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A batalha judicial que pode mudar os rumos da OpenAI

05 de maio de 202641min
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O podcast da MIT Technology Review traz um episódio sobre a batalha judicial entre Elon Musk e Sam Altman. Carlos Aros, Rafael Coimbra e Alexandre Roldão relembram momentos dessa disputa, iniciada em 2024, que envolve governança, investimentos bilionários e o papel da OpenAI em um mercado de tecnologia cada vez mais competitivo. 

A equipe da MIT TR Brasil também analisa de que forma a rivalidade entre dois dos homens mais ricos do mundo, e influentes no setor, movimenta a corrida pela liderança em Inteligência Artificial. 

Acesse o conteúdo completo do podcast no site da MIT Technology Review Brasil. 

Participantes neste episódio3
C

Carlos Aros

HostJornalista
A

Alexandre Roldão

Co-host
R

Rafael Coimbra

Co-host
Assuntos6
  • Julgamento Elon Musk vs Sam AltmanElon Musk · Sam Altman · OpenAI · Microsoft · Google · XAI · Antropic · Claude
  • Inteligência Artificial e o mercado de tecnologiaInteligência Artificial Geral (AGI) · IA física tridimensional · IA na música · IA no cinema · Spotify · Oscar
  • Modelo de Negócio de FranquiaOpenAI · Microsoft Azure · Amazon AWS · Google Cloud · IPO
  • Origem e Evolução da Internet e GPSWorld Wide Web (WWW) · Tim Berners-Lee · OpenAI
  • E-commerceGameStop · eBay · Amazon · Mercado Livre · Gamificação · Live shopping
  • A pré-história humanaNeandertais · Homo sapiens · Pauline Torti · Os Imortais
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Informação especializada, influente e confiável. Podcast MIT Technology Review Brasil. Olá, eu sou o Carlos Aros e esse é o podcast da MIT Technology Review Brasil. Você sabe, esse podcast é um oferecimento do SAS, líder em analytics. Hoje, eu, Rafael Coimbra e Alexandre Roldão

Vamos falar sobre a mais nova disputa judicial que vem movimentando o júri nos Estados Unidos. A gente está assistindo a um movimento interessante em que o Elon Musk acusa a OpenAI de o ter enganado. Segundo ele, a...

OpenAI nasceu para ser uma organização sem fins lucrativos, com o objetivo de desenvolver, de promover o conhecimento e, no limite até, proteger o mercado de uma IA potencialmente destrutiva. Segundo ele, ao investir alguns bilhões de dólares lá em 2015 na OpenAI, Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray Ray

Ele tinha como objetivo frear o apetite voraz do Google, que naquele momento era o grande protagonista da discussão ou dessa corrida para o desenvolvimento da inteligência artificial. Acontece, e a gente contou aqui neste podcast há alguns anos, que durante um processo importante dentro da OpenAI, e a gente contou aqui no canal.

houve uma nova distribuição de poder e a gente assistiu a figura de Sam Altman ganhar protagonismo. Houve uma queda de braço com outros pesquisadores, demissão em massa, um debate que envolveu outras empresas, que acabou colocando a Microsoft, que inclusive está neste processo aí como parte dessa ação, como grande financiadora da OpenAI. O Altman, portanto...

é o opositor, é ele quem está do outro lado do Balcã desta disputa com o Elon Musk. Ele quer uma indenização de mais de 130 bilhões de dólares e quer também que a OpenAI volte a ser uma organização sem fins lucrativos.

Essa história tem muitas e muitas camadas. Fiz um breve resumo aqui dessa contenda, mas ela tem muitos detalhes e a gente vai trazendo esses detalhes aqui ao longo da nossa conversa. Mas a minha pergunta, e aí eu começo com você, Rafa, é a seguinte. A gente...

não está discutindo objetivamente aqui sobre a OpenAI ser ou não ser uma empresa, uma organização sem fins lucrativos. Tampouco estamos interessados aqui em saber se o trabalho da OpenAI é garantir que ninguém cruze a fronteira e que a IA domine o mundo.

Há muitas coisas entre o céu, a terra e um modelo diabo que a nossa vã filosofia é capaz de compreender, não é mesmo?

