tudo isso.

?Voz A

A investigação mesmo, ela veio no processo do Big Brother. Então, tava durante o processo do Big Brother, a minha prima, que é a Tê, falou assim: ô, Anny, leva Joaquim na TEO, leva Joaquim na TEO. Eu falei: tá bom, por conta própria mesmo. Fui lá, paguei essa história ocupacional. E aí eu falei: fulana, eu não sei o que tá acontecendo com meu filho, eu quero entender o que que tá acontecendo. Tô maluca? Porque minha mãe não reagiu bem no começo, porque ela falou: "Não, tá tudo bem." E aí, aí a negação.

Em nenhum momento eu neguei, sabe? Em nenhum momento eu só pensei: "Meu filho precisa ficar bem." E o ponto crucial mesmo pra procurar terapeuta ocupacional é que eu levei ele pra festa das crianças da escola e a temática era Stitch. Então imagina, uma festa gigantesca, Stitch gigantesco, tudo rosa, tudo azul, muito barulho. E quando eu levei meu filho, ele tava infeliz. Ele tava muito infeliz. Eu já tinha percebido que em todas as atividades que envolvem muito barulho e muita gente, ele não tá feliz, ele tá completamente a cara.

Tem umas fotos dele, e eu me culpo muito por isso, me culpo muito assim, porque eu levei meu filho pro desconforto, né? Eu não sabia. Não, mas você não tem culpa de nada, pelo amor de Deus. E aí eu falo: "Sorri, mamãe." E aí ele, aquele sorriso assim, tipo "Me tira daqui!" Puxava minha roupa assim, sabe? Tipo: "Quero ir embora daqui!" Então, eu, nessa festa que eu tava super empolgada, porque, cara, eu não tive isso, então poder dar isso pro meu filho...

Eu falei: "Tem alguma coisa errada com meu filho." Liguei pra pediatra e falei: "Tem alguma coisa errada com meu filho, porque ele não tá feliz. As crianças estão felizes, correndo, brincando, e meu filho tá como se estivesse num filme de terror." E aí...

?Voz B

E aí... Tem um papelzinho pra você.

?Voz A

É... Eu moro no centro, então tem muito barulho. E quando vem um carro de som, ele fica branco. Ele fala: "Mamãe, fecha a porta, fecha a porta!" E aí eu tenho que ficar lá com ele, acalmando ele sobre o barulho. Então eu falei: "Ué, tem alguma coisa diferente, eu preciso ajudar o meu filho, eu preciso ajudar." Então eu levei ele na terapeuta ocupacional, e da terapeuta fomos pra fonoaudióloga. E foi a fonoaudióloga que acendeu esse pisca de alerta pra mim, sabe?

"Mãe, a gente acredita que o seu filho tem algum transtorno de desenvolvimento que a gente não sabe ainda o que é." mas a gente precisa investigar. Automaticamente eu falei, vamos fazer sessão, vamos para o neuropediatra. E foi aí que eu fui no neuropediatra, contei tudo, levei todos os laudos, laudo de psicólogo, laudo de fono, laudo de TO, laudo da escola, tudo, todos os relatórios levei para ele. Tivemos uma consulta muito longa.

Ele falou, mãe, não vamos nos apegar diagnóstico agora, vamos inserir nas terapias, que é o que ele já tá fazendo. E eu coloquei isso por conta própria, minha mesmo, intuição, né? Eu coloquei, tipo, ai, não precisa. Minha mãe resistia muito, né? E eu contava, eu conto com a dela, porque eu ia fazer um provador enquanto ele tava na fono, né, ia fazer uma publicidade enquanto ele ia na TO. Então eu precisava e contava com apoio dela.

?Voz B

E isso tudo, todo esse processo foi antes do Big Brother?

?Voz A

Antes do Big Brother. Eu entrei no Big Brother na possibilidade ainda, na investigação, né. E quando veio isso, eu falei: não vou mais pro Big Brother, eu vou cuidar do meu filho, eu preciso saber o que tá acontecendo com meu filho. Mas a minha mãe: não, você vai pro Big Brother, porque "É uma porta grande, se você ganhar aquele prêmio vai melhorar muito a nossa vida, a vida dele também." E aí eu recebi esse apoio. Tanto que pra ir pro Big Brother eu deixei tudo pago.

Fono paga, TEO paga, eu deixei tudo dele, escola, tudo pago. Pra ele continuar fazendo as terapias enquanto eu pudesse viver o jogo, né? Lutar por um prêmio. Enfim. E aí agora, depois do Big Brother, né, voltamos pro neuro, voltei pra Recife, eu, minha mãe e meu filho. Voltamos com novos relatórios. Mas assim, a certeza absoluta, eu tinha certeza absoluta que meu filho era autista. Porque a terapia traz as evoluções, evoluções lindíssimas.

Ele agora forma frases, interage. Nossa, eu fiquei chorando no banheiro porque ele fez o número 1. Ele fez o número 1, pegar no lápis para fazer o número 1, sabe? Dá funções para brinquedos que antes ele não fazia.

?Voz C

A importância desses profissionais, né, gente?

?Voz A

É um mundo novo para mim, né? Então tô aprendendo tudo, tô lendo muito. Mas quando eu saí do Big Brother, que eu vi o meu filho, ele gravou um vídeo e falou assim: "Mamãe, tô com saudade, te amo." Cara, me quebrou inteira assim, porque eu esperava ouvir esse "eu te amo". Agora não vai dar pra mim. E aí, quando eu vi o vídeo lá em Gil, ele falando: "Mamãe, tô com saudade, eu te amo." Eu falei: "Ele tá falando, ele tá falando." Que era meu sonho ele falar o que ele quer.

?Voz C

Ele teve uma super evolução então, enquanto você tava lá.

?Voz B

Nossa, a importância desses profissionais. De novo, um beijo pra vocês todos que fazem esse tipo de trabalho.

?Voz A

São anjos, são anjos pra acolher a gente e pra acolher a criança, sabe? E pra mim tá sendo muito, muito importante ver meu filho se desenvolver. Por exemplo, agora no Dia das Mães, né, fui pra festinha do Dia das Mães da escola E ele tava lá no palco, lá, quietinho, sem gesticular, sem... não tava com aquela cara de desconforto. Não cantou a música, claro.

?Voz B

Tudo bem.

?Voz A

Mas ele tava lá no palco com a flor enorme com o nome mãe e a coroa na cabeça. E eu só fazia chorar. Meu amigo, você passou... E eu recebi muitas críticas na internet porque eu estava sendo performática, porque eu estava sendo forçada.

?Voz B

Ai, que gente louca, nossa.

?Voz A

E na verdade eu tava feliz porque o meu filho tava em cima do palco, coisa que ele não fazia, coisa que ele não ia fazer há um tempo atrás. Tá ali, minha mãe, na Jango. Nossa, então assim, com música, com barulho, com muita gente, coisa que ele não faria.

?Voz C

Quando ele desregula, né, que você falou, quais são os comportamentos que você percebe e como você ajuda ele a regular novamente?

