LEANDRA LEAL - PODDELAS PODCAST #582
Nesse episódio, o PodDelas recebe, pela primeira vez, Leandra Leal para uma conversa sobre as muitas versões que ela já viveu dentro e fora das telas. Atriz desde criança, Leandra relembra momentos marcantes da carreira, fala sobre a relação com a mãe, maternidade, pressão estética, envelhecimento e as cobranças que atravessam a vida das mulheres. Ela também conta como foi passar para o outro lado das câmeras e se tornar diretora, produtora e criadora.Dá o play para conhecer um pouco mais de todas as versões de Leandra Leal! E já aproveita para se inscrever no canal!
Leandra Leal
- A experiência de Leandra Leal no filme Antártida e suas questões de gênerofilme criado pela Claudinha Juvan·tecnologia inédita no Brasil·personagem Marina, médica da Marinha·relacionamento abusivo da personagem·violência contra a mulher no filme
- A maternidade e o impacto na vida e carreira de Leandra Lealvolta ao trabalho após a maternidade·fragilidade e mágica da vida com filhos·medos e coragem da maternidade·diferenças na criação dos filhos·flexibilidade com o segundo filho
- A transição de Leandra Leal para a direção e produção no cinemadesejo secreto de dirigir·respeito pelo cinema e direção·falta de inspiração feminina na direção·primeiro filme Divinas Divas·dificuldade em conseguir financiamento
- A evolução da carreira de Leandra Leal e seus próximos projetosdiferenças na filmagem com negativo·adaptação à tecnologia digital na TV·novela como CrossFit para atores·sonho de interpretar clássicos no teatro·desenvolvimento de longas e séries
- A relação de Leandra Leal com as redes sociais e a internetgosto pela internet e suas tecnologias·críticas às redes sociais e algoritmo·uso das redes para divulgar trabalho·blindagem contra o hate·conversas com a filha sobre redes sociais
- A paixão de Leandra Leal pelo Carnaval e sua participação em blocosapoio ao bloco Bola Preta·carnaval de dia e fantasia·agenda intensa de carnaval·mangueirense e desfiles·carnaval como utopia social
Oi, gente, tudo bem com vocês? Sejam bem-vindos mais um Pode Delas Podcast. E a gente já começa pedindo para você se inscrever no canal, toda aquela história de sempre, né? Se você tá assistindo a gente pela TV, pega seu celular e se inscreve, porque normalmente quando a gente assiste na televisão, a gente não vem aqui engajar, interagir, tá? Então se inscreve no canal, compartilha o vídeo, já deixa nos comentários quem vocês querem aí de convidada ou de convidado, né?
Quem vocês querem aqui? Já pode deixar aí que a gente tá de olho em tudo e trazendo as pessoas que vocês pedem, tá? Tem também as nossas redes sociais, @poddelas, Instagram, TikTok, no X, as minhas que é @tatá. A gente vai amar receber vocês lá, tá? Então já sigam, todas aquelas coisas. Depois que acaba o podcast, o episódio, a gente já vai pras outras redes sociais, entendeu? Tem conteúdo em tudo, vocês vão amar, tá?
Obrigada.
E ó, a minha convidada de hoje, ela começou a trabalhar ainda criança e passou boa parte da vida diante das câmeras, né? Hoje, aos 44, sua história permite falar sobre temas que atravessam muitas mulheres: a relação entre mãe e filha, maternidade, corpo, pressão estética, carreira. Enfim, com ela, gente, assunto é o que não falta. E ao longo dos anos, a gente conheceu muitas versões dela. Ela é filha da Ângela, mãe da Júlia e do Damião, E claro, quem é que não lembra, gente, da Rosária das Empreguetes, tá?
Que colocou o Brasil inteiro para cantar junto. E além de tudo isso, ela também passou para o outro lado das câmeras, se tornou diretora, produtora, criadora. Falei, gente, que é assunto que não falta, né? Não acaba mais, tem muita coisa. Depois de uma vida sendo observada, hoje ela fala abertamente sobre as cobranças colocadas também sobre as mulheres e parece viver uma fase cada vez mais livre para ocupar o próprio espaço. E os trabalhos, eles também não param, né?
Vocês sabem, depois de voltar às novelas como a Zilá, de Coração Acelerado, ela agora tá nos cinemas em Antártida, um filme que coloca justamente as mulheres e as questões de gênero no centro da história. Hoje eu tô muito feliz de receber pela primeira vez aqui no Pode Delas com vocês Leandra Leal.
Gente, que luxo!
Seja bem-vinda!
Muito grata, que luxo essa apresentação! Eu fiquei, meu Deus do céu, muita coisa.
Que a gente não se percebe, né? É bom para dar uma, é bom, um pezinho no chão, certo?
Não, e lançamento de filme é bom dar uma injeção de autoestima, sabe? Você faz look bom, maquiagem, aí tipo, sabe, foto, você renova um pouco, dá um up.
Dá. Vamos começar falando de Antártida então? Vamos, acabou de estrear, está nos cinemas, está nos cinemas agora em cartaz. E aí, conta como foi tudo, quero saber.
Foi muito legal porque Antártida, o filme é criado pela Claudinha Juvan. Um filme que ela demorou 10 anos, assim, criando. E também eu acho que as coisas acontecem no tempo que elas têm que acontecer. Porque eu acho que se o filme... O filme não poderia ter sido realizado antes dessa tecnologia que a gente acabou utilizando no filme. E foi dirigido pelo Bruno Safadi, que é um grande parceiro meu, assim. Eu já fiz vários filmes com ele como atriz.
E já dividi direção também com ele. E o Bruno, quando ele me chamou, foi muito bom. Porque eu tava, assim... O Damião tava com acho que 9, 10 meses. E aí eu falei, cara, vai ser ótimo, porque o Damião faz em agosto e a gente ia filmar em setembro. Eu falei, cara, um ano ele vai estar, e aí eu vou fazer um filme que eu vou ter que sair todo dia, tal, que vai ser aquela rotina puxada.
Mas voltar a se sentir mulher também, né? Porque acho que a gente mergulha ali na maternidade. Não deu uma falta assim de—
Não, quero—
Não deu?
Não.
Que delícia! Não deu, queria ter ficado ali.
Ai, amor, eu adoro ficar de férias, é maravilhoso. Não, mas eu amo também trabalhar, e meu trabalho, eu sou uma pessoa melhor trabalhando. Mas aquela coisa que você tava falando da ansiedade, sabe assim, eu sou uma pessoa que durante muito tempo da minha vida fui muito ansiosa. E assim, e atriz, né, uma profissão que você uma hora você tá muito em evidência e outra hora você não, ninguém sabe quem você é.
É muito instável. Você tem trabalho 15 anos seguidos, aí depois te falam, ah, acabou.
Exatamente. E aí essa instabilidade, e eu por ter visto minha mãe, amigas da minha mãe passarem por isso, isso sempre me dava uma agonia. E eu acho que eu agora, envelhecendo com a vida, olhando, eu falo assim, gente, tá tudo bem também, sabe? Tudo bem você se permitir ficar um pouco, tudo bem você E filho é uma coisa, eu falo que filho é régua do tempo, que você vê o tempo vai passando. Logo seu filho já tá com 5, 6, aí a minha filha tá com 12, é uma coisa louca.
E ao mesmo tempo, tipo, coloca muito no presente. Então assim, eu fiz uma escolha com Damião assim, que é: eu vou ficar até o primeiro ano dele com ele, não vou ter babá, nada. E a gente ficou assim, eu e o Gui se revezando, e foi um luxo, é um privilégio gigante ter podido viver isso. Não é uma realidade da maioria das pessoas, foi super privilégio. E foi graças ao meu trabalho também, né, fruto do meu trabalho, acúmulo que eu tinha, que eu podia me permitir ficar esse tempo.
Mas quando o Bruno me chamou para fazer Antártida, eu voltei muito feliz. Eu falei assim, cara, vai ser muito legal também voltar a trabalhar depois dessa pausa, vai ser muito legal voltar a trabalhar depois dessa elasticidade emocional que você ganha com a chegada de um filho, com, né, com todos os altos e baixos que você passa naquele portfólio. Eu falo também que a minha profissão ela é muito enriquecida com a vivência que você tem, né, assim, na sua vida.
Então para mim eu tava assim num momento ouro, eu falei que vai ser lindo. E cara, Andréia Beltrão, que eu sou muito fã da Andréia Beltrão, eu acho ela uma gênia assim. Então eu falei, cara, quero muito trabalhar com ela.
Ah, foi a primeira vez?
Eu já tinha trabalhado com ela, já tinha encontrado com ela algumas vezes, é Grande Família, Mas assim, ter um filme inteiro ali, um mês de ensaio, um mês de filmagem, foi contracenando assim várias cenas, foi a primeira vez. E ela é virginiana como eu, tinha a maior vontade, eu falei assim, ai meu Deus. E aí foi muito bom voltar e voltar com essa história também. A minha personagem no filme, a Marina, ela é uma médica da Marinha E ela vai, aceita esse trabalho na Antártida como uma estratégia.
O filme se passa numa base militar na Antártida. E é uma base real, existe. O Brasil tem essa base científica. Pouca gente sabe disso até, mas existe essa base lá. E é uma base super importante de pesquisa, poucos países têm. É uma coisa muito maneira. E a minha personagem vai pra lá, é um emprego meio ouro dentro da Marinha, assim, tipo valorizado. E ela vai para lá, meio que ela tava traçando uma estratégia para conseguir sair de um relacionamento abusivo.
E era uma estratégia perfeita, né? Porque você vai para um lugar isolado, longe do seu agressor, você vai ganhar um dinheiro, né? Porque um relacionamento abusivo também ele tem muitas camadas, né?
Assim, dependência.
Exatamente. E aí ela vai para lá, só que quando ela chega lá, a subcomandante é a Elizabeth, papel da Andréia. Logo em seguida, o marido dela, que é militar, consegue chegar lá. E a personagem da Marina Ruy Barbosa chega lá também, acaba sofrendo um crime sexual. E esse crime sexual acaba mexendo muito com a minha personagem, né, assim, com todas as mulheres que estão ali. São 4 mulheres e 8 homens. E essas mulheres não sabem quem cometeu esse crime, ela não sabe quem, só que elas estão isoladas num inverno rigoroso com esse agressor. Então elas—
gente, eu tô agoniada já, total, total, é muito agoniante assim.
E aí elas têm que se unir. Isso, e é muito assim, no início, quando a personagem da Marina fala, né, a Inês fala o que que aconteceu com ela, os homens duvidam, falam: não, imagina, isso não aconteceu, sabe? Você tá, você tava bêbada, sabe? Você fez para isso, exatamente, sabe? Você tava provocando. Tem exatamente essa frase: você tava provocando. E só as mulheres acreditam nela, só as mulheres falam assim, não duvidam, sabe? Isso aconteceu.
E elas têm que se unir por uma questão, apesar de serem muito diferentes entre si, elas têm que se unir por uma questão de sobrevivência e de entender o que aconteceu, né?
Assim, e como foi a sensação? Onde foi gravado?
Amor, isso é o melhor. Você fala antártida, você fala, ai meu Deus, foi pra Antártida. Não, foi no estúdio. E isso é a tecnologia que eu tava falando, que assim, é um estúdio, não sei dizer números, tá? Mas as pessoas Google e pesquisam depois. Mas assim, é um negócio assim 360, gigantesco, é uma tecnologia inédita que não existe no Brasil. Isso é muito maneiro no filme também, é o cinema brasileiro assim fazendo muito bonito.
É aqui em São Paulo?
O estúdio foi no Projac.
Ah, o estúdio no Projac?