É, a gente está falando, eu vou começar de cara, Aros trazendo um aspecto humano, né? A gente está falando aqui de dois personagens que são, no mínimo, controversos. O próprio Sam Altman, ele era um cara que era fanzaço do Elon Musk. Tem entrevistas antigas dele ali bajulando o Elon Musk, quase que tratando o Elon Musk como um grande ídolo.

mas dizem que o Sun Altman tem essa característica de capturar atenção, ele é uma pessoa que envolve, ele consegue perceber nuances de alguém e a partir de uma grande lábia convencer alguém a algo.

E talvez tenha sido esse poder de convencimento que fez com que o Elon Musk, naquela época lá atrás, 11 anos atrás, colocasse um dinheiro forte na OpenAI. Fato é que isso se dissipou. Teve ali uma briga. O Elon Musk disse que saiu da OpenAI por conta dessa mudança de rumos, que a empresa estaria deixando de ser algo com fins filantrópicos, para proteger a humanidade de uma superior.

Mas o Elon Musk também é uma pessoa contraditória. Porque, veja, a incoerência do Elon Musk. Se ele realmente estivesse pensando no bem da humanidade, nessa superproteção, ele, por exemplo, poderia ter transformado o Grock, que é a inteligência artificial do X,

numa OpenAI do presente. Ele não fez. Ele simplesmente tem hoje um negócio baseado em inteligência artificial comercial. Ele vende serviços a partir daquilo ali. Ele retroalimenta o X, o antigo Twitter, por meio da sua inteligência artificial.

Então não faz o menor sentido do ponto de vista do esforço de querer proteger a humanidade. Digo isso porque me parece muito mais uma rixa pessoal de duas pessoas que se acham deuses, são dois superpoderosos. Então estamos falando do Elon Musk, que é o homem mais rico do mundo, tem várias empresas.

em série, e estamos falando da pessoa que hoje ainda é o dono, o CEO da empresa que tem o chatbot, o chatpt, que é o mais popular do mundo. Não estou dizendo que ele vai ganhar essa corrida, mas hoje é o mais popular. Então imagina a tensão que existe entre esses dois e essa briga.

Estou trazendo esse componente humano porque ele faz parte desse jogo ali do mundo do Vale do Silício. A gente não pode esquecer que o Sun Outland foi expulso da própria Open AI. Teve ali um complô interno. Ele chegou a ficar alguns dias fora da Open AI. Veja que é...

Tem muito ego, eu diria, nessa história toda. Eu sempre cito esse livro, mas faço questão de citá-lo novamente, o Empire of AI, ainda não tem português, da nossa colega Karen Hall, a gente já entrevistou para a Technology Review, em que ela mostra, ela conta...

esses bastidores das picuinhas envolvendo essa briga. Então, eu só referendando o que você está falando, Aris, acho que tem muito mais a ver com a briga de egos do que especificamente de negócios.

E na tua visão, Goldão, vou colocar um outro elemento aqui nessa história, que é o seguinte, o Elon Musk, ele fez parte da investida inicial que financiou o projeto OpenAI, mas hoje ele está às vésperas de mais um IPO para o seu currículo.

que envolve a própria empresa de inteligência artificial, o XAI. Ele tem interesses muito específicos e faz alegações muito fortes já, de algum tempo na mídia, nas plataformas pessoais e tal, sobre o poder bélico, e esse bélico aqui, entre aspas, obviamente.

dessa plataforma que ele coloca. Tem aí um componente importante que a gente não pode ignorar e que está conectado ao finalzinho dessa fala do Rafa, que é uma espécie de corrida envolvendo a IA. E todo mundo quer usar de qualquer expediente para poder sair na frente nessa corrida.

Oi, Aris, oi, Rafa. Eu vou seguir um pouco na toada de que não estamos falando de dinheiro, né? Até porque a contenda está sendo feita pelo homem mais rico do planeta. Então, eu acho que dinheiro não é uma preocupação do Elon Musk.

E que mundo é esse em que vivemos para ver Elon Musk do lado da justiça sendo paladino, defendendo que uma outra empresa tenha que ser sem fins lucrativos e voltada para o bem da humanidade? Que mundo é esse em que vemos esse tipo de coisa?

Eu achei tão engraçado, eu vi um comentarista outro dia de um canal americano falar que o Elon Musk se aproxima muito mais do vilão estilo Lex Luthor, aquele do Superman. E aí você vê algumas coisas interessantes em cima disso que você falou. A inteligência artificial, obviamente...

cresceu absurdamente, exponencialmente, e a tendência é que vá continuar na mesma toada. O Elon Musk parece muito mais estar sofrendo de uma grande dor de cotovelo, porque afinal de contas, o Rafa lembrou agora há pouco, o Sam Altman não era ninguém, ele era um grande discípulo, um grande admirador do Elon Musk, quando o Elon Musk já era muita coisa.