?Voz A

Eu consigo prestar atenção nos gatilhos, que primeiro vem os gatilhos, né? Então, por exemplo, enfileirar. Ele gosta de enfileirar. Hoje ele enfileira menos com as terapias, mas antes ele enfileirava cavalo, boi, cavalo, boi, cavalo, boi. Se um cavalo saísse da fila, aí ele joga tudo, explode, chora, e aí começa a chorar e não para mais, né? E Joaquim, eu percebi algo também, que ele encontrou no corpo dele uma forma de se regular, que é pegar no pintinho.

Ele pega no pintinho, ele segura e ele machuca mesmo. Porque quando eu vi isso pela primeira vez, eu falei: meu Deus do céu, o que tá acontecendo? E aí depois eu entendi que a forma que ele tem de se regular, assim como a gente roia a unha nervosa, puxa o cabelo, é a forma que ele tem de se regular. Não dá para dizer: pare de fazer isso, é desviar o foco. Olha, pega aqui esse cavalo. Olha, pega isso aqui para mamãe. Vamos contar uma historinha.

Então, quando eu percebo que ele se desregula por sair da rotina, mudanças bruscas, a baixa tolerância à frustração, que é preciso trabalhar com muita paciência, por esperar. Se o carro vem às 4, o carro tem que estar às 4. Se a gente vai na farmácia, a gente tem que ir na farmácia, não dá para parar na padaria, tem que avisar que vai para padaria. Ele precisa dessa segurança para onde ele vai, o que ele vai fazer. Então tem um quadro com segunda Joaquim tem isso, terça Joaquim tem isso, esse é o horário do banho, o horário do banho.

?Voz B

Tem uma disciplina inabalável, né?

?Voz A

É incrível, né? Porque senão desregula. E se mudar, a gente precisa dizer antes o que vai fazer para que traga essa segurança mesmo. E aí, o que que eu aprendi com as terapeutas? Quando houver, quando ele ficar desregulado, muda o foco. Então aconteceu o seguinte: eu fiz uma confusão do horário uma vez, a terapeuta mudou o horário, e aí saiu da rotina dele, né? E o que foi que eu fiz? Vamos contar história de cavalos. Comecei a contar história de cavalos, cavalos coloridos, cavalos no céu, pipas coloridas, o boi.

E aí Passa, passa rápido, vai acalmando. Do colo, do abraço. Quer um abraço? Tá sentindo o quê? Que eram coisas que eles não sabiam, né? O sentimento da raiva, da frustração, do triste, ele não sabia. Então eu pergunto: o que você tá sentindo? Tem um quadro lá em casa com as carinhas triste, feliz, irritado, feliz. Às vezes ele me vê chorando e ele fala: mamãe tá feliz. Eu falo: não, não. Às vezes ele me vê chorando, ele fala: mamãe tá triste.

Falo: não, mãe tá feliz, mãe tá chorando de felicidade. Então eu eu desvio o foco, eu desvio. Quando vem o momento que ele se desregula, eu desvio o foco. E às vezes até com coisas assim bem bobas, por exemplo, da pipoca. Ele adora pipoca porque é crocante, então ele vai sentar quietinho e vai comer a pipoca dele ali, ó, tranquilo.

?Voz C

Qual que é o seu amuleto, digamos assim, quando vocês saem de casa? Já se houver alguma crise, você leva pipoca?

?Voz A

O que que você tem sempre com você? O amuleto é o cavalo. O cavalo é o amuleto, o cavalo é a segurança. Então pego o cavalo. Uma vez ele teve uma crise no sono, e aí tipo era 3 da manhã, 3 da manhã, ele chorando muito, prédio, com medo de acordar os vizinhos. Aí comecei, peguei o cavalo assim, comecei: "Vou contar a história do cavalo, o cavalo no céu..." Aí ele começa, ele para e presta atenção. E aí às vezes eu tô contando a história, ele pega no sono, ele faz: "Continua?" Não, ele faz assim, ó: "Historinha, mamãe!" "A historinha do cavalo..." Vocês ficam lá a madrugada até ele se acalmar e pegar no sono de novo. Hoje, Joaquim toma uma Risperidona, que é a minha salvação.

?Voz B

É isso que eu ia perguntar. É química mesmo?

?Voz A

É a minha salvação, Risperidona. Meu Deus, eu passei quase 4 anos da minha vida sem dormir e só agora eu entendi que o Risperidona, na dosagem certa, com acompanhamento do neuropediatra, ele dorme.

?Voz B

Que é o quê? Um ansiolítico?

?Voz A

É um remédio controlado, né? O Risperidona, ele vai funcionar para ajudar no transtorno de sono, ajudar com irritabilidade, por exemplo, né? Porque esses dias ele tava muito irritado, mas era mesmo realmente do comportamento. E o Risperidona ajuda muito a trazer essa, trazer isso mesmo, sabe? Normalizar, trazer esse equilíbrio. Mas para mim, o mais importante no Risperidona é no sono. Porque que tranquilidade que me dá saber que ele tá dormindo, que ele vai dormir 8, 9, 10 horas, sabe? 9 da noite ele já tá na cama, faço ritual de sono do mesmo jeito, tem que ser do mesmo jeito.

Orar de sono, dá benção para vovó, ele vai lá dar benção, dá abraço, te amo vovó. Pega mamadeira, pega fralda, porque o desfraude é mais lento. Muita gente tava me criticando, como assim essa criança tem 4 anos e não desfraldou ainda? É um Processo, é um processo. O meu banheiro é todo colado com desenho da criança fazendo pipi, fazendo cocô, lavando as mãos, do dinossauro, tudo para ele entendendo. Hoje ele já entende. Então, de dia ele não usa fralda, mas no sono ele ainda usa.

A mamadeira tem que ter ainda, ele ainda toma leite, porque faz essa associação. Então existe uma rotina, e o Risperidona já tá na rotina dele, já sabe que é a hora de tomar.

?Voz B

É o quê, gotinha?

?Voz A

É gotinha. Então ele toma tranquilamente e dorme assim, não tem crise. E quando foi a primeira vez que ele tomou? A primeira vez que ele tomou foi agora, quando eu saí do Big Brother. Meu Deus, então é novo isso, é tudo novo. Sendo bem franca, Tata e Cláudia, eu não tive tempo para processar que eu sou uma mãe atípica. Eu não tive tempo, eu não dá tempo, porque assim, uma pessoa falou para mim assim agora recentemente: nossa, você reagiu tão bem nesse pós-Big Brother.

Eu peguei meu celular e falei assim, ó, eu tenho motivo para reagir bem. Eu tenho um filho que precisa de mim. Então não dá tempo de sentar e chorar ou pensar o que que tá acontecendo. Tem que ir, só resolver o problema, é só ação. E por exemplo, o plano de saúde não cobre investigação, ou é ou não é. Então eu tive que trabalhar o triplo para pagar as terapias dele, pagar tudo certinho, 5 sessões por mês de cada um, psicomotricista para poder ajudar na coordenação, né.

Tem também a outra agora que é a da escola, ele precisa de acompanhamento na escola. Então assim, eu tive que trabalhar igual uma doida, vestir roupa, fazer divulgação, fazer vídeo de maquiagem para pagar essas terapias e garantir a evolução dele. E só agora, depois que eu saí de Big Brother, que voltamos, é que temos o laudo. Então agora que ele tá na medicação certa—

?Voz C

e o laudo veio de quê?

