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🎙️ENTREVISTA | Dandara (PT-MG) expõe atuação contra os trabalhadores no Congresso- 20-07-2026

21 de julho de 202618min
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Em entrevista ao Conversa PT, da Rede PT de Comunicação, a deputada federal destaca que o Congresso ainda reproduz desigualdades e afirma que a extrema direita impede avanços de pautas importantes como o fim da escala 6×1. Educação Pública, combate ao racismo e ao discurso de ódio estão entre a pautas defendidas pela parlamentar.

Participantes neste episódio1
D

Dandara

ConvidadoDeputada federal
Assuntos6
  • Regulação e proibição de apostas onlineLudopatia · Regulamentação de publicidade · Lucro da desgraça · Vício em apostas
  • Fim da escala 6x1Jornada de trabalho · Qualidade de vida do trabalhador · Pressão no Senado · Defesa da família
  • Marcha Zumbi contra o RacismoCongresso Nacional · Lei de cotas · Feriado da Consciência Negra · Fundo de Reparação da Escravidão
  • Importância da educaçãoEducação pública · Combate ao homeschooling · Fortalecimento de universidades · Piso do magistério
  • Lei da MisoginiaÓdio contra mulheres · Feminicídio no Brasil · Educação e debate sobre o tema
  • Articulação política no CongressoRepresentatividade política · Combate ao machismo e racismo · Ocupar para transformar
Transcrição45 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Começa agora mais um Conversa PT. Hoje a nossa convidada é a deputada federal Dandara Tonatzin, uma das principais lideranças da nova geração do Partido dos Trabalhadores na Câmara dos Deputados. Pedagoga, mestre em educação e parlamentar por Minas Gerais, Dandara se destaca pela defesa da educação pública, pela luta em favor dos direitos das mulheres e pela atuação em pautas que impactam diretamente a vida da população brasileira.

Nessa conversa, a gente vai falar sobre fim da escala 6 por 1, o combate aos abusos das apostas online, os desafios da educação no país e a trajetória política que a levou a se tornar uma das vozes mais atuantes do Congresso Nacional. Dandara, seja bem-vinda, muito obrigada por receber o nosso convite e aceitá-lo.

DDandara

Muito obrigada, muito feliz de estar aqui. Que bom que a gente tá produzindo comunicação de qualidade. Que bom, que bom, vamos nessa.

?Voz A

Eu gostaria de você, que você me falasse um pouco sobre essa questão de você ser uma nova voz dentro da Câmara e também dentro do Partido dos Trabalhadores. Como é que é para você?

DDandara

Eu tenho 32 anos, sabe? Eu cresci participando dos movimentos, dos coletivos. Papai foi da SEBS, o SEBI, minha mãe trabalhou mais de 20 anos como empregada doméstica. Foi do sindicato das empregadas domésticas, de professora como eu. Então eu cresci nesse ambiente da luta. Eu, no fundo, no fundo, cansei de ficar do lado de fora reclamando: nada tá bom, nada presta, não tem gente como nós, faltam mulheres, faltam negros, faltam jovens.

Eu recebi um convite, um chamado coletivo da nossa militância para que eu me candidatasse e eu aceitei entrar nesse mundo institucional, né? Eu sempre fiz política, agora eu tô ocupando uma trincheira de luta diferente. É desafiador, porque você pensa só, esse Congresso tem 513 deputados, nós temos hoje 100 do nosso campo político. A cada votação é muita articulação, é muita luta. Há ainda muito machismo, muito racismo, muita misoginia.

O Parlamento Brasileiro não é uma bolha fora da sociedade, pelo contrário, tá imerso nessas relações de poder, é inclusive uma síntese daqueles que disputam a manutenção de privilégios na nossa sociedade. É um desafiar-se todos os dias, mas eu entro no Congresso Nacional e repito ali como um mantra: jamais vou esquecer o que eu tô fazendo aqui, a quem pertence essa vitória. Se a nossa presença incomoda, nós estamos no caminho certo, porque viemos para incomodar.

A nossa luta aqui é ocupar para transformar. Fecha a cara, dá um sorriso de vez em quando e vambora. Muito bem.

?Voz A

Essa luta, né, ela tem pautas muito delimitadas no seu mandato e também na bancada. Eu queria que você falasse um pouco quais são para você as principais lutas no momento travadas ali dentro.

DDandara

Pelo fato de eu ser professora, filha de professores, a educação é uma grande pauta do nosso mandato. A gente atua não só para avançar, mas também não deixar retroceder. E tivemos vitórias importantes ao longo desses anos, né? Não deixamos avançar essa dimensão do homeschooling, das escolas cívico-militares, essa criminalização que estava muito forte da docência, do professor, das relações de ensino-aprendizagem. Nós também freiamos isso, atuamos muito contra terceirizações e privatizações.

