Episódios de PODDELAS

MaterniDelas - Julia Sousa com Tata e Cláudia Raia

20 de maio de 202643min
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No MaterniDelas de hoje, recebemos Julia Sousa para um papo sincero sobre maternidade, amadurecimento e transformação. 🤱

Entre desafios, descobertas e a chegada da pequena Tiana, ela conta como nasceu uma nova versão de si mesma junto com a filha. 💖

Não perca!

Assuntos9
  • Gravidez contra as oddsExpectativas vs. realidade do parto · Pressão alta durante a gravidez e parto · Pré-eclâmpsia e riscos · Cesárea de emergência · Importância do plano de parto e doula
  • Vínculo emocional com São PauloDificuldades na amamentação · Término do relacionamento pós-parto · Depressão pós-parto e isolamento · Sentimentos contraditórios sobre o bebê · Superação e busca por força interior
  • Desafios da MaternidadeDescoberta da gravidez e medo inicial · Apoio familiar e terapia · Amadurecimento forçado pela maternidade · Impacto na vida social e pessoal
  • Primeiro Trimestre da GravidezSintomas de gravidez e desconfiança · Uso de anticoncepcional e gravidez · Teste de gravidez e reação · Contar para o pai e família
  • Ogum como orixá do arrependimento e do aprendizadoA importância de se escutar · Medo de decepcionar os outros · Estabelecer limites
  • Autocuidado e MaternidadeMudança de prioridades e autopercepção · A importância de se cuidar · Viver por si mesma e pela filha · A influência da maternidade na identidade
  • Interação Pai e FilhaInício do relacionamento e descoberta da gravidez · Reação do pai à gravidez · Conflitos durante a gravidez · Divisão de guarda e convivência atual
  • O nome Tiana e sua inspiraçãoInspiração no filme da Princesa Tiana · A raridade do nome
  • Fatores que influenciam a decisão de ter filhosVontade de
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Oi, gente! Tudo bem? Ai, mais um episódio de Materne Delas pra vocês. Muito feliz de estar aqui com a minha dupla, Claudias. Espero que vocês estejam gostando. E eu tenho saudade dela, gente. Porque eu tenho dor física de saudade. Ai, a gente já, né? Vocês sabem essa relação? É, rola furinho, gente. Então já começa se inscrevendo nesse canal, tá? Deixando o like, compartilhando o vídeo, todas aquelas coisas. Tá aparecendo nas nossas redes sociais também. Segue aí, arroba tatá, claudia rai. Nem preciso falar, né?

Já vai aparecer, você vai seguir agora, arroba poddelas em todas as redes também. Muito obrigada. E agora, vamos falar da nossa convidada de hoje? Vamos.

Imagina estar em uma fase da vida em que você ainda está entendendo quem você é, o que quer e para onde está indo e de repente também precisar aprender a ser mãe. É uma loucura, né gente? Porque a maternidade traz amor, vínculo e transformação. Mas também vem com dor, medo, responsabilidade e um amadurecimento.

Que muitas vezes acontece antes mesmo da gente se sentir pronta. E no fim do dia, mesmo quando assusta, ela também constrói, fortalece e muda a vida inteira de lugar. E a nossa convidada de hoje, ela viveu tudo isso muito cedo, em meio à transição da adolescência para a vida adulta, a descobertas e a muitos desafios ao mesmo tempo.

A maternidade não chegou da forma como ela imaginava, mas transformou completamente a maneira como ela passou a olhar para si, para a vida e para o futuro dela e da sua princesinha. Entre as dores de uma gestação difícil e um amadurecimento que veio antes do tempo, ela encontrou na filha uma nova força, um novo amor e uma nova versão de si mesma.

E hoje ela também ajuda outras mães a mostrar nas redes sociais a realidade da maternidade, sem romantizar, mas com muito amor envolvido. Porque como diz o ditado, nasce um filho, nasce uma mãe. Seja muito bem-vinda, mamãe da Tiana, Júlia Souza!

Tudo bem, gente? Nossa, quase me emocionei. Ai, aqui todo mundo chora. Ai, velho, eu não vou chorar. Eu prometi pra mim mesma, mas já tô tremendo. Menina, mas é que eu sou mais chorona nesse programa aqui. Sério? E eu sou a capricorniana que fico tentando segurar o programa. Eu sou Libra, então assim… É, vai chorar. Vai chorar, vai chorar. Vamos, vai, feijão.

Nossa, é muito emocionante. Acho que às vezes a gente vive uma história e não se enxerga, né? Naquele... Aí dentro. É difícil a gente sair e conseguir se enxergar de fora, né? Super. Você tá ali vivendo e não tá percebendo a dor. Eu não tenho noção de nada. De nada. Eu pergunto pras pessoas. As pessoas falam pra mim, tipo, tá tudo bem? Você tá conseguindo? Ah, gente, tô indo. Gente, mas peraí. Você tem 22 anos. Tenho. É uma loucura. 22 anos.

Você é mais nova que a minha filha. Sério? É a minha filha do meio, tá? Porque o mais velho tem 29.

É muito jovenzinha pra viver tudo isso. Como é que você deu conta, garota? Eu tô dando conta ainda porque é minha obrigação, né? Tipo, eu sou mãe, não tem muito que eu faça pra onde fugir. Então eu só vou deixando levar. Minha mãe também teve com 20, 21 eu. Então eu tô meio que na base dela também, né? E aí eu só vou levando como minha obrigação mesmo que é.

E é isso, até o dia que eu conseguir, até o final, aguentando. E a gente consegue, né? Claro. Todo mundo consegue. A gente dá conta. Tem mãe que tem cinco filhos e consegue até hoje, então por que eu não conseguiria, né? Como foi, assim, pra você? Você relatou que você descobriu com três meses já, né? Foi uma gravidez planejada?

Não, não foi planejada. Tipo, aconteceu, aí eu descobri, daí eu fiquei nervosa, fiquei com medo, aquele pensamento todo, né? Que a gente se culpa por esses pensamentos de medo. Mas é algo super normal, super comum, eu entendi isso depois que eu faço terapia, né? Se não fosse isso, também. Meu amor!

Uma vida sem terapia não existe. Não tem como. Eu acho que aí eu teria enlouquecido já faz tempo. Aí eu comecei a pensar com medo, mas depois eu entendi que, tipo, eu precisava ter medo, sabe? Não é o bicho de sete cabeças, é difícil. Mas se a gente tentar fazer, né, ali da forma que for melhor pra mim e pra ela, tudo dá certo e eu faço isso. Mas me diz uma coisa, você não foi planejado porque você também não sentia segurança no relacionamento?

Não, não sentia. Mas é que eu pensava que eu queria ter filho só quando eu casasse com uma pessoa que eu tivesse a certeza. Só que aconteceu. Aí, quando aconteceu, eu fiquei com medo. Só que eu acho que era mais medo de ter uma vida dependendo de mim, que eu era muito nova e eu ficava, meu Deus do céu, vou ter que cuidar dela e de mim, sabe? Era mais sobre isso, eu acho, do que relacionamento. Mas desde o começo, seus pais te apoiaram também.

