Episódios de Associação Portuguesa de Business Intelligence - BI 30 Minutos

BI 30 Minutos - Episódio 53 - Os dados e a intensificação sustentável da agricultura

27 de abril de 202639min
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Episódio 53 - Os dados e a intensificação sustentável da agricultura

José Rui Gomes - Presidente da APBI

https://www.apbi.pt

José António Silva - R&D Director na DevScope

https://www.devscope.net

João Miguel Mesquita - Digital Inside

https://digitalinside.sapo.pt/

José Martino - CEO da Espaço Visual

https://www.espacovisual.pt

Com o apoio do parceiro tecnológico: IP Wire - https://www.ipwire.pt

#businessintelligence #data #agriculture #sustainability #agritech #innovation #enterprise #artificialintelligence #portugal #industry #education #apbi

Participantes neste episódio4
J

João Miguel Mesquita

ConvidadoDigital Inside
J

José António Silva

ConvidadoR&D Director na DevScope
J

José Martino

ConvidadoCEO da Espaço Visual
J

José Rui Gomes

ConvidadoPresidente da APBI
Assuntos3
  • Intensificação sustentável da agriculturaAgricultura digital · Recolha de dados · Organizações de produtores · Agricultura de precisão · Tecnologia na agricultura
  • Desafios da agricultura em PortugalMicroagricultores · Sustentabilidade econômica · Impacto das tecnologias
  • Inovação na AgriculturaInteligência artificial · Drones na agricultura · Robôs humanoides
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Bem-vindos ao BI 30 Minutos. Este episódio de hoje vai tratar de dados, os dados e a intensificação sustentável na agricultura. Eu tenho comigo o José António Silva, que é um dos responsáveis da APBI e Diretor de Investigação e Desenvolvimento da DEVSCOP. Tenho também o José Rui Gomes, que para além de ser responsável e especialista de gestão do Brasil. Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina o Defina

Tecnológica de Informação do Departamento de Eletrónica Industrial da Universidade do Minho. É também o Presidente da Associação Perturista de Business Intelligence. E para falar connosco sobre estas questões da agricultura e a inovação na agricultura, nós temos José Marinho, que é engenheiro e uma das vozes mais reconhecidas e influentes do setor agrofotólico.

E eu passava de imediato para a primeira pergunta a palavra ao José Antônio. José Martim, obrigado por estar presente aqui hoje connosco, por poder partilhar alguma das suas experiências. Você que tem publicado uma série de artigos ultimamente sobre a arquitetura digital. Quer-nos contar qual tem sido o desafio e o objetivo deste tipo de publicações?

Sim, é um gosto também estar aqui convosco e, sobretudo, também comunicar as realidades das agriculturas. A agricultura digital é o futuro no presente, isto é, a agricultura digital o que faz, primeiro que tudo, é recolher dados. Normalmente nós, como bons portugueses, gostamos de ter tudo no ótimo, então não fazemos nada.

Enquanto que eu acho que o mais pragmático é a cada dia, a cada momento, fazermos aquilo que está ao nosso alcance. Neste estado da arte atual, o mais importante que eu vejo nas agriculturas de Portugal é a recolha dos dados. E porquê? Porque...

como entrando aí na vossa área, costumam dizer que são o petróleo do século XXI, e eu concordo, portanto, tendo estes dados, portanto, temos o petróleo para depois podermos refinar no futuro. Portanto, temos de começar por aqui. Há uma realidade que é muito importante pensarmos, é que em Portugal não há uma agricultura. Há muitas maneiras de se fazer agriculturas que têm a ver com os solos.

com os climas, com a estrutura da propriedade e também com a própria tradição em si. Isto é, podemos ter agricultura de sequeiro, portanto sem rega, podemos ter com regadinho, com rega, podemos ter grandes explorações extensivas de sequeiro, podemos ter agricultura sem terra, portanto muito intensivas em tempo e tal em fatores de produção.