E eu também fui relatora da nova lei de cotas, tenho projetos importantes para fortalecer os colégios de aplicação, o orçamento das universidades, também dos institutos. Aprovamos o Pé de Medo dos nossos estudantes. Aprovamos também o PNAES, que era um programa de assistência estudantil, agora é lei, é uma política nacional de assistência estudantil. A gente defende muito as carreiras e o pagamento do piso do magistério, também o piso dos outros trabalhadores da educação, porque do porteiro ao diretor todo mundo é educador.

Eu atuo desde a educação básica até as universidades. Também construímos muita pauta e muita vitória importante na luta do combate ao racismo. Fundamos a bancada negra do Congresso Nacional, aprovamos, como eu disse, a nova lei de cotas, o feriado nacional da consciência negra, o dia nacional do congadeiro e congadeira. Estamos avançando na regulamentação da profissão de transistas. Também demos andamento à PEC 27, que cria um Fundo Nacional de Reparação da Escravidão, R$20 bilhões em 20 anos para financiar as políticas de promoção da igualdade racial.

E também atuo muito com as mulheres. Nós temos, eu sou coautora do projeto que criminaliza a misoginia, projetos que garantem direitos para as mães, mães estudantes, as cuidotecas, agora vai ser uma política também do nosso governo junto às universidades e institutos. A gente tem um leque de atuação muito grande, mas tá centrado nisso.

?Voz A

E eu imagino que seja também uma construção o tempo inteiro com essas correlações na sociedade civil, né?

DDandara

Com certeza.

?Voz A

Ser deputada é isso, né?

DDandara

A cabeça pensa onde os pés pisam. Eu fico em Brasília terça, quarta e quinta. Sexta, sábado, domingo e segunda é rodando Minas Gerais. A nossa principal metodologia do mandato é potencializar as vozes, trazer o que já existe nos territórios, incentivar, fortalecer, transformar os nossos problemas em solução, as soluções em leis, as leis em políticas públicas. Exato.

?Voz A

Você falou que fundou nessa legislatura a bancada negra.

DDandara

Isso. Aí eu resgatei uma estratégia ancestral do movimento negro, que é o aquilombamento. Eu fiz um movimento de juntar deputados negros e negras de diversos campos políticos, de várias siglas partidárias. Ter uma bancada negra significa o quê? Que a gente tem assento no colégio de líderes que reúne semanalmente para definir a pauta, a ordem do dia, o que vai ser votado. Você pode ver que mesmo com esse Congresso inimigo do povo, Nós não tivemos ao longo desses anos nenhuma pauta racista aprovada, como já tivemos em legislaturas anteriores, porque a bancada negra, tendo esse assento, não deixa isso passar.

Temos assento, temos um espaço, temos uma sala, a gente se reúne com frequência, constrói as prioridades da bancada negra, e a cada mês a gente consegue pautar o parlamento para aprovar esses projetos que são de interesse. Do combate ao racismo e da promoção da igualdade racial.

?Voz A

Qual é a representatividade hoje da bancada negra em relação aos 513?

DDandara

Menina, é muito difícil aferir. Eu quero ser sincera com você. Porque se tiver uma banca ali de heteroidentificação, tem muita gente que se autodeclarou negro e que não é lido socialmente como negro.

?Voz A

Entendi.

DDandara

Infelizmente, com o nosso avanço, tem gente que tenta fazer a gente não avançar tanto.

?Voz A

Outro desafio, né?

DDandara

É outro desafio. Nós conseguimos aprovar o Fundo Obrigatório para Candidaturas Negras. E isso fez com que ao longo dos últimos anos mais gente se autodeclarasse negro para acessar também o fundo. O PT inova. O PT é o primeiro partido desse país a ter uma banca de aferição racial das candidaturas negras. Foi um processo agora longo. Quero parabenizar a Secretaria de Combate ao Racismo do nosso partido. Que convenceu, atuou, montou uma banca, montou toda uma etapa regulamentada para que os candidatos pudessem fazer a sua autodeclaração e essa banca averiguasse.

É muito importante quem está nos acompanhando nesse momento entender que até a década de 80 não existia essa diferenciação de preto, pardo, indígena, amarelo no IBGE.

?Voz A

Sim.

