5o domingo de Páscoa
A igreja é lugar da diversidade
Carlos André
- Exegese Evangelho JoaoCasa do Pai com muitas moradas · Jesus como o caminho, a verdade e a vida · O desejo humano de encontrar o Pai · A importância de amar, servir e doar-se · A semente de vida que produz fraternidade · A religião deve promover a vida
- Atos dos ApóstolosDivisão na comunidade: gregos vs. hebreus · Negligência no atendimento às viúvas · Solução: eleição de sete diáconos · Estevão, Filipe, Prócaro, Nicanor, Timon, Parmenas e Nicolau de Antioquia · Importância da divisão de tarefas e bens · Crescimento da comunidade e adesão de sacerdotes judeus
- Preparando o DomingoTempo pascal e Pentecostes · Ressurreição de Cristo no dia a dia · Força da vida sobre a morte · Sentido da vida, fé e religião
- Cartas de PauloJesus como pedra viva e angular · Edifício espiritual e sacerdócio santo · Raça escolhida, nação santa · A fé como motor da esperança e ação
- Dica da SemanaObservar a diversidade da condição humana · Abertura à diversidade e combate a preconceitos · Todos são convidados para o banquete eterno
Preparando o Domingo.
Bem-vindo, bem-vinda a mais um encontro Preparando o Domingo. Eu sou Carlos André e nós vamos juntos ler os textos do quinto domingo da Páscoa. É a alegria de concluir esse tempo pascal que se aproxima, afinal, estamos já prestes a celebrar o Pentecostes. Cinco semanas de Páscoa faz a gente recordar todos os dias, todas as semanas, que o evento da Páscoa, aquilo que celebramos, a ressurreição de Cristo, está presente no nosso dia a dia.
É preciso recuperar sempre essa memória para que a gente recorde o quanto a fé, a esperança, aquilo que suscita em nós a ressurreição de Cristo, perpassa o nosso cotidiano e nos conduz a um horizonte novo de humanidade, de felicidade, de esperança no mundo.
que pode ser cada vez melhor quando renasce dentro de nós esta força da vida, a vida que prevalece sobre a morte, sobre o caos, sobre o desespero, sobre a tristeza, sobre tudo aquilo que parece muitas vezes nos destruir, mas que na verdade quem tem uma chama acesa não perde a vontade de viver. E é isso que todos nós, quando fazemos, damos glória a Deus, porque a vida é o seu maior dom.
O maior dom que Deus nos concedeu foi a vida e preservá-la, cuidá-la, fazer com que ela expanda no nosso dia a dia o seu fulgor, faz com que a gente, então, dê a Deus o maior louvor que podemos oferecê-lo. É assim que a Páscoa nos incentiva, nos motiva.
a descobrir o sentido da vida, da fé, da religião, daquilo que é a ressurreição de Cristo. Portanto, vamos participar desse momento de oração e de escuta da palavra, invocando o Espírito Santo de Deus.
Venha Espírito do Pai e do Filho. Venha Espírito de amor. Venha Espírito de infância, de paz, de confiança e de alegria. Venha alegria secreta que brilhas através das lágrimas do mundo.
Vem, Espírito Santo, vida mais forte que nossas mortes. Vem, Pai dos pobres e advogado dos oprimidos. Vem, luz da eterna verdade e de amor derramado em nossos corações.
Permanece em nós, Santo Espírito de Deus. Não nos abandones, nem no duro combate da vida, nem no momento em que tocarmos o final da caminhada. Vem, Santo Espírito de Deus. Amém.
A primeira leitura de hoje é tirada do livro dos Atos dos Apóstolos. O texto começa dizendo, naqueles dias o número dos discípulos tinha aumentado e os fiéis de origem grega começaram a queixar-se dos fiéis de origem hebraica. E aí já vemos que dentro da comunidade tinha uma divisão entre aqueles que eram filhos da promessa, os judeus, portanto de origem hebraica,
e aqueles que vieram da pregação dos discípulos, aqueles que são filhos da missão, que são de origem grega. E, portanto, ali temos uma diferença que a gente pode dizer, em termos atuais, uma queixa que poderia ser também equivalente a uma queixa racial, as distinções que vão acontecendo dentro da comunidade. E ali, então, a queixa era que o atendimento diário daqueles que eram mais necessitados, no caso das viúvas,
como exemplo de pessoas necessitadas, vinham sendo negligenciados da parte daqueles que eram gregos por parte dos que eram da comunidade de origem hebraica. Então vejam como a distinção entre as pessoas dentro da comunidade causou um desconforto e aqui o texto de Atos dos Apóstolos vai nos oferecer, portanto, um retrato de como, desde o início, a comunidade teve que lidar com as dificuldades de gerir as diferenças dentro.
