Episódios de O É da Coisa

O É da Coisa de 09/06/2026, com Reinaldo Azevedo: Andrei, da PF: PCC, CV, EUA, Vorcaro, “Dark Horse”

09 de junho de 20261h25min
0:00 / 1:25:26
Participantes neste episódio4
R

Reinaldo Azevedo

HostJornalista
A

Alexandre Bentivoglio

Co-hostJornalista
I

Isabela Mota

Co-hostJornalista
A

Andrei

ConvidadoDiretor-Geral da Polícia Federal
Assuntos11
  • PCC CV TerrorismoPCC · GAECO · Amaury Silveira Filho · Maurício Aparecido de Oliveira · José Ricardo Ramos · Governo de São Paulo · Tarcísio de Freitas
  • Escândalo do Banco Master e Dark HorseInstituto Conhecer Brasil · Karina Ferreira da Gama · Sistema S · Feira da Cidadania · Fórmula Truck Kids · HBMB Entretenimento Ltd. · Hidalbi Cristine Moreno Ramos
  • Caso Dark Horse e impacto na campanhaDaniel Vorcaro · Banco Master · Jair Bolsonaro · Eduardo Bolsonaro · Flávio Bolsonaro · Valdemar Costa Neto · PL (Partido Liberal)
  • Pesquisa Atlas Intel e cenário eleitoralAtlas Intel · TSE (Tribunal Superior Eleitoral) · Flávio Bolsonaro · Cássio Nunes Marques · PL (Partido Liberal) · Supremo Tribunal Federal
  • EUA classificam PCC e CV como terroristasPCC · Comando Vermelho · Polícia Federal · Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado · Interpol · Europol · Meripol
  • Relações entre Crime Organizado e Poder PúblicoRonaldo Caiado · Estados Unidos · Governo Lula · PCC · Comando Vermelho · Seção 301 · Trump · União Europeia
  • Direção do Espetáculo 'Marias do Brasil'Tropicália: Alegoria, Alegria · Pero Vaz de Caminha · Caetano Veloso · Wally Benes · Júlio Medalha
  • Polícia FederalColaboração Premiada · Lei de Execução Penal · Caso Marielle · Caso do Golpe de Estado
  • Jornada de TrabalhoPEC alternativa 6 por 1 · Rogério Marinho · Romário · Zequinha Marinho · Cleitinho · FIESP · CLT (Consolidação das Leis do Trabalho)
  • A História e o Legado da Fé EvangélicaPT (Partido dos Trabalhadores) · Evangélicos · Governo Lula · Democracia
  • Maioridade PenalMaioridade Penal · CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) · Constituição Federal
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?Voz B

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?Voz C

E agora na BandNews FM, O É da Coisa, com Reinaldo Azevedo, Alexandre Bentivoglio e Isabela Mota.

?Voz D

Oferecimento: BTG Pactual, para quem espera mais de um banco. iFood, os melhores restaurantes com entrega grátis estão no iFood.

?Voz C

Tá esperando o quê?

RAReinaldo Azevedo

Pede iFood já! Quando o Pero Vaz caminha, ele viu que as terras brasileiras eram férteis e verdejantes, escreveu uma carta ao rei: tudo que nela se planta, tudo cresce e floresce. E o causa época gravou.

?Voz C

Sobre a cabeça os aviões, sob os meus pés os caminhões, aponta contra os chapadões meu nariz. Eu organizo o movimento, eu oriento o carnaval, eu inauguro o monumento no Planalto Central do país. Viva a bossa, sa, sa, viva a palhoça, sa, sa, sa, sa, sa. Viva a bossa, sa, sa, viva a palhoça, sa, sa, sa, sa, sa. Sassá! O monumento é de papel crepom e prata, os olhos verdes da mulata, a cabeleira escura e atrás a verde mata, no ar do sertão.

O monumento não tem porta, a entrada é uma rua antiga estreita e torta, e do joelho uma criança sorridente, feia e morta, estende a mão.

RAReinaldo Azevedo

Viva a mata! Tatá!

?Voz C

Viva a mulata! Tatá! Tatatata, viva a mata, tatá, viva Mulá, tatatata. No pátio interno há uma piscina com água azul de amaralina, coqueiro brisa e fala nordestina e faróis. Na mão direita tem uma roseira autenticando a eterna primavera e nos jardins dos urubus passeio a tarde inteira entre os girassóis.

?Voz D

Viva Marília!

?Voz C

Viva Bahia, ia, ia, ia, ia, ia! Viva Maria, ia, ia, ia, ia, ia! Viva Bahia, ia, ia, ia, ia, ia! No pulso esquenta o bang bang, em suas veias corre muito pouco sangue, mas seu coração balança o samba de tamborim. Emite acordes dissonantes pelos 5 mil alto-falantes.

RAReinaldo Azevedo

Senhoras e senhores, ele põe os olhos grandes, Começa agora para todo o Brasil mais uma edição de O É da Coisa. E se a coisa parece confusa, atrapalhada, vem para cá que a gente desconfunde, desatrapalha. Milhões de pessoas acompanham o programa pelo Dial, pelo BandNewsTV e pelo LG Channel, mas você pode fazê-lo também pelas redes sociais, sempre Rádio BandNews FM, ou no aplicativo BandPlay. Boa noite, Isa. Boa noite, valeu. Boa noite, o mais recente moreno do Brasil.

É, muito bem. Olha, eu começo com a música Tropicalia. Primeiro assim, é uma música que é uma síntese do Brasil de várias maneiras. É uma música de 1967 que não está no disco Tropicalia, que é de 68. Mas é a música tropicalia que dá origem, digamos, ao disco tropicalia, aquilo que virou um movimento musical. Caetano, genial em várias coisas, nessa letra em particular, porque tem uma síntese do Brasil dos anos 60 aí, de várias maneiras, das maravilhas e misérias do Brasil.

São tantas as camadas, são tantas as dimensões Mas tem um livro, como eu costumo conversar aqui às vezes com os nossos produtores, quase sempre há um livro, né? Tropicalia: Alegoria, Alegria, do Celso Favaretto, primeira edição, é de 1979, que eu tenho a honra de ter a primeira. Depois houve reedições e acho que está fora de catálogo e sempre que a gente fala de um livro aqui que depois está no Cebo, aí o preço sobe, o que é bom. Senão as pessoas vão comprar.

?Voz D

Ô Rei, você sabe que você já falou desse livro uma outra vez aqui, e da última vez que você falou desse livro eu comprei.

RAReinaldo Azevedo

Ah, foi?

?Voz D

Fui pra estante virtual lá e comprei.

RAReinaldo Azevedo

Estante virtual, muito bem. E ali tem, então, o Wally Benes se leu, é de um brilho absoluto, porque ele faz uma análise profunda das implicações da Tropicália, da música, do movimento. E você tem aí a leitura dessa letra, o que ela tem de absolutamente espetacular, justamente nisso, soma de misérias e maravilhas. E tem uma coisa que é inacreditável, como pessoas geniais se juntam e acontecem coisas. Esse texto do comecinho aí, dá para colocar, Wally Ben, de novo, logo no comecinho?

Dá, claro. Rápido? Sim, tá aqui. Olha só, é que coisa espetacular! Saibam que isso aí não tava combinado. Isso daí foi um improviso do Dirceu de Medeiros, que é o baterista, que era o baterista. E o arranjo do Júlio Medalha tava lá, entrou o arranjo, né? E eu acabei não mandando a pauta para vocês, né? Achei que tinha mandado, não mandei. É o arranjo Tava lá, entrou, o baterista falou isso de improviso, de improviso, e foi gravado.

Não era pra entrar. E aí ele faz um pedaço do texto do Pero Vaz de Caminha: "Quando Pero Vaz de Caminha descobriu que as terras brasileiras eram férteis e verdejantes, escreveu uma carta ao rei: 'Tudo que nela se planta, tudo cresce e floresce'." E é verdade, o Pero Vaz de Caminha escreveu isso. E aí ele disse: 'E o gaucho da época gravou.' Quem era o gaucho? Era justamente quem respondia pelas gravações, né? Então, é, de improviso faz um texto que vira história, né?

E é o que nós temos aí. Olha aqui, muita coisa. Hoje nós vamos entrevistar Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal. Temos algumas questões importantes a falar com ele. Não percam, chame lá todo mundo, já falando para imprensa também, quem quiser acompanhar, né? Uma conversa entre dois homens finos, inteligentes, elegantes e sinceros, né? Então fica por aí, né? Mas antes temos coisas importantes. Já chegou aí, né?

?Voz D

Ah não, ainda não. Pedro disse que ainda não, mas a gente tá com as primeiras aqui.

RAReinaldo Azevedo

Mandei, mandei.

?Voz D

Agora sim, ele disse.

RAReinaldo Azevedo

Agora sim, muito bem. Já tá aí, vai, baby!

?Voz D

Tô aqui com as primeiras.

