Episódios de Vai Pela Sombra Podcast - por Camila D'Orazio e Thayane Leonardi

T03EP10 - All Her Fault: o peso invisível da maternidade real.

28 de abril de 20261h14min
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Uma mãe tentando dar conta de tudo: do trabalho, da casa, dos filhos, do casamento. E, mesmo assim, quando algo sai errado, a culpa recai sobre ela.

Pode parecer ficção, mas quem é mãe sabe que não é.

Neste episódio, conversamos com Fernanda Cassou, mãe de dois e influenciadora há mais de 10 anos, usando a série All Her Fault - É tudo culpa dela, como ponto de partida para falar sobre culpa materna, sobrecarga, carga mental e as mudanças no casamento depois dos filhos.

Dê o play e vem fazer parte dessa conversa.

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Participantes neste episódio1
F

Fernanda Cassou

ConvidadoInfluenciadora
Assuntos3
  • Culpa maternaSobrecarga emocional · Expectativas sociais sobre mães · Impacto da maternidade no casamento
  • Presença maternaPressão para ser a mãe perfeita · Culpa e julgamento entre mães
  • Autocuidado e MaternidadeImportância da terapia · Desafios do autoconhecimento
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Imagina uma cena. Uma mãe chega para buscar o seu filho. Ela pega o endereço, chega lá, toca uma campainha e a porta se abre. E dizem que a criança não está ali. Antes da polícia, antes da escola, antes de qualquer explicação, o que surge primeiro no coração dessa mulher?

Surge a culpa. Não é o medo, não é a confusão, não é a pergunta. É a culpa. Está começando mais um episódio do Vai Pela Sombra. E hoje a gente não vai falar só de uma série. A gente vai falar sobre um tribunal invisível que está em funcionamento muito antes dos fatos.

Porque All Her Fault não é uma história de desaparecimento. É um retrato incômodo de como a maternidade virou um lugar onde a mulher precisa ser tudo. Ela precisa estar presente o tempo inteiro, ser emocionalmente estável, sempre responsável, alerta e feliz. E quando algo nessa grande engrenagem falha, mesmo algo que não está sob controle dela, o julgamento encontra um caminho.

Para quem está chegando aqui agora, o Vai Pela Sombra não é um comentário de histórias. Ele é um investigador do que elas ativam no interior de cada um. Esse não é um espaço para a gente opinar sobre os personagens, mas é sim um espaço para a gente olhar o que essa narrativa revela sobre cada um de nós.

A gente fala muito sobre maternidade, culpa e responsabilidade, mas quase nunca questiona a estrutura psíquica e cultural que sustenta toda essa cobrança permanentemente, geração após geração. Aqui a gente não simplifica, a gente não explica, a gente atravessa. E talvez você esteja ouvindo agora esse episódio como mãe, talvez como filha.

Talvez eu espero que como marido e talvez como uma mulher que já sentiu o peso de ter que dar conta de tudo e ainda provar que deu conta. E se esse tema te toca, eu quero te contar algo muito importante. Existe uma comunidade de mulheres que escolhem ir além dos episódios do Vai Pela Sombra.

Elas são as nossas co-criadoras. Participam dos encontros ao vivo, enviam as perguntas, sugerem os temas dos próximos episódios, ajudam a gente a escolher as próximas temporadas e constroem esse espaço junto com a gente, com mais profundidade, mais troca, mais presença, sendo um verdadeiro coletivo.

de cura feminina e que em breve na próxima temporada vai se estender aos homens também. E se essa conversa também é sua, também ressoa com teu coração, fica aqui o convite pra caminhar mais perto da gente. Você pode se tornar uma cocriadora e o link tá no bio do nosso Instagram, arroba vai pelasombra.podcast

Esse episódio inclusive nasceu assim, de uma troca com uma pessoa que faz parte da minha vida há alguns anos e que eu admiro muito. Em uma conversa com a Fernanda Cassu, ela me indicou essa série. E eu comecei a assistir achando que seria uma história de suspense que de alguma forma falaria sobre o materno. Mas logo ficou claro que não era só sobre o desaparecimento de uma criança. Enquanto eu falo com vocês eu vou me arrepiando inteira.

A história que a Fê me apresentou era uma história sobre culpa, sobre julgamento, sobre sobrecarga, sobre as questões estruturais que costuram, atravessam e rasgam a alma da mulher contemporânea. Essa história é sobre o lugar simbólico que a mãe ocupa na nossa cultura e que a gente ocupa a partir do momento que escolhe estar na vida a partir do lugar da maternidade.

Então, essa história fala sobre como antes de uma verdade aparecer, a sentença já começa a ser escrita. Às vezes, a sentença jurídica de fato, mas muitas vezes a sentença dentro das nossas cabeças.

Então, essa história me faz querer perguntar para vocês, antes da gente mergulhar, quando você assiste algo assim, quando você vive algo parecido, o que te dói mais? O medo do que pode acontecer? O medo disso acontecer contigo também? Ou o medo do que todo mundo vai pensar de você?

Isso me faz lembrar muito de uma história muito difícil da minha vida, que foi quando a Lara foi para a UTI, que eu estava sofrendo muito, porque a minha filha estava ali e eu não podia fazer nada. Mas eu sofria igualmente, quando pessoas muito próximas...

tentavam de alguma forma vasculhar os meus comportamentos e apontar o quanto a pessoa que eu era podia ter contribuído para a minha filha estar lá. Então a gente vai entrar nessa conversa hoje com a presença da Percaçu. A Fê é mãe de dois.

Ela é esposa, ela é influenciadora há mais de 10 anos e muito antes disso ela já vivia o que comunica. A Fê é uma mulher que pratica o autoconhecimento no cotidiano. Ela é uma estudiosa dos temas filosóficos, psicológicos. Ela se aprofunda em temas emocionais com seriedade e ela faz análise há quase 10 anos. Quando eu falo que ela faz análise, eu não falo de um discurso analítico, eu falo de um compromisso real.

com a própria jornada. Quem conhece, quem segue, percebe que a cada ano você conhece uma nova Fê, porque ela nunca para a busca por si mesma. Então, a Fê, ela não fala desses assuntos do lado de fora. Ela fala a partir de um lugar da própria travessia. Fê é uma alegria, é uma honra, é um orgulho, é uma emoção muito grande ter você aqui comigo. Eu te agradeço por me indicar essa série.

Porque eu sinto que ela escancara algo muito vivo na nossa vida, mas também na nossa cultura. Então eu queria abrir o espaço agora para a Fê dar um oi para os ouvintes do Vai Pela Sombra. Vamos lá, pode começar o podcast chorando já?

Nossa, meu olho lacrimejou aqui. Obrigada, é uma honra poder participar do podcast Mais Ouvido todos os anos que saem ali. O seu podcast Mais Ouvido no Spotify, sai lá ou vai pela ação em primeiro lugar. É uma honra mesmo, sou admiradora demais da jornada, do quanto vocês trouxeram, do selfie de vocês, né? Essa obra para o mundo.

Então, eu vejo não só uma admiração de amiga, de paciente, mas de pensando como mulher e como ser humano, quando esse podcast toca, e sempre que eu indico ele no meu Instagram, as pessoas me voltam do tipo, meu Deus, Fer, isso me tocou. Ou alguém fala alguma coisa, eu falo, olha, você faz terapia? Faça, então leva a terapia, mas escuta isso daqui, ó. Tipo, a sombra entre os irmãos, a sombra entre o relacionamento. E só vou jogando podcast do lá e pra cá. Então, é uma honra estar aqui.

O que eu queria falar para as nossas ouvintes é que essa série, para quem não assistiu, ela toca em muitas camadas do que a gente vai viver, sofrer, causar sofrimento na outra, em se tratando não só de maternidade, mas eu acho que de ser mulher atualmente. Então a gente dividiu em blocos para a gente conseguir abarcar tudo da melhor forma possível.

Dava pra fazer uma temporada inteira dessa série, né? Dava, dava. Eu até pensei, merecia uma temporadinha bônus. Nossa, ela é complexa, são muitas camadas. Tudo. E eu queria começar, então, lá no primeiro episódio, quando a Marissa, ela chega na casa que era indicada pela escola pra ela buscar o tal do filho Milo. Ela toca a campainha e uma mulher abre a porta, uma senhora, e diz que não conhece aquela criança, nem uma criança com aquele nome.

A câmera, naquele momento, ela não mostra só o pânico, ela mostra a vergonha. E isso é muito significativo, porque antes de qualquer investigação, antes de saber de fato o que estava acontecendo, de qualquer explicação institucional, a dúvida se instalou sobre ela. Naquele primeiro momento, quando ela congela, ela revela que ela não foi culpa à escola, ela pensou... ...

a vergonha ali do que ela tinha feito como mãe, né? Ela ainda penta e fala, não, calma, então acho que eu errei. Deixa eu olhar de novo. E daí ela vai procurando ali nas mensagens dela, né? Podia estar informação que eu perdi. E aqui, eu queria muito trazer o conceito do Jung, quando ele fala, né, sobre os arquétipos inconscientes coletivos.

que ele traz que o arquétipo da mãe é uma das imagens mais poderosas do nosso inconsciente coletivo, porque carrega tanto a ideia de proteção, nutrição, quanto de ameaça e destruição. E quando algo ameaça uma criança, o inconsciente coletivo, o entorno, reage como se a mãe...

tivesse falhado em cumprir uma missão quase divina. A mãe deixa de ser a mulher humana, a Marissa, que estava saindo do trabalho, e ela vira um símbolo. E eu queria saber da Fê. Fê, quando tu assistiu essa cena, você como mãe, como esposa, como mulher, o que você sentiu primeiro? Exatamente com ela.