Todas estas realidades temos que pensar nelas. Temos de pensar que, estatisticamente, temos 290 mil agricultores em Portugal, ou sensivelmente, isso menos que 15 mil empresas, mas dentro destes agricultores temos sobretudo microagricultores. As explorações entre 1 e 5 hectares são 52,9% do total.

e abaixo dos 5 hectares, ao menos, abaixo dos 5 hectares, são 71%. Isto é uma realidade. Além de outro ponto que é muito importante, que é a dimensão económica das explorações. Portanto, hoje muito grande, classificamos isto pelo valor do padrão da produção agrícola, portanto, são os valores de tabelas estatísticos vezes a área. E, portanto, isto é...

mil euros, muito pequenas, 8 a 25 mil euros pequenas, médias de 25 a 100 mil euros, e maior que 100 mil euros, portanto, são as grandes. Portanto, para vos dar uma ideia, para vos dar uma uma ideia, portanto, as médias e muito grandes representam 35 mil agricultores e empresas em 290 mil. Portanto, estamos...

84% do que a agricultura gera em Portugal. Portanto, esta é a realidade. Isto implica que esta recolha de dados para os micro, pequenos e médios agricultores tem que ser feita com estruturas associativas, com organizações de produtores, tendo muito por base também apoios públicos.

Uma pergunta que eu queria fazer é, esta granularidade, estes pequenos produtores, obviamente, poderiam tirar partido aqui desta camada digital, se fosse possível agregá-los, para poder competir melhor, para negociarem melhor os preços, para terem mais rápido acesso a recursos. Faz sentido pensar nesta agregação digital como forma de...

torná-los maiores, terem maior poder negocial ou a alternativa é mesmo convencê-los a arregarem-se, comprarem-se uns aos outros para ganharem dimensão.

Assim, o que se está a assistir no terreno é um processo via as organizações de produtores. Portanto, as organizações de produtores são um reconhecimento europeu para determinadas organizações, portanto cooperativas ou empresas, que cumprem um conjunto de...

de regras para obter este estatuto. E nas organizações de produtores, uma das principais responsabilidades que têm é prestar assistência técnica aos seus associados. Portanto, prestar estas estruturas conjuntas da recolha dos dados, de haver técnicos especializados, ou seja, os agrónomos de campo também passam a especializar-se nesta recolha de dados. Portanto, nem uma versão sobretudo que se chamam os cadernos de campo. São os registros, tudo o que se faz na exploração, que são obrigatórios para as certificações. Portanto, este é um processo, ou esse desenvolvido,

os clientes, sobretudo ao nível da exportação e também da distribuição organizada em Portugal, impõem que existam certificações na produção, sobretudo no modo de produção chamado Global Gap, portanto um conjunto de regras do cumprimento da sustentabilidade, também regras ligadas à mão de obra, hoje também já começam a exigir regras.

relativamente à gestão sustentável da rega, ou seja, que os caudais de rega tenham que ser medidos e tenham que ser geridos. E isto faz com que estes processos tenham avançado na medida em que há uma integração.

e caminha sobretudo para estes cadernos de campo digitais. Isto é, estas operações já ficam sobre uma plataforma, normalmente são plataformas de empresas, que as organizações pagam um FII por acesso e também de apoio à gestão, e portanto são processos de eficiência coletiva, e é por aqui que eu acredito que isto terá de caminhar. Mas, mais que tudo, nesta fase, o importante na minha perspectiva seria recolher dados.

A principal grande limitação é que a internet não chega a todo o território. Mas, Zé Martino, bom dia, Zé Martino. Mas essa tua vertente de uma pessoa que já está lidada e habituada a ter os agricultores como base na tua construção, que tem sido o teu desafio ao longo de mais de 40 anos?