RAReinaldo Azevedo

Sim, então, ONG de produtora do Dark Horse. Metida em lambança em 7 estados. O Flávio, não adianta tentar piar desse cavalo, você tá nesse cavalo, meu filho. E eu tenho dito aqui desde o primeiro dia, essa Karina é um mistério e cada dia se torna mais misteriosa, não é mesmo? Sem contar, né, que onde tá Mário Frias tá Karina, onde está Karina está Mário Frias. Lembra aquela ONG que cuida de tudo? O Instituto Conhecer Brasil? Ele não só instala ponto de wi-fi, cura espinhela caída.

Meu amigo, meu brasileiro, você, minha brasileira, está com espinhela caída? Procure o Instituto Conhecer Brasil. Unha encravada? Também. Gases? Também. Chulé? Fique longe de mim, mas vá para o Instituto. Conhecer Brasil, que resolve e faz outras coisas também, né? Inclusive tem a fórmula Truck Kids, que eu adoraria saber o que é, que eu não tenho ideia, né? Mas enfim, ONG de produtora Dark Horse, é a mesma ONG da produtora, né, da Karina, que também é dona da E de mais um monte de coisa.

Metido em lambança em 7 estados envolvendo dinheiro público do Sistema S. Agora a questão virou federal, não pode ficar só com o Ministério Público do Estado de São Paulo. Questão federal, isso respeita o Brasil. Vamos lá, vai.

?Voz D

A ONG Instituto Conhecer Brasil de Karina Ferreira da Gama atuou como entidade de fachada com notas frias, superfaturamento em entregas fictícias para desviar recursos do Sistema S. Avaliação é de auditorias da Controladoria-Geral da União. Entre 2017 e 2018, o Conselho Nacional do Serviço Social da Indústria, o CNSESI, repassou cerca de R$11 milhões para a entidade realizar a Feira da Cidadania em 7 estados brasileiros, além dessa fórmula Truck Kids a que você se referiu no Distrito Federal.

Os levantamentos mostram que ao menos R$2,4 milhões desse total foram superfaturados. Apenas no Pará, o sobrepreço superou a marca de R$1,3 milhão. No Rio Grande do Norte, pelo menos R$880 mil foram superfaturados. No Piauí, o sobrepreço foi de até 748% em 2017 e de 543% em 2018. No Distrito Federal, dos R$350 mil recebidos pela ONG Para a fórmula Truck Kids, a verba passou por uma entidade de fachada e apenas R$80 mil custearam o evento real.

Ou seja, o superfaturamento foi de R$270 mil. Os dados foram publicados pelo Intercept.

RAReinaldo Azevedo

Então fica parecendo, ah, é pegação no pé. Não, não é pegação no pé, é coisa séria, coisa grave. De novo, essa moça mora na Vila Brasilândia. Ah, ninguém que mora na Vila Brasilândia pode ter mega empresas, um conglomerado maior do que as organizações tabajaras, olha o Beni, da época do Casseta e Planeta, somadas às organizações do seu Creyson? Não pode. Agora, quando você tem um contrato que com os aditamentos chega a mais de 150 milhões com a prefeitura, When you receive 60 million to produce the film Dark Horse.

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?Voz B

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RAReinaldo Azevedo

Por um programa social. E é curioso porque eles sempre estão fazendo coisas para as quais não estão preparados. Então assim, ah, vai para o Instituto Conhecer Brasil, tá? Isso tudo conhecer Brasil faz o quê? Bom, tem que subir, tem que subcontratar, porque eles não, eles não são nada, eles cuidam de espinhela caída. Aí vai subcontratando empresa. Ah, mas se é dinheiro do SESC, o dinheiro do Sistema S é público. A origem são empresas da indústria, do comércio, o dinheiro é público.

O que é essa empresa, afinal de contas, hein, Flávio? Explica para nós. Ou Ricardo Nunes também pode explicar. Ele que saiu defendendo outro dia a Karina. Que pessoa é essa com essa capacidade? O que mais que tem aí?

?Voz G

Vai, Reinaldo. Os valores desviados não são recursos privados. O SESI, um dos integrantes do Sistema S, é financiado por contribuições compulsórias pagas pelo setor industrial, verbas que possuem natureza de recurso público federal. Inclusive, o SESI é submetido à fiscalização da CGU justamente por de onde viria esse dinheiro. Apesar de subcontratações de serviços determinados seja uma prática legal em eventos, as auditorias da Controladoria revelaram que o instituto operava um CNPJ sem nenhum funcionário registrado, sem capital social e sem veículos.

Segundo a apuração, esse CNPJ era utilizado exclusivamente para assinar os contratos com o CNSES e transferir 100% do dinheiro para uma rede de empresas, também de fachada, do Distrito Federal. Para a CGU, ao terceirizar integralmente a execução dos eventos, a ONG de Carina deixou um rastro de notas fiscais fraudulentas, entregas fictícias e sobrepreços milionários. O esquema foi viabilizado por aprovações a jato e suposta negligência da cúpula do SESI, que ignorou reiterados alertas jurídicos.

RAReinaldo Azevedo

Tudo igualzinho a coisas, procedimentos repetidos aqui na Prefeitura de São Paulo, segundo apuração da polícia. E do Ministério Público Estadual. E aí tem as empresas de fachada. Vai lá.

?Voz D

Sim, a CGU apontou que o Instituto Conhecer Brasil cometeu irregularidades em Goiás, no Pará, no Piauí, no Rio Grande do Norte, no Tocantins, no Maranhão, na Bahia e no Distrito Federal. O projeto Feira da Cidadania, que deveria levar serviços de saúde, lazer e cidadania a trabalhadores, se transformou em um grande esquema de desvio de recursos. A execução dos projetos foi sistematicamente direcionada para um núcleo de empresas de eventos sediado no Distrito Federal: a HBMB Entretenimento Ltd., a HBMB Organização e Produção de Eventos Eireli e a Servares Comércio e Serviços.

Segundo a apuração da CGU, essas companhias possuíam a mesma sócia-administradora, identificada como Hidalbi Cristine Moreno Ramos. Duas das companhias registravam sedes no mesmo lote, separadas apenas por uma parede de sala comercial. O dinheiro do Sistema S deixava o SESI rumo à ONG de Carina e imediatamente desaguava nessas empresas terceirizadas em Brasília.

RAReinaldo Azevedo

E atenção, quem conhece empresa sabe que as empresas têm a relação anual de informações sociais, a RAIS. Essa RAIS traz ali o número de funcionários. E aí, tanto o instituto quanto as empresas subcontratadas Não possui um único funcionário registrado, nada, nada. São empresas, Walio Benisa, etéreas. De novo, quer dizer, a cada, como a gente diz, em dois corgos, ao que a Lilian diria, sempre se diz em dois corgos, mas a gente é cheio de frases.

Frases. Ah é, Isa, cheio de frase. É, é, a cada enxadada uma minhoca. Meta a enxada. Já pescaram na beira do rio? Você leva um negócio ali para pegar umas minhoca na beira do rio, né? E quando a terra é boa, tá na beira do rio, você mete a enxada, pula minhoca fora. A cada enxadada uma minhoca. A senhora Karina deixou de ser um problema estadual aqui de São Paulo, né, da prefeitura ou não sei o quê. Bom, já não é.

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RAReinaldo Azevedo

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?Voz B

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RAReinaldo Azevedo

Eu tenho uma questão a respeito, vou falar com o Dr. Andrei. É a questão que eu vou fazer, porque financiar filme não é crime, nem receber financiamento de filme. Agora, se o dinheiro for usado para fazer coação no curso do processo Caixa 2, aí é. Vem à luz remessas de Vorcaro para Fundo Eduardo, que também está no Intercept. Não tem nada novo, a gente já sabia. Né, que tinha ido dinheiro, mas agora tem ali as provas, as evidências. Vamos lá, vai.

?Voz G

O portal Intercept Brasil teve acesso a planilhas, contratos, comprovantes bancários e registros financeiros que permitem reconstruir parte do caminho percorrido pelo dinheiro de Daniel Vorkaro, dono do Banco Master, para bancar o filme Dark Horse, a cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. O primeiro documento é uma planilha do cronograma de financiamento. O arquivo registra uma operação de quase $24 milhões o equivalente a R$134 milhões na cotação da época.

E detalha tanto os aportes previstos quanto os valores efetivamente recebidos pelo fundo HavenGate, ligado ao Longa e administrado por Paulo Calixto, aliado de Eduardo Bolsonaro. O cronograma previa 14 desembolsos entre janeiro de 2025 e janeiro deste ano. As duas primeiras parcelas foram de US$2 milhões cada. Elas estavam inicialmente previstas para 20 e 25 de janeiro de 2023. 5, mas foram efetivamente pagas em 13 de fevereiro e 24 de março, segundo a planilha.