Meu Deus do céu, como assim, né? Eu tentaria buscar e não vejo bem. E tentar me desculpar até ali. A vergonha que eu acho que ela… Às vezes não sei se ela tenha sentido, mas que eu senti… Era até do tipo… Dessa senhora na minha frente, pensando…

O que essa mulher tá fazendo aqui, gente? Que loucura, eu moro aqui há muitos anos, né? Então, acho que é bem isso. O primeiro julgamento, acho que viria da primeira pessoa que tava ali na minha frente, que ela iria pensar de mim, como mãe, chegando no lugar errado, né? E não saindo dali, porque ela ainda tenta, a senhora tenta ajudar ali, né? No primeiro momento. Mas assim, eu acho que eu senti a mesma coisa que ela.

Não sei nem se chegar a passar até a criança ali no momento, né? Mas é um gelo, eu gelei junto, assim. Quando eu fui assistir a série, foi super recomendada, mas eu não tinha entendido que já a gente ia saber sequestro já na primeira cena, sabe? Então já bate aquele...

uma sensação no corpo, assim. Você percebe, então, na fala da Fê e na própria série, que a gente tá falando de duas dores no coração da mesma mulher, a dor do fato, porque de fato algo ali tinha acontecido e ela ainda não tinha entendido, mas a dor de como tu vai ser vista por não poder impedir esse fato. Na tua vida como mãe, teve algum momento que você sentiu essa vergonha?

mesmo antes de entender de fato o que estava acontecendo? Com certeza. Eu acho que quando a gente entra nesses grupos do mesmo, então, digamos assim, vizinhos do condomínio, nós somos todos os mesmos, porque nós moramos no mesmo lugar. E eu acho que a grande maioria das mães vivem isso em grupos maternos de escola.

Então as mães da escola, as mães da sala tal, nós somos as mesmas coisas, mães de uma criança ou sei lá, duas que estão ali vivendo aquilo. Então aquilo é o campo de sombra.

Eu acho que eu já não sei quantas sessões eu já levei isso pra análise, mas aquilo é o campo de sombra. E às vezes, quando você chega com uma informação, né? Seu filho fez algo para alguém, para uma outra criança, e a informação não vem dele, de uma conversa minha com ele.

vem de uma mãe, como isso já aconteceu, dessa mãe vindo perguntar, nossa, ela me pediu até que eu pedisse desculpas pra ela pelo que meu filho tinha feito, e eu tava ali do tipo, não vi nada, não sei de nada, não sabia que tinha sido com a sua filha, não sei o que aconteceu, não encontrei meu filho ainda, mas eu já tava desesperada, desesperada do que meu filho fez.

o que meu filho fez, e coitado porque esse dia foi horrível porque ele realmente tinha só tropeçado, não tinha feito de maldade nada, mas a forma como chegou pra essa mãe também, a informação não foi legal, e então Ari, um

Um telefone sem fio. Chegou pra ela de um jeito, chegou pra mim de outro jeito. Eu cheguei brigando com o Luca. E ele falava, eu não fiz nada, mamãe. Até que eu só, coitado, só fui acreditar nele depois que um outro amiguinho me mandou um vídeo por uma outra mãe dizendo, mamãe, o Luca não fez nada. Então, daí eu me senti mais culpada ainda, né? Porque eu tava culpada perante a mãe, negligente da escola. E depois eu fiquei me sentindo culpada perante a mãe, que não acreditou no filho.

que tinha dito a verdade. Então, isso também foi uma lição de estar olhando no olho dele. A gente vai percebendo o dia que é, mamãe, eu não fiz nada. Ah, mamãe, eu não fiz nada. Você vai olhando que o comportamento vai mudando. Então, foi um dia de muito autoconhecimento como mãe, como mãe do Luca. Enfim, mas a culpa estava em todos os momentos, do começo ao fim. Da mensagem dela, da mensagem da escola, da mensagem dele, enfim.

Sabe uma das coisas que mais eu percebo que traz sofrimento nos pacientes? É o medo do julgamento. É a impiedade que às vezes nós mesmos temos conosco. E isso para mim é bem interessante, porque quase todas as pessoas que eu escuto temem o julgamento e é extremamente impiedoso consigo.

Mas ao mesmo tempo, quando os eventos acontecem no externo, parece que é muito comum a gente se mover já buscando mesmo o culpado. Todo mundo quer mais compaixão, todo mundo quer ser mais compreendido, mas quando acontece, o fato é de quem foi a culpa.

Quem a gente vai jogar na fogueira, quem a gente vai enforcar. E isso fica muito forte quando a gente encarna esse papel da maternidade. Eu lembro, tem um episódio do Vai Pela Sombra, que é o Patinho Feio. Quando eu gravei, eu não era mãe, eu não entendi. Porque dizia assim, uma das vivências mais desafiadoras quando uma mulher é mãe é que o tempo todo ela vai estar escolhendo entre o filho e a sociedade. Eu não entendia isso.

Mas é que quando você vai se relacionar com o teu filho, esse outro, esse suposto olhar do outro, ele sempre tá ali também. Então, como em alguns momentos é muito automático querer entregar esse bom filho, suposto bom, ou essa boa praxis materna, parece suposto outro. Desde coisas pequenas, eu lembro quando tava no porpério, apareceu algo da Lara no meu Instagram, apareceu não, né? Coloquei.

E eu coloquei ela de chupeta, porque Lara usa chupeta. E eu lembro que eu recebi muitos comentários, assim, mas você é psicóloga? Como a sua filha usa chupeta? Até minha mãe foi acusada, mas a sua mãe não é dentista? Pode. Como a sua filha?

usa chupeta, é que da Lara eu sou só a mãe, né? Eu não sou psicóloga, eu não sou filha de dentista, mas ali eu comecei a perceber o quanto uma parte nossa, às vezes sente que frustrou esse grande outro, e o quanto isso torna difíceis as nossas escolhas no cotidiano materno, uma coisa que eu me pergunto muito é, eu tô fazendo isso ou eu não estou fazendo isso?

Porque é como eu escolho educar, viver a maternidade? Ou eu estou fazendo isso, ou não estou fazendo isso, porque eu estou seguindo os mandamentos desse grande outro, fazendo essa entrega? Eu acho que esse é um dos maiores desafios do meu momento, do Luca aos seus 5, 6 anos.

Porque nessa briga, por exemplo, ele segue amando essa amiguinha. Eles seguem brincando muito, eles seguem na mesma turma. E eu e a mãe seguimos um bom tempo sem conseguir nos comunicar. Eu nunca verbalizei isso pro Luca, mas não é só verbalizar, eles sentem, né? Então, por muito tempo, parecia que até rolava uma rejeição entre eles pelo sentimento da aura de quando se falava dessa criança. Eu tinha medo que ele ficasse perto dela de novo.

Então assim, eu acho que nas personas, entre as personas que a gente vive, a persona mãe Fer do Luca na escola X, não adianta só sobre eu querer educá-lo como eu gostaria, porque existem regras lá dentro das quais ele vai estar envolvido.

que eu não concordo, mas que ele vai estar envolvido pela escola que eu escolhi. Então, acho que essa moral social desse ambiente, onde tem um poder aquisitivo, tem um jeito de ver a vida, tem as manias dessas pessoas, versus o que eu gostaria, eu acho que ela entra em choque todos os dias. Porque eu estou com vontade de chorar.

Porque, diariamente, eu quero que meu filho tenha opinião. Mas, ao mesmo tempo, eu quero que ele também obedeça às regras impostas em diversos lugares. E, gente, é um... é um... é paradoxo. Porque, pra ele dar a opinião dele, ele vai ser o menino difícil, aonde ele estiver. Ele vai ser aquele que...

Mas escuta, o Luca é desobediente, mas é que às vezes ele não está afim. E ainda, uma criança de seis anos, e entre não estar afim e ter que seguir a regra, porque faz parte do contexto, até a gente que é adulto tem essa dificuldade. E muitas vezes a gente foge.

não é legal pra mim, essas pessoas são muito chatas eu já não concordo mais com elas e eu consigo sair daqui, e aí não consegue sair da escola porque fui eu que escolhi a escola pra ele então é muito paradoxo viver isso com o filho porque na persona, na mãe ninguém quer ser a mãe da escola

que tem um filho difícil, que um filho que faz coisa, que um filho que tem um nome salva, todo mundo quer um filho boozinho. Meu Deus, que coisa mais querida. E no futuro, como vai ser esse querido? Vai ser aquele que só tem relações tóxicas porque não consegue dizer um não adiante? A gente não sabe como a psique vai se desenvolver.

