Assunção de Maria
Esperança de vida
- Assunção de Maria· ReligiaoEsperança de vida eterna·Primeira leitura: Apocalipse·Segunda leitura: Primeira aos Coríntios·Evangelho: Magnificat
- Expectativas humanas vs. desígnios divinos· ReligiaoMaria como primícia da ressurreição·A humanidade e a divindade em Jesus·Esperança na ressurreição futura·A luta contra o mal
- Oração do Magnificat· ReligiaoDeus olha os pequenos e pobres·Justiça divina e necessidade humana·A pobreza dos santos·A santidade como caminho cristão
- Deus de toda consolação· ReligiaoCristo como primícias dos mortos·A ressurreição para todos·A esperança na vida eterna
Preparando o Domingo.
Bem-vindo, bem-vinda a mais um encontro Preparando o Domingo. Eu sou Carlos André e nós vamos juntos ler os textos desta festa bonita, a festa da Assunção, a solenidade da Assunção de Maria, ela que é a Mãe de Jesus, ela que recolhe para nós, segundo o Evangelho, esta descendência de Jesus, isto é, somos filhos e filhas adotivos graças a Jesus Cristo, e graças a ele também recebemos esta mãe, a Mãe Maria, aquela que eleva, leva até Deus as nossas preces e que enche a nossa vida de esperança por ter sido ela a primeira a receber os frutos da ressurreição de Jesus.
Jesus ressuscitou, está junto de Deus, é assim que acreditamos que Maria também está, como a primícia, aquela que também compartilha com ele, por ter sido a Mãe, aquela que gerou Jesus na carne, que também compartilha da mesma experiência da ressurreição. Ela é a primeira e a única, até que todos nós um dia, na ressurreição definitiva, nos encontremos. Essa é a doutrina, essa é a fé católica que nos ensina o significado desta Assunção de Maria, ela que vai sendo elevada ao céu para que assim possa trazer a nós a esperança de um dia participar, como ela, da vida eterna.
É por isso que festejamos com alegria essa festa de hoje, mas sabendo que ela nos prepara também para vivermos juntos um dia aquilo que Jesus prometeu para todos: a vida eterna, a vida plena, a vida total. Vamos então invocar o Espírito Santo de Deus.
Vem Espírito do Pai e do Filho, vem Espírito de amor, vem Espírito de infância, de paz, de confiança e de alegria. Vem alegria secreta que brilhas através das lágrimas do mundo. Vem Espírito Santo, vida mais forte que nossas mortes. Vem Pai dos pobres e Advogado dos oprimidos. Vem luz da eterna verdade e de amor derramado em nossos corações. Permanece em nós, Santo Espírito de Deus. Não nos abandones, nem no duro combate da vida, nem no momento em que tocarmos o final da caminhada. Vem, Santo Espírito de Deus. Amém.
A primeira leitura de hoje é do livro do Apocalipse de São João e diz assim esse trecho muito bonito: Abriu-se o templo de Deus que está no céu e apareceu no templo a Arca da Aliança. Então apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de 12 estrelas. Então apareceu outro sinal no céu: um grande dragão cor-de-fogo, tinha 7 cabeças e 10 chifres, sobre as cabeças 7 coroas.
Com a cauda varria a terça parte das estrelas do céu, atirando-as sobre a terra. O dragão parou diante da mulher que estava para dar à luz, pronto para devorar o seu filho logo que nascesse. E ela deu à luz um filho homem que veio para governar todas as nações com cetro de ferro. Mas o filho foi levado para junto de Deus, de seu trono. A mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um lugar. Ouvia então uma voz forte no céu proclamando: Agora realizou-se a salvação, a força e a realeza de nosso Deus e o poder do seu Cristo.