RAReinaldo Azevedo

Isso, deixando claro que era o Paulo Calixto e o Eduardo. O Eduardo também manda no fundo, o Eduardo também administra o fundo, o Eduardo também faz a gerência desse fundo, tá? Já se sabia. O que você tem agora tá aqui, tá a grana aqui. Inicialmente eram 24 milhões de dólares, depois acabou ficando por menos. Aí tem aquele pedido, tem aquele áudio dramático que até chegaram a fazer uma música por inteligência artificial. Eu vou enrolar um pouco para ver se a gente consegue achar a música, porque a música traz o texto e ficou muito bacaninha, né?

Vejam se vocês acham e me avisem aqui assim que tiver. Então tem aquele pedido dramático do Flávio: "Olha, porque nós precisamos pagar os atores, precisamos pagar os diretores." E depois, quando o Valdemar sai da cadeia, o Flávio vai se encontrar com ele um dia antes de ser declarado candidato do PL. E aí o Flávio disse que corajosamente foi lá para falar: "Eu não sabia que tudo era tão grave, não quero mais o seu dinheiro." Né, tá aqui. As joias que me davam não tinham nenhum valor.

AAndrei

Eu preferi te mandar o áudio aqui para você ouvir com calma.

RAReinaldo Azevedo

A gente tá passando por um dos momentos mais difíceis da nossa vida, irmão. Estou e estarei contigo sempre. Não tem meia conversa entre a gente, não sei Como é que vai ser daqui pra frente? E apesar de você ter dado liberdade, Daniel, eu fico sem graça de ficar te cobrando, Daniel. É isso, não, eu sempre que ouço, eu, eu, meu coração realmente, eu me emociono fácil. Choro fácil. Eu choro vendo filme de cachorro, imagina.

?Voz G

Quem não?

RAReinaldo Azevedo

E depois ele foi lá à casa, segundo ele foi para isso: "Ah, não quero mais esse dinheiro." Aí vai o Valdemar, um homem sincero, disse: "Não, ele foi lá tentar pegar o resto." É, né, vale a pena. Então tem diferenças. Diversão e tal. Nós vamos falar um pouquinho de eleição, né? Tudo dando certo, Doutor Andrei entra com a gente a partir das 18:30. Ó, o negócio é o seguinte, tem a piada, eu adoro piada boba assim, mas assim, porque às vezes elas desconstroem aquilo que parece tão, né?

Porque às vezes tem piada muito sofisticada, tem aquela que é bobinha. Tem aquelas do interior bobinhas que eu conto e as pessoas nem sabem porque não são do universo interior. Mas essa aqui é do universo urbano, do tempo que havia ascensorista ainda, vale bem. Já contei, Isa. Pessoa entra no prédio, aí a ascensorista pergunta: "Em que andar o senhor vai?" Ele fala: "Qualquer um, porque já é rei de prédio." Entende? É o caso do caiado.

Qualquer coisa que ele faz... Como ele já errou de tudo, como ele errou a leitura, errou Tudo. Agora qualquer coisa que ele fale, o pai tá errado também, porque ele já, coitado, até chego a pensar se precisa de alguma ajuda, mas ele é médico, né? Caiado foi a um evento de empresários, justificou as tarifas e falou tanta bobagem técnica que chega a ser assombroso. Chega a ser assombroso porque ele precisa manter a sua candidatura no campo dos reacionários.

E ele curiosamente se diz de centro-direita. Se ele é de centro-direita, imagina a extrema-direita o que faz. O Genghis Khan, valeu, Benisa, ficaria com inveja. Já se puxa a vida, que pessoa Que se é centro-direita, aí ele foi e falou. O vídeo é bem assombroso mesmo, porque tem um monte de besteira. Mas vamos lá, vai, que que tem?

?Voz D

Pré-candidato à presidência pelo PSD, Ronaldo Caiado, afirmou hoje que os Estados Unidos têm toda razão ao eventualmente aplicar um novo tarifácio de 25% sobre as exportações brasileiras. Essa declaração foi dada durante o evento Agro 360°, o agro na encruzilhada global, promovido pelo Brasil Journal e The Agribusiness in São Paulo. Durante o discurso, Caiado culpou o governo Lula pela conduta americana e disse não ser favorável às tarifas.

ABAlexandre Bentivoglio

Eu quero deixar muito claro, minha posição sempre foi contrária a todo e qualquer tipo de ameaça no sentido de tarifaço ou de aumento de tarifas sobre o Brasil. Quando realmente aumentou 40%, Trump chegando a 50%, aquilo foi sim uma decisão decisão política, e que o Supremo americano dos Estados Unidos derrubou essa decisão. Mas agora nós entramos na Seção 301, que não tem nada a ver neste momento com uma decisão política. Aí tem aquela legislação própria deles de poderem avaliar aonde é que o Brasil não está cumprindo com as suas responsabilidades.

Lógico que em relação A florestal, nós podemos derrubar isso imediatamente, que o Brasil é o único que tem seus biomas todos aí preservados. Mas ao mesmo tempo, você há de convir que existem dois fatores que eles têm toda razão. O momento em que você tem as multinacionais do crime, as maiores do mundo hoje no Brasil, o PCC e o Comando Vermelho, e nós não produzimos cocaína e estamos inundando o mundo. Eles têm todo motivo. E ao mesmo tempo a corrupção, sendo que as empresas lá são submetidas a compliance.

Daí vem essa forma aí de dizer que vão aumentar em 25% a tributação. Ora, se o presidente da República realmente tratar desses assuntos, que são assuntos de governo e de estado, ele não teria essas penalidades neste momento.

RAReinaldo Azevedo

O caiado, é tanta besteira. Vamos lá, primeira coisa, é você está discordando dos próprios especialistas americanos, né? Você discorda dos próprios especialistas americanos que dizem que o Trump está usando a Seção 301 que cuida de resposta a assimetrias comerciais para driblar a decisão da Suprema Corte. Você está errado, e os americanos estão dizendo isso, especialistas.

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?Voz B

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RAReinaldo Azevedo

Apenas como desculpa, caiado. Ele usa para desrespeitar a decisão da Suprema Corte. Porque, por exemplo, na questão dos trabalhos forçados, ele meteu na lista 60 países, incluindo a China, países europeus e o Brasil também. Então isso que você está falando, de que a Seção 301 não tem nada de político, não sei o quê, é mentira. Aí, quando eles vêm com tarifa, uma das questões que eles alegam é desmatamento. Como você estava ali num ato do agro, então você tem de puxar o saco da plateia.

Que é, se há coisa que eu detesto, é gente que não tem coragem de dizer o que tem de ser dito porque tem medo da plateia. Como você não quer desagradar a plateia que tem agro, então você diz: não, desmatamento não, porque isso é fácil. Não, não é fácil. Não é fácil, é muito difícil, porque é mais uma desculpa para protecionismo, é mais uma desculpa para tarifácio caiado. "Ah, mas aí sim, aí tem as multinacionais do crime, as maiores do mundo." Isso é uma besteira, que elas sejam as maiores do mundo, não há critério para fazer essa avaliação, não sei de onde você tirou esta besteira.

E no caso da tarifa Não tem nada a ver. O tarefazo não tem nada a ver com crime, não está na justificativa da 301. Não misture as coisas. A 301 tem nada a ver com isso. Isso é outra decisão que tem a ver em transformar, em considerar organizações terroristas. Pare de falar besteira. E quanto à questão da corrupção, sim, eles alegaram a questão da corrupção. Vá saber, ô caiado, O que é a lei americana de 1977 que pune atos de corrupção de americanos fora dos Estados Unidos?

Foreign Corrupt Practices Act. Vá saber o que é. O Trump suspendeu essa lei, cara. O Trump suspendeu essa lei por 180 dias, liberando os americanos para corromper o mundo inteiro. Porque ele disse: "Não, isso está prejudicando as empresas americanas." Oh, grandes Estados Unidos combatendo a corrupção! Outra mentira que você fala. Aí depois ele reintroduziu a lei. Aí, vale o bem, Isa, a lei vale apenas, só pune corruptos, corruptores ativos que tenham colocado, que ameacem a segurança nacional.

Fora isso, pode. Com a devida vênia, senhor, vai estudar. Quer, eu mando os documentos todos. Quer? Do Departamento de Estado, tudo. Inclusive os atos do Trump, a ordem executiva quando ele suspendeu a lei. Tem tudo aqui. Opinião é livre, fato não. Teve mais coisa depois. E aí soou muito mal. Os Estados Unidos fazem muito bem. Olha aí, nem o Flávio defendeu tarifa, hein? Você defendeu. Ó, sempre fui contra. Procurei suas declarações anteriores, não encontrei.

Encontrei atacando Lula. Não, isso não é uma defesa do Brasil. Você defendeu a taxa. Eles estão muito certos. E as multinacionais do crime dos Estados Unidos, hein? Só vou terminar aqui, Doutor Andrei. Doutor Andrei, me espere um minutinho, porque é o caiado. Depois ele tentou se explicar falando com a imprensa. Vai.