No Projac, mas é um estúdio específico. Não é um negócio assim que monta, é um negócio específico que tem lá no Projac, esse estúdio. E eles, 360, tal. E assim, imagina, a equipe incrível, a equipe técnica. Demorou muito tempo a pré pra conseguir tudo isso. O Bruno, eles foram pra... Não sei se pra Antártida, mas enfim, pra filmar também as paisagens que são projetadas. E a gente fez tudo no estúdio.
Imagina o pós também, né? Você gravou quando?
A gente gravou faz um ano. Faz um ano.
Nossa, rápido até, né?
É porque, na verdade, tem efeito, tem pós e tal, mas o estúdio tinha a imagem projetada do lugar. Entendi.
Então já dá uma facilitada.
Entendi, entendi. Então assim, a gente tava... A gente filmava, traqueava o fundo, né? Assim, o fundo traqueava a imagem e...
E foi sua primeira experiência assim?
Foi, experiência Marvel, foi incrível.
Surreal? É. Gente, que bom que o Brasil tá nessa, né?
Não, exatamente.
Amei.
Assim, né, o cinema brasileiro ele vem numa onda muito incrível, né, assim, muito fantástica. Só que é isso, a gente tá criando uma diversidade também, né? Esse é um filme de gênero, é um thriller psicológico, é um filme que tem uma tecnologia robusta, é um filme que tem uma...
Mas assim, você falou que 10 anos pensando no filme, só que super atual, né, o assunto.
Total, total.
Muito. Acho que não tinha tempo melhor pra sair do que agora.
É, é um filme que ele traz várias questões contemporâneas, assim, né. A violência contra a mulher. São diversas violências, né, assim, que no filme são retratadas, né. Porque também é isso, tem uma subcomandante num lugar de liderança. E uma mulher pra liderar tem todas as dificuldades, né, assim. A gente não... Não foi nem criada para liderar. E quando a gente chega liderando uma equipe majoritariamente masculina, é muito difícil.
Você tem que se esforçar 15 vezes mais.
É, você tem que ser melhor do que tudo, você tem que se fazer ser ouvida, se fazer ser respeitada. Muito difícil mesmo.
Qual foi a importância para você, Leandra, fazer esse, participar desse projeto assim em relação aos sentimentos, né, a sua vivência nessa personagem?
Cara, foi muito maneiro, foi muito maneiro mesmo essa volta ao trabalho. Tinha uma coisa também que me conectava muito à personagem. Isso aí é uma coisa que é falada no filme, mas não tá especificamente, mas que ela tinha tido depressão pós-parto e que o marido tinha— ele fazia pouco, sabe, disso. Ele era cruel em relação a isso, falava sempre que ela já— você tá precisando voltar a tomar antidepressivo, você tá doida. Sabe, é um perigo você ficar só com seu filho.
E isso era um negócio assim, eu não cheguei a ter, mas assim, eu sei lá, você passando por um puerpério, você vislumbra essa linha muito concreta, né, que existe ali. E enfim, o blues que tem depois, né. E eu me conectava muito com ela, que eu falava, gente, que homem cruel assim, sabe, que Que terror, assim.
É, acho que por você estar passando por aquilo também pega num lugar diferente, né?
É, exatamente.
Quanto tempo de filmagem?
Foi um mês de filmagem e um mês de ensaio.
Gente, eu tô achando muito rápido! Todas as vezes que eu pergunto sobre filme é tipo 3 meses, lá lá lá, e tantos de... Que filmes são esses? De... Que que veio aqui que eu falei?
Ah, não tem mais filme de 8 semanas? Jura? Não tem filme de 8 semanas? Muito difícil.
Não!
É, no máximo 6, porque, amor, é, fazer filme é muito caro, é muito difícil, não é fácil fazer um filme. E no Brasil a gente não tem verbas gigantescas para isso, né?
E nesse período assim, como foi a rotina com o seu— porque você amamenta, né? Como foi essa rotina? Como é que você fez para—
eu tô no desmame.
Para tá no desmame? Como foi para conciliar? Como é que você fazia com ele?
Ah, eu tirava leite ainda. É, esse aí ainda era um momento que ainda tinha, que ainda era mais, né? Mas ele já tava comendo, né? Ele já tava com 1 ano, né? Mas aí eu ficava tipo de manhã e de noite. É difícil essa volta, né? Porque a criança fica muito, né, querendo muito assim. Então toda vez que eu chegava em casa e tipo, aí era muito quero teter mamãe, teter mamãe, teter mamãe. E aí ficava E aí à noite você dormia pouco e acordava no dia seguinte cedo. Era difícil. Exaustivo.
E a sua memória, você sentiu alguma diferença? Olha, eu pergunto a dúvida pessoal.
Eu não lembro nem como era. Você me pergunta coisas que eu falo assim, fico assim, não sei, tô inventando.
Porque eu fico imaginando.
Muita amamentação, meu, falei assim, não sei o quê.
Eu falava muito com a Cláudia Raia, né, de tipo, como você tem memória para decorar os textos e entender, porque assim...
Mas eu acho que é outro HD, é outra, é uma nuvem diferente.
Você acha que você tem um HDzinho diferente?
Eu tenho, eu tenho um HD externo bem eficiente para decorar. Tem que ter. É, e eu acho que ator, atriz tem um treino assim, né, disso grande. Agora, eu acho, a natureza é muito perfeita, né, porque você esquece as coisas e aí você fala, vou ter outro. Porque de fato é isso assim, a Júlia Tem várias coisas que eu não lembro, aí alguém fala, fala, ai, gente, é verdade.
Mas eu acho que a natureza mesmo fazendo a gente ter. Você quer ter mais?
Eu, olha, se eu tô com 44, né, mas assim, eu queria ter 4 filhos. Assim, se eu fosse mais nova, eu teria com certeza.
Eu queria ter, tipo, ai, é uma coisa, eu acho a coisa mais gostosa, transformador, né?
Ai, muito bom. Eu queria adotar de novo e queria engravidar de novo. Esse era meu—
ah, dá tempo, você acha que não?
Ai, não sei, não sei se dá tempo. Adotar com certeza dá, mas engravidar não sei se eu—
Como foi para você assim ser mãe em diferentes idades? E também, além de ser uma menina e um menino, além de ser 10 anos de diferença, né, como é que tem a questão hormonal também, como Qual foi a maior dificuldade que você teve nos dois?
Ah, eu era outra pessoa, né? Assim, eu acho que é isso, eu era 10 anos mais nova, né?
Assim, então a maturidade é muito diferente, é muito diferente assim.
E aí, sei lá, Juju eu me preparei muito assim de livro, de coisa de adoção e tal. Tive a fila, demora muito tempo, então você, né, tem essa espera, né? Essa espera assim que eu aproveitei dessa forma assim de ficar estudando sobre. Não sei, eu acho que quando você é mãe também tem uma, tem um lugar assim, assim para mim, os meus dois filhos assim, os dois puerpérios, que a adoção também tem um puerpério assim, eu senti uma chegada assim que eu senti a mágica e a fragilidade da vida.
Que realmente assim, um filho é um milagre, né? É um milagre nascer, é um milagre estar vivo, é um milagre ser saudável, é incrível isso. E ao mesmo tempo é de uma fragilidade que é assustadora, né? Assim, e nos dois eu senti muito isso assim. A Júlia, eu não tinha medo de avião, logo depois comecei a ter medo de avião.
Sim, você fala, nada pode acontecer comigo que eu tenho esse serzinho aqui que depende de mim.
Exatamente. O Damião, eu tive outros, outros muitos medos assim. Eu tinha um medo, olha só, quando ele era bem bebezuco, eu tinha medo de ficar sozinha com ele, porque eu falo, se eu morro, se acontece alguma coisa comigo, eu tinha isso também, quem vai chegar e ficar com ele? Tipo, sabe?
Não, eu tenho, quando eu tô sozinha com as crianças, eu sempre falo, a Bia mais velha, eu falo, Bia, se acontecer qualquer coisa, você grita. Não, eu falo, você grita, você sai na rua e grita.
Eu falo isso com a Júlia também, ó, você tem que fazer isso.
Porque dá medo, né? Eu falo, não sei se acontece alguma coisa. E a gente se acha tão... Mas te trouxe essa força também de... Acho que você já é uma mulher muito... Eu te enxergo muito assim de... Muito segura de si, muito forte. Te deu uma força a mais?
É uma... É isso, é uma coragem com um medo absurdo, né? Mas é uma coragem gigante. Eu acho que ter filho é a maior aposta que você faz na humanidade. Você, né, ter um filho assim, criar a pessoa que você mais ama no mundo para esse mundo, é tipo, você ama mais que você, né? É uma coisa assim, é um ato de fé na humanidade gigantesco assim, né? Então é uma coragem ter filho, é uma coragem, é um ato de coragem.
E por você ter vindo de uma família muito artística, você acha que teve um peso para você de também seguir essa carreira? Ou você não se imagina seguindo, você nem cogitou seguir outra coisa? Como foi?
Eu sou muito filha de circo, sabe? Família de circo que, tipo, fica ali todo mundo. Então assim, minha mãe tem um teatro, né, no Rio, que é o Rival Petrobras. E a gente, eu fui criada muito dentro desse teatro, vários amigos dela trabalhavam ali. Então assim, meio que...
Você nem tinha ideia de outra coisa?
Cara, tinha. Vou te falar, eu já tive vontade de fazer várias coisas na vida. Eu inclusive falava que ia ser presidente do Brasil quando era pequena.
Jura?
Juro, sou super politizada, super ativista. Eu ficava assim, ah, eu quero ser presidente do Brasil, era isso que eu queria. Mas não, menina louca, mas eu sempre quis algo artístico assim, escrever, atuar. E quando eu fiz o meu primeiro filme, A Última Bolacha, eu Fiquei assim muito, cara, eu falo até que, sei lá, foi minha Disney. Eu tinha 13 anos, eu falo assim, cara, foi uma das experiências mais incríveis da minha vida.
E mas antes você já tinha feito uma participação, né?
Eu já tinha feito novela, assim, novela, eu tinha feito uma novela e depois eu fiz Ao Ostrivento, que é com um grande diretor, Walter Lima Júnior, que é um mestre, mestre. Fernando Torres, Lima Duarte, um elenco muito de peso assim. E na verdade, é um filme de locação. Então assim, eu viajei, eu fiquei fora. Eu falei, cara, é isso que eu quero fazer pro resto da vida, assim, sabe? Então eu era muito nova.
É, e é uma idade, acho que adolescente... Imagina, a Júlia tá passando por isso agora, né? Você tá lá, você descobrindo.
Não, outro dia eu tava pensando nisso. Eu falei assim, gente, na idade da Júlia eu trabalhava. Minha filha é uma menina. Eu falei assim, gente, eu trabalhava, eu ia pro Projac.
E por um lado, ainda bem que ela é uma menina, tem a oportunidade, né?
Total! De viver isso.
Total!
Eu falo assim, gente, que doideira!
E aí viver isso, você já ali, você teve certeza que você queria seguir?
Cara, tive certeza. Eu falei assim, é isso que eu quero da vida. Internamente, secretamente, eu queria dirigir.
Com essa idade já?
Com essa idade eu falei assim, cara, eu queria dirigir, eu acho que eu sei fazer isso. Eu lembro de ter essa, olha, cara, eu acho que eu sei fazer isso.
Nossa, muito, muito madura.
E aí, só que é isso, né, assim, Eu acho que eu tenho muito respeito pelo cinema também, assim, acho que a direção ela entra na minha vida quando eu começo a também me entender como autora assim mesmo, sabe, criadora, e falar assim, ah, tem, eu costumo dizer que assim são ideias que eu tenho que eu falo assim, cara, o mundo não pode existir sem essa ideia, eu tenho que realizar isso, sabe, assim, eu não vi isso em outro lugar, eu preciso fazer isso.