?Voz A

O laudo é de autismo nível 1 de suporte, né? Ele nas terapias, a psicóloga falou, ele chegou aqui com nível 2, Max. Mas ele tá no nível 1 de suporte.

?Voz B

Quantos níveis são?

?Voz A

Olha, tem vários níveis, né? 2, 3... O nível, ele mede a dependência da criança pra tudo. Joaquim precisa de um adulto pra mediar muitas coisas. Mediar relações com os outros, ajudar com banho, com escovar o dente, com comida, com tudo. Isso vai depender muito, com comunicação, né? Então, hoje ele tá no nível 1 porque muita coisa ele consegue fazer.

?Voz C

Você acha que ele tá no nível 3, não é?

?Voz A

Nível 3. 1, 2, 3. 1, 2, 3, né? Tá no nível 3. Ele fala, mas ainda assim eu preciso, um adulto precisa estar perto para poder dizer, né? Ó, ele quer isso. Ele fala na terceira pessoa. Então chegar para você e falar: ele quer água. Você vai pensar: ele quem? Então tem que estar perto para dizer: ele é ele. E então ele precisa muito da gente, mas a evolução dele tá incrível. E eu acho que até bacana a gente falar sobre isso, porque, por exemplo, não quer dizer que ele é nível 1 de suporte que ele vai continuar maquiado e que ele consegue, ah, vai conseguir se virar sozinho, porque Tem muito isso, né?

Existem muitos prejuízos também no nível 1, e muitos deles, por exemplo, a comorbidade do transtorno de sono, né? A comunicação, a comida, por exemplo, né? Tem que estar perto para olhar a comida, alimentação. Na escola, ele precisa de alguém pertinho dele para ele poder fazer as atividades, para ele poder aprender, né, com atividades adaptadas.

?Voz B

E alguém ajuda na alimentação?

?Voz A

Ele come sozinho, mas assim, a gente precisa estar perto. Perto, né? Porque, por exemplo, às vezes a colher, quando a comida sai, ele se estressa, ele se irrita. E aí isso pode trazer um momento de crise. Então tem que estar perto, sabe? Você consegue, mamãe, bota direito aqui, você consegue, mais uma vez. Às vezes a comida sai do lugar e ele corre assim desesperado porque sujou tudo. Enfim, a gente tem que estar perto para muitas coisas, da comunicação ao banho, ao desfraude, Né?

Agora, nossa, gente, o desfraude assim foi tudo para mim. Ver meu filho no vaso, muito legal. Ver ele dizendo assim: quero fazer cocô. Nossa Senhora, meu filho tá dizendo que quer fazer cocô, ele tá falando para mim isso, porque ele não falava, né?

?Voz C

Como é para introduzir? Já que ele tem essa rotina assim, eu queria saber como é para introduzir algo novo.

?Voz A

A gente tem que— eu passo uma semana, por exemplo, Viajar de avião foi a pior experiência.

?Voz B

Nossa, nossa, muita gente, ele fechado no lugar.

?Voz A

Foi isso, será? Mas eu passei umas 2 semanas com ajuda das terapeutas mostrando vídeo de avião, ele tem um avião de brinquedo, mostrando isso para ele entender que ele ia viajar e que é para casa do tio. Mas viver aquilo foi muito ruim porque saiu completamente da rotina, um lugar novo, barulho, e ele precisa de repetições. Então, por exemplo, o avião decolou, ele viu lá pela janela que o avião decolou, ele quer de novo. Ele quer mais uma vez, mas o avião já decolou, foi embora.

E agora? Ele desregulou no aeroporto, pegou o cavalo, jogou na moça, pedir desculpa. Uma pessoa me olha um torto, né? As pessoas olham torto porque a criança tá lá, mas as pessoas não entendem. Inclusive, eu tava no avião, choro, né? Imagina você no voo, a criança tá lá chorando. Tem gente que critica, mas a gente tem gente que não entende o que tá acontecendo. A mãe fica aflita, a mãe fica aflita porque a mãe quer resolver. E fica com medo das pessoas te olharem torto. Nossa, foi uma experiência horrível.

?Voz B

Aliás, a gente falou isso outro dia, o quanto a gente antes de ser mãe, tanto eu quanto a Tati, quanto a gente julgava esse tipo de coisa, né? Nossa, mas essa mãe não tem um brinquedo, gente, um livro, uma coisa, né, para entreter essa criança. E aí depois, quando você é mãe, você entende tudo, você fala: meu Deus, você julga muito, você quer ir lá abraçar aquela mãe, pedir ajuda. Quer dizer, oferecer ajuda.

?Voz A

É, oferecer ajuda. Você quer ajuda? Porque é isso de abraçar, de acolher. Então assim, viajar, por mais que eu tenha trabalhado a previsibilidade, foi muito difícil porque havia momentos que ele queria as repetições e não existiam as repetições, né?

?Voz C

E aí não dá nem pra você falar: eu vou pedir pro tio decolar, calma aí que ele vai decolar de novo, fica bem, né, Marcelo?

?Voz A

O nosso desgaste como mãe de ter que criar mil coisas pra gente manter a criança bem, com bem-estar. Porque, poxa, ela tá ali desregulada, só ela sabe o que ela tá sentindo, né? Aquele turbilhão de sentimentos, você não sabe falar, né? Você não sabe dizer o que você tá sentindo. Então imagina a manutenção que eu tive que fazer na minha cabeça, criatividade.

?Voz C

E para falar para ele que você ia para o BBB?

?Voz A

Então, eu trabalhei desde sempre, né? Com 27 semanas do meu filho, 27 dias do meu filho nascido, eu fui trabalhar. Por quê eu fui trabalhar? Porque ainda não havia pensão alimentícia e eu precisava trabalhar. Como que eu vou comprar o leite, a fralda, as coisas? Como que eu vou fazer isso? Meu pai, minha família falou: tudo bem, você pode ficar quietinha e a gente tá contra. Não, senso de responsabilidade que a gente tem, né? É meu filho, é minha vida, eu tenho, é minha responsabilidade.

Então liguei para minha médica e falei: Doutora, eu posso usar um salto alto? Você pode, só não pode cair. Botei o salto, fui fazer um provador de sapatos. Na época eu ganhei acho que R$300, passei na farmácia, comprei duas latas de leite, duas fórmulas, que não é barato, né, minha gente?

?Voz B

Não, não é nada barato.

?Voz A

Me realizei, eu juro, tem uma foto, eu tenho uma foto, eu comprei duas latas de leite, eu tenho a foto, eu falei: meu Deus, consegui! Então eu comecei com 27 dias dele nascido. Obviamente que hoje, com a maturidade que eu tenho, eu não faria isso. Eu fui de máscara, bonitinho, mas a gente coloca o nosso filho em risco, é um recém-nascido ainda. Eu não tinha outra alternativa. Então eu fui, aí eu tirava 2 ou 3 horinhas do meu dia, tirava o leite, que eu tinha muito leite ainda.

?Voz B

Ah, então, eu queria perguntar sobre a amamentação.

?Voz A

Foi horrorosa pra mim.

?Voz B

Foi?

?Voz A

Horrível.

?Voz B

Mas ele mamava normalmente?