?Voz G

As declarações de Caiado, principalmente a afirmação de que os americanos têm razão para um eventual novo tarifácio, não foram bem recebidas. Ao fim do evento, o ex-governador de Goiás concedeu uma entrevista coletiva, voltou a afirmar que sempre foi contra as tarifas e aproveitou para criticar novamente o governo Lula.

ABAlexandre Bentivoglio

Sempre condenei o tarifácio, foi bem claro. Quando você, quando o Trump apresentou o primeiro tarifácio, eu fui o primeiro governador a insurgir contra o tarifácio. Segundo momento, uma Seção 301 não é uma decisão de foro pessoal, é uma ferramenta que o governo tem para levantar situações, como nós estamos recebendo também a reprimenda da União Europeia, certo? São dois tarifácios que nós estamos recebendo neste momento. Então, essas duas situações é que diz com muita clareza que são situações que denigrem a imagem do Brasil e que o presidente Lula está jogando a imagem do Brasil na sarjeta no momento em que ele é complacente, conivente com a corrupção e com o crime. Isso aí tá muito bem colocado.

RAReinaldo Azevedo

Mas mentira, porque no caso da União Europeia está mal informado, não é tarifácio, é restrição à carne brasileira. Por uso de hormônios, etc., porque diz que o Brasil não tomou as devidas providências, os produtores brasileiros. Outra medida protecionista disfarçada de questão fitossanitária. O sujeito quer criar uma candidatura sem divergir do Flávio, porque depois ele falou que o Flávio tem que explicar a sua relação com o Vorkaro, mas ele sabe que no fim das contas ele vai estar lá.

Ele não pode falar muito mal também, porque depois como é que ele se junta? E aí volta o papo da autoridade moral e da frase clássica sobre autoridade moral que eu não posso falar no ar, senão nem o Dr. Andrei vai querer me dar entrevista. Não é? Autoridade moral? Aí não pode falar que o Flávio— por um acaso a autoridade moral é sua, não é do Flávio, então você vai apoiar um candidato que não tem autoridade moral, já que você não vai para o segundo turno?

Não é mesmo? Vamos para entrevista, Doutor Andrei. Me desculpe, atrasei 2 minutos. Coloca o Doutor Andrei no ar para eu cumprimentá-lo, para a gente conversar. Vamos lá. Já está aqui, já está no ar, Doutor Andrei. Opa, Doutor Andrei, boa noite. É um prazer. O diretor-geral da Polícia Federal, é um prazer imenso entrevistá-lo. O senhor sabe, eu já escrevi que eu considero essa gestão da Polícia Federal uma das mais competentes.

Outro dia eu fiz um elogio desse a um entrevistado. Já começa elogiando entrevistado? Não, é, a gente deve começar chutando entrevistado, é isso? Não, até porque se eu acho que a pessoa não vale a pena, também não entrevisto. Então eu entrevisto quem eu acho que vale a pena entrevistar. Boa noite, doutor.

AAndrei

Boa noite, Reinaldo. Boa noite, Alexandre, Isabela. É um prazer falar com vocês, falar com todos que nos acompanham nas múltiplas plataformas do É da Coisa. Eu tenho uma grata satisfação de estar aí com um grande jornalista brasileiro, uma alegria poder conversar com aqueles que nos acompanham.

RAReinaldo Azevedo

Obrigado, doutor. Vamos lá, então vamos. Nós vimos que os Estados Unidos classificaram organizações criminosas como PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, né? E há um grande debate a respeito. Eu queria duas coisas. Primeiro, que o senhor dissesse se do ponto de vista do combate efetivo ao crime aqui dentro isso muda alguma coisa. E por que é um erro essencial, porque eu sei que o senhor considera um erro essencial, já li entrevistas suas.

AAndrei

Reinaldo, eu acho que começamos por essa questão, né? E aqui é importante a gente falar também com o cidadão brasileiro. É a questão semântica que pouca diferença vai fazer para a nossa sociedade. O que nós temos de ter muito presente é que essas facções criminosas, que sim aterrorizam a sociedade em muita medida, elas têm já por parte não só da Polícia Federal, mas do Estado brasileiro, das polícias estaduais, polícias civis, polícias militares, é um trabalho muito intenso, muito forte, né, desenvolvido aqui no nosso país para fazer esse enfrentamento.

E isso nós fazemos, por exemplo, com as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado, que estão em 40, nas 27 unidades da federação, com 40 dessas forças que reúnem as polícias estaduais, as polícias federais, alguns lugares inclusive com as guardas municipais, para fazer esse enfrentamento.

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?Voz B

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AAndrei

Tá dos extraordinários. Só semana passada, nesse começo desse mês, nós apreendemos mais de 1 tonelada e meia de drogas e prendemos mais de uma centena de pessoas fruto desse trabalho. Em São Paulo, no mês passado, apreendemos— e veja que aqui não se está falando de questões político-partidárias, está falando de uma integração efetiva— apreendemos um veículo, enfim, uma situação de tráfico de drogas com 24 toneladas de drogas É fruto desse esforço.

E por que que eu tenho dito que isso é um equívoco? Primeiro, e aqui também a sua primeira pergunta, é essa decisão dos Estados Unidos soberanamente tomada, e nada afeta o trabalho das polícias brasileiras, não tem o condão de alterar a legislação brasileira e não fará com que o Brasil deixe de ser soberano e atue com toda energia como tem feito enfrentando o crime organizado de frente. O que há, e aqui entramos um pouco na questão técnica, que muitas vezes é indiferente para o cidadão no seu dia a dia, mas é preciso sim compreender, até porque o seu ouvinte é muito qualificado, Reinaldo, é preciso entender que os mecanismos de enfrentamento de um grupo terrorista e de uma facção criminosa são distintos, a legislação é distinta.

Os objetivos, os motivos que levam um grupo e outro a atuar são distintos. Logo, nós precisamos também ter ferramentas diferenciadas para um e para outro grupo, de forma que consigamos efetivamente combater o crime organizado e evitar, como fazemos no Brasil há mais de 30 anos, a Polícia Federal tem uma unidade antiterrorismo e que atua, infelizmente, o Brasil nunca foi palco de nenhuma ação terrorista. Então é um equívoco técnico, um equívoco, como eu já disse, grosseiro, e que sim pode dificultar, na verdade, para os outros países cooperarem conosco em melhor medida, de receber informações, de poder fazer trocas mais assertivas para o propósito que é enfrentar o crime organizado.

?Voz G

Isso.

RAReinaldo Azevedo

E me corrija se estiver errado, à medida que isso passa a ser, são organizações terroristas, informações dos Estados Unidos a respeito mudam de patamar, né, vão para Pentágono, CIA, e deixam de ter, deixam de se trocar informação com a polícia porque muda o nível de sigilo dessas informações, dificulta a troca de informações. E acho que também, à medida que a CIA, isso concerne a CIA, a CIA não costuma avisar de suas operações em países, né.

AAndrei

Então, Reinaldo, esse é um outro componente importante que nós precisamos inclusive esperar, é como que os Estados Unidos vai lidar com isso, né? Você cita agora o exemplo da CIA, das Forças Armadas, enfim, do Pentágono. Serão eles agora os interlocutores com o Brasil para efeitos de enfrentamento ao crime organizado? Isso seria um desastre, né? Porque nós não poderíamos mais, enfim, fazer as trocas que fazemos Porque, repito, são ferramentas distintas, são canais de comunicação distintos, são operações distintas e que não podem se confundir, porque isso traz prejuízo.

Quem defende essa equiparação, além de cometer um erro técnico gravíssimo, está sendo um lesa-pátria. Isso não é aceitável nós termos aqui no nosso país pessoas que defendam essa equiparação que pode dificultar a cooperação com os Estados Unidos. Nós temos cooperação com todos os países. Hoje, isso é importante seu ouvinte também saber, a Interpol, que é a maior associação de polícias do mundo, reúne 196 países, tem um brasileiro, um delegado de Polícia Federal, que é o seu chefe e que permite essa cooperação ampla.

A Polícia Federal tem adidâncias em 34 países, nos 5 continentes. Os nossos policiais lá alocados cooperando. Participamos da Europol com policiais nossos, da Meripol, já falei, da Interpol. Ou seja, há uma grande teia de cooperação internacional e que nós precisamos sempre fazer as trocas nos canais adequados. Então, acho que tem o quesito de soberania que o Itamaraty está tratando, a pauta econômica, Reinaldo, que eu vi que você comentava há pouco também, que é nefasta para o nosso país, poderá ser, e que enfim o Ministério da Fazenda está tratando, e nós tratando no âmbito do Ministério da Justiça, sobre a coordenação do Ministro Wellington, é cuidando dessa questão da segurança.

RAReinaldo Azevedo

Ministro Wellington Lima e Silva, que é o Ministro da Justiça. Ah, mas a pena vai ser maior? Não, a pena para facção é de 40 anos, a pena máxima, só para deixar claro. Doutor, vamos dar um pouquinho de assunto. Hoje a imprensa tá inundada com a informação de que a PF deve rejeitar os termos, os novos termos da colaboração premiada do Daniel Vorcário. Eu sei que o senhor não é o senhor que decide se a PF aceita ou não, enfim, porque tem o delegado que responde por isso, a equipe que responde por isso.

