MILENE DOMINGUES - PODDELAS PODCAST #553
Ela abriu caminhos quando o futebol feminino ainda nem tinha espaço.É a eterna “Rainha das Embaixadinhas”, jogou na Europa, viveu os bastidores de algumas das maiores Copas do Mundo da história e acompanhou de perto uma das eras mais marcantes do futebol brasileiro.Neste episódio, o PodDelas recebe Milene Domingues para uma conversa sobre futebol, maternidade, carreira, Copa do Mundo e evolução do futebol feminino. Um episódio sobre legado, força, recomeços e uma história que vai muito além do que o público conheceu pela televisão.INSCREVA-SE NO CANAL PARA CHEGARMOS A 4MI DE INSCRITOS!#PodDelas #MileneDominggues #CopaDoMundo2026 #FutebolFeminino #Ronald #RonaldoFenomeno #SeleçãoBrasileira #CorinthiansFeminino #RainhaDasEmbaixadinhas______________________________________________________Conheça toda a linha Philips Áudio e Vídeo e encontre a tecnologia ideal para transformar sua experiência: https://qrco.de/philipsaudioevideo
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Vi
Milene Domingues
- Conciliação carreira e maternidadePreconceito com jogadoras grávidas · Golpe da barriga e Maria Chuteiras · Viver no exterior durante a gravidez · Amamentação e vínculo mãe-filho · Educação com diálogo e paciência · Desafios da separação e adaptação · Importância da figura paterna · Filhos como incentivadores
- Feminismo e mulheres em esportesQuebra de estereótipos de gênero · Educação para a igualdade · Influência da mídia e redes sociais · Empoderamento feminino · A importância de ter voz · Mudança cultural e social
- Infância e juventudeAmor pelo futebol desde cedo · Influência de Maradona · Embaixadinhas como brincadeira · Primeira oportunidade no Corinthians · Atração no intervalo de jogos · Estreia no Pacaembu
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- Futebol femininoCopa do Mundo Feminina 2027 no Brasil · Crescimento e visibilidade da modalidade · Aumento do investimento e estrutura · Inspiração para novas gerações · Superação de preconceitos e barreiras
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- Cultura e adaptação em ambiente estrangeiroMudança de país e idioma · Adaptação escolar e terapia · Regras de futebol feminino na Espanha · Participação em reality shows (dança) · Reconhecimento como pessoa e não atleta · Vivência em diferentes culturas (Espanha, Itália)
Oi, gente!
Tudo bem com vocês? Sejam bem-vindos mais um Pajauz Podcast ao vivo. Terçou por aqui, semana de feriado, né?
Nossa, menina, a gente—
estamos aqui no feriado também. Vocês vão estar com a gente, por favor, tá? Por favor. E também tem aquela coisa, né, que a gente sempre pede: por favor, se inscreve no se inscreve no canal, deixa o like, compartilha, comenta. Se você tá assistindo pela televisão, pega seu celular e se inscreve. Porque normalmente, quem assiste pela TV não interage, não engaja. E a gente precisa de você, tá?
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A gente quer mais! Tem as redes também, né.
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Arroba tudo.
Arroba todos os arrobas, sabe?
Importantíssimo, importantíssimo.
E hoje eu acho que eu vou ter uma aula hoje assim de uma mulher, que hoje a gente recebe uma mulher que viveu praticamente todos os lados que o futebol pode oferecer, tá? Da menina que sonhava em jogar bola quando quase ninguém acreditava, né, que futebol era lugar para mulher sim, e ela virou a rainha das embaixadinhas, gente, revolucionou mesmo.
E não é só isso, tá? Ela jogou no Brasil, na Itália e na Espanha, vestiu a camisa da seleção brasileira e ajudou a abrir caminhos para uma geração inteira de atletas que veio depois dela, tá, moça?
A história dela vai muito além dos gramados, tá, gente? Ela viveu a fama antes das redes sociais existirem, construiu uma família, uma carreira de muito sucesso. E hoje, além de comentarista e comunicadora, ela também é apresentadora e embaixadora da Rede Ronaldo, onde continua realmente conectada ao universo que transformou a sua vida mesmo, que é o futebol.
É verdade. E se hoje a gente vê estádios cheios para jogos femininos, tá, é porque mulheres como ela abriram esse caminho lá atrás. E hoje Em clima de Copa do Mundo, vamos falar sobre carreira, maternidade, fama, bastidores de futebol e muito mais. Com vocês, Milene Domingues! Seja bem-vinda!
Eu já tava quase chorando aqui, eu sou emotiva, viu, gente. Começa a falar assim, de tanta coisa. Falei: "Nossa, tudo isso, já fiz e tal". Mas eu fico muito feliz e muito lisonjeada. Primeiro, de ver duas grandes mulheres comunicadoras, mães. Eu fico emocionada de mãe, né. A gente sabe o quão difícil é você ter uma carreira e ser mãe. Sim. E nos dias de hoje que todo mundo tá lá de olho, aqui, ó, você falou antes das redes sociais, ainda bem, gente.
Por mais que hoje em dia, né, a gente consiga alcançar lugares muito longe com rede social, com internet, mas a vida era um pouquinho mais tranquila, porque ninguém tava ali o tempo inteiro te olhando, te julgando, o que faz, o que não faz e tal. Então tem ônus e bônus.
Sim.
E a gente fala, né, que a nossa voz reverbera mais longe e a gente consegue alcançar pessoas que estão ali do outro lado da tela falando: "Caramba, eu posso jogar, eu posso ser o que eu quiser, eu posso ser uma mulher esportiva, uma mulher comunicadora, eu posso ser mãe e tá tudo bem, tudo certo, não existe preconceitos." E se tiver, a gente já vai aqui e fala: "Olha aqui, sofri isso aqui e tal." E alguém vai estar lá pra te olhar e te ver.
Isso mesmo. É uma visibilidade maior, né? A gente consegue alcançar pessoas mais facilmente. Mas eu não tinha pensado nisso, né, nessa coisa de tantas coisas. Falando assim, parece que eu só vivi muito, né.
Mas viveu!
Viveu e tem sua importância em todos os lugares.
Mas eu tenho... Comecei cedo, exatamente.
Mas acho que a gente vive sempre na correria, a gente não para pra analisar tudo que a gente conquista, né. A gente, às vezes, não... Sempre quer mais, nunca tá bom.
Não analisa o processo, né.
Exato, não curte o processo. Acho que a pior parte é isso, então é bom olhar pra trás.
Você não se dá conta, você vai vivendo, aí que você fala: "Caramba, é verdade, ó, já fiz isso." "Eu já participei disso, eu já conquistei isso". Você só vai vivendo.
Exato. E você começou muito nova. Eu acho que uma coisa muito legal que você tem é que você não começou por, tipo... Até porque o esporte, eu acho que em questão financeira é até muito sofrido, assim, pra atletas e tudo mais. Mas você foi por amor, né? Você era muito pequena. Conta pra gente como foi a sua infância. Vamos voltar lá atrás, né, Mi?
Começou bem pouquinho. Acho que o esporte te escolheu, né?
Era uma criança, né?
Peraí, menopausa, deixa eu lembrar. A mãe morre.
Gente, tem os... Tá pesado. Os apagões.
Do nada, você tá falando: "O que eu tava falando mesmo?" Aí isso me lembra minha avó falando: "Nossa, tá falando com você?" Aí eu falo: "Caramba, eu tô chegando na idade da minha avó." Mas eu acho que antigamente... Mentira! Que a gente pensa sempre... Ela vai voltar! Tomara, né? Mas antigamente a gente sempre pensava assim, falava: "Você tem 40 anos?" Falava: "Nossa, 40 anos já!" E 40 hoje é, sei lá, os novos 26, com 30. É, isso mesmo.
A gente vive mais e vive bem. Então a idade é... Eu falo que a minha mentalidade é sempre jovem.
E você ainda com esporte, né? Te traz mais jovem ainda.
Eu comecei muito nova assim, até pelos meus irmãos. Eu tenho irmãos mais velhos, então a forma de brincar era com meus irmãos, primos, enfim. Então todas as minhas brincadeiras sempre foram com os meninos. E o futebol foi um a mais que virou a minha grande paixão. Quem me conhece aqui já sabe que eu ando com a bola o dia inteiro. Tem uma bola dentro do carro, o pessoal fala: "Tem alguma coisa?" "Precisa fazer uma embaixadinha, tem bola aí?" Eu: "Claro, deixa eu pegar." Até hoje?
Até hoje. Você quer me deixar tranquila assim? Eu falo que a bola segue sendo o meu brinquedo favorito. Tanto que a gente vai fazer algumas campanhas, a Rafinha tá aqui, sabe? A gente dá uma bola pra gente e acabou.
A gente trouxe uma bola.
Então, perfeito. Mas é melhor me dar no final, senão a gente não fala mais.
Não, você vai falando enquanto você vai fazendo embaixadinha.
Tô brincando.
Mas você sente, tipo assim, que ainda é um negocinho assim que te traz calma?
Me dá alegria. Eu acho que o esporte, você tava falando sobre amor, obviamente naquela época, né, eu vou fazer daqui uns dias 47, eu comecei com 12, 13 anos que eu lembro assim, as embaixadinhas, tudo era para não, entendeu? Não pode, mulher não pode jogar bola, mulher vai se masculinizar se jogar bola, né, o estereótipo, não vai te dar futuro. Eu tive sempre apoio da minha família, isso eu tenho que agradecer muito, porque muitas atletas, muitas meninas ficaram pelo caminho porque o primeiro preconceito era dentro dentro de casa e eu não tive isso, mas também minha mãe não falava que isso era o meu futuro, até porque não tinha, não tinha um norte, não tinha "ah, vou ser uma jogadora do Corinthians", não tinha porque não existia time, então não tinha como ser a minha profissão, só que eu sempre fiz com tanto amor, quando falavam não eu dava um jeito, porque as embaixadinhas, né, porque o pessoal fala "nossa, mas embaixadinha, eu sempre quis ser atleta, sempre quis ser jogadora de futebol", mas os meninos não me deixavam jogar, a forma de brincar sozinha com a bola É fazer embaixadinha.
Então, quando não te deixam jogar, eu brincava chutando bola na parede, fazendo embaixadinha. Eu sempre gostei muito de ver futebol. E eu lembro assim de uma cena que acho que foi a minha— marcou assim, que é o Maradona. Se vocês buscarem pela internet Maradona no treino do Nápoles, vai sair essa imagem que é muito famosa. E o Maradona brincando com a bola, fazendo embaixadinha de um ombro pro outro, cabeça, enfim, ao ritmo da música, que eles colocavam música pra aquecer.
E sendo feliz. E aquela imagem dele me passou tanta alegria, felicidade, que ele estava muito feliz fazendo aquilo. E eu pensei: caramba, eu fico assim quando eu tô jogando bola, eu sou muito feliz, eu gosto de estar lá, a bola é meu brinquedo favorito. E foi através desse sentimento que ele me passou na imagem que eu falei: caramba, é isso que eu quero do futebol. E aí fazia as embaixadinhas, tentava. Todas as vezes que eu vi um jogador, eu falava: pô, me ensina uma coisa diferente com a bola.
Você sabe levantar diferente a bola? Você sabe algum truque com a bola? Que hoje chama freestyle.
Sim, hoje temos um nome.
É, e uma competição, tá? Hoje existe campeonato de freestyle. Mas eu não, era brincadeira. Vamos fazer uma coisa brincando com a bola.
E como que isso se tornou profissão? Quando foi? Quantos anos você tinha?
Uns 14 para 15, 15 anos. Nossa, muito cedo. Mas eu não sabia que isso era tão diferente, tá? Para mim era uma brincadeira, sempre foi uma brincadeira, até hoje.
Continua sendo.
Continua sendo, vou me divertir com a bola. Só que quando me viram, a minha história é muito engraçada porque a gente, eu como 98% da população brasileira, a gente tem uma vida mais humilde. E aí todo mundo falava assim para minha mãe: "Leva essa garota para fazer um book, para trabalhar de modelo." E eu assim, para ser aceita entre os meninos quando eu podia, quando eles me viam assim, me davam alguma chance de ser aceita para a gente participar de um "Se a gente tá num grupo, a gente precisa ser igual a eles." Precisa pertencer.
E aí, eu queria ser também, mano, igual a eles. "Posso jogar?" Então não combinava muito com modelo. E eu falava: "Não, mas se eu for pra uma agência, né, não tem nada a ver, eu nem sou assim e tal." E naquela época também tinha muito uma...
Eu acho que é bem recente essa questão de você poder ser o que você quiser em modelo. Não, em agência de modelo. Porque antigamente você tinha... Fui seguir vários padrões, vários até comportamentos. E era aquilo ou era aquilo.
E não tinha o que falar. Eu tinha, sei lá, 13 anos, 14 anos. E aí fui nessa agência, falei: "Tá bom, eu vou provar pra vocês que eu não levo o menor jeito de ser modelo. Eu não sou modelo." E aí fiz um book e fui chamada pra um teste. Nesses testes, né, de catálogos e tal. Aí chegou lá na frente, teste. Você chega na frente da câmera e se apresenta e fala. E eles vão fazendo perguntas. Aí o dono da agência falou assim: "E eu já cheguei chamando atenção, porque todo mundo vai pra um teste de modelo como?
Vestida de Corinthians com uma bola na mão." Com certeza. Já era assim: "Quem é esse ser humano ET que não tem nada a ver?" Tava todo mundo penteadinho, arrumadinho, aí eu lá com a roupa do Corinthians e uma bola na mão. E aí, na hora da minha apresentação, ele falou assim: "O que você gosta de fazer?" Eu falei: "Eu jogo futebol." Ele falou assim: "Mas você é boa?" E a gente, quando é novo, a gente tem essa autoestima muito apurada, né?
"Sou, né?" Pô, ele falou assim: "Você sabe fazer embaixadinha?" Aí eu: "Claro, né?
Sou bem bonita." Você tava com a bola?
Claro. E aí ele falou: "Então faz umas aí pra eu ver." E eu fiz. "Tá, tá, tá, tá. Uma, duas, dez, cinquenta." Aí ele falou: "Não, já tá bom. Obrigada. Valeu." Enfim, não passei no teste de modelo. E aí ele era um cara que gostava muito de futebol. Ele falou assim: "Pô, eu conheço uma galera do Corinthians." Eu falei: "Nossa, que legal e tal." Me levou no clube. E me apresentou para um diretor que me apresentou para o presidente.
Toda vez que eu vi alguém lá no Corinthians, ele falava: "Faz umas embaixadinhas aí para eles verem que você é boa." Então eu acabei virando atração do clube e eles tiveram a ideia de me colocar no intervalo do jogo do Corinthians como uma atração. Então quando eu apareci no intervalo do jogo...
Nossa, que arrepiada! Imagina isso!
E assim, de uma agência de modelo, entendeu?
Para uma atração do jogo.
E eu entrando no Pacaembu Estádio lotado naquela época, estou falando em 94, estádio lotado, Corinthians e Santos, porque antes podia as duas torcidas subindo o vestiário. E eu assim, para mim, naquele momento eu me tornei jogadora de futebol, mesmo que fosse só para fazer as embaixadinhas, porque eu estava vestida de Corinthians, estava com uma chuteira. Eu tenho até essa foto aqui, eu vou procurar para vocês.
Você estava trabalhando, querendo ou não, já estava.
Mas para mim era como assim, sou jogadora. E aí eu fui subindo a escada do vestiário e antigamente para você subir do vestiário no Pacaembu, você vai enxergando o campo degrau a degrau. Eu lembro dessa cena perfeitamente. Sobe um degrau, vê um pouquinho da grama, um pouquinho, um pouquinho.
Não é assim mais?
Não. Como não? Tiraram o tobogã, que é onde ficava a torcida organizada, e o vestiário ficava lá debaixo.
Então o que eu lembro?
Agora é no mesmo nível.
Ah, qualquer imagem que eu tenho de jogadora entrando no campo é essa subida.
Não é mais, não é mais. E o Pacaembu, a gente tem esse carinho especial. E aí subi, falei: "Agora vou fazer umas embaixadinhas." Mas chegou na hora assim, parecia muito maior do que aquilo que eu tinha visto na TV. E é, né?
Claro, presencialmente.
E eu ali, imagina, eu tinha 14 anos. Aí fui, subia, falei: "Caramba, acho que eu vou ficar aqui atrás do gol mesmo." Porque a subida do vestiário era atrás do gol. Falei: "Eu vou ficar aqui atrás do gol mesmo, né? Fazendo uma embaixadinha e tal, até ir pegando uma confiança." Só que quando você sobe antigamente, você subia e atrás da gente ficava o tobogã, o famoso tobogã, que era a torcida organizada. Eu não tinha visto, eu só subi.
Então tá tudo aqui atrás. Comecei a fazer as embaixadinhas com aquecimento para ter uma confiança, porque eram os 15 minutos de intervalo. E aí eu começo a escutar assim: "É o, é o, é o loirinha da Fiel." Nossa! Aí eu virei assim. Você falou: "É para mim." Não, eu virei, aí eu vi que tinha toda a torcida organizada. Aí eu falei: "Nossa, tô em casa." Já me senti em casa. E daí por diante, aí eu fui pro meio do campo e tal. Vieram várias reportagens. Quem era aquele pingo de gente?
14 anos!
Realmente. Se você tem uns 60 hoje, uns 58, você já tinha uns 58?
Não, gente, eu devia ter uns 30. Eu vou procurar essa foto aqui. 14 anos! Eu era muito novinha. Vou até pra vocês verem, gente. De verdade, eu parecia uma criança com uniforme escuro.
Você era uma criança. 14, quase.
Hoje não, gente. Hoje, 14 anos, a galera tem 1,70m.
Eu já tinha 1,70m com 14 anos.
Tá vendo? Antigamente.
É porque eu também tenho 1,58m, né? Então eu devia ter 1,80m também.
Com 14 anos.
E aí foi a virada de chave, assim, de...
Isso acabou sendo a minha profissão, porque eu comecei a ser contratada por marcas, patrocinada por marcas, e fazia feiras.
E a sua mãe que te dava o apoio pra administrar isso?
Minha mãe e meus irmãos. Os meus irmãos sempre foram meus empresários, cuidadores. Vocês vão rir, gente, mas assim, ó.
Eu quero ver.
Eu mandei pro meu filho essa foto. Não riam, tá?
Não, a gente não vai rir. Ai, gente!
Que linda! Olha o tamanho do uniforme. Vocês querem ver?
Mostra aqui pra essa câmera. Ai, gente!
Era muito pequenininha, gente. Quer dizer, não que eu seja alta agora, tá?
Ai, que fofo ainda esse, eu acho tão—
Dá uma gola assim, muito retrô, né?
Fofo esse, é, dá uma golinha polo.
Olha o tamanho da manga que tá no— Enorme. 3/4, entendeu? Pegaram um uniforme ali e falou assim, põe. Isso assim, é um uniforme masculino, a gente usou até poucos anos atrás, né? Uma das grandes conquistas, né, que a gente tem no futebol feminino. Finalmente entenderam que o corpo da mulher tem as suas particularidades, principalmente de quadril. Então hoje tem uniforme uniforme, mas antigamente a gente sempre usou uniforme dos homens.
Quando não, quando era um uniforme assim menorzinho, era uniforme dos homens da base, não os profissionais, mas continuava sendo de homem. Então são várias conquistas que a gente vem conquistando no futebol feminino, mas—
e você tem muita importância nisso, né?