A tecnologia tem vindo a apoiar, mas a tecnologia ainda, se calhar, pode ser para muitos um obstáculo. Os agricultores, se calhar, têm aderido da forma que deveriam aderir. Os fundos têm sido encaminhados para evoluir essas organizações, associações, os próprios agricultores. Este business intelligence saudades, como estás a falar, será que estão a ser bem integrados e poderiam, ou se calhar ainda não estão bem integrados?

na mente destas pessoas e de quem gera muita agricultura em Portugal, o que é que te dizes? É assim, o que eu verifico no terreno, tanto é por um lado isto que já vos falei relativamente às organizações de produtores, por outro há um exemplo muito interessante, que foi na produção do oito de vaca, a integração dos robôs da ordem. Olha, o um ia...

exigente do ponto de vista humano. Portanto, é preciso reclinhar as vacas pelo menos duas vezes por dia, 365 dias por ano. E estes robôs começaram há cerca de 20 anos, 20 e poucos anos, extremamente caros, mas como uma via de resolver esta deficiência do ponto de vista da mão de obra. Mas a prazo...

revelaram-se extremamente importantes para a competitividade desta fileira. E porquê? Porque ao mesmo tempo que fazem a ordem automatizada das vacas, medem a qualidade do leite em cada teto, e se houver deficiências do ponto de vista microbiológico e eliminam esse leite, controlam a quantidade de leite que cada vaca...

cada vaca dá em cada ordenha, trouxe uma base de dados que recolheu informação ao nível do estábulo. Desde a agitação do animal, desde o número de vezes que vai à ordenha, isto permitiu passar a gerir os animais dentro do estábulo. E esta gestão dos animais dentro do estábulo, o que é que fez? Fez um maior controle de doenças, um aumento da qualidade.

do leite e um aumento da produção. E, ao mesmo tempo, as vacas também têm uns colares. Portanto, também comem em função da quantidade de leite que produzem. Portanto, tudo isto permite uma racionalidade de custos que levou à sobrevivência de muitas destas explorações. Para outro lado, aconteceu um fenómeno extremamente importante, normalmente são explorações familiares, em que...

os filhos, com maiores competências digitais, passaram a assumir o processo e a especializarem-se na sua gestão. E, portanto, como vê, começou com um problema logístico e, muitas vezes, as pessoas nem têm a noção que aquilo é uma recolha e uma gestão de dados, em que dá alertas no telemóvel.

quando o sistema de refrigeração do tanque deixa de funcionar, quando o sistema não está a funcionar, por aí adiante. O que é que aconteceu? Uma necessidade de mão de obra transformou-se numa integração de uma tecnologia com base de dados, que não foi só um robô. Um robô, claro que...

das explorações, as que estão mais avançadas, já têm estes sistemas de informação para a gestão agrícola, destas plataformas para esse efeito, que é os vários sistemas, porque é preciso o robô de ordenha, mas depois é preciso juntar com o sistema de automação do trator.

é preciso juntar a contabilidade dos fatores de produção, é preciso juntar os mapas de produtividade do milho-cilagem ao longo da parcela. Portanto, este é o último passo. Claro que nós estamos a falar de coisas que, repare, do ponto de vista médio, esta última fase deste sistema para plataforma já geram custos de...

de 8 mil a 25 mil euros por ano. Portanto, se nós temos o...

pensarmos 5% do volume de negócios, portanto, tem que ser já explorações que faturem no mínimo 200 mil euros, estamos a falar de números já muito apertados, portanto, já tem que ser explorações que consigam gerar acima de meio milhão de euros, ou ideal acima de um milhão de euros, portanto, tudo isto começa depois a fazer sentido, mas, portanto, isto é para perceberem o estado da arte em que isto está nesta altura. Claro que isto tem muito a ver também,

com o perfil do empresário, não é? Se é um empresário que tem jeito para a tecnologia, que está focado em melhorar a gestão, consegue juntar o melhor dos dois mundos, que é, por um lado, ter dados e, por outro lado, ao mesmo tempo, na utilização desses dados, ter um abaixamento de custos. Já corre neste sentido que estas pequenas organizações já começam a conseguir produzir estes dados,

