#119 - Terapia é para os fortes
Terapia é para os fortes? Mas “forte” aqui não significa carregar tudo sozinha e sim ter coragem e disponibilidade de olhar pra dentro mesmo que seja desconfortável!
Bora prosear sobre isso?
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- Terapia e ForçaVisão histórica da terapia · Transtornos mentais e acompanhamento especializado · Resistência em iniciar terapia · Vulnerabilidade e coragem na terapia · Dores antigas e sentimentos evitados · Disponibilidade para mudança e desconforto · O custo de evitar olhar para si
- O Papel do Profissional de Saúde MentalAcolhimento e escuta ativa · Importância do vínculo terapêutico · Possibilidade de troca de profissional
Oi, estamos começando mais um episódio do Prosa com a Psi. Aqui é a Bárbara e hoje a gente vai conversar sobre o processo terapêutico ser para pessoas fortes. Essa frase, terapia é para os fortes, foi o título de uma newsletter que eu li há algumas semanas atrás.
Eu fiquei com essa frase na cabeça. Todo mundo sabe que até pouco tempo atrás, a terapia era vista como uma coisa de gente doida. Quem fazia terapia era visto como alguém desequilibrado, fraco, porque não conseguiria lidar com os próprios problemas. Havia quem dizia que não precisava de terapia, que na verdade precisava de Deus, de um lote para capinar, ou precisava parar de caçar problema.
Infelizmente, eu sei que ainda tem pessoas que pensam assim, mas isso também vem mudando cada vez mais, ainda bem. As pessoas, mesmo quem não estuda a área de psicologia, tem tido mais consciência de que sim, existem transtornos mentais que não são tratados com conexão com a espiritualidade, que não são tratados ocupando mais o tempo, que não são tratados simplesmente por força de vontade.
que precisa sim de um acompanhamento especializado, de um acompanhamento com profissionais de saúde, com psicólogo, psiquiatra muitas vezes, para que a gente receba o tratamento adequado para aquele transtorno mental.
Inclusive, também tem pessoas que não fecham o diagnóstico, mas que também tem algum tipo de sofrimento, estão passando por algum momento de vida, que ter um acompanhamento terapêutico, fazer terapia pode ajudar muito a passar por esse processo. Então, que bom que as pessoas têm tido mais dessa visão, uma visão mais saudável e realista da terapia.
Também tem aquelas pessoas que entendem que a terapia pode ajudar, mas que ainda se sentem resistentes em começar. E tudo bem, faz parte. Primeiro a gente toma consciência, depois a gente parte para a ação. Mas também tem tido mais pessoas abertas a iniciar o processo terapêutico. Mas vamos falar um pouquinho desse outro ponto de vista, dessa outra perspectiva de que a terapia é para os fortes?
Tem gente que chama de força, engolir o choro, dar conta de tudo sozinha, não se incomodar com ninguém ou pelo menos, mesmo que se incomode, não poder demonstrar esse incômodo, ignorar as próprias emoções. E em muitos contextos isso costuma ser valorizado, não é?
Mas na clínica, em terapia, a gente vai na contramão disso. Não se fala de terapia sem falar de vulnerabilidade. Precisa ser corajoso pra caramba pra abrir sua vida como a outra pessoa. Precisa ser muito corajoso pra olhar pra dentro e enxergar o que aí dentro de você precisa ser mudado.
Precisa ser corajoso pra caramba também pra enfrentar um processo que pode ser desconfortável em muitos momentos.
Mas precisa de coragem para fazer tudo isso, exatamente porque fazendo tudo isso, a gente precisa entrar em contato com a nossa vulnerabilidade. Reconhecer que a gente precisa de ajuda é reconhecer uma vulnerabilidade. Abrir quem você é, sua vida, seus problemas com o profissional é ser um tanto vulnerável.
E aí eu não sei se a gente pode olhar para uma pessoa que olha para a própria vida, vê que tem desafios, que não está muito bem, que toma a decisão de buscar ajuda, que compartilha suas dores com uma outra pessoa, que se engaja num processo de mudança e dizer que essa pessoa é uma pessoa fraca.
Ter problemas e dificuldades não nos faz fracos, nos faz humanos. Todo mundo tem problema, todo mundo tem suas dificuldades, cada um numa área, cada um numa intensidade, mas a gente sabe que a vida de ninguém é perfeita, certo? Mas decidir buscar ajuda quando está difícil sozinha, essa é forte pra caramba, você não acha? Eu não sei se isso pode ser chamado de fraqueza.
Olhar para dentro não é difícil à toa. A gente acaba evitando por alguns motivos. Por exemplo, quando a gente começa a olhar para dentro, a se observar de verdade, a gente pode acabar encontrando dores antigas que não foram muito bem elaboradas. A gente pode encontrar sentimentos que a gente considerava errado sentir, que a gente tentava evitar sentir.
A gente pode também encontrar padrões que a gente está sempre repetindo, mas que é difícil admitir que às vezes o problema é a gente, que é a gente que precisa mudar, não é?
