#101 Encontros de universos não precisam ser buracos negros nem colisões
O episódio de hoje é um abraçinho na forma de palavras pra todos aqueles que precisam de uma ajudinha pra lembrar que pra além do brilho são todo um universo.
Como abrir espaço para o universo do outro sem anular o seu? O que é encontro e o que é colisão? Onde negociar é ok e onde é ser sugado por um buraco negro?
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Texto que menciono no episódio aqui.
- O poder da visualização e do pedido ao universoColisão vs. Aproximação · Brilho como porta de entrada · Troca de luz e expansão mútua
- AmizadePerguntas para criar conexões · Anna Goldfarb · Big Brother Brasil · Estudo e prazer · Fashion Neuroses
- Autoconhecimento e Relações ConscientesEspaço para o universo do outro · Anulação do próprio universo · Interesse genuíno em conhecer o outro · Desejo de pertencer vs. compartilhar
- Fogo interno e animaçãoContágio de calor e luz · Compartilhamento sem perda · Multiplicação da chama
Oiê, meu nome é Nassim, trabalho como psicóloga, amo muito meu trabalho. E esse é o Cuida da Vida: Conversas Reais, um podcast pra levar reflexões sobre saúde mental, cuidado e vida pra pessoas além do consultório. A ideia é esse espaço ser o nosso abracinho semanal em forma de palavras. Ao final de cada episódio, eu espero que você sinta cuidado e afeto. Tal como ter um gatinho ronronando no seu colo, ler a mensagem de um amigo que você não esperava e receber o sorriso de um estranho na rua.
Meu objetivo é fazer você sair daqui cheio de reflexões e sentimentos para continuar a corrente de abracinhos na forma de palavras com outras pessoas do nosso mundo. Vem comigo! A gente busca o nosso brilho de estrela e esquece que na verdade é todo um universo. Quando dois universos se encontram, eles não precisam necessariamente colidir. Eles também podem se aproximar, trocar luz, alterar trajetórias, expandir um ao outro. Na vida, muitas vezes o brilho é sua porta de entrada, um convite para conhecer todo um universo.
Muitas dessas situações envolvem o campo das relações. Não é só o arco-íris que é uma metáfora que eu amo para pensar a vida. Outros fenômenos da natureza também têm muito a nos ensinar. Da nossa ínfima grandiosidade ou grandiosa pequenez. Esses dias encontrei um texto da pesquisadora Anna Goldfarb sobre amizades. O título era daqueles bem chamativos: 5 perguntas infalíveis para criar conexões. Eu não acredito muito em receita para relações humanas, mas achei curioso que, tirando o exagero do título, as perguntas eram muito boas.
Enfim, quais eram as 5 supostas coisas infalíveis para você fazer amigos e influenciar pessoas? Eu vou propor algo a mais. Eu não vou só compartilhar com você as perguntas que ela sugere na reportagem, que inclusive tá na descrição do episódio se você quiser ler, e é em inglês, tá, a reportagem. Eu vou propor, além de compartilhar as perguntas dela, eu também vou responder como nasci essas perguntas. Então bora lá. Vamos lá, pergunta 1: qual é a obsessão que você tem no momento?
Essa pergunta ela apresenta como uma oportunidade de gerar conexão pelo entusiasmo. No meu caso, a minha obsessão atual do momento é o Big Brother Brasil. Eu sei, a gente não tá em temporada de Big Brother Brasil, mas enfim, eu terminei a temporada que teve esse ano e aí eu não saí do modo Big Brother Brasil desde então. Eu continuei assistindo outras edições que eu ainda não tinha assistido anteriormente. Acabei de terminar a edição de 2025, 5 e tô indignada que o Guilherme não ganhou, mas a Renata mereceu.
E aí agora eu tô vendo o documentário da Juliette. Por que que eu tô fazendo isso? Porque não tem na Globoplay as outras edições que eu ainda não vi, que era o que eu tava querendo assistir. Mas enfim, é uma obsessão aí que tem me entretido por uns bons meses até agora. Segunda pergunta: o que que te mantém ocupado? Como uma oportunidade de você poder conhecer a pessoa para além do trabalho ou não. No meu caso, atualmente eu me mantenho muito ocupado estudando.
Eu sempre gostei muito de estudar e eu tô com vários compromissos meus que envolvem ter uma rotina de estudo para realizar esses compromissos. E também porque eu realmente sou bem nerd, eu amo estudar e eu estudo por prazer. Outra pergunta é o que que a pessoa recomenda do que ela tá lendo, assistindo e ouvindo. Eu vou recomendar um podcast que eu gosto muito de ouvir, É em inglês também, ele chama— ai, como que chama o podcast?
Fashion Neuroses. Ela é da neta do Freud, ela mistura moda com psicanálise no podcast dela, é bem autêntico. É uma coisa que eu tenho consumido bastante no momento. Quarta pergunta da Ana Goldfarb: o que que faz a pessoa rir muito? Pra mim, coisa que me faz rir muito são séries bestas, tipo The Office, Modern Family, esse tipo de coisa assim, sabe? E por fim, a última pergunta que ela sugere aí do manual de fazer amigos e influenciar pessoas é: o que você gostaria que as pessoas soubessem sobre você?
