Talks by REC — Ep.01 | Futuro do Trabalho e Disrupção da IA nas Empresas | TomorrowCast
Neste episódio especial do TomorrowCast, gravado durante o Download SXSW 2026, recebemos Carolina Oliveira, da KPMG, e Bruno da Matta, da Tailor, para uma conversa sobre os impactos reais da inteligência artificial no futuro do trabalho.
Enquanto 84% dos CEOs já investem em IA, apenas 24% conseguem medir ROI de forma concreta. O problema talvez não esteja na tecnologia, mas na forma como as empresas estão estruturadas para utilizá-la.
Ao longo do episódio, falamos sobre:
– o redesenho dos organogramas corporativos
– por que currículos tradicionais estão perdendo força
– como a IA está transformando liderança, recrutamento e trabalho
– e a importância de aprender a identificar problemas, não apenas resolvê-los
Uma conversa para quem está tentando entender o que realmente muda quando a inteligência artificial deixa de ser tendência e passa a fazer parte da operação.
- Resort em Angra dos ReisDiferença entre 'AI first' e 'Human first' · Investimento em IA vs. mensuração de ROI · Early adopters vs. late adopters
- Futuro do TrabalhoImpactos da IA nas empresas · Redesenho de organogramas · Transformação da liderança e recrutamento · Importância de identificar problemas · Otimização de tempo com IA
- Identidade ProfissionalA busca pelo 'quem sou eu' · Perda do crachá corporativo · Identificação de problemas como diferencial
- Carreira e LiderançaMudança na avaliação de profissionais · Habilidades não óbvias no currículo · O futuro do trabalho para recém-formados
- Relevância do SXSW 2026Oportunidades de negócio e inovação · Pitch Competition de startups · Startup brasileira Geek
- IA e a interpretação de dadosSegurança de dados do cliente · LLMs corporativas · Metodologia de implementação de IA
Indo agora, então, para os nossos papos. Para quem não sabe, eu, Camila, a gente tem um podcast chamado Tomorrowcast, onde a gente discute com pessoas que têm sido relevantes nessas construções de futuros. E a gente tem ali papos deliciosos, onde a gente aprende muito e a gente fica muito feliz que a gente pode compartilhar para que vocês também, de alguma forma, aprendam. Então, a gente vai fazer uma versão live aqui do Tomorrowcast.
E vão ser três episódios que a gente vai gravar aqui com vocês. E a gente vai começar trazendo aqui para essa conversa a Carolina de Oliveira, Carol Oliveira da KPMG. Vem para cá, Carol. E o Bruno da Mata, da Taylor.
E como a gente faz no Tomorrowcast, como a gente sempre faz no Tomorrowcast, vocês vão ver já já, a apresentação é por conta deles. Fiquem à vontade, sentem-se. Obrigado pela presença aqui, por estarem com a gente no Lollapalooza do download.
O próximo download, gente, vou fazer essa identidade do Lula Palusa. Vocês vão ver. Estou sentindo uma celebridade agora. Eu participei do download da KPMG e eu tive 12 minutos para falar. Uma pessoa que está há três horas e meia falando na orelha de vocês, a Carol me deu 12 minutos. Imagina o poder de síntese de trazer isso aqui tudo em 12 minutos, gente. Foi desafiador, mas foi muito legal.
Maravilha. Ó, eu vou passar pra minha colega lá da ponta de lá, porque a gente tem um começo que é icônico no Tomorrowcast. Como é que é, Camila?
Pois é, gente, para quem... Quem já escutou o Tomorrowcast? Vai, gente, para eu ter um mínimo de ideia. Quem não escutou, levanta a mão só para a gente não passar vergonha. Olha, muito bom. Então, o que a gente brinca ali no começo do Tomorrowcast? A gente pergunta quem são as pessoas na fila do pão, que no final a gente quer saber quem é a pessoa na fila do pão, que é aquela pessoa que não está no LinkedIn.
Então, a gente queria que vocês começassem, vou pedir para a Carol começar se apresentando. Quem é a Carol na fila do pão? Gente, eu tenho um papel muito importante e recente, que é ser mãe há oito meses, de uma bebezinha maravilhosa, que está me ensinando bastante coisa. Então, nessa fase da vida, ter essa experiência, para mim, está sendo maravilhoso.
