6o domingo da Páscoa
Não ficareis órfãos
Carlos André
- Promessa de Jesus: Não vos deixarei órfãosO Espírito da verdade como defensor · Ameis-vos como mandamento · Comunidade e reconexão com a fonte da vida
- Dar razões da esperançaAmadurecimento da fé · Mansidão e respeito ao dar razões · Sofrer praticando o bem
- Espírito SantoMilagres e curas na Samaria · O dom do Espírito Santo · Pedro e João em Samaria
- A presença de DeusReconhecer a presença de Deus no cotidiano · A mão de Deus guiando os passos · A palavra de Deus como inspiração
- A importância de ser humanoRecuperar a humanidade · Coerência de fé no cotidiano · Relações de amor e fraternidade
Preparando o Domingo Bem-vindo, bem-vinda a mais um encontro Preparando o Domingo. Eu sou Carlos André e nós vamos juntos ler os textos do sexto domingo da Páscoa. As liturgias que nós realizamos, elas sempre são acompanhadas por uma ocasião importante, que é aquela de escutar a Palavra de Deus e permitir que ela inspire a nossa ação, a nossa vida.
Afinal de contas, aqueles textos maravilhosos que encontramos, que são um tesouro na vida da gente, pode ser motivo de uma mudança de vida, de uma reflexão nova. E, acima de tudo, é a perspectiva daquilo que, pela fé, nós vamos compreendendo. A experiência de Deus na vida do povo.
que viveu aquelas experiências que são narradas na Bíblia, refletem aquilo que também nós buscamos no nosso dia a dia. Traduzir, compreender de alguma forma como que a mão de Deus, os passos que vamos descobrindo dia a dia na nossa caminhada, são conduzidos por Ele. Deus que está presente em tudo, está presente em todo lugar. E de alguma forma nós queremos identificar como reconhecer a presença de Deus na vida.
E a palavra de Deus nos dá a chave, é por isso que vamos nos dedicar a refletir como que aqueles que experimentaram também esta presença de Deus no caminhar da vida, da história, transmitiram essa experiência por escrito e ali descobrimos aos poucos que a palavra de Deus se revela na vida e no cotidiano de tantos e tantas que nos antecederam nesta busca do coração humano. Deus está presente no mundo.
Precisamos reconhecê-lo nos nossos passos cotidianos para assim podermos alimentar em nós a esperança do reencontro. Reencontro definitivo com aquele que é o criador de todas as coisas. É isso que motiva o nosso coração e enche de esperança cada vez que a palavra de Deus é colocada diante de nós como um livro a ser lido, refletido, meditado e, acima de tudo, tornado compromisso cotidiano com o outro, com a vida, com o mundo.
porque afinal é disso que se trata. A palavra de Deus nos convida ao agir-nos, compele a ação, é preciso permitir que ela de fato se transforme em vida na nossa vida pela escuta e pela meditação, que é o que vamos fazer agora, e convido você então a invocar o Espírito Santo de Deus, rezando.
Venha Espírito do Pai e do Filho. Venha Espírito de amor. Venha Espírito de infância, de paz, de confiança e de alegria. Venha alegria secreta que brilhas através das lágrimas do mundo.
Vem, Espírito Santo, vida mais forte que nossas mortes. Vem, Pai dos pobres e advogado dos oprimidos. Vem, luz da eterna verdade e de amor derramado em nossos corações.
Permanece em nós, Santo Espírito de Deus. Não nos abandones, nem no duro combate da vida, nem no momento em que tocarmos o final da caminhada. Vem, Santo Espírito de Deus. Amém.
A primeira leitura é tirada do livro dos Atos dos Apóstolos. Naqueles dias, Felipe desceu a uma cidade da Samaria e anunciou-lhes o Cristo. As multidões seguiam com atenção as coisas que Felipe dizia. E todos unânimes o escutavam, pois viam os milagres que ele fazia.