Sim, eles ficaram com medo, né? Eles ficaram tipo, não, Júlia, o que você foi fazer da cabeça? Mas, depois que passou um tempo, aí eles falaram, não, a gente quer ajudar. E eles me apoiam até hoje. Eles são sua rede de apoio firme. Muito, muito. Quais foram os sintomas? O que você teve que você desconfiou? Alguém falou pra você? Você sentiu mudança de humor? Então, eu fui pro Rock in Rio.

E aí eu tava lá curtindo, né, a vida doidada, aí eu senti uma cólica muito forte. E um cansaço. Eu queria ficar sentada. Falei, gente, nossa, dormi, né, eu cheguei de viagem, tá tudo bem. Você passou com 20 anos. Fala, pega agora. Fala, que isso, uma cólica, eu quero sentar?

Aí eu ficava sentada, dor no pé. Falei, gente, tá estranho isso aqui, dor nas costas. Aí eu fui conversar com uma gestante, que era a namorada do meu primo na época. E ela falou, ó. Falei, nossa, tô sentindo uma dor aqui, acho que é o meu rim. O rim nem é aqui, gente. É, o rim é aqui, que loucura. Ai, que dor no meu rim. Aí ela falou, nossa, eu comecei assim, quando eu tava grávida. Falei, oi? Ela falou, é, foi sentindo cólica aqui embaixo.

Falei, será, gente? Aí ela falou, quando que desceu? Falei, ah, já faz um mês que não. Ela falou... Falei, ah, já faz um mês que não.

Você nem desconfiava. Sua menstruação era regulada assim ou não? Porque a minha, amor, é assim, né? É assim quando quer. Eu tomo anticoncepcional. Então, tipo, eu só tenho a menstruação quando eu dou pausa. Então, você engravidou tomando anticoncepcional? Não, é porque na época que eu era doida. Então, tipo assim, eu saía, bebia. E o efeito do álcool, ele dá uma cortada.

Entendeu? Eu não sabia. Vocês sabiam disso, gente? Eu não sabia. Tem gente que fala. Eu acredito que é isso. Não é antibiótico que tem? Acho que não. Não, não é antibiótico. Não sei, mas eu... Você tomava certinho?

Não. Não. Ela falhava. Ela falhava. Sim ou não. Tipo assim, eu deixava falhar algumas vezinhas. Bem pouquinho. Mas não pode esse negócio de falhar. Isso, não pode. Só que a minha ginecologista falou, ó. Se você deixar de tomar um dia, não vai ter problema. Se você continuar tomando nos outros dias. Eu falava, tudo bem. Só que eu acho que foi neste dia que eu deixei que aconteceu. Pelos cálculos, entendeu?

Mas eu levava a vida doidada, bebia muito. Então eu achava que era por conta disso que me falavam que cortava. Aí eu achava que era por conta disso. Você tá falando que não, então não deve ser. Eu acho que não, gente. Se não é assim, o que é que a gente tem? A gente não é médica, mas a gente acha que não. Então eu vou confiar. Então realmente, eu dei uma falhada. E aí eu também, quando é nova assim, pelo menos eu, tinha na minha cabeça e várias meninas da minha idade conversam sobre isso que acham que não vai ter filho. Não, eu sou infértil.

Não vou ter. Por quê? Porque, tipo, acha que filho é fácil fazer. E aí, quando você vê que não engravidou, você fica, ah, não, tô tranquila, então. Então, eu achava que eu não podia ter filho, eu falava, não, tranquilo, não tem. E aí, do nada, foi e eu tive.

E aí? E aí? Tá, e você fez o teste no Rock... No Rio de Janeiro? No Rock in Rio. Não, porque... No banheiro do Rock in Rio. Não, porque assim, tá no Rock in Rio no Rio de Janeiro. Sim. E aí, você tava lá? Tava. Aí eu fui pro meu tio, e aí eu passei mal, vomitei, e aí eu falei...

É. Aí eu comprei o teste. Na hora que ela falou isso, eu tava sentada numa mesa de jantar. Lá no Rio de Janeiro, é isso? Então foi no Rio de Janeiro. Foi no Rio. Aí eu olhei assim, tinha uma farmácia na minha frente. Falei, ih, vou ter que comprar. Fui lá, comprei o teste. Fui pra minha casa. Todo mundo lá curtindo e tal. Aí eu peguei e fiz o teste. Quando eu fiz e deu positivo, eu filmei tudo e postei. Foi assim, uma cena super engraçada, porque eu não esperava. Então eu tava com um coque aqui no meu cabelo. Tava horrível.

E aí eu coloquei assim, achei que ia dar negativo e deu positivo. Aí eu fiquei super nervosa, nossa. Aí contar pras pessoas, contei primeiro, né, pro pai da criança, mostrei pra ele. Ele teve uma reação também super engraçada, que viralizou, todo mundo achou engraçado, porque ele achava que eu tava mentindo, que eu ia tá brincando com uma coisa dessa. E aí depois eu falei, não, meu Deus, o que que eu faço, o que que eu faço, não sei o que eu faço. Conversei com a minha psicóloga, ela me acalmou e falou, ó...

Eu acho que ela tentou só me... Tipo assim, ela sabia que eu tava grávida, mas ela tentou me dispersar. Ela falou, calma, é só um teste, sabe? Não é certeza. Dorme e amanhã você faz com calma mais dois. É, tentou te acalmar pra você dormir, né? É, pelo menos dormi, que eu tava muito nervosa. Aí eu falei, tá, calma. Não é certeza que eu posso pensar disso agora. Dormi. Quando eu acordei, comprei mais dois testes, dois positivos.

Aí eu falei... E a primeira pessoa que você contou foi o pai? Foi, porque ele tava lá.

Ah, tá. Eu sempre pensei que ia fazer uma surpresa. Falei, não, vou fazer uma caixinha. Não deu. Quando eu descobri, eu já comecei a ficar nervosa. Falei, meu Deus do céu, o que eu faço? Aí eu fui no quarto e falei, ó. Comecei a rir assim. Então, aí ele, não, você não tá. Falei, eu tô.

Ele falou, tipo, ele achou que eu tinha demorado bem, porque eu tava fazendo o número dois, aí ele, tipo, falou. É que, gente, eu não vou interpretar a cena do vídeo, porque no vídeo ficou engraçado, mas falar que vai ser estranho. Mas, tipo assim, ele ficou falando, aí foi um vídeo engraçado, a reação dele, tive que ajoelhar, falar assim, eu tô grávida. Aí ele travou, assim, com o teste na mão, ficou olhando. Daí eu contei pra minha amiga, que já tava grávida também, já tinha um filho, ela ficou super feliz.