Mas eu acho que isso é um paradoxo muito grande da vida, né? Tipo, a fermanha, a fermanha influenciadora que mostra no Instagram. Eu falo, gente, eu não mostro as cenas de caos, as terríveis. Não é porque eu não quero, é porque eu tô gerenciando. Sim. É, e muitas vezes depois eu apareço falando sobre o que aconteceu. Quando, hoje em dia, quando o Luca me permite. Porque tem coisas que ele fala, mas eu não quero que você fale sobre isso, porque eu fiquei com vergonha.

e eu ainda preciso respeitar tudo isso entra toda a culpa de novo, são muitas camadas mas eu acho que essa coisa entre a persona mãe a persona influenciadora a persona mãe da escola e tem outra outra pessoa que tenta

versus a Fer, mãe, como eu desejaria, do que eu estudo, do que eu leio, do que é o meu desempenho, para cuidar, eu faço, né, tô fazendo pós em psicologia junguiana, as pessoas perguntam se eu quero trabalhar, eu falo, não, na verdade, eu quero muito poder lidar com os meus filhos de uma maneira melhor, assim, sabe, então, e é toda hora um choque, é toda hora um choque, e assim, olhar pra, pro dia que eu perdi na ferecência.

que se aceita é muito dolorido, mas eu entendo que agora é isso, agora é isso agora vamos matar deixa ele, é porque é assim e hoje vai ser assim nossa, é um conflito diário e me chama atenção o quanto a culpa antessere o fato

Então não é só uma coisa emocional e importante, parece repetitivo, mas a gente precisa mostrar o quanto isso é cultural, para talvez um dia indivíduos construírem com consciência uma cultura diferente.

Porque senão a gente fica brigando, né? Eu não quero me sentir culpada, eu não quero... Tendo que a gente tá nesse caldo. E aqui até me lembra de outra cena da série que traz isso. Porque a Marissa, a suposta mãe do menino que desaparece, ela é uma profissional de sucesso. Ela é advogada, se eu não me engano, né, Fê? É, eu acho que ela é advogada, mas ela tem alguma corretora de alguma coisa, né? Porque tem o lançamento de um livro, alguma coisa também rolando. É.

Mas ela gosta do trabalho, ela é bem-sucedida no trabalho. E a série sugere, ainda que sutilmente, que por ser muito bem-sucedida, ou por gostar muito do trabalho, ou por precisar trabalhar, que talvez ela não estivesse suficientemente presente.

Ou se eles tivessem criado tudo isso para que o lançamento do livro estivesse em alta, para que o nome deles estivesse em alta. Exato, exato. Mas aqui a gente entra num ponto, se ela não estava totalmente presente, porque além de ser mãe ela trabalha, a gente precisa perceber o quanto nos últimos anos a maternidade chegou num ideal extremamente impossível.

O que é esperado de uma mãe minimamente boa? Que ela esteja presente o tempo todo, que ela seja produtiva o tempo todo, afetiva, equilibrada, magra, atenta a cada detalhe, que saiba fazer cookies e acorde feliz querendo fazer uma mesa posta. Então…

O Freud, ele falava do superego como uma parte nossa que internaliza as exigências culturais. E parece que hoje a gente tem um superego materno extremamente hiperativo e imperativo. E quando esse ideal, ele é impossível de ser alcançado, a culpa é um efeito colateral inevitável. Se a gente for olhar...

30 anos, a gente não tava numa moda tão grande da maternidade enquanto símbolo. Então as coisas eram um pouco mais fluidas, um pouco mais possíveis e um pouco mais leves. A mãe que tem ou quer trabalhar e ter filho, bora! Mas agora tem essa grande marca da super mãe. Tá na moda ser mãe. E tudo que tá na moda, cada vez se cria mais condições impossíveis pra se chegar lá, como a magreza, por exemplo.

para você conseguir ostentar aquilo de poucos conseguem. E isso traz o gozo. Então, ser essa mãe que atende a todas essas demandas, traz esse gozo de fazer o que poucos fazem e o poder de julgar quem não está lá. E aqui não tem como não lembrar do Jung, quando ele fala que a maior tragédia da família moderna é a projeção...

inconsciente dos pais sobre os filhos. E muitas vezes a culpa materna nasce dessa projeção, porque a gente tenta controlar o futuro do filho para evitar o nosso próprio medo, ou para não tocar as nossas próprias insuficiências, tudo aquilo que a gente não foi. Então eu não me sinto realmente realizado em nada na minha vida, e aí eu não estou nem vendo esse filho.

Eu vejo uma semente de possibilidade de, pelo menos em algum lugar, eu estar um pouco próxima do meu ideal. Então, essa culpa, ela não é só externa, né? Ela se coloca também muito relacionada às feridas que a gente tem e aos ideais que a gente quer alcançar.

E eu queria saber de você na sua experiência, que tu já é mãe há mais tempo, né Fê? Se você percebe esse ideal materno, se tu vê diferença de quando tu se tornou mãe do Luca pra agora, ou se tu já teve que provar que você era uma boa mãe, pelo menos dentro da tua cabeça.

Nossa senhora, não, dentro da minha cabeça é todo dia, né? Eu acho que a pior cobrança é ânimos. É eu comigo mesma, essa alta chicotada aqui, né? Mas você estava falando, vieram vários insights. O primeiro é sobre as... Tem aquela imagem que se fala muito, né? Metaforiza muito isso do segurar...

Qual pratinho vai cair, né? Então aquela mãe polvo. E hoje em dia, eu acho que eu nem olho pra qual prato vai cair, eu olho já pro chão. E tipo assim, será que eu tenho a possibilidade de pegar algum? E eu falo isso pela nossa relação terapêutica em análise, né? Então, às vezes, por isso que eu falo da importância. No Instagram, às vezes, eu me conto, tá? Terapia salva vidas, terapia salva vidas. Ah, porque é isso.

Então, às vezes, quando eu chego, e essa autocobrença, essa chicotada, esse ânimos falando que tem, que você fez isso errado, mas veja bem, e ficou. E daí, vem alguém do outro lado, né? No caso, você. E fala, mas veja bem, calma. Então, é muito importante olhar pra isso, porque me fez olhar pra lá pra baixo, que tem prato que eu achava que tava na minha mão e que já tá no chão há muito tempo. E olhar praquele prato que eu jurava que ainda tava segurando, mas dentre os milhões de braços, ele já nem tava mais na minha mão, porque ele tava ali atrás.

Então, nessas horas, onde eu tento parar e pensar, e é o que eu também trago para sempre, é o que é importante agora. E nessa sempre me vem a saúde, né? Então, claro que tem a fé com muitas questões de problemas com o corpo, com a imagem do passado. Que não dá para dizer que eu seja curada, mas dá para dizer que nesse momento eu não bato na espiral da vida. No momento eu estou passando um pouquinho longe desse problema, ele está ok. Os meus problemas estão sendo outros dos quais eu bato no momento.

Mas eu sempre vou buscar essa saúde. Então, assim, tem coisas que eu preciso. E nessa pós-luca, onde são seis anos de diferença, a Sossor despertou em mim a arte. E hoje em dia, por exemplo, eu entendo que eu preciso parar e pintar. Então, que parece um pratinho tão fútil que eu seguro do tipo, sério que você vai parar agora e vai fazer um quadro? Você vai parar agora e vai fazer uma cerâmica?

fria, mas eu talvez não admitisse, eu não entendesse o quanto isso é importante pra mim. Até a organização. Eu sou muito organizada, extremamente organizada. A Lari, quando era viva, me trouxe um olhar muito diferente de que isso veio de outras vidas, provavelmente, porque meu nó do sul tá em virgem. As pessoas acham que eu sou virginiana de tão organizada, mas eu sou capricorniana, que também tem, né? Mas, eu entendo que quando eu tô me organizando fisicamente...

Tipo assim, tem horas que eu preciso arrumar uma gaveta, que eu preciso... Não é só ver a gaveta, né? Então, olhar pra esses pratinhos e pensar no trabalho que tem que entregar, na casa que tem que arrumar, no negócio que tem que organizar, no filho que tem que fazer, eu olho pro chão, vejo que eu preciso catar, mas é a hora que eu preciso mais me centrar e, às vezes, é o pratinho fútil.

do caraca, você vai pintar mesmo, você vai fazer mesmo um espelhinho de tomada para o seu filho agora, que parece que é aquilo que eu preciso fazer. Então, nesse autoconhecimento, assim, é muito importante a gente tentar resgatar em si, ainda que moralmente, ainda que socialmente, a culpa, vá comigo fazer o artesanato.