De muitos possessos saíam os espíritos maus, dando grandes gritos. Numerosos paralíticos e aleijados também foram curados. Era grande a alegria naquela cidade. Essa passagem do livro dos Atos dos Apóstolos, que resume um pouco do que era, naqueles primeiros momentos, a ação do Espírito Santo junto aos apóstolos, que, de certa maneira, no dizer de Atos dos Apóstolos, que, de certa maneira, no Espírito Santo junto aos apóstolos,
do escritor Lucas, parece ser uma confirmação do que Jesus havia dito a eles. Eu irei para o Pai e enviarei-vos o Espírito Santo e vós fareis obras ainda maiores do que as que eu fiz. E assim, o livro de Atos dá corpo a esta passagem dos Evangelhos, mostrando como era a vida dos primeiros discípulos.
que dando testemunho com ousadia e coragem, puderam de certa maneira testemunhar que o Espírito Santo, aquele que Jesus prometeu, teria, portanto, agora um espaço amplo dentro da vida da comunidade. Era necessário, portanto, o testemunho do Espírito para que a força do alto se manifestasse ali, através dos milagres, daquilo que Jesus também fez.
O curioso é que o texto vai saltar um pequeno pedaço que nós podemos encontrar em nossas Bíblias para imediatamente concluir essa história que nos conta aqui sobre a pregação de Filipe, dizendo que os apóstolos que estavam em Jerusalém souberam que a Samaria acolhera a palavra de Deus e enviaram lá Pedro e João.
Curioso que Pedro e João vão, então, em nome da comunidade dos apóstolos de Jerusalém para testemunhar aquilo que Felipe estava fazendo de um território que já no tempo de Jesus não era um lugar onde os judeus gostavam de ir. Muito pelo contrário, os samaritanos, já sabemos, eram povos.
que tinham sido originados, sim, do povo judeu, mas por causa daquilo que historicamente aconteceu, uma grande mistura entre judeus e povos de outras nações, a Samaria acolheu também o culto idolátrico dessas outras nações e assim foi vista sempre como um povo que desertou, que abandonou Adonai, o Deus de Israel, e viveu a serviço de outros deuses.
E assim a presença da comunidade cristã ali, com o Espírito Santo que, anunciado, faz maravilhas, que foram descritas hoje aqui nesse texto, é algo impressionante. Porque afinal é um povo que não é acolhido, melhor...
não está inserido naquela primeira comunidade judaica da qual Jesus fez parte, e, portanto, recebeu este dom, o dom do Espírito. É aquilo que o texto vai continuar dizendo. Chegando ali, oraram pelos habitantes da Samaria para que recebessem o Espírito Santo, porque o Espírito ainda não viera sobre nenhum deles.
apenas tinham recebido o batismo em nome do Senhor Jesus. E aí a gente imagina que é um batismo semelhante àquele de João. Isto é um batismo que convida a conversão, mas não convida ainda a colher o chamado do Espírito Santo para agir como cristão. Por isso Pedro e João impuseram-lhes as mãos e eles receberam o Espírito Santo. Curioso, porque isso faz a gente entender um pouco que o dom do Espírito é um dom que compromete, porque ele nos faz membro de uma comunidade cristã.
Então não basta apenas uma boa atitude, mas é preciso fazer com que essa atitude se transforme em ação, um comprometimento que transforma-se em comportamento. E é bonito ver que atos dos apóstolos nos levam a compreender esse processo de conversão, a alegria do encontro que pode me levar, portanto,
a desejar essa mudança de vida, precisa ser corroborada, precisa ser confirmada, porque a ação do Espírito é aquela que me leva, de fato, a formar comunidade, a ser um, é aquilo que é representado aqui pelo batismo. O batismo é a imposição de mãos que acontece através da oração de Pedro e João.