Aí isso já me amoleceu, eu falei, ai, meu Deus, e agora? Aí eu liguei pra ver, vai pro meu pai, ficaram felizes, aí.

Mas me diz uma coisa, deixa eu te perguntar uma coisa. Você tinha vontade de ser mãe? Quando você era adolescente, criança? Você brincava de mamãe, filhinho? Tinha essa coisa? Tinha esse desejo? Eu tinha medo de, tipo assim, acabar não conseguindo ser mãe. Quando eu tinha 15 anos, eu falei, uma vez eu falei aqui ainda, que com 15 anos eu queria muito ser mãe, só que minha mãe falou, Não, gente. Amor, você vai viver ainda. Aí eu, não, mãe, mas aqui eu tenho medo de acontecer alguma coisa comigo, eu não ser mãe. Então, tipo, eu pensava, só que aí eu fui crescendo, eu falei...

vou ser mãe quando eu for mais velha. Eu teria sido, acho que com... Eu sempre falei, com uns 25 anos, com uns 27, mais maturidade. Mas acabou vindo antes e tá ótimo. Ah, e Deus sabe de todas as coisas. Sabe de uma outra nela. Filho é bênção. Deus me tomando. Graças a Deus você tem...

condição, tem estrutura emocional também nessa família ajudando, acho que... E eu sempre falo aqui que filho vem com um pãozinho na mão. É, que abre muitas portas. Sempre prover, sabe? Você vai ver muitas portas se abrindo pra você. Filho é bênção. É verdade. E também acho que muda você como mulher. Eu era totalmente, tipo assim, outra vida. Eu não tava nem pra nada. Sabe? Curtição. Acho que por eu ser nova, né? Não sei, eu não esperava que eu fosse ser mãe.

Então eu tava numa vida muito de curtição. E mesmo sendo mãe, eu poderia manter nessa vida. Só que eu falei...

Não tem como A gente muda as prioridades, né? E também dela ver, né? Quando ela crescer, ela vê a mulher que eu me tornei Ainda tô me tornando a mulher que eu quero ser Não me tornei totalmente Porque a gente é ser humano, né? Mas eu tô me tornando e eu quero que quando ela cresça Ela veja e fale, nossa, minha mãe é uma inspiração Que agora eu tô com uma frase, Tati Que eu vou falar aqui Não existe perfeição, nós estamos Em aperfeiçoamento

Isso sempre, até você desencarnar, amor. É só uma melhora, sabe? Agora deixa eu te perguntar uma coisa. A sua gravidez foi difícil? Muito. Me conta. Foi muito difícil. Assim, a gravidez em si, no começo eu passei muito mal, muito. E era escondida da internet, então eu tinha que sumir. Várias vezes eu sumiai, eu só ficava tipo...

Ah, mas ela tá preguiçosa, ela não aparece nunca, ela não tem ânimo pra gravar nada, mas era porque eu tava escondendo, e é muito difícil esconder da internet, porque, meu Deus, todo mundo puxa, toda hora puxa alguma coisa. Tipo, ela tá grave. E eu falava, gente, tô nada. E quanto tempo você tinha começado a trabalhar com a internet?

Já tinha um tempo forte? É que, tipo, faz muitos anos que eu trabalho com a internet, mas, assim, que eu tento, né? Que deu certo mesmo foi em dois mil e... O quê? Faz dois anos. Em 2023. Então você tava no seu auge, assim. Tipo, não que você não esteja agora, mas você estava tão já... Começando novidade, né? Pra mim, eu já estava super bem. Tava, assim, num momento. Só que depois só foi melhorando, né? Mas ali num momento, sim, eu tava e eu ficava... Gente...

Acabei de começar um relacionamento. Como que eu explico que eu estou grávida? Quanto tempo vocês estavam juntos? A gente estava ficando há uns cinco meses. Aí me pediu um namoro. Daí um mês depois do namoro eu comecei... Eu engravidei. Descobri a gravidez. E é um medo do julgamento, né? Sim. Aí a gente ficou uns dez meses juntos. Todo mundo acha que foram anos, mas não. A gente só ficou namorando por dez... Ia fazer um ano de namoro. Entendeu?

Faz um ano que a gente se conhece, né? Que a gente ficava e tudo mais. Mas assim, foi muito rápido. Ele pediu namoro no mês anterior, eu já descobri a gravidez. Aí eu fiquei, gente, o que eu faço? Mas eu não liguei tanto pro julgamento, não. Eu ligava mais da minha vida. Tipo, o que eu vou fazer agora?

Até que eu morava com a minha mãe e com o meu pai. Que a gente morava muito em house, né? Tem que ficar lá gravando o dia inteiro o conteúdo. E aí eu falei, mano, eu não posso. Eu tenho que ter minha casa. Eu tenho que ter o meu lugar com a minha filha. Entendeu? Sim. Então, assim, foi muito difícil porque eu passei muita coisa. Muita mudança de uma vez só, né? Muita.

E, tipo, teve vários momentos de conflitos também, né? No relacionamento, assim, enquanto eu tava grávida, então aquilo ali tirava totalmente a minha felicidade do meu momento de ser mãe. A leveza da gravidez. Era pra ser leve, mas não foi. E todo mundo falava, tipo, ai...

É um amor incondicional, eu não sei o quê, mas ninguém falava da parte ruim, tipo, o medo. Ninguém falava do trabalho que dava. Tanto na gravidez, eu falo na gravidez, tipo, aqueles enjôos, aquelas dores, aquele desânimo, aquela vontade de não se cuidar, porque você não...

Tem ganho pra se cuidar, sabe? Então eu tinha que me obrigar. Por eu ser da internet, eu me obrigava. E as pessoas falavam, nossa, ela sempre tá linda. Mas não tava sempre. Eu me forçava aquilo pra realmente chegar uma hora e eu falar, não. Eu tenho que me cuidar mesmo, sabe? Eu tenho que mostrar pra mim mesma que eu não tô acabada, entendeu? É só uma gravidez, isso vai passar. Aí eu comecei a gravar com a barriga mesmo. Comecei a ser eu mesma, usar as minhas roupas que eu usava.

Sabe? Aí eu fui atrás do meu apartamento. Coisa que eu tinha muito medo antes. Que eu falava, meu Deus, será que eu vou conseguir? Será que eu vou conseguir dar conta de um apartamento sozinha? Como que vai ser? E aí eu fui atrás. Mesmo assim, deu certo. Hoje em dia eu moro no meu apartamento com a minha filha. Tudo certinho. Quero me mudar pra um lugar maior, com o nosso cachorro também, que eu peguei dois cachorros, né? Não satisfeita.

Não satisfeito com uma filha. Uma criança. Uma criança enorme. Num apartamento. Num apartamento. Meu Deus. Mas é que eu sempre fui de apartamento. Eu não gosto de casa. E aí o meu sonho é morar num apartamento topo de São Paulo. Lá em Simão. Com uma área aberta. Assim. Entendi. Com os cachorros lá. Não, joga pro universo, boba. Tá jogando muito. É, que o universo, ele é ouvir.