Então, eu acho que ficou um pouco naquela seara entre o orgulho ferido de ver um cara que estava embaixo da minha asa, crescendo, em que eu dei todos os recursos, acreditei, e o cara simplesmente passou por cima e foi embora. Então, assim, muito menos uma questão de dinheiro, muito mais uma questão de orgulho ferido. E por trás, nos bastidores, o que eu vejo aí... ...

Tem uma questão de despesenhar, de pisar mesmo, porque o pedido do Elon Musk, além da reparação financeira, vem por três coisas principais que se dão em uma facada ali em cima do Sam Altman e em cima da OpenAI. Porque ele, ao mesmo tempo que pede na justiça um questionamento de mudança de rumo da empresa,

ele pede uma mudança na estrutura de liderança e ele pede a saída do semáltimo. Então, assim, eu vejo isso muito mais como uma questão muito pessoal. E assim...

obviamente existe por trás aquele medo de que para onde estamos indo com a inteligência artificial. Acho que nem quem está na frente, nem o Sam Altman, nem o Tropic, nem ninguém, sabe o que vai acontecer daqui a um ano, daqui a seis meses. Mas o Elon Musk já sacou que se não fizer alguma coisa ele vai ficar para trás.

Deixa eu só entrar aqui na discussão, porque lembrei de outra picuinha que teve no meio, que é a seguinte, teve um tempo atrás aí que um disse que queria comprar a empresa do outro, o Elon Musk colocou lá na mesa uma proposta via X, obviamente, sempre uma discussão meio, parece um adolescente, discutindo, e disse que queria comprar o PNI, e o Sun Altman devolvou, não, tá bom, eu compro o X. E aí ficou aquela briga boba lá de adolescente. E queria colocar também um pitaco.

Já que o Ares falou aqui de grana, a gente está falando ali do Elon Musk que juntou para fazer o IPO da SpaceX junto com o X, com o Grok, com tudo. Ele está querendo capturar mais dinheiro do mercado para alavancar ainda mais seus negócios. Mas a gente tem que lembrar que, do outro lado, também a OpenAI precisa muito desse dinheiro.

Microsoft, Amazon, elas têm outros, a própria Alphabet, que é a dona do Google, elas têm IA, mas elas têm outros produtos e serviços que compõem suas carteiras. Então, muitas vezes, elas não estão tendo um retorno tão imediato com o dinheiro da IA, mas elas conseguem compensar em outras frentes, por exemplo, computação em nuvem.

a AWS, da Amazon, a Azure, da Microsoft e o Google Cloud. Elas conseguem distribuir melhor essa receita. No caso da OpenAI, ela depende 100% da subscrição ali. Ela ensaia vários momentos ali de colocar publicidade, mas ela ainda não conseguiu ter, ela está gastando muito dinheiro.

e esperando ainda um retorno mais efetivo. Então ela está numa situação, estou falando isso porque ela também está prestes a fazer um possível IPO. É uma empresa que está variada hoje em quase um trilhão de dólares. É absurdo o crescimento, né? Óbvio que a gente compara com essas maiores aí que estão na casa dos 4 trilhões, como a Apple, por exemplo.

Mas você ter uma empresa que nasceu outro dia e que já está sendo avaliada em um trilhão, se ela faz um IPO, ela pode capapultar ainda mais esse movimento para frente. Então, não podemos esquecer esse pano de fundo de IPOs, tanto do lado do Elon Musk quanto do Sun Altman.

Agora, vamos focar aqui apenas no papel da OpenAI. Se a gente for ignorar, evidentemente, todo esse plano de fundo que envolve o Elon Musk, que envolve os interesses da Microsoft, enfim, envolve todo mundo, o que a gente teve foi uma empresa que, em algum momento, encontrou aquela janela de oportunidade.

conseguiu apresentar um produto verdadeiramente impactante para o mercado, chamou a atenção de todo mundo, bagunçou planejamentos de outras gigantes, e aí aqui cabe citar o Google, foi citado pelo próprio Elon Musk.

no depoimento e vem ganhando projeção a cada antipasse ao mesmo tempo a OpenAI vem sendo tracionada de uma maneira que não acompanha o mesmo movimento dos seus concorrentes

Talvez porque seja impossível ser revolucionário dez vezes seguidas e agora o que a gente vê nos anúncios e nas movimentações da empresa são melhorias, vamos colocar assim, em relação a lançamentos anteriores, então pequenas evoluções que somadas entregam ali.

um resultado frente a outros movimentos e a vieses de produtos e etc. do que a concorrência vem anunciando. Mas a OpenAI não seria alvo de discussões e de polêmicas sucessivas?