E ali a gente percebe que essa comunidade que vivencia a alegria da conversão é uma comunidade que canta, que salmodia. E aí o salmo vai dizer, aclamai o Senhor Deus ao terra inteira, cantai salmos ao seu nome glorioso. É o louvor que brota de uma experiência espiritual que renova a vida. É por isso que cantar os salmos é sempre uma maneira de renovar dentro de nós esta primeira experiência.
que foi feita de conversão, de amor, de reconhecimento da ação de Deus na vida. Quando lemos agora a carta de São Pedro, que vemos lendo, sendo lida ao longo desse período de Páscoa, aqui temos outro trecho muito bonito, do qual eu convido todos nós a guardar uma frase muito importante. Veja como diz assim São Pedro, Caríssimos, santificai em vossos corações o Senhor Jesus Cristo, e estais sempre prontos.
a dar razão da vossa esperança a todo aquele que vou lhe pedir. Dar razões da nossa esperança. Esse é um acordo que cada um de nós, como cristão, precisa fazer consigo mesmo, para que a religião e a nossa fé não sigam de forma ingênua, infantil, a vida inteira.
que a gente tenha recebido dos nossos pais, dos nossos primeiros catequistas, os primeiros rudimentos da fé, algo fundamental para que a gente se prepare para amadurecê-la ao longo da vida. Mas não podemos permanecer imaturos, então é preciso dar razões. A razão é algo que é fruto da vida adulta, que questiona, que se pergunta, que se permite a dúvida para avançar um pouco mais na compreensão daquilo que justamente gerou dúvida porque ainda era muito frágil.
muito incapaz de responder as demandas do mundo, da vida, da vida real, dos adultos, dos compromissos que a vida adulta exige. Então, essa frase é algo que deve nos comprometer, dar razões da nossa esperança a todo aquele que nos pedir. E ele continua.
porém fazeio com mansidão e respeito. Isto é, não é para dar as razões de modo que o outro ficasse obrigado a nos acompanhar nas nossas razões, porque nos sentimos assim superiores, porque encontramos uma razão. Não, pelo contrário, é na simplicidade, na humildade. E o texto vai dizer com boa consciência, para dizer assim, é preciso fazer isso com a convicção de que o dom espiritual, o dom da fé, é um dom.
Portanto, é algo que cada um deve buscar na sua própria vida. E você dando testemunho daquilo que você encontrou não obriga ninguém a te seguir, mas apenas dá a você a alegria ou a oportunidade, quando é o caso, de testemunhar aquilo que te faz viver, aquilo que te dá sentido, portanto, dá razão nas esperanças que vamos conduzindo na vida. O texto termina assim.
Então, se em alguma coisa for desdifamados, ficarão com vergonha aqueles que ultrajam o vosso bom procedimento em Cristo. Que bonito isso. Isso me faz lembrar que o Papa Leão XIV tem sido muitas vezes criticado pela sua postura firme contra a guerra. E aí é interessante perceber que envergonhados ficarão aqueles...
que, portanto, difamam alguém que, com a consciência tranquila e com uma adesão à palavra de Deus, testemunha a todo tempo o quanto é necessário buscar a paz pelo diálogo e não pelas armas, pela guerra, pela violência, que mata sempre mais inocentes do que aqueles que são os verdadeiros provocadores da guerra, provocadores da polêmica, da divisão.
É sempre inocente quem sofre. Nenhum dos que provocam a guerra vão para o campo de batalha, ficam nos seus escritórios, deixando que os jovens e aqueles que serão vítimas depois das suas bombas venham a pagar o preço pela sua intransigência, incapacidade de diálogo ou, quem sabe, narcisismo, egoísmo mesmo, que está na base, na raiz daquilo que pode ser chamado os pecados que nos rodeiam no dia a dia. O texto continua. Pois será melhor sofrer praticando o bem confundido.
se esta for a vontade de Deus, do que praticando o mal. Não tem lógica melhor do que essa. É melhor você, quem sabe, ser incompreendido, difamado, caluniado até por ter dito a verdade, do que simplesmente vir a ser punido porque mentindo, percebeu que a sua mentira destruiu. Então, praticando o mal. Com efeito, também Cristo morreu uma vez por todas por causa dos pecados. O justo pelos injustos.