Portanto, não é imediato que, depois do anúncio cristão, tudo tenha se organizado de maneira perfeita. Foi preciso diálogo, foi preciso estabelecer critérios de comunhão, foi preciso despertar a consciência para a necessidade de uma divisão igualitária dos bens e das necessidades de cada um. Tudo isso mostra, portanto, os primeiros versículos ou capítulos do livro de Atos, que é essa construção humana que surge após o encontro com Cristo ressuscitado.
E aí é no diálogo que o texto vai nos mostrar qual foi a solução encontrada. E aí então o texto continua. Então os doze apóstolos reuniram a multidão dos discípulos e disseram, Não está certo que nós deixemos a pregação da palavra para servir às mesas. Irmãos, é melhor que escolhais entre vós sete homens de boa fama, repletos do Espírito e de sabedoria. E nós os encarregaremos dessa tarefa.
Aqui a conversa parece mudar de teor. Afinal, a distinção entre gregos e hebreus fez com que o problema surgisse, mas a solução tem uma conotação prática. Afinal, os discípulos tinham uma missão importante, que era de continuar espalhando a boa nova da vida, da comunhão, da fraternidade, e que os problemas cotidianos, esses que podem ser resolvidos dentro da própria comunidade, é preciso que ele seja delegado.
Afinal, uma comunidade de convertidos é capaz de construir comunhão, é capaz de construir fraternidade sem que seja necessário que tenhamos que começar tudo do zero, tudo de novo, tendo que anunciar novamente desde o início aquilo que Jesus fez. É possível, é necessário que a comunidade possa.
a comunidade humana, possa recordar-se daquilo que é a mensagem cristã de fraternidade e construir relações justas. E aqui a relação justa se dá na divisão das tarefas. Nós precisamos continuar anunciando o Evangelho, enquanto que a comunidade precisa também continuar providenciando o cuidado de uns dos outros.
A palavra e o cuidado humano precisa vir junto, embora as tarefas podem ser condivididas, podem ser compartilhadas. É assim que, então, continua o texto para explicar como foi que eles resolveram. Desse modo, nós poderemos dedicar-nos inteiramente à oração e ao serviço da palavra.
A proposta agradou toda a multidão, então escolheram Estevão, um homem cheio de fé e do Espírito Santo. E também Felipe, Prócaro, Nicanor, Timon, Parmenas e Nicolau de Antioquia, um pagão que seguia a religião dos judeus. Desse modo, a variedade das pessoas que foram escolhidas revela a necessidade de tornar representativa a participação de todos na comunhão, na fraternidade. Isso também é um elemento interessante para os nossos dias, o quanto o lugar de onde a gente fala marca a nossa atitude.
Então, agora, a distribuição dos bens necessários, aqueles mais necessitados, contarão também com a participação de membros da própria comunidade que é assistida, no caso, a comunidade dos gregos. Então, isso são elementos que nós podemos tirar desse texto que iluminam a prática das nossas comunidades e a nossa forma de interpretar, inclusive, as situações comunitárias que acontecem, seja no seio da própria comunidade cristã, mas podemos, sim, alargar para a comunidade humana.
onde todos nós somos convidados, claro, imitando os gestos de Jesus, sermos sempre mais solidários e fraternos. Afinal, a Bíblia não foi escrita para um grupo seleto, mas para que todo aquele e aquela homem e mulher de boa vontade esteja disposto, disposta a escutar o exemplo, a motivação que nos vem por aquilo que Jesus realizou e que os discípulos compreenderam atuando na sua prática cotidiana.
E o texto vai concluir dizendo, eles foram apresentados aos apóstolos que oraram e impuseram as mãos sobre eles. Isto é, deram a eles autoridade para agir em nome da comunidade. Entretanto, a palavra do Senhor se espalhava, o número dos discípulos crescia muito em Jerusalém e grande multidão de sacerdotes judeus aceitavam a fé. Coisa interessante porque afinal mostra que a própria comunidade judaica, nas suas lideranças, sacerdotes judeus, também começa a aderir a essa comunidade que cresce.