E aí eu falo, ah, eu quero fazer, eu quero fazer um filme, eu quero fazer uma série, eu quero fazer. E aí eu fico, e meus projetos demoram muito tempo, fico anos captando, anos escrevendo, desenvolvendo. E aí eu tinha essa vontade dentro de mim, mas ao mesmo tempo tinha esse respeito. E sei lá, fui ser dirigida por uma mulher na TV, pela Denise Saraceni. Mas assim, durante muito tempo só tinha Denise, assim, né? Assim, tinham poucas mulheres dirigindo, sabe?
A gente tinha pouco exemplo, né, de que essa porta a gente podia passar por ela.
E desde sempre você tinha essa consciência assim em relação a essa liderança feminina de eu quero fazer a diferença, quero? Ou você sentia falta de ter alguém para se inspirar? Porque você tinha sua mãe também, né?
Eu tinha minha mãe. Minha mãe é uma mulher muito à frente, muito para frente, muito, muito. Muito, muito. E ela dirigia sozinha um teatro, né? Ela tinha, ela ocupava um lugar de liderança. Ela foi secretária de Cultura do Rio, então assim, do estado, né? Nem a cidade. Então assim, ela é uma pessoa que sempre me deu um exemplo de que uma mulher pode liderar, pode ocupar qualquer espaço. Só que eu acho, enfim, até a minha mãe, a geração dela pagou muitos preços por isso, né?
Assim, é Foi muito difícil também, enfim, aspectos emocionais. Mas eu acho que eu tinha uma coisa que era quase assim, sei lá, mas será que eu posso fazer isso também? Eu sou tão bem-sucedida como atriz, sabe? As portas se abriram tão facilmente para mim como atriz. Eu gosto tanto de ser atriz também, eu amo ser atriz. E eu acho que, sei lá, eu sou uma boa atriz, sabe? Eu cumpro meu trabalho, eu me dedico, sabe? Eu gosto disso.
Então também tinha um lugar assim meio de tipo, sei lá, né? Não sei se eu posso fazer, sabe?
Tipo, já tá tão certo aqui, por que que eu vou dar essa arriscada?
Exatamente, exatamente. Isso e eu acho que a falta de inspiração mesmo assim na direção. E aí depois isso foi mudando, né? Hoje em dia É muito diferente. Hoje em dia tem muitas mulheres dirigindo, ainda tem poucas, mas já tem mais.
E o que que, qual que foi essa, teve algum momento exato, um momento marcante que você falou, agora eu vou arriscar, agora eu cheguei na hora de tentar outras coisas?
Sim, eu tava com acho que 20, aí eu dirigi teatro, eu dirigi, começou dirigindo teatro, então eu dirigi uma peça Impressões do Meu Quarto, que foi uma peça, era um solo, eu e a Bianca de Montes no piano.
Depois eu dirigi... Ah, você dirigia e atuava?
Ah, dirigia e atuava, louca, né? Aí depois eu dirigi uma peça, Mercadorias e Futuro, que... do meu primeiro marido. E aí quando eu me separei desse casamento, eu me separei numa... 27 anos, assim, tipo aquela coisa juventude, assim, falando assim, ai, sei lá.
Mas casou super nova então também.
Amor, eu sou serial casamento. Tô no terceiro.
Eu acabei de acabar um.
Olha só, amor, tô no terceiro e assim, tudo dura 7 anos, 8 anos. O que chega ali, meu Deus, amor, isso é a crise dos 7. Você não já— eu quando começo a chegar perto dos 7, eu já fico tensa. Você fala, ai meu Deus, meu Deus, agora faz 2 sessões de terapia por semana, viaja, faz coisa, porque é foda, gente.
Nenhuma experiência é única, né?
Mas assim, esse agora, Guilherme, te amo.
E vai passar, vai passar.
A gente vai fazer 8 anos. Olha lá, tá vendo?
Sempre tem uma primeira vez.
É isso.
Ai, gente, tô brincando. Mas já deu certo, né?
Vamos lá. Não é porque eu me separei que não deu certo.
Exato.
Todos deram certo. Todos deram até onde tinha que dar. Foi bom enquanto durou, é isso aí. E aí, quando eu me separei dele, eu tava numa inquietação artística. Eu tava morando aqui em São Paulo, tinha feito da faculdade, eu falei assim, não, eu quero voltar para o Rio, e eu quero montar uma produtora, eu quero fazer cinema, eu quero fazer a parada que eu acredito. E aí eu cheguei no Rio e tava, já tava rolando Divinas Divas, que é um espetáculo de teatro que acontecia lá no Rival, que era uma reunião das primeiras artistas trans do Brasil.
O Teatro Meu Avô foi um dos primeiros teatros que recebeu no palco artistas trans e E eu vi esse espetáculo e na verdade são pessoas que eu convivi durante a minha vida, né? Rogéria, Jane de Castro e a Heloína. E eu fiquei assim, cara, que coisa incrível esse espetáculo! Que potência essas mulheres têm! Porque pra mim ali com 27 anos tinha uma lição que elas me deram de cara que foi assim, elas já estavam todas ali perto de 70, Que como é potente você viver a sua vida de acordo com o seu sonho.
E não tem idade, né?
Não, e assim, bicho, você realizar o seu sonho. E elas assim enfrentaram, elas não tinham nenhum comportamento político ideológico, mas assim, não era permitido uma pessoa que nasceu no sexo masculino se vestir de mulher e sair na rua durante a ditadura. E elas tipo fizeram isso através do seu comportamento, elas colocaram uma, elas fizeram uma revolução política no Brasil. E eu achava elas tão fantásticas, elas tão talentosas, elas tão incríveis.
E aí eu comecei a levar pessoas pro Rival pra ver o show, comecei a levar pessoas pra ver o show. E eu falei assim, cara, eu quero que o mundo veja essas mulheres como eu vejo. E eu falei, eu tenho que dirigir um filme. E aí eu fui fazer meu primeiro filme. E aí, só que assim, eu tava fazendo um filme sobre artistas trans com 70 anos. Ninguém queria dar dinheiro para fazer esse filme porque era algo, era, isso é 2010, 2012, tipo, era muito diferente essa questão, né?
Não era comercial, né?
Não, não era nada. E tipo, é diferente de hoje assim, sabe? Hoje a gente já tem algumas artistas daí, né, de projeção nacional, né? Tem a Pabllo, a Lineker, sabe? Tem pessoas assim que estão, Glória Groove, enfim, pessoas mais jovens, né? Naquela época tipo tava ali meio que uma batalha assim meio, não se falava tanto.
E não era da galera de 27 anos, não, com certeza não era.
E aí, cara, foi muito, é, as pessoas achavam, gente, que RuPaul tinha inventado tudo. E eu falava assim, gente, não, a gente tem essa tradição no Brasil, ó, essas mulheres aqui são maravilhosas, estão aí, ó, abrindo o teu olho.
Eu acho que você tinha esse entendimento justamente pela sua mãe, pelo teatro, exato, teatro.
E aí nisso é que eu falei, cara, eu quero dirigir. Eu falei assim, eu preciso, porque eu acho que para você dirigir algo também, você tem que— por que que só você pode contar essa história? Eu acho que tem, você tem que se fazer essa pergunta muito assim, sabe? Por quê? Por que que eu tenho que contar essa história assim, sabe? Por que que só eu posso contar? O que que o meu olhar vai acrescentar no mundo com isso? O que que tem de especial?
O que que eu vejo que é especial que as outras pessoas não estão vendo? É, para mim dirigir tem essa pegada assim, esse que eu chamo, entendi. Como atriz não, como atriz eu sou super formiga trabalhadora do Brasil.
Tipo, vem o personagem, às vezes você vê o personagem e eu falo assim, você nem gostar do personagem, falar vou fazer, não se interessa no caminho.
Não, não gostar não. Assim, tem algumas coisas que me fazem não fazer uma coisa, né? Assim, eu não concordar com aquilo de jeito nenhum politicamente. Isso para mim seria uma coisa tipo, sei lá, fazer uma coisa que, gente, não, saindo de serviço não faço.
Quando o personagem é isso, sei lá, sabe?
Tipo, há uma obra, sei lá, que vai falar sobre, vou dar um exemplo muito radical, tá? Mas sei lá, uma obra que vai falar sobre pedofilia, tipo, eu não vou fazer isso. Para que que eu vou ficar, sei lá, vivendo? Entendi, entendi, sabe? Tipo Essa coisa agora muito true crime, que é tipo ficar levantando como é que são os criminosos, como são as criminosas. Eu falo, gente, eu não tenho, eu não tenho muito estômago, eu, para fazer.
Eu, tipo, ficou, ai, não quero humanizar, não quero nem saber muito, não quero, não quero saber.
E Mas é doido que eu fiz O Lobo Atrás Da Porta, que é um filme que é exatamente isso. Mas tudo bem, eu sou uma pessoa incoerente. Mas a gente é assim, a gente muda rapidinho. Exatamente, exatamente.
Gente, a gente falou hoje, amanhã pode ser que a gente não pense igual.
Eu sou assim, tá? Então assim, vocês vão fazer esse recorte, vão botar na internet, aí depois vocês vão ter que— vai perder a validade, tá?
E tá certo. E que graça que tem a vida se não for assim?
Exatamente.
Se a gente não mudar, gente.
Exatamente. Mas assim, o que mais me faz fazer um trabalho é com quem eu vou trabalhar. Ah, sim, as pessoas com quem eu vou trabalhar e o que que eu aprendo com aquilo, sabe? Como é, vou me divertir com aquilo, vou aprender uma parada com aquilo. Aí eu vou facilmente como atriz.
Então foi aí, tá. Mas agora voltando na direção, foi aí que você começou no cinema a dirigir? Foi a dirigir no cinema. E aí foi que foi. E aí você, não, mas aí você fica também na volta para o mood atriz.
Ah não, eu sou uma atriz que dirige, eu não sou atriz que dirige, tá?
Eu sou uma atriz que dirige.
A minha camisa oficial é atriz.
E eu sei que é a mesma coisa que perguntar para uma mãe qual filho gosta mais, né? Mas você tem algum favoritismo assim? O que que você curte mais fazer? Obra aberta, fechada, série, ou dirigir? O que que você se encontra mais? Eu gosto de criar independente assim.
Eu gosto de inventar, eu gosto de criar. Eu acho que tem momentos assim, tipo, eu dirigi uma série, A Vida Pela Frente, Pô, foi muito trabalho assim dirigir uma série, é tipo, é muito trabalho assim.
Mais que o filme, cara?
Não, também é um trabalho gigante assim um filme, mas é aquele momento ali da filmagem, da ficção, que você fica ali tipo é 7 por 0 assim, sabe? Tipo a direção, você fica, você trabalha todos os dias, você fica todos os dias até tarde fazendo coisa, pensando em coisa, decidindo coisas, respondendo todas as perguntas do mundo. Então assim, é um trabalho muito que te consome.
Tudo passa por você, né?
Te consome muito. Então assim, quando acabou, eu tava assim, eu fiquei pedindo ao universo: universo, pelo amor de Deus, agora eu quero trabalhar como atriz, sabe? Eu quero que apareça filme, sabe? Assim, 5 por 2, sabe? Assim, eu quero filme, sabe? Não quero novela 6 por 1, eu quero filme, 5. E aí foi ótimo que apareceu Os Enforcados do Fernando Coimbra, que é um filmaço. E eu falei assim, cara, ó, mergulho, sabe? Assim, como atriz tem uma coisa que é maravilhosa, que assim, você mergulha, sabe?
Você vai ter gente ali te auxiliando, sabe? Assim, tipo, para te amparar, sabe? Você não precisa pensar na direção, você é quase um RH também.
Mas aí como é que você faz? Você atuando e sabendo de direção às vezes não dá Ah, não, não consegue.