a fim de nos conduzir a Deus. Sofreu a morte na sua existência humana, mas recebeu vida nova pelo Espírito. E aqui de novo o Espírito como aquele que guia-nos na vida, de maneira que obedecer a esse convite do Espírito, que é escutando a palavra de Jesus, escutando aquilo que ele nos ensinou, poder agir de modo coerente com a nossa própria consciência.
e com as razões que possuímos de ter esperança. As razões de ter esperança na vida, as razões de ter esperança naquilo que aconteceu em Cristo e que nós podemos dizer, Deus é bom e nos ama, portanto, aquele que age com justiça e direito não será esquecido. Essa é a frase fundamental para que a gente nunca desista de fazer o bem, de ser coerente, ético, mesmo que isso nos custe, mesmo que nos custe como custou a Jesus a própria vida. É assim.
que a gente descobre que é a força do Espírito que age em nós quando nos sentimos mais fortes diante dessas ameaças à vida e até mesmo ameaças à fé que temos de que tudo aquilo que nos ocorre não é indiferente a um Deus que ama. É isso tudo que faz a nossa fé ter dentro de nós uma raiz profunda.
que se enraiza neste solo, este solo da esperança. A esperança é o chão na vida, da vida em que a gente se coloca para enraizar nosso coração e assim dizer, Deus está presente onde quer que estejamos.
Aleluia, aleluia, aleluia. Aleluia. Aleluia, aleluia, aleluia. Aleluia.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João Naquele tempo disse Jesus a seus discípulos Se me amais, guardareis os meus mandamentos, e eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro defensor, para que permaneça sempre convosco.
O Espírito da verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não vê nem o conhece. Vós o conheceis, porque ele permanece junto de vós e estará dentro de vós. Não vos deixarei órfãos, eu virei a vós. Pouco tempo ainda e o mundo não mais me verá, mas vós me vereis, porque eu vivo e vós vivereis. Naquele dia sabereis que eu estou no meu Pai, e vós em mim e eu em vós.
Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele.
Esse trecho do Evangelho de João, no capítulo 14, é um texto fundamental, em que Jesus nos oferece uma promessa, promessa de que não nos deixará sócios, não nos deixará órfãos. Afinal, é sobre essa promessa que todas as comunidades cristãs, desde o início, colocaram a sua esperança. Afinal,
Como poderíamos continuar a obra de Jesus se ele não estivesse conosco, se não pudesse de alguma maneira permanecer junto à sua comunidade? E é ali então que brota esta confiança, que o Espírito Santo é o Espírito da verdade, portanto, esta verdade se refere a Cristo mesmo, é o Espírito de Cristo que está conduzindo a sua comunidade ao longo dos séculos. Essa é a esperança que esse texto de João nos oferece.
Mas é interessante mostrar que ele não é apenas uma esperança anunciada no vazio, mas é uma esperança condicionada. Se me amais, guardareis os meus mandamentos. Isto é, se queremos a presença do Senhor ao lado, temos que desenvolver em nós um amor que nos leva, portanto, a guardar os seus mandamentos. Isto é aquilo que ele viveu. Jesus não deixou outro mandamento. O único mandamento que ele ordenou foi amai-vos.
Esse amai-vos é a única ordem que chegou até nós, de tudo que Jesus fez e disse. Dessa forma entendemos que o amar-nos uns aos outros é condição para dizer eu amo a Cristo. De certa maneira não dá para dizer eu amo a Cristo sem que este amor de uns aos outros seja desenvolvido, marcado pelas suas dificuldades, obviamente. Vivemos no tempo, no mundo.