Mas o que eu queria, e acho que está dentro do que o senhor pode falar, quando é que se— acho que as pessoas precisam ter claro quando é que se aceita uma delação e quando é que não se aceita uma delação. Seja PF, PGR, quer dizer, existe uma lei para isso, né? Mas assim, é, basta, eu vou com a cara, aceito, não vou com a cara, não aceito. Que me parece que no passado aconteceu um pouco assim, de manipulação política de delação.

Eu acho que nós já tivemos, se você não quiser falar a respeito, não fale, mas eu acho que já houve isso no Brasil. Brasil. Não há o risco de estar acontecendo?

AAndrei

Nenhum risco, Reinaldo. E você toca em pontos fundamentais. O primeiro, que existe uma legislação. Isso não é um, enfim, uma vontade de algum policial ou da instituição. Ou, olha, como você bem disse, eu fui com a cara desse, não fui com aquele. Existe uma legislação que regulamenta o Instituto da Colaboração Premiada, que é um direito do investigado ou do acusado é de, atendidos os requisitos legais, é receber um benefício homologado pelo magistrado competente.

Então a regra é muito básica, é muito simples. E nós, e falo aqui pela minha gestão, temos absolutamente levado isso a cabo, a efeito, com o rigor da legislação, sem utilizar para outros fins de delação premiada, sem sugerir que tais pessoas sejam ou não sejam delatadas pelo colaborador. Enfim, deixando opção ao investigado, deixando opção à defesa do investigado para que ele, atendido os requisitos, tenha essa aceitação por parte da Polícia Federal.

E a PGR, tenho certeza que segue também esses ritos legais. Então, o que eu de fato não posso entrar em detalhes, não, até porque eu não conheço, não li aos termos, né, dos anexos de delação. Mas o que eu posso asseverar é que não só essa, mas fizemos delações recentes no caso Marielle, no caso do golpe, né, para falar aqui das de maior repercussão, onde tratamos os casos com absoluta seriedade e com os limites constitucionais e legais que são impostos a nós servidores públicos.

Então esse é mais um caso, é rumoroso, é importante, É, mas nós vamos seguir na mesma toada. É, se houver os elementos suficientes para que a colaboração seja aceita, ou seja, apresentou novos elementos, trouxe indicativos para encontro de provas, trouxe novas pessoas que participaram, enfim, detalhou procedimentos, coisas que nós não tenhamos, eu imagino que a colaboração precisa ser aceita. Agora, se for mais do mesmo, coisas que nós já sabemos, já temos, já investigamos, aí de fato segue o rito processual.

E tanto isso é verdade que nós já formalmente indicamos à defesa do investigado de que a primeira versão apresentada não havia interesse para Polícia Federal. Ou seja, um ponto final, não é ficar, como você disse, barganhando, olha, faz isso, faz aquilo, que eu aceito, que eu nego. Não, formalmente, fundamentadamente, um documento entregue à defesa, entrega ao ministro relator, dizendo que nós não temos interesse. Isso, Reinaldo, acho que deixa bem claro.

Sim, outro momento houve o desvirtuamento do instituto. Nessa atual gestão não há.

RAReinaldo Azevedo

Eu destaco da fala do Dr. Andrei trazer elementos novos, pontos a que a polícia não tenha chegado, pessoas novas, outras pessoas envolvidas, enfim, que esclareça a estrutura. Então, já que Organização Criminosa, que são na verdade exigências da lei, né. Doutor, eu vou colocar aqui uma questão e se o senhor ficar à vontade para falar ou não. Cada um tem a sua delação na cabeça, né. Eu cansei de ler texto assim: delação que não tenha dois ministros não serve, delação que não tenha não sei que parlamentar não serve, delação que não tem Eu reitero isso: não há risco de, pelo menos na Polícia Federal, e o senhor pode falar pela Polícia Federal, de haver, digamos assim, a listinha, porque, de novo, isso aconteceu no passado, de ter uma listinha: sem esses eu não topo. Na Polícia Federal, não.

AAndrei

Eu acho que fui, tentei ser o mais claro possível. Inclusive, e aqui estou não só falando como concretamente, houve essa negativa formal nossa, ou seja, não houve listinha entregue, não houve sugestão de nomes para incluir ou para retirar. Houve análise do conteúdo nos estritos termos da legislação e o entendimento fundamentado também, está lá um despacho fundamentado da autoridade policial que conduz esse processo, com ali os argumentos suficientes para entender pela negativa da colaboração.

Então isso, como já disse, se houve no momento passado, tenha certeza você e todos que nos acompanham que hoje não há, nós seguimos absolutamente o que está previsto na legislação. E volto a insistir, falo aqui com fatos, como o caso da delação do golpe de Estado, o caso da delação do caso Marielle, onde inclusive os nomes importantes para política vieram à tona, e nós entendemos que não havia elementos suficientes para prosseguir em relação a esses indivíduos.

Então, isso mostra que fazemos um trabalho técnico sério, e que assim prezo, e aqui faço disso todos os meus dias um desafio, a luta de que continuemos sempre assim.

RAReinaldo Azevedo

Doutor Andrei, eu tenho de falar uma coisa, eu tenho comentado muito isso aqui, né, E isso me incomoda bastante. Às vezes a gente lê textos e raciocínios que é meio assim: "Ah, vai fazer delação, então melhora as condições da prisão." "Ah, a delação tá minguando, então volta pra uma prisão ruim." Parece-me haver, ou pelo menos as pessoas fazem essa relação, condição de prisão e sim ou não a delação. E eu acho que se isso acontece, isso é muito ruim, né? Isso existe? A PF de algum modo participa desse negócio?

AAndrei

Veja, Reinaldo, a Polícia Federal, ela sequer tem hoje nas suas instalações unidades carcerárias. Nós temos as celas que são pequenas unidades, celas pequenas para os casos de flagrante que tem que ficar o preso, sim, no máximo uma noite ou algumas horas ali recolhido até que se lavre o flagrante, ou às vezes o horário de presídio que não tem oportunidade de ingresso. Mas nós não temos mais, acabou na Polícia Federal as carceragens, né, com raríssimas exceções, quando há, por exemplo, autorização, ordem judicial como é o caso de sala de Estado-Maior, enfim, houve o caso recente de um ex-presidente preso, enfim, que aí a gente adapta a nossa sala para que receba esses presos.

Agora, nosso posicionamento, Reinaldo, e isso mais uma vez alia o que eu estou falando com a prática, nós desde o início nunca sugerimos que nenhum preso fique nas dependências da Polícia Federal.

RAReinaldo Azevedo

Prisional.

AAndrei

Para nós, lugar de preso provisório, definitivo, é em unidade prisional, obviamente seguindo a lei de execuções penais, com alas separadas, enfim, em condições de acordo com o perfil, características de cada preso. Mas nós não temos nenhum interesse de ter presos nas nossas unidades, e portanto, quando temos, se você for observar, é por ordem judicial.

RAReinaldo Azevedo

O senhor está dizendo que a Polícia Federal não participa dessa regulação, digamos assim. Doutor, vamos lá, financiar filme não é crime. Aliás, se alguém quiser financiar um filme meu, olha, vai ser um filme bacana. Receber financiamento também não. Agora, se um dinheiro, sob o pretexto de financiar Serve para financiar a coação de autoridades, serve para caixa 2 de campanha, aí não tem nada a ver com filme, aí é dinheiro que está sendo usado para prática de crime.

Essa questão do dinheiro para o Dark Horse, não dá para investigar isso no âmbito do inquérito que está aí, né, do do Master. Isso tem que ter um inquérito à parte.

AAndrei

Reinaldo, a Polícia Federal recebeu várias denúncias, denúncias formais, ou seja, representações relacionado com esse episódio do eventual financiamento, ou financiamento é de pessoas no exterior, ou desvio de recurso. Enfim, cada representação foram 4 ou 5, se não me equivoco. E é trazer algumas informações. E de fato isso há um trâmite técnico interno nosso, que é avaliação pela nossa Corregedoria Geral, avaliação pela nossa área, seja área de inteligência ou de combate ao crime organizado, e que dá o encaminhamento técnico-jurídico para esses casos.

O entendimento da Polícia Federal é de que as representações trazem algumas lacunas, algumas dúvidas, alguns elementos que exigem uma investigação própria, porque muitas vezes podem não se confundir com os casos que já estão em andamento. Então, nós assim, a nossa área técnica se manifestou, e como há possibilidade de pessoas com prerrogativa de foro, isso foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República para sua manifestação, e aí o encaminhamento também técnico-jurídico para a eventual instauração, que é o nosso entendimento, é de um inquérito policial para tratar desse caso específico.

E aí, com o segmento jurídico, então agora depende de uma resposta da Procuradoria-Geral da República em razão do foro privilegiado, a manifestação da procuradoria, e aí o encaminhamento ao foro competente.

