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🎙️ENTREVISTA | ”Se você quer mudar o seu bairro, sua cidade ou o Brasil, precisa participar da política” - 19-07-2026

20 de julho de 202615min
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Júlia Kopf, secretária nacional de Juventude do PT, destaca ações para ampliar a participação e articulação entre jovens petistas.

Participantes neste episódio1
J

Júlia Kopf

ConvidadoSecretária Nacional de Juventude do PT
Assuntos5
  • Fórum das Juventudes Partidárias· PoliticaFórum das Juventudes Partidárias · Unidade estratégica · Seminário sobre plano de governo · Juventude brasileira
  • Trajetória Política de Júlia KopfJunho de 2013 · Universidade e militância · TDAH
  • A importância de aprender com a ChinaJornadas Mundiais da Juventude · Cultura e sociedade chinesa · Construção de uma sociedade melhor · Revolução socialista camponesa
  • Debate entre Direita e EsquerdaCrise de representatividade · Diálogo com anseios da juventude · Sentimentos de raiva e ódio · Compromisso com a transformação
  • Voto JovemCiclo formativo Representa · Candidaturas jovens · Eleições 2020
Transcrição23 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Olá, está começando mais um Conversa PT e hoje a nossa convidada é Júlia Kopff, Secretária Nacional de Juventude do PT. A gente vai conversar com ela sobre juventude, política e sobre os desafios de mobilizar para 2026. Júlia, é uma alegria receber você hoje aqui para esse papo.

JKJúlia Kopf

Uma alegria estar com você aqui, Germana, com todo mundo que acompanha as redes YouTube do PT. Vamos embora, vamos nessa!

?Voz A

A gente quer começar sabendo um pouquinho quem é Júlia Kopff.

JKJúlia Kopf

Bom, eu sou de São Paulo, nascida na cidade de São Paulo, num bairro chamado Pirituba, que a vida inteira todo mundo achou que é nome de cidade do interior, mas é uma cidade bem grande e é um bairro da capital. E meus pais são professores, então sempre fui filha de professores na escola. E comecei a me envolver com política. E bom, primeiro que, na verdade, eu vivi, quando eu tava no ensino médio, junho de 2013. Então ver aquele monte de manifestação, aquela cidade que tava efervescendo.

Era primeiro ano da prefeitura do Fernando Haddad enquanto prefeito de São Paulo. Então tinham várias coisas diferentes. E aí veio tudo isso, foi bastante impactante. E acho que despertou aí... Lógico que uma geração começou a atuar politicamente nesse momento. E quem ainda era mais novo despertou aí uma curiosidade. E quando eu entrei na universidade, também a gente tava em momentos muito... Turbulentos da nossa história, intensos.

Então ali 2015, 2016, eu entrei de fato na universidade em 2016, e o primeiro evento que eu fui, é que era oficialmente ligado ao PT, e que eu fui me considerando uma militante do PT, foi no final do ano de 2016. A Dilma já tinha saído da presidência da República, já tinha acontecido todo o processo do golpe. Mas teve um evento dela junto com a Cristina Kirchner na Casa de Portugal. E eu lembro que a gente foi junto com o Balá e o Núcleo de Estudantes Petistas.

E um militante e amigo nosso, Pupo, tinha impresso vários cânticos que a juventude da Lacan para a juventude argentina canta pra Cristina e também canta em relação ao peronismo. E aquilo me encantou demais. E nunca vai sair. Fui me filiar só em 2018, mas de lá pra cá estamos na luta.

?Voz A

Você acredita que a política ela precisa ter afeto, no sentido de afetar as pessoas? Você contando, eu percebo que houve essa identificação, né?

JKJúlia Kopf

Eu acho que a política ela— a gente vê, né, desde que também o Brasil tá num momento polarizado, como ela move paixões. As pessoas se movem a votar também por sentimentos. E acho que quando a gente entra na política e resolve se engajar é pelo sentimento de indignação, de vontade de mudança, de inquietação com o que é a vida. Então, desde o movimento estudantil, inquietação com o que é a realidade na universidade, na nossa escola, e saber que na luta do coletivo a gente consegue transformar aquela realidade não só pra gente, mas pros nossos colegas ali que estão ao redor.

E a política é assim, a gente querer transformar a realidade do nosso bairro, a gente querer transformar a realidade da nossa cidade e até do nosso país. Então acho que isso é muito, muito gratificante de, depois de tanto tempo, tá na política. Apesar de em muitos momentos ter estresse, ter desgaste e ter decepções mesmo, como tudo nessa vida. Mas eu acho que a política ela tem essa esse lado apaixonado.

?Voz A

Você tá numa posição estratégica dentro da organização do Partido dos Trabalhadores, que é a Secretaria Nacional de Juventude. Explica pra gente um pouco o que é a secretaria e como ela funciona, pra que ela funciona.

JKJúlia Kopf

A JPT, que a gente chama, nossa Secretaria Nacional de Juventude, ela é uma instância partidária e é a instância partidária de todos os jovens do PT. A gente considera jovem do PT quem tem ali até 29 anos. Então é esse espaço de militância, de formação política em que os jovens do PT se encontram, se sentem representados. E a gente também busca não só atuar pra dentro do partido. Então o PT tem uma coisa muito importante que não é todo partido que tem, que é reserva de vagas nas direções partidárias.