Esse trecho do livro do Apocalipse, muito conhecido, afinal ele fala de uma imagem desta mulher que está para dar à luz e descreve esta mulher de forma grandiosa. E aqui temos uma pequena passagem. O que é mais importante reter de um texto como esse é notar como os primeiros cristãos fizeram um trabalho de reflexão, que a gente chamou de reflexão teológica, muito bonito e profundo, porque afinal a realidade era dura. A comunidade vivia sendo perseguida, perseguida por todos aqueles que no tempo do Império Romano não poderia admitir que Jesus, tendo sido homem como qualquer outro, vivendo as coisas do dia a dia, pudesse ter ressuscitado e assim manifestado quem ele realmente é.
Filho de Deus, Deus mesmo. Portanto, algo inusitado, difícil de imaginar mesmo para os nossos dias, né, que possamos compreender que Deus tenha se feito homem e habitado, vivido conosco, e assim nos ensinado a descobrir quem somos. Porque afinal, saber quem somos faz toda a diferença. Saber quem somos no sentido mais profundo: somos filhos e filhas de um único Deus amoroso, Pai, e criador de todas as coisas, somos irmãos. Essa é uma palavra forte.
Quanto mais a gente aprofunda o significado dela, mais ela vai se tornando pra nós importante do ponto de vista da fé, da experiência cristã, que é aquela que nós transmitimos com o nosso dia a dia. Esta é a experiência cristã. Deus veio ao mundo e ao chegar através de Maria revelou algo que não poderíamos jamais imaginar, que a nossa natureza humana pudesse estar fazendo agora parte desta natureza divina, como em Jesus se encontrou.
Então, esse é um grande mistério da fé, que o humano tenha se encontrado com o divino. E é isso que a gente celebra na festa de hoje e que neste texto João, de certa maneira, faz uma síntese. Assim como a Igreja é aquela que manifesta Cristo no mundo pela sua ação, pela sua vida, Maria também foi aquela que manifestou Cristo na sua carne. É daí que brota a fé na festa de hoje, né, Assunção de Maria, porque na carne Jesus veio e assim habitou entre nós, entre a humanidade.
E Maria, portanto, aquela que foi quem recebeu este dom de acolher esta semente divina em si, não poderia, portanto, ver o seu corpo ter o destino de todo e qualquer homem. Essa é a esperança que faz com que a festa de hoje Revele-nos algo que está escondido também em nós, que este corpo mortal, assim como era mortal o de Maria, será um dia vivificado e será eternamente colocado ao lado de Deus. Aquilo que dizemos de Maria, na verdade, é aquilo que esperamos para nós.
Por isso que a fé na Assunção não é uma fé em um privilégio exclusivo de Maria, mas é uma fé de que Maria tenha sido a primeira daquilo que esperamos que seja para todos. A ressurreição na carne, a ressurreição para a vida, a ressurreição plena, plena em todos os sentidos que a gente possa atribuir essa palavra. E assim então que esse texto do Apocalipse não poderia ser de outra forma, é um texto com imagens grandiosas, extraordinárias, um dragão, porque revela o drama humano, o drama da vida.
A gente, enquanto tá vivo, a gente tá vivendo esse drama, é a luta constante que cada um vive. E ali, neste modo de contar que é o típico da linguagem do Apocalipse, a gente percebe que esta luta ela se dá também num plano espiritual, num plano mais profundo, um plano que está para além da nossa capacidade de compreensão. E é ali então que se joga toda a linguagem apocalíptica, que pode nos incomodar porque não é como a nossa, mas a gente precisa entrar no jeito de falar desse povo para compreender onde ele quer chegar, né?
Afinal, é a igreja do tempo de João quando esse texto é escrito. A igreja do tempo atual é não um grupo seleto de pessoas, uma bolha onde tudo circula como se só esses iniciados poderiam compreender e ter acesso a verdades secretas. Não, esta, esta luta é da humanidade inteira, isto é, todos os homens são atingidos pela alegria da ressurreição. Portanto, todos os homens se tornam objetos, digamos assim, dessa inimizade que surge dentro de nós entre o bem que queremos e o mal que se insinua.
Então essa é uma luta que atravessa várias áreas da vida da gente. É por isso que entender assim a religião nos permite olhar para o mundo e ver aquilo que Jesus via. Porque quando ele falava para as pessoas, ele não falava de uma religião, ele falava de algo que brotava do seu interior, da sua condição humana mais profunda. É ali que a gente vai encontrar Deus, quando a gente encontrar o que há de mais profundo, mais humano dentro de nós.