Bruno. Muito legal essa pergunta, porque é, inclusive, onde eu ia começar se me pedisse para apresentar de uma forma tradicional. Boa tarde, sou o Bruno, sou pai do Bernardo, de 10 anos, e da Mel, de 7 anos. Hoje em dia, fora esse projeto paterno, o projeto que mais me encanta, é o Instituto Taylor, é o Instituto de Projetos Sociais que a gente tem, que, para mim, é o que dá sentido na vida. Então, é esse Bruno da Filô do Pão.
Muito bom. E agora? E aí, saindo do LinkedIn, eu falei ali na hora que eu apresentei o bloco, o que a gente ia fazer, que a gente não quer saber a palestra que mais gostou, o que não gostou e tal, mas a gente quer entender a aplicabilidade de tudo isso. Muita coisa acontecendo.
Então agora, talvez voltando para o LinkedIn ali, Carol, eu queria saber qual é o teu quintal, o que você olha ali na KPMG e o que você foi buscar, além de nos receber super bem em Austin, mas o que você foi buscar em Austin em que você já está ali desenhando aplicabilidade para essas coisas e aquilo que você fala, isso aqui ainda está bem distante, mas vai estar aqui no meu radar.
Bom, legal. Esse foi o meu quarto SGSW. Eu participo de alguns outros eventos também fora do Brasil. E aqui, os festivais, eu sempre estou participando, buscando essa interação, conhecer e ver o que está acontecendo.
Então, eu costumo dizer que a minha é Disney, né? A Disney do nerd é ir para um festival como esse, que você consegue se divertir, consegue também aprender bastante. O mais interessante é conhecer pessoas incríveis. Então, eu tenho muitos amigos que foram feitos nesses festivais.
Bom, na KPMG eu lidero uma área chamada Private Enterprise, que é a área de estudo de mercado, de arquitetura de soluções para pequenas e médias empresas, empresas privadas. E aí a gente olha para as startups e também para as empresas familiares. E agora também estou liderando essa área de startups globalmente. E isso foi devido ao que a gente começou a fazer aqui no Brasil, que é...
Criar comunidade, criar esse senso de colaboração nesse mundo de startups. O programa que a gente lançou aqui, chamado Emerging Giants, que agora é um programa global. E lá a gente foi... Eu fui com esse olhar, principalmente procurando startups.
A KPMG foi patrocinadora do Pitch Competition, então quem quiser também conhecer as empresas que se apresentaram lá, foram dois dias de pitch, então foram nove categorias, 45 empresas, essas empresas são...
É uma curadoria imensa do festival, para selecionar quem vai se apresentar ali. O palco, os jurados são venture capitalists, são pessoas que fazem investimentos, e também quem está ali observando a imprensa internacional, outros fundos de investimento, empresas que estão olhando para aquisições. Então, é um ambiente quente para quem tem um negócio que quer expandir internacionalmente.
Eu costumo sempre falar da história do Spotify, o Spotify em 2009 se apresentou ali, nesse palco de competição de startups. Então a gente observa muito, e isso dá para a gente um flavor do que está por vir.
do que está trazendo oportunidade de negócio, onde as empresas estão colocando dinheiro, e também inovações muito disruptivas, porque a gente vê sempre várias empresas que estão ali, que trazem sempre soluções que resolvem algum tipo de problema.
mas muitas também que apresentam soluções que você nunca imaginou na vida, que daqui a pouco começam a escalar globalmente, a gente começa a ser cliente dessas empresas. Então, esse foi o meu principal objetivo esse ano. Maravilha. Tem brasileiro se dando bem nesses pitches de startup?
Tinha uma startup do Rio, Geek, Geek something, esqueci o nome dela agora. Mas é uma startup que já tem mais de um milhão de usuários. E basicamente eles são um app, um add-on, para quem é motorista de aplicativo.
e ele consegue dizer para o motorista se aquela corrida é a melhor para ele. Então, ele consegue avaliar o custo-benefício e eles já estão no mundo inteiro. Então, para uma startup do Rio, que está crescendo e que foi uma das ganhadoras também de uma das categorias. Performance de corrida de aplicativo. Maravilha. Bruno, a gente falou aqui de manhã hoje...
sobre todo esse cenário do SXSW. E a gente, obviamente, quando a gente coloca essa lupa, aparece muito a questão do workplace, mas não só do olhar do novo ambiente de trabalho, mas muito de como nós precisamos também nos adaptar em relação a isso. Sei que no teu olhar tem um pouco disso. Então, primeiro, eu queria que você contasse um pouco do que você faz, o que está aí no teu território e o que de tudo isso...
que o AX nos apresenta ali, que você foi buscar. Legal. Bom, a Taylor é uma consultoria voltada para a Executive Search. Então, o principal produto nosso é o recrutamento de executivos para as empresas, mas a gente trabalha de uma forma mais ampla, então, desde formação de conselhos consultivos, consultoria de treinamento e desenvolvimento.