Para jovens. Então 20% de diretórios estaduais, zonais, municipais e até do diretório nacional é reservado para quem tem até 29 anos, que é um espaço de formação política muito importante e também dá renovação. Então a juventude do PT atua também para representar essa juventude, para pressionar a transição geracional do partido, mas não deixa de estar com um pezinho para fora na mobilização, nos movimentos sociais, no contato mesmo do dia a dia com a juventude brasileira.

?Voz A

Sim, e vocês também buscam fazer algumas articulações. Você podia explicar para gente como é que funciona essas articulações? Eu sei que, por exemplo, esse ano teve um encontro de jovens progressistas. Você tem uma articulação em torno disso?

JKJúlia Kopf

A gente vem trabalhando o Fórum das Juventudes Partidárias, que é um fórum que congrega 7 partidos Além do nosso PT, tem os nossos companheiros de federação do PCdoB e do PV. Tem também a federação do PV, opa, do PSOL e da Rede, e o PDT e o PSB. Então esses 7 partidos compõem esse Fórum de Juventudes Partidárias. E é um espaço muito importante porque em muitos momentos a nossa relação com os outros partidos pode ser conflituosa ou pode não ser tão azeitada.

E num ano como esse, que é um ano de eleição, que tem muitos desafios, a gente acha que é importante primeiro ter a nossa unidade interna. Porque se a gente não tiver unidade, nitidez estratégica entre a gente, a gente não consegue enfrentar a extrema-direita, enfrentar quem não quer o bem do nosso país. Então a gente acha que isso é muito importante. Começar a partir da juventude também é algo extremamente fundamental. A gente inclusive compartilha nesse espaço dores e delícias de ser das juventudes dos nossos próprios partidos.

Compartilhamos experiências, compartilhamos o desafio que é em relação a nossos parlamentares jovens ou candidatos jovens nas eleições. A gente se reúne mais ou menos uma vez a cada 2 meses, o que não é uma tarefa fácil porque todo partido aí tem a sua agenda, tem aí as suas prioridades. E esse ano a gente conseguiu organizar um seminário para pensar o plano de governo da pré-campanha aí do presidente Lula, do que será apresentado esse ano nas eleições.

E foi um espaço super legal, inclusive não foi um espaço restrito às juventudes partidárias, a gente chamou outras entidades, chamou movimentos sociais que apoiam e que querem fazer parte desse projeto. E foi um espaço que quem foi, e até pessoas que não são tão jovens, nunca viu um espaço com tanto partido e que tivesse um clima tão bom de unidade, tão bom de construção. Além desses 7 partidos que já compõem o fórum, tinha jovens de movimentos sociais, tinham jovens também do MDB, do Cidadania, do PSD.

Então acho que isso mostra a potência desse espaço e mostra como a juventude, mesmo estando em outros espectros políticos até, mas quando quer construir um Brasil melhor consegue se unir e consegue formular principalmente sobre isso. Então acho que é bem legal, foram jovens das 5 regiões, da maioria dos estados, então um espaço super potente e que a gente precisa se unir, né, com as juventudes. A gente tem muitos desafios agora do nosso tempo.

?Voz A

Fiquei curiosa da gente falar um pouco sobre renovação política, porque a direita usa renovação política de uma forma, E nós, da esquerda, usamos renovação política de outra.

JKJúlia Kopf

A gente tem hoje, há um tempo, na nossa sociedade, muitas questões em relação à representação, em alguns momentos até uma crise de representatividade e de representação. Acho que quem é jovem não necessariamente sempre vai votar em jovem, mas precisa de um candidato, de uma candidata que vai saber dialogar com os anseios, com as expectativas dessa juventude. Então acho que isso é uma coisa que a gente precisa pensar o tempo inteiro quando a gente tá num processo eleitoral, mas também na construção partidária do dia a dia.

Então, em primeiro lugar, diria isso: a gente precisa se aproximar da juventude, saber dialogar com esses anseios. E a extrema-direita e a direita como um todo não tem compromisso com a realidade, não tem compromisso com a construção concreta. A direita tem um compromisso com dar vazão a sentimentos, mesmo que esses sentimentos eles não sejam os melhores que as pessoas nutrem. Sentimentos de raiva, de ódio, de vontade de vingança.

E eu acho que isso é muito perigoso para nossa sociedade, pode levar a gente para um caminho muito ruim. E a nossa diferença, justamente a diferença do PT e do que eu vejo do Brasil, que são os partidos progressistas, não é só ter o compromisso com o sentimento, é ter o compromisso com a entrega, é ter o compromisso com a transformação, com a construção de um Brasil melhor, desenvolvido. Então eu acho que isso dialoga demais com a juventude.

Inclusive, a gente sabe que é muito desafiador lidar com a juventude, que a gente tá num momento onde a gente passa às vezes mais tempo olhando pra uma tela do que olhando pra cara dos nossos pais. Da nossa família. Isso é uma coisa extremamente preocupante, aumenta muito os sentimentos de ansiedade, acaba com a nossa saúde mental, acaba com o tempo que a gente tem para viver, né? E aí não é só a internet, não é só as telas, é também a carga de trabalho excessiva que os jovens têm.