Ela vai, tipo assim, o que é que meu marido tá pensando nesse momento? Ele tá com a Sofia no colo, jogando bola pro Luca, e eu tô aqui pintando. E aí eu preciso falar, às vezes até em voz alta, com esse ânimos e dizer, amigo, é isso, entendeu? É isso. Então, esse desafio diário, tá? E me lembra muito também o que você tava falando de uma frase do Jung, que veio outra, que é o...

como é que é? A maior frustração da vida é a vida não vivida dos pais? Vida dos pais. Então, nessa de colocar nos filhos o meu ideal, hoje o Lucas estudando na escola internacional, ele fala inglês, e eu olho para aquilo pensando quantas oportunidades eu perdi por não falar inglês. Então, de novo, esse equilíbrio entre...

eu vou enfiar o inglês aqui, e agora ele começou a falar de espanhol ainda, e eu falo espanhol fluente, então eu tô amando, eu vou enfiar essas duas línguas aqui, porque eu acho que ele vai ter oportunidades, porque eu acho que isso vai ser legal, mas eu tô sempre tentando perguntar pra ele, se ele faz judô, futsal, e uma outra aula lá, diferente, e tava fazendo natação antes, agora ele parou.

Meu, é que nem você falou, né? Eu quero que meu filho avasa isso, e a semente disso, ele pode ter o potencial nisso. Mas eu tô sempre tentando perguntar, você gosta do que você tá fazendo? Isso tá legal? Sabe? Filho, você gosta dessa aula? Você tá voltando cansado pra tentar dentro do que eu quero?

do que eu imagino que seja bom, que ele me diga também o que ele quer, que ele imagina que seja bom, né, pra ele. Então, ai, gente, é sempre um, sabe, vem, quando eu encontro pais que gostam de uma escola mais diferente, assim, mais terra, mais... Eu me sinto culpada. Eu também queria isso pro meu filho. Meu Deus, é que esses cinco anos só, gente, ele deveria estar num outro tipo de, sabe? Não precisa falar inglês agora, ele é inteligente, ele vai aprender depois. Então, toda hora fica esse misto de...

A culpa pairando ali. E eu falo que um dos grandes desafios da maternidade é a gente ser mãe dos nossos filhos. No mais das vezes, a gente está sendo mãe do que não foi possível para nós. Então, por mais que a gente faça um exercício, um movimento, um tentar enxergar esse outro dentro desse outro, esse outro também nos enxerga. E também faz dele necessidades nossas, sonhos nossos. Eles sentem o brilho do nosso olhar.

Mesmo muito pequenos, né? Eu vejo o Lara. Seria muito hipócrita se eu falasse que é uma criação pura. Porque ela vê o brilho do meu olho. Ela me entrega o que eu espero. Espero que um dia ela possa realmente... É por isso que a adolescência é maravilhosa, né? Espero que ela seja bem rebelde.

quebre tudo pra ela poder ser livre. Porque uma coisa que eu vejo muito no consultório é isso. As pessoas que tiveram juventudes, adolescências mais ousadas que eram vistas como difíceis, eu fui uma adolescente extremamente difícil são as pessoas que antes dos 40, tendem a ter maior saúde mental maior senso de realização, porque em algum momento frustrou.

Em algum momento suportou ser mal visto, ser odiado, ser visto como… Eu lembro que eu tinha mães de amigas. Eu nem fazia nada, além de pintar o cabelo de preto e ter piercing no queixo. Mas tinha mães de amiguinhas de colégio tradicional que eu estudava nessa época. Que não gostava que elas fossem minhas amigas. Primeiro, porque a minha família não era rica. E segundo, porque eu…

não fazia o estereótipo loira, magra, né? Eu até era loira, mas me dá pra dar de preto. E eu vejo hoje, assim, o quanto isso foi importante, o quanto é importante aprender ser odiado, não ser aceito, ser visto como horrível. Então, tomara que daqui a um tempo eles consigam. Mas aqui entra uma pergunta que eu tinha pensado pro nosso episódio, não só pra gente, que eu quero que as mães se façam.

Você já percebeu os momentos que a gente tenta controlar o futuro dos nossos filhos para fugir dos nossos próprios medos? E eu acho que isso não é capaz, eu acho que não existe como. Porque o que for para aparecer, vai aparecer. Na minha história de vida, que você conhece muito bem, eu estivei no colégio, onde eu não tinha a menor condição de estudar lá. Porque as minhas amigas, minha mãe tinha bolsa, minha mãe trabalhava lá, então eu tinha bolsa de 100%. Então eu simplesmente, meu... E aí

gratidão, eu ensinei num dos melhores colégios da minha cidade, de Curitiba, na época. E eu não tinha condições. Então, eu me moldei muito pra ser legal, pra ser aceita, pra ser respeitada. Eu já falei pra Thay, graças a Deus, eu jogava handebol, eu jogava super bem, então eu era pop, eu peguei seleção brasileira, então eu tenho essas vantagens do meu currículo, porque eu fazia bem essas coisas, então eu era famosa, então eu era querida. Mas assim, eu já me depreciei demais pra ser aceita, né?

E aí, por que eu estou trazendo isso? Porque hoje o Luca estuda no colégio, que mesmo a gente estando em outras condições, mesmo sendo muito mais do que aquele colégio que eu estou aqui, de alguma forma, a gente também passa isso, porque tem pessoas muito mais do que a gente. E mais do que isso, esses dias ele me voltou para casa falando que, mamãe, mas eu fiz essa bad choice, né? Eu fiz essa coisa ruim, ele jogou pão no carro lá.

Voltou da cafeteria com pão e jogou um pão no carro lá. E a professora me reportou. Mas as pessoas estavam rindo, elas estavam se divertindo comigo. E eu, hum, Fernandinha. Era uma Fernandinha. Era eu, mas é isso. Entendeu?

E aí eu preciso lembrar ou tentar achar de alguma forma o que ele está escancarando na minha cara, a minha vida, a minha criança interior, que também fazia coisas assim para ser aceita, entende? E ele está ali de novo, em outras condições, em outro cenário. O meu self está me mostrando que não é para fugir, é para olhar para aquilo e tentar trabalhar com ele. Que filho...

Não precisa fazer coisas feias ou, né, pra ser aceita. Não precisa se diminuir pra ser aceito. Você não precisa do extraordinário. É só ser você, entende? É só ser você pra você ser aceito. E você não vai ser aceita. Vai ter um monte de gente que não vai gostar de você sendo você. Você não precisa se moldar.

né? Caraca, mas é até parece que é fácil, né? É, por isso, a maternidade, ela é assim, um caminho de individuação à parte. À parte. E agora que a gente falou de culpa do interior da mulher, da mulher, da mulher, eu queria vassourar e levar pra um outro campo, que eu sei que é um campo que as nossas co-criadoras amam, e eu acho que é um tema que a Fê também tem muita propriedade pra falar.

Que é a culpa que se organiza dentro das nossas relações. Tem uma cena nessa série, gente. Eu acho que quem é mãe e é casada vai se identificar. Essa é a relação da Ana mais raiva do que o sequestro, tá?

É uma cena da Jenny, que era uma mãe lá, e do marido dela. A Jenny também trabalha, é uma fofinha, querida, maravilhosa, boa gente. E tá sobrecarregada. Lida com a exigência da rotina, com a pressão familiar. E o marido tá ali sempre falando, Ai, mas você é maravilhosa, eu estou aqui. Nossa, parabéns pra você. E...

Uma hora ela fala pra ele que ela tá sobrecarregada e ele fala, mas eu tô aqui, eu te ajudo, é só você me dizer o que fazer. Na primeira vista, isso pode até parecer uma colaboração. Isso mantém Jenny como gerente emocional e organizadora da casa. Porque no momento em que uma mulher diz ao outro o que ele precisa fazer, ela já fez o trabalho mental dele.

E é isso que é a verdadeira sobrecarga materna. Não é só tu fazer o café da manhã, tu abrir o meet pra reunião, tu colocar uma roupa, tu ir pra academia, tu levar pra escola, tu buscar da escola e tu querer transar à noite. Não é isso a sobrecarga. Fazer isso não é a sobrecarga.

A sobrecarga é o que você precisa organizar nos bastidores, o ritmo das coisas, que vai desde segurar um blackout mais escuro pra soneca, dar tempo de você fazer a comida e saber que tem o arroz e tá depilada, enfim. Toda essa orquestra por trás de um dia que simplesmente aconteceu. Então...

Winnicott fala que a mãe suficientemente boa é uma mãe que se adapta às necessidades do bebê, mas falha a elas de modo tolerável. Mas para falhar de modo saudável com um bebê e a mãe não enlouquecer, ela precisa de sustentação. Se ela é o único pilar mental e emocional...

Não tem espaço para falhar tolerável. Tem só culpa e exaustão. E aí eu queria escutar da Fê. Se você já aprendeu a aprender de viver na prática a diferença entre uma ajuda concreta e material e a corresponsabilidade psíquica do gerenciamento mental de uma vida. Você já percebeu dificuldade nisso? Nossa senhora, hoje de manhã.

Então, pode virar terapia? Pode fazer uma sessão já? Na verdade, assim, ó, eu acho que tem muitos pontos a serem falados sobre isso, especialmente porque essa cena da Jenny, eu acho que essa cena que você falou, na verdade, é da Marissa, quando ela tá lá no começo e o marido, no primeiro dia, levanta pra dar a mamar, ele levanta pra pegar a mamadeira nos primeiros dias que o bebê chega. Daí no segundo dia ele levanta, no terceiro dia ele já não levanta mais. No quarto dia ela fala bem assim, cara, é só você falar com...

não sei, vai estudar sobre curso de sono. E daí mostra ela lendo sobre sono e ele assistindo futebol, né? Então, tipo assim, mesmo que ele, que ela tivesse dito o que ele tinha que fazer, que já ocupou espaço mental disso, ele não fez. Ele voltou pra rotina. E a Jenny, que pede ajuda pro trabalho dela. E ele, tipo, sempre, eles sempre vão gloriando. Você é maravilhosa, você é muito boa no que você faz.