Então, é tudo ligado a como uma empresa pode performar melhor, gerar melhores resultados a partir das pessoas. Esse é sempre o nosso olhar, não somente como contratar baseado num currículo, até porque esbarra muito no que você está dizendo. Cada vez será menos sobre o currículo.
Sempre foi, né? Eu falo que o meu produto é o melhor do mundo, porque todas as empresas precisam dele. Se perguntar para o bar do meu pai, o maior desafio é a gente. Se perguntar, possivelmente, para a KPMG, será a gente também. Mas muda completamente a dinâmica. Eu tenho mais de 15 anos nessa indústria, e olhar o retrovisor do profissional...
Sempre foi nossa forma de, de certa forma, tentar identificar que ele pode ser um potencial candidato para resolver aquele problema do nosso cliente. E cada vez é menos sobre o retrovisor. Então, as experiências prévias, aquilo que ele vem entregando ao longo da carreira, passa a ser um pouquinho menos relevante agora numa mudança total do cenário do mercado de trabalho. Então, o nosso desafio dentro de casa é como que vamos agora...
criar uma nova forma de avaliar profissionais, não somente pelo currículo, mas por outras habilidades que o novo mundo agora pede que ele aconteça. E do lado dos profissionais, dentre os vários desafios que tem, eu prefiro falar pouco sobre IA como ferramenta, eu acho que tem pessoas muito mais capazes.
de fazer isso, mas a IA sobre tempo. Então, ela muda completamente a dinâmica de tempo dos profissionais, dos gestores, dos empresários. E uma coisa curiosa que eu tenho visto aqui, até aproveitando, quem já usa IA no trabalho? Criou alguma coisa aqui no último ano que utiliza no dia a dia do trabalho ali? Prompt, um agente, qualquer coisa assim.
Acho que hoje em dia a maioria. Em tese, essas criações foram para otimizar o nosso tempo, reduzir trabalho operacional. Quem aqui está trabalhando menos desde que desenvolveu esses agentes ou essas soluções? Sobrou um tempo ali agora que está mais tranquilo.
Opa, tem uma ali. Duas pessoas já vão querer saber. Esse é bom. Próximo talk você vem para cá, por favor. Normalmente é essa a proporção de resposta, então fica aquela dúvida do, se estamos utilizando a IA para reduzir tempo, o que a gente está fazendo com esse tempo que sobra?
O que os gestores, os profissionais, onde é que eles estão alocando esse tempo? Então, a gente está buscando novos problemas, ocupando espaço com outras coisas operacionais, possivelmente. E aí? Eu ainda estou vendo pouquíssimas pessoas, de fato, tendo essa reserva de tempo, calculando isso de forma objetiva. Salvei aqui uma hora do meu dia. Onde que eu vou alocar essa hora restante dentro da nova proposta de trabalho que tem? Então, essa nova hora restante será para...
estudar mais inteligência artificial? Será para me integrar mais com outras áreas? Para reforçar a cultura da empresa? Enfim, onde quer que seja, mas que não seja simplesmente preencher um buraco ali novamente. Então, para mim, acho que, dentre as várias coisas, uma reflexão do mercado de trabalho é essa, o que faremos com o tempo daqui para frente.
Aí eu queria... Então, assim, beleza, entendemos sobre o que estamos falando. E aí agora eu queria ver com vocês, acho que o Bruno já fica um pouco desse direcionamento no que você falou, né? Mas, Carol, o que muda?
olhando para as pautas que estão no SX, o que é o desafio, tanto as empresas que você olha, mas na estrutura interna, o que você voltou de lá falando isso aqui eu preciso olhar de novo? A gente estava até conversando com uma pessoa que foi na missão com a gente, falou, cara, eu...
Pivotei minha empresa em um mês. A gente mudou completamente o que a gente está olhando. Como é que você voltou em relação ao que você viu lá? O que te chamou a atenção? O que está surgindo de pensamento no que muda da sua construção diária?