Se ela não tivesse, Rafa, fazendo algo que verdadeiramente tenha o potencial de causar, e eu vou usar essa expressão aqui para ficar de maneira genérica, um incômodo muito grande no mercado. E por mercado a gente entende o usuário lá na ponta, os concorrentes, reguladores, ou seja, tem alguma coisa acontecendo, ou para acontecer, ou com potencial para acontecer.

E isso tem gerado um burburinho muito grande. Do ponto de vista tecnológico, a gente conversou aqui, eu e você, Afa, há algum tempo, sobre esse processo de pequenas melhorias versus uma expectativa muito grande por novos anúncios. E a história, que é o discurso recorrente do Sam Altman e de outros, de que estamos buscando essa inteligência artificial geral e tal. E aí

O que tem, olhando só pelo lado da tecnologia aqui, desse potencial que supostamente existe, que gera todo esse burburinho, todo esse incômodo e faz, por exemplo, como o Voltão bem citou, o homem mais rico do mundo parar a vida dele para sentar num tribunal e fazer as acusações que ele está fazendo. Bom, vamos lá.

Dividindo aqui, primeira parte, essa concorrência está ferrenha porque a gente está falando da nova fronteira da economia do mundo. Quem está olhando para a IA como uma base de inovação tecnológica e econômica,

está apostando que a gente está só no início. Então, esses grandes líderes estão, obviamente, tentando liderar essa corrida, porque, obviamente, quem tiver um modelo mais usável é que vai ter performance e vida longa em termos de negócio.

E aí eu vou chamar para discussão um outro antagonista do Sun Altman, que é o Dario Amodei, CEO da Antropic. Também brigou com o Sun Altman, para você ver como é que tem ali uma briga de líderes. E a Antropic ganhou muita força recentemente com o Claude, que é o concorrente do chat GPT. Eu estou dizendo isso porque...

A gente tem visto, como você falou, Aros, inovações incrementais. E a gente já está num nível, do ponto de vista ferramental, muito bom. É muito difícil você distinguir, eu uso todas essas ferramentas, inclusive o Gemini. Elas estão de igual para igual em termos tecnológicos. A diferença é muito pequena. O que eu acho que vai definir cada vez mais quem vai levar a melhor é o uso, é a facilidade, é como você começa a aplicar essas funcionalidades no seu dia a dia. E o que a gente viu é que o Claude...

deu uma crescida muito por conta dessa facilidade do uso. Ela está mais palpável, seja por uso pessoal, seja por uso comercial. As pessoas dentro das corporações, não estou dizendo que ele vai ganhar essa luta. Eles estão disputando ali de igual para igual. Mas eu acho que o Gemini do Google está excelente. O Google teve agora um super resultado, tem muita gente usando. Então, a disputa é muito ferrenha no que eu estou chamando de uma inovação incremental, ferramental.

Porém, olhando para esse longo prazo, Ars, e aí eu vou só voltar aqui para a história da inteligência artificial geral, está lá na missão da OpenAI. Nossa missão é criar uma inteligência artificial geral para o bem da humanidade. E aí volta toda a discussão lá do início de 11 anos atrás, da organização sem fins lucrativos. A pergunta é, comercialmente ou não,

que é o bem para a humanidade. Quem está decidindo o que é o bem? Quem perguntou o que é o bem? Ou como será essa inteligência artificial geral? Geral na visão de quem? Ela vai fazer o quê? Com que intenção? De quem? São várias perguntas abertas. A gente fica olhando esse mito, essa coisa meio ficção científica, para um futuro que ninguém sabe se vai ser daqui a um mês ou daqui a 100 anos.

mas não tem uma clareza do que é isso. Mas é o que se vende para o mercado, é o que se vende em termos de perigo. Olha, cuidado com essa EDI. Ela pode ser muito boa, ela pode acabar com todos os empregos do planeta Terra. Então, existe um grau de incerteza futuro que, por sua vez, estimula esses investidores. Tem muita gente apostando nesse futuro. Coloca muito dinheiro agora porque acha que vai ter um retorno de 10, 100 vezes mais lá na frente.