Estes dados podem ser também agregados a outros níveis? Por exemplo, os dados estão abertos, por exemplo, a estudos das academias ou mesmo o Governo Central pode agregar estes dados todos sobre a produção que está a ser extraída de todas estas máquinas dos pequenos agricultores? Ou isto está muito fechado atrás de cada um dos fornecedores? Isto neste momento ainda está...

relativamente fechada em cada um dos agricultores. Portanto, é preciso criar aqui um ecossistema que trabalhe dos agricultores, embora me parece que as empresas que têm estas plataformas e que as geram e que disponibilizam serviços, portanto, já os utilizam no sentido de promoverem produtos e serviços.

possam gerar mercado, possam gerar valor. Mas isto ainda está muito compartimentado. Ou seja, isto começou, do ponto de vista geral, onde isto está mais avançado é na gestão da rega. Portanto, aí a gestão da rega com base em estações meteorológicas.

em sondas de solo, em fluxos de saiva, em controle da central de rega. Começou muito por aí e também pela questão logística em si. Ou seja, o que é que isto permite? Permite-se que a central de rega tiver ligação à internet, que a gestão da rega possa ser comandada a partir do telemóvel.

onde esteja o responsável. E esta é a fase que está mais avançada. Depois a fase seguinte já é a construção dos mapas de vegetação, ou seja, do índice de vegetação, do índice de hidratação, dos mapas de produtividade, ou seja, de produção por unidade de área ao longo da parcela, portanto, aqui já caminhámos para a chamada...

agricultura de precisão, isto é, sabemos para cada ponto da parcela tem um conjunto de dados, portanto de produção, de fertilidade do solo, por aí fora, e também...

vertente, portanto o espaço e a georreferenciação e o tempo. Isto permite depois taxas de aplicação variável seja do ponto de vista de fertilizantes seja do ponto de vista da fitossanidade. O que é que isto faz? Faz com que as parcelas tenham um mapa de fertilidade e um mapa de produção em função de fertilidade e um mapa de fertilidade.

da existência dos nutrientes do solo e das necessidades da cultura, assim a cada ponto da parcela é aplicado o fertilizante, a quantidade de fertilizante mais adequada. Isto o que é que faz? Faz aquilo que se chama intensificação sustentável, que é, com o mesmo recurso, produzir o mais possível, causando o menor impacto ambiental no ecossistema circundante. Então...

Tudo isto terá de caminhar, e já há algumas experiências em Portugal que o têm, mas ainda não é generalizado, para a existência de plataformas onde todos estes dados entram e depois podem ser geridos. Claro que nós estamos na fase, como dizia há tempos, um dos prestadores de serviços destas empresas de plataformas, que se fala muito em inteligência.

aos nossos clientes que têm que ter nos serviços e produtos que fazemos, que não tenham lá colocado inteligência artificial, ninguém compra. Mas depois na prática ainda não há dados, ainda não estão agregados de maneira que a inteligência artificial possa funcionar. Estou falando do ponto de vista generalizado, claro, que há casos, por exemplo, as chamadas armadilhas inteligentes.

Aquilo, no fundo, são dispositivos que são colocados no terreno, que têm esferalmônias que atraem determinado tipo de insetos. Depois tem uma câmera que transmite em tempo real a imagem, e por inteligência artificial, analisa-se se o que está na imagem corresponde ao inseto que se pretende, e no número adequado que justifica o tratamento.

para se fazer, portanto isto é uma tecnologia que existe, mas que ainda não é uma situação jornalizada claro que isto traz ganhos do ponto de vista de tempo, não é preciso visitar as armadilhas, não é preciso contá-las portanto por aí fora aquilo tudo E os incentivos mais recentes também vão nesse centro Desculpa

Os incentivos mais recentes também vão neste sentido de ajudar na aquisição de produtos que tenham... E aqui pode ser qualquer uma destas ferramentas de visão de computador, o exemplo que deu dos insetos, certeza absoluta, mas eu queria lhe perguntar se...

