T6#03 - Querer não basta - Prontidão para tratamento e prontidão para mudança
Neste episódio, aprofundamos dois conceitos fundamentais para a recuperação da dependência química: prontidão para o tratamento e prontidão para a mudança. Embora uma pessoa possa aceitar ir ao psicólogo, ao psiquiatra ou a grupos de mútua ajuda, isso não significa necessariamente que ela esteja disposta a mudar hábitos, lugares, relações e comportamentos que sustentam o uso.
Conversamos sobre como essas duas formas de prontidão se relacionam com os estágios motivacionais, com a consciência do problema e com o papel da família na construção de uma crise produtiva — aquela que ajuda a pessoa a perceber as consequências reais do uso e a se mover em direção à mudança.
Também discutimos por que, na dependência química, o cuidado familiar precisa ser diferente do cuidado oferecido em outras doenças: quando a família absorve todas as consequências, pode acabar, sem perceber, adiando a prontidão necessária para que o tratamento funcione.
Livro e trecho lido:
O TRATAMENTO DO USUÁRIO DE CRACK (organizadores: Ribeiro, Marcelo; Laranjeira, Ronaldo. Artmed , 2012)
“A conduta clínica na pré-contemplação dependerá da gravidade da dependência: algumas vezes, quando a dependência impacta de forma leve ou moderada a vida do paciente e de seu grupo de convívio, é possível escolher temas paralelos […] e trabalhar com a família uma postura mais assertiva em relação ao comportamento de uso do paciente” (p. 221)