Aí eu falo, esse aqui não é meu trabalho, esse agora é meu trabalho, é esse. Aí maravilhosa, eu me, eu fico, ah, eu adoro, adoro me jogar, sabe? Tipo, pensar no que que eu tenho que pensar, decorar meu texto, meu figurino, ótimo, minha maquiagem, prática virginiana.
É verdade, tem um pouco disso. E como você faz para deixar as crianças, acho que o Damião é muito novo, Mas mais a Júlia, como para deixar ela livre para talvez seguir outra profissão, para ela seguir outros caminhos? Como é que é lá na sua casa em relação a isso?
Cara, eu não tenho uma coisa forçada com ela para nada, assim mesmo. Eu tenho assim, ela faz teatro não para atuar, mas porque eu acredito que teatro na adolescência é uma ferramenta terapêutica gigantesca assim para, né, é uma fase agora que ela tá que muitos sentimentos novos surgem, né, assim, e às vezes a gente não sabe nomear esses sentimentos e a gente tem muita dificuldade de entrar em contato com a gente mesmo, principalmente essa geração que é super hiperestimulada.
E aí eu acho que o teatro ele é uma ferramenta muito boa para pré-adolescente assim, adolescente, de você entrar em contato com você mesmo. Muitas vezes fazer uma cena sobre um personagem tá passando por uma situação, mas não é você, entendeu? Aí você pode falar de si sem estar falando de você, sabe? Eu acho que—
nossa, é verdade, eu fiz teatro desde a adolescência também e eu acho que foi muito importante, muito importante para tudo.
Exatamente.
Relação em casa, relação com os amigos, te dá uma maturidade diferente também.
Eu acho muito indicado. Então ela faz por isso, assim, é terapêutico. Assim como tem que fazer esporte, tem que fazer uma língua, tipo, tem que— é o check. Mas é assim, nesse sentido. Mas assim, ela não— cara, eu, o que eu quero para os meus filhos? Que eles vivam a sua potência, sabe? A sua potência. E sejam pessoas felizes consigo próprios assim, né? Com isso, que se gostem.
Não, e não necessariamente a potência dos nossos filhos é a mesma nossa, né?
Não, não é.
Quase nunca.
Não, não é, não é. Mas às vezes é muito difícil como mãe você entender que o caminho é do outro, né?
Muito difícil. Mas acho que a Júlia deve ter te ensinado isso. Como é assim na Segundo filho, você já dá uma... Você se sente mais leve de, ah, tudo bem. A Júlia tá aí, ó, maravilhosa. Não vai ser isso aqui que vai... É!
Não, tem isso.
Ou você é uma mãe mais regrada?
Faz muito tempo entre um e outro, né?
Sim.
Então isso assim é uma... Também não tem tanta lembrança. É. Mas, além disso...
Mas às vezes deve dar uma desbloqueada assim, meu Deus, era eu fazendo isso.
É, não, tem uma coisa assim que você fica, que eu acho que você também deve sentir isso, que você fala assim, Meu irmão, não vai ser isso que vai estragar, sabe assim? Tipo, e não só isso, assim, dá tempo, dá tempo, sabe? Tem experiências que, né, que eu achei que, pô, devia ter feito diferente, não sei o quê. Eu falo, dá tempo, sabe assim? Dá tempo de você corrigir o rumo, de você mudar. E criança, né, responde muito rápido, né, tudo assim.
Então eu falei, cara, dá tempo de fazer isso. Tem umas coisas assim, por exemplo, que com Damião eu sou mais relax, que eu vejo que o Gui é mais Porque é o primeiro dele, né? Sei lá, a minha mãe, um exemplo bobo também, tá? Mas assim, na introdução alimentar a gente fez um mix de BW, um mix, né, também, porque só o BW, aí eu fiz o mix tradicional. E aí minha mãe era assim, vai engasgar esse menino, a mãe dele vai engasgar esse menino, não pode, tem que ser papinha, tem que ser papinha, tem que ser papinha.
O guia é muito assim, Cara, não, a gente tem não sei o quê. E é isso aqui, vai ser desse jeito, ele vai aprender, nananã. Eu já fico meio assim, tudo bem, ela vai dar comida hoje, ela pode dar a papinha, sabe? É, sabe? Tá tudo bem, sabe? Tipo, você fala assim, ai, tá tranquilo. O Damião chega na casa da minha mãe, é brinquedo eletrônico, é tudo. Eu falo assim, ai, tipo, sabe? É avó, sabe? É tão importante essa relação, é tão importante a relação de amor. De que a avó tem com o neto, que eu falo, ai, tá tudo certo, sabe?
Mas eu acho que tem a ver com o segundo, sim, que eu sou assim só no segundo.
Na primeira, amor, não chegava perto. Não, não pode, não, não pode ter nenhuma tela ligada no raio de 5 km.
Só das 6 da noite. Eu não assisto televisão, eu perdi o costume por conta da maternidade. É que também não tem um pouco de tempo, né? Mas enfim, eu não tenho costume de chegar e ligar a TV porque com as crianças era tipo para eles não assistirem tela.
É isso, mas é isso.
Aí vai para casa da minha mãe, ó, minha mãe tá na minha casa, liga a TV.
É isso, tudo bem, entendeu? Eu acho que o segundo filho ele dá uma, uma flexibilidade assim, né, de tipo, ah, não vai estragar a criança, vai estar tudo bem, o dia a dia tá ali, entendeu? Não pode ter açúcar de segunda a sexta, mas Sim, é isso, concordo.
E em relação a essa, porque você começou quantos anos de carreira?
Eu comecei, então eu tenho uma dificuldade de definir quando eu comecei.
Para mim, desde os 7 anos a moça começou, começou, tá ali, pouquinho. Eu acho, vocês não acham? Eu não sei dizer, já fez novela?
Não, então eu fiz Pantanal. Que foi 89.
Tá lá você.
É, tá lá eu.
Então.
Mas é que assim, ainda era uma brincadeira assim, sabe? Era tipo, eu tava ali no trabalho da minha mãe.
Uai, mas pra mim eu tô me divertindo aqui.
É uma brincadeira ainda.
Pra mim é uma brincadeira ainda.
E até hoje é.
Que ano que foi? Vamos contar.
89.
89?
Não, eu sou de humanos.
99, 2000.
E 19? 99, 2009. 99, 2009. Não?
Então é. 99. Ah, é 84?
89.
89? Então 36, minha irmã é de 89.
Ai, meu Deus.
Então 36.
36 anos já, gente.
37 ela fez agora.
Que babado.
37 ela fez.
Caralho.
Virginiana igual você. 37?
Qual é teu signo?
Eu sou escorpiana.
Ai, a gente se dá bem. É. Ó, meu marido atual é escorpião. E meu primeiro também.
Ah, então são pessoas, gente boa. É, ela assim, mas eu gosto de virginiano, é porque acho que é organizado. Eu não sou muito, então, e Escorpião é, não sou um pouco não, mas é por isso que é bom ter uma organização. Mas ó, 30 e sei lá quantos anos de carreira, você começou, viveu todas as épocas, eu acho, até desde o tipo de filmagem, dos materiais.
Não, eu comecei a filmar, era negativo. Então aí você esperava toda sexta. Quando eu falo isso para as pessoas mais novas, elas ficam assim, não é possível, tipo, o que é isso, né? Eu tipo, eu me sinto quando a minha mãe falava, sei lá, de tipo que não tinha televisão. Aí eu falei assim, agora sou eu, a tia falando. E assim, a gente chegava sexta-feira no set esperando chegar as imagens reveladas. Aí unia toda a equipe, era uma pressão da porra, unia toda a equipe para ver se tava tudo certo.
E que se não tava também?
Refilmava. Nossa! Eu já tive cena que negativo perdeu e teve que refilmar. Era isso.
Eu falo de internet discada pra minha filha lá, o quê?
É.
Não sei nem explicar também.
Falei, era só aos domingos, fazia um barulhinho de noite, esperava todo mundo dormir, ligava escondido, sabe?
Tomara que ela não esteja vendo, mãe. Enfim, você passou por todas essas transformações, inclusive com a internet. E eu acho que nessa, com essa chegada avassaladora da internet, você, pessoas, artistas que viviam de outras, de outros meios, acabaram tendo que se adaptar, né? Só que como foi para você isso? Você sentiu essa pressão de— porque eu não sinto você como uma pessoa que posta porque você precisa postar, que você tá ali, ai, eu tô super influenciadora agora.
Eu tô achando também, eu mudei.
Então, mas quando é que chegou isso assim para você? Tipo, se você se foi uma coisa que foi, você falou, eu vou ter que entrar nessa?
Não, na verdade assim, eu sempre tive, eu adoro internet, adoro mesmo assim. Eu acho que, eu acho que as tecnologias elas têm coisas boas e coisas negativas, e a gente tem que saber tudo na vida, né? Exatamente, tudo na vida. E eu acho que a internet é algo assim incrível, é algo, cara, que eu lembro Eu na faculdade começando a poder pesquisar na internet. Eu achava isso fantástico. Eu ficava assim, meu Deus, eu tô digitando aqui um negócio que tipo, sabe?
Tô vendo outro lugar do mundo um artigo sobre... Isso é fantástico, assim. E se conectar com pessoas é maravilhoso. As redes sociais, elas fuderam um pouco isso. Porque elas restringiram a sua experiência, né? Essa coisa... Você não navega mais. Você é navegado.
A questão do algoritmo.
Exatamente, você é navegado assim, você vai sendo ali tangido para onde você vai consumir melhor. Então assim, isso para mim, eu fiquei um tempo meio mal resolvida com essa coisa da rede social assim, fiquei meio tipo, ai cara, isso é chato, é opressor, sabe, milhões de coisas. Só que ao mesmo tempo eu utilizo a minha rede social muito para divulgar coisas que eu faço. E muitas vezes para falar coisas que eu acredito. E aí a verdade foi essa: eu cheguei no início da novela, eu fui entender como é que tava minhas redes. Início não, meio da novela.
Calma, recente?
Recente. Não, mas assim, eu tenho— não, eu sempre fui da internet.
Ah, tá.
Eu sempre usei, tipo—
Era você que alimentava mesmo ou era a equipe que cuidava?
Já tive a equipe. Ó, Império. Império foi uma novela que eu fiz, que era do comendador e tal. E aí, cara, começou a rolar muita, muito corte, muito tudo, né? Também muita coisa, não, e muito foi uma coisa de hate também que rolou uma época ali comigo. É, e assim, eu sou uma pessoa que falo coisas políticas que às vezes vem uma onda muito forte contra mim. E ali em pé eu falei, cara, eu quero me blindar, eu não quero ficar falando sobre Não, quero continuar falando sobre, só não quero que ninguém fale comigo sobre.
Eu quero continuar falando o que eu acredito, mas eu não quero que as pessoas fiquem jogando hate em cima de mim, comentando, falando, não sei o quê. Aí eu falei, cara, preciso de alguém para administrar minhas redes.
Ah, entendi.
Tipo, para me blindar disso, entendeu? Para continuar fazendo, mas sem— Aí tive uma equipe de internet, que foi ótimo, durei um tempão. E aí depois eu falei assim, ai, mas aí eu comecei a me desestimular com essa coisa de rede social. E aí saía, voltava, porque eu acho que as redes sociais elas têm uma coisa de dar uma falsa sensação de coletividade, sabe? De você tá perto dos seus amigos e você na verdade não tá, sabe? E você vai ficando cada vez mais sozinho.
Eu acho que tem um aspecto viciante. Então assim, é, eu às vezes eu falo, cara, tô viciada, tipo, é. E aí eu tenho que ficar desinstalando o aplicativo, ficando um tempo sem Tipo adicta. Aí eu vou voltar só um pouquinho. Aí tipo, é total assim, é horrível isso assim. E aí eu falei, cara, aí agora eu falei, sabe o que que é? Eu preciso transformar esse lugar meu. Aí eu agora, no meio da novela, desculpa, me perdi fluxo de pensamento.