Nós vamos continuar a distribuir sensores pelo terreno ou vamos também usar, por exemplo, os drones para recolher imagens em escala e se calhar estes agrupamentos poderem trabalhar com os seus associados de uma forma...

permita pelo menos levar esta tecnologia a mais produtores. Claro. Essa é uma discussão que existe, porque existem dados dos satélites que são públicos, embora a resolução e a escala é relativamente baixa, ou seja, os drones têm outro tipo de precisão.

Portanto, a discussão tem muito a ver com a atividade em si e a justificação do ponto de vista da importância deste rigor na medição e depois também quanto é que custam os drones, os equipamentos colocados nos drones, portanto, por aí fora. Eu acredito que a prazo que isto vai ser generalizado, isto é que a tecnologia drone...

os custos baixarão e, portanto, será utilizada pelo seu maior rigor. Portanto, caminhará nesse sentido. Mas isto, é como vos digo, tem muito a ver também com a dimensão das explorações. O país precisava de uma reforma estrutural que seria uma política que favorecesse o aumento da sacrifício por exploração agrícola e, a partir daí, todas estas tecnologias fariam todo o sentido.

E agora uma coisa, Zé Martino, nesta tua experiência ao longo de tantos anos, nós estamos confrontados com muitos problemas, um deles foi o Covid há pouco tempo, há meio-duzia de anos. Também agora estamos com um problema estrutural para a energia, com a subida em escala do preço do petróleo, devido à conjetura que temos mundial.

Há também o fator cada vez mais de outros países terem vindo a evoluir à sua agricultura. A tecnologia até que ponto tem vindo a conseguir equilibrar os custos, porque cada vez mais os agricultores estão a ser confrontados com diversos problemas. E toda esta tecnologia o que é que pode ter vindo a apoiar, melhorar, integrar e com esses dados favorecer?

que esses dados realmente trazem a qualidade, trazem a capacidade de interpretar, mas acima de tudo reduzir custos e otimizar cada vez as explorações. Porque cada vez mais esta conjetura é real e cada vez vamos ter este impacto no futuro. Com tudo isto, o que é que consideras, José Martino? O que é que a tecnologia tem vindo a poder capacitar nos agricultores? É sim, a tecnologia disponível... Então...

está a fazer uma grande transformação nas agriculturas. Portanto, estamos a viver um momento de grande transformação. Ainda há dias foi notícia um robô humanoide que bateu o recorde mundial da maratona. E a minha previsão é que a partir de 2032 teremos...

robôs humanoides para fazer trabalho agrícola. Colheitas, podas, por aí fora. Portanto, na minha perspectiva vai haver uma grande transformação. O que é que está por trás disto? Está por trás disto a especialização. Claro que também temos a questão aqui das alterações climáticas que fazem com que determinados países que até aqui...

eram mercados consumidores e não produtores de determinados produtos, sobretudo hortofrutícolas, para dar um exemplo, o Norte da Europa, neste momento no Reino Unido já vinha para Champagne.

Isto para dar uma ideia, há tempos diziam que nos países norte já estão a fazer um plano estratégico para a produção hortícola, que hoje está aqui na órgula mediterrânea, no centro e sul da Europa. Tudo isto vai levar a uma grande...

produção e de mercados de produção. Portanto, a tecnologia vai transformar isto, porque se há ainda muitas das atividades agrícolas que dependem do solo, há muitas outras que já podem ser produzidas em armazém.

com temperatura, com iluminação e com umidades controladas. Portanto, a prazo, tudo isto vai se fazer sentir, até porque com esta alteração para a energia elétrica ser renovada, automaticamente descendo o custo da energia elétrica, todos estes processos que gastam muita energia passam a ser económicos. Portanto, isto é uma transformação.

