Episódios de Preparando o domingo

21 domingo do tempo comum

23 de agosto de 202620min
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Autoridade é serviço

Assuntos4
  • Autoridade como serviçoAutoridade divina·Servir ao povo·Deus
  • Reconhecimento de Jesus como MessiasExpectativa messiânica·Filho do Deus vivo·Jesus Cristo·Pedro
  • A Igreja e a autoridade de PedroChaves do reino dos céus·Sucessão apostólica·Papa·Servo dos Servos
  • Exercício da autoridade com bondadeAutoridade divina·Serviço·Misericórdia
Transcrição7 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Preparando o Domingo.

?Voz B

Bem-vindo, bem-vinda a mais um encontro Preparando o Domingo. Eu sou Carlos André e nós vamos juntos ler os textos do 21º Domingo do Tempo Comum. Ao ler os textos da Bíblia, somos convidados a invocar o Espírito Santo de Deus, aquele que nos inspira do alto a compreender e colocar em prática aquilo que vamos compreendendo da Sagrada Escritura.

?Voz A

Vem Espírito do Pai e do Filho, vem Espírito de amor, vem Espírito de infância, de paz, de confiança e de alegria. Vem alegria secreta que brilha através das lágrimas do mundo. Vem Espírito Santo, vida mais forte que nossas mortes. Vem, Pai dos pobres e advogado dos oprimidos. Vem luz da eterna verdade e de amor derramado em nossos corações. Permanece em nós, Santo Espírito de Deus. Não nos abandones, nem no duro combate da vida, nem no momento em que tocarmos o final da caminhada. Vem, Santo Espírito de Deus. Amém.

?Voz B

A primeira leitura é extraída do livro do profeta Isaías. Assim diz o Senhor a Sóbina, o administrador do palácio: Eu vou te destituir do posto que ocupas e demitir-te do teu cargo. Acontecerá que nesse dia chamarei meu servo Eliassim, filho de Alcias, E o vestirei com a tua túnica e colocarei nele a tua faixa, porei em suas mãos a tua autoridade. Ele será um pai para os habitantes de Jerusalém, para a casa de Judá. Eu o farei levar aos ombros a chave da casa de Davi.

Ele abrirá e ninguém poderá fechar, ele fechará e ninguém poderá abrir. Hei de fixá-lo como estaca em lugar seguro, E aí ele terá o trono de glória na casa de seu Pai. Curioso esse texto, não é? Porque afinal vemos o profeta Isaías se dirigir a alguém que parece ser revestido de grande poder. Afinal, ele promete dar este poder a um outro. Então esse administrador do palácio, podemos imaginar a arrogância de quem se sente, portanto, dono do palácio onde habita o rei.

E dessa forma, o profeta nos dá uma chave que nos interessa nesse texto de hoje, que é compreender que toda autoridade de alguma forma é sustentada pela mão de Deus. É isso que ele quer dizer. Autoridade não teria autoridade se Deus mesmo não tivesse confirmado. E aí o texto parece dizer que, da mesma forma, aquela autoridade que se torna vil, Deus a destituirá do seu poder para entregar este poder a um outro. Essa forma de pensar do mundo antigo, não é, de que não deveremos jamais nos exaltar, ficar soberbos, ostentar qualquer tipo de poder, porque ele é feito para servir.

Olha o que ele diz: colocarei, vestirei a tua túnica em um outro, e ele será um pai, como um pai para Israel. Isto é, quem deve governar deve na verdade ter dentro de si a certeza de que sou chamado para servir como um pai que serve aos seus filhos. Dessa forma é a forma como o povo de Deus vê a maneira de dirigir, de governar, que agrada a Deus. Então, governante que buscasse apenas satisfazer a sua própria vaidade estaria, digamos, agindo contrário à vontade de Deus, e sobre ele pesa, portanto, um veredito profético: Deus haverá de te tirar o poder e dar a um outro.

É uma maneira que a gente pode dizer assim: quem dera fosse assim realmente nos nossos dias. Mas não é isso que realmente interessa quando nós lemos esse texto. Interessa-nos a lição que fica através da mensagem do profeta, que é essa: quem serve a todos, quem recebe uma autoridade, descobre que ela foi feita para servir, não para outro fim. Por isso, almejar alcançar qualquer tipo de grau numa hierarquia, qualquer que seja ela, implica estar também disposto a assumir a responsabilidade do cuidado Pode ser qualquer cuidado.