E só para concluir, eu colocaria nesse bojo desse futuro de inteligência artificial, a gente fala muito desse chatbot, de modelos de linguagem em texto, ou áudio e vídeo, multimídia eu vou chamar assim, ou multimodal, porém existem outros pesquisadores trabalhando na frente da inteligência artificial.

física tridimensional, que para mim é uma outra história e é aqui que o bicho vai pegar, é aqui que a inteligência artificial geral vai se concretizar literalmente, porque uma coisa é você estar falando com a máquina, outra coisa é você ter algum tipo de robô, pode ser um anóide ou não, mas que tridimensionalmente haja no mundo físico, que é o que nós vivemos, sobre as leis da gravidade, as leis da força, da mecânica.

Esse mundo da IA física é que vai, para mim, ser o grande final dessa história toda. E para você, Roldão, essa mesma questão envolvendo esse papel central, vou colocar assim, da Open IA, nesse nosso grande debate sobre IA.

Olha, o Rafa já deu spoiler do final da história, né? Ele já foi pro grande final, né? Ele já leu a última página do livro, né? É um chute. É um chute. É o que tentou pra ele. Pô, eu vou fazer o seguinte. Eu vou ser mais modesto. Vou lá pro prefácio da história toda. Vou inventar lá no final dos anos 80, quando a internet foi criada.

E me lembro muito bem do lema que se foi feito, da WWW, lá de 89, 90, dos anos 90 ali. Eu tive a oportunidade de entrevistar o criador da WWW, que é o Sir Tim Berners-Lee.

ele, muito tempo depois, se dizia decepcionado, né? Da internet, na verdade, está virando um grande condomínio, fechado para poucas pessoas que pudessem ter dinheiro e pudessem ter acesso. Quando, na verdade, ela foi pensada para ser livre, aberta e uma fonte de consulta de informação e conhecimento para todo mundo.

curiosamente em 2026 é o que o Elon Musk está querendo primeiro botando o dedo na cara do Sam Altman falando que o nome da empresa chama-se Open AI Open no sentido de aberto de ser amplo de ser para qualquer um de ser para o bem da humanidade então assim, fazendo um overview, olhando um pouquinho mais de cima esse tabuleiro

o Rafa citou a Antropic e o Clod, o Gemini do Google, a gente vê que, na verdade, é um grande tabuleiro de banca imobiliária. Todo mundo...

avance duas casas, retroceda uma, fique uma rodada sem jogar, aquela coisa toda. E o Elon Musk parece que ainda está lá na casa da saída, enquanto o pessoal está brigando lá na frente, já está fazendo a metade do tambuleiro.

O que eu vejo, isso que o Rafa falou, é um pouco diferente da minha visão. Enquanto ele diz que está usando o Gemini, o Cloud, o GPT, testando as diversas funcionalidades, e aí, obviamente, isso vem de acordo com o modelo.

de uso de cada uma, você vê que elas surgiram muito como chatbots, de conversa com a gente, onde muita gente hoje se equivoca no uso, usa um chat EPT que tem uma capacidade de fazer muitas coisas como um BD.

perguntando se vai chover hoje para o chat de APT. Isso não se pergunta. Você vai no Google, olha no aplicativo, o chat de APT, o Gemini, o Potsen e outras coisas. Mas o modelo de negócio que eu vejo que estava bem é que hoje, por exemplo, eles não se furtam a trabalhar com o modelo único, modelo solo. Na verdade, hoje você já liga o chat de APT no Canva.

que liga o Gemini no Gmail, que você dá acesso ao Cloud para trabalhar com implantação de sistemas de reserva de hotéis, de passagem. Então a gente vê que está rolando um spread, está rolando assim.

e treinamento desses chatbots, que antes no primeiro momento operavam sozinhos, agora eles estão meio que tomando conta das nossas máquinas. Então acho que o Elon Musk sacou isso, viu que a OpenAI, daqui a pouco, por ser hoje um chatbot mais queridinho das pessoas, e não porque talvez seja o melhor ou mais eficiente.

mas porque também fez uma campanha e saiu logo na frente e se estabeleceu. Acho que talvez o Rafa, eu e muitas das pessoas que estejam ouvindo a gente paguem por um uso profissional da coisa, paguem uma mensalidade. Mas a maioria das pessoas não paga. Então as pessoas escolhem, olham assim.

uma ferramenta escolhem e começam a usar. Eu acho que isso é que fez a OpenAI desluxar na frente, porque ela virou a ferramenta de estimação ali. Quanto mais você usa, mais você vai ficando dedicado e preso a uma ferramenta. Então, isso que fez ela crescer. E aí, a briga do...