que vamos existir, agora até onde é que vai, de que maneira, eu não consigo prever, porque o custo-proveito ainda não temos números para isso. Mas que é uma realidade, é uma realidade. O que é que nós temos que fazer em Portugal? Nós temos que tirar o máximo partido daquilo que são os nossos...

que nós conseguimos produzir, a qualidade dos produtos que nós temos ligados às nossas variedades endógenas e que são diferenciadoras, o nosso saber fazer e o nosso prestígio do ponto de vista do mercado. Há uma coisa que é extremamente importante, que é o aumento da produtividade.

quer das plantas, quer dos animais, é uma realidade e é por aí que a competitividade se afirma e com um controle de custos muito rigoroso. Estes são os dois aspectos mais importantes e que a mim me parece que é por aqui que vamos afirmar a nossa sustentabilidade nas agriculturas.

E com isto dizer uma coisa, quando falaste nessa parte, eu cada vez mais percebo que a agricultura tem vindo até problemas nos recursos humanos, e falaste em uma evolução que poderá ter. Será que os agricultores vão querer esse desenvolvimento tão tecnológico, assim como a inteligência artificial, cada vez mais perceber que a agricultura tem que ser diferente daquilo que era, e cada vez mais ter engenheiros de informática, engenheiros...

ligados à inteligência artificial, aos IOTs, aos sensores, à medição de dados, tratamento de dados e até capacidade de automatizar muitas das suas tarefas na parte mais de estruturação dos armazéns, quando eu vou falar pela fruta ou pela hortaliça ou o que seja, em que para chegar esse valor acrescentado às organizações que são supermercados que vendem depois ao cliente.

já vão saber desde a sua produção até o final, tudo isto vai ter estas implicações e muitas alterações, então, com aquilo que estavas a dizer. Os agricultores são agentes económicos racionais e inteligentes. Eles são sensíveis aos fatores e a única coisa que eles querem é que os deixem produzir com sustentabilidade económica, que lhes ponham regras que sejam transparentes do ponto de vista ambiental.

E, no fundo, o que eles pretendem no...

no fim do dia é produzir, é fazer com que a paisagem se mantenha, que estas edições culturais nossas se mantenham e que os territórios sejam ocupados. Os agricultores são das pessoas mais patriotas que eu conheço, com uma capacidade de resiliência fantástica. Vejam por exemplo esta questão dos comboios de tempestades.

O número de pessoas que ficaram com a vida destruída, com as empresas, com as estufas estragadas, com as empresas por aí fora. E a maioria dessas pessoas irão recomeçar, muitos deles começaram do zero, irão transformar-se, irão adaptar-se. Portanto, por aqui o ponto chave do mundo.

do que eu vejo é que os agricultores só precisam é que os políticos os ajudem no sentido de lhes darem condições para poderem produzir com sustentabilidade económica este é o ponto chave mais importante

e que a burocracia seja transparente. Não é menos burocracia que normalmente a malta diz é preciso eliminar a burocracia. Isso não existe. A burocracia é necessária porque somos 11 milhões de cidadãos e temos de ter regras. E as regras têm que ser transparentes, ou seja, cada um de nós que saiba quais são as regras e como é que elas se cumprem e a partir daí a burocracia não é um problema.

Muito bem. José Martino, tinha aqui uma questão que veio aqui um bocadinho quando falou que acredita que dentro de algum tempo os humanaides serão parte das ferramentas e do terreno. Uma das coisas que distingue alguma agricultura...