No meu dia a dia muda muita coisa. Muda a forma como a equipe trabalha, muda a produtividade, muda a forma como a gente está conversando com o cliente, o que o cliente demanda e a forma como a gente entrega o trabalho. Quem é que é de consultoria? Empresa de consultoria. Empresa de consultoria vem de o quê? Conhecimento. Vem de gente.
E estamos vivendo o momento agora de disruptar o conhecimento, disruptar o trabalho cognitivo. Passamos pela disrupção dentro do mercado de publicidade, com mídia, dentro do mercado até dos aplicativos de mobilidade, que foi também impactado. Agora estamos vivendo a disrupção no mercado cognitivo, profissional cognitivo, serviços profissionais, que é basicamente o que fazemos.
a KPMG. Então eu tenho mais de 250 mil pessoas no mundo que estão sendo impactadas por uma tecnologia em cima do que a gente entrega para o nosso cliente. Só que isso a gente já vem trabalhando há muito tempo. Até mesmo antes de se falar de IA, a auditoria mesmo, que é o carro-chefe da KPMG, hoje 70% já é feito com inteligência artificial.
Então, a ferramenta, o investimento que foi feito, que foram milhões de dólares para construir uma ferramenta com inteligência interna, com o que os profissionais trazem de dados, isso já vem sendo construído há quase 10 anos. E só no Brasil, a KPMG tem 100 anos. Só no Brasil.
Então, por mais que seja um mercado também tradicional, de contabilidade, de auditoria, mas consultoria que a gente entrega, não tem como você viver 100 anos no mercado hoje sem inovar. A gente está se reinventando o tempo inteiro. E agora talvez seja essa maior disrupção, seja essa maior inovação que a gente está vivendo e que vai mudar completamente a forma como a gente oferece o trabalho. E vem da demanda do próprio cliente.
Hoje, por exemplo, a gente tem um LLM que a gente utiliza, mas não necessariamente é o mesmo que o cliente utiliza. Então, eu tenho que ter os meus profissionais, as pessoas que entregam o serviço, treinados em todas as ferramentas. Porque se eu trabalho com Microsoft, o cliente tem Google.
Eu preciso aprender o que o cliente entrega, o que o cliente possui, eu preciso saber antrópica, eu preciso saber todas as ferramentas que são possíveis de serem utilizadas. Então, a gente tem feito muito teste, muita experimentação, dado essa liberdade para as pessoas, com muitas ferramentas também de...
de controle, de governança, porque acho que esse é o principal assunto, vocês falaram bastante disso hoje aqui, como fazer com que esses dados estejam seguros, principalmente no nosso caso, como eu garanto que os dados do meu cliente estão seguros. Então, esse é um dos principais riscos que a gente vem monitorando e trabalhando. Mas, voltando até para a sua pergunta, o que eu vi lá que muda no meu dia a dia?
Eu vi um slide da Sandy Carter que, para mim, foi o que mais me impactou, que ela mostrou como é a equipe dela hoje. Ela mostrou o organograma, e aí tem a diretora de marketing, debaixo os gerentes de cada uma das áreas de marketing, que gerenciam pessoas, então cada um tem essas caixinhas de pessoas, e embaixo os agentes que ele gerenciou.
E o que cada agente faz. E aí eu pensei, poxa, eu já trabalho com um monte de agente, a gente está dando um monte de ferramenta para as pessoas, já tem esses agentes, mas eu ainda não tinha feito esse redesenho da minha operação. Desenhar ali dentro do seu organograma. Esse redesenho da minha área. Então, quando a gente pensa hoje como é que isso impacta no nosso dia, não é simplesmente usar a ferramenta, mas é o que eu faço diferente.
que eu acho que as pessoas ainda não tiveram esse clique, de como é que isso impacta o meu processo, o que eu vou fazer diferente nesse processo do dia a dia, porque não é só fazer mais rápido, porque a gente está usando ferramentas para fazer mais rápido, mas é o que o Bruno trouxe, a gente não está ganhando mais tempo.
A gente está trabalhando mais. Então, como é que eu redesenho a minha operação, redesenho as minhas áreas, para que a gente possa integrar e fazer diferente? Porque surge muito isso, né? A gente vai ficar falando, a gente falou disso.