E aí, além disso, terapia também pede por disponibilidade. Disponibilidade para sustentar as dúvidas sem uma resposta imediata. Disponibilidade para respeitar o seu tempo de mudança. Disponibilidade para tolerar o desconforto de olhar para dentro, de olhar para a própria história e às vezes ver que no meio do caminho muita coisa ruim pode ter acontecido, que talvez tem pessoas que falharam com você.
inclusive na sua infância, na sua adolescência. E se dar conta de tudo isso, pode ser bem desconfortável. A terapia também pode pedir disponibilidade para abrir mão de certezas que a gente acha que tem sobre a gente mesmo. Disponibilidade para enfrentar emoções que antes a gente tentava evitar. E tudo isso pode ser bem desconfortável.
Tem sessão que é sim um respiro, um alívio, um colo. Mas tem sessão que não termina leve. Tem sessão que desorganiza a gente para depois organizar.
Tem sessão que a gente sai igual aquele meme da Nazaré, fazendo um monte de conexão, mas é aquela sessão que dá um insight, que de repente a cortina cai, uma coisa que a gente nunca tinha enxergado, a gente passa a enxergar. E aí a gente sai assim, com a cabeça fervilhando da sessão. Pode ser que tenha momentos em terapia que você pense, nossa, era melhor não ter mexido nisso, meu Deus.
Pra que eu fui entrar nessa pauta? Isso também faz parte. Mas faz parte do processo terapêutico ter pontos de desconforto
para que a nossa vida fique melhor, para que a gente se sinta melhor, para que a gente receba um tratamento adequado, para que a gente possa fazer escolhas mais coerentes com o que a gente deseja para a nossa vida, para que a gente tenha mais bem-estar e mais saúde mental. A terapia não é para ser desconfortável, mas o desconforto pode e vai fazer parte do processo.
para que a gente consiga se sentir melhor em algum momento. A gente não vai para a terapia porque a gente quer chorar, porque a gente quer sentir dor, porque a gente quer se sentir desconfortável. A gente vai para a terapia porque a gente quer se sentir melhor. Mas no processo de se sentir melhor...
a gente pode acabar tocando em pautas, em questões, que também pode gerar um desconforto. Mas é aquele tipo de desconforto para a gente crescer, sabe? Então, por isso que eu acho que, sim, a terapia é para os fortes. Mas forte aqui significa alguém que tem coragem e disponibilidade para olhar para a própria vida e se abrir com uma outra pessoa.
Talvez a terapia seja para quem, em algum momento, perceber que continuar do jeito que está também dói. Que evitar olhar para si também tem um custo. E aí, mesmo com medo, mesmo sem se sentir pronto, mesmo no desconforto, decide começar a terapia.
Não porque essa pessoa é forte o tempo todo, porque ela carrega tudo nas costas, mas porque ela está disposta de, aos poucos, se aproximar mais de si mesma. Então, terapia é para os fortes, mas forte aqui significa uma coisa muito diferente daquilo que a gente costuma enxergar como alguém que é forte.
Carregar tudo sozinha não é ser forte, mesmo que a nossa sociedade diga isso. Você é forte, talvez sim, de estar carregando tudo sozinho. Mas talvez seria mais forte ainda se você se abrisse a um processo de dividir esse peso todo com alguém e recalcular a rota para não precisar, inclusive, carregar esse peso o tempo todo sozinho. Faz sentido?
E você? Já fez terapia? Pensa em fazer? Tem alguma dúvida sobre o processo? Deixa aqui embaixo, nos comentários, o seu relato, a sua pergunta, pra gente conversar, prosear um pouquinho mais sobre isso. E é claro que eu, como psicóloga, estou frequentemente do lado do profissional que escuta, que acolhe, que ajuda.
E a terapia às vezes é desconfortável pra gente também. Você acha que a gente também tocar em tópicos sensíveis é gostosinho? Não é. Mas a gente tá ali também pra dividir toda essa caminhada com os nossos pacientes. E também já estive do outro lado, como paciente, fazendo terapia.
Então, eu reconheço esse desconforto, eu reconheço, às vezes, a vontade que a gente pode ter de não sei se eu quero muito entrar nisso, sei que entrar aqui é um buraco negro, assim, que não tem muita volta. Mas lembre que do outro lado tem um profissional que está preparado, capacitado, para te ajudar nessa caminhada.
E se, em algum momento, não rolar muito com aquele profissional, você não sentir que realmente se vinculou, que deu um match entre você, paciente, e o profissional que você escolheu, tá tudo bem mudar. Não desista da terapia por isso, tá bom? E aí?
compartilhe comigo se você tem algum relato sobre terapia ou alguma dúvida, tá bom? E lembrando que aqui na descrição você encontra o link do meu Instagram e também na minha newsletter. E se esse episódio fez sentido para você, compartilha ele com uma pessoa querida, tá bom? E eu te vejo aqui semana que vem em mais um episódio do Prosa com a Psi. Um abraço!