E o parto? Você contou que não foi como você esperava? Nada. Conta um pouco pras pessoas, assim, a sua experiência. Tipo, o parto eu idealizava. Eu achava que eu ia chegar, parir, e era isso, né? E porque também quando a gente vai visitar a maternidade, eles falam algo super glamuroso, tipo, você vai ter sua filha aqui, e você vai naquela banheira. Eu olhei pra aquela banheira e falei, é ali que eu voltei.

Você tentou parto normal. Isso, eu queria ter o normal. Falei, gente, na banheira, é o meu sonho ter filho na água. E aí, eu olhei aquilo e falei, meu Deus do céu, eu preciso ter lá, eu preciso de todo jeito. E aí...

Não deu certo, né? Porque, ai, aconteceu tantas coisas, tipo... O quê? Assim que eu pari, que eu fui pari, eu senti muita dor. E aí eu fui correndo pro hospital. Cheguei lá, eu tava com nenhum dedo. Achei aquilo super estranho, gente. De dilatação. É, eu falei, a dor que eu tô sentindo, nenhum dedo. Quantas semanas? É isso. 38 semanas. 38 e alguns dias.

E aí eu falei, gente, tô sentindo dor. Aí cheguei lá, ela olhou tudo, tava com a pressão alta, coisa que eu já estava tendo durante a semana. E você não sabia? Não, não sabia. Olha que loucura, gente. Isso é um negócio, é uma alerta, tá? Eu tive pressão alta na gravidez do Luca, a gravidez inteira. Mas foi detectado. E eu tive, era gravítica. Foi só durante a gravidez, porque a minha pressão é baixa normalmente. Sim, a minha também só foi no finalzinho.

Só no finalzinho? Só no finalzinho. E você sentiu alguma coisa? Dor de cabeça? Tontura? Até hoje eu tenho pressão alta. Até hoje eu tenho que controlar a minha pressão. Ah, então não voltou ao normal. Não voltou. A sua, a minha voltou. A sua voltou? Então, só que eu também tenho um problema no rim. Aí acham que é por isso. No seu rim? Isso. Esse lado aqui não funciona. O seu rim aqui. É o meu rim aqui.

Tem um lado do meu que não funciona direito. Entendeu? Eu descobri agora que eu tô com uma inflamação. Luz pedrinha em cada. Mas isso eu já tô tratando. Mas o Caio, meu filho, teve pressão alta por conta de uma inflamação no rim. É? Tô com isso. É isso? É mesmo? Ele tá fazendo desmame do remédio agora. Seis meses depois. Gente, eu não acredito. Foi em novembro. Dói muito, gente. E aí, lembra que ele foi internado? Lembro. Que eu achei que era pneumonia? Mas não era. Não era. Chegou lá o exame.

A gente fez o raio-x, tem água no pulmão interna, não sei o que. Chegou lá, não tinha água no pulmão. E eles falaram, mas ele vai ficar internado por conta da pressão. Nunca tinham medido a pressão da criança, porque não se mede a pressão da criança. Não, não. Não, eles nunca medem, não tiram. Por que não? Porque não tem oscilação. É. E aí, a hora que mediram a pressão dele, viram que tá 17 por 12. Não é possível.

Um bebê. Um bebê. Muito. Muito. O médico falou assim, eu não sei como ele não tá convulsionando. Não sei como. No meu quarto eu tive 18.

Na hora do parto. Durante o dia que eu tive o Luca, eu tava 18 por 11. Gente, e é horrível, porque até hoje eu sinto, né? Dores de cabeça, muito forte dor na nuca. Eu sinto um mal-estar na hora. Eu sinto que eu começo a passar mal, sabe? O coração semear. Então você toma remédio todos os dias ainda. Toma todos os dias. Nossa. Sou medicada, só que porque achavam que era por conta do parto.

E não era. Então, agora descobriram que o meu rim tá inflamado, infeccionado. Aí, tô fazendo tratamento, né? Eu ia ser internada, mas eu falei, moço, eu tenho uma filha, eu tenho dois cachorros, não consigo. Ele falou, ó, se fosse algo de cirurgia, eu te internavo agora. Mas tem como você fazer o tratamento em casa, tranquilo. Eu falei, ó, eu prefiro fazer em casa. Eu fiz o tratamento, só que acabou não evoluindo tanto. E aí, eu tô continuando o tratamento agora. Mas caso, né? Aí, eu vou ter que ir mesmo.

vou ter a ajuda do meu pai. Mas vem cá, aí quando você entrou com essa dor, todo mundo achou que era a dor do parto.

É, assim que eu, tipo, eu entrei lá, todo mundo falou, ah, a médica me avaliou, fez o toque, tudo. Falou, ó, você não tá com nenhum dedo, eu vou te mandar pra sala, pra sua sala. Mas a pressão tava alta ou não? A pressão estava alta ainda. Controlei a pressão, fiquei lá controlando. E aí, eu tava tendo um parto normal, tava evoluindo. Fui na médica de novo, três dedos. Ela falou, ó, parabéns, você evoluiu, você vai agora pra sala do seu parto.

Só que eles não me mandaram pra sala do parto que eu peguei, que eu paguei. Eles me mandaram pra uma outra salinha.

E aí lá naquela sala, outra médica chegou e falou, ó, você não vai conseguir ter o parto normal, porque a sua pressão tá alta, e a gente tem que estourar a sua bolsa. Eu falei, mas a médica tinha que acabar de falar lá embaixo que eu consigo ter o parto normal. Aí ela falou, mas não tem como. Aí eu falei, ah... É porque é arriscada.

É muito. Eu não sabia. Eu tive pré-eclâmpsia. Só que ninguém me falou nada. Então, eu já tava com muito medo de parir. Ninguém tava avisando. Tipo, ó, você tá tendo uma pré-eclâmpsia. É perigoso. Não. Ela só falou assim. Ela tem que... Não tem como. Você vai ter que ir pra cesárea. Falei, ok. Aí eu falei. Dói. Estoura a bolsa. Ela falou. Não dói nada. Mentira, tá? Não. Na hora que estoura a bolsa, vem umas contrações que, pelo amor de Deus.

Eu estava na contração na hora que ela estourou. Ela enfiou... Gente, ela enfiou um negócio lá dentro.

Que eu berrei. E os outros, quando eu postei, ainda falaram, gente, mas nem dói. Eu falei, ó, dói muito. E ela estourou e falou, você vai direto pra sala. Só que a sala da cesárea estava limpando. Então eu fiquei numa cama, onde toma medicação, parindo deitada. Eu vomitei umas 20 vezes, eu fiquei amarela.