Mas trazendo contexto, a gente falou, por exemplo, da história do Ian Becraft, que fala sobre como é que a gente precisa redesenhar. Não é mais sobre fazer a mesma coisa. Onde é que está a proposta de valor e como é que a gente redesenha?
para conseguir chegar na solução, mas talvez não é a partir do mesmo processo que a gente tem antes, porque os processos foram pensados nas pessoas. Os processos foram pensados quando as pessoas eram os agentes executores. Se a gente não é mais o agente executor...
Como é que a gente olha para as pessoas? E aí, quando a gente fala de como é que a gente olha para as pessoas, como é que a gente olha para essa força de trabalho, como é que está sendo esse desafio de fazer esse depar? Porque uma coisa é o que a gente está vendo de provocação. Temos que fazer isso, temos que olhar para o futuro. Outra coisa é o que as empresas também estão fazendo hoje. Como é que está essa conexão?
Tem um ponto interessante quando ela está falando do desenho de organogramas, foi até o B.E. Craft que falou também na palestra dele. Esses organogramas corporativos como a gente conhece, eles foram criados baseados na limitação das pessoas. Então, se você tinha uma área de finanças, você tem um CFO, um gerente de controladoria, um gerente de...
de tesouraria, abaixo um analista contábil, porque um analista contábil não é capaz de fazer tesouraria, contabilidade, FP&A, você tem um gerente de controladoria, porque ele não consegue fazer tesouraria também. Então, sobre a execução limitada, a partir do momento que você tem agentes com execução ilimitada, você passa a não ter mais necessidade de caixinhas fragmentadas de pessoas.
Então, você enxuga muito a pirâmide hierárquica, você pode até ter hierarquias dentro dos agentes, eu acho que é uma forma virtual de você, na forma com que estamos habituados, você se situar ali dentro, mas, na prática das pessoas, isso vai perder cada vez mais o sentido. Então, esse redesenho da arquitetura, o que é, como serão os times, ainda é uma grande dúvida.
Eu acho que a gente está no início de uma jornada que vai tomando forma. Tem alguns impactos que já são imediatos. Você tem um perigo muito grande, especialmente, eu vi que tem muita gente de consultoria, assim como nós, o primeiro ato é aquele de economia de custos. Então, vamos demitir. Eu, hoje, se eu quisesse, eu cortaria talvez 30% do quadro.
da Taylor, pelas posições de base, de analistas, de pesquisadores. Só que se eu fizer isso, eu não vou conseguir alimentar os consultores do futuro, os sêniores que têm uma capacidade intelectual de vender a hora dele, como a gente tinha. Eu preciso dessa esteira de formação. Como é que eu vou ter sêniores se eu não tenho essa base ali se alimentando?
E essa vai ser uma pergunta a ser feita, porque a partir do momento que a KPMG não precisa mais de 30% do processo inicial de uma jornada profissional, onde é que vai entrar essa turma? Eles vão entrar como plenos, como sêniores? Não vão, porque eles estão recém-formados. Então essa é uma dúvida que já existe no mercado.
O arranjo que eu estou vendo já acontecendo é de buscar, como eu falei, essas skills, que não são óbvias no currículo. Claro que, se você está no departamento financeiro, você vai pegar alguém com o mínimo de trajetória financeira, mas com um repertório de identificação de problemas. É onde eu estou vendo todo mundo correndo atrás. Tem que ter uma obsessão por identificar problemas, porque executar resoluções é ilimitado hoje.
Então, quem são as pessoas que estão o tempo inteiro obcecadas em ver por que essa cadeira é assim? Será que ela precisa ser assim ou já dá para fazer alguma coisa diferente? Por mais que ele seja de uma área financeira que seja. Eu tenho um caso que... Como é que a gente vai mensurar quem é o profissional que está acompanhando todas essas mudanças ou não? Também é difícil, porque são skills comportamentais, soft, que eles chamam.
É tão difícil você avaliar, é muito mais fácil avaliar o currículo da Carol, quantos anos de KPMG, as posições que ela ocupou, do que se ela é uma identificadora e resolvedora de problemas. Se torna mais difícil. Mas eu tenho um caso de um cliente, uma empresa grande, que o CEO criou uma ferramenta dele, que ele monitora todos os executivos dele, que são mais ou menos 25 entre C-level diretores e gerentes sêniors, qual que é o volume de uso de IA.