Se estamos como chefe de uma instituição, o cuidado por aqueles que estão a seu serviço, como servidores, como empregados, funcionários. Existe um cuidado necessário com cada um deles, não é? Afinal de contas, a sua autoridade, quando exercida de maneira arrogante, de maneira indiferente para o bem daqueles que estão à sua volta, é lógico que se torna uma autoridade desumana. Infelizmente, nós sabemos que não é assim que acontece na maioria dos casos.

Portanto, não estamos imaginando que isso aconteça, estamos dizendo o que é que agrada a Deus quando queremos, como cristãos, agir corretamente. Mas se queremos agir corretamente, teremos que descobrir isso, né, que a autoridade que Deus nos dá, não importa por que meios, seja porque é proprietário dos meios de produção, seja porque assumiu um cargo dentro de uma empresa e, portanto, tem subordinados. Isso tudo não me coloca numa situação humanamente falando superior, que todos nós somos filhos e filhas de Deus.

É nesse sentido então que descobrimos nesse texto um aspecto que está presente no nosso dia a dia, mas que aqui aparece na forma de uma profecia em que o profeta anuncia a um funcionário real, ao administrador do palácio que parece que vivia de ostentação, que Deus haverá, portanto, de tirar dele o seu poder por causa disso, porque com isso ele não se tornou aquilo que deveria ser, né, um servidor. E aqui, com a expressão bíblica, um pai do povo, né.

Bonito pensar isso, porque isso nos coloca, cada um de nós, diante de uma responsabilidade de compreender que toda autoridade implica um compromisso com o irmão, um compromisso social Deus nos dá bens para administrá-los e não para fazer deles uma posse egoísta. Nesse sentido, vale para todos os âmbitos da vida. Em todo caso, vemos o quanto o Salmo vai remeter a Deus essa bondade, não ao ser humano. Ó Senhor, vossa bondade é para sempre, completai em mim a obra começada.

Espero que cada um de nós possa fazer este caminho, que pela fé começamos, Mas é um caminho que busca a proximidade com Deus, isto é, eu quero me tornar, de certa forma, semelhante ao modo como compreendemos ser o modo de Deus agir, porque esperamos que Deus aja conosco com misericórdia, ajamos com misericórdia; desejamos que Deus seja bondoso conosco, sejamos bons uns para com os outros; que Ele complete em nós. Estamos a caminho.

E ali vemos como São Paulo, na Carta aos Romanos, vai ampliar essa compreensão, mostrando o quanto somos, de fato, incapazes de compreender os caminhos de Deus. Ele diz: Ó profundidade da riqueza, da sabedoria e da ciência de Deus! Uma exclamação bonita, né? Como ele admira, como Deus é muito maior do que a minha capacidade de compreender essas coisas que a gente acabou de falar. Como são inescrutáveis os seus juízos e impenetráveis os seus caminhos!

De fato, quem conheceu o pensamento do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Ou quem se antecipou em dar-lhe alguma coisa de maneira a ter direito a uma retribuição? Na verdade, tudo é dele, por ele, para ele. A ele somente a glória para sempre. Olha só, não há nenhuma autoridade que a gente possa assumir neste mundo que possa valer alguma coisa, porque há uma autoridade maior que podemos digamos assim dizer, a qual nós todos estamos submetidos e dignamente submissos, é a autoridade de Deus.

Qualquer um que humilhe o seu irmão por causa de uma vã autoridade, na verdade, faz um ato desumano. O único ato humano verdadeiro é o ato que se submete ao único que pode ter autoridade real sobre cada um de nós, que é Deus. Nenhum de nós fica humilhado quando se submete à autoridade de Deus. Porque ele é bom. No entanto, submeter-se à autoridade de um homem vil é humilhante. Submeter-se por obediência exclusiva à autoridade de alguém que por arrogância soberba impõe o seu desejo é humilhante.

Mas o quanto é bonito e é gostoso obedecer a um homem bom! Quem de nós não já fez essa experiência? Nos dá prazer, alegria poder servir a quem é bom, alguém que é bom e exerce a autoridade com bondade, Fazemos questão de poder estar submissos a eles, porque percebemos nisso algo que volta a nós como alegria, alegria de poder contribuir para a bondade de quem é bom. Todos nós gostaríamos. Portanto, essa é a verdadeira autoridade.

Quem na sua autoridade age com bondade, como Deus age conosco, se assemelha a Ele e se torna, portanto, capaz de expandir, de fazer enlarguecer, ampliar o seu rol, daquilo que ele mesmo experimenta, o rol daquilo que são os dons de Deus em sua vida. Então, na medida em que a sua autoridade transmite isso, tenha certeza, aqueles que estão sob o seu comando serão muito mais felizes e terão prazer em servir a quem é bom, como Deus é bom.