estamos sempre em evolução e mudança, é claro que isso tudo gera dentro de nós uma necessidade de adaptação constante à convivência e tudo mais. Porém, não deixa de existir e de ter valor esta ordem, amai-vos. É dali então que a gente pode retirar todas as outras consequências. Afinal, quando Jesus diz nesse texto, naquele dia sabereis que eu estou no Pai e vós em mim e eu em vós,
Cria, portanto, ali uma compreensão de comunidade. Jesus está no Pai e Ele está em nós. Então, Ele se torna este elo de conexão entre nós e a fonte da vida, a fonte da criação inteira. No fundo, é isso que é religião. Religião é se reconectar com a fonte originária da vida. Então, neste caso, com aquilo que na fé cristã se chama o Pai. O Pai é o nome que é dado para esta fonte originária da vida. É lógico que é tomado...
da nossa convivência, que todos nós, para termos chegado ao mundo, precisamos de um pai, de uma mãe, das origens. Então, nesse sentido, também dizemos que Jesus nos oferece este caminho espiritual para nos reconectar com a fonte inicial da vida.
Isso tudo pode parecer muito abstrato, porque afinal isso se trata de algo que nós imaginamos como um sentimento perdido, que nós sentimos de se imaginar neste mundo sozinhos. Afinal, quando nós nos sentimos mais ainda desorientados na vida, é que esta solidão parece bater a nossa porta. Mas Jesus diz, eu não vos deixei órfãos.
não vos deixarei órfãos. Essa orfandade que a gente sente na vida, no dia a dia, é algo que é suprida, é preenchida por aquilo que Jesus prometeu, o Espírito Santo, o seu Espírito, o Espírito da verdade, como ele diz, e que o mundo não é capaz de receber. A gente pode se perguntar por que este mundo não é capaz de receber, porque não vê nem o conhece.
E ali esse desconhecimento do Espírito da parte do mundo que o texto de João nos fala, é algo que faz a gente compreender este mundo, não como um mundo externo qualquer, mas este mundo que não é disposto, não está aberto a perceber que a vida tem um sentido, um valor profundo.
E é nessa profundidade do valor da vida que a gente pode, sim, deixar que o nosso coração se eleve em busca desta fonte da vida. Por isso que o mundo não conhece. O mundo conhece o dinheiro, a conquista, a perseguição, conhece a satisfação imediata dos seus desejos. É este mundo que Jesus está falando. Este mundo está dentro da gente. Este mundo que está dentro da gente, que está em volta, que está na cultura, é este mundo que está disposto somente a responder às suas necessidades imediatas do aqui e agora.
Mas quando se trata de se conectar à fonte originária da vida, este mundo ignora que é o Espírito Santo de Deus, aquele que nos conduz de novo, de volta para casa. E é nesse sentido que esse texto do Evangelho de João, ele nos conecta com muitas realidades, com a necessidade que cada um de nós tem de perceber-se deste mundo como alguém que precisa, que deseja algo que não é possível encontrar aqui.
Algo que não está disponível no supermercado e que é preciso, portanto, um olhar de profundidade para se perguntar o que é mesmo a vida, aquilo que eu busco. E é dizer, este Espírito de Deus que está no mundo, está em Cristo, está em mim, está dentro de mim. E ali é o que Jesus vai dizer.
Ele vos dará um outro defensor, que é ele mesmo, é Jesus, mas o outro defensor é o Espírito, para que permaneça sempre convosco. Mas o que é que nos defende o defensor? O defensor nos defende muitas vezes de nós mesmos, nos defende de nos perder na vida de tantas opções que ela oferece e se esquecer que a opção mais coerente é aquela que nos humaniza.
de todas as opções que a vida pode nos oferecer. Isto é, somos livres não para escolher qualquer coisa, mas somos livres para nos tornar quem nós somos, nos tornar nós mesmos, isto é, recuperar a nossa humanidade. Isso parece um discurso filosófico, quando a gente ouve dessa forma, mas se a gente olhar para cada coisa que fazemos no dia a dia, que nos afasta de nós mesmos.