que eles têm. Então, como as licenças são todas corporativas, ele consegue ver quantas horas a Carol gasta utilizando um agente, quantos agentes ela já criou, quantas vezes ela acessa cada uma das plataformas. E ele foi mostrando o dashboard, mostrando assim, coincidência ou não, a minha equipe que eu menos vejo no futuro da empresa são esses aqui, ele abriu zero, usou uma vez, criou um agente. Ele falou que coincidência ou não, são os que mais chegam para mim reclamando, que estão sobrecarregados. Então,
Não vão ser esses que vão carregar a minha empresa. Isso é binário? Não, não pode ser binário. Você tem um qualitativo do olhar dele também, mas já é um sinal de quem é que está correndo atrás de acompanhar. E não é sobre quem escreve o melhor prompt. Hoje em dia, já passamos dessa fase. Ontem era, vai sobreviver o profissional que souber escrever um bom prompt. Já não é mais nem isso.
Já tem o agente que te ajuda a fazer o prompt melhor. É aquele que consegue não resolver problemas, isso está fácil também, é criar problemas, pensar em problemas que não estão óbvios ali. A gente viu muito hoje aqui a capacidade de fazer a pergunta certa, de como é que você traz isso. Bruno, deixa eu só pegar, só botar um pouco mais de... Você trouxe, nas suas duas respostas aqui, você trouxe esse contexto.
Mas acho que uma preocupação que todo mundo tem, e a gente olha para se é upskilling, se é reskilling, se eu preciso de fato me reinventar ou se eu preciso estar atento a isso, aí a gente sai aprendendo um monte de coisa que a gente não precisa aprender, porque de fato não é a gente que vai usar aquilo, o quanto a gente precisa entender. E a gente trouxe aqui na nossa conversa a Michelle Schneider, que...
que se colocou lá até botando uma métrica, de se o seu emprego vai existir daqui a cinco anos. Então, tirando a poesia do se o seu emprego vai existir daqui a cinco anos ou não, e pegando isso que você falou, de você ter ali uma liderança que olha e fala que esses aqui, no curto prazo, não estarão, porque eles não têm essa habilidade de orquestrar a tecnologia de alguma forma, como é que você enxerga esses próximos cinco anos?
Legal. Essa corrida é muito cruel, mas e aí, no meio desse caos todo, eu sou um profissional, eu faço o quê? Mudou tudo no último ano. Mudou tudo no último ano. Totalmente. E ainda está mudando. Não tem resposta. Quem quiser cravar resposta é futurologia. Eu acho que é leviando fazer isso agora.
Mas é interessante que, mesmo antes de SX, já era uma discussão que vinha permeando várias conversas minhas com executivos, empresários, inclusive meu grande amigo Cesarino, que também sabe dessa conversa nossa. O grande desafio, eu acho que a grande busca agora deve ser do quem sou eu, que é a pergunta que vocês começam, sem me apresentar nada que esteja no meu currículo. Quem sou eu, sem falar da minha formação, as empresas por onde eu passei.
Isso é legal, porque no SXSW a gente vê bastante isso. Eu acho que como as pessoas já se nivelam, de estar lá, você já imagina que são pessoas que têm mais ou menos uma mesma visão, uma mesma troca, não é a primeira pergunta que vem o que você faz, de onde você é. Ela não é a primeira pergunta. Normalmente vem troca sobre o que você viu, o que você vai fazer depois.
E esse é um grande desafio, porque eu que lido 15 anos entrevistando os principais executivos, executivas ou empresários, é muito difícil conseguir falar o que você é, o que você gosta, o que são seus valores, seus sonhos, o que você, de fato, quer fazer se você tira seu crachá. Porque o que a gente tem que pensar é que tem uma grande chance.
da gente perder o nosso crachá como ele é, pelo menos. Se vai acabar ou não daqui a cinco anos, eu acho que a busca agora tem que ser como você vai se encontrar, quem é o seu produto, independentemente da empresa, por onde você está. Tem uma grande amiga, Márcia Cubas, que é uma baita de uma executiva aqui de São Paulo, que a gente estava com o embaixador da Sorro, o House, que é um cara todo artístico, Peter.
E ela falou, Marcia Impecável, aquela executiva clássica, Faria Lima, qual é o esporte que você acha que eu pratico? Ele falou, ah, tênis? Ela falou, não, eu faço skate. Ela falou, ah, não pode. Ela falou, é, porque ela saiu de uma empresa e falou, eu passei um tempo muito refletindo sobre quem eu sou, o que eu quero da minha vida, e, pô, eu fazia tênis, praticava golfe.