Que é tóxico, né? Chega a ser tóxico ali daqueles dois em si. Porque não é genuíno. É ele botando nela o... segue fazendo. Segue fazendo. Dando aquele biscoitinho pro cachorro continuar correndo, né? Isso. É um biscoitinho ali pra aquela ação. E se você não se conhece, você só fica aceitando biscoitinho. É nesse sentido. Por quê?

Porque tem uma feira aqui dentro que é muito organizada, como eu já disse. E essa minha ultra-organização adora poder mandar. E adora que as coisas sejam feitas do meu jeito. E para que as coisas sejam feitas do meu jeito, sou eu que preciso organizar. E sou eu que preciso...

delegar, né? E tem gente que não consegue nem delegar, eu ainda consigo delegar. Mas, então, essa percontroladora, fica sobrecarregada por óbvio, por muito óbvio, né? Então, aqui em casa, sou eu que faço as compras porque eu faço os pontos da Livelo. Então, sou eu que entendo de Livelo. Então, ele nunca nem entrou, ele não tem nenhum cadastro na Livelo.

Então, para que a gente acumule mais pontos, os cartões de crédito dele são os adicionais meus para que a gente acumule mais CPF. Então, só que eu organizo as finanças no final do mês. Então, você vai vendo, você vai vendo, você vai vendo, e tudo isso vai acumulando. E a hora que eu tento delegar alguma coisa, ele não faz do jeito que eu gostaria. E aí entra esse momento entre deixar e aceitar que não vai ser do jeito que eu gostaria, mas que ele fez.

Ou já brigar dizendo que não foi feito do jeito certo e talvez bloqueá-lo de nunca mais fazer. Como é que entra essa conversa? Porque hoje em dia eu tenho conversas que eu não tinha há dois anos atrás ou há três meses atrás. A Thais sabe, o meu jeitinho de conversar com o meu marido hoje em dia é por WhatsApp. A gente entendeu que a gente se chocava muito nas conversas tete a tete e quando vai por WhatsApp eu mando o textão e ele me responde por tópicos.

sobre isso tal, tal, tal, e ele me responde sobre isso tal, tal, tal. Então ficou um negócio muito melhor. E se esse é o nosso momento, é esse o momento que a gente vai viver. Então, só que é um grande desafio, porque hoje mesmo, pra estar gravando aqui, onde os dois não estão em casa, eu não sei se a minha filha dormiu, são quase meio dia, eu não sei se a minha filha dormiu, por exemplo.

E tudo bem, se ela não dormir, vou fazer o quê? Provavelmente vou ter que aguentar as consequências de como vai ser a tarde. Mas assim, antes de sair eu tava falando, ei, se ela dormir, lembra de deixar o carro ligado. Porque se desligar o carro, ela acorda. Então, é sempre uma demanda. E esse gerenciamento entre como vai falar...

Então, o que eu vivo na minha maternidade, ainda vivo, talvez tenha encontrado algo diferente do que eu já vivi, porém com dois tudo muda, é como vai falar. Que momento de falar? Já entendi que nos momentos que está acontecendo o negócio, não há momento de falar.

sabe às vezes não é tá com esse negócio não é tipo tá bom tá entendi que eu resolvo e daqui a pouco ó aquela vez daquele jeito talvez não entendeu e dessa e de saber que se for para delegar né ou se for para deixar fazer não vai ser do meu jeito

E isso é um grande desafio. Então, além de estar muito bem estabelecido, que eu acho que a grande maioria das mães também passam a essa coisa de a gente vem para o maternar, vem para o cuidar dos filhos, vem para esse lugar onde não existe substituição.

E eles continuam ainda atrás, às vezes, de um dinheiro. Não que nós não conseguimos, não que nós não podemos fazer isso, muito pelo contrário, no caso da série, as duas fazem isso, as duas ganham muito bem. Mas aqui em casa, por exemplo, é ele que traz o maior montante.

E aí como que a mulher no ambiente se sente aperante esse dinheiro? Não é o dinheiro dele, né? Porque ninguém vai pagar pelo que você está fazendo. Pode ter um dinheirão assim, aí terá melhor babá. Pode ter uma babá bilingue, uma babá com veneira. Pode ter o que quiser. Não vai suprir o colo de uma mãe, a presença de uma mãe, o olhar de uma mãe. E ninguém vai te pagar por isso.

Então nesse equilíbrio, eu acho que muitas famílias se desequilibram nesse financeiro. E aí nessa, porque eu trouxe isso, porque ela acaba querendo fazer mais coisa, ou engolindo mais coisa, porque o marido está ganhando o dinheiro. E daí na hora de pedir, entra uma controvérsia, né? Às vezes verbal, tipo, tá, e aí, o que eu faço? Eu tenho que trabalhar. Ou às vezes, nunca foi nem falado, mas é o que ela acha que ele acha. E aí também é outro viés de conversa, né?

E aqui entra, é muito legal que tu falou de sobrecarga, mas ao mesmo tempo tu falou, então, qual é a sombra da mulher sobrecarregada? Eu acho que é incontestável que hoje a mulher contemporânea, ela está sobrecarregada. Isso é fato. Mas pouca gente fala do ganho que a gente tem quando a gente constrói uma vida onde a gente quer, às vezes, carregar as cargas. Porque a única forma de realmente ter as coisas mais próximas...

do meu ideal de vida é se eu fizer. O outro pode ser o melhor marido do mundo, a melhor sócia do mundo. Mas o outro é um outro. E sendo o outro, ele vai estar sendo regido por princípios, vetores, valores diferentes. E vai fazer de outro jeito.

Então, o quanto é difícil a gente também suportar uma vida que não é como a gente quer, no nosso tempo, no nosso jeito, e assumir as consequências desse jeito do outro. E outra parte da sobrecarga materna que eu vejo é o poder. A gente tem muito poder, e aqui até acho que é tema para um outro episódio, para trazer a questão do que o dinheiro representa na nossa sociedade brasileira.

Porque parece que muitas vezes a mulher não se sente no direito de pedir, desejar, se colocar apenas porque quer. E o marido tem o maior poder financeiro. Parece que ela precisa de um poder também. E parece que a sobrecarga é algo que faz muitas mulheres sentirem. Ou a sobrecarga, ou a dor que ela traz.

Não tem como não linkar com o autossacrifício, que também está muito ligado ao arquétipo da mãe. Se está doendo, deve ter sentido o que eu estou falando. Então, agora eu posso negociar. Ou se eu faço tudo isso e ele traz dinheiro agora, a gente está se equilibrando.

Em que lugar a gente coloca o dinheiro, gente? Isso vai pela sombra. Eu quero que vocês se perguntem. Eu não quero que vocês concordem comigo e com a Fer. Mas eu quero que vocês tenham coragem de se perguntar em que lugar vocês colocam o dinheiro na vida de vocês. Quais os ganhos que vocês têm com a sobrecarga? O que não significa que, então, tudo bem, vamos ficar sobrecarregadas. Ou, ah, então a culpa é minha. Não é sobre isso. Mas é tão gostoso a gente ver...

o que tem por baixo das coisas que a gente já percebe, já sente. E falando de baixo, eu queria entrar em algo que também me pegou muito na série, que foi o julgamento entre mulheres, né? Que tu falou das duas mulheres que trabalham. E aí eu lembrei que tem a mulher que não trabalha, que era mãe perfeita.

que faz o... Ela lidera os grupos da escola, né? Ou seja, socialmente, naquele contexto escola, ela é maravilhosa. Então, ela era a mãe perfeita, linda, magra, disponível, fazia os eventos da escola, o bazar, a arrecadação.

E existia um julgamento o tempo todo, de todas. Uma julgando a mãe que não trabalha, que é, aspas, só mãe. A outra julgando porque o filho foi sequestrado porque você estava trabalhando, sua reunião foi mais importante do que buscar o seu filho na escola. Outra culpando porque tem babá. Eu lembro que a sogra da Jane, não sei se da Jane ou da Marissa, julga ela porque ela trabalha e tem babá.

como se a gente também encontrasse uma forma de apontar umas os erros das outras, para a gente se sentir menos culpada por aquilo que a gente não consegue fazer, sabe? É sombra pura, né? É sombra pura, né? Essa mãe da escola lá, o que me pegou foi na frase dela, que ela falou que eu estava sendo negligente na maternidade. E eu falei, gente, e aí a minha dor, né? Eu larguei grande parte do meu trabalho.

pra maternar do jeito que eu imaginei. Entendendo que eu tava... Esse prato, né? Tava despincando, né? Pra que eu pudesse maternar de um jeito que eu acho que seja ideal. E ela é uma pessoa super trabalhadora. Ela se trabalha um monte. Então, parecia ser uma a sombra da outra, né? Tem muitas mães... Você ia falar do negócio da dinâmica lá e também serve pra cá.