Aí agora, no meio da novela, eu fui fazer uma consultoria de entender minhas redes. E essa novela agora, dessa novela, sei lá. E aí eu vi que eu tenho engajamento do caralho, eu tenho engajamento altíssimo.
E eu acho que eu tenho engajamento alto pelas coisas que eu falo, pela sua opinião.
Exatamente assim, por isso assim, por ter algum lugar ali de comunidade, de compartilhar coisas ideais. Então, e aí eu falei, cara, eu preciso usar melhor isso. E aí eu comecei a pensar sobre, ainda não coloquei em prática porque tenho 2 filhos, trabalho Tô desenvolvendo um longa, tô lançando um filme, terminando novela, tô desenvolvendo um longa, tô fazendo uma reforma na minha casa, tudo. Até o diário de obra que eu falei que ia fazer, não consigo fazer.
Mas enfim, eu fico pensando sobre isso. E agora, na verdade, eu acho que eu tô utilizando a internet de uma forma divertida.
Tirou um peso.
É, eu tô assim, ah, tudo bem, sabe? Assim, tô me divertindo, tô fazendo coisas. Às vezes a Júlia, minha filha, edita um vídeo pra mim. Juro, maravilhosa. Aí eu pago um cachê para ela ler. Mentira!
Tipo assim, vou ver com a minha editora, é a filha dela.
É maravilhoso. Sou jovem, entendeu? Me atualiza assim, né?
Ela tem rede social?
Não, ela não tem.
Não, mas tem acesso?
Não.
E aí, como é que ela fica sabendo do momento?
Amor, isso entra pela brecha, não tem como, né? Não, não tem como.
Não, minha filha chega em casa cantando umas músicas que eu falo, quem ensinou?
Exatamente. Até porque, cara, é isso, as crianças têm tela, então tem gente colégio que tem tela. Tem gente, a avó tem tela, enfim. Aí vai para cada tia, tio ver.
Não tem como, né?
Não, não tem, não tem, não tem. Lá em casa ela tem computador para pesquisa de colégio, né, porque isso é necessário. Mas assim, não tem tela, mesmo assim ela sabe. E ela adora editar vídeo no CapCut.
Ai, que legal!
Adora fazer isso. E aí assim, eu agora eu tô com, eu tenho um amigo meu que tá me ajudando a pensar sobre, a falar sobre assim redes e pensar nesse lugar mesmo assim, como ocupar esse lugar, na verdade, que você tem uma grande visibilidade.
Como usar isso, né?
Como usar isso de uma forma positiva para mim e para o mundo? Porque isso também é um negócio que eu não consigo não pensar, não pensar assim. Isso é da minha natureza assim. Eu falo, cara, eu tenho um lugar, né, de 3 milhões e tantos de seguidores. É pouco e muito, é muito.
É, coloca quantos estádios dá. Toda vez eu fico pensando isso.
É verdade.
Quantos estádios?
Outros. Quantos milhões de seguidores você tem?
Quase 12.
Aí, tá vendo?
Mas é muita gente, independente. É, 10 mil pessoas são muitas pessoas, são muitas pessoas, são muitas pessoas.
Mas esse, e aí eu falo, cara, eu fico ali agora pensando assim, cara, o que que eu posso colocar aqui que acrescente na vida dessas pessoas e que acrescente na minha vida também, né? Assim, que seja um lugar leve, divertido, e que ao mesmo tempo Mas como é que você—
ai, perdão, tira.
Não, pode ir. É isso aí, é fluxo.
Como é que você lida com essa? Hoje você disse que não vê mais então essas ondas de hate, essas críticas, né?
Tudo bloqueado, né?
Você consegue blindar?
É, bloqueou tudo naqueles comentários.
Ah, tirou os comentários?
Não, eu tenho comentário, mas tem umas palavras lá que não entra no meu Instagram não.
Entendi, entendi, entendi. É para dar uma Porque eu acho que a gente se sente agredida, né? Não sei se você se sente agredida também.
Cara, é mais do que agredida, né? Assim, é muito, sei lá, eu desde antes das redes sociais, desde que eu tenho 16 anos, eu falo sobre temas complexos.
Super.
Sabe? Tipo, e temas importantes, temas que tocam na minha existência enquanto mulher, sabe? Na sociedade. Então eu recebo às vezes coisas muito agressivas mesmo, sabe?
Mas eu acho que as redes também, elas trouxeram— eu queria também perguntar um ponto de antes das redes sociais tinha a questão de paparazzi, a questão de notícias e veículos, enfim. Quer mais água?
Quero.
E veículos e tal. E não tinha muito— hoje a gente tem uma emissora na nossa mão, né? Então você vai ali, você se defende, você fala o que você pensa, enfim, sua ideologia, enfim. Como você sentiu essa transformação de, sei lá, você sofreu algo antes das redes que você não tinha como se defender? Ou como, sei lá, alguma notícia falsa, alguma coisa que você falava, poxa, mas não é isso, eu tenho que esperar o próximo, a próxima entrevista, eu tenho que esperar o próximo, sabe?
Você teve alguma diferença? Hoje você se sente um pouco mais segura de poder contar sua própria versão?
A narrativa, é.
Sim.
Sim, acho que sim. Acho que isso é uma coisa boa das redes sociais, total. Assim, você tem um diálogo direto, né, com quem te acompanha. Isso é uma coisa sem dúvida nenhuma muito boa. Agora, eu dou graças a Deus que não tinha rede social na minha adolescência, porque— brincadeira, Deus me livre!
Eu acho que foi uma adolescência muito mais vivida, intensa, porque a gente não tinha também Eu não tive celular também adolescente, né? Mas não tinha com o que se preocupar, tinha que tirar uma foto pra... Gente, eu vejo hoje as adolescentes, amor, tudo é, tira uma foto aqui, faz não sei o quê, lá lá lá. Uma coisa completamente à parte, né? Não consegue viver aquele momento porque tá realmente preocupada no que vai postar, no que vai...
Não, e eu penso assim, cara, é uma idade que a gente já se preocupa tanto com o outro, né? Que assim, a opinião do outro, a opinião da turma, ser aceito. E aí eu fico pensando assim, caraca, como é que é você Você não existe você ser aceito por 3 milhões de pessoas. Não existe, não existe. Você não vai ser uma unanimidade. E aí esse lugar das redes sociais na adolescência é muito perigoso, porque sabe, você fica— as meninas, né, assim, eu tô falando de menina porque também é a minha, ali, meu, na minha casa.
Falei assim, cara, as meninas assim, elas não— é tão difícil esse lugar da menina gostar dela mesma, sabe? Assim, a menina se aceitar, a menina começar essa vida, né, de namorinho, de não sei o quê, de interesse, cara, é tão doloroso isso. E eu fico, as redes sociais só amplificam uma dificuldade, a comparação. Você tem alguma conversa com a Júlia em relação a isso assim, de rede social? Tenho total, porque na minha casa assim ela não tem tela, mas assim, não é, eu falo para ela porque, eu explico para ela porque, eu tenho conversas com ela sobre isso, sobre, e até falo muito abertamente com ela sobre Ah, sobre ansiedade, sobre esse momento da vida dela.
Falo muito a proteção à infância dela, tá com 12, né, assim. Então a gente também tem uma, enquanto sociedade, uma pressa de crescer. E eu falo, cara, você ainda tem 12 anos, sabe? E é tão legal, ela brinca ainda. Pode brincar, sabe? Ela se junta com mais criança, ela tá brincando de jogo, correndo. Eu falo, cara, Legal, sabe? Viver mais isso. Porque o celular, eu falo isso para ela direto, você vai ter celular daqui a pouco. E aí você não vai ter nenhum problema de, ai, não aprendi, não usei, não sei o quê.
Não, você vai. É muito intuitivo, né, assim, a tecnologia. Você vai tipo chegar ali, vai saber, vai usar, tá tudo certo. Mas assim, enquanto puder esticar esse momento, sabe, de brincar, de aprender, A se relacionar, porque eu acho que também tem isso pro adolescente. É um momento que você aprende a se relacionar. As amizades. Eu lembro muito de que, tipo, os meus... A minha vida, a minha escola começou a ser mais importante do que a minha casa.
Ah, super, né? A gente só quer ficar com os amigos, só quer saber... Com certeza.
Então assim, era um momento que você começa a aprender isso, assim, né? Aprender como é que é, como é que funciona. Se eu faço tal coisa, o que isso acarreta? E nas redes sociais você não tá aprendendo isso, porque não é um para um a relação, ela é intermediada. Então assim, eu falo para ela, cara, é importante esse momento agora viver analógico.
E ela entende, super aceita?
Ela entende, às vezes ela aceita, às vezes ela não aceita.
Os amigos têm ou não?
Tem vários amigos que têm, várias amigas que têm, várias.
Nossa, e é difícil se manter firme quando a galera já tá, né?
É difícil, é difícil, mas assim Existem muitas pesquisas falando do quanto isso faz mal na idade dela. E assim, eu não acho que ela vai ser, ela está sendo excluída por causa disso, sabe? E é óbvio que assim, ela é uma pessoa digitalizada, né? Ela tem computador, ela pesquisa, ela tem. Isso é uma coisa que tem que ensinar, né? Como se comportar. Assim como antigamente a gente, né, as mães ensinavam como é que anda na rua, para atravessar.
Eu lembro, tipo, sei lá, uma vez minha mãe, a gente tava atravessando o sinal, minha mãe falou assim para mim uma hora, se cair alguma coisa sua atravessando o sinal, você nunca volta para pegar. Você chega do outro lado. Aí eu falei, mas por quê? Porque pode abrir o sinal e alguém atropelar. E alguém te atropelar. Eu falei, sabe, você tem que ensinar isso da internet hoje em dia.
Super.
Você tem que falar regras que você Né, você tem que ensinar esse comportamento. Então assim, eu tô ensinando isso para ela, mas não numa rede social.
Menina, minha filha de 6 anos, ela fica, ela fica todos os dias perguntando quando é a hora dela ter um tablet. Ela aí, quando, quantos anos que eu vou ter um tablet? Ô minha filha, não vai, não vai ter. Aí ela vê o meu, ela fica, e esse aqui eu posso usar?
A Júlia fazia uma coisa muito boa, que toda vez que eu vou trocar de celular, ela fala assim, agora esse antigo vai ser meu.
Ai, bonitinha! É verdade que tem isso, é verdade. Eu ganhava da minha irmã também. A gente A gente tem uma dinâmica sempre aqui e a gente preparou uma para você que é o seguinte, se chama O Povo Quer Saber. Não é nada polêmico, mas colocamos seu nome no Google e a gente viu o que a galera pesquisa sobre você.
O quê?
Vamos lá. Primeiro, Leandra Leal filhos. Primeira coisa que aparece vem filhos.
É isso, né? A coisa mais fofa do mundo.
Você fala muito, mostra muito também, né?
Não mostro, não mostro bem pouco.
Não, tipo, a gente sabe quem são. Sim, mas você não mostra o dia a dia?
Não, não mostro dia a dia e posto pouco assim eles. Mas de vez em quando assim, tipo, eu fui no Rock in Rio com a Júlia, postei. Não é uma regra, mas não mostro muito. Mas assim, eu falo muito sobre maternidade porque eu sou mãe, gente. A pessoa quando vira mãe, acabou, acabou.
Se encontra, amor, deixa a gente 5 horas numa rodinha. De mãe, acabou.
Ou eu falava antes de ter filha, eu nunca vou ser aquelas mães que só ficam falando de filho, que mostra celular com foto. Corta hoje eu, aí olha aqui, eu fico o tempo inteiro.
Daí todo mundo entende, tá tudo certo, a gente perdoa e gosta, né? Próximo. Leandra Leal tirou a pinta da boca.
Tirei, gente! Quando? E aí eu tirei, minha filha, já tem muito tempo.