Eu fazia isso pela onda do corporativo, pelo meu networking, mas desde pequeno eu tinha uma curiosidade de andar de skate. Aí eu fiz aula de skate e hoje eu ando de skate. Isso é buscar quem você é. E é um exercício a ser feito ali de cuidado, da mesma forma com que a gente gerencia a agenda dentro da empresa, na academia ou em qualquer lugar, é parar e pensar.
Não é tão fácil responder essa pergunta, porque, no final das contas, quando a gente responde que a gente é pai, que a gente é mãe, a gente não está falando sobre a gente também, a gente está falando sobre o nosso filho. A gente não é ele. E quando a gente fala sem ser sobre o currículo, a gente joga para alguém. Sou filho de tal pessoa, sou pai de tal pessoa, ou mãe de tal pessoa, é pensar mais no outro. Aí a responsabilidade aumenta diante de tudo isso. Exato. Carol.
Olhando para o lado da auditoria, olhando para o lado core do negócio, uma das coisas que a gente viu lá no South by South é que está tudo em IA, está tudo em tecnologia, está tudo ali beirando o 100% de adoção das coisas, mas, na hora que a gente olha para números efetivos, acho que foi a Sandy Carter mesmo que trouxe esse número, que 5% das empresas acusam ter ganhos financeiros na adoção dessas...
ferramentas. Como é que vocês têm visto isso em relação aos clientes? Porque eu acho que passa por isso, passa por uma corrida de adoção. A gente adora um case nosso, de um cliente nosso, que na primeira entrevista que ele fez com a gente, ele falou aqui é uma empresa e I first.
Falei, que ótimo, não vamos nem ter o que fazer aqui. E aí a gente foi traçar lá o Gartner para ele e deu maturidade baixa. Aí eu falei, como é que eu conto isso para ele? Como é que eu dou essa notícia para ele? Como é que tem sido isso nessa corrida das empresas e vocês que são responsáveis em trazer governança, verdades e tudo, têm visto dessa forma? Legal. Primeiro que essa coisa de AI first deveria ser human first.
AI in everything. Acho que a gente escuta muito esse AI first, mas tudo que a gente ouviu e está falando aqui é que a gente devia ter human first. E é engraçado você trazer isso, porque tem uma pesquisa recente da KPMG que traz um estudo com mais de 2 mil CEOs ao longo do mundo todo.
E 84, eu li recentemente, 84% dos CEOs disseram que estão investindo 60% do CAPEX em inteligência artificial. Ou seja, estão investindo a grana que eles têm interna para inovações ou para novos produtos, tudo que é novo em inteligência artificial.
Mas quando você pega o resultado, 24% deles disseram que conseguem mensurar ROE. Ou seja, eu estou...
acelerando muito o investimento, mas eu ainda não consigo medir. Eu ainda não consigo dizer exatamente o que você trouxe, que eu não sei se está me trazendo resultado ou não. Então, eu acho que ainda é muito cedo. A gente está vendo esse movimento, essa loucura por trazer a AI a todo momento. É de dois, três anos que a gente está escutando isso com mais frequência.
Então, acho que a gente vai ver essa consolidação desse conhecimento do que realmente traz resultado e a priorização nos próximos dois, três anos. Agora, dá para ficar para trás?
Aí que está a dúvida, não é? O custo de não fazer nada pode ser muito maior. Então, o que a gente percebe, existem aquelas empresas que são as early adopters, que vão, talvez, rasgar mais dinheiro, vão quebrar mais a cara, vão arriscar mais. E as empresas que são os late adopters, que estão ali, depois que você quebrar a cara, eu vejo o que eu vou fazer.
Então, a gente tem esses dois perfis, e o que está certo e o que está errado, acho que não é muito a questão. A questão é que todo mundo que está experimentando deveria, sim, continuar experimentando. E o principal ponto é a governança. Como eu faço para usar com controle e usar de uma forma que não vai comprometer o meu negócio?
Muito bom. Difícil, mas bom. Eu vou fazer uma coisa agora que é o sonho da Camila, gente. Que é trabalhar com a audiência do nosso público. É que se vocês não perceberam, quem montou essa pauta de hoje fui eu, entendeu? Então é assim, é o Lollapalooza do download, é o podcast ao vivo. Todos os traumas do Camila eu coloquei num dia só pra gente tirar todos os traumas de uma vez. Evolução do ser humano.
