BOLETIM | Mulheres são maioria do eleitorado e cresce número de inscritas
Dados do TSE mostram que as mulheres continuam sendo maioria entre as pessoas aptas a votar. O eleitorado feminino é composto por 83.877.126 votantes, o equivalente a 52,84% de todo o eleitorado brasileiro. Em 2022, elas correspondiam a 52,65% do total. Mesmo assim, elas são pouco representadas no Legislativo.
Sonoras:
🗣Mazé Morais, secretária Nacional de Mulheres do PT
🗣Teresa Leitão (PT-PE), senadora e líder do governo no Senado
Mazé Morais
Teresa Leitão
- Voto FemininoMaioria do eleitorado brasileiro · Crescimento de eleitoras
- Representatividade femininaSubrepresentação em espaços de poder · Percentual de cadeiras no Parlamento · Desafio de ser votada e eleita · Regra de candidaturas femininas
O Brasil terá quase 159 milhões de eleitores aptos a votar nas eleições de 2026, segundo estatísticas do Tribunal Superior Eleitoral. Em comparação com o pleito de 2022, o país ganhou um pouco mais de 2 milhões de novos inscritos, um crescimento de 1,46%. Mas um dos dados que mais chamam atenção no retrato do eleitorado brasileiro é a presença das mulheres. O eleitorado feminino segue como maioria dos brasileiros que devem ir às urnas em outubro.
Ao todo, são 83.877.126 mulheres que vão estar aptas a votar, número que corresponde a 52,84% do total nacional. Em relação às eleições de 2022, o crescimento foi de 1.503.962 eleitoras, 1,83% na comparação com o último pleito. A secretária nacional de mulheres do Partido dos Trabalhadores, Mazé Moraes, avalia esse cenário.
Os números reforçam a centralidade das mulheres na democracia brasileira e evidenciam a importância de ampliar sua representação nos espaços de poder e decisão. As mulheres são a base de sustentação do campo democrático e popular. Essa maioria vota mais que os homens, vota de forma mais consciente e vota historicamente em projetos que garantem direitos sociais.
Como citou a secretária, a constatação traz outra reflexão. Embora as mulheres sejam maioria do eleitorado, elas ainda são pouco representadas nos espaços de decisão. Elas ocupam cerca de 18% das cadeiras no Parlamento, percentual bem abaixo da média mundial, em torno de 25% do Legislativo. Quase um século depois da conquista do voto feminino, o desafio já não é apenas votar, mas ser votada, eleita e ocupar esses espaços. Apesar da regra que exige ao menos 30% de candidaturas femininas, a subrepresentação persiste.
Em entrevista à Rede PT, a senadora Tereza Leitão, do PT de Pernambuco, primeira mulher a ocupar a liderança do governo no Senado, falou sobre essa questão.
Ser líder do governo no Senado para nós mulheres é um símbolo, até porque nunca tinha havido nenhuma antes. Veja que a política foi o último espaço público que a mulher chegou. À custas de muito sacrifício. O direito de votar tem nem um século no Brasil e ainda é questionado. A relação política vai ser majoritariamente com homens, porque são eles que ocupam os principais espaços de líderes, de líderes de bancadas, de presidente de comissão.
Até porque nós somos apenas 15 dos 81 senadores. As senadoras são 15, portanto menos de 20%, não é, do conjunto daquela casa.
Atualmente, a Câmara dos Deputados conta com 91 mulheres, o que representa cerca de 18% do total de 513 cadeiras da casa. Apesar de ser a maior bancada feminina da história do Brasil, a representação ainda é considerada baixa, uma vez que mais da metade da população é feminina. De Brasília, Denise Coelho.