Ai, gente, tá, eu falo que eu e vai várias mulheres que foram plantando um pouquinho, porque Eu sou, né, eu nasci em 79, existiam as pioneiras já. Em 91 foi a primeira Copa feminina e já tinham essas mulheres que já tinham lutado muito para chegar numa Copa daquela forma. Eu falo que hoje, né, vivendo os bastidores do futebol feminino no Corinthians, né, onde eu sou embaixadora, mas eu falo que a gente no futebol feminino, todo mundo de verdade, não é, não é demagogia, a gente luta por uma modalidade.
Então não existe esse clubismo que existe no masculino. Todo mundo quer se ajudar, todo mundo quer que o outro time também cresça, que ganhe estrutura. Eu não quero ganhar porque você não tem estrutura para dar o seu melhor. A gente quer que todo mundo cresça junto, porque só assim a gente vai conquistar uma modalidade forte, ter um Brasil competitivo, né? Não é só por um clube.
Então eu falo, salarial também, né?
Isso é uma grande polêmica assim, então fala, tem que ganhar a mesma coisa que os homens. Eu sempre faço essa pergunta para galera, O Pelé ganhou a mesma coisa que o Neymar, mas nem a metade, porque o futebol masculino também passou por transformações. Em outra época, mas agora falando da época, não, e de conquistar, a gente precisa ainda conquistar um público. Eu falo sempre isso, a gente teve proibição constitucional, a gente era proibida de jogar futebol.
Se você jogasse futebol, eu era presa. Eu tava infringindo uma lei. Então a gente teve essa paralisação que atrasou muito o futebol feminino. Então a gente tá conquistando as coisas hoje. Eu nunca vivi do futebol feminino, né? Sai umas reportagens que eu fui uma das transações mais caras, né, durante um bom período do futebol feminino, quando eu saí da Itália para Espanha. Só que eu tinha contrato de publicidade. Se você ver ficha federativa de clubes, o meu salário era muito baixo e era como mais uma ficha federativa.
Mas eu tinha um salário grande porque eu acabava— todos os clubes na Espanha, né, são SAF, empresas. Então eu fui como direito de imagem, e aí sim eu ganhava bem, mas não pelo futebol somente.
Então isso mudou o nome, né, pela sua imagem.
Hoje não, hoje elas são carteira assinada. Então hoje elas têm— a gente brinca sempre lá no Corinthians, quando ela sai do vestiário, você não fala bom treino, você fala bom trabalho.
"trabalho".
Que a gente gosta de ouvir que hoje é o trabalho delas, entendeu? É uma mudança. Mas isso a gente vem conquistando pouco a pouco. Sim, com certeza.
Mas mesmo sendo um amor seu, assim, desde muito nova, quando você entendeu que era um... um esporte mais masculino, te deu medo?
Não.
Você falou assim: "Te deu medo? Eu sou só mulher, quero viver do futebol". Você não teve medo em nenhum momento? Porque, queira ou não, muita gente tem preconceito, né?
Você foi muito corajosa.
De encarar um amor que você tinha e falar: "Eu não tenho medo de nada, eu vou e vou conseguir." Realmente conseguiu. Mas em algum momento você estubiou assim, deu um medo ou não?
Não, Vi, eu acho que isso tudo na vida, eu falo que não é só pro esporte não. A gente sempre vem aqui com um propósito, a única certeza que a gente tem nessa vida é que a gente vem aqui, vai cumprir um propósito e vai partir, ninguém fica aqui. Então, eu falo que a vida não é só... O que que é ser bem-sucedido? Eu acho que é a gente ter saúde, estar ao lado das pessoas que a gente ama, fazendo o que ama, Não é só trabalhar e pagar boleto.
Então a gente tem que viver mais. Então eu sempre tive isso muito claro na minha vida. Então independente do que o outro falava, né, obviamente sem ser uma pessoa ruim, eu falava: "Caramba, é isso que eu quero, eu vou." "Ah, mas você não pode, por quê?" Eu não ficava questionando, eu nem perdia meu tempo e a minha energia, que eu falo que cada vez mais a minha energia, se antigamente ela era muito importante, agora que a gente vai ficando um pouco mais experiente, então a gente, né, a gente vai "Vou gastar minha energia com o quê?" Dá uma economizada. Ela não tá assim.
Como que é pra você, assim, os anos de Copa do Mundo? Muito trabalho? Ansiedade? Bastante. Como é que funciona?
Normalmente, todas as marcas e tudo que vai falar, né? Qualquer coisa fala de Copa do Mundo. Qualquer coisa tem um verde e amarelo, tem uma bola. Então é um momento que a gente trabalha demais. Glória a Deus, Senhor. A gente tem que trabalhar. Mas Mas o que eu mais vejo, ainda mais esses últimos anos, é o papel da mulher nesse lugar. Então assim, hoje em dia, até por causa da Copa Feminina do ano que vem, a gente já tá fazendo um esquenta na Copa Masculina.
Então as mulheres estão tendo mais esse protagonismo. A gente sabe que precisa melhorar e muito, mas a gente vê bastante propaganda hoje com mulheres e uma bola, independente se elas são jogadoras, independente se elas estão atuando no futebol Futebol, você vai ver um comercial, você vai ver que tem uma menina chutando uma bola aleatório, ela não precisa nem ser do meio do futebol ou conhecida. Então a mulher já tem um pouco mais de lugar nisso.
E tem a coisa das embaixadinhas, né? Apesar de eu fazer muitos anos, que eu já fiz o recorde, esse recorde hoje já foi batido por uma, pela Raquel. Um beijo, Raquel, tenho certeza que ela tá assistindo. E ela começou a fazer embaixadinha Então eu falava: "Rá, não conta isso tão alto assim." Quando eu era pequena, eu via a Milene, porque ela é um mulherão hoje. Eu falava: "Caramba, vai parecer que eu sou mais velha do que eu já sou." Mas ela é incrível. E hoje o recorde é dela.
Só que a gente ainda... Qual que é a quantidade?
Ela fez 10 horas. Eu fiz 9 horas. 9 horas e 6 minutos.
Quantidade de embaixadinha por hora?
A Rá acabou não contando as embaixadinhas. Mas tem que comparar. Sem parar. E eu fiz 9 horas e 6 minutos contando 55.187. Aí eu fico pensando, hoje 9 horas, eu se eu tivesse 9 horas livre eu ia dormir.
Ai, deixa eu aproveitar, gente, que a gente entrou nesse assunto aqui, eu preciso falar de uma novidade muito especial aqui do Pode Delas, que é a Philips Audio Video chegou aqui como nossa Nossa parceira, nossa nova parceira. A gente tá muito feliz, porque é uma marca que a gente faz parte da vida das pessoas há muito tempo, né. As gerações sempre conectando tecnologia, entretenimento e momentos importantes.
E falando, amiga, em momentos importantes, eu imagino que Copa do Mundo seja um evento que muda completamente a rotina de quem ama futebol, né. Então assim, tem aquela reunião com a família, os amigos, aquela emoção mesmo de cada jogo, sabe?
E aí, gente, por isso a Philips mandou um presente pra você. Ah, que lindo!
A gente ama muito esse momento!
Você surpreendeu a gente, a gente também vai te surpreender.
Que isso, agora!
Assistir futebol é bom, mas assistir com clima de torcida é melhor ainda, gente. Então essa caixa de som BoomBeat Philips, tá, é pra deixar os jogos ainda mais especiais. Imagina, gente, olha isso aqui, com muita potência. Cada lance assim ganha mais emoção. E o melhor, tá, ela tem bateria de alta duração. Além de uma alça de transporte que facilita muito a vida pra levar pra festa. Pra torcida, né. Então tudo fica literalmente mais emocionante, né, amiga.
E pra quem tá assistindo a gente, gente, a Philips preparou um desconto especial, tá? Usando o cupom PODDELA, vocês têm 10% de desconto! Tá aparecendo o QR code, o link aí na tela. Vai lá garantir, vai deixar a experiência de assistir o jogo mais especial.
Gente, mas é a BoomBeat, ela realmente me lembra jogador.
É?
Que chega, tá segurando a alça e vai.
Não, mas eu sempre falo que a gente que é mãe que precisa carregar um trilhão de coisas na mão, ela facilita porque tem essa alça aqui, ó. E aí você põe de lado assim, amor. E aí fica com as mãos livres, entendeu? Aqui, ó. Resistente à água, tá? Gente, olha!
É um babado de presente! Muito obrigada, caramba! Já tô pronta pra gritar "exa".
Ai, eu também! Gente, ela trouxe pra gente os presentes. Vamos mostrar? Deixa eu mostrar. Ela trouxe os presentes mais fofos.
Você não tava esperando? Não tava esperando. E eu falei que ia mostrar. Obrigada a todos os convidados que mandaram presentes.
Mas Ellen, ela arrasou.
Ai, a gente, tipo assim, reuniu um período. É porque ela poderia ter dado só pra gente, mas ela quis ir além. Vamos mostrar. Ela deu pras pessoas mais especiais da nossa vida, que são nossos filhos. Então assim, conquistou, sabe?
Não, mãe, gente, a gente sabe que quando a gente vê os nossos filhos ali, enche o nosso coração. Então, como mãe, a gente tem que...
Pode dar pro Ronald?
Pode.
Fica à vontade aqui.
O Ronald, gente, vocês sabem que meu filho é DJ. Então, tu vai dar com ele?
É porque ela falou: "Ai, com os nossos filhos." E eu pensando assim: "A gente trouxe pra ela." Mas vamos fazer com o Ronald.
E traz mais um, amiga, por causa da família.
É verdade.
A gente falou 10 filhos, né?
Deixa eu mandar mais um. Olha aqui, gente, o que ela trouxe pra gente. Tudo aqui, a gente já abriu.
Olha aqui! Para vocês jogarem futebol comigo.
A da Ravi e a minha. Gente, ela realmente pensou em todos.
Ficamos felizes que vocês gostaram.
Essa aqui é do Caio Careca. E da Bibizuda.
Sério, não dá pra—
Com nome, gente!
Para, gente!
E eu falei, sabe o que foi mais incrível? Você fez as mães economizarem. Porque ano de Copa do Mundo, a gente ia ter que comprar, entendeu?
Sim, sim. É verdade.
E aqui tá, tipo— Não, eu tava—
Ela disse: "A gente vai comprar logo." "É, tem que comprar, daqui a pouco vai ficar mais caro, daqui a pouco vai ficar mais caro, amor." A gente fala: "A mesa da seleção é uma bola?" A gente já tá...
E tem a bola!
Ela tá ganhando bola também. Nossa, gente, de verdade, muito obrigada.
Você é real, parabéns. Vamos dar um fole pro Ronald, acho que ele nem deve ter.
Obrigada, tá vendo, filhão?
Ele assim, ó: "Queria a caixa meu, pequeno te dou." Não, gente, eu sou mãe.
Se ele falar: "Mãe, a caixa." Eu falo: "Tá bom, meu filho." Não fala não, nunca, né? Vamos contar juntos.
É verdade, é verdade, você tá em família. Quer guardar lá? Pode guardar, viu?
Vou pôr aí embaixo pra não esquecer. Embaixo.
Caramba!
É, não esquece, hein?
Se esquecer a gente pega, viu? Vocês não me conhecem. Eu posso me esquecer aqui, mas a caixa vai lá.
E vocês moram perto?
Vocês, seu filho? Pertíssimo. Tá pertinho?
E cresceu, né?
Às vezes foge. Não, o Ronald mora fora de casa assim desde os 19, ele tá com 26. E o pessoal sempre pergunta, eu vou falar pra vocês mães: "Ai, o ninho vazio." Gente, a gente trabalha tanto. E assim, filho é para o mundo. E eu fico tão orgulhosa quando eu vejo assim, o Ronald lava, passa, cozinha, ele se vira. É, eu acho que até porque a gente morou muitos anos fora e os serviços, né, de alguém lá fora é um pouco mais complicado.
E eu sempre assim, eu falo que a culpa do Ronald não jogar futebol assim, não estar tão atento ao futebol, é minha, assumo. Porque o pobrezinho, ele viveu comigo indo para Treino, estádio, jogos, não tinha concentração porque custa caro concentração, então a gente não concentra, quer dizer, não concentrava, agora elas concentram. E aí ele ia tudo junto comigo, tadinho, com 3 aninhos, eu me separei do pai dele, o Ronald tinha 3 aninhos, vai, um pouquinho, oficialmente com 4, mas assim, já tava mais separado a partir dos 3 anos.
Então ele sempre me acompanhou em tudo, então ele tava cansado já de viver os bastidores do futebol.
Ele falou: "Ai, não quero isso pra minha vida não." E aí eu agradeço.
Foi, mas aqui também, gente, para ele ia ser uma pressão, né?
Então, obrigada, senhora.
Já imaginou, amiga?
Ah, eu acho que ia ser uma pressão.
Ia ser surreal, ele não ia ter, imagina o julgamento, não ia poder errar nunca, não ia estar aqui em cima a expectativa, né?
E assim, ele nunca teria o mérito porque fala joga bem, claro, é filho dele.
Nossa, tem isso também, ele foi fazer carreira dele com quem ele gosta, acho isso legal.
Joga futebol a vida inteira, desde que eu me conheço por gente, quando eu estava casada Eu ia pra um clube e me davam a 9. E aí eu falava: "Então, eu sou meio-campo, não faço gol". Porque você falou que não sabe ninguém, né? A 9 faz gol, Vi.
Sim, é que antes de começar eu tava explicando pra ela que eu entendo, eu sei quando é o gol e quando sai.
Mas o quê? É do 7 pra cima que faz gol?
Hoje em dia todo mundo. Hoje em dia o futebol tá bem bagunçadinho. Os laterais querem... Os laterais antes marcavam, agora os laterais já viraram uns meias ali do campo e querem fazer gol. Então hoje não existe muita... A gente sabe, só o goleiro. E o goleiro hoje sai com o pé, entendeu? Goleiro que não sabe jogar com o pé também tá ruim. E antigamente ele tinha que ser bom com a mão, entendeu?
Agora tem que ser bom fazendo um pouquinho de tudo.
Mas você é meio, isso eu sei, que eu jogava no meio-campo.
E quando eu era casada, as pessoas achavam que por eu ser casada com um atacante, eu jogava no ataque.
E eu falava, então, olha, gente, perdão, tá, se for ridículo que eu vou falar agora, mas eu não sabia isso, que o número o local do número? Eu achei que era tipo assim, ah, eu gosto do 9.
Também existe, que hoje existe, sei lá, número 37. No nosso time, a 37 é a Tamires, ela gosta 37. A nossa zagueira, Eriquinha, beijo lindona, 99. Então hoje tem essa escolha de números, mas na sua época não tinha? Não, era de 1 a 11 os titulares. Então 1, 2 lateral, 3 zagueiro, certinho.
Ah, não, sim, porque era o meio-campo.
E ele dizem que o meio-campo é igual a música, é o lugar dos craques. Não que eu seja, tá, gente, eu só falei que assim, pode falar, tudo bem. Mas assim, onde tinha mais a criatividade. E cada número tem uma função, cada posição tem uma função, supostamente. Mas hoje em dia no futebol moderno é, a gente fala que é ocupar espaço, né? Se você é um atacante, você voltou para buscar bola, alguém faz esse papel Tanto que a gente fala que nós estamos perdendo algumas posições e o 9 é um deles, porque o 9 era um jogador, uma jogadora que ficava muito pisando a área do adversário, ficava mais próximo da bola chegar.
E hoje a gente não tem mais. A gente fala assim, né, o Ronaldo acho que foi um dos últimos, né? A gente teve depois o Adriano, acho que Luiz Fabiano também do São Paulo. Vocês torcem para que time?
Eu sou gremista.
Tá bom. Minha família, nossa, vou te falar, minha família cresceu assim, ó. Briga feia de metade corinthiana e metade São Paulo. Feia, mas assim, eles até forçavam a barra, sabe? Tipo assim, um quer se matar o outro, é um negócio assim. Minha família é meio passa do ponto. Mas minha família é corinthiana inteira, família assim, minha mãe e meu pai, corinthiana inteira. Mas eu vivia vendo briga.
Ah, família, tipo familiares?
Familiares, tipo tio, não sei o quê.
Entendi.
Quando juntava Natal, quando tinha jogo próximo assim, menina.
E aí, eles são corinthianos?
Subia lá quem ganhava, subia na água. Na... Como que fala? Caixa d'água, que tinha uma caixa d'água dentro da chácara da minha família. Subia com a bandeira e pendurava. Daí vinha o outro time: "Não, tira a bandeira, vai, gente!" "Ai, vai!" Sabe essas coisas ridículas de torcida, quando chega no ponto que passa do limite? Minha família era assim.
E aí vocês foram, vocês inovaram e falaram: "Chega de... A gente vai ser Vasco, a gente vai ser Corinthians".
Não, não, sempre foi metade Corinthians, metade São Paulo.
Ah, metade Corinthians, tá.
Sempre, então a briga sempre foi tipo de torcida mesmo. Chegava a passar do ponto. E aí... Mas é como minha mãe e meu pai sempre foram corinthianos, eu cresci corinthiana, assim. Corinthiana, minha mãe é corinthiana roxa, meu pai também. Aí pergunta pra mim se eu sei tudo do Corinthians, eu não sei nada.
Mas tá tudo bem, só de ser isso. Mas era Corinthians.
Mas eu simpatizo muito com o Corinthians aqui em São Paulo. Mas eu não posso, porque meus filhos são São Paulinos, né. O Caio, gente, vocês estão entendendo? Ontem à noite, ontem à noite, amigo, você viu que eu postei stories? Ele não tava deixando eu torcer pro Brasil porque o outro time, o Panamá, tava com a camiseta vermelha. E ele falou que o vermelho era o São Paulo.
Ele: "Não, não, não, não!
É o vermelho São Paulo!" Eu: "Não é o São Paulo, meu filho!" Porque ele tem 3 anos, né. Eu: "Filho, não é o São Paulo, é o outro país. A gente tem que torcer pro Brasil." "Eu sou São Paulo". E aí ficou uma grande discussão. A Bia não tem menor paciência, ela: "Então torce pra esse time mesmo, que tá perdendo". Tipo: "Para de encher o saco". É muito engraçado.
Ainda fala: "Você tem certeza? Eu já iria emendasar". "Ó, São Paulo então tá ruim, tá perdendo de 6". "Você quer torcer pra um time...?" Falei, falei.
"Você tá torcendo pro que tá perdendo". "Ele não tá não, vai ganhar, vai ganhar esse time aí".
Bem assim. Cara, eles têm personalidade, muito bem.
Muito. Eles são São Paulinos assim, roxos.
Caramba. Mas eu falo que eu também cresci muito assim, corintiana, de não usar o verde. Que a gente tem essa coisa com Palmeiras, mas eu acho que quando você começa a trabalhar no futebol e quando começa principalmente no futebol feminino, a gente quer ver todo mundo crescer. Então teve, até falei que uma vez aconteceu do Palmeiras, tava na final da Libertadores, ganhou a Libertadores em cima do Boca Juniors feminino, e nós brasileiras estávamos muito feliz porque era o Brasil ganhando uma Libertadores.
Só que essa mentalidade não acontece com masculino. Se eu tivesse Palmeiras masculino jogando contra o Boca, a gente nunca ia torcer pro Palmeiras, era outro time. Mas no feminino é o Brasil. A gente sempre fala que tudo que aconteceu de errado no masculino, que não foi bom, que não deu certo, a gente não precisa replicar.
Já que estamos atrasadas no quesito direitos, vamos então melhorar o que tá errado.
Eles já deram um caminho, isso, já deram um caminho assim de, por exemplo, público. No estádio. A gente gosta muito de que tivessem as duas torcidas, é uma festa bonita. Eu vivi muito de duas torcidas, mas hoje infelizmente não é possível porque as pessoas virou, né, um ponto, né? Então a gente precisa voltar a ter essa mentalidade, até porque o público feminino é muito família. Por exemplo, você vai assistir um jogo do São Paulo com seus filhos, meus filhos vivem pedindo para ir no estádio, eu teria medo.