Às vezes, o que está servindo agora, pode não servir daqui a pouco. Por isso que a gente precisa se conhecer, se analisar, se investigar e ser honesta consigo. Porque nessa relação, por exemplo, que a gente falou ali do dinheiro marital, talvez fosse legal até o momento, e tem um momento que começa a te incomodar. E se começa a te incomodar, você precisa olhar. Então, nessa de, estou trabalhando, trabalhando, trabalhando, e eu prefiro pagar babá para o meu filho. Mas se a mãe que não trabalha te incomoda...

seria interessante você olhar para isso, alguém você gostaria de estar naquela situação, talvez, de estar mais perto do seu filho, às vezes é uma frase do filho, um brinca comigo, que te faz sentir tudo aquilo, e é preciso que você olhe para isso, porque sempre vai ter consequências.

positivas e negativas, sempre. Então, às vezes, a mulher que diminui a entrada financeira a partir dela para poder matem-na mais, ela precisa lembrar de que é aquilo que ela quer também, né? E vai chegar um momento que aquilo lá talvez não funcione mais e ela vai lembrar que ela vai querer outra coisa de volta. Então, nada é estático.

tudo vai variando e a gente precisa ir sim sentindo e tentando viver de acordo com essa variação honestas consigo e eu acho que por uma influência até da globalização que tornou possível a gente conhecer várias versões de várias coisas e ter acesso

a uma coisa e outra, eu acho que isso foi indo para o nosso comportamento como ser humano também. Então, o que eu vejo na clínica? Que uma das grandes causas do sofrimento das mulheres é viver na prática que as escolhas têm renúncias e que elas vão viver as renúncias. Eu, desde que Lara nasceu, por exemplo, que eu só atendo de tarde.

Não tem como eu atender menos, ficar com a minha filha de manhã e ser a profissional que eu seria se eu tivesse seguido esses últimos dois anos só trabalhando. Só que quando a gente vai ver a mulher que pode seguir só investindo na carreira, às vezes a gente compara a realidade nossa com aquela que pode investir só nisso.

ou, no meu caso, que escolhi voltar a trabalhar eteralara, quando eu olho para os benefícios, para os ganhos ou para a não virose de uma mãe que escolheu ficar em casa com seu filho, o sofrimento vem se eu comparo o que é possível para aquela mãe, para aquela criança.

Com o que é possível para mim, sendo que eu fiz escolhas diferentes. Eu acho que a verdadeira autonomia, o lugar de cura na maternidade, vai ser quando a gente realmente abre mão da fantasia de que a gente pode ter tudo, de que as escolhas não têm consequências. Porque eu amo espiritualidade, mas existem distorções de espiritualidade que venderam, sim, a ideia de que é possível ter tudo a todo momento e que se você não tem o teu mindset, não é próspero.

E a vida não é assim. Isso seria uma prepotência. Isso seria sobrenatureza. É como dizer que sim, a gente pode ter sol 24 horas do dia. E que isso não vai ter consequência. E se não for assim, é porque eu não tenho pensamento positivo. Então, quando a gente traz isso para casamento, para maternidade. Eu sempre me pergunto assim, tá, esse sofrimento é um sofrimento real? Ou é a quebra de expectativa de uma fantasia de vida que não é possível dar das escolhas que eu já fiz?

A projeção, né? A gente projeta aquilo e mais, a gente olha para o outro. Então eu gostei da carreira dela. E eu olho para a carreira, é bem isso. E não olho como está o relacionamento dela, como estão as amizades dela, se ela está fazendo as coisas que eu gosto de fazer, se ela treina todos os dias.

do jeito que eu gosto, né? Eu tenho uma menina que eu parecia, eu até contei pra você, porque eu botei no meu diário no dia que ela me irritou profundamente, é uma influenciadora super famosa, ela me irritou profundamente, porque a filha dela tava na agenda dela, era eu acordo de 5 horas da manhã, e daí eu tomo meu super coffee, e daí eu treino, e daí eu volto a mamar, e daí eu faço isso que lá, e daí eu volto a mamar, e eu tenho reunião, e aí, e aí, e aí, a hora que eu levei a fazer a minha filha, eu falei, eu tô com inveja.

Eu tô com muita inveja, eu queria ter uma rede a pouco, eu queria ter algo que ficasse com a minha filha também, meu filho na época, né, com meu filho também, mas assim, mas não, não, não, não, não, não é essa a vida que eu quero. Eu entendo que no que eu prezo disso tudo, a minha filha só quer colo, e aí eu sei que eu vou perdendo dinheiro, porque eu vou estar aqui mais tempo com ela, entendeu? Então, eu acho que tem a frase da vida de um processo analítico que é...

Eu não sei se é da sua, como você passa pra gente, mas assim, é suportar o processo. Então esse, vai perder. Eu falo pras pessoas, se você ganhar mega cena hoje, o que seria de ruim na tua vida? A pessoa fala, ah, não consigo nem pensar, imagina ganhar merga, tem que parar de trabalhar. Eu tenho amigos do meu irmão, por exemplo, que eles são tão ricos que eles morrem de medo. Eles têm medo de sair na rua, eles têm medo de fazer amizade, porque eles têm medo que as pessoas se interessem pelo dinheiro deles.

Entende? Então, tem um monte de coisa que talvez a gente não consiga enxergar porque a gente não vive.

Mas elas estão ali. Elas estão ali. Então, quando a gente projeta o ideal da vida para cada área que eu gostaria, a gente projeta o bonito, o ideal. Eu não projeto que se eu me dedicar aqui, eu vou fazer aqui. Não, eu gostaria disso e eu quero viver isso. E a partir disso, a partir disso, abre um ramo para cada uma das nossas projeções que não vai dar certo.

Então, é esse desafio, né? De viver paradoxos todos os dias, de olhar pra onde eu vou perder, pro que eu tô perdendo, e aceitar o perder, pra lembrar que eu tô ganhando mais, e se eu tô achando que não, não, não, calma lá, isso que eu tô perdendo é importante, mas olhar pro que eu tô ganhando, e decidir perder pra olhar, entendeu? E ficar nessa análise diária de...

Caderninho, ter coragem de encarar a vida, né? De se encarar, de mudar de ideia. A gente pode ter descoberto a verdade mais linda do mundo para esse momento da tua vida. Tudo bem não fazer sentido amanhã. A gente não precisa ter verdades, conhecimentos, teorias de estimação. Porque a mesma boia que salva alguém que caiu do rio limita o movimento de um maratonista.

Então a gente tem que estar sempre checando o que faz sentido. E eu lembrei também de uma autora, ela é do livro Feminino e Contos de Fadas, a Von Franz. Ela fala que quando o nosso complexo materno não é consciente, ele vai se manifestar nos meus comportamentos como uma exigência moral e crítica a outras mulheres. Que é a versão Von Franz do bateu, do eu pega que é teu.

Então, quando a gente traz tudo isso para vocês, ouvintes, a gente quer que principalmente vocês se percebam o que vocês julgam em si mesmas, nos outros, porque o julgamento geralmente é uma pista de algo que você gostaria de viver e não se permite, ou é uma defesa.

uma tentativa de proteger a tua própria identidade que tá ameaçada e as tuas próprias autocondenações, sabe? Então, tu deu a chupeta pro teu filho, aí você vai lá e procura uma mãe que o filho não dorme.

Aí você procura uma mãe que é quase como se fosse assim, eu não quero entrar em contato com as ações que eu estou tendo e com as consequências da ação que eu estou tendo. Eu fujo do desprazer de estar na minha vida apontando o dedo para fora. Então dá um alívio muito grande você cometer um erro, até nas outras coisas da vida, né? Não é mais fácil comer um hambúrguer se o marido comeu também. Eu fico tão triste quando eu quero uma gordelícia e o meu marido não quer.

É muito melhor fazer o que a gente ainda condena, porque não existe nada condenável em si mesmo. Existe o que pra mim ainda é um pecado, pra que eu ainda condeno, o que eu gostaria de não fazer. E o quanto é mais fácil quando alguém também faz.

A era da internet hoje deixou tudo mais fácil, né? De acesso de informação. Então, antigamente, eu acho que pra viver isso, não sei onde era a mãe, mas pra viver isso, você precisava encontrar as pessoas, né? Então, você se encontrava com alguém pra saber o que ela tava fazendo, pra sentir sobre aquilo. E hoje em dia, não. Hoje em dia, você abre o Instagram e você vê de tudo, né? Então...

Você vai no post da mãe que não usa chupeta e fala, tá vendo? Tua filha estaria dormindo se ela usasse chupeta, tão mais fácil, né? E aí você para e pensa, talvez, na sua história, com as suas lentes de enxergar a vida, né? E bancar, porque a minha não usa chupeta. E eu acredito que talvez ela pudesse estar dormindo. Mas aí agora eu olho pro dentinho dela, tá tudo tão certinho. Ou pra minha amamentação, que ainda amamento, morro de medo de perder essa amamentação.