Plantropic, com a Open AI, vem um pouco disso, para tentar pegar um pouco dessa fatia, criticando um pouco da filosofia dos seus criadores. Eu acho que essa briga está muito no início. Eu acho que a gente começou só a arranhar a superfície.

dos sistemas e a gente agora está começando a usar os chatbots, principalmente chat GPT, o Cloddy, que agora está ganhando muita tração, como grandes trampolins para assistentes pessoais. Aí sim, eu acho que quem pegar essa fatia, para quem controlar...

Para quem eu der o sistema do meu computador é que vai se estabelecer. Então, a OpenAI, se ela for bem esperta, talvez ela use esse caso do tribunal contra o Elon Musk de uma forma bem efetiva, porque talvez ela faça uma jogada legal agora, alguma coisa que melhore um pouco a imagem da empresa e continue deixando ela na frente.

É, acho que tem um processo aí, eu li em algum lugar, que a gente vai assistir ao longo do decorrer desse processo, quase que como uma briga de família, né? Vão ser levantados os podres de cada um.

Nós vamos ouvir, saber o que o grupo de WhatsApp debateu naquela noite chuvosa de fevereiro. Vamos ter acusações de todos os lados. E vai ser minimamente uma novelinha interessante para a gente acompanhar.

Mas acho até mais, hein? Eu acho que nessa toada que eu estava falando, isso que você fala cai muito para o Brasil, né? A gente vive uma sociedade muito polarizada, e não estou falando só de política, não. Estou falando de todos os aspectos. Exatamente. Então, acho que assim, quando as pessoas defendem político A e político B, time de futebol...

amarelo ou azul, daqui a pouco a gente vai estar defendendo o Clóide e o GPT. Então, vai ser uma turma da mesa do bar que senta ali, não, a galera ali é do Clóide, e aqui vai ser a galera do GPT. As pessoas tendem muito a fazer isso, a trazer para si esses símbolos de pertencimento e criar comunidades.

Concordo, concordo muito com isso. Aguardemos os próximos passos e qual será o veredito da justiça a respeito desta contenda. Elon Musk versus Sam Altman. Enquanto isso, eu quero fazer a boa e velha pergunta para vocês dois, aqui nessa nossa virada de chave. Rafael Coimbra.

em que você tem depositado a sua atenção nos últimos dias e que nós devemos também fazer a mesma coisa.

Estou de olho, Aros, numa tentativa, vou chamar assim, generalizar, vou juntar duas notícias em uma, no mundo das artes, de conter ou pelo menos identificar a inteligência artificial. Estou falando de um movimento que o Spotify fez recentemente, de criar um selo para diferenciar os artistas reais dos artistas que estão usando o IA. Quem acompanha o mundo musical tem visto uma proliferação de músicas geradas por inteligência artificial, e agora o Spotify...

decidiu organizar a casa. A pergunta que eu faço é será que isso vai ser o suficiente para que as pessoas entendam o que é Iá e o que é um artista de verdade? E a segunda pergunta é mesmo sabendo que é Iá, será que a gente vai deixar de ouvir uma canção se ela for muito bem feita por Iá? Eu já vi obras muito interessantes e eu ouviria aquela música mesmo sabendo que ela foi criada por Iá. E na mesma...

torrada, tem um movimento da Academia de Artes, que cuida, agora falando de obras cinematográficas, Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que anunciou algumas mudanças já para o ano que vem, incluindo o Oscar, e eles disseram o seguinte, olha, roteiro e artista não podem ser feitos por IA.

É um movimento muito parecido com o que a gente viu anos atrás. Teve greve de roteiristas, greve de atores e atrizes lá em Hollywood. Todo mundo muito preocupado com o uso da IA. E no caso aqui da Academia de Artes e Ciências, eles estão dizendo categoricamente que não pode usar. E aí, aqui fica também uma... Para mim é mais complexo ainda do que a história do Spotify. Porque o Spotify, pelo menos, ele admite que tem gente fazendo e ele rotula ou não. Mas no caso do Oscar, por exemplo...