Cada coisa em que nós buscamos, quem sabe, satisfazer alguém que está ao nosso lado, que precisamos, quem sabe, da sua aprovação, porque queremos ser amados. Então essa nossa constante busca de satisfazer alguém e não satisfazer aquilo que realmente somos, mostra o quanto não é abstrato, está todos os dias ali. E o que é isso, se não este espírito da verdade que nos volta, que nos leva ao reencontro consigo mesmo?
O que é isso senão a coerência de fé que me faz, portanto, dar as razões da minha esperança através da minha vida cotidiana? O que é isso senão o desejo de que tudo que está à minha volta, que eu sei que é passageiro, assim como minha vida, possa um dia ter a chance de se reencontrar com as suas origens, com a sua fonte originária, que é o Pai?
Então veja como de algo que parece tão abstrato se passa ao que é do cotidiano e perceber que a palavra de Deus nos convida a isso, a colocar as nossas redes para jogá-la para o mar adentro, como diz o texto de Lucas, quando os discípulos estão na barca. Botai a barca mais adiante, jogai mais longe essa rede.
Então vamos fazer esse exercício de permitir que a fé nos leve a ver mais longe. Ver mais longe porque vemos com os olhos do Espírito, os olhos de Deus, que está em nós e nos inspira, portanto, a construir a nossa vida de tal forma que ela possa ter sentido, possa ter peso, valor. E a gente pode dizer obrigado, Senhor, todos os dias.
e todos os dias ser obrigado, ser carregado de sentimento profundo, de amor, de gratidão, de reconhecimento por aquilo que Deus é e que se manifesta a nós através da força do Espírito. Que esta manifestação de Deus na nossa vida nos leve também a ver a vida de cada um de nós de maneira a sermos coerentes e responder a esse desejo de Jesus. Amai-vos, é a única ordem que Ele nos deu, é a única forma de permanecer nele.
Obrigado, Senhor, pelo dom da vida. Obrigado pelo dom da palavra que nos inspira todos os dias a reencontrar o centro da nossa existência, o nosso centro interior. Ali, aquele lugar onde nos sentimos mais nós mesmos, mais filhos amados teus, desejosos apenas de agradar a ti, aquele a quem nós reconhecemos ser habitados. Somos habitados por ti, Senhor. Ajuda-nos a corresponder a esta habitação.
por uma coerência de vida e um desejo de vida que seja mais profundo. Ajuda-nos a nos desvencilhar, a nos desgarrar de tudo aquilo que nos afasta da verdade do nosso coração. São as mentiras que vamos abraçando todos os dias para agradar alguém em alguma situação e tantas vezes vamos nos omitindo dentro de nós mesmos, nos omitindo do nosso próprio compromisso de felicidade, de realizar dentro de nós e em nós o nosso próprio destino.
de sermos humanos, ajudando-nos a ser cada vez mais humanos no trato com as pessoas, nas relações que estabelecemos uns com os outros, no amor, na fraternidade que desejamos e que queremos construir através da nossa ação, do nosso agir comprometido com o irmão.
Ajuda-nos a cumprir o único mandamento de amarmos uns aos outros para que nele encontremos a vida, esta vida profunda, aquela que nos reconecta ao Pai, aquela que nos faz permanecer na Tua presença. Inspira-nos todos os dias a viver no amor e para o amor. Abençoa-nos hoje e sempre, Pai, Filho e Espírito Santo. Amém.
O dom do Espírito é a grande promessa do Senhor. Ele é o nosso defensor. O outro defensor que ficará aqui no lugar dele, enquanto ele, junto do Pai, também continua entre nós e esta grande realidade da fé, que é a descoberta de que a fonte da vida habita em nós, é o Espírito Santo de Deus.
Essa é a grande esperança que está em nosso coração para que a gente não desanime em fazer o bem, buscar a justiça e a verdade. Então, qual é a dica da semana? Escuta o Espírito Santo que está em teu coração, faz a tua experiência de oração e deixa que este Espírito da verdade te ajude a revelar você a você mesmo e a tua missão, ser cada vez mais humano como Jesus. Fica a dica. Preparando o domingo