RAReinaldo Azevedo

Isso, o foro privilegiado começa pelo por quem pediu o dinheiro, que há pouco nós colocamos aqui o pedido. Doutor, vamos... O senhor também é o número 1 de uma instituição que tem uma importância central, o senhor acabou de falar aí da estrutura da Polícia Federal. O que é que falta no campo institucional, a seu juízo? Não estou querendo que o senhor se comporte aqui como sindicalista, O que é que falta no campo institucional para que a Polícia Federal funcione ainda melhor, possa realizar o seu trabalho a contento ainda?

AAndrei

Porque eu acho que, Reinaldo, acho que essa pergunta é ótima, né, e nos permite também fazer alguns paralelos aqui. Nós tivemos um tempo recente que foi muito danoso para a instituição, com uma instabilidade muito grande, com ausência de reajuste salarial, com ausência de fortalecimento institucional, que é o período que vivemos atualmente. A Polícia Federal hoje teve uma readequação salarial dos seus servidores, teve autorizado pela primeira vez na história o preenchimento de 100% dos cargos policiais abertos, ou seja, serão mais 2.500 policiais federais que ingressarão, além dos 200 servidores administrativos que já ingressaram nos nossos quadros.

E temos essa autonomia que a instituição tem hoje, tanto, acho que eu sou um exemplo disso, estou há 3 anos e meio à frente da direção da Polícia Federal, escolhi os 27 superintendentes da Polícia Federal com autonomia, com independência, quadros técnicos, quadros com currículo e que permitem à instituição trazer bons resultados. Nós, para aqueles que nos acompanham e ter uma ideia.

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?Voz B

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AAndrei

Em 85% dos casos que nós investigamos. Indiciamos ano passado mais de 42 mil pessoas, mais de 9 mil prisões em flagrante, mais de 3.800 operações, mais de R$10 bilhões retirados do crime organizado. E também aqui faço um paralelo: no ano anterior à nossa gestão, foram cerca de R$900 milhões retirados do crime organizado. Ano passado, repito, foram mais de R$10 bilhões retirados em veículos, imóveis, aeronaves, enfim, embarcações, dinheiro em espécie.

Tudo isso foi amealhado do crime organizado. Prisões de lideranças, prendemos semana retrasada um importante líder de organização criminosa na Bolívia, no mesmo dia trouxemos aqui para o sistema federal, presídios federais, enfim. Acho que a instituição vive um bom momento, e está sendo fortalecida. Agora, nós temos tarefas que, por exemplo, nos Estados Unidos são feitas por dezenas de agências, como o caso de enfrentamento ao tráfico de drogas, que tem agência própria, a DEA, o CBP da questão de fronteiras, que somos nós também que fazemos, a expedição de passaporte é de outra instituição, enfim, nós aglutinamos uma série de tarefas e aqui também preciso exaltar o trabalho que os nossos profissionais têm feito, Hoje, se você entrar no site da Polícia Federal e solicitar um passaporte, dependendo da unidade que você estiver, talvez na mesma semana, no máximo na semana seguinte, você vai receber o seu documento, que é o menor tempo histórico da Polícia Federal para prestação desse serviço.

Então, eu diria, Reinaldo, com toda essa gama de serviços, e nós já estamos trabalhando num projeto aí sim a longo prazo, eu acho que a Polícia Federal precisaria talvez dobrar o seu efetivo para que nós tenhamos mais policiais na região de fronteira, mais policiais em portos, aeroportos, para que nós tenhamos investimento em tecnologia. E isso também é importante desfazer uma grande falácia que, olha, controle de fronteiras e não sei o que mais.

Me diga, Reinaldo, um país que controle 100% das suas fronteiras que não tenha problemas? A fronteira Estados Unidos e México, para ficar nesse exemplo, tem 3.100 km, uma fronteira seca. Nós temos só com a Bolívia 3.400 km no meio da Floresta Amazônica. Toda a nossa fronteira são 16.000, 8.000 km de fronteira, boa parte dela no meio da Floresta Amazônica. Então é preciso dizer que nos Estados Unidos tem problema de tráfico, tem problema de armas, tem problemas É de fronteiras e que nós só temos uma forma de enfrentar: com a cooperação internacional, com a cooperação e a integração interna e com emprego de tecnologia.

Então, se você me perguntasse: olha, o que que precisa para a Polícia Federal, enfim, ainda melhorar sua atuação? Eu diria que passa por isso, né? Uma maior integração internacional, doméstica, um maior efetivo e investimento em tecnologia.

RAReinaldo Azevedo

É isso, Doutor Andrei, muito obrigado por ter aceitado o nosso convite. Queremos voltar a falar outras vezes, e sempre que a Polícia Federal precisar de um esclarecimento, conte com o nosso programa. O senhor sabe que eu admiro o seu trabalho e acho que a Polícia Federal atua com propriedade, atua muito bem. E acho que o meu telespectador, o meu ouvinte, o internauta, tem de saber disso. Muito obrigado.

AAndrei

Obrigado, Reinaldo. Eu agradeço. Um privilégio estar com você, com o Alexandre, com Isabela. Você é uma referência do jornalismo brasileiro. É sempre importante esse diálogo qualificado com você e com seus ouvintes. Muito obrigado, uma boa noite.

RAReinaldo Azevedo

É isso. Muito bem. Este foi Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal. Acho que tratamos de temas importantíssimos. Vamos para os nossos comerciais.

?Voz C

O É da Coisa.

RAReinaldo Azevedo

Ó, gente, estamos de volta. Coisa, falamos de, vejam, nós vamos falar de PCC, de onde o PCC entrou, de como ele chegou. Não, isso é muito grave, é crime grave. Agora, terrorismo, obviamente não. Vamos lá, vai, que que a gente tem?

?Voz D

Uma operação do GAECO, Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, prendeu na manhã dessa terça um chefe de investigadores da Polícia Civil, um ex-policial civil e um ex-estagiário do Ministério Público, todos eles suspeitos de atuarem como infiltrados do PCC em Campinas, no interior de São Paulo. O grupo, segundo as investigações, é suspeito de participação no plano para matar Amaury Silveira Filho, promotor de justiça do Gaeko.

O atentado foi descoberto e frustrado em 2025. Foram cumpridos 3 mandados de prisão temporária, sendo 2 em Campinas e 1 na cidade de Cardoso, também no interior paulista. Além disso, foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão nos 2 municípios. Os investigadores descobriram que uma semana antes da Operação Pronta Resposta, deflagrada em 22 de agosto do ano passado, que frustrou aquele atentado contra o promotor, um dos principais acusados, responsável pela execução do plano para matar o promotor de justiça, teve um encontro com o então chefe dos investigadores da DISI, a Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes de Campinas.

O investigador deixou a DISI e atualmente está lotado no 1º Distrito Policial de Campinas. No material apreendido na ocasião, Gaeko encontrou vídeos que mostram a reunião entre os investigados às vésperas do início da operação, que viria a frustrar o atentado contra o promotor. As filmagens mostram o encontro entre o ex-chefe de investigadores da Polícia Civil, Maurício Aparecido de Oliveira, que aparece de camiseta branca, e o acusado de planejar a morte do promotor Amaury Silveira Filho, o empresário José Ricardo Ramos, que aparece com uma camiseta preta.

O GAECO analisa as informações privilegiadas e sensíveis que teriam sido repassadas ao criminoso pelo investigador da polícia.

RAReinaldo Azevedo

Então, quem tá acompanhando pelo rádio não viu, mas um encontro absolutamente cordial entre os dois, né? Entre aquele a quem se encomendou a execução do promotor, que felizmente não aconteceu, e o chefe dos investigadores. E não há nenhuma pinta, né, Waldir Beni, né, Isa, de que, ah, ele estava numa missão ali para colher informações, tava ali disfarçado. Não, não, porque era conhecido, chefiava os investigadores. Isso é crime de bandidagem, e pela lei antifacção esses caras podem pegar até 40 anos de cadeia.

Portanto, esse negócio de terrorismo, a pena vai ser maior, não vai ser maior. Apenas que é outra coisa, é outra coisa. Aliás, pela lei americana, olha que curioso, vale o bem, pela lei dos Estados Unidos, sabe quem é corresponsável por esses terroristas? O governador Tarcísio. É, mas ele é Tarcísio, que aliás defende a lei. O governo de São Paulo se tornou corresponsável. Quem manda na polícia? Hã? Quem manda na polícia? Alguma gente da CIA vai se infiltrar no governo de São Paulo para ver os vínculos entre o Tarcísio e o PCC?

Isso é uma loucura! Tá aqui a prova. Aliás, se infiltrou no Ministério Público também. Vamos lá.

?Voz G

Um ex-estagiário do Ministério Público de São Paulo, alvo de operação na manhã desta terça, é suspeito de ter se infiltrado propositalmente na promotoria criminal de Campinas para obter acesso a sistemas internos e informações sigilosas. A investigação aponta que ele utilizava banco de dados da instituição para identificar integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital que tinham elevado poder econômico, segundo os investigadores.