Mas isso é coisa de pressão, não é? Quando vomita assim? Gente, é. Eu estava... Só que ninguém me deixou numa salinha, pelo menos pra mim, sabe? Tentar evoluir, ficar de pé, tentar ver se ali já vai. Eu fiquei deitada por muito tempo. Tanto até que, na época, né? O pai da minha filha achou que eu ia... Que eu ia bater as botas. Eu achei também. Eu falei, gente, cuida da minha filha.

Ai, desculpa, tá rindo pelo tempo. Eu bati as botas bem bom. Eu falei, não vou falar algo muito assim, mas foi horrível. Eu ficava deitada assim, eu só vomitava. Eu não fazia mais nada. Porque vinha a contração, acho que eu sentia tanto medo que eu vomitava de nervoso.

E aí depois passou uns 30 minutos, passou um tempo lá, deu deitada lá e a gente chamando. Por favor, ajuda aqui, por favor. E ninguém via, só falava, ó, não dá agora, não dá agora. Aí me levaram pra sala de cirurgia. Quando chegou lá, eu vomitei mais uma vez, me deu a haki, nem sentia dor da haki, gente. De tanta dor que eu tava sentindo. Tanta dor que você tava.

Aí eu senti a dor da Raque, a dor não, a Raque, deitei lá, né, aí eles fizeram, eu não tinha sentido nada até eles fazerem a pressão, aquela pessoa ali me matou, que eu odiei aquilo, ainda olhei pro lado e falei, não deixa o, né, o pai do meu filho, eu falei, não deixa fazer isso. Só que aí já tava todo mundo gritando, cabelinho, ela nasceu, ela nasceu. Então foi cesárea? Foi. No final acabou o cesárea, aí eu fiquei super mal.

Mas por que pressão, né, na cesárea? Porque a cesárea vai cortando as camadas. Isso aí é proibido.

Não pode ter essa pressão no cesárea. Isso é uma violência estética. O que eu errei que eu falo pra todo mundo? Faça, eu fiz o pré-natal, mas eu não fiz a minha fichinha do que eu não quero que aconteça no meu parto. Eu não fiz aquela fichinha. O plano de parto. Isso, o plano de parto. Gente, isso é muito importante fazer. Isso fala tudo aqui, porque esse programa é sobre isso.

É o meu maior erro, foi não fazer o plano de parto e colocar lá. Eu achei que só eu falando pra pessoa, pro meu companheiro, o que eu não queria que fizesse, não era pra deixar fazer, daria certo. Mas não deu, porque na hora eu acho que ele também ficou nervoso lá. E eu também tava muito nervosa, ele acabou não explicando. E uma doula também, que é super importante. Acho que se eu tivesse uma doula, teria evitado muito sofrimento meu ali na hora, sabe?

Mas aí depois eu entendi que foi risco mesmo, porque depois que eu tive o parto, eu vi ela, juro, a sensação quando eu vi minha filha foi de que ela tinha sido tirada de algum lugar, porque eu não imagino, eu tava tão, eu não acho que eu não tava ali, sabe? Na hora que ele me mostrou, eu falei...

Da onde saiu? Como assim? Eu tava, acho que... Meio... Delirando? Meio lá, meio cá. Tava delirando. Entendi. Falei, gente, da onde ele chorou esse bebê? Meu Deus. Porque eu não tava sentindo nada. Eu só sentia dor. Quando eu sentia dor, eu comecei a chorar. Eu gritei. Tanto até que no vídeo, na filmagem, tem eu gritando da dor da pressão, porque doeu muito.

E aí, tanto até que eu nem fiz relato de parto de tanto... É a primeira vez que eu tô falando abertamente. Aham. Eu fiquei com... Hoje em dia tá tudo bem, porque já passou 11 meses. Mas na época foi um trauma enorme no meu parto. Eu chorava no banho. Porque eu falava, era pra ser um momento muito importante pra mim, sabe? Não foi.

Mas tá tudo bem. Mas ela nasceu saudável. Sim, saudável. Super saudável. Ela só tava perdendo peso, que eu acho que é normal no começo, né? Mas assim que terminou a cesárea, tipo... Aí todo mundo feliz, todo mundo lá e eu... E você é péssima. Eu tava... Não sabia o que tava acontecendo. E eu tinha contratado a mulher pra fazer o vídeo e foto. Porque eu achei que ia ser normal. Então as fotos eu saí, tipo...

Nossa, que... Derrotada. É muito difícil, gente. É muito. Eu acho que além da expectativa, também é o tanto que a hora que nasce o bebê...

Assim, a mãe fica ali, né? É um bacalhau velho. Jogado ali no canto, enquanto tudo é o bebê. Ai, que coisa mais linda e você lá. Com certeza a mãe queria saber de você, né? Sim. Porque ainda deu merda depois disso. Nossa, é, porque, amiga, quando eu falo com o meu pai inteiro, foi complicado? Foi. Porque, tipo, depois disso que eu tava me sentindo, realmente um bacalhau. Um bacalhau velho. Um bacalhau velho, deitada lá.

E quando eu vi ela, todo mundo fala do amor incondicional, que eu vejo muitas pessoas falando. Gente, ali naquele momento eu não pensava isso, eu pensava, o que que tá acontecendo comigo? O que que aconteceu agora? Por que que apertaram minha barriga? Gente, pelo amor de Deus. E aí eu só pensava, e tipo, ele feliz lá, né, tipo, com ela. E eu ali, tipo, traumatizado. É, e eu olhava minha mãe, eles levantaram a telinha assim, um segundo, viu? Mostrou o bebê, depois abaixou.

abaixou, e aí, tipo, eles não sabiam o que tava acontecendo comigo, sabe? Aí, teve um estresse ali no meio, o médico falou, ó, você tá com 18 de pressão, vai ter que internar pra UTI. Aí eu falei, eu não tava entendendo nada, amamentei ali no meu peito, a Tiana foi pro berçário, eu não vi, eu não lembrava do rosto dela, porque quando eles colocaram ela aqui, eu tava delirando tanto que eu fiquei...

Quem é esse bebê? É. Que que é isso que tá encostado em mim? Eu falei, gente, eu me culpei. Ai, gente, que loucura. Eu me culpei. Eu falei, gente, não é possível. Aí ele me levou. Tive uma discussãozinha, né? Ali na hora. E aí eu fui pra UTI sozinha. O pai da minha filha levou ela junto com a enfermeira pra conversar, pra dar banho e tudo. Então ele tava tendo os primeiros momentos ali. E eu fui pra UTI. Aí, pós cesárea. Na UTI, num quarto sozinha.

Porque os meus pais estavam no meu quarto que eu paguei. Te esperando. Com balão e flores.

E eu não voltei. E aí eles ficaram lá esperando, esperando, esperando. E eu deitada sozinha na UTI, sem ninguém, sem celular, sem bateria. Eu falava, entrava uma enfermeira chorando toda, chorando, porque eu não tava entendendo nada. Eu falava, coloca meu celular pra carregar, avisa meus pais que eu tô aqui. Tá bom, a gente já vai avisar. Não avisava. Entraram três enfermeiras lá, ninguém avisou meus pais. Minha mãe me encontrou na sala da UTI porque ela leu lá na telona, Júlia Souza em cirurgia na UTI.