E é claro, isso vai nos ensinar muita coisa fazer esse exercício constante de não se permitir aprisionar por ideias, quem sabe, que nos faz muito confortáveis dentro do nosso grupinho, mas que nos impede de dialogar, de escutar os dramas, os sofrimentos, a vida que está em nossa volta, a vida de todas as pessoas, né, constantemente nos interpelam a partir da nossa fé. O que que Deus tem para falar sobre o meu sofrimento, aquilo que eu vivo?
Então, viver assim é perceber aquilo que Jesus foi. Jesus foi Deus na carne, então ele experimentou aquilo que é o drama humano. E aqui a Assunção de Maria fala disso, né? Maria só assumiu a condição de estar ao lado de Deus porque na sua carne recebeu o Filho Deus mesmo. Olha bem como a gente vai ver que a liturgia vai recuperar textos que recordam essa grandeza daquilo que foi e representou para Maria e para nós ter sido aquela que acolhe a presença de Deus mesmo, né, o Filho de Deus entre nós.
Porque vai dizer assim: a vossa direita se encontra a rainha com veste esplendente de ouro de Ofir. É claro que não é de Maria que esse texto se falava quando foi escrito pela primeira vez, séculos, muitos séculos antes. Mas é lógico que cai muito bem para nós perceber que ele se enquadra naquilo que é, que representa para nós a presença de Maria como a rainha, já que ela é a mãe do rei. É dessa linguagem muito antiga, né, que pode nos incomodar, como a gente sempre sente assim quando lê a Bíblia, mas que a gente tem que recuperar o sentido das coisas.
Por isso que aqui vale a pena a gente perceber como a segunda leitura, que é a primeira carta aos Coríntios, vai nos dar Uma dica sobre o que significa tudo isso, né? Ressuscitar, irmãos. Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram. Com efeito, primícia quer dizer, né, como o primeiro primado dentre os que morreram. Como ele morreu, ele é o primeiro, ele tem a preferência, não é? Ele é o primeiro a fazer algo extraordinário.
E diz: com efeito, por um homem veio a morte, é também por um homem que vem a ressurreição dos mortos. Como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos reviverão. É aqui São Paulo tá usando um argumento que é do seu tempo, né? Comparar Cristo a Adão não é que faça para nós hoje grande efeito, mas faz um efeito simbólico. Se na Sagrada Escritura se simbolizou o sofrimento a partir da queda, isto é, da fraqueza, do limite humano concentrado ali na figura deste personagem mítico que é Adão, Assim, Cristo, que não é um personagem mítico, mas que é um personagem real, representa também para nós essa retomada daquilo que de fato nós somos.
Somos filhos de Deus e, portanto, temos esperança de herdar a vida que veio justamente daquele que nos cria, né? Deus é o criador da vida. Então, ali continua o texto: porém, cada qual segundo uma ordem determinada. Cada um vai ressuscitar segundo uma ordem. Em primeiro lugar é Cristo, porque a primícia é o primeiro. Depois, os que pertencem a Cristo por ocasião de sua vinda, é a esperança na ressurreição total da vida dos mortos, né, quando um dia todos ressuscitarão.
E aí ele conclui: a seguir será o fim, quando ele entregar a realeza a Deus Pai, depois de destruir todo principado e toda força, todo poder, pois é preciso que ele reine até que todos os seus inimigos estejam debaixo de seus pés. O último inimigo a ser destruído é a morte. Com efeito, Deus pôs tudo debaixo de seus pés. Veja como São Paulo traduz, né, a ressurreição. A ressurreição de Jesus não é algo para ele apenas. Ele é apenas o primeiro, por isso que é primícia.
Então, se ele é o primeiro, é porque eu creio que virão outros. E se virão outros, esta esperança é de que esses outros serão primeiros que estão unidos a ele na esperança da ressurreição. Mas que todos um dia encontrarão em Deus uma resposta, né, um dom da vida. É muito bonito que a gente possa recuperar a nossa fé na ressurreição e esperança como um dom que Deus distribui a todos, né, não um grupo seleto daqueles que quem sabe foram bonzinhos na vida e vai receber o prêmio da vida eterna.