De acordo com o Segundo a SSP, o ex-estagiário contava com apoio de outros agentes públicos e teria usado as informações obtidas para extorquir criminosos, exigindo dinheiro em troca de suposta proteção contra investigações. Entre os suspeitos de participação no esquema estão um policial penal e um ex-policial civil que já havia sido expulso da corporação. A apuração também identificou indícios de que parte das extorsões foi praticada com o uso da internet de um escritório de advocacia.

O caso é investigado no âmbito da Operação Infiltrados, deflagrada nesta terça-feira pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o GAECO.

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?Voz B

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RAReinaldo Azevedo

É isso. Ah, então agora vale o bem. Segundo a lei americana antiterrorismo, Ministério Público, Governo de São Paulo, todo mundo tá metido nisso. Ora, é preciso ter senso de ridículo, não é mesmo? Governador Tarcísio, vai lá e diz: eu errei, errei sim. É isso aí. Oh, e uma coisa muito grave, muito séria, é que a censura, é o nome é esse mesmo, a pesquisa Atlas Intel, eu não sei o que o TSE vai fazer. Se já começou a sessão, se vão votar hoje ou não.

Eu sei que se o resultado for adverso, tem que ir para o Supremo, porque se trata aí de uma questão constitucional. Vamos lá, vai.

?Voz D

O plenário do Tribunal Superior Eleitoral, TSE, julga hoje a decisão do presidente da corte, Cássio Nunes Marques, de retirar de circulação a pesquisa Atlas Intel. O levantamento de maio apontou desgaste, queda de 6 pontos percentuais de Flávio Bolsonaro na corrida à presidência após a divulgação das conversas entre o senador e o dono do Banco Master, Daniel Vaccaro. Segundo o Globo, a tendência é que a liminar seja mantida. Além disso, a análise do plenário é vista como uma amostra de como o TSE atuará no período eleitoral deste ano.

Na decisão de ontem, Nunes Marques acolheu os argumentos do PL e identificou a possível utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado. O instituto de pesquisas, porém, ressaltou que as perguntas sobre Flávio Bolsonaro foram feitas bem depois dos questionamentos sobre intenção de voto.

RAReinaldo Azevedo

Eu fui ver o questionário, não tem indução coisa nenhuma. É uma aberração isso que o Nunes Marques fez, né, atendendo o Reclamo do Povo. E mais, ele ainda começou a fazer especulações sobre como o questionário foi organizado. Vai ser feito isso para todos os institutos de pesquisa agora, ou só foi para esse instituto de pesquisa que trabalha para partido? Não vai poder mais fazer pesquisa? Que algumas são para o partido, outras não são.

Ele também se incomodou com as opiniões do especialista de pesquisa da Atlas Intel, que se manifestou depois. Ah, bom, mas o tempo todo tem especialista em pesquisa que faz pesquisa. A Quest faz e depois dá plantão na Globo explicando as pesquisas. Não vai poder mais? Ou só não pode quando o PL não gosta da análise. O TSE vai realmente se meter nisso? Ainda vão votar André Mendonça, Dias Toffoli, Antônio Carlos Pereira, Ricardo Villas Boas Cueva, Floriano Azevedo Marques e Estela Aranha.

Mas o Nunes Marques se colocou presidente do tribunal como um daqueles que vão fazer avaliação de liminares de propaganda, que é coisa que só aconteceu uma vez lá atrás, Alexandre fez, porque tinha um tal volume no TSE. E aí foi uma gritaria: olha o Alexandre centralizando tudo. Ele centralizou nele, no Mendonça, e botou a Estela Aranha ali apenas para saludos a la bandeira, né? Centralizando essa decisão. Bom, deixa eu dizer uma coisa clara: eu não sei o que a Transintel pretende fazer.

Não há justificativa legal para isso que aconteceu. A não ser uma avaliação subjetiva solipsista da lei. E se trata de uma questão de liberdade de informação, e isso diz respeito à Constituição. Se o TSE mantiver a censura, é preciso apelar ao Supremo. Aí sim. Aliás, a imprensa não vai reclamar da ditadura do Nunes Marques, não? Fosse o Alexandre, atenção, na gestão do Alexandre, do Roberto Barroso, do Fachin, jamais houve censura à pesquisa.

Jamais. Nunca aconteceu. Estão abrindo as portas para o ministro Tá abrindo a caixinha de Pandora, o ministro. Vai atrás de inteligência artificial que tá sendo usada, já está sendo usada, de fake news. Vai começar a enroscar com pesquisa. E eu vou querer saber os que vão endossar o seu voto, sustentados em quê? Ó, para mostrar que a gente é muito firme. Ué, mas essa não era a gestão com menos intervenção? Não, vocês estão fazendo intervenção, o senhor tá fazendo intervenção de não deve.

Onde não deve, porque agora então toda pesquisa, todos, então faz o seguinte, ministro, quer que os institutos de pesquisa submetam ao senhor antes para ver se o senhor autoriza ou não a sequência das perguntas? Eu já disse aqui aquelas perguntas assim: você acha que Lula deveria concorrer a um terceiro mandato? Com bolsonarista respondendo também.

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?Voz B

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RAReinaldo Azevedo

Ah, não, mas você tá defendendo o que, Reinaldo? Liberdade. E aí a gente analisa as pesquisas. Eu tenho pesquisa aqui que eu não falo, eu não confio. Agora, que se faça. Agora o TSE vai se meter nisso? Vocês vão virar Sensores de pesquisa? Vergonhoso! Vergonhoso, Isabela! É como se fala lá em Dois Corgos. Como é que se fala lá na sua terra, Isabela?

?Voz G

Vergonhoso.

RAReinaldo Azevedo

Então pronto, tá dito. É isso aí.

?Voz C

O É da Coisa.

RAReinaldo Azevedo

Eu quero ficar ainda nessa questão mais um pouquinho, falar mais um pouquinho dessa coisa do TSE, né, porque uma coisa é o ministro tomar uma decisão que encontra um amparo na lei, ainda que pela via da interpretação. Outra coisa é isso que o Nunes Marques fez, Duas coisas: primeiro, criar uma relação de causa e efeito que não existiu, porque o áudio tal foi exibido depois, e o que vem depois não pode ser causa do que veio antes, né?

Tem um absurdo lógico aí, não é mesmo, ministro? E segundo, que o senhor não tá aí para gostar ou não gostar de questionário, precisa ver se respeita ou não a lei, ou para gostar ou não gostar de entrevista. De especialista, não é mesmo? É mesmo, é isso aí.

?Voz C

O É da Coisa.

RAReinaldo Azevedo

Muito bem, estamos de volta, meninos. O PT fez uma carta a evangélicos e critica a manipulação da fé.

?Voz G

Vai. Militantes do PT se reuniram em Brasília ontem no 4º Encontro Nacional do Núcleo Evangélico do Partido dos Trabalhadores e lançaram uma carta aberta. O documento é um aceno a cristãos pentecostais e neopentecostais, A carta trata de temas variados, como a violência contra a mulher, as ações da gestão Lula e a defesa da democracia. Segundo a Folha, não há menções a questões de gêneros, a direitos da população LGBTQIA+ e à descriminalização do aborto, pontos que costumam gerar discordâncias entre evangélicos e a esquerda.

Vamos a um trecho da carta, que traz trechos dos livros bíblicos de Isaías, Tiago, Mateus, Efésios e Pedro. Rejeitamos toda tentativa de transformar a religião em instrumento de manipulação política e denunciamos aqueles que usam do evangelho como negócio. A religião não deve ser utilizada para dividir o povo brasileiro, mas para promover esperança, solidariedade, compromisso com o bem comum.

RAReinaldo Azevedo

Olha, é, eu acho que os termos estão corretos, né? Evidentemente O partido e outros partidos devem se relacionar com a fé. Agora, sempre me incomoda muito quando fica parecendo que Igreja e Estado no Brasil ainda estão unidos ou devem se reunir. Não, são instâncias distintas. A instância do Estado tem que ser distinta da instância da fé. É isso mesmo. Fora disso, a gente tem uma confusão que vulnera direitos em vez de conferir direitos. É isso aí.

?Voz C

O É da Coisa.

RAReinaldo Azevedo

Muito bem, estamos de volta no Band News TV e nas redes sociais. E aí eu tive que fazer rearranjos aqui, então a gente faz no ar mesmo. Nós vamos para 9 Agora, viu, TV? Vamos para nós agora. O povo resolveu assinar uma PEC alternativa 6 por 1, depois tentou tirar assinatura, virou uma confusão dos diabos. E aí o Rogério Marinho tá querendo apelar até a justiça. Eu nunca vi isso. Vai lá.