Jura?
Já, cara.
Olha isso agora, que beleza!
É, e aí tem vários lugares que eu tô que a pessoa fala assim, ela parece com a Leandra Leal, mas não é, porque a Leandra tem aquela pinta.
Que loucura, é verdade!
Eu tirei, cara, em 2017, já tem um tempo.
Foi assim uma pressão, uma coisa estética ou saúde?
Não, é porque essa minha pinta ela foi crescendo. Ela até— eu tenho uma pintinha aqui, se você ver assim pequenininha, e eu adorei, que eu falei, ah, ela vai nascer de novo! Mas na verdade ela foi crescendo. E aí minha dermatologista Doutora Denise Marcelos, que eu amo. Ela foi, essa pinta ela foi crescendo para o lábio. A Denise falou, cara, ela tá tipo criando uma deformidadezinha no lábio. E ela falou, cara, se você não tirar agora, se for esperar ela crescer, pode ser que você fique com uma depressãozinha.
Depressão, exatamente isso. E aí eu falei, ah, bicho, eu não sou uma pinta, Né, assim, o que eu tinha super o apego. Mas é uma mistura.
Você tinha o apego?
Ah, eu tinha, vou tirar minha pinta, minha marca, tal. Aí depois eu falei, ah, gente, eu não sou isso assim, né?
A gente faz assim com o lápis, sabe?
Quando eu tirei, ficava assim, ai não, ficava assim dando uma coisinha.
Eu imagino, porque imagina quanto tempo. Você sabe quando eu era mais nova, eu, quando eu era adolescente, eu acho uns 12, 13, O meu sonho era ter uma pinta aqui. Eu fazia com lápis, assim, pegava o lápis da minha mãe, fazia aqui e ficava. Fingia que era minha.
Não, eu era muito apegada à minha pinta, mas eu tive que tirar porque ela foi crescendo. E aí, tipo, eu falei, cara, vai ficar estranho, aí vai ficar com a minha boca. Aí assim, até logo depois que eu tirei, eu tive até que fazer um preenchimentozinho aqui porque ficou um... Caraca!
Então tirou, gente, tirou a pinta.
Até falei tudo aqui.
Próximo. Leandra Leal, altura?
1,68.
1,68? É alta, na média. Qual será que é a média das mulheres brasileiras?
Não sei.
Também não sei. Depois a gente pergunta pro ChatGPT. Instagram, tá vendo?
Influenciadora.
Tá vendo como pergunta o seu Instagram? Gente, ela tá usando mais. Pode seguir ela lá que tá tendo conteúdo.
Ai, gente, pode seguir. Eu agora faço muitas coisas.
Nossa, eu perdi completamente, completamente. Eu perdi o costume de fazer story, de postar. Imagina, eu nasci na internet, né? Então era. E aí a galera que dá jeito falando, então deixa eu te falar uma coisa, amor, essa história de low profile, de ser chique, não tem como, amor. Você tem que trabalhar. Então eu tô lá postando, postei o que eu almocei, gente, vocês podem ver. Postei a hora que eu fui dormir, vocês podem ir lá ver.
Desde ontem eu tô postando assim. Ontem eu voltei Próximo. Leandro Leal, Grande Família.
Curioso. Ah, mas foi, foi, é, não, mas faz muito tempo, né?
Foi marcante para você?
Ah, foi, gente, imagina, é a Grande Família, né? Esses atores todos, foi clássico.
Deve ser muito legal fazer, né?
Era muito divertido, era muito divertido, era muito divertido.
Passava todos os dias?
Não lembro.
Também não lembro. Acho que era todos os dias à noite, não era? Porque eu acho que você— Ah, era por temporada.
Não, não acho que era todo dia, gente. Não podia, não tem como ser todo dia.
Vocês gravavam muito?
Não, às quintas. Às quintas.
É verdade, eu amava. Eu também amava, ficava esperando ansiosamente para assistir. Nossa, imagina, gente, gravar. Deve ter sido muito legal.
Não, foi muito divertido.
Uma fase nostálgica assim.
Não, foi muito divertido, foi legal e foi Aí foi assim, eu tinha acabado, eu tinha acabado um trabalho, agora não tô lembrando, mas assim, foi um momento assim de eu sair da Globo para fazer um filme, fazer O Homem Copiava, lembrei agora. E aí eu não quis fazer uma novela, aí fui fazer O Homem Copiava, queria fazer O Homem Copiava, eu era muito fã do Jorge Furtado também. E aí, e aí meu contrato com a Globo romperam, E aí logo depois me chamaram para fazer A Grande Família.
Aí foi um respiro assim, foi maravilhoso. Menina, como foi isso?
O quê?
Do contrato, de romper o contrato. Você ficou desesperada?
Eu ficaria. Não, eu hoje poderia ficar, mas na época, com 18 anos, amor—
Ah, você tinha 18?
É, amor, 18 anos a gente quer o quê? Quer fazer cinema.
Entendi, tá de pé, né?
Até hoje eu quero fazer cinema, mas assim, não tinha filho. Você tem que fazer, arriscar.
Nova, né? Tá certo.
Eu não tinha filho, não tem nada.
É verdade, muda tudo, né?
Amor muda tudo, tudo.
É até o medo de avião. Eu não ando nem montanha-russa. Brincadeira, ando sim, mas dá um nervoso. Vou lá falando, ô Deus, por favor, agora não. É só uma montanha-russa, tem um papo. Próximo. Leandro Leal, Bola Preta.
Amo meu bloco maravilhoso. Seu bloco é o Bola Preta? É o—
gente, me veio, falou Bola Preta, eu pensei que era da pinta ainda, juro. Nossa, viajei. Falei, vai de novo?
Bola Preta é um bloco de carnaval, mulher.
Ai, meu Deus, conte.
É o maior bloco. Tem essa rivalidade, né? O Bola Preta e o Galo da Madrugada, qual é o maior bloco? Mas o Bola Preta é o bloco mais tradicional assim do Rio de Janeiro, é fundado em 1918, e eu suporto o estandarte do Bola Preta há quantos anos? Acho que há 15 anos. E é, para mim é uma felicidade porque eu sou muito carnavalesca.
Você é muito?
Muito.
E esse bloco é de manhã?
É 7 da manhã.
Menina, vamos conversar sobre isso. Da onde veio essa ideia das 7 da manhã?
Nós saímos desde 1918.
Então, por que será?
Porque é bom pular carnaval de dia.
7 da manhã?
Eu amo pular carnaval de dia.
Sério?
Sério.
Nunca consigo nos bloquinhos do Rio porque, ah, meu Deus, 7 da manhã!
Eu amo pular carnaval de dia, é muito bom.
Eu queria abrir essa discussão com vocês.
Amor, isso é maravilhoso!
O que vocês acham, gente? Sei lá, umas 10?
Não, mas já vê o sol já.
Não. Ah, é o sol.
Não, é ótimo pular carnaval de manhã, eu adoro. Calma, deve ser pelo sol Não sei qual é a parada específica assim, confesso, não sei mesmo. Mas assim, eu gosto de pular carnaval de manhã, eu gosto de acordar cedo, botar fantasia. Eu gosto de fazer algo que não é esperado.
É, ninguém espera 7 da manhã comer glitter já.
Exatamente. Eu não bebo, eu não bebo mais, mas eu antigamente, jovem, 7 da manhã abria uma latinha de cerveja, ia para o bloco.
Não, não consigo nem sonho.
Eu amava, amava. Hoje em dia eu não bebo, mas eu parei de beber já tem quase 4 anos. Mas eu adoro pular às 7 da manhã e ninguém diz que eu não tô bêbada, que a animação tá ali.
Caraca, eu admiro muito! Já tentei várias vezes, marquei, não, vamos no bloquinho.
Gente, é o meu carnaval, minha agenda de carnaval é sinistra. Eu tenho Sem Rival, que é sexta-feira, que é um bloco na frente do Rival. Aí a gente vai até tipo meia-noite, 1 da manhã, Sábado de manhã, de manhã não, de noite. Sem Rival é um baile que abre o Carnaval, tá? Então ele é um baile que começa assim 6 da tarde. Então a galera que tá no centro trabalhando já sai e já fica ali, começa a entrar no clima. E eu acho que ele é bem isso, ele é bem a fronteira assim do tipo começando o Carnaval, sabe?
É muito gostoso, tem concurso de fantasia e tal. E aí a gente sai do Sem Rival meia-noite, por aí, cara, 5 da manhã, durmo pouquíssimo, eu tô levantando para me maquiar, me arrumar para o Bola, porque o Bola, eu tenho um cargo na corte do Bola Preta, né?
Tipo, é um, tem que estar chique, tem que estar, né?
Maria Rita, Paula, tipo, só a gente. Então tem que estar. E aí a gente vai para o Bola, e aí eu fico no Bola até 1 da tarde. E aí depois eu vou para rua viver a rua, viver a rua. É maravilhoso, eu amo. E aí é meu dia de improviso, que é no sábado isso, né? Aí eu vou para o improviso, aí onde te chamarem você vai.
E aí domingo?
Aí domingo depende se a mangueira sai ou não. Eu gosto de ver a mangueira ou então sair na mangueira, mas também eu saio Qualquer escola me chamar, eu saio.
Você gosta do carnaval?
Eu sou mangueirense, mas eu sou mesmo assim, choro no desfile e tal.
Ai, as cores da Mangueira, para mim, tipo, tudo é lindo assim. Nossa, eu amo essa combinação.
Eu sou super mangueirense, mas eu amo desfilar. E um bom enredo, eu saio.
Entendi.
Bom enredo, eu saio em qualquer lugar. E aí tem o Cacique de Ramos também, que eu amo, que é o meu bloco também, que eu vou todo ano, que é domingo, segunda e terça, ele sai. E o cacique sai à noite, o cacique sai à noite. Na verdade, Carnaval, amor, você dorme pouco.
Até é só 5 dias, né?
4 dias, 5 dias, você pula o tempo inteiro. Mas tem esse lugar assim, você vai pular na rua, é mais cedo, na avenida é mais tarde, né?
Mas eu acho que o Carnaval, eu nunca vivi esse Carnaval do Rio assim da rua, eu sempre vou para o Sambódromo mesmo, mas nunca desfilei.
Mas não, você tem que desfilar.
Nunca desfilei, você acredita, gente? Vou viver essa experiência. Já começou a preparação? Quando é que você começa a preparação? Ou você vive isso do Carnaval antes, ou é mais perto?
Eu nunca parei de me preparar.
Você tá sempre pronta para o Carnaval?
Que tem uns ensaios quando você vai sair junto na desfilação, você vai ensaiar tal, tem os ensaios de rua assim. Assim, quando eu falo, cara, esse ano eu quero sair, né, desfilar, aí você tem que isso, tem que participar.
Na quadra, né, tem vários eventos.
Tem que participar minimamente assim.
Mas eu acho muito legal falar disso, porque quem não participa, não faz parte, acha que é ali o dia, só o dia, né, o dia do desfile. E começa muito antes, imagina, não para, né, o ano inteiro.
Carnaval é uma— vamos começar outro programa agora, porque Carnaval é assim eu acho a utopia, assim, como eu imagino que a sociedade poderia ser, sabe? Esse lugar de você ocupar as ruas, de você conviver com pessoas muito diferentes. Hoje em dia a gente tá falando um negócio de timeline, dessa polarização, tudo, cara. Carnaval você convive com as pessoas e você conhece as pessoas fantasiadas, e normalmente você se fantasia de tudo que você imagina, né, de tudo que você gostaria de ser, de tudo que você gostaria de mostrar.