?Voz A

Ele não, tem aquela coisa da pega, né? Então feriu bastante, tinha dias que eu tirava o leite e vinha sangue no meio. Foi horrível assim a experiência pra mim. Mas aí depois ele pegou certinho, então ele mamava. Só que o que acontece? Quando eu ia sair para trabalhar, eu deixava o leite materno e dava na mamadeira. Então ele começou a fazer a confusão de bico. Chega um momento que ele fazia com bico no meu peito. Aí eu chorei, fiquei triste.

?Voz B

É porque mudava o código, né?

?Voz A

E a mamadeira é mais fácil. Então ele começou a rejeitar meu peito. Fiquei arrasada, arrasada. Me senti menos mãe. Não vou conseguir. Aí depois eu falei, faço terapia, né? Graças a Deus! Há muito tempo eu faço terapia. Falei: "Tá bom, Joaquim, não quer meu peito? Vamos pra fórmula. A mamãe vai trabalhar e é isso." E aí pronto. 2 meses, ele já não mamava mais. Eu tive muito leite. Mas com 2 meses, ele não mamava mais por causa dessa confusão de bico.

E eu soltei o anjo. Eu falei: "Tá bom, não vou dar conta de tudo, não. Não vou dar." Tá tudo certo. E aí eu trabalhava, né? Tinha mês que era 11 latas de fórmula, né? 11 latas de fórmula. Que era bebê. Então eu fiz assim, mas assim, não me arrependo de nada, faria tudo de novo. Então eu sempre trabalhei com ele isso de mamãe vai trabalhar, mamãe vai trabalhar, mas a mamãe volta. Ele sabe, quando eu tô me arrumando ele faz assim: a mamãe vai trabalhar.

Eu falo: não, às vezes eu nem tô, às vezes eu tô só provando a roupa. Ele fala: não, mamãe tá só provando a roupa. Então ele, o Big Brother, ele já entendia que eu ia trabalhar e a minha mãe deixava lá ligado na tela. Ele tem vários vídeos, ele assim: a mamãe.

?Voz C

Mas como é a relação com tela? Porque eu sei o quanto O quanto a tela desregula uma criança quando desliga, né? É difícil?

?Voz A

É desafiador, ainda mais quando existe o hiperfoco. Imagina, hiperfoco em cavalos, ele só quer ver vídeo de cavalo, ele só quer ver filme de cavalo, desenho de cavalo. E aí assim, eu monto um horário específico, né? Porque assim, a tela em muitos momentos ela salva a gente.

?Voz C

A gente tá fazendo uma coisa errada, a gente tá salvando a tela.

?Voz A

Então eu monto horários. Os horários específicos pra ele assistir. E como ele faz terapia, tem uma parte do tempo que ele nem tá com tela. Escola, terapia, escola, terapia. Então hoje, com as terapias, ele consome menos.

?Voz C

Mas aí na hora de desligar você já vai avisando?

?Voz A

Ah, eu vou avisar.

?Voz C

Muito tempo antes?

?Voz A

Eu fico bem maluca de eu pá, desligar.

?Voz C

Não, existe um jeito. Os meus filhos, se eu desligar sem avisar, acabou a luz.

?Voz A

Então eu falo pra ele: só um pouquinho, tá? Ó, só um pouquinho agora, que daqui a pouco... Dá tchau. Aí ele vai: dá tchau, Fulano, tchau, Cavalo, tchau, Tubarão. E aí é uma paz. Eu sempre faço isso. Ele também. A água, ela é um regulador sensorial. A água é.

?Voz B

O quê? O banho?

?Voz A

Banho, piscina, um copo d'água, qualquer coisa. Ele já botou água, já botou a minha água no meu quarto.

?Voz B

Água.

?Voz A

E botou os bichos dentro. Tava tirando cochilo, manhã ficou olhando ele, cochilou ela, cochilou eu, e ele botou água na cara da puta. Cochilou ela, cochilou eu, e ele lá, ladando. Acordei com tudo inundado. Falei: "Meu Deus, tudo com um monte de água, os bichos tudo dentro, cavalo, tubarão, tinha tudo." Meu Deus. Aí a gente fala: "Não acredito." Aí ele olhou pra mim e fez: "Não acredito." Falei: "Meu Deus, Joaquim." Mas aí, assim, não dá pra gritar.

Não existe isso. Então eu: "Vamos enxugar com mamãe, pega o pano, vamos enxugar." Dá pressão pra ele. Dá um fução.

?Voz C

Assim, tiro o meu chapéu porque o quanto é difícil nós que somos adultas a gente se autorregular. E aí você tem um serzinho que depende 100% de você, que tá ali, e que se você não tiver regulada, muito menos ele vai estar. Imagina se ele vê, se ele fala: minha mãe, minha figura de referência, tá aqui gritando. Como é que eu imagino quanto isso não tem que ter muita, tem que ter muito, mas como ser humano também a gente sabe quanto é difícil.

Que momento que você consegue tirar um segundo para vocês? Consegue fazer algo que você gosta? Você consegue ter algum momento?

?Voz A

É um prazer. Inclusive, é a pessoa que me ajuda a ter esse momento, é minha mãe. Então, a mãe, ó, a gente fazia assim, um mês, né? Aí eu conto: esse final de semana que eu vou ver minhas amigas, esse final de semana aqui eu vou para praia, esse outro final de semana aqui eu monto Eu monto e aí eu falo com ela antes: mãe, a senhora consegue me ajudar? Aí a gente super brinca, ela fala assim: eu quero o Pix, o Pix. Aí eu falo: poxa, mas não é no Guamoda.

Ela que me ajuda a ter esses momentos, porque se não fosse a minha mãe, mãe é mãe, se não fosse a minha mãe, Dona Sônia é a minha linda.

?Voz B

Beijo pra você.

?Voz C

Claudia Hayat mandando um beijo, Dona Sônia. Grava aí.

?Voz B

Ai, amor, dá um beijo pra minha mãe!

?Voz A

Ai, meu Deus!

?Voz B

Parabéns pela mãe maravilhosa que você é e pela avó maravilhosa que você é.

?Voz A

Não, e assim, quando eu não planejei a gravidez, né, então ela foi a primeira pessoa que eu peguei e falei, ela tava dormindo, falei: mãe, tô grávida, mãe, tô grávida! Ela sempre sonhou em ser mãe, sempre sonhou em ser avó, sempre, sempre, sempre. Mãe, tô grávida, mãe! Ela: mentira, mentira, cadê, cadê, cadê, cadê?

?Voz B

Cadê, ótimo!

?Voz A

Nossa Senhora, fiquei grávida e aí comecei a chorar, né, porque eu tava no meu auge dos 28 anos. E eu não queria ser mãe naquele momento. E aí ela fazia, e eu fazia: "Como é que eu vou trabalhar? Como é que eu vou sustentar? Como é que eu vou sustentar uma criança, mãe? Tô começando a trabalhar na internet agora." Ela fazia: "Não tem problema, a gente vai dar um jeito. Eu crio com você, não tem problema, a gente cria junto." Então assim, a minha mãe é a minha base.