Sobre mim, basicamente, eu gostaria que as pessoas soubessem as coisas que eu compartilho sobre mim nesse podcast. Até porque, inclusive, ele tem sido um filtro muito interessante pra conhecer e estabelecer pra mim o que compartilhar e o que resguardar? E você, o que que você responderia para cada uma dessas perguntas? E deixa eu te perguntar outra coisa: o que que você pensa sobre essas perguntas depois de você ouvir tudo isso que eu falei?
Sobre as perguntas, eu acho que dá para pensar muita coisa, mas definitivamente a gente pode concluir que agora Você me conhece e se conecta ou desconecta de mim um pouco mais, de um jeito diferente em relação a antes de eu responder todas essas perguntas. As perguntas que a Anna Goldfarb sugerem são basicamente um tutorial de como você se conectar com outro ser humano. Todas elas têm em comum o desejo genuíno de conhecer o universo de outra pessoa.
Só que aí tem a pergunta: Como saber se você quer conhecer o universo de alguém? E como você sabe reconhecer se o outro quer conhecer o seu universo? Afinal, alguém me pediu pra eu compartilhar o meu universo aqui? Existe uma série de coisinhas que parecem pouca coisa, parece besteira, mas mudam totalmente o que a gente pensa e como decide agir diante de certas situações na vida. E essas pequenas coisinhas, elas vão diferenciando, de um lado, o que é uma pessoa se interessar em abordar o universo do outro como ponte pra ter a deixa dela própria em pôr o seu universo ao outro.
De outro lado, o que é a pessoa abordar o universo do outro na falta de um universo dela mesma. E para além desses dois, desses dois antagonismos, também podemos pensar o que que é promover o encontro de universos sem precisar haver a colisão desses dois universos. É muito possível a maioria das pessoas já terem sentido que em algumas amizades e relações além de amizade só tinha espaço para o universo do outro. E também é muito possível que você também possa ter sido a pessoa que não deu espaço pro universo do outro.
Nenhum dos dois é legal. Mas são parte do processo da gente ser a gente vivendo em sociedade e aprendendo a ser pessoas sociais e sociáveis. Muita coisa pra gente aprender a ser um sujeito no mundo tá fora do nosso controle. Mas o que a gente controla, de fato? A gente controla o que a gente faz quando reconhece que anulamos ou impomos o nosso universo. E como que a gente aprende a reconhecer isso? Aí voltamos pro trabalho da nossa amiga lá, a Anna Goldfarb, que estuda amizades.
As formas de se conectar com o outro são carregadas de quais sentimentos? O que constitui o seu interesse em se relacionar com o outro e o outro com você? Desejo de pertencer? Desejo de compartilhar? Curiosidade? Encantamento, deslumbramento, cobiça, inveja, competição, comparação, instigação? Quais desses sentimentos apontam para a construção de uma relação de encontro de universos? Quais desses sentimentos indicam uma colisão de universos?
Quais desses sentimentos indicam o universo caindo num buraco negro? Talvez a pergunta não seja como iniciar uma conversa para fazer amigos e influenciar pessoas. Talvez ela seja de que lugar nasce o meu interesse pelo outro. Ser um adulto existindo no mundo é um grande desafio. Essa conversa me faz entender porque às vezes a gente tem que olhar para as estrelas pra entender onde estamos e pra onde devemos caminhar. Encontrar formas de como caminhar na vida não é tanto sobre o como fugir da colisão e atrair só o encontro.
Tampouco sobre identificar de cara onde tem um buraco negro pra fugir dele. É sobre a mudança da nossa percepção. Do que a gente achava de uma coisa que não acha mais. Quem somos e vamos nos tornando à medida que a gente aprende a dizer onde quer ficar, de onde quer sair, o que quer para si, o que você tem coragem de amar sem querer controlar. Conhecer alguém não é conquistar um universo, é aprender a visitá-lo sem tentar transformá-lo no seu.
Existe uma outra coisa além das estrelas que também brilha, que me fascina muito, que é o fogo. Tem uma coisa muito interessante do fogo, ele é uma coisa contagiosa, contagia de calor. Ele pode ser um perigo, mas ele também pode ser uma partilha de luz e de calor. O fogo é uma bola de calor e luz que sob condições ideais ele não se apaga, ele se multiplica. Você pode usar uma vela para acender a outra sem que a primeira vela perca a sua própria chama.
Você não pode ser a parafina que queima pela vela do outro. Você não tem que apagar sua chama para o outro poder brilhar. Em quais encontros as perguntas da Ana são uma vela acendendo a outra? O brilho do outro Tocando o seu próprio brilho. Esse foi o episódio de hoje. Se a reflexão te tocou, recomenda o episódio pra alguém que possa se interessar. Forte abraço e até o próximo episódio.
Anna Goldfarb
Texto sobre amizades