É isso. Já no feminino você não teria medo, com certeza, porque o público é muito família.
E já as pessoas podiam voltar a ser civilizadas, sabe, poder ir às duas torcidas, né?
Olha só como as coisas são interessantes. O homem que vai assistir com os amigos o jogo do Corinthians, por exemplo, ele tem um comportamento. Se ele leva a esposa e os dois filhos e com a mãe, ele vai ter outro comportamento. O mesmo torcedor.
Então tem que obrigar os homens a levar a família, senão não entra. Eu acho que eles vão subir a Ninho lá na entrada. Vamos colocar essa lei: solteiro não entra, só entra casado, para não passar vergonha, que a mulher não vai deixar.
Ou então entra com a mãe. É solteiro? Traz a mãe, só com a mãe e os filhos, pronto.
Alguém da família feminina. É impressionante. De como muda o comportamento. Então, ou seja, ele sabe torcer normal, por que não faz isso? É porque quando tá no grupo assim dos homens tem outro comportamento.
Como foi assim, agora falando do quesito maternidade, porque você engravidou numa época que realmente estava ali jogando e, né, no auge também. Como é que você recebeu essa notícia? Como foi para você como mulher essa transformação? E aí muito linda, conciliando com a sua profissão dentro do esporte. E aí eu imagino também que teve muito preconceito, a gente sabe o quanto existe isso, né, até de se tratar de um jogador de futebol, de você sendo jogadora também. Como você viveu essa fase?
E tudo aconteceu muito rápido, né, Thaís?
Você era nova também, né?
21. E assim, eu fiquei grávida muito rápido e havia todo esse julgamento, ah, o golpe da barriga. É, as mulheres que, né, saiu com jogador era Maria Chuteiras. Então existia vários preconceitos. Ainda tem, né? Ainda tem, mas acho que hoje isso aqui é uma ferramenta hoje que ajuda muito, porque qualquer, ao mesmo tempo que às vezes fica chato de tanta polêmica por nada, você tem voz hoje. Você pode falar, caramba, as pessoas têm a oportunidade de te conhecer e depois ter os seus pensamentos.
Mas antes não, você já era rotulada. E Aí eu ficava muito preocupada porque eu sempre fui do esporte. Aliás, eu convivi muito com jogador, eu fazia as embaixadinhas, eu operei o joelho, eu tinha quase 16 anos, então eu fiz fisioterapia até no São Paulo, que naquela época foi, era o centro de reabilitação referência do país, e eu fiz a fisioterapia lá. Então convivia com muitos jogadores e eu falava: eu nunca vou sair com jogador de futebol, que para mim não era um tipo de pessoa que eu queria estar, porque falavam das mulheres e vamos jogar e depois vamos não sei para onde.
Eu ficava olhando, eu tinha 15, 16 anos. E aí Deus falou: ah, não vai sair com jogador, vai casar, vai ter filho, não é com jogador, vai ser com o jogador. E aí eu ficava assim pensando nesse julgamento, que vai, caramba, eu nunca, né, sair com jogador e não tenho esse estilo de vida, né, de estar ali com eles. Eu quero jogar futebol, jogador para mim é para me ensinar a fazer algum truquezinho de embaixadinha. E de repente eu tava lá estampada, né, quem que era a pessoa e qual as intenções de ficar grávida.
Então isso, a sorte, assim, sorte, que eu acabei indo. O Ronaldo morava na Itália e eu fui embora para Itália e não existia Isso aqui, a internet não existia assim dessa forma. Então as pessoas, para saber alguma notícia de fofoca, tinha que esperar o fim de semana sair as revistas. Não existia tantas coisas de programa, né? Falando nisso, aquele Ego tinha, já não tinha, tinha da, tinha, eu acho que ainda não tinha o Ego, não.
Imagina, 99, 99, era outro século, literalmente. Mas eu ficava preocupada com isso. Mas quando eu fui para outro país mora em outro país, então eu ficava um pouco protegida dessas notícias.
Mas você não conseguia se defender também, né? Você não tinha como dar sua versão, conseguir falar nada.
E eu sou dessa, tá? Até hoje, se alguém falar alguma coisa para mim ou qualquer coisa, eu nunca vou me defender. Porque como assim?
Eu sempre vou me defender.
É, eu tenho isso.
A gente entra nesse conflito, eu falo: cala essa boca, Vitória!
E eu falo: fala mais, menina! Cala essa boca!
Fala o que tá acontecendo!
Ela fala por mim e eu fico quieta.
Não fala assim, deixa que eu falo então.
"Quer falar? Eu falo então, deixa que eu falo essa treta aqui." Mas você tem que ter uma amiga assim, tem que ter uma amiga assim, por favor. Você quer ser minha amiga assim? Sim, sim, quero, com certeza. Não, Vi, sabe por quê? Eu ficava falando das energias. Hoje a gente tem uma energia que eu tenho que canalizar ela pra algo muito bom.
É pra fora, canaliza pra fora.
Eu adoro esse de energias, né, que te encolhem assim.
Eu quero gastar com outras coisas, entendeu? Eu não vou... Aqui é assim, você é alguém que fala sobre mim. A Milene fez isso. 'Eu fiz isso.' E não é ela que tem que provar que eu fiz, sou eu que tenho que provar que não fiz. Isso é um absurdo, né? Imagina, vou te falar alguma coisa mentira e você vai ter que se justificar que o que eu tô falando é mentira. Então é isso, você vai criando casca. Então eu realmente nunca me importei assim, né?
Nesse momento eu acho que por ter acontecido coisas tão rápidas, então eu deixava de ser uma humana para ser uma mãe, que isso é uma virada de chave impressionante. Ah, nasce um filho, nasce uma mãe. É assim, é exatamente assim. Porque eu era, eu sou moleca até hoje, imagina com 21 anos. Mas te dá uma virada de chave, um serzinho que depende só de você para tudo naquela vida. E eu falo, né, eu brinco que eu tive dois filhos, porque o Ronaldo se machucou 6 dias Depois do nascimento do Ronaldo.
Meu Deus do céu! E vocês, como mãe de filhos pequenos, meu Deus, era 2 filhos. E ele assim, caramba, Dona Sônia tava lá, a mãe dele, né, dava todo suporte, mas enfim, ele tava, foi uma lesão muito grave. E as pessoas falavam que ele não ia voltar a caminhar direito. 2 anos. E assim, ficou 2 anos para voltar, mas no começo falavam que ele não ia voltar a caminhar direito. Quanto mais jogar futebol, Ronaldo tinha 26 3 anos. Imagina, de ser o melhor do mundo, foi muito difícil.
Eu falo que Deus é perfeito, porque assim, foram 2 momentos muito difíceis assim, né? 2 mães de muita alegria no nascimento de um filho e muita tristeza com uma lesão que podia tirar ele do futebol.
Não, e você no puerperio?
Ah, eu nem sei o que é isso, gente. Não deu assim, deu no segundo filho também, não sei o que é puerperio. Não dá tempo assim, era como bora. E E eu fui criada, né, minha mãe nos criou praticamente sozinha, meu pai faleceu, eu era muito novinha. Então era como assim, minha mãe sempre nos criou assim: "Eu cuido, não vou deixar na casa de ninguém, ninguém cuida, filho é meu, né? Eu pari, eu cuido." E com meu filho, a gente leva essas coisas dos pais, né, da mãe.
Então pra mim, eu não queria que ninguém cuidasse do Ronald. Eu até falo que eu afoguei o Ronald quase umas duas vezes até entender que a água da banheira tinha que ser um pouquinho menos, né? "Ah, não precisa ser tanta água, né?" Mas ele tá vivo hoje, viu, gente? Lindo, maravilhoso, forte, saudável. Aconteceu com a Bia no primeiro banho também.
Só que aí eu fui encontrar, ela desistia. Eu falei: "Não consigo, então, amor, faça você." Aí eu nunca mais dei banho. Eu fui dar banho na outra depois com 7 meses de trauma de ter afogado.
Caraca!
Não, mas na folga, gente.
Nenhuma experiência ruim, tá vendo?
Ela escorregou, muito pequenininha, né? Aí depois que eu entendi o paninho, né?
O coeiro. Então, foi meio assim, chiquitinho.
Eu usei depois.
Não, a minha mãe tava de costas bebendo água, sem saber, afundando.
Muita água, no caso. E aí fala assim: bota um pouquinho de álcool, mais um pouquinho. Álcool? É, naquela época, não é mais não, gente.
Álcool na água? É, para mandaram, gente, sei lá, alguma coisa, não sei.
Era um álcool especial para criança, tal, né?
Devia ser para o umbigo, será?
Mas eu tive o Ronald de Itália, tanto que eu falei assim, eu preciso aprender pelo menos um empurra em italiano, né? Porque senão a gente não vai se entender. Porque a minha médica era italiana, então falava, me dá uns cursinho aí, falava, respira e empurra, é essencial que eu aprenda. E aí lá eles não tem essa coisa de assim, parto normal fica 5, ficava, né? Tô falando tudo isso, gente, há 26 anos atrás.
Sim, sua experiência, gente, 26 anos, as coisas mudaram.
Mas a gente ficava 5 dias no hospital, ou seja, eu não vi o umbigo do meu filho cair. Ah, mas depois que nasceu, depois, depois que nasce, 5 dias eu não aguentava mais ficar no hospital porque eu falei, gente, a gente tá ótimo, eu já tô ótima, eu tô andando pelo corredor, eu tive parto normal, então a recuperação foi muito rápida e eu não aguentava mais ficar no hospital. Então 5 dias, parto normal, eu acho que não deve ser assim, não é na Itália que é assim que Pode ser, viu, porque— e pode ser porque, ó, eu fiquei 18 horas de trabalho de parto.
Eu tenho certeza que se eu tivesse aqui no Brasil naquela época, teriam feito cesárea, não teriam esperado tanto tempo, porque era muito mais difícil você ficar 18 horas num trabalho de parto sem que não falassem que era melhor fazer uma cesárea.
É, acho que hoje em dia até acontece, mas acho que vai muito da decisão da mãe. Hoje eu fiquei 19 horas minha também, mas virou uma cesárea porque foi emergência mesmo, realmente aconteceu um monte de B.O.
E na minha cabeça era como assim, eu não quero cesárea. Eu não sei se você tinha isso assim como eu.
Eu não queria também não, mas o meu era meio de recuperação, era péssima a recuperação da cesárea. Eu tive uma primeira cesárea sem opção mesmo.
Ela tava sentada, né?
Ela tava sentada, não virava, e eu não— o parto pélvico é muito perigoso, eu não queria arriscar. Falei, ah, vamos pra cesárea mesmo, não tive muita opção, ela não virou de jeito nenhum. Tentei virar de todas as formas existentes no No segundo, nada aconteceu.
Mas no segundo você tentei, né?
Ah, no segundo eu tentei, foi por isso que eu fiquei às 19 horas. Só que por conta da cesárea da primeira, começou a querer romper meu útero durante o trabalho de parto.
Eles falam mais quando tem a primeira cesárea, o segundo... Só que hoje em dia, isso é muito mais falado, conversado, explicado.
Tem mais informação, é.
A preparação da gravidez é diferente. A preparação mental da mãe. Muitas mães hoje, mães, elas optam por ser um parto natural. Tem música, eu vejo: "Nossa, gente..." Não tinha nada disso. Era como se você viu o DVD lá do meu parto, gente, parece que é uma festa, né? Que entra gente e sai de gente lá, porque não era só o parto do Ronald, era o filho do Ronaldo nascendo, entendeu? Era, virou um espetáculo do hospital.
E você lá peladona, periquita já ficando desse tamanho para sair, uma cabeça e os pés aqui, ó, amarrado, o pé amarrado, amarrado aqui, ó, tipo posição. Lógico que não Não pode ficar trocando de posição, tem que ficar deitada?
Eu fiquei deitada, posição de ginecologista. Mulheres vão saber qual é essa posição, que é terrível, né? Que não é legal essa posição.
É uma situação bem constrangedora.
Bem constrangedora. E aí amarram a perna, ó, pá, a velcro. Pra você não fechar na hora de empurrar. Porque às vezes é instintivo.
Mas já usavam anestesia ou não?
Já, eu tomei a pele dural. Eu fiquei assim, muitas horas pra até chegar no um quinto, sexto dedo, né, que eles falam, para poder, porque estourou a bolsa. E foi até engraçado porque a gente vê o quê? Filmes, estourou a bolsa, sai correndo. Nada, estourou a bolsa, gente, acabou, bora para o hospital tranquilamente. A gente foi assim, eu e o Ronaldo, a gente tava assistindo TV e eu senti a bolsa estourar. Eu li tanto na minha gravidez porque eu não tinha muito o que fazer, eu morava em outro país longe da minha família, Ronaldo fazendo os jogos dele, ele treinando e tal.
Eu ficava muito tempo sozinha em casa. E eu amo, até hoje assim, eu gosto de pôr do sol, mas mais ainda depois da gravidez, porque todos os dias eu passava a tarde lendo, vendo o pôr do sol. A gente morava em Milão e dava para ver o pôr do sol dos Alpes assim. Então eu vejo o pôr do sol, eu lembro de gravidez, aquele momento.
E você parou de jogar assim que descobriu, né?
E parei de jogar assim, só Já que eu tive o Ronald, tive a possibilidade e a bênção de conseguir ficar com ele, amamentar o Ronald, mamou até 1 ano e meio.
Ai, que delícia!
E ele que quis, que eu falava: não, mais um pouquinho, que é tão gostoso amamentar assim. Era um momento tão nosso que eu falava. E tudo bem que ele já amamentava em pé, né, porque o Ronald sempre foi um pouco grande, mas eu gostava daquele momento nosso, entendeu? Era, e eu me sentia super poderoso assim, caramba, eu alimento meu filho, sabe? É um sentimento. E aquilo ali, ele olhando para gente assim. E eu tive essa possibilidade de ficar com ele, me dedicar a ele até 2 anos e pouquinho, quando o Ronaldo foi um grande incentivador para que eu voltasse a jogar futebol.
Porque eu já trabalhava como comentarista, né, na Itália, que até outra história engraçada, porque a gente sempre de futebol, a gente gosta de assistir futebol. E eu sempre falava: caramba, esse cara não tá passando a bola, esse lateral tem que fechar mais, não tá voltando, tá tomando bola nas costas. E ele fala: caramba, você fala para caramba, né? Podia trabalhar de comentarista, né? Pelo menos ganha um dinheiro. Aí eu: pô, legal, gostei.
E aí ele falou: vou te botar num programa lá que para você comentar um jogo. Eu falei: pô, vamos lá. Aí eu fui num programa na Itália, chamava Il Campo, que era todo domingo à noite, que era pós-rodada. E para eles, a Itália também é um país super machista, a Espanha é um país super machista, e a Itália também, né, de mulher, futebol. E eu fugia do estereótipo que eles achavam que era esposa de jogador, que normalmente são mulheres mais modelos e tal.
E eu era do futebol e tal, e sempre de esporte. E aí eles acharam muito interessante uma mulher que falava de futebol, né, com propriedade de viver conferência, esposa de quem era. E para eles, o que era uma participação de um dia, eu passei a ser integrante do grupo da, do Contra Campo, da Ilha Contra Campo. Que legal! Trabalhei como comentarista lá por causa disso.
Quanto tempo durou?
Bastante, até embora, até de 2001 até 2003. Depois eu fui para Espanha para jogar.
Entendi.
Na verdade, 2002, logo depois da Copa, o Ronaldo foi vendido Real Madrid. E a gente foi para Espanha, e eu, e ele me incentivou, eu voltei a jogar na Itália, né, com 2 anos e pouquinho. Ronald, eu voltei a jogar lá, só que Ronaldo pós-Copa do Mundo, Real Madrid, os Galácticos e tal. Falei, tá bom, eu tinha feito a pré-temporada. Por que que vocês estão falando? É muito difícil a gente voltar a ser uma atleta de alto rendimento depois de ter uma gravidez, depois de ter ficado realmente dedicada à maternidade.
Até a cabeça tá diferente, né?
Você é Mulher, e a gente assim, a nossa prioridade passa a ser nossos filhos, com certeza. Você não quer saber, ah, eu vou estar em forma, não vou estar, é assim, chorou você vai estar lá. E aí o corpo é outro, eu tenho um quadril maior do que quando eu tinha antes de ter o Ronald, então o peso é outro, tudo é outro. Então adaptar isso ao esporte de alto rendimento, eu não tava só jogando bola com as amigas, não, eu tava performando.
Então eu demorei a ficar em forma. Várias lesões musculares, imagina, 2 anos e meio sem praticar esporte. E aí quando eu voltei, tô pronta, vai começar o campeonato. Aí o Ronaldo, não, a gente vai morar na Espanha porque eu fui contratado pelo Real Madrid. Ok, eu só quero jogar, qualquer clube é clube. Cheguei na Espanha, falaram assim, olha, infelizmente você não poderá jogar porque aqui a gente tem uma lei que não pode jogar estrangeiras no campeonato ispanhol feminino.
Aí eu: não, pelo amor de Deus, como assim? E aí que fizeram, por causa do Ronaldo, né? Eu era esposa dele. Como assim ela não vai poder jogar? Mudaram a regra para que eu pudesse jogar.
Chique, hein? Não é?
Aí 20 anos depois, foi 2003, 20 anos depois, Espanha campeã do mundo na última Copa na Austrália. Imagina a minha felicidade! Eu tenho até um pedacinho da rede que eu pedi lá para a galera, tava cortando as redes, que tradução, quando ganha você corta um pedacinho da rede para levar de souvenir, de lembrança. E eu pedi porque eu me sentia lá junto, espanhola, entendeu? Porque eu vivi o comecinho do futebol feminino na Espanha e essa troca de regra para que eu pudesse jogar.
Que legal, você foi muito bem acolhida então.
Muito, imagina.
Por quanto tempo você jogou lá?
Até 2009. 2019, quando eu vim embora para o Brasil. Vim embora para o Brasil, jogou até voltar. Só que quando eu cheguei lá e mudaram a regra, o campeonato já havia começado. Então eles falaram assim: vamos esperar a janela, né, de transferência, e a gente muda a regra. Para eu não perder esses 6 meses de forma física, eu doida, louca, o que que eu fiz? Morava na Itália, na Espanha, e jogava Itália. Então todos os finais de semana pegava um avião em Madrid e ia para Milão.
Eu falo que essa época as milhagens bombaram, né, porque todo final de semana. E aí que eu falo do Ronald.
Então como é que você conciliava isso tudo?
Era uniforme, chuteira, Ronald, porque ele ainda não estudava. Então eu falei: eu não vou ficar longe do meu filho, não existe a menor possibilidade de eu ficar longe do meu filho.
Nossa, tiro o Chama eu, viu?
Chama eu. Não, hoje eu tenho preguiça de fazer zona norte pra zona sul.
E eu... Não, mas eu tinha que chamar o chapéu.
A gente ligava pro Zé, a gente falava: "Vem você agora, meu. Agora você levanta e vem até sua mãe, né?" Mas você já imaginou você com um filho pequeno?
Todo o trabalho que dá, toda a preocupação que é.
São dois, né? Um era mais fácil. E o Ronald sempre foi muito bonzinho. Tanto que fala que o segundo vem diferente do primeiro.
Vem? Total.
Então, eu não cheguei até o segundo, né? Porque o Ronald é um ano anjo.