Eu queria que todas as mulheres tivessem a oportunidade de ter uma rede de apoio tão incrível. Porque assim, a gente se sente 100% segura. O meu filho tá com a minha mãe agora pra eu estar aqui. Claro. E eu sei que ele tá bem, que ela entende ele. Que ela o ama muito, que ela vai levar nas terapias certinho.

?Voz B

Que ela tem paciência.

?Voz A

Que ela tem paciência. E às vezes ela não tem também. Então agora, por exemplo, eu tô nessa, tá?

?Voz B

Mas é essa coisa de se autorregular. É muito difícil você ter paciência 24 horas por dia.

?Voz A

Não tem como. Já teve situação dele chorar de um lado e eu chorar do outro. De madrugada, ele chorando de um lado e eu chorando do outro. Porque não aguentei, não é? Tem os momentos. Então assim, eu me esforço o máximo pra ter o meu momento. E eu preciso ter, porque senão eu vou surtar.

?Voz B

É isso aí.

?Voz C

Mas essa sua base explica muito também as suas escolhas, né? Porque você tem para onde voltar.

?Voz A

Eu tenho.

?Voz C

Você tem essa rede.

?Voz A

Eu tô assim, eu tô muito feliz com tudo que eu tô podendo construir agora, mas eu não tô 100%, porque eu espero chegar em casa e ver meu filho e eu tô longe, né? Tô muito longe. Então isso machuca demais, machuca muito. E eu não tenho como trazer ele para cá agora porque muda a rotina, muda as terapias, e não posso fazer isso agora, fazer essa quebra.

?Voz B

E agora você está morando em Recife?

?Voz A

Então, eu tô morando em vários lugares.

?Voz C

Nem tá morando, acho, né?

?Voz A

Eu tô Rio-São Paulo. Então assim, desde que eu saí do Big Brother, no meu máximo foram 2 semanas em casa. No meu máximo foram 2 semanas em casa. E eu tô passando assim 20 dias, porque, né, a gente não vai parar, eu não tenho, não posso parar, entendeu? Tem alguém que depende de mim, então tem que construir minha carreira, tem que construir, recomeçar. E a gente que é mãe, a gente não tem medo de recomeçar, não, em nenhum lugar, em nenhum momento. Então assim, ele tá lá fazendo as terapias na escola.

?Voz B

Quanto tempo assim fora?

?Voz A

Porque tem agenda, né? A gente tem agenda, Cláudia. Quando a gente sai do Quando a gente sai do Big Brother, além das agendas, tem os eventos, tem as publis, tem os trabalhos. Quer queira ou quer não, o eixo Rio-São Paulo é onde tem mercado para gente, né? Então eu tô precisando ficar aqui para poder construir tijolinho. Não dá para perder essas oportunidades, não dá. Por mais que, poxa, às vezes eu falo, caramba, velho, vou ficar tantos dias sem ele, dá, começa a dar uma crise de ansiedade, começa a me dar uma mas aí eu penso, mas assim, vou ganhar dinheiro, é por ele, para levar as coisas para ele, para minha família. Então assim, é tijolinho por tijolinho mesmo.

?Voz B

Mas eu sei que fica sentindo a sua falta.

?Voz A

Ai, como é que ele reage na distância? A gente, eu ligo todos os dias, né? Ele fala com minha mãe todos os dias. Eu não faço chamada de vídeo com ele todos os dias, porque se ele me ver no celular, ele vai para porta pedir para abrir para para eu chegar. Então, de vez em quando eu faço a chamada de vídeo, quando em momentos que ele tá muito entertido, que eu sei que ele não vai se importar tanto assim. Mas agora mesmo ele me falou, ó, Joaquim viu tua foto, falou vovó, tô com saudade de mamãe.

?Voz C

E você vai lá para lá quando?

?Voz A

Agora dia 7. Aí eu vejo como tá agenda, né? Eu vou agora dia 7, 7, 8, 9, 10, 11, 5 dias em casa, tem que voltar para cá. E aí assim, eu fico 5 dias, eu fico entregue completamente a ele, entregue, levando a escola, fazer as tarefas, ir para as terapias, saber como tá tudo, sabe, estar com ele. E é incrível que quando eu chego em casa, minha mãe fala assim, ó: a mãe chegou, ele nem lembra da avó.

?Voz C

Ah, mas eu acho que é esses momentos que ele vai levar para vida assim, porque às vezes a gente tá no dia a dia e você Tá com a presença física, mas não tá presente ali. Você fica resolvendo um trilhão de coisas, trabalha e tal. Então, que bom que você tem esse privilégio de poder ficar esses 5 dias intensos com ele, né?

?Voz B

Porque tem a certeza que esses 5 dias valem por tudo, né?

?Voz A

E você acredita que eu falei sobre isso na minha terapia? Eu falei pra minha terapeuta, eu falei: "Caramba, é a primeira vez agora que eu tô de fato entregue ao meu filho, assim, do que tá trabalhando e com ele, né? Resolvendo coisa, uma reunião, ter que ir ali." É entregue mesmo, acordar, levar ele arrumar, levar na escola, buscar na escola, levar na terapia, brincar, dar o almoço, ficar perto. É a primeira vez mesmo assim, sem ficar me preocupando.

Aí, então tem que produzir conteúdo, tem que gravar isso, tem que fulano para falar. Então assim, é tempo de qualidade, e eu tô buscando isso porque eu não tinha isso antes. Eu quero tempo de qualidade. Poxa, eu fiz isso agora, imagina, você ligar a televisão, coloquei um filme de tubarão Fizemos pipoca e ficamos só eu e ele. Eu assisti um filme sozinha por uma hora. Eu não fazia isso. Incrível. Então, a gente ficou assistindo filme, entretido, depois foi dormir.

Falei: "Cara, é isso que eu quero pra minha vida. É ter tempo de qualidade com meu filho." Entendeu?

?Voz B

E como é que ele é amorosamente, assim? Ele é muito carinhoso? Como é que funciona o comportamento em relação ao afeto?

?Voz A

Então, eu venho de uma família extremamente afetuosa. Então, esse "eu te amo" é frequente. "Você é tudo pra mim." Eu falo "eu te amo" pra Joaquim, ele já sabe a frase. "Eu te amo." "Você é o amor da minha vida." "Joaquim é meu amor." Ele sabe as frases. Ele é muito carinhoso. Ele é doce. Ele é gentil. Ele é quietinho. Ele é bem quietinho assim. Você dá o brinquedo, ele fica aqui com o brinquedo. Ele é amoroso de querer perto, de abraçar.

"Eu te amo." A primeira vez que ele falou "eu te amo", eu tava no celular respondendo WhatsApp. Aí ele virou e falou: "mamãe, eu te amo". Aí eu: "tu disse o quê, Joaquim?" Já chorando assim. Meu Deus. "Tu disse o quê, mamãe?" "Eu te amo, mamãe". Ai, que lindo. "Mamãe, mas se ame".

?Voz C

Ai, mas que lindo ele conseguir expressar já, né, o que sente, o que quer.

?Voz A

Ele é amoroso demais. Tem áudio: "mamãe, tô com saudade de você", "mamãe, vai trazer um cavalo pra mim". Você tem que levar um cavalo pra ver se você ama. Agora eu tenho que chegar em casa com uma barraca, tá? "Eu tenho que achar uma barraca pra ter um espaço." Uma barraca?