?Voz D

A mesa diretora do Senado recusou pedidos de parlamentares da casa para retirada de assinaturas e apoio à PEC alternativa o fim da escala 6 por 1. O texto defendido pela oposição gerou desgaste para alguns políticos contrários ao governo Lula, o que fez com que eles mudassem de postura em relação à matéria. Os senadores Romário e Zequinha Marinho então pediram que a casa retirasse o apoio deles.

RAReinaldo Azevedo

Não, não, não, não, Zequinha Marinho, é isso mesmo?

?Voz D

Acho que é. É retirar seu apoio deles à PEC alternativa, mas a solicitação acabou negada pela mesa corretora. A PEC alternativa foi alvo de críticas por parte de governistas e entidades por permitir que empregados escolham entre o regime tradicional previsto na CLT e o modelo de jornada flexível baseado em horas trabalhadas. É Zequinha Marinho mesmo, nome de José da Cruz Marinho.

RAReinaldo Azevedo

E acho que o Cleitinho também, verifica para mim, Cleitinho, candidato meio pré-candidato ao governo de Minas, parece que ele também tentou tirar. É por isso que eu confundi os diminutivos, posso ter confundido, mas dá uma olhada aí.

?Voz G

O Cleitinho também.

RAReinaldo Azevedo

O Cleitinho também, então foi isso, desculpa. Sabe o que é, Voi Bene? Porque tem o Rogério Marinho que fez a proposta alternativa, aí tem o Cleitinho que assinou e depois falou: não, não quero. Que a proposta alternativa do Rogério Marinho é pagar por hora. Então assim, se você quer Ah, você quer diminuir a jornada? Bom, se você recebe por hora, problema seu, se você quiser receber menos. E teve até um representante de uma entidade empresarial, essa gente que não tem, assim, precisa contratar boa assessoria, né?

O cara fez o seguinte raciocínio, que eu achei, vale bem, olha, um raciocínio bonito, bonito, viu, Isa? Fiquei comovido mesmo na hora. Disse assim: "Você, por exemplo..." Presta atenção, vai bem, presta atenção nisso. "Você recebendo por hora é assim. Se você chegar à conclusão que você quer trabalhar menos porque você quer estudar, aí você trabalha menos e vai estudar." Entenderam a consequência? Então assim, se você chegar à conclusão que você quer estudar e quer ganhar menos por Então vai estudar.

E nós chamamos isso de PEC da Liberdade. Não, aí não rola, né? Veja, você pode ser contra, ter argumentos técnicos. Eu acho que eles são insustentáveis, mas o mundo é diverso, né? Mas o espírito da proposta é a redução da jornada jornada sem redução de salário. Se você entra na proposta do Rogério Marinho, que é o coordenador da campanha do Flávio, aí é por hora, né? E portanto, se você reduz jornada, você também reduz salário. Mas é o que quer a FIESP e outras entidades empresariais. Vamos lá.

?Voz G

A FIESP, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, divulgou hoje, junto com confederações de diferentes setores Econômicos uma carta aberta com mais de uma centena de assinaturas em apoio à PEC alternativa. Segundo o manifesto, a proposta permitiria às pessoas ajustar a jornada de trabalho de acordo com necessidades pessoais e profissionais, mantendo direitos da CLT, como 13º salário, férias, FGTS e aviso prévio. Além da FIESP, as seguintes confederações também assinam o manifesto: Confederação das Associações Comerciais Empresariais do Brasil, Confederação Nacional da Agricultura, Confederação Nacional do Comércio, Confederação Nacional da Indústria e a Confederação Nacional do Transporte.

Entre os demais signatários também há associações, federações, sindicatos patronais e outras entidades empresariais.

RAReinaldo Azevedo

Veja, a única coisa que vocês não podem impedir é que se faça a seguinte leitura: Existe uma proposta que é redução de jornada sem redução de salário e uma proposta que é redução de jornada com redução de salário, que é a de vocês. É isso. Absolutamente respeitável o ponto de vista de quem acha que é melhor assim para o Brasil como vocês querem. Não é o meu ponto de vista, deixo claro. Eu acho que é preciso um avanço no mundo do trabalho, mas não dá assim quando se tenta chamar isso.

É por isso que os senadores que entraram nessa, Romário, Cleitinho, o outro, a Liséquinha Marinho, chama de PEC da Liberdade. Aí o cara vai olhar, fala: mas que liberdade eu tenho? A liberdade de trabalhar menos e ganhar menos? E aí a pessoa pode dizer: sim, é uma questão de escolha. Acontece que sempre que você fala numa questão de escolha, presta atenção aqui porque é filosófico até o negócio. Aí o carregado é comunista, ah, tenha santa paciência.

Mas sempre que você fala liberdade de escolha, só existe liberdade entre iguais. Gente, se não existe, desde que exista uma relação transitiva entre essas pessoas. Para que se possa falar em liberdade, tem que ser liberdade entre iguais, e não é entre iguais. Então, pega e fala, chama a coisa pelo nome, e pelo nome é o seguinte: não faz sentido, se vocês acham isso, "Reduzir jornada sem reduzir salário porque é um custo com o qual a empresa não pode arcar." Ok, é um argumento.

Agora, tentar disfarçar esse caráter e chamar de PEC da Liberdade, aí soa falso e soando falso pega mal. E aí ninguém quer cair na conversa. Vai só uma dica aqui, hein, que eu já disse que eu não dou conselho para gente mais rica, mais poderosa do que eu. Estou fazendo uma leitura. Se eu fosse um especialista em comunicação, dizer: olha, vocês estão abordando esse tema de maneira errada, hein, vale a pena ser transparente e ponto. senão fica parecendo que tá tentando dar um truque.

Uma dica, hein? Uma dica, tá? 13: a votação da CCJ na PEC da maioridade penal aos 16. Este absurdo, vai!

?Voz D

A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara adiou hoje a votação da admissibilidade da PEC que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos. Essa decisão foi tomada depois que a ordem do dia, ou seja, a votação no plenário da Câmara, teve início nesta tarde. Regimentalmente, colegiados não podem realizar votações enquanto a matéria sendo apreciada no plenário. A expectativa é que a sessão da CCJ seja retomada amanhã, às 10 horas da manhã.

Embora ainda não concluída, a votação da admissibilidade da PEC da Maioridade representa a primeira etapa da tramitação da proposta na Câmara, já que cabe à Comissão de Constituição e Justiça analisar se o texto atende aos requisitos da Carta Magna, da Constituição para seguir adiante. Caso seja aprovada, a PEC deve ser encaminhada para uma comissão especial que ficará responsável por debater o conteúdo da proposta antes de uma eventual votação no plenário.

RAReinaldo Azevedo

Eles vão dizer, o relator já disse que sim, a tendência é que se aprove. Eu sustento que é inconstitucional, é uma mudança no artigo 228. Eu acho que a maioridade penal aos 18 anos é um direito fundamental. E o inciso 4, parágrafo 4º do artigo 60, impede que se diminuam ou se vulnerem direitos fundamentais, mesmo por intermédio de PEC. Mas eu não sou do Supremo, vale o bem, já fui convidado algumas vezes, Isa, mas eu recusei, né, porque gosto mesmo é de ficar aqui conversando com vocês. Beijo, até amanhã.

?Voz C

Sobre a cabeça os aviões, sob os meus pés os caminhões, aponta contra os chapadões meu nariz. Eu organizo o movimento, eu oriento o carnaval. Eu inauguro o monumento no Planalto Central do país. Viva a bossa, sa, sa, sa, viva a palhoça, sa, sa, sa, sa, viva a bossa, sa, sa, sa, viva a palhoça, sa, sa, sa, sa, sa. O monumento é de papel crepom e prata, os olhos Os olhos verdes da mulata, a cabeleira escura atrás da verde mata, um luar do sertão!

O monumento não tem porta, a entrada é uma rua antiga estreita e torta, no joelho uma criança sorridente feia e morta estende a mão: Viva Mata! Tatá tatá... Viva Mulata! Tatá tatá... Viva Mata! Tá tá tá... Tá tá tá tá tá! No pátio interno há uma piscina com água azul de amaralina. Coqueiro brisa e fala nordestina em faróis. Na mão direita tem uma roseira autenticando eterna primavera. E nos jardins os urubus passeiam a tarde inteira entre o giz...

Viva Maria! Iaiaiá... Viva Maria! Iaiáiá... No pulso esquenta o bang-bang e em suas veias corre muito pouco sangue mas seu coração balança um samba de tamborim Emite acordes dissonantes pelos 5 mil alto-falantes. Senhoras e senhores, ele põe os olhos grandes sobre mim. Vivirás sem mamá, vive Panema, mamá, mamá. Vivirás sem mamá, vive Panema, mamá, mamá. Domingo é o fino da bossa, segunda-feira está na fossa, terça-feira vai à roça, porém, o monumento é bem moderno, não disse nada do modelo do meu terno, que tudo mais vá pro inferno, meu bem, que tudo mais vá pro inferno, meu bem. Viva a banda! Você acompanhou O É da Coisa na BandNews FM.

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