E assim, eu falo que eu dou graças a Deus, que não sei se a Tata sente isso, mas que bom que eu tive muita paciência de criar a Lua bem, explicar tudo para ela, porque o segundo só segue, o segundo só segue.
Gente, quem educa o segundo é o primeiro, é o primeiro, não sou eu que educo.
Então eu fui mais educada pelos meus irmãos mesmo, pela visualizada deles.
Faz algo errado, esses dias ela pegou um negócio, começou a bater assim como se fosse nas panelas assim. Eu falei: não faça isso, irmão, seu irmão vai fazer igual. 'Não, tá errado, irmão, não faça, tá? Eu tô errada, desculpa.' Guardou. Vem o irmão: 'Ah, começou, tá vendo?' É o exemplo, né?
Não, e eu acho muito legal. Para mim, eu sempre quis ter mais filho porque eu não queria que o Ronald fosse único. Eu acho muito legal ter irmão, irmão, irmã, porque você veio disso, né? De vários assim. A gente, né, brigava, obviamente. A primeira, eu acho que o primeiro teste que a gente aprende da vida de bullying e tal é dentro de casa, porque os irmãos— eu sempre fui a que fui achada na caçamba, porque ainda mais eu sou que tem um olho mais clarinho, meus irmãos não tem, então eu sou a diferentona.
Então eu fui a que nasceu e foi achada na caçamba. Só que a minha mãe casou de novo e teve mais dois, então por isso somos em 6. E aí ela falava isso, né, de os irmãos. Eu sempre fui apaixonada pelos meus irmãos e eu queria que o Ronald tivesse irmãos. Eu tive 2 abortos, né, durante esse período, né, da— quando eu morei na Espanha. Depois dele, depois do Ronald. De um, Ronald tinha 4 meses, meu corpo nem tava preparado para ter outra gravidez.
Depois outro, quando ele tinha uns 6, 7 anos. Então eu falei, já sei, não entendi, não é para ser. Eu falo que eu tive 3 filhos, né? Quando a gente tem, sofre um aborto, você só não viu nascer, mas que existia aquele ser humaninho dentro de você. Só que aí o pai dele teve filhos. E é muito legal a relação que eles têm entre irmãos, mesmo com mães diferentes, que normalmente quando são pais diferentes, irmãos são unidos, né? Eu tenho meus dois irmãos mais novos que são de outro pai, mas não faz diferença nenhuma porque fomos criados juntos.
No caso do Ronald, ele tem mais 3 irmãos de duas mães diferentes e eles são muito unidos.
Que bom!
Que legal! É muito legal ver essa relação de irmãos, até pelo pai dele, né? O Ronaldo sempre fez questão de juntar os irmãos os filhos assim e fazê-los entender que são irmãos e que tem que conviver juntos. Então eles são muito unidos mesmo de mães diferentes.
Eles têm uma idade próxima ou muito distante?
Não, o Ronald tem 26, o Alex, não sei se vocês lembram que o Ronaldo assumiu quando ele já tinha 5 anos. Ah, sim, sim. Então o Alex tem 21, depois tem a Maria Alice, que é a mais nova, Maria Sofia, que tá com 17, e a Maria Alice com 26. Então 26 e 16.
Super se entende.
E uma coisa interessante, você tem uma ideia, Ronaldo tem 4 filhos, 3 deles, 2, Ronald e a mais nova que é a Alice, nasceram no mesmo dia, e o Alex dia 8 de abril. 6 de abril, 6 de abril, 8 de abril.
Comemora junto, não? Pra dar uma economizada, né?
Não, sabe por quê? Ela ia ficar muito brava, ia falar: "Não, não, não, não, a minha festa é a minha festa, cada um faz a sua." Eu ia "Odia!" Não, realmente, agora, sabe que eu falo assim: "Como assim?
São 3 mulheres diferentes, em épocas diferentes e têm filhos que nasceram basicamente juntas." É que o meu é humano, né, ué? Aí o Ronaldo fala assim que é o período fértil dele. Não é nosso. "Fértil é meu período fértil". Muito bom!
Deixa eu falar uma coisa, a gente preparou uma dinâmica, já que você tava falando nessa sua fase narradora. Narradora tá certo, né?
Comentarista.
Comentarista.
Narradora tem que ter um...
Não, mas a dinâmica é dinâmica.
Commentar e narrar é seguir a mesma linha, só que diferente.
Que é... Ai, gente, agora narra essa jogada pra gente.
É igual montagem. Comenta essa jogada pra gente, comentarista.
Comenta essa jogada.
A gente errou na palavra, vamos lá.
Tudo bem, a gente... Você entendeu, né?
A gente vai colocar vários momentos da sua vida e você vai contar pra gente sua trajetória. Narrar que momento você tava.
Aí, preocupada que eu tava no No banco, com certeza, perguntando por que que o treinador não me escalou.
Meu, para uma jogadora, para o jogador, deve ser um saco ficar no banco, né? Muito, porque você passa por tudo e não joga.
E sabe o que acontece? Muitas vezes não é pela capacidade, não, é opção tática. Às vezes o treinador pega um time que precisa de alguém que marque mais. Eu sempre fui uma jogadora que não gostava de marcar. Eu sou a jogadora que me sentia mais criativa, a do último passe, que faz a bola girar. Então eu não queria ficar preocupada com marcação. E às vezes o jogo precisa de alguém que tenha uma pegada mais de marcadora. E aí rolava uns bancos, né, gente. Mas caramba, vocês acham que eu pareço com Ronald?
Cara, então você é loira, loira natural, né?
Não, eu faço umas luzes, né, gente. Não, mas é clarinho meu cabelo.
É, olha, loira, loira. Mas aqui é seu, seu, você não pintava, né?
Eu não acho que parece com Ronald, gente.
Não, vê bem. Nossa, Nossa! Cadê a criatividade, Tata?
Eu acho que o fundo ali, o branquinho do olho.
Então parece um sorriso, você vai ver como a gente vai assumir.
Eu acho que o final da orelha...
Aqui em cima, pertinho, né?
É tipo eu com a Vi, gente, juro.
E aí?
Ai, gente, aí Corinthians aí, como... Tô estilo, hein, gente, com esse óculos, caramba! E tá meio estilo empresária, tá vendo?
Isso aqui bombou, hein? Isso aqui, como é o nome disso aqui?
Gargantilha?
Choker!
Choker! Eu amo!
É, eu também gosto de uma chokerzinha. E dá um ar assim meio juvenil.
Aham, de poderosa.
Não, assim, eu tô assim mais experiente, mas eu sou jovenzinha, entendeu?
Claro que é, claro que é.
E um estilo no futebol, porque no futebol você não pode usar corrente, e esse daí por ser plástico pode.
sabia. Mas eu não lembro o que tava acontecendo aí.
Essa daí—
puxa a memória aí.
Caramba, eu tô de pré-menopausa, gente.
Mas daí você tem que treinar a memória, tem que treinar a memória.
Bora treinar a memória, peraí. Peraí, eu devo estar dando algum— Cadê a criatividade?
Cadê aquela de você não era uma jogadora criativa?
Não, era com pedra, não é cabeça. Bom, ali ela devia estar falando: cara, eu preciso muito ir no banheiro, alguém me ajuda. Eu vou te trazer um pinico, peraí. Pode ser? Pode ser.
Ai, gente, olha!
Gente, parecia que tinha uns 15.
Não, eu lembro muito mais nova, muito. Eu lembro que eu andava na rua na Itália grávida e o que eu mais escutava é que eu parecia uma menina grávida. Aí fala: "Guarda una bambina in cinta." Bambina era o que eu mais era chamada, porque ainda mais com cabelo curtinho, a gente fica com cara de mais jovem.
Eu gosto de você com cabelo curto, fica bonito.
O Ronald, assim, o sonho dele é eu ter cabelo assim, Chanel. Lindo. Eu falo: "Meu filho, deixa a mamãe envelhecer um pouquinho, aí eu faço." Mas agora adoro cabelo comprido, Gente, é que não tá crescendo também.
E você gostou de ser mãe com 21?
Com 21?
É que eu fui também mãe muito nova, eu tive 21 também, né? Tinha 21 também.
Eu acho que eu não tinha ideia, assim, eu fui aprendendo no caminho e eu me achava muito moleca e me acho até hoje. Mas quando eu tava com Ronald assim, primeiro que a educação foi muito leve porque a gente muitas vezes é meio sem noção, no caso normal, na hora de dar uma bronca e tudo. E eu acho que o Ronald, a gente sempre teve uma relação muito de conversa, Conversa. Então quando ele tinha que, eu tinha que falar algo para ele que ele fez errado, eu explicava o porquê.
Acho que também a gente tem muita paciência nessa idade. E falava, sei lá, lição, ele precisava fazer lição de casa. Aí fala: mãe, mas hoje já estudo o dia inteiro, porque lá fora os colégios são o dia inteiro. Eu falava: meu filho, eu concordo com você, tá muito errado isso, você estudar o dia inteiro, chegar em casa ainda ter que fazer lição. Mas são regras que não foi a mamãe mãe que criou. Essas são regras que para você passar de ano você precisa cumprir.
E eu penso, eu falo, eu penso que quem repete de ano gosta de estudar, porque quando você não gosta, você quer acabar logo. Agora, se você vai ter que estudar mais um ano a mesma coisa, é porque você tá gostando de ficar aí. Então você precisa cumprir regras que não foi a mamãe que criou. Eu te ajudo, o que que você precisa, eu tô aqui e tal, mas a gente precisa cumprir essa regra. Então fazia ele raciocinar o porquê que aquilo existia, porque que ele tinha que estar cumprindo aquilo, porque que fez.
Existiu o cantinho do pensamento, famoso cantinho do pensamento. É muito legal o cantinho do pensamento, porque até hoje, Vi, olha só que você vai ver que seus filhos, quando tiverem maior, o Ronald, quando tem alguma situação que ele não tá legal, alguma coisa, ele não é impulsivo. Ele se afasta, se cala, digere, e depois volta para você. Não vê, você nunca vai ver o Ronald numa atitude impulsiva, porque ele foi ensinado ensinado que antes de qualquer coisa ele precisa pensar no que ele fez.
E quando a gente tá muito irritado, nunca é o nosso estado normal. A gente vai falar o que não quer, vai falar o que não pensa, vai fazer o que não tá certo. Então ele foi ensinado a raciocinar o que que tava acontecendo. E às vezes ele falava assim: mãe, você já tá pronta para falar? Eu falava: ainda não, mamãe precisa ainda pensar um pouquinho. Então eu sempre fiz ele a Ensinar o porquê das situações.
Mas você tem o discernimento de que isso é um completo diferencial? Porque, por exemplo, a educação que você deu pra ele— não se sinta mal com o que eu vou falar, mas eu tenho a idade dele, 26. E realmente, pelo amor de Deus, e realmente a minha mãe fez a mesma coisa que você fez de explicar, ter paciência, ser vulnerável. Então, mamãe não tá legal agora, eu vou pensar. E as minhas amigas da escola não tinham isso, eram mães mais brutas e tipo, é "Isso é não é, me respeita e acabou".
Não é não.
Não é não. E isso que você deu pra ele, tenho certeza que ele deve ser um cara incrível. Porque por conta da educação que você deu, do tempo, da paciência que você entregou, assim. Como isso é diferente, porque querendo ou não, minha mãe, ela teve essa paciência. E ela também foi mãe nova. Eu considero nova, mas assim, acho que não tem idade pra ter filho. Mas ela me teve com 23, se eu não me engano. E eu acho que faz diferença, porque você tem mais paciência, você tem a mente um pouco mais jovem e tudo mais.
E que legal que você, mesmo com um trabalho tão... Com uma exposição tão grande que sua família tinha, se dedicar à maternidade, sabe? Porque às vezes podia não, podia, tipo... "Tive meu filho, vou à carreira, e é isso". Isso é muito legal.
E pela pressão também, né? Porque como tinha esse pré-julgamento, todas as pessoas falando e criticando e olhando pra vocês, eu acho que também dá aquela dúvida de... "Ai, eu quero fazer isso, mas será que eu devo? O que as pessoas vão pensar?" "Não, preciso voltar, preciso performar, preciso entregar".
Porque hoje em dia você fala muito de educação positiva. Viva, que, ou tipo, enfim, na época dele, quem nasceu, não, não tinha isso de tipo conversar, entender. Isso foi muito legal da sua parte.
Era mais autoritário, né? Muito, acabou. Muito. Eu sou adulto, eu sei mais que você.
É isso.
Eu sou sua mãe, eu sei o que é o melhor para você. E eu acho que você fazer a criança, adolescente, enfim, raciocinar o porquê da situação também vai fazer ele um adulto muito mais preparado para para vida, porque eu não tô dando a resposta já pronta para ele, eu não tô dando uma ordem pronta. Então eu tô dando a possibilidade de ele raciocinar. Vem cá, obviamente eu falo, a gente tem que ser amigo dos nossos filhos sem perder a autoridade e respeito de pai e mãe, porque às vezes tem um grande desafio, né?
Nossa, o meu é o maior desafio com a Lua, porque ela me vê como amiga. É a hora que eu tenho que ser, que eu falo, eu tenho que ter autoridade, infelizmente tem chamar o Eli, porque o Eli ela respeita. Eu, ela às vezes não consegue. Tipo, ah, você é minha amiga.
Que eu acho que hoje é muito mais complicado. É, vocês estão com os filhos pequenos, né? Mas eu tive ainda essa sorte de criar o Ronald longe de telas, longe de holofotes. E é engraçado porque mesmo ele, né, tendo pai que tem, a gente viveu num outro país que era muito mais reservado. Lá o nosso filho não era o filho dele, era o Ronald. Todas as vezes que falavam, ah, o filho dele, falava "Amo Ronald". Era engraçado porque nessa época dos Galácticos ele ficava com os filhos de vários outros atletas galácticos, né?
Eram os filhos do Beckham. E pra ele assim, entre eles era muito engraçado, gente, porque ele falava assim: "Papai do Ronald fez gol". Não era o Ronaldo que fez gol. "O papai do Romeu fez o gol".
Sim, porque sempre era a mãe e o pai do...
A Lua passa por isso. Eu sou a mamãe da Lua.
Já, já passou.
Falo pros amiguinhos: "Você é a mamãe da Lua?" Então é isso, é legal porque eles têm a personalidade deles. Eu acho que hoje, ao mesmo tempo que eles são muito mais espertos porque eles têm esse conhecimento, eu acho que o Ronald, quando chegou aqui no Brasil com 9 anos, o Ronald ainda era muito infantil no sentido de não ter maldade, e ele ainda preservava com 9 anos, né, as situações que aqui no Brasil uma criança de 9 anos já era muito mais avançada do que porque aqui a gente, né, até dependendo da sua classe social, você precisa ser assim.
Então ele foi criado meio na bolha lá da Espanha, então ele era mais, não tinha tanta maldade assim, ele não tinha, não era nem maldade, ele não via alguma situação como algo que iam sacanear ele, ele era mais bonzinho assim, puro, muito mais. Eu acho que é isso, essa palavra, eles mantêm a pureza da a criança por um pouquinho mais de idade do que aqui. Aqui muitas vezes uma criança mais nova não pode acreditar em coisas, porque senão ela vai, alguém vai achar que ela é boba, no colégio vão falar alguma coisa.
Se você não ensina em casa, o colégio vai ensinar. Se você não deixa seu filho, eu acho que para as mães de agora, os pais de agora, o grande dilema é tela. Que horas dá? Porque dá e também não dá. E aí se vai estar fora do contexto da criançada. Mas aí, se você der muito, será que isso também é legal? Eu não cresci com isso. Acho que a geração dos anos 2000, que é o que o Ronald nasceu, foi uma das últimas gerações que não tiveram esse problema de criação.
E outra coisa, né, avós, não me levem a mal, né, mas assim, o que eu falava em casa era lei, porque era só eu e ele. Não tinha assim, não, mas eu vou falar para o meu pai. Não, pai dele tava jogando em outra em casa, morava com a gente. Ah, eu vou pedir para vovó, botei de castigo, era castigo, não era alguém: não, mas tira ele, tadinho, tal. Então assim, eu criei ele basicamente com as minhas regras, ninguém dava opinião se tava certo, se tava errado.
Ah, hoje a família inteira, opinião, vizinha, coisa.
Pode botar o próximo.
Senhor, não é ruim isso assim? Você fala: mas você tá indo, você tá, você tá muito brava, deixa, coitado. Não, não deixa.
Ninguém me fala, né, mãe?
Deve estar assistindo agora. Minha mãe também, se estiver assistindo, se o Eli briga com a Lua, nossa, ela me chama de canto. Nossa, o Eli passou do ponto aqui.
Eu falei: "Tá passando do ponto é você, minha filha." Então, eu não tive isso. Isso também é uma coisa tranquila, porque o que eu falava era bem...
Aí eu falava: "Minha mãe e o Eli se matam lá e se resolve." E se resolve lá. Falava: "Fala com o Eli, fala com o Eli." Ai, gente, essa sou eu, entendeu?
Eliodê, Rei Leão, Simba... Você tinha quantos anos aí?
Ai, isso faz uns... Uns 6 anos, acho que foi um pouquinho antes da pandemia. Vocês também fazem essas contas?
Um pouquinho antes da pandemia, parece que não parou. Sim, com certeza.
Aí você sabe que há 6 anos, 5 anos.
É que a Bia nasceu na pandemia, então para mim é antes da Bia, depois que eu não era mãe ainda, né?
Então antes da pandemia, então faz tantos anos.
Se eu comparar a pandemia com BBB, né, porque o meu foi bem ali, e aí tipo peguei uma época que me lembra meio que isso assim.
Aonde é?
Essa é uma praia, gente, que é um paraíso que poucas pessoas conhecem, que chama Guaicá. Ela fica um pouquinho depois de Maresias. Alguém conhece aqui?
Guaicá, maravilhoso! Tem condomínio lá?
Tem, só de condomínio. Todo mundo acha que é fechada, mas não é fechada. Só que por ser uma praia que não tem comércio, as pessoas passam direto. Ela tá entre Maresias e Ilha Bela.
Que legal!
E aí o André, meu namorado de que também é ex-jogador. Então, eu não falei que eu não ia namorar jogador?
Pois é, menina, o que aconteceu?
Mas é o meio que você vive também, como é que vai fazer, né? Onde é que conhece?
É igual eu, quando eu falo que não ia pegar famoso. Quando foi ver, passei o rodo até achar o Eli.
Passei o rodo é ótimo.
Passei o rodo até achar o Eli. Você jogar na internet, acha que todos, não sobrou nenhum.
Pegou geral.
Pois é, até achar o Eli, que também é famoso, entendeu?
Tá vendo? Não, é um meio que a gente vive. E eu brinco quando é. A gente se conhece. É, e a gente se conhece desde 97, acho que até um pouquinho antes, na época que ele jogava no São Paulo, quando eu fazia fisioterapia lá. Depois ele jogou no Corinthians, eu já estava jogando no Corinthians também, a gente tinha uma amizade lá, mas assim, eu nunca dei bola para jogador. E era como assim, eu sou humano também igual vocês, não olha aqui não, eu sempre fui assim.
E a gente depois se reencontrou em 2019 num programa, né, de esportivo, para falar, comentar jogava futebol e ele tinha terminado um casamento de muitos anos, quase 20 anos. Eu também tava solteira de um namoro também de anos, 7, 6, 7 anos. E foi muito legal porque a gente se encontrou num momento da vida que os dois já sabiam o que queria. E é muito legal quando você vai ficando mais experiente, porque uma relação você pode até não saber o que você quer, mas o que você não quer, você sabe claríssimo.
E a régua fica muito mais alta, né?