?Voz C

De cavalo?

?Voz B

Repetir uma barraca?

?Voz A

Não sei de onde surgiu isso, né? Porque existe a ecolalia, que é a repetição. A criança, ela ouviu em algum momento uma determinada palavra que ela pode repetir imediatamente, que é ecolalia imediata, ou ela pode repetir uma semana, duas semanas depois.

?Voz C

Então é importante a gente cuidar das coisas que fala, né?

?Voz A

Muito importante. E aí, eu cheguei agora recente em casa e ele tava falando. Eu observo tudo, prestei atenção em tudo que ele tá fazendo. E aí ele falava assim pra mim: 'É essa barraca agora, mamãe? É essa barraca agora, mamãe?' Falei: 'Ué, por que que ele tá repetindo essa frase?' Aí ele deve ter ouvido em algum lugar, algum momento, e ele tá repetindo. Aí a gente vai mostrar para ele: 'Ó, isso aqui é caverna, essa caverna agora.' Aí fui mostrar para ele a caverna.

A mãe também mostrou a caverna. Agora ele quer uma caverna, que eu vou dizer que é uma barraca, né? Quando é que eu vou arrumar uma caverna? Onde é que eu vou arrumar uma caverna? Aí ele botou, e assim, prometeu, tem que cumprir. Porque já tá programado pra ele que vai trazer uma barraca de bichos. Eu vou achar uma barraca. Lógico que vai. Eu só chego em casa com essa barraca, no nome de Jesus.

?Voz C

Qualquer coisa manda fazer.

?Voz B

É, manda fazer cenografia, cenário. É, isso. É, manda construir cenário.

?Voz A

Aí, manhã, ó, ele tá aqui dizendo: mamãe vai chegar, vai trazer uma barraca.

?Voz C

Ela chega... Não, mas eu pensei naquelas barracas que faz tchic tchic tchic. Ela já montou, sabe?

?Voz B

Ah, é.

?Voz C

Aquela que você enrola assim, porque também fica ocupando espaço, como uma caverna dentro de casa, né? É, né? Vamos lá?

?Voz A

É isso, é isso. Mas assim, ele lida bem, ele lida bem. Óbvio que isso afeta o comportamento da criança, né? É a mãe, é a mamãe.

?Voz B

Deixa eu te perguntar uma coisa: cadê a mulher nesse lugar?

?Voz A

Gente, isso aqui tá quase uma sessão de terapia.

?Voz B

Como é que tá essa mulher? Essa mulher que renasceu aos 2 anos de idade, que normalmente aos 2 anos de idade que a gente se reencontra. Né, mas você não teve tempo para isso. Então, onde é que anda essa mulher?

?Voz A

Não sei, juro, não sei.

?Voz B

Você não se reencontrou ainda?

?Voz A

Ainda não, porque eu tô só programada para: preciso trabalhar, preciso trabalhar, preciso ganhar dinheiro, porque semana que vem as terapias vencem e ele ficou doente, e aí vai na farmácia, né, e ele tem alergias. Ele tem problema respiratório, então bombinha, né, tudo isso. Então eu só tô programada para preciso trabalhar somente. A mulher eu encontro depois, agora não dá tempo, agora não dá tempo de verdade. Então assim, prateleira de prioridades.

Qual é a minha prioridade agora? Meu filho, meu filho ficar bem, trazer o máximo de conforto possível para ele. E aí depois eu penso em mim, porque francamente eu não consigo ser feliz se ele não tiver feliz, bem, confortável. Então assim, o que eu quero agora? Eu quero trazer ele para perto, no lugar confortável, que ele tenha tudo de confortável que eu puder oferecer no momento. Então para isso eu preciso deixar a mulher quietinha, guardada em algum lugar, e depois eu vou buscar.

Sendo bem franca, poderia mentir aqui, falar: ah, tá aqui, eu tô maravilhosa. Não tá, não tá, tá sua mãe.

?Voz B

Sente falta?

?Voz A

Muita, muita falta. Tipo assim, nossa, por exemplo, se sentir desejada, se sentir sexy, bonita, bonita, sentir que tem um homem me olhando interessado.

?Voz C

Ou cuidando de você, né?

?Voz B

Pois é, quem cuida de você? Sua mãe?

?Voz A

A minha mãe cuida, mas assim, para poder ela se sentir segura, porque ela é mãe, gente, ela precisa ver a filha bem. Claro. Então eu e ela, a gente faz um acordo, eu falo: não fica triste, tá? Ela fala: eu só fico triste se você ficar triste. Eu falo: então não tô triste, mas eu tô toda destruída. Eu não tô triste, tô destruída, mas eu não tô triste, mãe, tô feliz da vida, mãe.

?Voz B

Parece um molusco.

?Voz A

E para ela eu falo isso, mas assim, tô com medo, tô sozinha, tô solitária, tô com saudade.

?Voz B

É com ela que você fala? E na terapia?

?Voz A

É só na terapia. Eu não dou essa responsabilidade para ela, não dou.

?Voz C

Mas então você não se permite ser filha? Não, porque você não é mãe dela.

?Voz A

A minha mãe, Tata, ela— a minha mãe tem depressão. E a cura da depressão da minha mãe, meu filho, meu filho, né? A minha mãe foi educada para ser esposa e mãe só. Ela se esqueceu completamente. Então imagina que ainda terminado o ano, ela perdeu a mãe, 2 meses depois o pai, e depois meu pai foi embora de casa, que o casamento depois de 30 anos. Imagina para ela isso. Bom, eu a gente aqui, nós fazemos terapia e a gente se reencontra, a gente se conhece e a gente vai buscar sair dessa.

Mas ela não conseguiu sair dessa por um determinado tempo. Então quando meu filho veio, foi assim a luz na vida dela, um recomeço. O suicídio, ele não existia mais, né, a tentativa, a tristeza, a solidão. E ela fala assim para mim: 'Ma, eu tô muito feliz com meu neto.' Meu neto é minha companhia, má. Eu tô muito— ela fala assim: se você quiser, se você casar, você deixa ele, você vai embora. Eu falo: não, meu amor, você vem comigo, tá?

Você vem. Para onde eu vou, ela vai. Então assim, eu não conto para ela de nada sobre mim, eu conto na terapia. Ela fica irritadíssima porque ela quer que eu divida com ela.

?Voz B

Ela faz terapia, sabe por quê? É isso que a Tata falou, é muito importante quando você Nasce uma mãe, não pode morrer uma filha. Você precisa ser filha, a gente precisa de colo. Eu tô te dizendo isso muito emocionada por eu ter perdido minha mãe há 7 anos. E aí, quando você perde o topo, o seu maior, a sua maior segurança, É tão difícil se regular novamente, sabe? Então você tem ela, aproveite, seja filha, deite no colo dela, diga o que você tá sentindo.

Sabe por quê? Porque a gente não sabe o dia de amanhã e a gente não tem controle sobre isso. Então faça isso, por favor. Eu juro por Deus, anteontem eu acordei com uma saudade da minha mãe. Eu tenho Tem uma foto dela comigo bebezinha bem na frente da minha cama que eu dou bom dia e boa noite pra ela.

?Voz C

Todos os dias. Ai, que bonitinha.