é exatamente a forma como a colheita é feita, a forma como o agricultor tem a visão no próprio terreno, tanto na fruta, como falava o Zagui, como a vinha, como o olival, há uma questão ainda muito da agricultura, talvez até do conhecimento, do tipo de árvore que é plantada, a forma como deve ser pedida, por exemplo, todos nós sabemos, acho que o outro...

não é preciso ser muito técnico, por exemplo, aquelas máquinas que abanam as oliveiras não servem para todo tipo de oliveira, há determinado tipo de oliveira que não aguenta ser abanada daquela forma, mas com todas estas condições particulares que alguma agricultura vai ter,

Não vai ser difícil, ou não, eu divido até a palavra de uma maneira, não vamos perder essa particularidade ou essa agricultura mais sensível quando colocarmos as máquinas no terreno, sejam elas os robôs humanoides ou outro tipo de robôs no terreno a substituir os humanos? Não, porque o que acontece é que a gestão...

Ou seja, a forma de analisar os fatores de produção e a forma como eles são empregos no terreno vai depender do empresário. E essa parte não pode passar. É completamente impossível que passe para a gestão da máquina.

E isso aí vai-se manter. Aliás, se não fossem os imigrantes, a agricultura em Portugal tinha que lhe apressar. Não nos podemos enganar a nós próprios. Esta é uma realidade que nós temos e que faz com que a sociedade funcione e que a economia continua a crescer.

Aqui relativamente a esta parte dos robôs humanoides, claro que estamos a falar de futurologia, mas compete-nos hoje...

comunicar, ou seja, olhar para as realidades e ver como é que elas podem ser mais sustentáveis. Eu acredito que em Portugal, se politicamente isso podia ser feito com dados relativamente à questão dos dados contabilísticos, de como é que são comprados e vendidos os produtos nos supermercados, e com políticas de precisão, para que este valor acrescentado, que fica do lado da distribuição organizada em 7 cadeias, representam mais de 70%, sendo...

do consumo. Portanto, e do outro lado, estamos a falar de 35 mil a 60 e tal mil agricultores. Portanto, a capacidade de negociação é tão grande que só politicamente é que isto pode ser corrigido e tem de ser corrigido com dados. Que é, a que preço é que é comprado, a que preço é que é vendido e depois arranjar aquele mecanismo que o valor possa retornar ao agrário.

Os agricultores recebem subsídios da PAC, da Política Agrícola Comum, para que o consumidor tenha comida mais barata. Mas no fim do dia, o agricultor só tem 40% do rendimento de qualquer outro cidadão. Portanto, isto está errado. Era preferível não haver subsídios, que o consumidor pagasse a comida ao preço que tem de pagar e que o agricultor vivesse de uma forma decente. Agora, parece que estamos aqui num jogo.

que está num jogo na sociedade atual em que parece que todos nos queremos enganar e não queremos olhar para a realidade. Portanto, aqui, tecnologia é um fator extremamente importante, como disse, para fazer produtividade, para fazer com custos mais controlados. Portanto, essa é a parte que o agricultor consegue mexer, mas não consegue mexer nos mercados e nos preços que lhes pagam os produtos. Porque essa é uma que ultrapassa. Muito bem, entendemos. José Rui Gomes.

Eu só ia dizer o seguinte, a João Mosquita e também ao Zé António e aqui ao Zé Martino, nós que somos da área da tecnologia, sei que o Zé Martino nas suas organizações e como empreendedor também dá muita formação e sei que tem dado também formações, sua parte empresarial, em Power BI. Algumas coisas têm trabalhado também já esta tecnologia para os agricultores. Como é que tem sido essa recepção? Como é que eles têm verificado essa tecnologia? Como é que os...

Os dados, os dashboards têm sido mais produtivos para essas organizações. O que é que transmites com isso, José Martim? Os agricultores, como disse, são pessoas inteligentes e racionais. Podem muitas vezes não ter, uma grande parte deles não ter formação para a temática, mas percebem quando alguns dos seus colegas conseguem ganhar mais dinheiro. E, portanto, são sensíveis aos sinais de quando o colega ganha dinheiro.

e vão ver onde é que eles mexem nesse sentido. Portanto, isto funciona um bocadinho por vagas, ou seja, nós estamos naquela vaga em que aparecem os mais inovadores.

os mais abertos, aqueles que são capazes de implementar, porque isto também tem aqui alguma barreira de resiliência, porque normalmente a inovação para penetrar traz fracassos iniciais, e portanto aqueles que são mais resilientes e são mais persistentes, e alguns até diria teimosos, e que depois conseguem implementar, e depois todos os outros, portanto depois há uma segunda vaga daqueles que estão mais abertos e já percebem que aqueles vão naquele caminho e imitam.