Nós vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá vamos lá, vamos lá vamos lá vamos lá vamos

E a culpa é que eu nem deixo o peta, mas eu consigo senti-la, caso houvesse confusão de bico, se ela não aceitasse mais o meu peito. Sim. Né? Então, nesse sentido, essa culpa eu não banco. Então, volta pra cá e deixa o peta e bora acordar na madrugada. Mas a internet trouxe isso, né? Mas tá tudo tão explícito, tá todo mundo mostrando ali as suas vidas. E aí, ontem eu vi um post de uma... A Mari Benini, que é uma... Ela é mãe de cinco. Acho que ela tá no quinto filho, né? Enfim.

E aí ela fala assim, escuta, vem cá, se você tá no meu Instagram, vamos fazer um exercício. Se você não gostou, não concordou, é só passar. Eu não tô tentando te convencer de nada. Eu não tô tentando te convencer do que eu quero. Eu só tô mostrando a minha vida. E se você não gostou, se você não concorda...

tudo bem, porque essa é a sua vida. Mas é um desafio, porque de novo a gente entra nesse lugar de se conhecer. Bateu, doeu. Pega, peteu. Eu uso a internet como trabalho com isso, recebo diversos tipos de mensagens assim, e eu uso a internet como pauta de terapia, né? A Thais sabe, eu pego, levo, eu até respondo de uma maneira super polida assim, mas aí depois eu falo...

Porque, assim, não pro outro, mas pra mim. E aí tento desmiuçar isso dentro de mim. Porque tem temas que chegam que eu falo, meu Deus do céu, não, nada a ver, não me pega. E tem temas que chegam que eu falo, uau, isso me pegou, isso me pegou, isso me deu uma raiva, isso me deu vontade de mandar ela, né? Então, nesse sentido de se conhecer, e isso tem tudo a ver com os filhos. Porque...

Eles trazem demais essa demanda, né? Pra gente de ver ele fazendo com os amigos coisas que eu condeno, né? E hoje aconteceu isso mesmo. Ele, eu sou um boom, ninguém gosta de mim. E eu falei, filho, não gostar do que você faz é diferente de não gostar de você.

Eu te amo independente do que você faça. Você pode quebrar a casa que eu vou te amar, mas eu não vou gostar de você quebrar da casa. Então, nessa coisa, tá vendo? É a imagem, né? Mas eu não quero que ninguém veja meu filho quebrando a casa. Que bogonha! Quem que é essa mãe que não educa? Né, então...

A todo momento, eu acho que a vida nas contas dela é isso, a gente ficar a todo momento atento ao estar aqui, porque o olhar do outro vai julgar o vizinho que escutou o grito, o meu filho vai dizer, meu Deus, o que o vizinho está pensando que eu estou batendo no meu filho aqui dentro. Enfim, e assim a gente vai elaborando isso, né? E essa falta de sobrecarga materna que acaba...

fazendo com que a gente fique, às vezes, muito mais para ver o curto, essa falta de rede de apoio, e eu não digo rede de apoio dos pais, porque o pai faz o que tem que ser feito, não é rede de apoio, rede de apoio é minha mãe que vem me ajudar aqui, a babá que eu pago, a Lu que me ajuda a limpar a casa, a minha diarista, a minha mensalista. O pai tem uma função dele que não é de apoio, é de base.

E esse daí é uma pauta gigante Para muitas outras horas de conversa E o que você fala É um show de persona, sombra Manipulação, trajeção E aí eu lembro do marido Da Marissa, acho que é Peter, Peter, sei lá

e ao longo de toda a história ele parece assim, até um homem funcional aparentemente colaborativo se importa com os irmãos só que ao longo da saga a gente vai percebendo a manipulação sutil as omissões a fuga da responsabilidade as invasões e pra mim ele é a

Ele é a materialização daquela frase do Jung, que o que a gente não... O que o inconsciente não se torna consciente vai dirigir a nossa vida e a gente vai chamar de destino. Enquanto não tornar o inconsciente consciente, ele vai dirigir a nossa vida e a gente vai chamar de destino.

que essa persona que ele cria do marido exemplar é uma máscara social que fez ele se adaptar ao mundo. Só que a sombra dele estava por trás dessa máscara. E quando a sombra não é integrada, ela vai operando por baixo. E muitas vezes em forma de manipulação. E é só no final da saga que a gente percebe que, na verdade, toda a construção das desordens ali tem o dedo...

Dele. Todos os comportamentos dele. São levados. Pela mesma fragilidade. A dificuldade de estar na realidade. Como ela é. Então quando aconteceu. No caso. Que o verdadeiro filho deles. Nem era o Milo. Era o que morreu.

num acidente, ele roubou essa criança da verdadeira mãe, e depois quem tentou raptar o Milo foi a verdadeira mãe, então até chegar nisso, existe uma série de fatores dele nunca conseguindo assumir as consequências pelos próprios erros. Ele faz o irmão cair e ficar deficiente, ele consegue fazer o irmão e a irmã pensarem que a culpa era da irmã.

Ele rouba um filho para não encarar a morte do filho dele. Ele consegue fazer a mãe verdadeira aparecer que está roubando. E isso parece cruel, parece coisa de novela ou de filme. Mas isso é muito comum no dia a dia. Quantas vezes vocês, nas micro acontecimentos, conseguem de fato encarar o que está acontecendo e o que vocês fazem? E quando vocês tentam jogar a culpa no governo, no externo, no outro?

Porque uma das coisas mais difíceis é a gente assumir a nossa vida, né, Fê? E na tua realidade, assim, o que que tu percebeu? O que que tu acha disso tudo? Não, o final foi pra mim muito surpreendente, muito surpreendente. Eu fiquei feliz que ia morrer. Ah, graças!

Não, mas é porque o final foi assim, meu Deus, não acredito que acabou desse jeito, não acredito que ela era mãe, que a babá mesmo era mãe, mas a verdade é que, primeiro de tudo, eu acho que as relações se sustentam pela codependência.

Todos eles gostavam de como ele agia. Todos eles, naquela realidade, naquele momento, gostavam da vida como ela era. Ou seja, o marido que fazia as coisas... Então, a cena começa... Não, se preocupe, eu pedi a pizza que você gosta.

Então, pode ser tudo muito legal. O irmão que mora ali, porque ele é ajudado, e ele no começo até não mostra tanto a raiva de ter ajudado. Acho que a raiva vem dele quando ele soube que ele podia ter a operação pra curar a paralisia dele. Mas a paralisia não, né? Porque ele tem a...

Ele tem uma falta de mobilidade ali, né? É, eu achei primeiro que era uma paralisia, mas depois é uma perna fraca, né? Uma perna fraca, e daí o irmão dele fala que a melhor coisa é a cadeira de rodas. Porque daí mantém ele sentado e muito abaixo ali da asa dele, né?

Então, a irmã que sempre foi titulada como a louca, e aí, talvez isso tenha sido até um… Ela acha que ela é a culpada de ter empurrado o irmão, né? E na verdade, nem é ela. Então imagina quantas coisas ela virou adicta, né? Ela sai pra clínica de reabilitação. Imagina toda a história que foi criada na psique dessa menina por uma culpa de algo que ela não fez. E acabou com a vida dela, né?

A autoimagem dela. De tudo, exatamente. Então, no final ali, a dor de todo mundo, mas de novo, no começo fica todo mundo codependente um do outro. Mas aí tem um pra ela.

um para o irmão, um para a mãe, cada um tem o seu momento de despertar dentro daquela relação Peter com o resto, que começa a ter raiva, né? Acaba vindo junto, porque está todo mundo vivendo ali muitas coisas, mas cada um tem o seu momento de falar, ei, calma, não, agora, isso aqui sempre foi tóxico, mas eu nunca tinha percebido.

pra mim essa parte da série foi muito incrível é bem isso no dia a dia que depois que você sai, quando você tá conectado com aquilo, você não enxerga o quão tóxico tá aquilo e aí depois que você, seja num ambiente de trabalho né, onde o chefe tá lá te elogiando, te elogiando, te elogiando e você tá incomodada com aquilo porque você realmente entende que você estava de um momento mas o elogio vem tão grande, ele te engrandece na frente de todo mundo e

E aí você se, né, até que chega um momento que acontece alguma coisa e você fala, não, isso basta, basta, é tóxico. Então, nossa, foi muito legal, muito legal esse momento da série onde cada um tem o seu, eu tô aqui, mas tá tudo bem estar aqui. E aí, de repente, calma.

Não, não, não. Isso aqui tá muito errado. Tá muito errado. Tô vendo uma vida a parte... Eu tava pensando, quando falam da menina, né? E vem agora a minha irmã. A minha irmã, ela sempre foi... Quando pequena, ela teve um episódio e tal, que daí todo mundo colocou ela como ansiosa.