DDandara

Muitas vezes as pessoas se autodeclaravam. E no Brasil, Lélia González já diz isso, né? Nascer negro é uma coisa, tornar-se negro é um outro processo. A gente tem uma dificuldade de se entender como negro na sociedade e as pessoas se autodeclaravam marrom bombom, cor de cuia, café com leite, cor de burro fugido. Não existe essa categorização. Então, a junção de pretos e pardos é o que resulta em população negra. Hoje nós temos 20% de população preta, 30 e poucos por cento de população parda.

A somatória disso é 50 e tantos por cento de população negra na nossa sociedade. Mas o pardo não é a pessoa branca que fica bronzeada no sol. O pardo, para o IBGE, é uma pessoa como eu, uma pessoa negra menos retinta, com a pele um pouco mais clara, mas ainda assim eu tenho traços negros, sou lida socialmente. É difícil de aferir no Parlamento Brasileiro quem de fato Qual é a quantidade de parlamentares negros que nós temos em função dessa autodeclaração.

?Voz A

É, a gente tá em processo, né, de aprendizagem e letramento, como você falou.

DDandara

Exato.

?Voz A

Interessante. Dandara, eu queria também falar contigo um pouco sobre essa tua luta contra as bets, contra as apostas online. Recentemente você protocolou um projeto que eu queria que você explicasse a partir de uma tragédia que aconteceu.

DDandara

Exatamente. Explica pra gente. Olha, essa sempre foi uma preocupação do nosso mandato, essa crescente das bets patrocinando times, empresas, campeonatos. A gente liga a televisão pra assistir novela, é bet. Vai pro YouTube assistir um jogo, é bet. E mais recentemente, o relato da professora Vânia de Uberlândia, da minha cidade, nos tocou profundamente. Uma mãe que perdeu um filho de 26 anos por esse vício nas apostas online. É uma doença já categorizada, tem nome, chama ludopatia.

O vício online muitas vezes é pior do que droga. Essa mãe nos relatou chorando a dor que ela sente. Ela falou, olha, a única coisa que me preocupava muito na época é que meu filho trabalhava muito. De Uber. Então ele saía às 5 da manhã, chegava às 11 da noite, e eu ficava questionando por que que ele trabalha tanto, tanto, tanto, tanto, e ele nunca tem dinheiro, nunca tem dinheiro, nunca tem dinheiro. E ele infelizmente tirou a própria vida no dia do aniversário das irmãs.

Isso marcou ainda mais essa família que não consegue comemorar mais os aniversários das duas irmãs. Então essa não pode ser uma luta de uma mãe sozinha. Nós precisamos nos unir. É um absurdo o que as bets estão fazendo hoje. É um estímulo muito grande de propagandas. Nós precisamos regulamentar. No Brasil, as propagandas de cigarro já são proibidas. Por que que de bet está sendo naturalizado dessa forma? Segundo projeto nosso: proibir esses contratos que condicionam a perda do apostador ao ganho do influenciador.

É um absurdo. Hoje existe um tal lucro da desgraça que o influenciador ganha à medida que a pessoa perde. Eu não conheço uma pessoa que ficou rica apostando no Tigrinho, mas tem um monte de influenciador ficando bilionário divulgando o Tigrinho. Então tem alguma coisa aí. Esses contratos não podem ser autorizados. Terceiro projeto nosso: Tornar obrigatório que as plataformas tenham que notificar as autoridades em saúde quando perceberem um consumo excessivo desse tipo de conteúdo.

Porque essa cultura da aposta tá tomando conta de uma tal maneira que tem gente hoje apostando se vai chover, se o presidente vai usar tal palavra no discurso, se vai ter um acidente de carro.

?Voz A

Não é só mais esportivo, né?

DDandara

Não é. Não é.

?Voz A

O ideal era que a gente conseguisse proibir de uma vez, né?

DDandara

Com certeza, essa é a minha opinião.

?Voz A

Mas existe um lobby enorme.

DDandara

Cassinos no Brasil já são proibidos desde a década de 70. E agora tem um cassino pior, na palma da mão.

?Voz A

Dentro de casa.

DDandara

Dentro de casa. É verdade.

?Voz A

Nossa, eu queria falar com você sobre outro assunto porque são muitos e eu tô curiosa também.

DDandara

Vai dar tempo.

?Voz A

Vamos falar sobre misoginia. A bancada feminina tem se unido em torno da aprovação. A extrema-direita tem entrado com força, chegando até a dizer que a matéria é uma aberração. Pouca gente sabe também o que é a expressão misoginia, né, que é o ódio contra as mulheres. A gente tem ouvido em rádios e tal, em meios de comunicação, dizendo, agora vai ser proibido até dizer que não gosta de uma pessoa se ela for mulher, é crime. Vamos falar um pouquinho sobre a importância e a urgência dessa pauta?

