17 Domingo do tempo comum
Coisas novas e velhas
- A Sabedoria de TiagoSabedoria para governar · Discernimento entre o bem e o mal · Servir ao povo
- Parábola da figueira e o realTesouro escondido no campo · Pérola de grande valor · Rede que apanha peixes · Mestre da lei e coisas novas e velhas
- Recompensa DivinaAmor de Deus · Predestinação à semelhança de Cristo · Justiça e bondade do Senhor
- Lei e Nova AliançaLei antiga do coração · Novas realidades e escolhas · Felicidade compartilhada
Preparando o Domingo.
Bem-vindo, bem-vinda a mais um encontro Preparando o Domingo. Eu sou Carlos André e nós vamos juntos ler os textos da liturgia deste domingo, domingo de alegria, domingo de festa, porque é domingo em que a palavra de Deus fala ao nosso coração. É assim que a gente se prepara para acolher o dom da palavra, o dom de Deus que nos vem pela escuta e pela oração. Por isso, vamos invocar o Espírito Santo de Deus rezando: Vem, Espírito do Pai e do Filho!
Vem, Espírito de amor! Vem, Espírito de infância, de paz, de confiança e de alegria! Vem, alegria secreta que brilhas através das lágrimas do mundo! Vem Espírito Santo, vida mais forte que nossas mortes. Vem Pai dos pobres e advogado dos oprimidos. Vem luz da eterna verdade e de amor derramado em nossos corações. Permanece em nós, Santo Espírito de Deus. Não nos abandones nem no duro combate da vida, nem no momento em que tocarmos o final da caminhada. Vem, Santo Espírito de Deus.
Amém. A primeira leitura é tirada do livro de Reis, primeiro livro dos Reis, e diz assim: Naqueles dias, em Gabaon, o Senhor apareceu a Salomão em sonho durante a noite e lhe disse: Pede o que desejas e eu te darei. E Salomão disse: Senhor meu Deus, tu fizeste reinar o teu servo em lugar de Davi, meu pai, mas eu não passo de um adolescente que não sabe ainda como governar. Além disso, teu servo está no meio do teu povo eleito, povo tão numeroso que não se pode contar ou calcular.
Dá, pois, ao teu servo um coração compreensivo, capaz de governar o teu povo e de discernir entre o bem e o mal. Do contrário, quem poderá governar este teu povo tão numeroso? Esta oração de Salomão agradou ao Senhor, e Deus disse a Salomão: Já que pediste esses dons e não pediste para ti longos anos de vida, nem riquezas, nem a morte de teus inimigos, mas sim sabedoria para praticar a justiça, vou satisfazer o teu pedido. Dou-te um coração sábio e inteligente, como nunca houve outro igual antes de ti, nem haverá depois de ti.
Certamente essa história que escutamos de Salomão é uma história que nos recorda as lendas antigas em que os reis sábios recebiam um dom especial para governar. Ainda que nós tenhamos aqui neste trecho um exemplo do como a Bíblia aproveita dessas experiências do passado para refletir questões importantes para a fé é quando nos damos conta que aquilo que Salomão faz é diferente do que faz todo governante. Todo governante muitas vezes busca a sua própria glória, satisfazer quem sabe o seu ego, e faz parte da condição humana de buscar satisfazer este ego, isto é, ser louvado, engrandecido pelas suas obras.
Todo grande estadista de alguma forma, em algum momento, sonhou com a sua glorificação, seja no presente, seja no futuro, pelas suas obras. Aqui Salomão revela que aquilo que dentro do povo de Israel é o desejo que faz parte do coração humano, que todo governante esteja ali para servir. O serviço é que deve gerar no governante o desejo de fazer com que a sua ação seja cada dia, a cada instante, a cada situação marcada pela justiça, pelo desejo de fazer o bem e fazer bem tendo a chance, portanto, de permitir que as suas ações tornem a vida da população, a vida coletiva, melhor.
É assim que a gente imagina que, se aproximando nosso tempo de eleições, deveremos também suplicar a Deus que nos ajude a ter governantes assim, capazes de colocar acima de tudo, acima do desejo do poder, o desejo de servir. É aquilo que esse texto de hoje nos instrui. Deus quer que aquele que governa seja aquele que serve, o primeiro entre os servidores. Por isso é a lei que deve gerir, gerar, digamos, dentro do coração do rei o desejo de servir.