Então, completai em nós a obra começada, que diz o Salmo, parece nos fazer bem compreender o quanto a Aquilo que nós buscamos é servir a única autoridade sob a qual nos tornamos mais humanos quando nos submetemos, que é a autoridade de Deus mesmo.

?Voz A

Aleluia, aleluia, aleluia, aleluia, aleluia, aleluia, aleluia. Aleluia!

?Voz B

Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus. Naquele tempo, Jesus foi à região de Cesareia de Filipe e aí perguntou a seus discípulos: Quem dizem os homens ser o Filho do Homem? Eles responderam: Alguns dizem que é João Batista, outros que é Elias, outros ainda que é Jeremias ou algum dos profetas. Então Jesus lhes perguntou: E vós, quem dizeis que eu sou? Simão Pedro respondeu: Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo. Respondendo, Jesus lhe disse: Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu.

Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. Eu darei as chaves do reino dos céus. Tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus. Tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus. Jesus então ordenou aos discípulos que não dissessem a ninguém que ele era o Messias. Esse texto que nós acabamos de ouvir, ele é riquíssimo de significados teológicos, se nós quisermos dizer assim, a respeito daquilo que nós compreendemos ser a figura de Jesus.

Aqui o que mais sobressai é o final: ninguém dizer a ninguém que ele era o Messias. Afinal, o que é mesmo isso, né, no tempo de Jesus? O Messias era uma expectativa que aquele povo nutriu de que depois de passadas todas as catástrofes que representou o exílio, a destruição da cidade, destruição do templo, a possível perda, digamos assim, de sua herança, de sua identidade como povo misturado no meio de um povo pagão estrangeiro na Babilônia, é tudo isso fez com que o risco que aquele povo correu fosse colocado em uma situação tal que, de fato, nós agora não poderíamos estar aqui se não tivéssemos, digamos assim, esta herança que chegou até nós através do povo judeu, que Deus haveria de enviar um Messias.

Essa esperança é Deus estar conosco, apesar de nossas faltas, nossas fraquezas, nos afastamos tantas vezes, Deus não nos abandona. A esperança se concretizou em um Messias, o Enviado. Deus haverá de enviar o seu Enviado e Jesus Cristo, para nós cristãos, é este Enviado de Deus. Que nos ajuda, portanto, a compreender os caminhos que nos levam a Deus, ao Pai. Veja como esse Messias que aparece aqui é um Messias revestido de autoridade, é aquele que haverá de conduzir o povo em direção a Deus.

Por isso que era o enviado do próprio Deus, é uma espécie de delegado de Deus no mundo, não é? Mas aqui a gente percebe que em Jesus Cristo ele é mais do que isso, ele é Deus mesmo que vem como um pastor que conduz as suas ovelhas ao encontro daqueles que, com a esperança no coração, o encontram. Então, nesse sentido, aquilo que é contado nesse episódio é o reconhecimento dos apóstolos de que Jesus é o Messias. Afinal, é Pedro quem diz: Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo.

E ali ele acrescenta uma frase nova, porque no passado não se imaginava o Messias como um Filho do Deus vivo. O Messias era apenas um enviado de Deus. Mas Pedro vai além, ele é o próprio Filho do Deus vivo, o Deus verdadeiro nesse sentido, né, aquele ao qual nós todos não podemos passar sem reconhecer diante de tudo aquilo que foi criado, sendo o Criador de todas as coisas. Portanto, não há autoridade maior do que a dele. É alguém que então descobre que existe no mundo uma autoridade ao qual eu preciso me submeter para que eu me torne quem eu sou, ser humano, criatura.

Filho amado. Sem esse passo não dá para fazer o segundo passo, não é? Quando é que a gente se encontra, portanto, descobrindo-se filho? Eu preciso primeiro fazer o passo de reconhecer Deus como esta autoridade sobre mim para que eu diga: sim, Senhor, será o maior prazer poder servir-te. E servir a Deus significa agir conforme aquilo que ele nos ensina. Então veja como todo esse texto nos conduz para isso. Primeiro fala-se da autoridade nas primeiras leituras, mostrando que toda autoridade vem de Deus, e aqui é Deus mesmo que manifesta a sua autoridade em Jesus Cristo.

E ali descobrimos um segundo passo, esta autoridade de Jesus que ele transmite a Pedro em nome de toda a Igreja, de todos os discípulos, de toda a humanidade, dizendo: aquilo que você, como Aquele que recebe as chaves, assim como a gente viu na primeira leitura, né, o chefe, o administrador do palácio está aqui para ser pai do povo. Então, assim como a gente tem hoje o Papa, né, o pai do povo, a gente vê como isso é refletido da primeira leitura lá do profeta Isaías.