Muito. Você já ganhou um um discurso muito grande.
Ah, vou gastar energia?
Não vou. Não, isso são coisas que tem, coisas que são negociáveis e tem coisas que não são negociáveis. E aí é onde você tem um relacionamento muito mais saudável. Não existe essa obrigatoriedade. Amar não é obrigação, né? Tem que estar junto na sexta-noite porque a gente não se viu a semana inteira? Não, tô cansada, trabalhei, a gente pode se ver amanhã. E não é pessoal, não é porque eu não gosto de você, não, é porque hoje realmente não tem.
Você consegue se priorizar?
É, e a outra pessoa entender que não é pessoal. Acho que também é outra coisa que ajuda muito na vida, você não levar as coisas para o pessoal, te faz a vida mais leve.
Com certeza.
A gente se encontrou no momento que os dois assim, eu falava, amor, olha só, você não precisa de mim, eu não preciso de você, a gente não, já tem a vida construída, a gente não tá junto jovem, vamos construir a vida juntos, a gente já tem as nossas vidas, a gente já tem os nossos filhos. Então é uma relação tão leve. E foi uma das coisas que parecia uma negociação. Olha só, quando deixar de ser leve, acabou. Não tem porquê, não existe.
O que que você tá fazendo? Por que que você tá fazendo? Com quem você tá? Então isso já ajuda muito. E eu falo para ele, eu falei: amor, olha só, se um dia você fizer alguma coisa, uma traição, porque a gente sempre tem coisa, traição, eu falo: primeiro, que você não estaria me traindo, é entre você e Deus, entre você e os teus princípios. 'É só, eu falei, eu vou virar só mais uma na estatística, entendeu? Porque não vai ser o primeiro que fez alguma coisa.' Mas e a sua moral?
E o que você tem esse relacionamento com Deus? Então é sobre moral, não sobre milênio. E segundo, que eu brinco com ele, fala assim: 'Quem é que vai te levantar uma bola no futebol tão boa?' "Ah, a escolha é tua." "Eu vou fazer uma barriguinha no seu saco, senhora. Tô brincando, não." "As pessoas vão te levantar uma bola ruim, você vai machucar o pescoço." Aí foi o Rai Valecano, foi quando eu fui apresentada no Rai Valecano, vindo da Itália.
Gente, eu amo esse mood de Gola Polo. A gente pode voltar pra esse mood, galera do estilistas do festival? Quem decide as camisetas, hein?
Não sabemos. E se soubermos, a gente vai falar com essa pessoa, porque—
Cadê esse estilista? Vamos voltar com a Gabriela, que a gente tá gostando.
E é meio um retro bonitão, né?
Ah, é lindo! Olha isso!
É clássico. E olha só—
Hoje em dia não tem mais, né?
Tanto assim, né? Não, não tem. E olha o tamanho da manga. Ou seja, era mais um uniforme masculino.
Dá pra ver, porque tá sobrando ali o ombro, né?
O ombro tá maior. Dobrava 10 vezes o calção para ficar um pouco no meio da coxa, porque senão era basquetão.
Ai, que linda!
Ah, eu acho bonito. E sabe que legal também? Normalmente apresentação de atletas novas, eles pedem para fazer umas embaixadinhas, e alguns fazem, outros nem sabem fazer. Assim, não é uma regra. Jogador ou jogadora de futebol que faz embaixadinha joga bem, e nem que faz, joga bem, faz embaixadinha. Isso não é uma regra. Pode ser como pode de não ser. E aí eles não sabiam também, porque eu chegava na Espanha como a esposa do Ronaldo, não como Milene Domingues, jogadora de futebol.
Isso te incomodava?
Não, na verdade me incomodava o nome, porque me chamavam de Ronaldinha.
Poxa, pelo menos o nome, né?
Falei, caramba, a esposa do Zidane chama de Zinedine? Não, é o nome dela, por que que eu tenho que falar? E aí me dava 9. Mas isso mudou quando eu me separei. Muitas vezes falava Ronaldinha, várias reportagens saía Ronaldinha, mas isso mudou quando eu me separei. E lá na Espanha eu participei de um reality de dança que era Mira Quién Baila, que era dança dos famosos de lá. E aí as pessoas passaram a me conhecer como pessoa e não como esportista.
Eles me viam toda semana lá sofrendo para estar no salto dançando, aprender a coreografia. Legal. Então eles aprenderam Me ensinaram a conhecer o ser humano, não atleta. E aí eu passei a ser— às vezes as pessoas me paravam na rua e falavam assim: você é aquela que dança? Eu: não, eu que joga bola e tô participando da dança.
A dança foi uma diversão.
A dança é assim transformadora. Eu participei aqui no Brasil também na dança da Xuxa, que era— alguém lembra, gente? Eu lembro, da Record. Fugiu o nome agora para mim. Eu não posso, mas era também um reality tudo.
Das Estrelas, não era?
Uma coisa assim. Caramba, gente.
Acho que foi o que o Sarro participou.
Eu acho que eu era uma criança.
É, meu Deus, sim.
Não peguei nem a época da Xuxa, não.
Era a Xuxa que apresentava.
Não peguei a época da Xuxa, tipo assim, de assistir. Porque eu comia terra, era igual seu filho, só brincava, não via TV.
É, o Ronald não via TV. Ainda bem, ainda bem assim.
Não via.
E eu assim, nessa época da Dani, dança foi transformador, porque um atleta, a gente precisa tudo de... Como?
Dancing Brasil.
Dancing Brasil, aê, caramba!
Gente, eu não peguei essa época. Mas eu tinha 15 anos. Eu tinha 15 anos.
Mas você não via TV?
Via, já era até YouTuber. Ih, não lembro mesmo. Acho que também não, devo estar puérpera.
Minha memória é muito ruim. Mas você já gravava pro YouTube?
Já gravava, por que que eu não sei?
Ah, então vamos lá.
Você não devia estar vendo TV, você tava fazendo seus filmes.
YouTube, YouTube não me dá tempo.
Ah, já gravava para o YouTube, não via muito TV.
Esse programa era um programa ao vivão assim da Record que passava toda segunda-feira. A gente gravava, a gente fazia o ao vivo do Rio de Janeiro, então toda semana viajava. E lá vai o quê? Ronald comigo, porque o Ronald ainda morava comigo, mas ele super companheiro sempre. Aí é com você sempre, várias. E às vezes quando a pessoa me dava nota baixa, né, e ele muito bom, e ele ficava bravo quando me dava "Baixa, baixa, baixa." Porque a gente atleta, você não é muito da arte.
Então eles falam: "Você tem que sentir a música." E pra mim era assim: dois passos pra frente, eu giro pro lado. Entendeu? Era... Não precisava da lógica, entendeu? Então tá, depois tinha... Porque o pessoal achava que eu era malabarista, né? Então me jogavam pra cima, me jogavam pra baixo e tal.
Fala: "Não, eu jogo a bola, não sou bola." É, e eu assim: "Claro!" E eu sem...
né? A pessoa não tem muita maturidade. "Faz?" Faço. Tudo era um desafio. E aí, quando eu fazia muito mecânico, então se você pegar a primeira dança da última, assim, outro ser humano.
Que legal!
Primeiro que eu já me sentia esquisita com um vestido curto. Eu falava: mas tá todo mundo vendo a polpa do meu bumbum girando aqui e tal. Então eu já começava a ficar travada no figurino, porque eu sou do esporte. Então quando você coloca uma roupa mais ousada, é como assim, não tô me sentindo me sinto bem.
Então você acha que você— eu queria te perguntar em relação a isso, você acha que você, isso de não querer mostrar muito corpo, roupa mais larga, era uma maneira de proteção de você se impor nesse meio masculino?
Ainda mais para homens, de me mostrar que eu sou igual a eles.
Eu acho que isso mudou muito. E ainda mais, por exemplo, eu não usava rosa. Rosa era sinônimo de fragilidade. Que loucura, né? É menina, menina usa rosa, menino usou. E aí você vê, anos depois, o Cristiano Ronaldo tem chuteira rosa, a blusa do Miami que o Messi joga é rosa.
Você fala, pô, gente, agora que eu fiquei— até agora podia usar rosa.
Eu sei que você usa rosa naquela, porque ficou na minha cabeça, mas eu não sou na sua, de todo mundo. E porque sempre foi, quando a gente— é isso que eu tava falando antes, para você participar de um grupo e ser aceito, você precisa ser ser igual. E foi uma das coisas que eu acho mais importantes que eu ensinei para o meu filho na vida dele. Teve um episódio assim que ficou marcado, que eu chamo Ronald de gato, gato, desde que ele tava na minha barriga.
Então eu lendo os livros lá, vendo pôr do sol, eu falava gatão naquela época, falando gatão, a mamãe tá aqui vendo o que que você tá acontecendo hoje. Sempre conversei muito com Ronald da barriga. E aí E lá na Espanha, gato são as pessoas que nasceram em Madrid, pessoas que são de Madrid, com a família de Madrid, eles são conhecidos como gato. E eles falam assim: não, Ronald é brasileiro, não pode ser gato. Aí eu falo: não, gato no Brasil pode ser uma pessoa muito bonita, estilosa, tal, a gente chama de gato.
E começaram a sacanear ele, fazer bullying assim: ah, gatito, gatito de la mama. E aí ele chegou em casa um dia assim triste, falou assim: mãe, você pode não me chamar de chamar de gato na frente dos meus amigos. Aí eu falava, e eu assim, não, como assim? É uma coisa carinhosa minha, da tua barriga. E ele tinha, sei lá, uns 8 anos, não tinha mais, porque a gente vem embora, ele tinha 10. Então assim, no máximo 8 anos. Aí eu falei, nossa, agora me senti assim, primeiro grande encenamento da vida dele.
Eu falava, meu filho, olha só, isso te incomoda? Você, você não gosta que a mamãe te chama assim? Ele, não, mas claro que não, é meus Meu filho, só falei, então olha só, você sempre vai ser instruído, as pessoas sempre vão falar para você ser algo que você não é para poder estar dentro de um grupo. Então se isso te incomodar, a mamãe para, claro, eu não quero te fazer infeliz, mas agora se eu mudar porque os outros querem que a mamãe mude, vai ser isso, então a mamãe vai te chamar de outra coisa.
Daqui a pouco eles vão falar que seu cabelo, que é encaracolado, que tem uns cachinhos, diferente, que eles acham que o seu cabelo não é legal, que você deve cortar o cabelo. Aí você vai e corta o cabelo. Eles vão achar que você não tem que usar essa roupa porque a outra roupa é mais legal, e você vai e muda. E nisso você vai perdendo a sua identidade, a sua personalidade. E isso tudo é na vida. Se você não se impor como você quer ser hoje, as pessoas vão te moldando da forma que elas querem que você seja.
Então, se isso te incomodar, eu mudo. Senão, eles vão ter que aprender a te respeitar. E se eles não te respeitarem, não é para ser seu amigo. Porque quando for o seu amigo de verdade, eles vão te aceitar da forma que você é. E isso, assim, o Ronald—
Como que ele recebeu isso?
Super bem. O Ronald sempre foi assim muito receptivo, né? E a gente sempre teve esses debates. E isso, quando ele começou a ficar mais adolescente, ele também tinha essa dúvida: caramba, meus amigos, quando perguntam do pai dele, para ele já não servia. Porque era assim, caramba, tinha um amigo que falava: pô, quando você vai me levar na casa do seu pai? Fala: pô, quer conhecer meu pai, não tá comigo por mim. Então Ronald sempre foi muito seletivo nas amizades, e eu acho que foi uma das coisas que ele aprendeu ao longo, né, da vida dele, a não se cortar, né, se as pessoas estivessem ao lado dele por causa disso, e a selecionar quem realmente era parceiro, colega, amigo, ou, né, amigos dele da época da escola. Não, meu também não sobrou ninguém.
Não sobrou amigas?
Tem amigos da época? Tenho 2, 3 amigas.
Olha só, cara, é mais amizade. Escute, viado.
Não é Mas é da época do ensino médio, né.
Ah, serve. Tá bom.
Não, tá ótimo. Tá ótimo, meu suporte. Eu não sei, eu não tenho contato direto. Mas várias vezes pela internet, alguma coisa, a gente conversa.
Ah, isso eu tenho também, assim, mas tipo, de intimidade...
Mas eu acho que não é nem por causa delas. Eu acho que eu tenho uma vida tão doida assim, de estar de um lado pro outro, né. Que não tem como você ter uma amizade de você levar de anos e tal. A gente tem, eu falo, tenho amigas que chamo de irmã e tal. Mas é isso de a gente não tá toda hora juntas.
Algumas eu sinto que foi a maternidade que me mudou muito, e aí acabou que não combina mais. E algumas realmente é um divisor, né, divisor de amigos, porque depois você não consegue mais ter o mesmo papo com aquela amiga que não era muito. Você fica: ah, ela não vai entender, ela tinha problema. Ah, tá bom.
Ah, tá.
E é verdade, não tem mais o mesmo pensamento, não é nem culpa da pessoa, ela tá aproveitando uma fase da vida que a sua já passou, entendeu? E outras amigas realmente foi questão de correria mesmo e afasta.
E viu, não sei se para mim o que aconteceu, era uma jogadora de jogava futebol e era mãe. E aí eu não me encaixava nas atletas de futebol, que depois de um jogo vamos sair tomar algo, tal. Não, eu sou mãe. E aí não me encaixava nas mães do colégio, falava: vamos no fim de semana com as crianças no cinema. Não, eu tenho jogo. Então eu acho que até por causa disso a minha relação com Ronald foi muito próxima e o tempo inteiro, porque era sempre eu e ele, ele e eu.
Ai, que bonito! Mas eu acho isso bonito.
Ai, gente, olha que fofinho, gordinho!
E aí, gente, o Ronald tem 2 anos. Olha o tamanho da criatura!
Meu Deus, muito bonitinho!
E é uma criança, né, quando dá outra, porque olha essa cara.
Realmente é só o branco do olho da mãe.
Não, mas ó, é isso quando era novinho. Você vai ver que eu faço por isso com o Ravi também.
Todo mundo fala: não tem nada que sobrou seu aí.
Mas assim, não é quando a personalidade, não, não. Então pronto, já é alguma coisa.
É, tá ótimo.
Que fofos vocês dois, gente! Que lindinho, que gracinha! Isso era Ele nasceu então na Itália.
Na Itália.
Que fofo, ele é muito lindo.
Ele sempre foi muito bonzinho, nunca deu trabalho. Ele fala: "Ah, mãe, é que minha mãe também..." Não, de verdade, o Ronald nunca deu trabalho assim, nem de dormir.
Qual foi o momento mais desafiador assim de vocês dois?
Eu acho que a separação, porque é, porque por mais que o Ronald não visse assim o pai dele toda hora, né, conviver, porque eu falo que os atletas de futebol, jogadores não consegue conviver com os filhos morando na mesma casa, porque é jogo, é treino, é concentração, é viagem. Hoje um atleta tem a vida dele extracampo também, com marcas, patrocínios e eventos. Então é difícil conviver o dia a dia com a criança que tem a sua rotina, né, vai para escola e chega às vezes tá dormindo, aí sai, a criança já foi para escola, enfim.
Então é difícil se vê, imagina separado. Então essa coisa de estar assim, a gente sempre junto e tal, ele via às vezes o pai dele passar, ah, tá indo para o treino, tá voltando do treino e tal. Quando a gente se separou, foram muitas mudanças. O Ronald tinha mudado de escola, que imagina, ele nasceu na Itália, com quase 3 anos ele foi, com 2 aninhos, aí meio, ele foi morar na Espanha. Idioma A gente falava português em casa. Ele estudou 6 meses numa escolinha e depois foi para um colégio que admitia depois de 3 anos, é britânico, inglês.
E aí a gente mudou de casa, nós saímos da casa porque a gente morava numa casa imensa. E quando a gente separou, falei: eu quero uma casa, né, só eu e o Ronald, para que uma casa desse tamanho de 3 andares, trocentos quartos? Então nós mudamos de casa. Então foram muitas mudanças. Mudanças, tudo de uma vez. Então Ronald ficou um pouco mais bravo, às vezes ele chorava do nada.
E ainda uma fase que já é normal a criança ficar mais brava, 3, 4 anos já é um caos.
E aí ele não falava idioma, isso irritava muito a ele, ele não, as professoras falavam, ele não entendia. Então tinha que fazer uma listinha assim, senta, vamos para o recreio, como falava em português. Então adaptação dele foi um pouco difícil, mudamos de país, então foram muitas mudanças, tudo de uma vez. Tanto que o colégio indicou uma terapeuta própria do colégio, que era uma brasileira, e ele fazia lá duas vezes por semana.
E o Ronald já falava, é a tia dele da terapia, porque ele era uma pessoa mais próxima sem ser eu. Então às vezes ele tava bravo comigo, a terapia ajudava ele ser uma terceira pessoa para ele conversar. Já fala, não, Ronald já tá ótimo, já tá integrado e tal. E ele não queria parar de fazer porque era um lugar diferente, fora da casa, né, com a mãe colégio. Então fez muito bem assim para ele nessa época.
Mas aí vocês conseguiam estabelecer como a questão de tipo ver o pai, ver como que era isso assim?
Foi difícil a rotina? Normalmente casais se separam 15 dias, a cada 15 dias, um fim de semana de cada. Isso não acontece com um atleta de futebol que joga nos finais de semana. Um dos grandes motivos, acho que foi o motivo que eu não vim embora para o Brasil quando eu me separei, que todo mundo perguntava, né, Caramba, uma separação sempre é difícil, mesmo que os dois estejam de acordo, como nós estávamos. A gente não teve, eu e Ronaldo, a gente nunca brigou.
Então era assim, pô, não tá dando certo, você tem um pensamento sobre a vida, eu tenho outro, a gente segue sendo pai e mãe e acabou, obrigada. E foi assim que a gente se separou, não foi com sofrimento, né, mesmo havendo sentimento ainda, mas a gente entendeu que o melhor era cada um ir para um lado, mas jamais que acabava um relacionamento de homem e mulher, e existiria para todos sempre uma mãe e um pai. Então isso era essencial.
Só que eu falei, caramba, já é difícil uma atleta de futebol conviver com filho morando junto, separado em outra casa mais difícil, e vai levá-lo para outro continente, assim vai ser impossível. E eu no meu pensamento, eu não tive pai porque meu faleceu. Mas assim, eu acho essencial você tem a figura materna e a paterna, a figura de um homem, a figura de uma mulher, porque a gente pensa de forma diferente, nós somos seres humanos diferentes.
Tem até um episódio que é engraçado, que a galera vai falar: nossa, nunca pensei, mas acontece naturalmente. O Ronald, né, sempre conviveu comigo, e aí ele ia para casa do pai dele, que eu falei: vou continuar morando aqui porque qualquer momentinho que o pai dele tenha, vai buscá-lo no colégio ou vai tomar um lanche, enfim, ele vai ver o pai de alguma forma. Então por isso que eu continuei morando lá, mesmo com a dificuldade de separação, sozinha, com filho, enfim.
Mas, por exemplo, Ronald ia para casa do pai dele e fazia xixi sentado. Aí o pai dele: "Esse moleque só faz xixi sentado." Eu falei: "Então, se você não ensiná-lo, eu sou uma mulher, eu faço xixi sentado." Ele aprende vendo as coisas. "Então ele só me vê sentando fazendo xixi, eu não posso ensinar ele a fazer xixi em pé, porque eu não faço xixi em pé, eu não sei nem como faz isso, fica em pé, o que faz?" Segura o pinto, faz como, gente?
Explica aí.