Obviamente que um artista, a gente ainda vai conseguir entender se ele é feito por IA ou não. Personagem você conseguirá, talvez daqui a pouco não, mas hoje talvez a gente tenha técnicas para descobrir. A pergunta que eu faço aqui no caso do Oscar é teremos capacidade de identificar que um roteiro, ou pelo menos parte desse roteiro, não foi feito com a ajuda da IA? Minha humilde opinião é não ter a menor chance de nós hoje descobrimos isso. Ok.

Os modelos estão ficando cada vez mais sofisticados, a linguagem está muito parecida com a gente, e, novamente, eu acho que ninguém vai ser abusado ou usado de criar um roteiro 100% de um filme, de uma longa-metragem, 100% feito com o IA. Mas, uma parte, ou usar a IA como algo para gerar insight, para aprimorar textos...

Eu acho muito difícil que os roteiristas não usem. Se não estão usando, talvez não estejam dizendo que estão usando, mas eu acho que muita gente já está e vai usar cada vez mais porque são ferramentas que agregam valor ali no sentido de melhorar o roteiro. Não de criar do zero, mas de melhorar. Então, eu acho muito difícil...

que a Academia de Artes consiga monitorar isso. É só uma dúvida que fica. Talvez a saída fosse algo muito parecido como a do Spotify. É mais fácil você rotular, você dizer para o público o que está acontecendo, do que proibir, mas não ter nem como fiscalizar. E você, Roldão, em que você está atento?

Olha, essa seara aí do Rafa, da preocupação da produção intelectual, humana, do controle, de saber catalogar o que foi produzido por um humano ou através de inteligência artificial, acaba batendo na minha real atenção agora. Eu estou bem encantado com um livro, que é uma coisa analógica, não sei se vocês ainda lembram, papel, aquela coisa, tem letrinha preta num papel branco.

É bem analógico, totalmente revolucionário. O livro se chama Os Imortais. É uma coisa que me atraiu muito a atenção, porque é uma história que narra a trajetória de um clã de Neandertais.

pela uma savana e eles encontram um grupo de homo sapiens. E aí como se dá essa primeira relação em todos os níveis? Nível de relação social, nível de troca, na questão violenta, e obviamente não é um spoiler, isso está na contracapa do livro.

existe um problema de violência, de uma guerra entre eles, e uma criança dos sápiens acaba ficando dentro do núcleo dos nandertais. A história é sensacional, é super dinâmica, cheia de reviravoltas, e, mais surpreendente, começa pelo nome da autora, que se chama Pauline Torte.

simplesmente vencedora do prêmio APC, e finalista do prêmio Jabuti. E com isso, logo eu digo que ela é brasileira. Uma trama como essa, pensada... Não estou contando história, estamos contando a pré-história. E, assim, pensada por uma brasileira, super jovem, o livro acabou de ser publicado, saiu agora em março desse ano, e...

É surpreendente como a coisa toda que é levada lá numa sociedade pré-histórica podia ser muito bem passada nos dias de hoje. Então, repetindo o nome do livro, chama-se Os Imortais, publicação da editora Fósforo, nome da autora é Pauline Torti. E você, meu caro Aros, qual é a sua atenção para esse momento? O que você está vendo de interessante por aí?

Eu estou de olho no movimento do mundo do e-commerce. A gente está assistindo a uma movimentação bem interessante no mercado asiático. A gente viu investimentos bem interessantes da Alibaba, EA e outras plataformas. A Amazon tentando fazer a mesma coisa. Só que enquanto os chineses estão correndo por fora e a gente tem a Amazon ali dominando,

o mercado de maneira bem importante. Um velho conhecido, e é importante dizer velho conhecido porque ele é quase um clássico, o eBay está na mira de uma rede de lojas de games, a GameStop.

É uma proposta bilionária. O eBay pode ser comprado já numa divisão de receita entre dinheiro e ações. Eles já têm participação acionária no eBay, mas é um percentual pequeno ali, beira os 5%.

dos papéis e agora eles estão aumentando o valor da oferta por ação, subindo ali também a oferta pelo preço médio e etc. E já de acordo com o que vem sendo colocado, a perspectiva é de que eles façam essa aquisição com o objetivo muito simples, ampliar a presença da GameStop, que hoje tem mais de 1.600 lojas físicas,

no ambiente digital. E a ideia é fazer com que essas lojas sirvam de apoio ao eBay para a última milha. É um modelo que a gente já viu aqui e funciona, por exemplo, aqui na América Latina, muito bem com o mercado livre, só que o mercado livre não tem lojas físicas, eles têm parceiros para que essas retiradas possam acontecer.