Aí ela correu. Olha aqui. Ela saiu correndo. Você imagina o susto dela. A tela fechou. Eu tava ali. Nem tinha sido ainda, sabe? Costurada. Minha mãe falou que já era. E aí ela entrou. Eu lembro que ela entrou na UTI. Eu tava muito mal. Sozinha, muito mal. Ela entrou e falou, filha, meu Deus. E ela tava tremendo. E ela falava, eu achei que tinha acontecido alguma coisa. Porque ninguém avisou. Eu falei, mãe, eu mandei avisarem, sabe? Eu tava sem a BB. Eu tava sem ninguém do meu lado.

E aí, depois que me acharam, eles também só podiam liberar duas funções. Então, minha prima, o pessoal, nem conseguiu ver a minha filha e nem eu. Só a minha mãe. Ela não precisou ir pra UTI? Não, ela ficou no berçário. E aí, ela vinha, acho que a cada 30... Minutos. Isso, pra poder mamar. Mamar. 30 minutos?

É três horas? É de três em três horas, né? É que em casa é de três em três horas, mas não lembro se lá era. Não, acho que era de 30 em 30, né? Porque ela tava perdendo peso. Não, é porque é o sorinho. É o sorinho. É o colostro. É o colostro quando é cesárea, né? Então precisa estimular o peito também, né? Estimular o peito.

E a cesárea, gente, tipo assim, desculpa, mas eu amei passar pela cesárea do que passar pelo que eu tinha passado. Eu achava que o parto normal era aquilo. Tem gente que fala que não, que é bem mais tranquilo, mais rápido, né? Ah, cada experiência é única, né? A cesárea pra mim não foi tudo isso. Tipo, toda essa dor, sabe? O pós.

Mas é que o pós, é que é o conjunto, não é o pós da cesárea. É o conjunto, é o puerpério, é o cansaço da gente. São os hormônios, numa confusão. A prolactina que tá descendo, que tá começando a invadir teu corpo. São muitas modificações ao mesmo tempo. E mais aquele corte.

Entendeu? É... Sim, era muito ruim isso, amamentar com ela deitada aqui e pegando peso no corte. Isso doía muito. Se eu tivesse parto normal, acho que não teria esse lado. Esse lado não teria. É, eu... Eu não tenho experiência da cesárea, então pra mim foi ótimo, mas assim, a dor é uma coisa...

Que não tem explicação Não consigo nem te falar, mas a natureza é tão sábia Que faz a gente esquecer Eu já não lembro mais Eu queria ter passado pelo lado Só pra saber como que era a parir normal No parto do Caio Meu filho mais novo, eu falei pra todo mundo Gente, tá todo mundo aqui, vocês podem me escutar Se eu engravidar mais uma vez É marcar cesárea Eu não quero mais sentir esta dor Você vai ter o terceiro Eu já falei, previsões da raia Vamos lá?

Eu já falei isso. É, dois tá ótimo. Não, tá bom. Não é, Claudio? É, tá bom. Enfim, eu falei pra todo mundo, eu falei, não me deixem esquecer essa dor que eu tô sentindo, eu não quero mais. E aí, enfim, mas eu já esqueci também. Claro, a gente esquece.

Eu teria normal, mas agora eu não posso. Acho que com pré-calampice eles nem deixam mais, né? Já vai direto pra cesar. Não, mas eu acho que talvez... Mas aí isso ainda pode mudar. Mas se ela continuar com pressão alta... Não tem como mesmo. Deixa eu te perguntar uma coisa. E a amamentação, como é que foi? Ai, deu muito.

Eu tive muito leite, graças a Deus. Era muito... Muita produção. Só que, como no hospital tinha que ficar toda hora, era... Toda hora, em cada peito machucava aqui, vinha pra cá. E ela não pegava certo. Então, assim, nossa, gente... É, porque a pega é o que mais fala. Em casa eu sofri muito, muito, muito, muito. Porque doía muito. E aí eu passava pomada. Não adiantava nada. Porque logo depois, em seguida, ela pegava. E aí começou a fazer muita produção.

E ela não conseguia fazer a pega. Eu tirava com a bomba. E você não conseguia tirar com a bomba. E aí...

produzia mais. E aí eu acordava de madrugada pra ir no chuveiro pra tentar tirar um pouco. O meu freezer era cheio de leite. Você sabe que na gravidez do Enzo, eu não te imagino esse peitico que ninguém dá nada por ele. Menina, eu virei uma vaca. Leiteira, uma loucura. E eu produzia quatro vezes mais do que ele mamava. Então...

Eu amamentava as crianças da maternidade, que na época podia. Na época podia, sim. Na época podia. É, então principalmente os prematuros. E comecei a fazer um banco de leite, eu tinha um freezer inteiro de leite dele. É isso, foi bom. Quanta vida você não salvou, né, Cláudia? Não é, gente. Seu leite materno é tão importante, né, gente? Nossa, muito importante. O meu secou depois. Foi. Foi. Eu consegui dar por alguns meses, mas depois de tanto estresse... Quantos meses, mais ou menos?

Acho que foi até uns quatro, por aí. Mas aí secou, aí eu comecei a dar só a mamadeira, porque eu não tinha o que fazer, né? Sim. Mas foi a amamentação ruim, e ao mesmo tempo, junto com o puerpério, que não é uma fase fácil, não é mesmo, você teve o término do teu relacionamento.

Sim, tipo, foi literalmente acabar de parir. Ela fez um mês. Fez um mês e a gente terminou. Foi horrível. É que eu não me abro tanto dessa parte sobre essa segunda pessoa, né? Mas se você quiser, não quiser falar, também. Não, mas é porque eu não posso, acho que, deixar de lado o que eu passei, porque é parte da minha história.

Sabe? Eu não quero falar algo aqui pra prejudicar alguém e ficar me segurando e isso acabar não deixando eu ser eu mesma e contar o que eu realmente passei. Sabe? Então, a única coisa que eu consigo falar é que foi horrível. Foi horrível. Ainda mais viver isso tudo nessa fase. Sim.

E aí, tipo, acho que toda mulher no puerpério, não quando tem uma pessoa ali, mas, tipo, se sente meio como se... Pô, eu não consigo fazer nada, tô deitada aqui, sabe? Aí o médico pode precisar descansar. Mas você quer fazer as coisas, tipo, você quer dar o banho na sua filha, sabe? Então, assim...

Eu entrei numa depressão que foi horrível, sabe? Horrível. Passei muito... Porque foi o resguardo, né? Porque eu... Quebrou totalmente. Eu tinha muita dor de cabeça. Das discussões que tinham. Que tinham. Das... Dos estresses que tinham, né? Não somente da parte de relacionamento determinado. Mas de outras coisas também. Então aquilo afetou muito da minha produção de leite. E afetou muito da minha vontade, sabe? Porque mesmo que eu tivesse terminado, eu queria... Um...