Você tem que ensinar. Então coisas como essa, sei lá, eu não vou ver alguma coisa de uma mulher e dar uma opinião ou falar: "Ó, que bonitona." Não, a gente tem, é o nosso modo de ser feminino, enfim, eu não consigo ter um pensamento o espírito de homem. Então, para ele foi muito importante, no meu pensamento, que ele tivesse as duas visões, assim, ser criado com a mãe e ser criado por um pai, mesmo com uma distância, né, porque o trabalho do pai dele exigia que ele tivesse mais longe.
Então eu tive isso muito claro na minha vida, de que era muito importante que o pai tivesse essa oportunidade de ter um convívio com o Ronald, mesmo que a gente fosse separado, mesmo que ele fosse um jogar de futebol.
Que momento que você tinha para você?
O meu futebolzinho, gente, Ronaldinho, né? Vem, Ronaldinho, vamos jogar futebol. Vamos.
Não, mas você mulher, me lei.
Ah, vou fazer uma drenagem.
Não tinha não, gente.
Uma unha.
Ai, gente, mesmo, igual hoje eu não tô tendo, até hoje, entendeu? Com filho com 26 anos, não tô conseguindo fazer a unha.
Imagina quando tinha 3.
Meu Deus, gente, eu tô com divórcio.
Não, mas a gente sozinha Não, porque eu tô nesse caos.
Que momento que você tirava assim? Porque a gente sabe o quanto é exaustivo, né?
E aí aquela rotina.
Por isso que eu te falei, o Ronald nunca deu trabalho. Então, às vezes eu não uso.
Não é questão de dar trabalho ou não, a questão é a rotina mesmo, né? Além de ser mãe integralmente, era uma atleta de alto rendimento. E aí?
Que horas que: "Ai, preciso respirar." É que eu sempre fui tão apaixonada por futebol assim, que pra mim o meu momento de, até hoje, momento de espairar, fazer esporte. Então, para mim, o esporte sempre me trouxe essa sensação de leveza. Caramba, tô fazendo aquilo que eu amo, que na minha cabeça nasci para fazer isso. Pessoal às vezes pergunta: o que que você seria se não fosse atleta, jogadora de futebol? Eu não sei te responder, porque na minha cabeça eu sempre fui uma jogadora de futebol, mesmo quando eu não era, desde quando eu tinha um norte para isso.
Se eu tivesse que fazer, eu não tenho faculdade, eu falo que é a vida, né? A gente aprende na vida. Mas se eu tivesse que fazer uma universidade, alguma coisa assim, um diploma, eu gostaria muito de fazer psicologia, porque eu adoro entender a mente humana e comportamentos. Cada ser humano é único.
É dom mesmo, né? Tipo, da conversa, de entender, de ser calma. Você parece ser muito calma.
É, o Ronald fala que a minha família é mais agitada, né? Ele fala: "Mas você tem certeza que você é dessa família?" Eu acho que você realmente é a filha da caçamba. No finalzinho a gente vai achar isso, né? É, e aqui aí eu tô numa Embaixadora. A gente tem um programa na Rede Ronaldo chamado A Embaixadora, sim, e a gente tá fazendo as entrevistas aí, que é muito legal porque traz um pouco da mulher esportiva, da esportista, da mulher.
É um podcast. A gente fez esse podcast com a intenção, isso em 2023, a primeira versão dele foi para dar uma introdução da Copa Feminina que ia acontecer na Austrália e Nova Zelândia 2023. Então trazer um pouco das histórias das atletas do futebol feminino. A gente trouxe treinadores, ex-atletas, pessoas que construíram a história. Foi um, foi uma temporada de 12 programas só para fazer essa introdução do futebol feminino até a Copa.
Então veio a Copa, tudo paramos. E agora com a Rede Ronaldo, a intenção, além de ser isso, porque o ano que vem tem Copa Feminina, também é de trazer mulheres que hoje brilham em suas carreiras, não só no esporte, mas também fora dele a gente leva várias meninas do YouTube, várias mulheres que hoje, por exemplo, do e-sports, que é de videogame e tal, que também é um nicho bem preconceituoso também. A gente fala do esporte, do futebol, mas pensa, quem que dá um videogame para uma menina quando ela é pequenininha?
Ela tem que pedir, né, senão não vai dar.
E normalmente é porque tem ou porque tem um primo, sempre é ligado.
E a gente tava conversando disso antes de começar o ao vivo, que como é uma coisa estrutural. É porque a minha filha, que eu nunca falei um A de nada, chegou para mim hoje e falou, eu adoro a bola, adoro carrinho, tudo mais. E ela falou, não, eu não posso jogar bola porque coisa de menino. Caramba! Eu falei, da onde você tirou "O que foi isso?" Aí ela: "A minha amiga que falou que eu não posso jogar bola." Ela tem 3 anos, ela tem tipo 5 amigas que têm 3 anos também.
Então, tipo assim... E da onde elas viram isso, né?
Da onde elas viram isso, você entende? Aí você começa a perceber como é estrutural. Talvez um pai de uma amiga falou, a menina aprende com o pai, que aí passa pra minha filha, que não tem nada a ver com isso. Aí vai lá eu ter que explicar porque alguma outra pessoa falou pra filha, falou pra minha filha. É muito estrutural. Aí eu fui lá, obviamente perdi o tempo que fosse necessário Nem tem ideia. Inclusive, não só bola, mas carrinho também.
Ela, tipo, achava um absurdo. E ela terminou a conversa pedindo pra comprar um carrinho pra ela. Rosa, tudo bem. Mas pediu um carrinho rosa. E agora ela brinca com o irmão de carrinho. Porque comprei, chegou no mesmo dia. Porque, né, temos entrega full. E chegou no mesmo dia. E ela, eu saí de casa, ela tava já brincando no carrinho.
Olha o bem que você tá fazendo pra todas nós, né. Porque de verdade, a gente precisa criar nossos filhos. O Ronald, se você perguntar pra ele por que mulher joga bola, velho... É mais fácil ele falar Falar que ele me, com certeza ele viu muito mais eu jogar do que o pai, porque ele me acompanhou sempre. Então para ele, na cabeça dele é normal, é normal uma mulher jogar futebol.
Mas não é, ainda é muito estrutural, porque ele viveu, isso é estranho, ele viveu. Porque para ele realmente deve ser o mais comum.
A gente tava conversando lá que para mim meu grande sonho assim é ver isso, que a mulher tenha esse espaço. E não é só no futebol, em qualquer área, que ela se sinta pertencente àquilo. Porque a gente sempre foi de uma época onde Mulher tinha um outro papel na sociedade, né? Eu falei sobre a proibição, mas naquela época a mulher para trabalhar ela precisava da autorização do marido. Então não é só isso. Então a gente tá mudando essa cultura.
Sim, não é muito longe, né, gente?
Não é muito longe, né? E 79, assim, a lei mudou em 79, que ainda bem, o ano que eu nasci, porque senão eu ia ser presa o tempo inteiro. Graças a Deus. Só que A gente, hoje eu vejo lá no Corinthians, vão fazer peneira, o avô trazendo a neta. E isso assim, eu chego lá, fica, olha, até arrepia, porque eu sei que é uma mudança cultural imensa para aquele avôzinho trazer a filha dele, a neta de 12, 13 anos, para falar: eu quero que minha netinha jogue futebol. Não é só sobre o futebol, é sobre ele achar que ela tem esse lugar.
É, isso é muito importante.
Então a gente tá mudando isso só que eu quero que as meninas tenham essa possibilidade, mesmo que ela não seja boa, porque ela sabe que ela pode, né? Que ela pode. Você quer jogar, mas não sei, aprende.
Ou jogue por diversão. Quanta gente não joga por diversão mesmo?
Como menino, brincar de bola não é porque você é bom, entendeu?
E foi isso que eu expliquei para minha filha. Eu falei: você não tem que amar, mas pelo menos brinca, tenta, vai que você gosta. Não, mas é de menino. E ela ficou batendo no pé, tá? 3 anos. Aí Rihanna. Mãe, não posso.
Rihanna também.
É, não posso, é de menino. Aí eu falei assim, tá, o seu irmão não brinca de comida com você de casinha? Porque o Ravi adora. Então não é coisa de menina? É, inclusive falei para ele que não pode. Eu falei, meu Deus do céu, essa é outra questão que eu tive que resolver.
Calma lá, muita coisa pode não, né? Muita coisa para educar de uma vez, né?
Tem que aprender a passar, lavar e começa.
Tá maluca? Você viu um vídeo demais uma experiência que fizeram com, acho que, um monte de brinquedo, sei lá, boneca, coisa assim. Aí chegava um menino e ele falava: "Ai, não posso brincar", alguma coisa assim. Vocês viram essa experiência?
Eu já vi uma coisa parecida, não sei se é o mesmo que você viu.
Eu vi um vídeo na internet, eu falei: "Gente, isso nunca aconteceria lá em casa". Porque assim, o Caio e a Bia brincam com... Primeiro que o segundo filho, coitado, ele foi ter brinquedo dele agora, né?
Tadinho, o Rabi também, a mãe é mó tudo rosa.
Mas os brinquedos dele Me deram uns brinquedos da Bia, eles brincam tranquilamente, não tem essa, mas assim, até ficava com dó porque ela tinha um negócio de é meu, ninguém pode brincar. E aí ele ia brincar, ela falava, é meu, tira, né? Não deixava.
Não sei de onde vem, tento buscar, mas ele é totalmente tipo coisas que a gente rotula de menino e ela coisa que rotula de menina. E eu vivo numa luta porque eu chego do trabalho agora, vamos supor que eles estão acordados, ela vai querer me chamar para brincar de boneca e ele de jeito nenhum vai se misturar, ele vai querer brincar brincar de bola. Aí eu fico, a mãe fica dividida. Aí eu começo a achar uma brincadeira para tentar juntar os dois.
Só que aí eu penso, pô, por que que um não pode brincar com coisa do outro? Aí eu vivo num dilema. Até postei esses dias nos stories, falei, gente, alguém me ajuda, o que eu faço para ela brincar de bola ou ela para dividir aqui?
Mas acho que é fácil, amiga, eles também não querem brincar.
Não é possível, não é possível.
Eu ia fazer uma coisa, ia falar, dar uma solução, mas é um pouco, um pouco assim, pode constranger as pessoas mais sensíveis. Eu sempre, quando assim, as pessoas também me davam boneca de presente quando era menor. O que eu fazia? Tirava a cabeça da boneca e chutava. Então é uma solução.
Tirar a cabeça da boneca.
Paola, chuta!
É uma bola, não é uma boneca.
Não é uma boneca. Ela vai falar: "Mas a Maria Julieta, ela chama o médico." "Mataram minha boneca!" Ela vai pegar a maletinha de médico dela e falar: "Chama o médico!" Porque antigamente a gente tinha aquela boneca que o corpo era de paninho.
E a cabecinha saía.
A cabecinha saía. Tá vendo? Ai, que gracinha! Olha, esse daí é o Penta, gente!
Ah, então essa imagem é bem conhecida, gente.
É, olha isso., 2 aninhos Ronald aí. Quase do meu tamanho, como vocês podem perceber. E a gente tava torcendo pro papai dele.
2002. 2 anos?
2 anos, Tata.
Ah, é verdade.
Ele parece ter 5, né? Ele era bem grande.
É tipo a Lua.
2 aninhos também, né? 2 aninhos.
O Ravi, o Ravi do corpo dele, é verdade, vocês pareciam o mesmo corpo, gente, mesmo tamanho.
E foi muito bom.
Você era no Brasil?
No Brasil, porque lembra que a Copa foi no Japão e a família assim só pôde ir, eles tinham já feito essa, essa, combinado isso entre os jogadores e comissão, que a família só iria acompanhar Copa depois das quartas de final. Então a gente não participou da primeira fase, nem das oitavas. Quando foi quartas, eu não lembro se a gente já chegou para semifinal, porque Japão, né, gente, 24 horas viajando.
É verdade.
Então a gente acompanhou a Copa inteira até as quartas ou a semifinal do Brasil. E aí fomos para lá. O Ronald ficou, Ronald ficou aqui em São Paulo com a minha mãe.
24 horas de viagem para criança de 2 anos.
E assim, Lá, fuso horário, e o Japão, a gente, né, antigamente não tinha lugar nem para eles. Imagina sediando uma Copa, então não tinha muito lugar para ficar, enfim. E aí só foi o senhor Nélio, pai do Ronaldo, a dona Sônia e eu. Nós três fomos para Copa. E nessa fase, o Brasil, a gente assistiu do Brasil, e depois a gente foi lá para lá e assistiu o pentacampeonato. Que eu falo obrigada, Senhor, de ter vivido tantos bastidores sendo uma pessoa tão apaixonada por futebol brasileira, vem do Penta, vem do, né, a situação dele que passou de uma cirurgia que ele não ia caminhar direito a ser o artilheiro da Copa.
Isso é verdade.
Fazer 2 gols na final, aquele goleiro que tinha cara de bravão, o Oliver Kahn, ele já tinha cara de mau assim parado, e fazer 2 gols e ser o melhor do mundo novamente.
Então imagina todo esse Tá vendo que ele fez parte de uma coisa, uma história mesmo.
Será que o ex tá vendo?
Fala pra mim. A bandeirinha ali, ó, tem um tetra só, tá vendo? As 4 estrelinhas.
Ah, é verdade!
Nossa, é verdade. Uma coisa que eu tô reparando aqui, você não envelhece, né?
Não, gente, joelho tem artrose, mas tá controlada, tá, gente?
E ali você tinha o quê?
23?
Mas parece que tem 15 ainda.
Parece mesmo.
Ai, gente, saudade!
Olha isso daí, esse daí é na inauguração da Rede Ronaldo.
Ah, legal!
Tem um que é os 2 anos, 2 anos da Casa Regional.
É um aninho. E agora vocês vão para lá, né, gente?
Vocês vão para lá, né? Vai ser, vai ser aonde?
Miami?
Miami. Que chique! Vai ficar um mês, a a vida inteira.
Eles fizeram, Ronald assim de verdade, ele tem essa mente empreendedora, né, com certeza. A aparência, às vezes eu falo, não parece um pouquinho comigo, vai, só eu vejo, tá, mas o empreendedorismo é todo do pai.
É melhor a gente não discutir.
Deixa ela, vai, convidada, né.
Poxa, é sim, é sua cara, igualzinho.
O sorriso, pega depois uma foto até, gente, por favor, os dois juntos, pelo amor de Deus. Mas a gente, ele fez, tiveram projeto e vai funcionar como uma casa tipo uma fanfest. Então eles alugaram lá um lugar de 4.000 metros onde vão ter várias ativações, não só do futebol, mas shows de marcas. Já vi que tem um futmesa lá, falei: essa área é minha, deixa que a mamãe toma conta do futmesa.
Amo!
E a gente brasileiro, a gente ama torcer, se juntar. Então ali vai ser uma grande festa para todo mundo, vai ser um museu a céu aberto porque vai ter vários itens do pai dele, né? Ele tá até esses dias postando nos stories dele que ele tá catalogando todos os troféus e todas as medalhas.
Que responsa, hein?
E hoje ele tava na Copa, né, na Copa do Mundo mesmo. Todos os jogadores têm uma taça da Copa do Mundo. E ele falou: caramba, eu não tenho nem noção disso, porque imagina, 2 aninhos que ele tinha quando o Brasil ganhou. E ele falando assim: eu tô até emocionado aqui Porque o Ronald foi aprendendo ao longo da vida dele a grandiosidade do pai dele. Não é que ele cresceu com a grandiosidade do pai dele. Então nós viemos morar no Brasil que ele começou a entender o tamanho, o quão o pai dele é amado, como ele era importante, né, é importante não só no cenário do futebol, como ele é um ídolo de todo mundo.
Porque até então é o pai dele, e lá na Espanha, óbvio que o pai dele é conhecido mundialmente, mas lá na Espanha também tem outros. Ele jogou numa época de Galácticos, que tinham outros jogadores. Eu falo que lá os toreros são muito famosos, que agora já tá acabando essa parada do touro. Pelo amor de Deus, eu fui assistir uma vez e eu fiquei em choque, porque é um animal ali sofrendo. Eu falei: não sirvo para isso, gente. Ah, é tradição. Não entendo, não quero.
Nossa, já vi uns vídeos, é terrível.
E assim, de ficar— eu fiquei triste, sabe? Eu sofri ali. Mas ali eles são famosos, é da cultura deles. Então o pai dele dividia atenção com outras coisas. Quando ele chegou aqui, o pai dele voltou para o Brasil jogando no Corinthians, que aí ele começou a ver a grandiosidade, tá?
E ele na idade que tava também, né, de entender mais.
Tanto que o Ronald não liga para futebol.
Ele fala assim, teve algum momento que ele quis jogar?
Não, ele sempre praticou muito esporte, mas não vai ser um atleta assim, de bola assim.
Sim, sim. E ele fala, né, não jogo bem. Joga, meu filho, eu tô te desmentindo aqui ao vivo assim, porque ele é um bom atleta, ele é um bom jogador, mas ele Eu nunca quis fazer isso como profissão.
Mas você acredita muito que é do jeito da criança, do caráter assim? Porque, por exemplo, ele, que é meu esposo, ele não— o pai dele adorava jogar bola, assistir jogo assim fielmente, todos. Colocava ele para assistir junto, dava a bola para ele jogar junto. Ele odeia até hoje, cara.
Ele não consegue.
Fala para ele no show pop de uma diva do pop, ele vai na hora atrás de qualquer uma.
Agora vai, entendeu?
E ele não gosta, não gosta, não gosta de gosta de videogame, não gosta de futebol, não gosta de carro, não suporta mesmo. O meu marido não dá, não entende nada. Esses dias nosso vizinho entrou com um carro, ele falou: nosso vizinho ali é BMW. Falei: amor, isso é uma Audi.
Aí ele: ah, tá, tudo igual. Mas eu acho que assim, para você ser um atleta de alto rendimento, você tem que ter algum, já algumas coisinhas diferenciadas. A competitividade atleta de idade você tem que ser competitivo. Não tem como você ser um atleta de alto rendimento sem ser competitivo. Eu acho até pelo Ronald assim ser filho único, sempre tem esse ser grande, isso também era um fator diferenciado porque ele era sempre cuidado, vai machucar os mais novos, não vai tão forte, porque a gente tem isso instintivo.
Então era como assim, ele ia brincar, ó, não vai forte, hein, que você é grandão, pode machucar. Vários jogos do Ronald de futebol que ele jogava na escola, eu levava a identidade dele, porque às vezes a criança era metade do tamanho dele. Mas não é possível que ele só tem 12 anos. Ela assim, tem 12 anos. Então ele sempre foi muito grande, então a gente ficava assim, cuidado, tal. Então ele sempre teve esse cuidado de não machucar outra criança fazendo esporte.
Então ele não tinha assim, ganhar ok, se perder também tá ok, faz parte do jogo. A gente sempre ensinou isso para ele, e Principalmente ser filho único naquela época, dividir, ser bonzinho, não fazer ao outro aquilo que você não gostaria que fizesse para você. Então ele nunca teve essa coisa de perder. As crianças normalmente que são competitivas, elas ficam mal quando perde. É como assim, caramba, não aceito perder. Não é que não aceita perder, mas ela precisa ser ensinada, né?
Quando ela tem esse pensamento, é. E quando ela tem esse pensamento, não aceita, você fala assim, tá bom, é ruim perder. Se você tá sentindo isso, você tá sofrendo tá sofrendo com isso, o que você pode fazer para melhorar? E às vezes não é sobre você, às vezes o outro trabalhou mais para isso, e faz parte. O esporte te ensina isso. Só que o Ronald nunca teve isso. Para ele tava tudo bem, ok, ah, perdi, ganhei. Só que ele sempre foi muito bom no esporte, até porque o tamanho dele, fazer natação, eu brincava, Ronald causa, gente, 45.