Esse é um relato que nos mostra um pouco daquilo que deve ter sido os primeiros momentos da vida cristã, enquanto ela foi assim, trabalhada, vivenciada, de maneira a gente perceber que nada vem pronto, tudo precisa ser construído desde que a gente mantenha os nossos ideais profundamente enraizados, que são ideais evangélicos, aqueles que aprendemos do ensinamento da vida de Jesus. É assim que a gente entende como é ser cristão, não é algo fácil.
mas que exige, sim, que a gente coloque nossa inteligência e vontade a serviço daquilo que foi a convicção que brotou dentro de nós. Cristo ressuscitou, a nossa vida é modelada agora por diante por essa verdade, por essa esperança. É lógico que o resto das leituras vão confirmar essa experiência. Afinal, o Salmo vai dizer sobre nós, venha, Senhor, a vossa graça.
da mesma forma que em vós nós esperamos. É de Deus que vem nossa esperança, é por isso que podemos agir de maneira coerente com a nossa fé, porque a fé é isso, é uma esperança de vida, de uma utopia de fraternidade, que a gente sabe que só em Deus definitivamente vai acontecer, mas a gente pode colocar o nosso grãozinho de sal para construí-la no pequeno, no pouco, no dia a dia, daquilo que é a vivência das nossas comunidades.
É assim que a carta de São Pedro, que vai fechar essas primeiras leituras da liturgia, nos ajuda a entender que é a fé que move a esperança e que move a ação. Porque Pedro vai dizer assim, caríssimos, aproximai-vos do Senhor, pedra viva, rejeitada pelos homens.
mais escolhida e honrosa aos olhos de Deus. Do mesmo modo, também vós, como pedras vivas, formai um edifício espiritual, um sacerdócio santo, a fim de oferecer de sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo. É assim que ele já introduz esse seu convite, mostrando que somos parte do edifício que Jesus construiu. Jesus colocou uma pedra, mas se cada um não colocar a sua, a construção não acontece. Ele é apenas a pedra que dá início, a pedra modelo, depois ele continua. Com efeito...
Nas escrituras se lê, Eis que ponho em Sião uma pedra angular, escolhida e magnífica. Quem nela confiar não será confundido. A voz, portanto, que tem desfé, cabe a honra. Mas, para os que não creem, a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular.
Pedra de tropeço e rocha que faz cair. E aí vemos como a carta de São Pedro toma passagens do Antigo Testamento, especialmente dos Salmos, para ilustrar o pensamento. Estar com Cristo é construir com Ele. Não aceitar esta pedra é tropeçar justamente naquilo que poderia nos salvar, nos salvar do egoísmo. Nela tropeçam os que não acolhem a palavra. Esse é o destino deles.
Mas vós sois a raça escolhida, o sacerdócio do reino, a nação santa, o povo que ele conquistou para proclamar as obras admiráveis daquele que vos chamou das trevas, isto é, da morte, para a sua luz maravilhosa, para a vida que não tem fim. É assim que, nessa linguagem simbólica da carta de São Pedro, nós vamos colhendo ali aquilo que é o significado já presente desde os textos do Antigo Testamento.
mas que a comunidade traduz em gestos concretos de comunhão, de fraternidade, de amor ao próximo e de, acima de tudo, de compreender que uma comunidade se constrói quando cada um coloca a sua pedra nessa construção. Jesus Cristo botou a pedra angular, a primeira, a melhor, a mais, aquela que mantém o edifício de pé, aquela que sustenta o forro, aquela que sustenta a...
a construção, mas é preciso que cada um faça a sua parte e esse compromisso do agir cristão que está aqui espelhado nessas três leituras e que nós todos podemos colher como fruto maduro da esperança que vem da ressurreição do Senhor.
Aleluia, aleluia, aleluia, aleluia, aleluia, aleluia, aleluia. Evangelho de Jesus Cristo segundo João
Naquele tempo disse Jesus a seus discípulos, Não se perturbe o vosso coração, tendes fé em Deus, tende fé em mim também. Na casa de meu pai há muitas moradas, se assim não fosse, eu vos teria dito, Vou preparar um lugar para vós, e quando eu tiver ido preparar-vos um lugar, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que onde eu estiver, estejais também vós. E para onde eu vou, vós conheceis o caminho.
Tomé disse a Jesus, Senhor, nós não sabemos para onde vais, como podemos conhecer o caminho? Jesus respondeu, eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim. Se vós me conhecesseis, conhecerias também o meu Pai. E desde agora o conheceis e o vistes, disse Filipe. Senhor, mostra-nos o Pai, isto nos basta.
Jesus respondeu, há tanto tempo estou convosco e não me conheces, Felipe. Quem me viu, viu o Pai. Como é que tu dizes, mostra-nos o Pai? Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo, mas é o Pai que, permanecendo em mim, realiza as suas obras.