Ele fala que Cristo, se ele ressuscitou, ressuscitou para todos, é para a vida que ele ressuscita. E é assim que esses textos nos encaminham para compreender o mistério, isto é, a verdade que está incluída na festa que fazemos hoje a Maria. Na verdade, é a festa que fazemos ao grande dom que Deus nos dá através da Mãe, através de Maria.
Aleluia, aleluia, aleluia, aleluia. Aleluia, aleluia, aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas. Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se apressadamente a uma cidade da Judeia. Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Com um grande grito, exclamou: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar?
Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, A criança pulou de alegria no meu ventre. Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu. Então Maria disse: A minha alma engrandece o Senhor e o meu espírito exulta, se alegra em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada, porque o Todo-Poderoso fez grandes coisas em meu favor.
O seu nome é santo e sua misericórdia se estende de geração em geração a todos os que o respeitam. Ele mostrou a força de seu braço, dispersou os soberbos de coração, derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes, encheu de bens os famintos e despediu os ricos de mãos vazias. Socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, conforme prometera aos nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência para sempre.
Maria ficou 3 meses com Isabel, depois voltou para casa. Esse trecho que nós lemos, conhecido como Magnífico que é uma oração que também podemos cada um de nós repetir todos os dias, porque ela é uma oração que brota de um coração unido à vida, à realidade do povo da sua época. Que afinal de contas, o que é que Maria fala aqui senão ecoa algo que nós encontramos nos profetas, nós encontramos de um canto muito antigo atribuído a Ana no livro de Samuel, e percebemos o quanto aqui Maria revela através desse gesto a sua conexão profunda tanto com as esperanças do seu povo quanto com aquilo que representa a fé de Israel.
Deus olha os pequenos, os pobres. Deus não está do lado dos opressores, daqueles que acumulam e deixam outros passando necessidade. Deus é um Deus justo, não de uma justiça semelhante à dos homens, distributiva, cada um dá segundo o seu mérito. Mas é uma justiça que dá a cada um segundo a sua necessidade. A necessidade de comer, de viver, de vestir-se é uma necessidade. Não poderia ser, digamos, retirado de ninguém esse direito, por qualquer motivo que seja, né?
Não há um motivo que possa justificar diante de Deus aquela realidade da miséria que leva à morte, né? A miséria que leva à morte, aquela que leva à fome, à exclusão dos bens necessários à vida. É dessa miséria que Deus desagrada. Afinal, existe uma pobreza que significa simplicidade, significa não ostentar, significa solidariedade, comunhão profunda uns com os outros, significa discrição e capacidade de ser feliz encontrando a alegria das pequenas coisas.
Essa é a felicidade e a pobreza dos santos, dos mais pequenos, daqueles que encontraram que a alegria da vida não precisa de grandes fortunas para que ela se realize. Mas ela precisa de um coração simples, sincero, atento à vida das pessoas, à vida dos irmãos, das pessoas que estão à nossa volta. É assim que esse canto de Maria revela, portanto, um caminho de santidade para todo cristão. E é bonito que a Igreja reze este canto todos os dias à tarde na sua liturgia, quando todos aqueles que comungam da liturgia das horas têm a ocasião, portanto, de fazer desse canto Um canto que conclui, digamos, a jornada, permitindo que depois, ao dormir à noite, né, recordemos um outro canto bonito.
É interessante notar que a nossa vida é assim percorrida por ocasiões, por momentos em que temos a chance de me encontrar, de se encontrar com aquilo que é mais profundo, que faz sentido, que, digamos, sem isso nada mais vai ter o mesmo valor, porque tudo passa muito rápido. Mas tem coisas que não passam, tem valores que ficam. É nessa busca das coisas que restam quando tudo passa que faz com que a nossa fé amadureça. Enquanto pensamos na fé sobre coisas passageiras, a nossa fé ainda continua infantil.