Quanto ele tem de altura?
1,86. 3. Então, Ronald fazia natação, eu falava assim, ele fazia assim, tum tum com o pé, ele já chegava. As criancinhas calçava 31, ele tava no 38. Então ele sempre teve um físico maior do que os outros, ele sempre ganhava as coisas porque fisicamente você vê. Olha a foto ali de 2 aninhos. Tem 5, eu acho que tem uma foto dele que tá, o pai dele tá ganhando o melhor do mundo depois da Copa do Mundo. E eu tô carregando o Ronald no colo, que o pai dele foi receber o prêmio e a gente tá saindo e eu tô segurando o Ronald no colo.
Até tem uma enxarpe assim, rosinha, que ele tá dormindo, porque criança quando dorme pesa pra caramba, né, gente? E eu tô assim, de salto, aí eu falei: "Joelho bom ainda, só tinha uma cirurgia." Agora tenho 5, mas naquela época só tinha uma. E aí segurando ele assim, o Ronald é muito grande no meu colo, porque criança deitada ainda. E você fala: "Não é possível que essa criança só tem 2 anos." ele sempre foi muito acima da média de tamanho.
Eu também identificando com você, porque eu também tenho 1,58, ele também tem 1,90, e o Ravi já tem a minha altura com 2 anos. Tem tipo 1 metro com 1 ano. Esse é o Ravi.
E aí, o que acontece? Ele tem 1 metro?
Tô zoando, ele tá quase.
Ah, tá.
Tem 58 centímetros.
É tipo isso, mas ele é quase 1 metro, amiga, porque assim, a Lua tem 1 metro e pouquinho, e ele quase o tamanho da Lua.
É, nem sabe o quê.
Amiga, tá doida? O Caio tem 1 metro.
Então, amiga, a Lua também. O Ravi tá quase tamanho da Lua.
Então eles já são ali, amiga. Só que o que acontece? Continua sendo uma criança. Só o tamanho, né?
Mas parece um alien gigante.
Só que age como uma criança.
E quando ele começou a andar com 10 meses?
Gente, ele não é um. Mas eu falo: vai engatinhar, volta.
Tá meio estranho, tá meio estranho. Por que que é isso, gente?
Só que é o que aconteceu. Que o Ronald tinha, sei lá, ele gostava do Ben 10, né, do Homem-Aranha.
Nossa, essa época do Ben 10, gente, amava! E aí nas festas tinha do Ben 10.
Ele quer o tênisinho do Ben 10 que solta luzinha, que só vai até 33. Aí a garota calçava 36. Então sabe, essas coisas que eu falava, meu filho, eu sei, ele sempre foi muito grande. Às vezes a voz era pequenininha assim, ai mamãe, tanto Ai, meu Deus, que fofura! E aí ele, as pessoas já falava assim, achavam que ele tinha algum problema assim, porque falava assim, pô, um homem desse tamanho. Eu falei, mas ele só tem 4 anos. Aí ele ia no parquinho, tava lá até 6, só que ele já não cabia no escorregador.
Aí o pessoal fala assim, sabia que aqui é só para crianças ele até 6 anos? Ele falava, eu tenho 4, assim, já sem paciência, sabe? Caraca! Então ele sofreu essas coisas também de por ser muito grande, de virar menino pequenino mais rápido, sei lá, de nascer pelinho, de bigodinho, ele falava: "Caramba, só eu tenho!" Eu falava: "Meu filho..." Ele deve estar assistindo agora falando assim: "Mãe, para de me expor." Nada, ele vai ensinar isso para os filhos também, a ser ele mesmo.
Vocês dois trabalhando juntos?
Ah, meu filho é muito de boa assim, então... E ele me dá várias broncas boas.
Do quê?
Que eu falava assim: "Não, meu filho, não tem que estar aqui, mãe, você não conhece a sua história, né, Rafinha? Você mudou o futebol feminino. Ele me dá várias, fala: nossa, minha filha, eu quando tiver assim autoestima baixa, a gente vai conversar.
Você me ajuda.
Sei lá, lá na rede Ronaldo tem camisas minhas expostas da Seleção Brasileira, do Rayo Vallecano, do Corinthians, e essas camisas estavam simplesmente dentro de uma gaveta em casa. Ele fazendo lá, né, a decoração e tal das coisas para ele, ele falou assim: mãe, me traz aí suas camisas. Falei: para quê? Uma camisa? Assim, porque a gente tem que expor aqui. Eu falei: mas minha camisa exposta? Mãe, a tua história! Então ele me coloca sempre para cima, como assim: você, mãe, fez muita coisa legal do futebol feminino.
Sei lá, ele me lembra que eu entrei pela primeira vez no estádio, a única mulher que tinha em 2002. Eu fiz embaixadinhas na despedida de um jogador árabe em Abu Arábia, Dubai, Abu Dhabi.
E nunca tinha entrado uma mulher no estádio, porque imagina a cultura deles e tudo mais.
Então eu fui a primeira mulher a entrar no estádio árabe fazendo embaixadinha de shorts. Então era a única mulher dentro do estádio de shorts, não tinha assim, ah, alguém, Dubai, e outra pessoa, sei lá, da comissão, não existia outra mulher, uma pessoa que tá trabalhando "nada, era eu a única mulher". E aí falava: "Caramba, é verdade, olha, é verdade, eu lembro disso em 2002". A própria lei que foi mudada, quando eu fui para a seleção brasileira, que mudaram toda uma estrutura porque eu tinha essa voz.
Foi a primeira vez que aconteceu e acho que deve ter sido a única, que o Ronaldo estava na Granja Comari para disputar a Copa América e eu estava na Granja Comari para treinamentos pré-Copa. Então era assim, um casal de futebol na mesma concentração, na mesma época de treinamentos na Granja Comarim, na CBF, servindo a seleção. E aí várias reportagens. E aí foi um momento que eu pude ter voz e falar dos problemas que existiam lá, problemas de preconceito estruturais, de treinadores, enfim.
Então elas tiveram voz para contar aí o que que tá acontecendo o que tá acontecendo, né? Porque era meu primeiro ano de seleção e as meninas lá já sofrendo, sei lá, desde uniforme, desde não poder usar estrutura, academia. Academia era para o time principal, feminino não tinha direito. E eu falava: e a gente é o quê? A gente não é base não, aqui é o principal também, feminino, mas é o principal. Então a gente teve essa voz. E aí ele falava: vocês têm noção disso?
Que depois que a gente voltou da Copa do Mundo, trocaram treinador e veio a grande era, né, Renê Simões, que de toda uma mudança estrutural na seleção brasileira. E ele fica me lembrando disso.
Mas eu acho que também é porque você sabe que tem o Ronaldo, e na sua cabeça: nossa, é o Ronaldo.
Mas pro Ronald, é a mãe dele.
Exato. Primeiro eu acho que vem você, porque tecnicamente você— não que o Ronaldo não tenha criado o filho, mas você é a mãe. A mãe é a mãe, não adianta, sabe? Tipo, tem essa diferença, gente. Pode ser o maior paizão do mundo, é a mãe, sabe? Vocês ficaram juntos, o tempo inteiro juntos. Então ele viu você como uma princesa dele, com brilho nos olhos, com certeza. Então acho que na cabeça dele, a forma que você e todo mundo vê o Ronaldo é a forma que ele te vê.
E que a gente vê também, é.
Claro, a gente também. Mas ele, com certeza, como acompanhou muito de frente, é isso, entendeu?
E eu acho que pra gente, o futebol feminino Então, para mim, sempre foi assim: caramba, se nos enxergarem, já tá ótimo, porque a gente sai meio fantasma, invisível. Assim, o futebol feminino não existe. Então, para mim, assim, eu tô aqui para contar história do que eu vivi e como a gente pode melhorar. Então não é sobre a Milene, eu falo, eu vou passar daqui muitos anos, tá, Senhor Jesus?
Amém!
Amém! O legado que você tá aí deixando, "Mas pra mim é como assim, caramba, eu tô tendo essa oportunidade, Deus tá me dando essa oportunidade de ter uma voz, de vivenciar coisas e contar isso, mas quem foi a Milene, entendeu?
É o que a história vai contar, não é eu por si própria." Quando for contar a história do futebol feminino, com certeza vai ter você na história, vão estudar tudo que você passou.
O Roné dizia o tempo inteiro: "Mãe, olha essa história, não sei o quê." Então, ele é o meu, acho que eu falo que é meu maior incentivador e assim, às vezes falar: "Mãe, olha você, olha aqui, olha a tua imagem, olha o que você fez." Então a gente como mãe pensando isso, eu quero isso para mim, né? Com certeza, a gente tem nossos filhos como nossos maiores fãs, assim, a gente não tem essa noção porque a gente acaba sendo, nós somos fãs deles, né?
Eles são nosso mundo, mas pode ter certeza que eles também nos admiram de uma forma muito diferente, assim, principalmente quando você tem essa uma relação de amizade, de compreensão, de intimidade. E te falar assim, caramba, eu nunca vou te julgar. Eu acho que o julgamento, a gente tem que deixar claro isso para os nossos filhos, que é óbvio que se eles fizerem coisa errada, a gente vai repreender e vai falar e vai ensinar, mas não haverá julgamento.
E isso faz toda a diferença, porque no mundo de hoje qualquer coisa julgada. Mas se ele tiver esse porto seguro dentro do lar, eu falo: meu filho, você saiu de casa, e assim, a distância é territorial. De coração a gente tá sempre unido, junto, do lado um do outro, e o que precisar, aqui estarei, né? E vocês vão ver que quando crescer é uma fase que a gente fala: caramba, eles têm que andar com as próprias pernas. E às vezes você fala: caramba, a gente vai ver nossos filhos sofrendo aí por algo.
E isso te dá uma dor profunda. E aí Deus fala no seu coração: faz parte do processo.
Ai, mas é, então que bom que eu ainda tô com 3 anos e 1 ano, os dois, porque não tem essa maturidade. Tomara que eu ganhe nesse tempo, porque na hora que eles sofrerem amor, não sei do que eu sou capaz.
Imagina eles sofrendo por algum casinho.
Ah, amor na escola, acho que eu quebro a escola.
Não é a pessoa, é a escola, entendeu?
Louca!
Não, aí sabe o que que eu faço? Eu ajoelho.
É que meus pais já quebraram escola por mim.
Meu Deus!
Entendeu? Não, imagina, eu paguei escola particular, bateram em mim lá, sofri bullying. Pô, meu pai chegou quebrando tudo. Eu pago essa escola, meu filho! Uai!
Pelo amor de Deus!
Não tá certo, não façam isso.
Não tá certo.
Pais, não façam isso.
Pais, não quebrem a escola, mas defendam seus filhos.
Eu ajoelho, falo assim: Senhor Jesus, eu sei que faz parte do processo. E longe de mim querer perguntar se tá certo ou errado, né? O senhor sabe muito mais do que eu, muito mais. Falei: mas como um pedido de mãe, que a gente sabe que mãe abre, as orações de mãe abrem o céu. Com certeza. Pega leve, se o senhor puder dar uma amenizada, é um pedido de filha, por favor. Mas é uma dor diferente assim, mas todas as fases são espetaculares.
Eu nunca pensei assim em ser mãe jovem, mas eu falo que foi, eu acho que a gente, eu já tinha feito recorde, eu já jogava futebol e tal, mas não sei se vocês sentiram isso, mas para mim foi a primeira vez que eu tive a sensação que eu fiz algo bom na vida, uma caramba, olha o que que eu fiz, eu criei uma vida dentro de mim.
Olha a coisa da minha vida também, é como assim, a gente sente muito poderosa, é capaz de tudo, você fala o quê?
Eu parei duas crianças, é isso, então é um só, imagina vocês dois pois ainda estão nesse processo de criação. É um sentimento diferente. É muito bom.
Agora, mudando um pouquinho de assunto assim, já que a gente falou desse, dessa evolução do futebol feminino, e ano que vem, né, o Brasil vai sediar a Copa Feminina, que, que, como você vê o futuro do futebol feminino? O que que você espera?
O que que falta?
Pensando nesses termos de evolução mesmo assim, o que que você acha que falta?
Eu acho que falta quanto a popular, né, a parte da popularização do futebol feminino. Futebol feminino é para todas e elas têm que ter esse contato desde a escola, que elas sejam pertencentes a esse espaço. Eu acho que isso falta ainda bastante. Agora, quanto mais tá tecnicamente, a seleção tá num momento muito importante de transição, principalmente com base. Nós nunca tínhamos base. Então a gente era assim, como sair da rua, colégio, jogar com os meninos, tá na seleção.
Não existia essa coisa de preparação. E hoje existe. O nosso Sub-17 acabou de ser campeão sul-americano. Então a gente vem criando essas meninas para serem jogadoras, atletas, campeãs, mentalidade. Hoje cobrir, fiz, né, pela Rede Ronaldo, a cobertura do treino da seleção americana. E as americanas sempre foi uma pedra no nosso sapato, era como assim, caramba, rancinho, sabe? Quando você vê Estados Unidos, ranço, porque sempre ganharam.
Elas são 4 vezes campeãs do mundo, só que o incentivo ao esporte lá é muito diferente.
Desde sempre. Só que a gente não queria ser, a gente queria saber de jogar e ganhar, nem entendia a infraestrutura que elas tinham por trás, e nem se apegava a isso. Ah, mas também elas têm. Não, a gente queira ganhar dos Estados Unidos. E hoje, cobrindo treino delas, eu pude ter essa oportunidade. Por isso que eu falo de viver bastidores, que eu me sinto muito— elas treinaram no CT do São Paulo, ó. E ela— e assim, eu vivo esses bastidores, eu pude conversar com elas fora do ambiente de coletiva de imprensa.
Foi tão engraçado, porque tava todo mundo lá com os microfones e tal. Então falou a treinadora, enquanto isso as atletas estavam esperando, e a gente começou a bater um papo, né? Eu perguntando coisa, papo de amiga, sabe? Eu falei, nossa, olha uma entrevista legal com as jogadoras da seleção americana. E eu perguntei para elas o que que elas estão achando dessa movimentação do futebol feminino aqui no Brasil, se hoje jogar contra o Brasil é diferente de uns anos atrás, e quais as expectativas dela para Copa do Mundo, que vai ser daqui a um ano.
E aí a capitã Lindsay, ela falou, 32 anos, craque, ela falou assim: o Brasil sempre foi muito forte na criatividade, na jogada individual. As brasileiras são, é bonito vê-las jogar, mas elas nunca souberam jogar em equipe, em grupo. Então não tinha uma disciplina tática. O Brasil jogava cada uma por si, fazendo o seu melhor, e sempre muito habilidosas. E hoje, com o novo treinador, o Arthur Elias, elas rasgaram elogios para o Arthur Elias, todas as três, a treinadora e as os atletas.
O Brasil está jogando muito bem taticamente, fisicamente melhorou muito e seguem sendo habilidosas e criativas. Então, para nós dos Estados Unidos, tá sendo cada vez mais difícil vencer o Brasil. E quando a gente vence, é um detalhe. E ela não falou isso para uma coletiva de imprensa, né, palavra para que ela seja bem vista no Brasil. Ela Eu precisava, eu tava ali conversando com uma pessoa que já jogou e que eu queria saber. Eu não ia levar isso pra imprensa, não tava com uma câmera filmando.
E eu achei muito interessante porque é isso que a gente mostra que o futebol feminino tá crescendo. Então assim, uma potência dos Estados Unidos.
Tá assustando, amor, tá assustando.
Ouvir a gente perdeu agora as Olimpíadas assim por um detalhe mínimo. E eu estava lá e pra mim a cena que eu vejo, eu olhava pro lado pros americanos, para as americanas vendo o jogo. E na cara deles, na face, eles estavam assustados porque o Brasil podia ganhar a qualquer momento. O Brasil fez um primeiro tempo espetacular. A gente perdeu por 1 a 0, e um detalhe, então, ou seja, a gente já tá dando medo para outras seleções porque o Brasil vem nessa crescente. E uma Copa sediada aqui, ó, tá, tá, com certeza assim a gente vai causar.
Porque você acha que tem chances então do Brasil?
Muitíssimas, mas muitas. Nada contra os homens, bro, exa, gente, mas o hexa tá mais complicado. E não é só pela seleção brasileira, é porque outras seleções estão melhor preparadas. A gente tá numa construção de uma seleção brasileira, né? Um treinador novo, vários atletas, esse jogo em conjunto que falta. Apesar que contra o Panamá a gente sonhou, hein?
Fez um bom jogo. Levar essa Copa masculina desse ano?
Eu quero muito que seja o Brasil, eu tô cansada já, a gente precisa soltar um hexa, entendeu?
Nossa, sim, né? Que toda hora, rumo ao hexa, rumo ao amor, de tanto que a gente falou, a gente já chegou.
Tá difícil, né? E eu sempre falei, nossa, o Brasil precisa passar das quartas. Você vê como a gente ficou assim traumatizado, eu no caso, que em 2014, no famoso 7x1, foi na semifinal e a gente perdeu depois o terceiro lugar pro Eu falei: "Jura?" Esquecemos. Pra mim, eu não passava das quartas desde 2006. Porque em 2014 foi uma catástrofe. Na minha memória seletiva, apagou isso.
Aquele jogo também foi bem... Foi horroroso, eu nem lembro. Chegou uma hora que você entregou, tipo: "Eu quero a 2 e a 2 já tá 7." Eu, como uma atleta, apagou. Gente, tava difícil demais, né?
Você achava que era o mesmo e era...
É!
Não, era outro, era o terceiro, o quarto. 4º, 5º.
Então tinha ido mais para frente, já tava tão traumatizada que—
e a última Copa a gente acabou perdendo lá, né, nos pênaltis para Croácia.
Verdade.
E o Brasil ele também tava, tinha ganhado corpo ali durante a competição. Então Copa do Mundo assim, existem as favoritas, o Brasil sempre é uma equipe que entra como favorita, seja em qual for a fase, porque o Brasil é a única pentacampeão segundo mundo. O Brasil tem muita história, o Brasil tem uma camisa que pesa, a gente tem jogadores que fazem a diferença, mas ainda falta esse jogo junto, a parte física, psicológica, enfim.
Então a gente tá um pouco atrás de outras seleções como França, como Argentina. Eu queria falar dos hermanos, mas eles estão um pouquinho à frente. Argentina, o Didier, que é o The Champ, que é o treinador, é o último ano dele, ele vai se aposentar. Isso pro atleta também é um incentivo a mais.
Eles perderam Portugal.
Eu vou dar para fazer um xixi porque eu fiquei um pouco triste com essa informação. Vai, antes que eu exploda.
Você acha que Portugal também, por ser— é porque é a última do Messi, do Cristiano.
Portugal acho que é uma equipe que desses anos de seleção é uma seleção que tá ok, entendeu? E o que eu ia falar de Copa, Copa é jogo após jogo, tá? É como primeiro jogo, a Espanha quando foi campeã da Copa do Mundo em 2010 perdeu o primeiro jogo para Arábia Saudita. Argentina perdeu para, eu não lembro qual foi o jogo que perdeu também, mas jogou assim contra um time que, uma seleção que nem tem muita tradição, e perdeu o primeiro jogo.
Então, por que isso? Porque a Copa do Mundo, na minha opinião, você vai construindo jogo após jogo. Cada jogo é uma final. Ah, mas é fase de grupo, é onde você vai construindo essa mentalidade vencedora. E agora, falando de tabelas, que a gente vai pensando nas tabelas, sinceramente eu quero que o Brasil passe em segundo lugar, gente, porque em primeiro ele vai ter uma pedreira um pouco mais forte, né? Os confrontos são um pouco mais fortes. E essa Copa vai ter um pouquinho mais de jogos, né? São mais seleções.