DDandara

No Brasil, racismo é crime e LGBTfobia é crime. As pessoas negras deixaram de ser contratadas porque o racismo é crime? Pessoas LGBTs não conseguiram conviver com pessoas heterossexuais? É um absurdo as mentiras que estão sendo difundidas em torno da criminalização da misoginia. Gente, o Brasil mata mais mulheres do que países em guerra. O Brasil lidera ranking de feminicídio. É o assédio, é a violência doméstica que está presente cotidiano na nossa vida.

Criminalizar a misoginia é importante porque, primeiro, porque quando torna crime tem também um caráter educativo. Eu como pedagoga sei que quando tal matéria é crime, as pessoas refletem um pouco mais, esse tema passa a ser debatido, abordado, no contexto profissional, educacional, em vários lugares, sim. A misoginia é quando você ofende, diminui, ataca a mulher pelo fato dela ser mulher e com o objetivo de diminuí-la, de depreciá-la.

Então nem tudo também é misoginia, nós sabemos disso. As pessoas não têm que ter medo da misoginia ser crime, pelo contrário. Nós precisamos fortalecer essa luta pra gente viver numa sociedade que respeite as mulheres. E pior, tem gente lucrando hoje com os conteúdos misóginos. Tem coach na machosfera, os red pills, que vendem curso como controlar a roupa da sua mulher. R$67 o curso. Meu Deus. Como obrigar a sua mulher a fazer o que você quer.

?Voz A

Tem uma outra pauta que também atinge as mulheres de uma forma direta, mas atinge todo o conjunto da sociedade, que é o fim da escala 6 por 1. Como é que tá esse debate no Congresso?

DDandara

Nós conseguimos aprovar na Câmara com mais de 470 votos. Isso é fruto da nossa mobilização, da nossa luta. A pressão que nós fizemos nas redes, nas ruas, funcionou. Até a gente que era contra teve que votar favorável e agora tá parado no Senado. Nós estamos produzindo algo muito grande de pressão para que vote no Senado, porque há já um acúmulo produzido. O texto está maduro, já houve inúmeras discussões, grupos de trabalho, já teve comissão especial, já teve audiências, fóruns, reunião com os empregadores, com os empresários, com os trabalhadores, com as mais diversas cadeias produtivas.

Eu só não entendo uma coisa: tem gente que diz defender a família e é contra o fim da escavação 6 por 1. Sim, não dá. Ou você defende a família e quer que a mãe e o pai conviva mais com seus filhos, ou você defende esse modelo de exploração que a mãe sai de casa 6 horas da manhã, a criança tá dormindo, chega 8, 9 horas da noite, é o prazo de fazer a janta, a criança dormir de novo. E não tem nenhum tipo de convivência. Então nós temos que produzir vida além do trabalho.

É um grande mote, foi uma pauta muito acertada da classe trabalhadora brasileira apresentar um outro conceito de vida e de qualidade de vida.

?Voz A

Tem gente dizendo que essa é uma pauta eleitoreira, mas o PT defende as 40 horas semanais desde a Constituinte.

DDandara

Desde a Constituinte.

?Voz A

É incrível como é difícil pro trabalhador e pra trabalhadora esse avanço, né?

DDandara

Eleitoreiro é o centrão que tá segurando a votação pra ser só depois da eleição. Nós não. Nós queríamos que tivesse votado isso há muito tempo. O presidente Lula tá falando em cadeia nacional do fim de mês, que ela seja 6 por 1, há anos.

?Voz A

Nós aqui da Rede PT estamos de portas abertas pra sempre conversar sobre a sua atuação, sobre as pautas que interessam. Ao Brasil. E eu queria deixar a câmera aberta para você se despedir, falar sobre mais algum tema que a gente porventura não tenha tocado aqui.

DDandara

Eu agradeço muito o espaço. Quem quiser acompanhar um pouco mais as nossas redes sociais são @todandara, @todandara. Eu tô sempre na luta, construindo movimentos dentro e fora, na base e na institucionalidade. Eu acredito que a gente tem que seguir avançando na transformação do nosso país. O Brasil é grande demais, importante demais e tem que andar para frente. Vai andar para frente com a nossa presença nos espaços de poder.

?Voz A

Eu conversei com a deputada federal Dandara Tonatzin. Nós da Rede PT de Comunicação agradecemos a sua participação. Continue acompanhando a nossa programação para mais entrevistas, reportagens e conteúdos sobre os temas que impactam a vida do povo brasileiro. E até a próxima!

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