Ele deve servir a lei, deve permitir que a lei esteja sobre ele, sobre todos, para que a sua ação seja justa. E ali a gente encontra o Salmo que vai dizer: como eu amo, Senhor, a vossa lei, vossa palavra. E a lei de Deus, que no início era a única lei presente no povo de Israel, portanto a única lei a quem o povo servia. São Paulo aos Romanos vai dizer assim: Irmãos, sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados para a salvação de acordo com o projeto de Deus.
Pois aqueles que Deus contemplou com seu amor desde sempre, a esses ele predestinou a serem conformes à imagem de seu Filho, para que este seja o primogênito de uma multidão de irmãos. E aqueles que Deus predestinou também os amou, também os chamou, e aos que chamou também os tornou justos, e aos que tornou justos também os glorificou. É assim que São Paulo nos oferece a imagem daquele que é fiel. Quem é fiel não apenas espera a recompensa pela sua fidelidade, quem sabe em algum momento futuro, Mas sente já no seu presente que a sua ação revela o que o seu coração mais deseja.
Por isso que ele vai dizer: tudo aquilo concorre para o bem dos que amam a Deus. Então não há temor no coração daqueles que buscam a justiça, fazer o bem, porque sabe que qualquer que seja a recompensa, seja positiva ou negativa, qualquer que seja o resultado positivo ou negativo da minha ação, Eu sei que a Deus nada fica escondido do bem que faço. A minha justiça não fica escondida diante de Deus, ainda que possa em alguns instantes, algumas situações, não ser apreciada pelos meus irmãos, os meus irmãos de caminhada.
É assim que fortalece o coração daqueles que decidem servir a Deus e aos irmãos, independente das consequências que quem sabe a inveja, cobiça, possa provocar na vida de quem busca fazer o bem. Afinal, não estamos isentos disso, né? Fazer o bem não nos torna intocáveis, não nos torna acima de qualquer suspeita. Muito pelo contrário, nós estamos sempre sendo alvos de perseguições, porque é natural que isso aconteça quando se busca ser verdadeiro, justo, honesto.
Não podemos nunca esperar que isso nos torna blindados diante do mal. Muito pelo contrário, nos torna assim, portanto, capazes de confiar mais na misericórdia e na bondade do Senhor. Que não abandona os seus prediletos, os seus preferidos, os seus pequenos e aqueles que buscam praticar a justiça.
Aleluia, aleluia, aleluia, aleluia, aleluia, aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus. Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: O reino dos céus é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra e o mantém escondido. Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo. O reino dos céus também é como um comprador que procura pérolas preciosas. Quando encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens compra aquela pérola.
O reino dos céus é ainda como uma rede lançada ao mar e que apanha peixes de todo tipo. Quando está cheia, os pescadores puxam a rede para a praia, sentam-se e recolhem os peixes bons em cestos e jogam fora os que não prestam. Assim acontecerá no fim dos tempos. Os anjos virão para separar os homens maus dos que são justos e lançarão os maus na fornalha de fogo. E aí haverá choro e ranger de dentes. Compreendestes tudo isso? Eles responderam: Sim.
Então Jesus acrescentou: Assim, pois, todo mestre da lei que se torna discípulo do Reino dos Céus é como um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas. Jesus mais uma vez apresenta o seu ensinamento em forma de parábolas, desta vez parábolas do reino e parábolas que indicam que aqueles que praticam a justiça não ficarão sem a sua recompensa. Isto é, Deus haverá de olhar sim com justiça para o mundo, haverá sim de buscar aqueles que, fazendo da sua vida todo o esforço de praticar a lei, isto é, ser justo conforme aquilo que Deus mesmo estipulou nos seus mandamentos, naquilo que ensinou ao seu povo, todos esses mandamentos justos que nos ensinam que é necessário respeitar o outro, que é necessário dar lugar para que cada um desenvolva a sua própria individualidade, seja portanto feliz a partir das condições que a sua vida lhe permitiu.