Eu não queria piorar, sabe? Tipo, eu não queria ficar péssima ao ponto de não cuidar da minha filha. Às vezes eu tinha dia que eu acordava e eu falava, não quero mais, sabe? Em relação à depressão isso. É, eu falava, não quero mais, eu não quero internet, eu não quero nada, quero ficar deitada, só que aí ela tava chorando atrás de mim, sabe? Tipo...

chorando ali, tipo, eu quero comer, eu quero tomar banho. Então eu ia lá, acordava, levantava, fazia tudo por ela no outro dia. E você teve algum sentimento estranho em relação a ela? Porque as pessoas têm um pouco de medo de falar isso, né? Porque como é que você não ama a sua filha? Porque tem relatos de mães, várias mães, que falam, gente, eu olhava pra minha filha e não amava ela. Eu não queria estar ali.

Às vezes, até num momento que a pessoa não tá conseguindo ter aquela conexão com a filha. Porque o pai tem que criar e a mãe também. Claro. Entendeu? Isso não nasce pronto. Sim, não nasce pronto. E, tipo, eu tive nessa parte do parto. Depois, não. Porque depois eu...

Eu fiquei muito próxima dela. E teve uma situação também que saiu na internet. Que aí eu grudei. Aí eu falei, não, é minha filha. Eu fiquei neurótica com isso, né? Da minha filha. Eu falei, não, é minha filha. Eu vou criar, eu vou cuidar. E foi onde eu vivo pela minha filha hoje em dia. Antes eu vivia por ela, mas eu conseguia fazer minhas coisas. Tipo, eu fiz minha primeira viagem internacional. Quando ela tinha... Tava indo pro quarto mês.

Consegui fazer minha viagem internacional com a ajuda dos meus pais. E aí, eu fiz... Tipo, eu tava vivendo a vida ali depois de passar um puerpério, um término. E tava vivendo, sabe, eu. E aí, teve esse baque que aconteceu na internet. Aí, eu fiquei protetora. Hoje em dia, eu vivo mais por ela do que por mim. Tô tentando mudar isso, né? Tentando dar uma mais... É, porque você tem que estar forte pra cuidar dela. Exato.

É aquela história da máscara de oxigênio, do avião, que você tem que botar em você primeiro pra depois botar no teu filho ou em alguém? Agora que o Vini, que me ajuda com os meus conteúdos, veio em casa, porque antes dele vir eu tava só, tipo, vivendo por ela, sabe? Esquecendo mais, assim, o meu trabalho, vivendo por ela. Aí quando eu vi a minha saúde, eu falei, é, gente...

O que adianta, né? Viver por ela e eu não estar aqui. Não adianta. E pra um filho não tem nada melhor do que ver a mãe e o pai, né, bem. Porque eles têm uma... Eu estudo muito também sobre educação, sobre essa fase, assim, que meus filhos estão vivendo. E o quanto eles se sentem culpados por absolutamente tudo, né? Nessa primeira infância. Tudo eles acham que é culpa deles. Imagino.

que é por causa deles. Por causa deles. Eu ficava pensando nela, tipo, num término. Pô, será que por eu ser separada hoje em dia, será que quando ela crescer ela vai sentir falta? Eu acredito, eu conversei muito com o psicólogo, com tudo, e acredito que não, por ela já ser pequenininha e já acostumar com a ideia, sabe? Eu cresci com os meus pais juntos.

E, tipo, eles ficaram juntos, acho que por quase 30 anos. Eles foram se separar, eu tinha 19 anos. Entende? E, tipo, só que a convivência lá atrás com a gente não era tão boa. Todo casal briga, então eu presenciava, sabe? Então, eu acho que não tem nada a ver. Se a minha filha viver em paz, mesmo que seja separado, acho que é o melhor pra ela, sabe? Ou proporcionar também as coisas pra ela, tipo, viajar. A gente foi agora pra...

pra uma pousada lá em Paraty, muito boa, no meu exército dela. Aí a gente pegou, fez tudo lá bonitinho. Que beleza. E ela... Então, assim, acho que proporcionar aquele momento de paz pra ela, acho que é bem melhor do que ela. Como é que você e o pai dela dividem essas guardas compartilhadas? Como é que é isso? A gente tá fazendo assim. Quando ele quer, ele pede pra pegar ela e aí ele fica com ela.

Entendeu? Mas aí, geralmente, durante os dias, sou eu que cuido dela. Mas porque, que nem eu falei, eu já tô acostumada com as coisas dela e... Ela fica comigo, né? Mãe é mãe. É, mãe é mãe. E agora, por exemplo, ela tá com seus pais? Agora tá com a minha mãe. Com a sua mãe? Isso. Ah, entendi. Porque geralmente de segunda e quarta eu tenho curso, né? Que eu faço um cursinho. E aí... Eu deixo com a minha mãe, já é acordada já com ela.

E aí, os outros dias, quando ele quer pegar, ele pega. Mas geralmente fica comigo todos os dias. E agora você e ela pra sempre. Agora a gente vai ficar junto com o resto da vida. E só melhora, tá? Só melhora. A dor é com medo da adolescência, viu? Não, mas passa. É um pouco desafiador.

Mulher, principalmente. Discutir? Porque eu e minha mãe discutiam muito. É de embate, né? De mulher para mulher. Então, a mulher, ela é... Ela indaga muito, ela é complexa. Ela pergunta, ela provoca, né? Eu sei, eu tenho uma filha de seis anos, Ariana. É. Nossa, sim. Ariana, que delícia. Ela... A Tiana, né? Ela é gêmeos. Gêmeos. Dorme com o Batman, acorda com o Robin.

Eu não gosto de falar. Porque eu não sei te falar. Eu gosto, mas eu vou fazer o que. E pra escolher o nome dela... Ah, é? Gente, esse nome dessa princesa linda. Foi literalmente por causa da princesa, que é a minha favorita, né? Do filme dela. Eu tinha falado que eu queria Manu, que eu amava Manu. Eu falava, gente, o nome da minha filha vai ser Manu um dia, vai ser. Só que aí, ela tava com cinco meses, eu tava assistindo o filme da Tiana. Aí eu comecei a escutar o nome Tiana. Falei, gente, Tiana... É muito lindo.

Por que que eu não coloco Tiana? Fora que a Tiana é um espetáculo. Você já ouviu o desenho? Não, a história é maravilhosa. Todo mundo fala. E aí todo mundo amou. E eu não vejo ninguém com o nome Tiana. Esses dias eu acho que eu fui no McDonald's. E aí a moça lá falou. Meu nome é Tiana. Sim, eu vi a sua filha, eu conheço você. Aí eu falei, nossa. Primeira Tiana que eu conheci. Porque não tem muita Tiana.