E aí você conhece as pessoas, elas apresentando a sua melhor versão e se permitindo, né, se permitindo viver isso. Você convive com pessoas que você nunca conviveria numa timeline, sabe? Você é livre, é liberdade, é incrível. Eu amo Carnaval. Eu acho que assim, o brasileiro tem uma tecnologia única que é saber fazer festa. É verdade, isso é ouro hoje em dia, que é, né, toda essa coisa de inteligência artificial, de não sei o quê, de pouco convívio, cara. Saber celebrar, isso é uma dádiva, é daqui mesmo, é nosso, sabe?
Ó, que orgulho! Tem perguntas para você. Ai, fala, cadê a Para mim aqui não chega. Eu vou ligar o AirDrop. Pera aí, pera aí que eu não sou tão tecnológica, gente. Tô ligando o AirDrop aqui. Perguntaram se O Homem Que Copiava tá na lista dos melhores filmes que você já participou e como foi ter feito.
Ai, com certeza, com certeza. O Homem Que Copiava, assim, o Jorge Furtado, ele é um cara que eu admirava muito. Ele tinha feito, assim, foi o primeiro filme, né, dele. Na verdade, Dois Verões acabou que veio antes, mas ele tava ali desenvolvendo os dois ao mesmo tempo. E ele tinha dirigido um curta que é Ilha das Flores. Que é um curta muito famoso, muito premiado. Eu tinha visto no colégio e eu era muito fã dele assim, sabe, do que ele escrevia, das coisas dele.
Aí eu lembro que eu tava numa festa e o Jorge e a Nora, a mulher dele que é produtora, chegou para mim e falou assim, cara, então eu tô desenvolvendo um filme que eu penso em você para fazer. Eu quase morri, falei assim, gente, fazer um filme do Jorge Furtado, caralho! Eu falei assim, gente, que loucura! E aí a gente foi para— eu fui para Porto Alegre, né, depois conhecer ele e tal. E ele tem uma produtora, né, que é a Casa de Cinema, que é uma produtora que é um sonho assim, muito, muito humana nas relações, sabe, também tipo com muito respeito, sabe, pelo processo, pelas pessoas que trabalham.
E eu, cara, Fiquei muito feliz assim de estar podendo trabalhar com o Jorge, com aquele elenco. Conheci um grande amigo meu, né, que é o Julinho, o Julinho Andrade. É um cara que, pô, sou madrinha do filho dele, é tipo meu compadre até hoje, assim, uma pessoa muito importante na minha vida. E o Lázaro também. Então assim, foi um filme muito marcante na minha vida assim, da carreira também, né, na minha carreira e na minha vida mesmo assim. Pessoal assim.
O que você faz? Nossa, eu tenho uma curiosidade minha, que já que você não é muito, você consome muito as redes sociais ou não?
Cara, não.
O que que você faz nas horas? Eu sei que mãe, mulher, isso aí é muito difícil, não tem um tanto de hora vaga. Mas quando você tem um tempinho livre assim, você consegue ter algum hobby?
Ah, eu tenho. O quê, cara? Eu faço muita coisa manual.
Ai, nossa, eu acho tão chique! Nossa, meu sonho!
Mas você não falou que é ansiosa?
Mas então eu tenho vontade de quebrar um negócio. Começa um crochê, a mão não consigo, daqui a pouco ela consegue, agora não dá.
Mas eu parei de fumar fazendo crochê, tricô.
Jura? É. Eu não sei, parece que eu quero já ver o negócio pronto logo e falo, e não vai acabar nunca, nossa senhora!
Mas aí você tem que, é porque você tá começando com peças grandes. Tem que começar com coisas rápidas.
O que que você faz de trabalho manual?
Ah, faço de tudo, amor. Tudo. Absolutamente tudo.
Eu vi que no aniversário você até montou tudo. Ai, mas é um dom, gente.
Acho muito chique. É porque na verdade assim, eu adoro fazer coisa manual. E a minha maternidade, esse rolê todo sem telas e tal, não sei o quê, passa muito por isso. Então eu tenho em casa, eu tenho uma mesa de ateliê, que aí eu faço muita coisa com a Júlia. Hoje em dia, minha maior felicidade é que a Júlia senta sozinha ali e ela fica horas fazendo coisas para ela. Inventa um negócio do photocard do grupo de K-pop, sabe?
Faz.
Aí faz um álbum de figurinha, não sei o quê, ela faz, sabe? Tipo, fica ali fazendo. Faz um presente para uma amiga, para mim, Isso é muito— eu amo fazer coisa manual e faço crochê, faço tricô, bordo.
Cerâmica, essas pinturas?
Ainda não fiz cerâmica.
Ai, minha irmã faz, que é tão legal!
Eu tenho vontade de fazer, tem mó vontade de fazer.
Eu fui fazer uma vez no aniversário pintura de taça, ficou horrorosa.
Não, amor, você não tá entendendo.
Não serve nem para botar uma planta dentro.
Juro, juro, juro. Mas eu falo, eu falo quando a pessoa fala que quer começar, eu falo assim, cara, pega uma receita, sabe? Compra o kit, tem, vende isso agora. Assim, você compra o kit, gorro, gorro é facílimo, e faz uma coisa simples, sabe? Assim, que vai ser, que você vê rápido o resultado. Aí a pessoa chega e fala, eu quero fazer uma colcha.
Amor, não vai.
É, você vai ficar tipo uma novela fazendo uma colcha. E eu já fiz isso, mas assim, era uma proposta. Eu vou fazer durante a série A Vida para frente. Eu tenho muito isso, eu faço assim às vezes uma colcha de um trabalho. E aí, legal, e aí é maneiro porque fica assim, ah, olha aquele, aquele trabalho, sabe? Tipo, é isso aqui, fica. Eu acho que essas coisas manuais, elas é o retrato do tempo que passou, sabe? Eu gosto, eu acho meio poético assim, eu gosto.
E minha avó fazia muito, minha avó costurava fantasia de carnaval. Nossa, então tipo, eu aprendi com ela muita coisa, gente.
Então isso é da minha Na minha família, minha mãe não costura uma meia. Meia tem um buraquinho, ela fala, não vou conseguir te ajudar, ou você usa assim ou você usa outra. E tem um outro, só nem botar uma linha na agulha.
O outro hobby que eu vou ter agora, porque eu agora botei assim, que é jardim.
Ai, que delícia!
Eu quero ser tipo uma horta, eu quero.
Que legal!
Eu quero ser a véia das ervas.
Conversar com as plantinhas.
Eu tô nessa missão.
Ai, isso é muito legal. Pergunta, mandaram as perguntas aqui da galera.
Fala.
Qual novela você mais gostou de fazer?
Ai, não tenho. Difícil, gente. Vou falar que foi a última. Adorei fazer Coração Acelerado, tipo, amei.
Fazia quanto tempo que você tava sem fazer novela?
Fazia 10 anos.
10 anos. Você sentiu alguma diferença? Muita tecnologia assim, ou não?
De processo, de tecnologia, de processo, é tudo muito digital, né? Eu sofri para caramba porque tudo é no aplicativo. Eu falo, gente, eu quero papel impresso, não consigo, não consigo. Aí eu falo assim, não, coisa do aplicativo, que aplicativo? A Globo tem um aplicativo, que chique! Aí os capítulos ficam lá, tudo fica E é super bom, é super bom. Mas eu, pessoa, sabe, papel, eu falo, não vai rolar riscar, né? Para riscar, canetinha, cores, um negócio manual ali.
Exatamente. Aí eu falei assim, cara, eu preciso disso, meu processo criativo passa por isso. Maior número de mulher também, mulheres na técnica, câmeras, mulheres do som. Isso foi muito legal também. Também. Mas muitas, muitas, é isso, um processo muito diferente também. Mas eu achei bom, eu adorei.
Não tive, agregou assim, não foi, cara, eu amei fazer novela, achei ótimo.
Acho que essa forma também de ver novela no Instagram das pessoas é gigante também, né? As pessoas ficam meio preocupadas às vezes com Ibope, mas eu falo assim, gente, a novela tá repercutindo Sabe? Essa coisa de recorte de rede é uma outra forma. Eu outro dia eu pensei nisso, gente, a internet também, as redes sociais, às vezes elas são uma grande sala de estar de VTV, sabe? Tipo de ficar vendo os recortes e sabendo o que que tá acontecendo.
É verdade.
E aí, sei lá, eu não acho ruim isso assim, eu fiquei curtindo. E novela, É tipo CrossFit. É no sentido que é o seguinte, é o exercício de maior intensidade que a gente, ou sei lá, não é CrossFit, é outro, sei lá qual é o esporte que você tem como atriz. Assim, é muito assim, você gravar, tipo, eu tive estúdio de 40 cenas, você gravar 40 cenas num dia Amor é muito difícil, eu imagino. E é muito. Então aí você vai ganhando essa musculatura, sabe? Você vai também curtindo, é uma onda, é uma onda.
E o negócio da internet é legal que chega para uma galera mais nova também, né, que talvez não tenha esse costume de assistir.
Não tem, não tem mesmo.
Ó, Cheias de Charme virou um marco gigantesco. Você tem noção do tamanho das empreguetes até hoje? Você ainda tem grupo? Vocês ainda têm grupo no WhatsApp e sonham com reencontro nas telinhas ou palco?
A gente fala isso direto, a gente adoraria fazer. Peçam isso. Eu sempre falo quando eu dou entrevista, falo, gente, tem que pedir. Entra lá no, sei lá, no Instagram da Globo, fala assim, eu quero. É muito legal, ia ser maravilhoso, ia ser muito legal. Eu amo. Eu e Thaís, a gente é muito amiga, né? E a Belly, cara, foi lindo reencontrar com ela agora. Uma das coisas mais legais dessa novela foi meu reencontro com a Belly. Foi, foi muito legal.
Quanto tempo faz de Cheia de Charme?
Nem sei, não sei, uns 15 talvez. Ó, isso aí, 15 anos, 14 anos quase. E a Belly, pô, cara, uma menina maravilhosa, maravilhosa, talentosíssima também, muito talentosa, linda, disciplinada, fenômeno.
De todos os papéis intensos que você já viveu no cinema e na TV, perguntaram se teve algum que foi realmente difícil de desligar a cabeça quando você chegava em casa, tipo sair do personagem, sabe?
Ai, cara, então o meu lugar virginiano assim, eu me desligo.
Consegue mesmo?
Eu me desligo, eu fico, é óbvio que você fica, eu falo que você fica numa neblina ali, sabe? Que você fica Mas eu acho que você, até para você fazer melhor, você tem que se desligar, viver outras coisas, sabe? Ouvir uma música. Ouço música, meus hobbies, eu adoro ouvir música. Agora tô adorando ouvir podcast.
Que legal!
Eu não tinha entrado ainda nesse costume, né? Agora tô. Então sei lá, acho que você tem que se desligar, tem que viver outras paradas assim, tipo ver filme, fazer coisas e depois voltar e ter ali o horário de estudar.
É isso aí. Como é que é para você decorar os textos assim? Você já, como já faz tanto tempo, você já vai de boa ou você tem o seu momento que você precisa estar sozinha, concentrada, ninguém fala com você?
Não, assim, eu quando eu comecei a trabalhar eu estudava, né, no colégio. Então eu acabei desenvolvendo uma parada que eu consigo estudar em situações muito adversas, porque eu tinha que decorar texto no recreio e eu tinha que estudar para o colégio no set. Então assim, isso é ótimo.
Com mãe, mãe, ô mãe, mãe, né?
Eu sou super tipo, mas eu preciso, o que eu decoro muito em cima da hora, mas eu estudo antes.
Eu sou assim. E você tem um negócio assim, decorou, gravou a cena, acabou, tirou do HD, né?
É uma memória, sei lá, para aquela hora, para aquela hora. Ah, então não tô me sentindo tão mal que eu sou assim, claro que acabou, claro, né? Mas você, como é que você vai ficar? Você vai ficar acumulando tudo isso? Eu não, não tem como.
