Episódios de Cuida da vida - conversas reais

#102 quando o bicho social se sente um bicho do mato

06 de agosto de 20265min
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O episódio de hoje é um abraçinho na forma de palavras pra todos bichos sociais que se sentem também um bicho do mato.

Participantes neste episódio1
N

Nassim

HostPsicóloga
Assuntos2
  • Bicho social vs. bicho do matoSaúde mental e cuidado·Relação com o mundo·Solidão e autonomia·Dançar junto socialmente
  • Música e Identidade· CulturaPagode baiano·El Tchan·Faxina e disposição
Transcrição1 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
NNassim

Oiê, meu nome é Nassim, trabalho como psicóloga, amo muito meu trabalho e esse é o Cuida da Vida Conversas Reais, um podcast para levar reflexões sobre saúde mental, cuidado e vida para pessoas além do consultório. A ideia é esse espaço ser o nosso abracinho semanal em forma de palavras. Ao final de cada episódio eu espero que você sinta cuidado e afeto, tal como ter um gatinho ronronando no seu colo, ler a mensagem de um amigo que você não esperava, receber o sorriso de um estranho na rua.

Meu objetivo é fazer você sair daqui cheio de reflexões e sentimentos, pra continuar a corrente de abracinhas na forma de palavras com outras pessoas do nosso mundo. Vem comigo! O que as músicas que você escuta dizem sobre você? Ou melhor, o que as músicas que você escuta dizem sobre a forma como você se relaciona com o mundo? Quais músicas te fazem se sentir mais parte do mundo e quais fazem você se sentir mais separado e diferente?

Eu não sei bem por quê e como começou. Mas pra fazer faxina na minha casa eu gosto de ouvir pagode baiano. El Tchan, Parangolé, Chacabum, etc. Especialmente eu amo ouvir o álbum do Volta ao Mundo do El Tchan e imaginar que eu tô em um país diferente em cada cômodo que eu tô varrendo. Tipo assim, voar do Egito pro Havaí quando eu vou varrer da sala pro quarto. Na verdade eu acho que eu sei porque eu gosto de ouvir essas músicas na faxina.

E fico com muita disposição depois. Não só pela satisfação de ver a casa limpa, mas realmente parece que faxinal ouvindo as músicas gera em mim e no meu corpo a mesma sensação de quando criança eu ouvia esses clássicos, Dança da Mãozinha, Segura o Tchan, Olha a Onda, e de repente se formava uma roda de gente dançando a coreografia junto. De um lado eu sou meio bicho do mato, então ao certo eu não acesso tanto espaços de ficar dançando e tal.

Mas definitivamente o dançar junto socialmente está hoje em dia muito mais mediado por uma tela onde todes dancem olhando do que o dançar com um olhando o olho do outro. Ou só curtindo o momento mesmo, tentando não errar a coreografia e tudo mais. Isso não é um ataque à solidão, tá? Ela faz parte da vida. Precisamos aprender a ser sozinhos em algumas coisas. A necessidade de preencher sempre os seus vazios com algo ou com outro pode acabar levando pra relações de falta de autonomia, codependência, vulnerabilidade emocional, toxicidade, abuso, etc.

O problema não é a solidão existir. É ela se tornar a alternativa pra todo e qualquer problema, angústia, desconforto ou sofrimento. Se torna uma forma de apassivamento diante da vida. Entre permanecer e se retirar, existem infinitas possibilidades. Você até pode voltar pro seu mato pra ser bichinho nele, mas só se volta quando se foi a algum lugar. Mesmo quando estamos no mato, a gente carrega o social com a gente. É com a solidão que nos deixa vazio de humanidade que deveríamos na verdade nos preocupar.

Nessas horas é bacana sair da caverna, sim. O que não significa não poder voltar. É como se fosse um jogo de estátuas, sabe? Tem a hora de ficar paradinho e tem a hora de dançar. Você tá vivendo a hora de dançar? A minha hora de dançar é um ponto de atenção. É algo que é muito fácil escorrer pelos meus dedos. Por isso que eu sou muito comprometide com assegurar esses momentos em minha rotina. Atualmente eu não tenho dançado, dançado de fato.

Mas eu saio do mato e vou ser bichinho social quando eu vou treinar meus esportes, quando eu vou num barzinho, quando eu me encontro com amigos e com pessoas da minha família. Recentemente com atividades mais lúdicas, sabe? Ficar pintando bobegoods e coisa desse tipo. De uma certa forma produzindo esse podcast. E definitivamente quando eu escuto Chacabum e Elô e Thiago varrendo minha casa. Deixar o seu coração, alma, consciência, seja lá o nome que você prefira dar para isso, deixar essa coisa dançar é ter uma linda dança a dois do bicho do mato com o bicho social sendo faces de um mesmo todo.

E também tem uma dança entre o passado e o futuro através do presente. Eu nem imaginava que viver como uma criança dos anos 90 dançando coletivamente com outras crianças é o tchan, iria tornar os momentos fazendo a faxina tão divertidos hoje? Qual dança do seu coração hoje vai fazer o seu coração dançar no futuro quando se lembrar desse momento que tiver passado? Esse foi o episódio de hoje. Me conta o que achou do episódio e quais assuntos gostaria de ver por aqui.

E recomenda para alguma pessoa que você acha que vai curtir receber esse abraço em forma de palavras também. Até o próximo episódio!

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