Acreditai-me, eu estou no Pai e o Pai está em mim. Acreditai ao menos por causa destas mesmas obras. Em verdade, em verdade vos digo, quem acredita em mim fará as obras que eu faço e fará ainda maiores do que estas, pois eu vou para o Pai.
Nesse evangelho que acabamos de escutar, encontramos um eco daquilo que as primeiras leituras já haviam nos ensinado. Somos muito diferentes. Todos nós temos qualidades e talentos, temos também origens, culturas, modos de ver, de pensar, de falar, tão diferentes que poderíamos, de algum momento, nos sentir estranhos um ao outro. Aí Jesus vem e diz, na casa do meu pai tem muitas moradas, tem lugar para todo mundo.
Isso faz a gente recordar uma passagem da vida de Papa Francisco, onde ele dizia que o reino de Deus é para todos, todos, todos, todos são convidados a estar. Essa repetição de todos nos recorda que tem lugar para todo mundo na casa de Deus. É por isso que todos nós, quando nos colocamos na perspectiva do Evangelho, da ressurreição, precisaremos olhar para o mundo com essa grande riqueza que ele possui e dizer como é bonito o mundo.
como ele é, diferente, plural, cada um com sua forma de ver, até mesmo com a sua forma de se comunicar com Deus, ou quem sabe, nas suas diferenças, uma maneira tão diferente que pode até externamente negar a própria presença de Deus no mundo, mas não pode exigir.
que ele deixe de existir simplesmente porque não creio. E nessa diferença enorme é que a gente vai descobrindo que em Deus existe a possibilidade do encontro, não importa onde cada um se encontre na vida, porque Deus é quem vem a nós. E é nesse sentido que essa passagem nos abre um caminho bonito de perceber que...
Toda palavra do Evangelho, todo convite a acolher a mensagem de fraternidade, de amor ao próximo que Jesus nos traz do Evangelho, é um convite que está para todos. Não há distinção. E aí somos nós todos convidados a fazer esse gesto, que depois, quando Jesus aqui começa a conversar com os discípulos, parece-se muito conosco.
Jesus diz aos discípulos que ele tem um caminho e que eles conhecem, mas Tomé, aquele que é mais racional, diz, mas como a gente não sabe para onde você vai? Como é que a gente sabe o caminho? É claro, Tomé está coberto de razão. Afinal, Jesus fala de um modo meio enigmático, mas que exige que seja visto de outro jeito o seu falar.
Não é um falar que aponta um caminho preciso, mas é um falar que aponta um horizonte, uma experiência. E é por isso que ele vai dizer, quem faz a experiência comigo, Tomé, de caminho, de verdade, de vida, vai achar para onde eu vou. Vai saber aonde eu vou, porque onde está a vida, eu estarei lá. Onde estiver um caminho de felicidade, eu estarei lá. E é por isso que todos nós somos convidados, quem sabe, de alguma forma...
Intuí como o Filipe, que depois que Jesus diz que me veja o Pai, ele diz, mostra-nos o Pai, isso nos basta. Filipe compreende que todo desejo humano é o desejo do encontro. Então, encontrar o Pai é encontrar a fonte, a fonte da vida. Encontro a fonte da vida, encontro tudo. Filipe disse tudo o que a gente precisa, nos basta, não tem desejo maior na vida do que encontrar-se com a fonte da própria vida. Aquilo que...
que podemos dizer, neste lugar eu encontro paz. E é ali então que Jesus vai dizer isso a Filipe, vai dizer a Filipe, isso há tanto tempo estou convosco, Filipe não conheces, não me conheces, isto é, não compreendeu ainda que esse lugar de paz que a gente está buscando, quem sabe em tantos lugares, já se encontra ali, enigmaticamente em alguns momentos, mas a maioria das vezes aos nossos olhos, é a presença de Jesus.
que nos mostra pelos seus gestos que amar e servir, doar-se pelo outro, viver numa fraternidade é uma construção utópica. Isto é, não podemos dizer que vamos encontrar uma estrutura social em que isso se realize, mas podemos dizer que dentro de cada um, de cada ser humano, pode existir uma semente de vida que produz fraternidade.
fraternidade que tem que se espalhar na família, nos amigos, na própria relação consigo mesmo. É uma luta, é uma conquista, é uma construção, mas ela parte de um lugar sólido. É possível porque Deus, que nos cria, nos dá também a chance de reencontrarmos com nós mesmos, com o sentido maior da vida, ao descobrimos Cristo, ao ressuscitar, nos deu aquilo que foi o dom inicial, a vida.