Aquele que é chamado para servir é para servir ao modo como Deus serve, com bondade e misericórdia, sendo para o povo como um pai. É dessa herança que a Igreja Católica recebe, portanto, desse texto, o fundamento para acreditar que, assim como Jesus deu a Pedro esse poder das chaves, Pedro recebe também um poder de transmitir este mandato adiante. É nessa transmissão de um mandato dado a Pedro que nós, como católicos, né, confiamos que é o Papa aquele que, sendo eleito pelos seus pares, representa esta continuidade da missão de Pedro, essa missão de ser servidor de todos.

É à toa que o título maior que o Papa possui é esse mesmo, né, Servo dos Servos. Jesus colocou a ele não para ser exaltado diante dos seus irmãos, mas para que ele possa continuar a sua missão, a missão de Jesus que veio para servir. Então não faz nenhum sentido, de fato, né, numa hierarquia eclesiástica que haja qualquer tipo de pretensão a ser servido ou a ser exaltado, ou quem sabe exercer com soberba qualquer tipo de autoridade que o seu cargo lhe confira.

Porque afinal, a própria Sagrada Escritura nos mostra que cargo recebido é missão de serviço acolhida com compromisso real de ser para o irmão aquele rosto de Deus bondoso e misericordioso que se manifestou em Jesus. Nesse sentido, enviado ser Messias, uma vez Jesus tendo revelado quem ele é através aqui do da palavra de Pedro faz com que todos nós também nos sintamos assim, enviados. Não à toa, a palavra grega também é usada como apóstolo, aquele que é enviado.

E nós todos somos convidados a ser apóstolos nesse sentido, né, que a palavra hoje nos oferece, no sentido do serviço, né, no serviço do acompanhamento, de deixar com que o nosso gesto reflita o mesmo gesto de Deus para conosco. Nós nos submetemos à autoridade de Deus sobre nós para que possamos ser uns para os outros servidores. É muito bonito pensar assim e ver esses textos que nos conduzem a ver a figura do Papa, a figura do sucessor de Pedro, como a figura do servidor dos servidores.

E quem sabe isso possa inspirar a todos nós a também exercer aquela pequena ou grande autoridade que cada um de nós tiver recebido na vida sobre alguém, sobre coisas, nós possamos fazer do mesmo jeito, perceber toda autoridade como um chamado ao serviço. Obrigado, Senhor, pelo dom da vida. Obrigado pelo dom da tua palavra. Obrigado pelo dom do teu servidor Pedro e os seus sucessores, atualmente o Papa Leão 14. Ajuda-os a ser cada vez mais capazes de exercer pelo serviço aquele ministério da bondade, da misericórdia, que foi o teu ministério, que veio para servir e não ser servido.

Que toda autoridade se inspire na forma humilde e simples com que os teus servos servem à comunidade cristã. Que toda autoridade possa reconhecer o próprio compromisso diante de ti e dos outros de colocar-se a serviço, e um serviço que não impõe, que não oprime, mas um serviço que permite que cada um desabroche, amplie as suas aptidões, os seus talentos, para que cresça dentro da comunidade cristã, da comunidade humana, aquele espírito servidor que promove a paz.

Que a tua misericórdia e bondade guie a tua Igreja, guie os teus servos, guie todos aqueles que exercem alguma autoridade nesse mundo, a compreender-se como servidor dos demais e assumir este compromisso diante de Ti. Abençoa-nos hoje e sempre, Pai, Filho e Espírito Santo. Amém. Fica a dica! A dica da semana é refletir sobre o valor e a importância de exercer uma autoridade com o modo como Deus exerce autoridade. Isto é, se cada um de nós exerce uma pequena autoridade sobre qualquer espaço dessa vida, eu a compreendo como motivo de orgulho, vaidade, quem sabe até soberba e ostentação, ou faço isso com um coração generoso de quem se coloca a serviço e recebeu apenas um compromisso de servir?

Que esta reflexão possa nos ajudar a pensar o como nós também escolhemos aqueles que exercerão autoridade sobre nós, que são os nossos políticos. Escolhemos aqueles que têm essa consciência do seu mandato como um serviço ao povo, ou aleatoriamente não nos importamos com a conduta daqueles que elegemos? Afinal, o serviço é a condição para aceitar viver como político a autoridade que será confiada pelo nosso voto. Fica a dica.

?Voz A

Preparando o Domingo.

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