Então isso é muito preocupante do ponto de vista de saúde mental. Mas a gente sabe que quando a gente sai para a sociedade para debater o fim da escala 6 por 1, quando a gente sai para debater a melhoria da vida das pessoas através da educação, como é o ProUni há tantos anos, um programa de muito sucesso. Então acho que é importante que a gente consiga dialogar com esses anseios da transformação da vida da nossa juventude. E o PT, o Lula, a Dilma, a gente fez muito pelo Brasil.

?Voz A

Como secretária nacional de juventude do PT, você também investe em formação para os jovens do PT?

JKJúlia Kopf

Esse ano de 2026 que a gente tá é um ano eleitoral. Então a gente tem um ciclo formativo já tradicional desde 2020 que é feito e promovido chamado Representa, que é de formação das nossas candidaturas jovens. E não falo candidato porque muitas vezes o candidato tem que estar na rua conversando com as pessoas, pedindo voto. Para se eleger, principalmente candidato a deputado federal, candidato estadual, é uma correria. Mas sempre tem um coordenador de campanha, coordenador de comunicação.

Então é voltado para esses jovens que vão colocar as candidaturas de Juventude de Pé. É um programa que fez muito sucesso já e que a gente faz questão de lançar todo ano, sempre revendo, atualizando, porque ele é muito bem-sucedido. Time que tá ganhando, a gente não mexe. Então é uma aposta que começou lá em 2020, que toda eleição a gente faz. Vamos continuar fazendo porque dá muito certo.

?Voz A

Júlia, eu tenho uma curiosidade também, que é o seguinte: eu vi pelas redes que você fez uma viagem para a China.

JKJúlia Kopf

Foi.

?Voz A

Representando a juventude do PT, ou não sei se estou errada. Me explica como foi essa experiência.

JKJúlia Kopf

Foi uma experiência muito bacana pelo PT. Fui eu e foi a Annelise, de Minas Gerais. Foi uma experiência muito legal. Primeiro que você ficar do outro lado do mundo é uma loucura, porque os horários são todos trocados, demora pra gente conseguir se adaptar, é tudo muito diferente. Eu não falo nada de mandarim, nada não, eu sei falar oi e tchau, mas eu falo muito pouco de mandarim e não sei ler nada. Então você tá aí num espaço em que a cultura é muito diferente.

É uma experiência e tanto. Mas mais do que isso, né, você tá num país novo que foi construído a partir de uma revolução socialista camponesa em 1949. Acho que é muito bom. E pra gente que é militante do PT e que acredita na construção do socialismo, da construção do socialismo no Brasil, é a gente se sentir renovado com esse sonho, sabe?

?Voz A

E que tipo de trocas aconteceram nesse evento que você foi? Como foi esse evento?

JKJúlia Kopf

A gente foi para participar de um Fórum Mundial da Juventude, onde tinham partidos políticos, tinham alguns gestores de governos diversos pelo mundo, tinha alguns jovens que são donos de empresas e de startups. Então era um espaço bastante plural e bastante representativo do mundo, tinham mais de 500 países ali. Então é muito legal a gente entrar em contato com essas culturas diferentes. Mas mais do que isso, entender que em cada lugar desse mundo tem gente que, por mais que tenha uma cultura muito diferente, coma coisas diferentes, se vista diferente, fale de um jeito que você não entende, acredita em coisas muito parecidas, na construção de uma sociedade melhor, de uma sociedade que seja menos desigual, do desenvolvimento.

Nacional sem ser um desenvolvimento imperialista. Então acho que isso é muito acalentador também para o nosso coração.

?Voz A

A maioria dos jovens ainda não se mobiliza com política, né? A gente tem pesquisas que mostram isso. Eu queria que você mandasse um recado para os jovens, pudesse olhar ali na câmera e dizer o que é que, por que é importante esse ano se ocupar um pouco com a política.

JKJúlia Kopf

Eu acho que se você não gosta de alguma coisa do seu bairro, da sua cidade, do seu estado, ou até mesmo do país, você tem a capacidade de mudar isso. Acho que o Lula é uma pessoa que ensina muito a gente que a luta coletiva pode transformar a realidade do nosso país. Então a gente sonhar junto é uma coisa que move a sociedade. E quando a gente escolhe Só reclamar e não fazer nada sobre isso, vai ter alguém que vai fazer pela gente.

E não necessariamente a gente vai concordar com essa pessoa, concordar com o objetivo que vai estar buscando. Então é super importante que a gente tome o destino, tome o futuro nas nossas mãos, para que a gente construa o Brasil que a gente quer.

?Voz A

Eu conversei com Júlia Kopff, Secretária Nacional de Juventude do PT. Nós, da Rede PT de Comunicação, agradecemos a sua participação. Continue acompanhando a nossa programação para mais entrevistas, reportagens e conteúdos sobre os temas que impactam a vida do povo brasileiro. Até a próxima!

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