É bem errado mesmo. É lindo. É, eu coloquei porque eu amei mesmo. Fala uma coisa, você se arrepende de alguma coisa? Olhando pra trás, olhando sua história, olhando quem você é hoje. Você faria alguma coisa diferente? Com certeza. Acho que eu me escutaria mais.

Sabe, eu tenho tanto medo de trair a confiança dos outros, de errar com os outros, que eu acabei errando comigo mesma. Sabe, tem alguma coisa que uma vozinha fica aqui na gente, que a gente fala. E que a gente não escuta, né? Não escuta de jeito nenhum. É a nossa consciência, é a nossa intuição. Ficar ali falando, falando e você fica, não, não, não vou agir dessa forma. Então eu acho que ter me escutado...

Acho que ter escutado as pessoas que queriam o meu bem, sabe? Eu acho que eu teria feito totalmente isso diferente. Teria me traído menos. Feito o que me favorecesse, sabe? Não aguentar tudo nas costas porque eu tenho. Porque me botaram nesse papel de você tem que aguentar tudo. Mas eu tenho, mas eu posso me... Sabe? Você é mais leve comigo mesmo. Mas quando pra mulher foi mais leve?

Quando que não colocaram a gente no papel de aguente tudo e qualquer reclamação é mimimi? Principalmente na internet. É uma loucura. Não, em todos os lugares. A mulher é julgada o tempo todo.

A mulher é preciso, é obrigatório aguentar tudo. Não é obrigatório aguentar tudo. E se você não aguenta, você é fraca. Não, e você não pode aguentar tudo. Não é possível, não é humano, é desumano. Então é preciso que você tenha mesmo essa força de dizer, um minuto, eu aguento até aqui. Isso aqui eu faço, isso aqui eu não consigo.

Então, eu sempre fui difícil de botar um limite, de entender que aquilo ali é um limite pra mim, sabe? E quando a gente não coloca limite, alguém coloca pela gente. Exato. E nunca é o nosso. Exato. É sempre depois. Exato. É só...

Eu tenho uma última pergunta Que é Você Eu sei que você passou por muitas Coisas, acho que A experiência foi um pouco diferente do que você imaginava Mas Você ainda tem vontade de ter mais filhos Você ainda tem vontade de viver de novo E uma outra história Com certeza Acho que da próxima vez que eu tiver um filho Vai ser mais pra frente Bem mais madura Buy Buy Buy

né, e eu quero muito fazer da forma não da forma certa, mas eu quero passar por essa nova gestação leve sabe, eu quero me sentir amada e eu quero amar mais, eu quero sentir que tipo assim, eu tô com um bebê e eu tô muito feliz porque eu tô em paz e que é um fruto desse amor, né e não tem nada tirando a minha paz eu não me arrependo de nada porque eu tive a minha filha eu não teria minha filha se eu não tivesse passado por tudo que eu passei

Se eu tivesse botado o limite lá na frente, eu não teria ela. Entendeu? Deus sabe o que faz. Tudo aconteceu como era pra acontecer. Mas eu quero muito sentir essa sensação de aproveitar minha gravidez. Porque nada, minha filha, eu pensava. Eu não tô conseguindo aproveitar nada. Eu tô grave, eu tô triste. Não pela gravidez, por terceiros, sabe? Então eu quero muito me sentir leve.

Se ser cuidada Protegida Eu me sinto segura Pega assim, sabe? Falei, ó, não, eu vou cuidar de você Você é minha mulher Você tá gerando o meu fruto E ele faça bem pra mim Porque sabe que vai tá fazendo bem pro bebê, sabe? Papel de homem, né? Então eu quero muito Eu quero meu menininho E se vem menina, eu também quero muito Porque eu queria uma irmãozinha, né? Que eu gosto dessa coisinha Tem que ter negócio de irmão, né? Irmão é maravilhoso, né? Negócio de irmão

Negócio de irmão, eu acho maravilhoso. Porque você tem com quem contar na vida, sabe? É muito importante, assim. Filho único, tá tudo certo e tal. Você é filha única. Eu me senti sozinha. Sozinha, é. Eu tava com um monte de criança dentro de casa. Primo, prima. Não é? É, eu sempre pedi irmão. Sempre quis irmão, mas meus pais falaram que traumatizou. Aí não quis mais. Entendi.

Mas agora, Tiana, vai viver uma experiência diferente. Chegamos aqui no final do nosso programa. Então a gente queria que você olhasse para aquela câmera e desse um recado para as mamães que estão assistindo a gente. E que talvez estejam passando pela mesma situação que você relatou ou passaram e também ainda não superaram, ainda vivem esses traumas. Manda um recadinho para elas.

Gente, eu vou tentar aqui pensar em algo pra vocês. Que eu dei todos os meus conselhos possíveis. Mas assim, eu quero dizer que vocês são todas fortes. E que se você tiver num dia que você quer desabar, chorar ali no seu quartinho com seus amigos, não tem problema. Tá tudo bem. Isso não significa que acabou o mundo. Que você tá triste pra sempre. Porque eu sou de sentir muito.

Mas assim, tudo no seu tempo Sente o que você tem pra sentir Se você tá passando por um término Entra no seu quarto, sente tudo, tudo E entenda que aquilo acabou, já foi Sabe? Começa uma nova Vida, uma nova fase Com a sua filha, com o seu filho

E viva por ele e por você, né? Cuida da sua saúde. Cuida da sua cabeça. Faça um psicólogo, que é a melhor coisa pra você conseguir entender as coisas que estão acontecendo na sua vida. E vai dar tudo certo. Filha, benção. Não se culpe por nada. Você tá sendo uma ótima mãe, eu também. Todo mundo tá sendo. E é isso. Eu vou chorar. Para. Ah, fofa.

Obrigada, Júlia. A gente adorou. E que bom que você pode abrir seu coração de maneira efetiva, de uma maneira que você nunca tinha conseguido fazer. Eu nunca falo sobre esse assunto, mas hoje em dia eu estou muito bem com esse assunto, em se dar maternidade. Então eu fiquei muito feliz de poder desabafar, sabe? Desabafar.

E a gente adorou compartilhar com você a sua história Quanto mais a gente fala, mais a gente se cura A gente fala pra gente mesmo Sim, porque a gente acha que tem que ficar calada sobre esse assunto Mas não, falar é tão libertador, sabe? E ajuda tanta gente Muito obrigada, parabéns Pela sua história, parabéns pela sua força Obrigada, vocês também Obrigada, mas tenho certeza Que a Tiana vai ter muito orgulho de você Que está fazendo um papel incrível Parabéns Obrigada Espero que vocês tenham gostado Até semana que vem

Boa história, né, gente? Hoje rendeu, né? Se inscreva no canal, tá? Que você tá aí, parado, olhando e tal. Mas tem que se inscrever no canal. Tá bom? E a gente volta. Beijo.

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