O que é bem incomum nessa movimentação e por isso todo mundo do varejo está acompanhando isso com bastante atenção. O Financial Times, se não me engano, destacou isso há alguns dias.

citando que a GameStop está tentando comprar uma empresa que tem um valor de mercado quatro vezes maior do que o dela. E aí, óbvio que a aposta de alguns analistas se dá no seguinte, o que viabiliza um negócio como esse é o alto nível de endividamento.

dessa empresa. E aí eles têm uma projeção, uma expectativa importante de ganhos lá na frente para poder viabilizar o negócio. Eles têm cartas de compromisso, têm aportes garantidos, algumas dezenas de bilhões de dólares para bancar essa conta, fora o caixa que eles têm, que é bem portentoso. Agora, de um modo ou de outro, é interessante dizer...

que a gente tem um cenário em que o eBay hoje, apesar do tamanho e apesar de ter uma movimentação bem expressiva, ele não é necessariamente um protagonista como esses outros que eu citei no cenário global.

A aposta mesmo da GameStop é muito na linha de outros players do varejo físico que tinham iniciativas no digital e que fizeram essa inversão por meio dessas fusões e aquisições.

a ver se isso se sustenta. De um modo ou de outro, para muitos desses players, e aí vale a gente dizer que isso inclui aqui no Brasil, por exemplo, o mercado livre, que goza de uma margem bem importante de predominância no mercado.

o que existe é uma preocupação muito grande com a maneira como esses e-commerces asiáticos têm operado. E quase todos eles romperam a lógica e a dinâmica da compra por meio do aplicativo ou por meio do site.

quase todos eles operam dentro de aplicações com modelos gamificados, o live shopping, é uma outra dinâmica. E isso tem balançado e bagunçado muito o setor. Vamos entender, a partir de análises que seguramente estão sendo feitas e logo serão divulgadas, como ficam as peças sobre esse tabuleiro nos próximos...

nos próximos meses e se de fato essa proposta de 55 bilhões de dólares vai ser efetivada sendo compra do eBay pela GameStop, fazendo com que a GameStop somada ao eBay, tentem de alguma maneira rivalizar

que é a Amazon, que eu insisto, tem olhado muito mais para frente do que para trás. A preocupação dela está em outro continente.

Senhores, eu só posso dizer a vocês muito obrigado e até semana que vem. Nos encontramos na próxima semana, Rafael Coimbra. Um abraço, Aros e Voldão. Até semana que vem. Lembrando para você que nos ouve que esse julgamento está rolando, o papo principal aqui do nosso podcast. E tanto lá nos Estados Unidos quanto aqui no Brasil, a MIT Technology Review estará acompanhando todos os detalhes. Então aguarde aí desdobramentos.

via nossas redes sociais. Até semana que vem. Um abraço, Rafa. Roldão, um abraço para você também. Até semana que vem.

Obrigado, gente, pelo papo. A gente está acompanhando, quem diria, uma série de tribunal estrelada por gigantes da tecnologia. Que coisa, né? A gente não sabe nem o que é streaming que está passando, mas garanto que é diversão pura. Eu vi algumas fotos lá, o Elon Musk com a cara muito fechada e o Sam Altman com aquela cara meio de robô dele que ele tem, meio sem expressão.

Então seguimos acompanhando novidades no site da MIT Technology Review e estamos prontos aí até a semana que vem. E para você que nos acompanha, faço a fortíssima recomendação de que se você ainda não assina a MIT Technology Review, você o faça. A nossa mais nova edição, edição mobilidade, agora do mês de abril que acabou.

ser encerrado, já está no ar. Está lindíssima, muito conteúdo bacana, reportagens especiais, muitos artigos, muitas análises, enfim, os assinantes têm acesso a este conteúdo e muitos outros, então mttechreview.com.br barra assine. Lembra você que esse nosso podcast é um oferecimento do SAS, líder em analytics. A gente se encontra na semana que vem. Um grande abraço.

Tchau, tchau.

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