?Voz B

É, e acordei com uma saudade. Eu tinha tanta impressão que ela tava em volta de mim, sabe? Porque é uma presença, sabe? Que não se explica. É um negócio muito forte. E eu achei que ela tava meio por ali e eu fiquei com saudade dela. Mas não tem mais esse colinho, não tem mais mamãe, eu tô frágil. "Me ajuda, eu tô com vontade de chorar, posso chorar no teu colo?" Porque senão, meu bem, pra onde que você vai? Ui! Pelo amor de Deus!

?Voz A

Eu fico tentando poupar minha mãe, né?

?Voz B

Mas não tem que poupar, sabe por quê? Porque ela não quer ser poupada. Você quer ser poupada do seu filho?

?Voz A

Não, não quero não.

?Voz B

Claro que não, nem a gente. A gente é mãe para sempre. Então não tem filho, tem filho adulto.

?Voz A

Olha que engraçado.

?Voz B

Eu continuo sendo mãe muito mais do que eu era até.

?Voz A

Olha que engraçado essa coisa do poupar, né? Eu falei pra ela, era nosso sonho Big Brother, meu e dela, sempre foi. E aí eu falei pra ela: "Tá, eu vou entrar, mas você vai ficar sem Instagram." Foi o acordo que a gente fez. Vai ficar sem internet. Porque eu sabia que ela não ia poder dar conta de ver as coisas, né?

?Voz B

Não precisa.

?Voz A

Fizemos esse acordo mesmo. Ela ficou sem Instagram, ela só me via ali. Que bom saber o que tava acontecendo, né? E eu fico tentando poupar ela, porque eu falo... Porque assim, Eu também me sinto culpada de: "Poxa, caramba, minha mãe tá me ajudando." Em muitos momentos eu pensei: "Sou menos mãe." Acho que eu não tô sendo 100% mãe porque...

?Voz B

Amor, você tá dando uma luz na vida dela. Porque veja bem, quando os filhos... Eu tô falando que eu tenho filhos adultos. Quando você tem a síndrome do ninho vazio, que os seus filhos saem de casa, você perde a função. Você fica andando de um lado pro outro que nem uma barata tonta. Você fala: "E agora? O que eu vou fazer?" Aí Deus mandou o Luca.

?Voz A

Aí Deus me mandou o Luca.

?Voz B

Você entende? É esse tipo de coisa. E Deus mandou o neto dela. Qual era a função dela? Você já virou adulta, você tem sua vida, você faz suas coisas. Por mais que você more com ela, entende? A função de mãe é necessária. A gente nasceu com essa função na vida, de ser mãe.

?Voz A

E ainda é um lugar delicado pra mim. Eu trabalho muito isso na minha cabeça. Porque, por exemplo, durante o Big Brother, muita gente pegou num lugar muito difícil pra mim. 'Ela nem é mãe, é a menina que cuida, é a mãe dela que cuida do menino.' Foi exatamente isso que fizeram comigo. Ela não é mãe, é a mãe dela que cuida do menino. Ela faz a mãe de escrava. Olha isso, olha que pesado isso. Olha que pesado. O que me conforta é saber de que ela, ela faz por amor e ela me ajuda demais.

Eu fui criada com a minha vó, Janete, Que cortou cana, costurou, pescou e teve nós aqui.

?Voz B

Que loucura, gente!

?Voz A

Então, isso me conforta saber que é a minha base, é meu apoio. E pra onde eu vou, ela vai junto.

?Voz B

Claro.

?Voz A

Eu, ela e Joaquim. Somos nós três. Meu pai mora longe, claro, muito presente. Meu irmão também mora longe, muito presente. Mas eu, ela e ele, pra sempre. Você tem que ver a alegria dele quando a gente tá junto. Você tem que ver os olhinhos dele assim, brilhando. Então, eu queria tanto que outras mães tivessem também. Né? Isso, ter a mãe perto. Toda mãe precisa de uma mãe.

?Voz C

Qual que é seu sonho, Max?

?Voz A

Meu sonho? Ter uma casa muito grande pra Joaquim brincar muito, ter espaço. E ela também, né? Porque ela sonha com uma casa grande.

?Voz C

Vocês moram em apartamento?

?Voz A

A gente mora no apartamento, né? Ter uma casa, ter meu carrinho e trabalhar. Trabalhar mesmo, com o que eu já faço. Com moda, com maquiagem. Só isso.

?Voz C

Você pensa em ter mais filhos?

?Voz A

Não, não.

?Voz C

Casar? Não, não.

?Voz A

Esses sonhos, eles ficaram na gaveta, fechada, trancada, porque eu esqueci disso. Eu esqueci completamente. Quando eu conheço alguém, eu já começo a pensar, porque assim, quando a gente fala que tem um filho para uma pessoa que tá conhecendo você: "Ah, você tem um filho?" Aí o brilho começa a sumir. O brilho do homem começa a sumir, né? Tem um filho. Ah, por exemplo, eu fico imaginando, cara, e aí contar, né? Sou uma mãe atípica, aí já tem um preconceito.

Então assim, eu sou uma mulher que eu tenho as minhas bagagens. Eu moro com a minha mãe, a minha mãe é minha parceira, para onde eu vou ela vai. Eu não tenho como deixar minha mãe sozinha e não vou fazer isso nunca na minha vida. Então Eu peguei isso e guardei numa gaveta.

?Voz B

Então, não é para guardar na gaveta, é para achar a pessoa certa, é para achar a pessoa que vai te acolher com todas as suas bagagens. E são bagagens maravilhosas na sua vida, que é seu filho, a sua mãe. Então, se essa pessoa não for capaz de entender isso, acolher e abraçar, um beijo, meu querido, tudo de bom para você.

?Voz A

Mas é porque minha terapeuta fala assim A minha terapeuta fala que você coloca nessa gaveta para se proteger, só para me proteger da frustração, sabe?

?Voz B

Então, mas você tem motivo para isso, né, querida? Aí ficou quase com geriza de homem, né? Porque depois do que você passou, no momento que você passou, e depois você descobre que você é uma mãe atípica, que você não tem essa criatura que fez esse filho junto com você, ter o teu lado, para dividir, nem que seja nas despesas, se é que ele não consegue fazer outra coisa. É muita covardia, né?

?Voz A

Então, hoje a gente tem uma relação tranquila, mas existe a distância, né? Existe uma distância.

?Voz C

Mas ele tem contato com o Johnny?

?Voz A

Tem contato, sim, claro. Ah, tem?

?Voz B

Tem.

?Voz A

Liga? Não, não tem contato. Liga, é presente em determinados momentos, mas mora longe, tem outra profissão, então essa distância também Dificulta muito, mas eu tenho uma relação tranquila. É importante ter uma relação tranquila porque existe uma criança. Claro. Existe uma criança. Mas eu sou uma leoa, assim, tipo, vou na China por ele. Então eu peguei o desejo de casamento e guardei. Eu guardei.

?Voz B

Deixa ali por enquanto, mas não precisa estar numa gaveta.

?Voz A

Deixa só lá de boa.

?Voz C

Talvez apareça alguém com a chave.

?Voz B

Eu acho também.

?Voz C

A gente nunca sabe o dia de amanhã.