Tudo aquilo que a gente compreende ser o que resumimos pela palavra humano, ser humano, garantir que o humano prevaleça sobre toda injustiça, sobre toda maldade, é aquilo que resume toda a lei. Quando Jesus mesmo disse: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, resume toda a lei, todos os ensinamentos que a religião pode nos oferecer. Então, nesse sentido, a parábola que Jesus nos conta nos faz entender que no final delas temos uma chave.
Ele é como um pai de família que tira coisas novas e velhas. Isto é, a lei é aquilo que é velho no coração da gente, porque sabemos desde o início, quando nascemos, quando vamos aprendendo a conviver com os irmãos, com a nossa família, quando vamos aprendendo que não somos o centro do mundo e que é preciso deixar espaço para que o outro cresça dentro de nós. Essa é a lei velha que a gente vai descobrindo desde que nasce, desde que começamos a conviver em família.
Mas também existem coisas novas que vão surgindo. São as realidades de cada dia em que cada um de nós tem que tomar decisões, tem que fazer a sua escolha. Essas coisas novas que vão surgindo, na verdade, devem ser um reflexo daquelas velhas que aprendemos. É por isso que quando Jesus conta essas parábolas, mostrando sempre na dualidade entre as coisas que parecem boas e aquelas que parecem más, que estão todas convivendo dentro de nós e que é preciso descobrir o critério da justiça, o critério do amor, da verdade, da humanidade.
Tudo isso é que faz a gente descobrir que dentro de nós existe sim uma lei que vai sendo cultivada, vai permitindo que a nossa consciência vá sendo formada em função, em benefício daqueles que, como nós, também desejam ser felizes. Dessa forma, descobrimos que o Evangelho ou nos conduz a essa felicidade que é compartilhada, ou não poderá nos ajudar a ser felizes sozinhos. Precisaremos sempre descobrir esse mistério da palavra de Deus como mistério da comunidade, da solidariedade, do amor ao próximo, da convivência fraterna, da capacidade de construção que só se faz em muitas mãos, em mutirão.
É por isso que quando falamos de Jesus só podemos falar de alguém que compreendeu e nos ajudou a compreender que Deus, quando vem ao nosso encontro, não nos vem para nos salvar individualmente, mas vem para se revelar a nós enquanto comunidade, povo de fé. É assim que podemos dizer, é a nossa fé que cresce na comunhão, na fraternidade, na participação comunitária, na participação na vida de todo ser humano. Por isso, esse evangelho é evangelho que fala de parábolas e que fala, sim, daquilo que no nosso coração pode nos levar a perder a única alegria que nos resta.
Esta alegria que é de ser filhos e filhas de Deus, compartilhando este universo imenso que pertence a Deus e a todos nós, que a ele, a quem foi dado como um dom participar deste, desta grande obra, a obra da criação de Deus. Por isso é bonito ver que as parábolas de Jesus, usando coisas que são do dia a dia, nos ajudam a ir fundo naquilo que representa a condição humana. Obrigado, Jesus, pela tua palavra. Obrigado pelo dom da fé.
Obrigado pelos teus testemunhos de vida, de amor, de fraternidade, que através das parábolas vamos compreendendo porque fala do nosso dia a dia. Ensina-nos também a olhar em nossa volta e descobrir as coisas novas e velhas que nos ensinam todos os dias a trilhar o caminho da paz, da verdade, do amor, da justiça, aquele caminho que só pode nos levar a ti. Abençoa-nos hoje e sempre, Pai, Filho e Espírito Santo. Amém. Fica a dica!
A dica da semana é, de fato, aproveitar a ocasião e ver quais são as coisas novas e velhas que no nosso coração podem nos ajudar a caminhar ou nos atrapalham. Pensemos nas coisas velhas não como coisas a serem descartadas, mas como coisas a serem de novo admiradas, de novo refletidas como um tesouro do nosso coração. Os velhos amigos, os velhos ensinamentos dos nossos pais e antepassados, aquelas coisas que têm um valor afetivo, que nos recordam momentos bonitos, são as coisas velhas.
Mas amigos novos, os filhos novos, aquilo que vai dando à nossa vida uma renovação constante. Então faça essa experiência e aproveita este evangelho para fazer esta revisão da vida.
Preparando o Domingo.