E depois há uma terceira vaga, que é o que eu acredito que agora estamos a passar para ela, em que há uma maior adição do ponto de vista mais generalizado. E depois, claro, que haverá uma quarta vaga daqui a alguns anos, que é os retardatários, aqueles que vão aderir já quando isto já mudar de nível, já estivermos com as plataformas a...

a funcionar e ser uma tecnologia comum, portanto, aí ainda aparecerão alguns a tentar entrar e a tentar aderir. Mas isto faz parte do processo, faz parte do nosso processo sociológico como português e, portanto, temos que o perceber, temos que o entender, temos que tirar partido dele para bem da sociedade. Fico muito contente que se esteja a dar cursos de Power BI a esta audiência.

lembro que Power BI foi o início deste movimento de self-service analytics portanto o objetivo trazer este tipo de ferramentas para o cliente final não é como o José Rui estava a dizer ao bocado se os agricultores deviam começar a contratar engenheiros informáticos eu acho exatamente o contrário eu quero ver mais é disto, é as novas gerações a pegarem nas ferramentas tecnológicas e a começarem a implementar as suas próprias soluções e aí

E o Power BI, estou a ver que já chegou este mercado, é uma excelente notícia. José Martim, e agora esta tendência toda de Vibe Coding, etc., será que vamos ver aí uma nova geração de soluções também a serem criadas pela sua audiência, pelos seus clientes, os seus colegas? Sim. Eu...

Eu tenho certeza que a transformação vai ser mais rápida do que aquilo que imaginamos. Isto é, como Zé Arroyo disse há bocadinho, eu tenho 40 anos de atividade como agrónomo, como peixe-táneo. E nos 40 anos vi mudanças e transformações que à época tiveram, custaram muito, muito esforço, muito trabalho.

muita catequização, e hoje quando olhamos para isso são mudanças quase banais, ou seja, quando olhamos hoje para aquilo que aconteceu no passado, diríamos que as pessoas à época eram muito limitadas.

Só que temos que nos colocar para fazer análise do que era o contexto em cada uma das épocas. Nós estamos dentro do comboio, ele vai a uma grande velocidade, só que nós temos muita dificuldade em saber a que velocidade é que ele vai agirar, no sentido da adoção das novas tecnologias.

e tirar a partir delas. Por isso é que eu vos digo que isto vai acontecer mais rápido do que aquilo que imaginávamos.

Olha, eu aqui como agricultor lá em algumas plantas, eu digo que eu já tiro fotografias para a Cláudia, para o GPT, de ele me dizer o que é que aquela planta precisa. Portanto, isto já é quase Cláudio Campiutinho, não é? Isto é a resistência artificial aplicada ao regadio, não é? Sim, sim. Isto é aquilo que nós queremos da inteligência artificial da próxima quinta vaga.

O que é que a malta diga? Olha, tens aqui a foto ou estou-te a dizer isto, diz-me qual é que é o último da coisa. É problema, mas temos que ter solução.

Muito bem. O nosso tempo chegou ao fim. José Martino, muito, muito obrigado. Foi muito importante neste episódio podermos ter uma noção real do que está a acontecer no terreno na área da agricultura. Muito obrigado pelo seu trabalho e pelo trabalho que tem desenvolvido. Acho que é muito importante para os agricultores. José António Silva, José Rui Gomes, até ao próximo episódio. Muito obrigado. Muito obrigado à PPI. Obrigado. Muito obrigado.

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