A vida é importante para a gente conseguir entender o sentido da religião. A religião só pode ser significativa quando ela falar a vida e quando ela promove a vida. Essa palavra é tão difícil de ser pronunciada quando a tristeza, o caos, a dificuldade bate a nossa porta.
mas é a vida, a vida com todas as letras e com toda a sua força. É isso que a ressurreição quer fazer eclodir dentro da gente e dizer assim, basta de guerra, basta de divisão, basta de picuinha, basta de produzir conflito quando é a vida que pede passagem, quando é a beleza do encontro que faz a gente olhar para o alto e dizer, Senhor, um dia estaremos reunidos definitivamente em um abraço, esse abraço eterno.
Isso tudo enche o coração de esperança. É aquilo que a ressurreição nos ensina. E que, de certa maneira, esse diálogo bonito entre Jesus, Tomé e Felipe parece também ecoar em nosso coração. De um lado, a inquietação de Tomé. E, por outro lado, o avanço de Felipe. Mostra-nos o Pai, isso nos basta. Essa vontade de fazer bastar em nosso coração tudo aquilo que ele deseja.
É claro que a gente sabe, enquanto a vida estiver nesse contexto das contingências humanas, do tempo que passa, do enfraquecimento do corpo, isso é muito difícil que a gente consiga dizer, vou cumprir essa palavra, basta-nos o Pai, é preciso esperar que esse basta-nos continue no horizonte do sonho, do desejo, da vontade de permitir.
que a minha vida se expanda ao ponto de um dia ela encontrar-se completamente diluída em Deus. Aí se basta-nos o Pai. Não vai ter mais necessidade de nada. Não teremos mais necessidade de coisa alguma quando este encontro, este abraço com o Pai acontecer na vida. É por isso que temos necessidades, temos desejos, enquanto caminhamos assim, trilhando, palmilhando.
quem sabe tentando deixar o caminho entre erros e acertos, mas temos a esperança de que aquele que já nos ofereceu o caminho, que é a vida, é também aquele que nos toma pela mão, nos ergue, nos leva adiante, diz coragem, você consegue e a gente vai fazer essa travessia juntos.
Tudo isso faz parte do espírito, da espiritualidade da ressurreição. O ressuscitado é aquele que abatido foi elevado e assim eleva cada um de nós a essa condição de esperançosos. Ou, como a gente gosta de dizer também, de esperançar. Fazer disso um verbo para que a gente nunca se canse de repetir. É um verbo de ação. Esperançar porque a vida é maior e está à nossa frente, está em nós e nos convida a viver.
Obrigado, Senhor, pelo dom da vida. Obrigado pelo dom desta palavra que nos ensina a comunhão. Nos ensina a descobrir que o caminho da vida é o caminho da partilha, da fraternidade. Que o caminho que nos leva ao Pai é o caminho que passa por você, pelo Evangelho, por tudo aquilo que foi ensinado e vivido.
e que foi experimentado pelos primeiros discípulos e continua ao longo da história a iluminar a nossa estrada e a dizer a esperança, mesmo quando o desamor, o desafeto, a discórdia, a divisão, o caos parece invadir a nossa vida à esperança, porque a vida maior já foi entregue, que foi a tua, e podemos assim ter confiança de que nós também seremos envolvidos pela mesma força do alto.
que de maneira especial nos fez revelar que a tua presença no mundo continua mesmo após a tua morte. A tua ressurreição é a marca decisiva de que a vida prevalece sobre o mal. É a marca decisiva de que cada um de nós pode lutar contra tudo aquilo que impede a vida para que assim se manifeste o rosto paterno, o rosto amoroso de Deus entre cada um de nós.
Por isso ensina-nos a viver como irmãos, para que floresça entre nós na unidade e na paz a beleza daquilo que a fé proclama. A esperança no ressuscitado nos enche de alegria e nos enche de amor, porque é somente isso o que faz a vida valer a pena. Ensina-nos hoje sempre a seguir os passos de Jesus. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
Vícadica!
A dica da semana é observar a variedade daquilo que é a condição humana. Somos tão diferentes um do outro, mas há um lugar para cada um junto de Deus. Você já purificou o seu coração dos preconceitos, daquilo que nos faz separarmos uns dos outros? Já buscou ser condescendente na medida em que as diferenças podem trazer qualquer tipo de choque cultural e assim a gente tem dificuldade de se relacionar com os outros? Perceba que há um lugar para cada um na casa de Deus e todos são convidados.
Com a dica da semana é abrir-se à diversidade daquilo que existe no mundo, daquilo que são os filhos e filhas de Deus, todos convidados a fazer parte do banquete eterno. Fica a dica.