E ela foi muito... E essa história foi muito contada, de que ela era ansiosa, de que quando ela era pequena... E eu acho que ela... Criaram, de alguma forma, sem culpar ninguém, mas uma ansiedade na cabecinha dela, porque... A minha irmã mais velha. Porque foi muito repetido. Ela era... Ela... Você é desorganizada, você é desorganizada, você é desorganizada. Isso foi repetido tantas vezes que eu tenho certeza que ela acreditou nessa verdade, né? Então, a irmã ali, que foi... A irmã... A irmã ali,

A irmã do Peter, né? Não lembro o nome dela, mas que foi sempre... Mas tá tudo bem. Foi sua culpa, mas tá tudo bem. Você não teve culpa, na verdade. Foi só... Você não teve culpa, mas foi você. Eu não teve culpa, mas foi você. E quanto isso vai moldando a vida de um ser humano, né? Daquilo que lá atrás a gente...

vive consciente, no caso dele, né? Ou até inconsciente, no caso de que a minha mãe só queria que arrumassem a casa e falava, você é uma desorganizada, vai arrumar suas coisas. Fortalecia um lado que não era para ser fortalecido. Talvez mentir que ela era organizada, uau, que boa essa organização. Talvez desse até mais certo em algum momento, mas nesse sentido de a vida sendo fortalecida, aí para a gente ter uma realidade com o que a gente fala para os nossos filhos de algum jeito.

eles acreditam demais no que a gente fala nossas verdades são divinas pra eles é, pros nossos filhos e pra qualquer pessoa, né porque eu acho que a gente não se dá conta do quanto a gente manipula porque a gente acredita no que tá falando é eu acho que eu amei demais essa série porque ela mostra

Que nada é uma camada só, que a culpa não tem uma camada, que a sobrecarga não tem uma camada. É quase como se ela mostrasse que essas questões humanas, elas são muito distribuídas e elas revelam instituições que falham, relações que falham, pessoas que falham, comunicação que falha. Comunicação. E o nosso impulso coletivo de simplificar, de simplificar. Ali está a culpa.

Ali está a culpa. Não, mas a culpa é isso, o problema é isso. Porque é mais fácil do que a gente perceber o quanto isso tudo tem camadas complexas. O Aristóteles, ele falava que o ser humano, ele busca causalidade para reduzir a angústia.

O culpar organiza o caos. Porque estar no real escolhendo, perdendo, com todas essas vozes internas, é extremamente angustiante, né? Então a gente sempre tá procurando quem falhou. É mais fácil. Faz a gente achar que o mundo é controlável. E aí a gente não precisa fazer o luto da nossa ilusão de que existe um controle. E eu acho que o nosso objetivo, assim, nesse episódio hoje, não é perguntar o que eu acho que o mundo é continuado.

Quem errou? Ah, então a culpa não é dela, a culpa é do Peter, mas talvez... Por que a gente precisa tanto que alguém tenha errado? Porque a culpa, ela é sedutora, ela dá pra gente a ilusão de que a gente podia ter evitado que...

Se eu fizesse ou eu fizesse certo, a gente estaria protegido. E a vida não é esse contrato. A vida é o risco. E a maternidade, embora a gente busque, ela não é uma garantia, ela é essa travessia. Eu tenho a sensação, agora que eu sou mãe, que a culpa...

Deixa a gente deusas onipotentes, responsável por tudo. Porque se eu me culpo por minha filha ir para a escola, por exemplo, eu não estou assumindo que eu sou uma mãe que botou a filha na escola. Parece que se eu me culpo, eu já estou... Não, se eu estou culpada é porque...

No fundo, eu queria fazer diferente, mas porque me dói fazer isso. Você percebe a culpa como uma auto-manipulação para a gente não assumir que essa somos nós? Porque parece que se eu me sinto culpada, por exemplo, de botar uma filha na escola, ou culpada de estar trabalhando num sábado, parece que se eu sinto culpa, então eu poderia fazer diferente. E é aqui que eu vejo a culpa como uma prepotência, quase como se a consciência disso tudo trouxesse para a gente uma humanidade.

Uma humanidade que pede não mais controle, mas a coragem, a coragem para assumir que a gente não controla, porque a gente ainda busca isso, né, Fê? Não, o inconsciente, ele vai se fazer valer, independente do que a gente faça. E até na série ali, se tudo começou em algum lugar, começou em dois carros se batendo.

começou na morte, estava o cara dirigindo na sua verdade, a outra mãe dirigindo na sua verdade, e aí os carros se chocam e aí começa uma grande saga. Então, é culpa de quem ali nesse caso? Talvez de alguém que furou o sinal vermelho, mas entende que...

Se continuasse daquele jeito, um teria morrido, o outro teria sobrevivido, aquela mãe, enfim. Mas acho que o maior desafio desse sentir essa culpa é essa vida de não se aceitar. Porque a gente vai errar todo dia, todo dia a gente vai errar. E se todo mundo vai errar todo dia, por quê?

que não pode ser algo mais normal. E não normal no sentido de, tá bom, então se a gente erra, faz de qualquer jeito. Não é sobre isso. Mas no sentido de que, poxa, se eu também erro, eu consigo...

muita gente consegue acolher o outro, né? Ah, amiga, veja bem, não, não foi bem assim. Também, né? Na hora de se acolher, não consegue. Então, essa eterna busca de autoconhecimento pra que eu consiga, talvez, ser comigo o que eu consigo ser com os outros. De aceitar a vida como ela é. Nós somos desse tamanhinho perante.

todo, né? Não tem como culpar Deus, porque choveu no dia que eu queria fazer minha festa. Faço o quê? Faço o quê? Que o tempo era esse, né? E aí? Então, é disso. Da nossa pequenez perante a vida, perante tudo que a gente acha que consegue controlar e não consegue. E também a frase do Jung que diz que onde há poder, não há amor. De onde há amor, não há...

Não é a sombra do outro. Então, às vezes, a gente está tentando fazer alguma coisa por amor. No caso dele, parecia ser muito por amor. Mas, na verdade, ele queria poder estar controlando todo aquele ambiente. E é onde a gente está tentando controlar o ambiente vestidas de amor. Sem saber, porque eu acho que... Eu gosto de fazer a analogia do bafo, né? A pessoa geralmente vai saber que ela tem bafo porque alguém contou. Olha.

ai, Maria, não sei nem como falar, meu Deus, que situação difícil, tal, sabe? E aí, então, a partir da consciência do que você tem, eu consigo, o que eu vou fazer? Eu vou olhar meus dentes, eu vou olhar meu estômago, eu vou viver com listerine, com estilares na bolsa, o que eu vou fazer a partir disso? Mas você não tem tanta coisa que a gente tá fazendo que a gente não faz ideia de que tá machucando o outro, de que não tá sendo legal, porque a gente não tem consciência.

porque é o inconsciente agindo então de estar atento, de estar se analisando de estar buscando se conhecer para poder olhar para as sombras e reconhecer que eu só posso mudar pelo que eu sei enquanto isso, estou só vivendo a partir do inconsciente e achando que é o destino

Uau, e eu quero agradecer de coração a oportunidade de estar aqui, Fê, de te ouvir. Quero agradecer também, muito especialmente, a nossa co-criadora Ju Lara, porque o depoimento dela, o relato dela, o que ela trouxe para a comunidade, trouxe para a gente, fundamentou muito a busca, a pesquisa e o debate desse episódio.

E agora, a gente só está indo para o fim, porque nós já estamos a uma hora e meia. Meia! Eu já recebi mensagem, como é que tá aí? Eu só mandei, ainda não.

mas a vontade é de seguir conversando e seguiremos conversando então quem gosta do conteúdo do Vai Pela Sombra quer escutar mais coisas sobre maternidade aproveita, corre pra mandar essa sugestão porque essa temporada está em vias de acabar mas se vocês quiserem escutar mais alguma coisa da Fê, perguntem talvez ela consiga participar do nosso encontro ao vivo eu tô falando tudo isso sem ter conversado com ela antes

Mas é porque tem conversas que não terminam, né? Quando o áudio acaba, elas só começam. E eu sinto que hoje se começou algo novo. Então, eu quero abrir para vocês essa pergunta. Na nossa comunidade, para quem já é cocriador, a gente vai também sustentar e buscar novas respostas. E se você que está ouvindo está cansada de consumir só conteúdo...

e quer trocar, quer debater, quer dialogar sem pressa, numa comunidade extremamente afetiva, vem fazer parte do nosso grupo de cocriação, porque esse episódio vai terminando, mas a travessia continua com as nossas alunas da comunidade.

Fê, mais uma vez, obrigada por ter trazido essa série, por ser você, por bancar tua jornada, bancar tua travessia. Eu acho que isso faz muito sentido, que vai pela sombra, que a diferença é entre saber, estudar, debater e filosofar sobre autoconhecimento e bancar viver a individuação na vida, que é bem menos florido, que parece. Obrigada como alma por escolher isso pra tua vida.

É um privilégio estar participando do podcast que eu mais escuto e mais sou fã e do impacto que isso tem para a nossa sociedade. Obrigada.

E se você escutou até aqui, talvez esse não seja mais um dia para se culpar. Mas para se tornar mais consciente, escolher se posicionar na vida e perante si mesma, de um outro lugar mais gentil, mais leve, mais possível. E a gente se vê no próximo episódio do Vai Pela Sombra.

T03EP10 - All Her Fault: o peso invisível da maternidade real. | Castnews Index — Castnews Index