Nossa, vai ser a Copa mais longa, né?
9 jogos para ser campeão. Então a gente, porque sai de fase de grupos para 16 avos, depois oitavas, quartas, semifinal.
Então, mas é que vai ser a última Copa do Cristiano, do Messi, de muita gente.
E as seleções estão melhores também, também é assim, pela, até pela idade também, mas sobretudo pela quantidade de lesões. Você viu que dessa vez assim, no último momento, né, que foi o Brasil inteiro queria Neymar, mas o treinador eu acho que ficou ali pensando, nem tava convocando ele. Então fisicamente o Neymar também, a vida de um atleta também é relacionada por lesões.
Jogadores que vão tendo lesões ao longo do tempo, é muito redundante, mas é muito alto rendimento, né?
Cada vez mais, viu, Tata?
Meu Deus, é demais, é demais. E assim, é complicado.
Então por isso, não é que seja, ah, tá difícil, tá difícil, mas Copa do Mundo é Copa do Mundo.
Eu queria que eles ficassem tão irritados, tipo assim, ah, vocês estão duvidando, porque eu sou meio assim, né? Tá duvidando, então agora vocês vão ver.
Você vai ver.
É, eu queria que eles ficassem meio assim, sabe? Sei lá, vocês estão duvidando, então agora a gente vai ganhar. A gente tá esperando isso.
E isso assim, grupo fechado. Traz muito mais força de vontade. Eu vi por 2002 assim, eles estavam um grupo muito fechado, o Filipão, o fato da gente não poder ir, a família, até, né, semifinal, quartas ou semifinal. Então assim, eles estavam realmente concentrados naquilo, focados, disciplinados para aquilo, para Copa do Mundo.
Agora eles estão assim?
Eu não tenho mais tanto esse contato com a seleção, Sim, mas de fora, como 2002, não. Porque 2002 eu vivi os bastidores, não havia até o Ronaldo, não era para a galera não sabia se ele ia ser convocado porque ele tava voltando de uma lesão super grave e ele na Inter de Milão não jogava tanto, treinador deixava ele no banco, era um treinador que argentino, Héctor Cúper, e eles tinham essa validade. É, então é um jogador para ser convocado, ele precisa estar jogando, enfim, deve estar.
E o Filipão bancou, falou não, vai sim convocar o Ronaldo. Deixaram Romário, que também era outra polêmica. Vocês lembram disso, gente?
Eu acho que até eu tô lembrando de deixar o Romário. Meu pai ficou muito bravo e aí passou muitos anos, ele ainda falava disso para o resto da vida.
Muitos brasileiros não estavam de acordo que o Romário não fosse e que levaram o Ronaldo.
Que para mim, meu pai gostava muito do Ronaldo.
E para mim não tinha que ser um ou outro, os dois Mas enfim, ele não levou Romário, levou o Ronaldo e deu no que deu.
Mas eu não sei se você já falou, você gostou do time convocado esse ano?
Ah, tem algumas, algumas peças, né, que poderiam estar.
Quem você acha que faltou?
Ah, eu acho que o goleiro. Como é o nome daquele goleiro que a gente— eu tô aqui pré-menopausa, né, gente, cafezinho por favor. Não, o Hugo também queria, né, gente, mas aquele que Ai, Fábio, o goleiro, é, ele tava melhor preparado. Tá no Cruzeiro, Fluminense, passou. Não, eu falei assim, essa hora lembrar de nomes e clubes, só do Corinthians. Hugo Souza, a gente tava até falando, né, Rafinha, porque ele vinha também sendo convocado, e o que faz você pensar, não, ele vai. Aí do nada, o Everton Não.
E como que é isso para ser convocado? Qualquer— é que eu realmente não sei, tá? Desculpa você ficar meio arrogante, mas eu realmente não sei. Como que você tem que ter feito para você poder ser convocado?
Uai, tem que jogar bem, se destacar.
Eu sei, mas você tem algum time, tipo, tem alguma regra?
Não. A gente fala que seleção é momento. Ah, mas o jogador fulano tá, é muito bom, ele está nesse momento jogando bem. Entendi. Porque você tem que levar os melhores atletas que estão performando nesse momento, porque a Copa é nesse momento, não é contar história, né?
Mas independente de, tipo assim, ai, de qual time você tá, quantos de cada time, seja tipo Corinthians, Palmeiras, São Paulo, não existe isso.
Desde que esteja bem, às vezes o time nem tá em primeiro lugar, às vezes só tem as posições, né? Claro.
E tem idade máxima?
Não existe uma regra, mas normalmente não existe.
É Olimpíadas.
Que tem até 23. Só que o que acontece, a gente acha, né, eu também acho, né, o pessoal do futebol, que mesclar juventude, que tem uma força física diferente, com experiência é o ideal. Porque na hora do pega-pá mesmo assim, você tem que ter um jogador, né? E não é sempre a idade, depende muito da personalidade do atleta, mas tem que ter alguém que coloca a bola ali no chão, literalmente fala, deixa "Deixa comigo, bora lá, vamos organizar isso daí." E muitas vezes, até por não jogar tanto, né, as pessoas mais jovens supostamente jogaram menos, não tem esse ímpeto de ser um jogador que seja, sei lá, um líder. A gente precisa de um líder dentro de campo. Você precisa.
Eu acho que é por isso que falam tanto do Neymar, né, porque por ele, a presença do Neymar.
O meu medo do Neymar: lesões. Porque os outros atletas de outras seleções sabem da condição dele. E o Neymar é um jogador que ele é—
O povo já chega chutando?
Na maldade. E o Neymar é um jogador que gosta de ir pro confronto. Ele gosta do famoso x1, um x1, um contra um. Então ele é um jogador que dribla, é um jogador que vai pra cima do adversário. E nisso ele pode se machucar. Porque tem gente muito— Ah, tem VAR, vai expulsar, ok. Mas tirou o nosso jogador. Jogador da Copa.
Não, Deus vai abençoar.
Amém, Deus abençoe.
Falar assim, sai todo mundo.
Eu falei que o Hexa vem com gol do Neymar, eu falei, né?, quem quer aqui? Amém, amém, amém!
Porque vocês mandaram perguntas, as perguntas que mandaram a gente já falou.
Então você não tá falando aqui senão a gente tá arrasando. A história dele, né, a gente fechar com chave de ouro. É, e eu acho que o Neymar, ele merece Eu acho isso, até pela história do futebol dele. Eu sei que muitas vezes as pessoas julgam o extra-campo, a personalidade dele às vezes de responder um torcedor e tal, mas eu vejo você, amiga, eu vejo você jogar futebol, você ia falar com os torcedores, com certeza. Mas o Neymar tem um bom coração, eu não vejo maldade nele, não vejo uma pessoa ruim, do mal, muito pelo contrário.
Então a gente às vezes julga, né, uma atitude, tudo, mas você não sabe o que que tá ali, aquela pessoa que é Eu não tenho mais intimidade, proximidade com ele.
Mas em um momento da minha vida, eu tive, assim, uma amizade. Eu concordo plenamente, assim, ele é uma boa pessoa, tem um bom coração. E é difícil, porque querendo ou não, esse extra campo é muito julgamento, né, da sua vida pessoal.
Imagina se tivesse internet na época do... Meu Deus do céu, ia ser muito pior.
É isso, todo mundo faz várias coisas na vida pessoal. E quando mistura com o seu profissional no final acaba levando julgamentos que uma coisa não tem nada a ver com a outra, entendeu? Então deve ser muito difícil mesmo.
E não tem ninguém, as pessoas que falam assim: "Ah, não devia ir e tal", não era por jogo dentro de campo. Não. Sempre falavam: "Não, porque ele fora..." Tá, mas jogador, vamos falar aqui dentro das 4 linhas, você acha que ele não devia ir? "Não, devia, ele é craque." Então pronto!
É, não?
Então cala a boca!
Deixa o homem jogar!
Ai, mas eu gosto muito, gente, imagina mais uma estreia novelinha pra nossa camiseta.
Todo mundo trocando essa ideia. Eu já tô até ensaiando. Hexa campeã. Porque o hexa também não é uma palavra assim muito boa de falar, né? É hexa. Mas os estrangeiros nem se incomodam. Hexa, sabeu?
Já vai ensaiando?
Fonética. Mas a gente ensaia, fica tudo bem.
É verdade.
Que pergunta é essa aqui? Ah, um sonho que você quer realizar esse ano ainda.
Esse ano ainda? Ah, um hexa, né? Um hexa ia ser, cara, Caramba, um Hexa lá de Miami, dentro da Rede Ronaldo, a taça do Penta vai estar lá. A gente pode fingir que tá levando.
Como vai funcionar? É aberto ao público?
Como é que é? Público tá, tá, menos nos dias de show, deve ter uma, alguma cobrança de ingresso pelo show, mas é aberta todos os dias a partir do dia 11 até dia 21 de julho. 11 de julho lá Miami, da 1 da tarde até às 10 da noite.
Caramba, vai ter telão para assistir todos os jogos, não só do Brasil. Então quem tiver em Miami, quiser ir lá assistir, só chegar, estão convidados, hein?
De graça, tô passando férias em Orlando, pega um carro, 2 horas e meia tá lá em Miami, vai fazer um bate e volta, estrada boa, e vai lá curtir com a gente, pegar um solzinho que tá calor para caramba. Mas assim, quem gosta de futebol lá vai ter muita história. E fora vários artistas que vão estar lá, vários influencers e tal.
A Carol!
É, a Carolzinha. A Carol é tão boazinha, gente.
Ela é incrível. Eu gosto muito dela.
É de bom coração. Eu gosto das pessoas assim, de conhecer os bastidores, porque você vê o ser humano.
Nossa, é linda.
E talentosa também, né?
Muito. A Carol, você dá pra... Eu falei pra ela: Carol, 10 embaixadinhas. Que isso? Ela pegou a bola e já Consegui 7, eu falei, que do nada!
É isso aí, vai com vontade.
Tudo que se propõe a fazer, eu falo aqui, o que muda, né, as pessoas é a vontade. Se você tiver vontade, você consegue. Também acho.
Tem uma pergunta que mandaram aqui que eu achei bem legal. Que mensagem, que acho que é a mais importante, na verdade, assim, de tudo que a gente falou. Que mensagem que você deixaria para jovens meninas que querem entrar para o esporte?
Não desistam. Eu acho que não é só para o esporte, para a vida, tudo que você se propor a fazer. E se isso de verdade é, você quer realmente, é do seu coração, é algo que você ama, não desista. E eu falo assim, que é impressionante quando a gente não desiste de algo que realmente a gente queira, a gente tem isso no nosso coração, Deus vai abrindo as portas. Se do nada acontece algo que te dá uma oportunidade oportunidade. Eu falo que a gente precisa se capacitar, isso é essencial.
Se você quer ser uma jogadora de futebol, não adianta estar em casa sentada assistindo TV e comendo, sei lá, algo gorduroso. Eu preciso cuidar do meu corpo, eu preciso treinar, eu preciso estar preparada para quando vir essa oportunidade eu agarrar. Então a capacitação é essencial, mas sobretudo você não desistir quando te fecharem portas. E eu tenho certeza, já pela minha história, que quando uma porta se fecha é porque outra será aberta.
Não existe uma porta fechar e você fica sem opção, porque às vezes Deus te coloca uma situação até para ver se realmente é isso que você quer. Então, se você desistir, de repente não era isso que você queria de verdade. Então, se você quer ser uma atleta de futebol, você quer ser uma jogadora de futebol, Cafu levou 9 nãos. Cafu, nosso capitão do Penta, ele foi para 9 peneiras e disseram: você não tem capacidade de jogar futebol, você não passou aqui, você não consegue jogar, você não é bom o suficiente.
Campeão em 2002, fora super campeão com São Paulo, mas levantou a Taça do Mundo em 2002. Então, ou seja, se ele tivesse desistido no primeiro, no segundo, no terceiro, foram 9 9. Então, ou seja, não desista. Se você quer isso de verdade, de coração, persista.
Porque não sei se eu tinha aguentado 9 nãos.
Você já deve ter levado mais que isso, minha filha.
É verdade.
Pensa, é porque como não é um segmento que eu sei fazer, tipo, por exemplo, atuação, quantos papéis eu não levei não já.
É verdade, faz sentido, porque você quer realmente.
É, aí você vai fazendo, não tô nem aí, vamos para o próximo.
Você fala, não tô preparada agora, vou me capacitar mais e vou para outra. E tem aquelas histórias, né, que às vezes não é você, é o ambiente que não tá valorizando, né? Tem aquela história do relógio que o avô deu para o neto, e aí na hora de levar numa loja, leva num lugar de coisas antigas, e cada um deu um preço. Então numa loja era um relógio muito velho, e numa loja que era de coisas antigas, de antiguidades, valia muito porque era um relógio muito velho com muita história.
O relógio era o mesmo, só que aí você tem que ver qual é o ambiente que vai te valorizar. Então às vezes não é você. Então você fala: o que tiver nas nossas mãos, o que que eu posso fazer para melhorar? Tá nas minhas mãos, eu vou fazer, eu vou dar o meu melhor. Agora as oportunidades vão acontecer, e se não for aqui, vai ser ali. Se não for ali, vai assim. Deus vai abrindo as portas.
Ai, eu amei você!
Que prazer te receber! Rolas, né?
Nossa, amiga, eu adoro quando tem a semana, entendeu? Gente que ensina coisa pra nós, sabe? A gente sai com a mente mais repleta de informação.
Eu saio, eu vou viajando pra casa, assim, num silêncio, pensando em tudo. Muito legal, muito obrigada, gente, por dividir tudo isso com a gente.
Eu que agradeço dar esse espaço pra gente falar sobre vida, sobre maternidade, sobre esporte.
O espaço é nosso, a gente já falou.
Não, e de verdade assim, porque a gente sabe que vocês Vocês são pessoas que, além de serem admiradas pela, né, por tudo que fizeram, vocês transmitem essa paz, essa luz e essa credibilidade. Porque eu acho que hoje, internet, você precisa filtrar o que é certo, o que é errado, o que você tá dizendo porque é o que os outros querem escutar ou porque realmente é verdadeiro. E de verdade, não é porque eu tô aqui na frente de vocês.
A gente assiste sentindo essa energia. A gente fala que as pessoas podem mentir, mas a energia delas, jamais. E vocês transmitem isso de verdade.
Você também, você também. Muito obrigada!
E vamos torcer juntas pro Brasil.
Com certeza!
As camisas, vamos jogar um futebolzinho., silêncio. Silêncio.
Gente, uma vez eu fui jogar, nossa.
Mas é melhor não, porque eu sou tão ruim.
Uma vez a Ana Cardoso, sabe? Ela fez uma... Na Copa, você não tá entendendo. A minha sorte é que eu fui do time da Luísa Sonza.
Vocês não estão entendendo o tanto que a menina é jogadora.
Graças a Deus, ela salvou e fez todos os gols. Porque assim, amiga, foi um vexame atrás de vexame.
Você jogou de que posição?
Sei lá, eu joguei no campo. Me manda. Eu falei: gente, eu não sei nem, eu sou muito desajeitada com—
Mas é muito legal. Tenta jogar assim uma brincadeira e seus filhos assistindo, que é para ver que engraçado passado filhos torcendo pelos pais fazendo um esporte diferente. Não precisa ser futebol, sabe?
Eu ia falar assim, então você tem essa sensação porque você...
Talvez pra você é que o Onyx era meu companheiro, era engraçado.
Aí ele ia falar: "Oh, coitado, alguém tira ela de lá, põe ela pra fazer tênis." Ah, o Caio gosta de ver eu jogando beach tênis, tá vendo?
Eles são muito torcedores.
A minha mãe, ó, a Lua já viu, tipo assim, na escolinha de dança dela, a professora me chamou pra fazer um negocinho junto, fiz um sapateado com ela. Minha mãe falou: "Nossa, sabe fazer, mãe?" Eu falei: "Sei, filha." 'Eu quero fazer quando eu crescer, porque não pode ainda, 3 anos, só com 5, que cai, essa parte e tal.' Quando crescer, você vai fazer.
É muita admiração ver os pais fora do papel de pai e mãe. É verdade. É muito legal. E o Ronald era engraçado porque os outros achavam engraçado, porque era o Ronald que fazia assim: 'Passei, mamãe!' Passou pro jogo: 'Mãe, toca aqui!' Então a galera que tava de fora, como assim, mãe? Do nada, assim, uma criança chamando a outra de mãe dentro de um jogo jogador de futebol, porque a gente sempre jogou junto.
Que fofa!
O Ronald jogava comigo. Então é legal essa admiração do filho também com os pais. É verdade.
E agora, ó, nossa admiração só cresceu por você contar toda a história. Muito obrigada mesmo. Parabéns por tudo, pelo legado, pela...
assim, não tem nem o que falar. Pela história, porque é lutado também, por todas as mulheres do nosso país que têm esse sonho.
Eu falo que eu sou a voz de muitas que lutaram muito assim, não tiveram essa oportunidade está contando as histórias dela. Por isso Embaixadoras da Rede Ronaldo quer contar essas histórias e que esse legado do futebol feminino, ano que vem, elas tenham essa voz. Porque tudo para começar tem alguém que teve que desbravar e muita coragem. É, e eu não sou a pioneira. Existia futebol feminino, foi proibido em 41. Para algo ser proibido precisa existir.
Então já é.
Então muitas mulheres lá, vocês sentir, tiveram, lutaram. Então saúde, Deus te crie.
Amém, amém.
Foi vindo ficar longe da gente.
Eu acho que é dor, imunidade, né?
Imunidade do cheirinho no corpo, antisséptico, antisséptico que a gente passa na manhã.
Na quinta-feira a gente conversa, se tiver ruim você vai ver.
Não, amiga, pelo amor de Deus, tá todo mundo ótimo.
Aí já cuida da imunidade.
Eu falo assim que é um combo, as duas com vitamina Q.
Agora o papo de Pessoa, né, mais velha que quer estar sempre em saúde. Eu falo que os vírus, tudo tá por aqui.
Que que é isso, né?
Que que a gente precisa cuidar da nossa imunidade, a gente precisa fazer os nossos soldadinhos estarem fortes.
Não, a gente tá numa fase com filhos pequenos que eles pegam. Se você tá com a imunidade boa, você pega junto na escola.
Mas mãe nunca pega, né?
Eu pego todos.
Eu não pego.
Eu sou mestre em pegar vírus. O Willy fala que eu sou uma esponja do vírus.
Eu não pego não.
Eu sou a primeira ala das crianças. Criança pegou, antes de vir um sintoma, eu já tô. "Vai vir, ó." Aí vem um de cada vez assim, ó.
Faz a fila, faz a fila. Você já vai cuidando dessa imunidade, né?
Eu acho que tá faltando umas vitaminas aí, viu?
Agora parou, agora meu nutrólogo falou: "Chega, você não tem idade pra isso." E eu sou, né, tecnicamente uma pessoa saudável.
Aí agora eu tomo umas vitaminazinhas diárias, vou falar. Não, é imunidade, bora cuidar da imunidade aí. Que as vírus vão estar por aí, gente. Então é só a gente que precisa cuidar.
Do nada, papo de mãe aqui de vida. Então você cuida aí na sua casa, tá?
Muito obrigada, gente, por terem assistido. Curtido! Lembrando que a QR code na tela, o link na descrição, tá? Já garanto, ó, cupom PODDELAS, 10% de desconto lá no site da Philips Audio e Vídeo.
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