É aquela que busca somente as bênçãos para hoje, mas o Deus das bênçãos que nos protege, nos guarda para sempre, muitas vezes é menos interessante porque ele não atende só aos nossos desejos, né? Ele tá ali mais interessado no desejo da coletividade, do seu povo, do mundo inteiro. E é difícil às vezes, né, compreender tudo isso. Afinal, nós experimentamos apenas aquele mal menor ou aquele mal que nos atinge individualmente. Nem sempre a gente tá atento a esse mal maior que atinge uma sociedade inteira e que talvez eu precise abrir mão de algo que me parece importante para minha vida para que outros tenham mais vida.
É ali que a gente descobre que o canto de Maria é profundo, que naquele momento ela poderia estar exaltada com o grande dom que ela descobre que traz no seu ventre, mas se alegrar e se autoglorificar por isso. Mas ela não, ela glorifica aquele que olhou os pequenos e pobres. E ela diz: eu serei bendita não por orgulho, mas porque ela sabe o quanto fazer esse gesto é um gesto radical. De perceber que não, você, você não é o centro do mundo e nem pode esperar que Deus o coloque neste lugar, mas pelo contrário, com toda humildade, reconhecer que este dom que recebemos é tão grande que nos sobrepassa.
É por isso que ela diz isso, né? Todos me chamarão bem-aventurada, porque ela reconhece que o que ela recebeu é um dom sem igual. Então o que ela faz na verdade é o reconhecimento do dom, né? O reconhecimento do doador que ela carrega consigo. É muito bonito quando uma criança recebe um presente, ela abandona o presente, vai abraçar o tio, a tia, aquele que deu a ela aquele presente, aquele dom. Isso é um sinal de que essa criança já amadureceu para perceber que mais importante do que as coisas são as relações que essas coisas podem estabelecer, de carinho, de afeto, um simbolismo que nos remete à condição daquilo que nós somos.
Somos pessoas chamadas para amar, e ser amados. E a relação do amor que se consolida dentro da gente, a esperança— e vou chamar de esperança isso, né— esperança de ser feliz, de encontrar a felicidade na alegria do dom compartilhado. Obrigado, Senhor, pelo dom da vida, o dom maior que nos leva a recordar todos os dias que somos pequenos, mas fazemos parte de um mistério imenso, de uma imensidão que não somos capazes sequer de conceber na nossa imaginação, quanto mais compreender com a nossa inteligência.
Por isso nós te agradecemos que a vida que nós conhecemos tantas vezes, que se apequena diante da dor de todo dia, ela se revela grande, infinita, maior do que somos capazes de sonhar até. Por isso, a Assunção de Maria, Senhor, ajuda-nos que através dela, desta experiência de ter a sua vida recuperada depois da morte ou no sono, como tenha sido a tradição que nos foi transmitida, que seja para nós um baluarte, um sinal, uma luz no fim do túnel que diz: Jesus não ressuscitou sozinho porque era Filho de Deus, mas esse é um dom que ele deixou para cada um de nós.
E Maria como sua mãe é a primeira testemunha deste dom que cabe no nosso coração como um sonho, mas que não cabe na nossa inteligência porque é muito maior do que nós. Obrigado, Senhor, por nos encher o coração de alegria e de esperança na festa da Assunção de Maria. Fica a dica! A dica da semana é é renovar em si a alegria do dom. Deus nos fez um dom, e o dom maior não foi apenas a vida terrena, essa que recebemos, mas aquela que em Jesus descobrimos.
A vida, ela ultrapassa a nossa capacidade de compreender, porque só podemos entender tudo dentro do limite, limite do tempo, do espaço. Mas a ressurreição estoura esse limite e nos faz sonhar e viajar de uma maneira que não somos mais capazes de controlar. E seja esta dica da semana: a Assunção de Maria nos faça sonhar, sonhar com um mundo melhor, como vimos no canto do Magnífico do Evangelho de hoje, mas sonhar acima de tudo com este encontro definitivo com Deus. Fica a dica.
Preparando o Domingo.