Eu fiz um trabalho recente, não vou falar muito, né, para não, mas enfim, aí A cliente tava junto. E aí depois, e eu tenho assim, vai gravar o negócio ali, eu olho antes, tipo, já estudei ali antes, mas em casa, mas né, vai gravar, olha, ah tá, isso aqui, beleza. Aí ela foi dar um feedback que tipo, ah, ela nem sabia, tipo, ah, parecia que ela não sabia o que que, né, que que tava acontecendo, sei lá. Eu falei, gente, eu sabia e muito, mas não existe isso, a minha memória é assim, eu leio antes, falo, e depois é o próximo.
E aí eu falei, agora eu não vou poder mais olhar meu papelzinho, eu preciso olhar. Calma, não é que eu não sei, mas eu fiquei mal. Eu falei, ai meu Deus, e a garota feliz. Pelo amor de Deus, eu posso ler a sigla depois? Não, porque eu falei, gente, será que pareceu o quê? Que eu não sabia o que eu tava fazendo? Não. E pode ser que eu não sabia, sabe?
Mas deu certo. É, gente, também não, mas sei lá, eu acho que não. Eu acho que assim, poxa, você tá ali fazendo seu trabalho, cumprindo suas funções, e cada um tem um jeito, cada um tem uma técnica, né? Não é todo mundo que é igual.
Ah, essa é boa. Perguntaram se depois que você passou a dirigir projetos, o jeito de você ser dirigida por outros diretores mudou. Você fica se segurando no set para não dar pitaco técnico?
Eu acho que eu sou uma atriz melhor depois que eu dirigi.
Porque você pensa do lado da direção também?
Não, porque eu tenho mais consciência do meu processo, do processo do todo, do todo, entendi, sabe? Assim, eu contribuo melhor aonde eu posso contribuir. E eu tenho noção também de, né, eu super me jogo, aquilo que eu falei antes, né, que eu tipo vou lá, mergulho como atriz e pá. Mas eu também, eu entendo como é que eu posso contribuir para aquilo ali ser melhor, entendi, sem invadir também o espaço de ninguém. Porque a direção, ela tem uma coisa autoral.
Então assim, cara, Ah, eu faria de um jeito. É, mas quem tá fazendo é outra pessoa. Então, tipo, não quer dizer que o seu jeito é melhor, quer dizer, é outra pessoa. Então você também— e como atriz, você tem que ter muita consciência de como você pode contribuir com o sonho do outro e tornar esse sonho seu. Mas você tá contribuindo para o sonho do outro.
Nossa, verdade profundo, né? Ó, ó, fui lá Fiquei assim, é verdade. Perguntaram se a maternidade mexeu com as suas escolhas profissionais ou com o tipo de história que você quer contar para o mundo a partir de agora.
Gente, a maternidade mexe com o que eu escolho para o café da manhã, não tem como, né? Acho que tudo, mas com tudo, gente.
Mas consegue lembrar quem você era antes de ser mãe? Eu não me lembro sem filho.
Eu também não tenho muito, eu não lembro. Eu sei lá, eu, essa coisa, tipo eu voltar a ser o que eu era. Não existe voltar a ser o que você era. É, não existe.
Não é o mesmo de ontem, gente.
Vai ser depois de virar mãe, não tem como, gente. É tipo, eu acho que é isso, sei lá, tudo, tudo na minha existência passa por isso.
Perguntaram se tem algum personagem que você ainda sonha em interpretar.
Eu não tenho nada específico. De verdade assim.
Já fez bastante coisa também, né?
Não, ainda quero fazer muita coisa, mas sei lá, eu acho que eu gostaria de fazer, né, sei lá, clássicos assim, coisas do teatro que eu ainda não fiz muito, gostaria de fazer, mas não tem uma coisa específica assim que eu falaria não.
Você se imagina parando de trabalhar? Não, porque também não tem idade, né? Acho que não tem como.
Isso é muito generoso na minha Muito. Vai diminuir, né? Porque a idade do herói é agora, né? Ah, mas, cara, vou te falar, eu sempre tenho. Mas assim, eu enquanto mulher, durante um tempo eu fui uma das atrizes que mais fazia cinema. O número de protagonistas femininas é muito inferior ao número de protagonistas masculinos. Isso é um fato.
Caraca, mas você acredita que se eu for pensar em novelas, eu penso das—
eu penso novela é outro lugar, novelas protagonistas de filmes. Agora sim, é verdade. Agora tem um outro lugar que é, não, isso é, sei lá, você pega Shakespeare, tem mais protagonista masculino. Enfim, é isso assim. Mas se você for olhar por idade, isso aumenta muito mais. Quanto mais velha você vai ficando, menos histórias você vai ter contando. E é isso. Então isso é um processo que vai acontecer, mas estamos lá para mudar isso.
Vamos contar histórias de mulheres incríveis em qualquer idade, mulheres, né, com 50, com 60, com 70, com 80, que continuam fazendo coisas incríveis, continuam desejando, pulsando vida. Quer fazer isso, mas eu sou só uma, né?
Então tem dificuldade de falar não para projetos, para trabalhos?
Tem um pouco, porque quando o projeto é não claro, sabe, tipo, é fácil. Mas quando é algo que eu acho que pode ser interessante, eu fico sempre: ai, meu Deus, eu tenho que dar um jeito, tem que fazer, porque ter esse lugar, né, também dentro assim de falar, ai meu Deus, será que isso vai aparecer de novo, sabe? Tipo, e aí agora se eu não aceitar esse, exatamente, é tipo, tem essa angústia assim.
Mas já aconteceu você falar sim, aí você tá no projeto e aí chega um outro que você fala, meu Deus, eu vou perder! Que aí deu uma arrependidinha assim, falar, devia ter.
Ah, já aconteceu uma vez, já aconteceu uma vez isso comigo. Aí você perdeu o outro, perdi o outro, mas Mas foi muito legal o que eu fiz também, acabou sendo muito legal assim. Mas já aconteceu isso, já aconteceu.
É doido, né? Porque a gente não tem certeza de nada, aí você fala vamos, talvez não queria.
Tem que confiar, né?
Deixa eu ver, tem as duas últimas aqui, que é a primeira: quais são suas inspirações nacionais e internacionais?
Ah, eu acho que tem muitas mulheres incríveis no Brasil, muitas. Sei lá, minha mãe é uma mulher incrível, Beth Mendes é uma mulher incrível. A gente tem muitas mulheres incríveis assim mesmo. Eu acho que fora do Brasil, sei lá, tem atrizes que eu que eu sou muito fã, Meryl Streep, sei lá, sabe, atrizes que eu acho incríveis. Mas atriz também da minha geração, a Jennifer Lawrence, eu acho ela incrível. Claire Danes, sei lá, tem várias atrizes também gringas que eu acho incríveis.
Bom, tem a última, que é um sonho profissional e pessoal que você realizou esse ano.
Tem algum esse ano? Ah, esse ano eu comprei minha casa no Rio, no Rio, né? Isso foi um grande sonho assim que eu realizei em família, fruto do meu trabalho. Então tipo, foi um grande sonho. E eu acho que, cara, ter feito a novela, lançar o filme, com os meus filhos bem, com saúde assim, isso para mim É muito valoroso assim, né? Quando você vê isso, você fica sendo mãe assim, você fica muito querendo viver a sua expressão, mas também que todo mundo fique bem, né?
Assim, claro.
Então isso rolou, foi bom.
Que demais! Eu acho que antes da gente encerrar, você podia também falar dos próximos projetos, que você falou que tá fazendo outras coisas também, além de Antártida. A gente vai assistir no cinema Já tá lá.
É isso aí, já tá em cartaz.
Já tá em cartaz, vai assistir. E conta o que que vem por aí, quais são os próximos projetos.
Cara, eu vou assim, imediato ainda não posso falar. Eu posso voltar aqui depois? Pode, lógico.
Olha, gente, tem isso também do meu lado de blogueira, que tem o suspense, né? Que é vem aí. Você sabe esse meme?
Não.
Então é tipo, vem muito aí, gente.
Não, eu vou fazer uma série que eu ainda não posso falar. Que legal! Que é isso, mas atuando, produzindo, dirigindo. Eu tô desenvolvendo dois longas que eu— só que isso aí demora mais, né? Assim, que é um, é sobre a vida da Beth Mendes, da atriz, e ela tem uma história de vida fantástica. E eu vou dirigir junto com Bruno Safadi, que é o diretor de Antártida. E aí vai ser bem legal. E aí a gente tá desenvolvendo esse ano, a gente foi para um laboratório de roteiro, a gente tá 2 laboratórios, a gente tá.
A Rita, minha sócia, que escreveu a série A Vida Pela Frente, tá escrevendo. E aí tem um outro longa também que eu tô desenvolvendo. A gente assim não para, não, não paro. Tem o Teatro Rival Petrobras lá no Rio também. Entrem nas redes do Teatro Rival, sigam. Temos uma programação incrível. É o teatro mais antigo da iniciativa privada do Brasil, do Brasil, do Brasil. Vai fazer 94 anos ano que vem.
Achei que você ia falar do Rio.
Não, amor, amor, um teatro completar 94 anos no Brasil é um ato heroico, com certeza.
Parabéns, você faz parte disso.
Faço bem pouquinho, mas faço. Mas é lá, minha mãe que tá lá, enfim. Então tem lá o rival, enfim. Eu tenho, é isso, eu tenho uma produtora, tem um teatro, eu fico fazendo coisa, criando coisa, mexendo. Ai, me mexendo total. E aí com tempo, pouco tempo para fazer jardinagem, mas vem aí também, vem aí a horta. Meu projeto agora é uma horta. Eu quero, porque agora eu vou morar numa casa e eu tô assim, eu quero, a minha casa ela vai ser sustentável.
Já botei placa solar, captação de água de chuva, e aí agora eu quero produzir minha feira.
Meu objetivo, que máximo, é as folhas, a salada já dá.
É isso que eu quero. Salada é difícil, É difícil, parece que é, não sei.
E eu achando que o tomatinho cereja era bem fácil.
Tomate dizem que é dificílimo, ou é fácil, não lembro. Ainda não fiz o curso, eu vou fazer. Vem aí, vem aí meu curso! E aí eu vou descobrir tudo isso. Mas parece que folha é difícil.
Ai meu Deus, eu não faço ideia, não faço ideia.
Não, mas eu sou uma ótima mãe de plantas. Até então não, mas quem sabe, quem sabe. É.
É verdade, amor. Nem a jabuticabeira da minha varanda, que eu abro a janela e já vou lá molhar, ela não sobrevive. Coitada, não sei o que acontece. Acho que eu preciso mudar o vaso.
Coitada. Talvez o vaso, talvez a posição, pode ser o sol, né?
Ou ela, questão de energia. Tô brincando.
Não, não, não, não, não, não, não.
Ai, mas muito obrigada, viu? Foi um prazer te receber.
Super prazer.
Ai, prazer é todo meu. Eu fiquei muito feliz de saber mais de você, assim, uma honra. Parabéns por tudo, pela carreira, pela mulher, pela história, por tudo que você representa.
Eu que agradeço esse espaço de luxo aqui. Imagina, é incrível aqui.
Imagina, eu que agradeço.
Falei demais, inclusive, você pode cortar.
O que que você quer cortar que a gente corta? Tô brincando, gente. Muito obrigada, espero que vocês tenham gostado, viu? Já aproveita, vai seguir a gente aí nas redes sociais, se inscreve no canal, E vai para o cinema, tá? Vai para o cinema aqui, ó, nessa aqui, ó.
Vai ao cinema ver Antártida, filmação brasileiro. Eu vou, cara, você vai gostar, sério.
Com certeza eu vou gostar. Bora, gente, todo mundo, hein? Postem e marquem a gente para saber que vocês estão indo lá no cinema, tá? Um beijo, até mais, tchau!