?Voz A

É verdade.

?Voz C

Entendeu? Às vezes a gente fala cospe, cai bem na testa.

?Voz B

É verdade. E aí você se apaixona e de repente você olha, eu já fazendo uma novela, depois você vai querer ter um filho. Imagina Joaquim com irmãozinho, sabe? A gente não sabe nada da vida, minha querida. A gente não comanda nada, nem controla.

?Voz A

Você tá completamente coberta de razão, a gente não sabe de nada. Mas hoje não estamos querendo romantizar também, não, não, imagina. Vocês nem são As pessoas, pra romantizar. Que bom, meu Deus! Mas acho que filhos, novamente. Engraçado que quando eu, assim, tô interessada numa pessoa, eu já pergunto logo: "Tem filhos?" Porque se tiver filhos, eu falo: "Ufa, não vai me cobrar filhos." Aí quando não tem filhos, eu falo: "Ah..." Porque tem mais essa cobrança ainda.

?Voz B

Tem, tem ainda. Olha lá! Que loucura, né?

?Voz A

Que loucura! E aí, quando vai vir o segundo: "Ah, mas ele é tão sozinho, ele precisa de outro." Os cara, mas assim, é loucura.

?Voz B

Não, não dá ser mãe solo de novo, não é por esse motivo, não é.

?Voz A

Então eu já falei assim para Deus, falei: olha, Deus, se você quiser me mandar um homem legal, bacana, que ame meu filho, que me ame, honesto, para eu ser feliz, me manda, eu vou aceitar aqui, ó, bonitinha. Agora assim, se não for para ser mãe solo de novo, não, não, deixa para lá, deixa só com o mesmo, porque A maternidade solo é desafiadora demais.

?Voz B

É, com certeza.

?Voz A

Desafiadora demais.

?Voz C

Sendo solo, né, muito solitária. E aí, quando entra o solo junto, potencializa.

?Voz A

Solo e atípica.

?Voz C

Exatamente.

?Voz B

A gente tem aqui no programa um momento muito lindo, que é você olhar para sua câmera, para câmera 3, e você se despedir e dizer, na verdade, para essas mães como você, atípicas ou não. Qual a mensagem que você gostaria de passar para elas pela sua experiência e dando mesmo um acolhimento a essas mães?

?Voz A

É, intuição de mãe nunca falha. Eu sei que aí você sente que tem alguma coisa acontecendo e que você não sabe como. Intuição nunca falha. A mãe, 99,9% das vezes, tá certa. Então ouça, ouça sua intuição, ouça o seu instinto materno mesmo. E para o que quer que seja, para fazer o que quer que seja, para tomar decisões, que foi o que eu fiz. Porque por mais que as vozes externas digam o contrário, você está completamente certa, porque é isso.

E pedir ajuda, porque não existe uma maternidade sozinha, que você não precisa do outro, você precisa do outro. Então peça ajuda, peça ajuda para uma profissional, peça ajuda para uma amiga, grite Grite para você não morrer como mulher, né? Para você ser mãe, mulher, amiga, esposa, filha, porque a gente precisa dessa rede para ser quem a gente é e para ser feliz e para fazer os nossos filhos felizes. Porque assim, não pense que o seu filho vai ser feliz se você for infeliz.

Não, não, meu amor. Para o seu filho ser feliz, você tem que estar bem, feliz, radiante, de bem consigo mesma, por dentro e por fora. Então, para que eles cresçam felizes e realizados, mas você precisa cuidar de você e pedir ajuda também.

?Voz B

Linda, obrigada! A gente adorou receber você, mas um grau, você não tem ideia.

?Voz C

Muito obrigada por dividir sua história, para as mães que estão em casa, acho que ter essa rede de apoio assim, você com certeza é uma rede de apoio para essas mulheres, né? Muito obrigada mesmo.

?Voz A

Para mim é uma honra muito grande.

?Voz B

Obrigada por você ter vindo ao programa e pela primeira vez ter dado uma entrevista tão grande, tão ampla depois do diagnóstico. Muito obrigada, a gente aprendeu demais com você. Vou sempre pensar em você, sempre te mandar boas energias. Deus abençoe muito você, muito. Abençoe seu caminho, seu filho, sua mãe.

?Voz A

Muito axé pra gente, muito axé pra gente. Obrigada pelo convite, tô muito feliz, tô muito feliz.

?Voz C

Beijo! Eu quero pedir licença Que, gente, eu também vou chorar, vocês sabem. Ai, gente, que loucura. Dá aqui o buquê para ela, maravilhosa. Ô, Cláudia, eu queria agradecer.

?Voz A

Não consigo, gente.

?Voz C

Não vai dar, vou chorar mesmo, mas é isso.

?Voz A

Não, já soltou hoje para chorar.

?Voz C

Já vou soltar. Queria agradecer, eu jamais imaginei que um dia você sentaria ao meu lado num projeto tão importante, um projeto pensado com tanto carinho, com todo o meu coração. Eu nasci na internet, vim da internet, trabalho na internet, cresci assistindo essa mulher na televisão. Jamais imaginei que você estaria aqui todos esses anos, esses tempos, essas temporadas, e acrescentando toda a sua sabedoria, sua maturidade, que assim só você tem.

Então você é única e substituível. As portas estão sempre abertas. E muito obrigada, serei eternamente grata pela parceria.

?Voz A

Obrigada por acreditar nos nossos sonhos. Eu também.

?Voz B

E Vou continuar rezando, emanando coisas boas para você, que você é uma das melhores, os melhores seres humanos que eu conheci na minha vida. É verdade, gente, ela é demais. Esse programa é demais. Essa mulher é uma empreendedora, ela é incansável. E ela tá, eu tô vendo ela amadurecendo, eu tô vendo assim uma linda flor se abrindo. Não que você não fosse, mas a maturidade traz Não dá, gente. E eu fico muito feliz de participar desse projeto.

Eu aprendi muito com esse projeto. Eu só consegui, na verdade, fazer o Sua Mãe Te Conhece, que é o meu novo projeto da Netflix, porque eu passei por aqui.

?Voz A

Que bom.

?Voz B

E porque eu ouvi tantas mães e porque eu profundamente saía daqui com as histórias todas na minha cabeça. Eu dizia: meu Deus, eu posso ser uma mãe melhor, eu posso estar mais atenta aqui, eu posso mudar isso aqui. Eu aprendi demais com esse programa. Muito obrigada pela audiência, obrigada por nos acolher como dupla, que a gente é uma dupla meio que, sei lá, quase que ninguém nunca pensou nisso, né?

?Voz C

É verdade, improvável.

?Voz B

Improvável. E muito obrigada mesmo, eu tô muito feliz e volto logo.

?Voz C

Amém, volte, as portas estão sempre abertas. Obrigada, eu também amo você, obrigada por tudo, te admiro demais.

?Voz A

Muita sorte, que Deus abençoe muito.

?Voz C

Muito, muito sucesso, porque isso já é de, né, tá no sangue.

?Voz B

Sempre, sempre a sua energia vai me ajudar.

?Voz C

Aí conte comigo, estou sempre aqui, tá? Obrigada, Cláudio.

?Voz B

Gente, amo vocês, até a próxima, tchau, beijo!

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