Mas então é isso, perguntas? Quem tem perguntas? Para a Carol, para o Bruno? Alguém tem pergunta? Eu quero saber, se ninguém tiver pergunta, eu quero saber uma coisa. E aí até para a gente começar a fechar, que a gente está com o tempo terminando, que a gente falou muito sobre precisar organizar os dados primeiro.
E eu acho que como KPMG, se puder deixar um aprendizado, o que vocês escutam disso? Porque uma das principais coisas que surgiu é, primeiro, que é, precisa começar por pessoas, então, implementação de inteligência artificial não adianta começar de baixo, para a gente ter mudanças realmente estruturais, Sandy Carter trouxe muito isso, que precisa ser de cima para baixo das lideranças.
Mas outra coisa é, se você não tiver seus dados organizados, a sua informação internamente organizada, vai ser tudo muito pontual. Você não vai conseguir ter implementações estruturais que você consiga embarcar a companhia inteira nesses processos. E eu imagino que vocês, exatamente por ser numa consultoria, têm isso super organizado ou estão nesse processo.
A gente tem uma metodologia de trabalho para implementar uma estratégia de AI nas empresas que a gente aplicou na gente mesma. E começa com dados. Começa a estruturar essa infraestrutura. Hoje a gente tem a nossa própria LLM interna.
que, basicamente, vou usar um exemplo bem simples. Digamos que um time está trabalhando no M&A de uma rede de farmácias. E tem pessoas ali que precisam entender melhor esse negócio, esse mercado. Ali dentro, nós já temos, anteriormente...
vários projetos que já aconteceram no Brasil, na Europa, nos Estados Unidos. Então, eu posso acessar essas informações internamente, entender como foi feito um trabalho semelhante para que meu time possa também utilizar como referência. Então, isso tem sido trabalhado durante muitos anos e a gente tem agora essa referência. Então, esses dados internos que a gente também utiliza com toda...
segurança, porque eu acho que aí também tem outro ponto, que é a segurança desses dados, é extremamente importante. Então, a partir dessa infraestrutura, depois o treinamento com as pessoas, e também o que você dá acesso, até que ponto as pessoas podem ter acesso, e como elas utilizam isso no dia a dia. Existem hoje várias LLMs.
corporativas, que trabalham para isso. Assim como tem o ChatGPT, a gente também tem o Klarna AI, que são empresas que trabalham somente com dados internos de empresas. Então, a gente também implementa isso. E, na realidade, tem ajudado muito as pessoas até mesmo a compreenderem o método de trabalho, como elas utilizam isso no dia a dia.
talvez, dentro dos pilares importantes de implementação de estratégia, dados, infraestrutura, o que você utiliza de ferramentas, pessoas, e como você orquestra isso, que é o grande papel do líder hoje, que é fazer essa orquestração. Alguém queimou aí uma pergunta?
Não? Então, Bruno. A gente aproveita que o Bruno é headhunter. É isso que eu... Vocês estão perdendo chance. Pergunta para onde eu mando currículo. Me fala aí, Bruno. Então, aproveitando esse ensejo aqui...
Olhando para todo esse cenário, que ele é caótico, ele é desesperador, mas ele também traz muito esse lado humano que a Carol comentou. E falando desses futuros, dos cinco anos, de tudo que a gente tem pela frente, quais são as suas considerações, suas dicas finais?
A coisa que eu vejo que vai ser eterna é realmente aquela vontade, aquela tensão e aquela predisposição do profissional, gestor, empresário, de querer fazer algo. Eu ainda vejo as pessoas continuando em um estado mecânico, e aí vem uma IA para substituir um processo, e ela acha que está usando a IA, e muito pouco ainda usando o poder, como a MWeb fala, que não será mais sobre ricos ou pobres, e sim super-humanos versus humanos.
sendo super-humanos aqueles que realmente têm um nível de utilização de IA muito forte e que não é técnica, é realmente um interesse em correr atrás, enfim. Então, a dica que eu dou é, assim, brinque de ser obcecado em encontrar problemas, não só dentro do trabalho, é o tempo inteiro ficar procurando oportunidades e problemas, porque hoje tem alguma coisa que possa resolver.
A minha filha tem 370 e tantos bichinhos de pelúcia, e ela deita na cama e fica brava quando não lembra o nome daquele que vai dormir à noite com ela. Outro dia ela ficou brava, não lembra o nome dele. Quando ela dormiu, eu falei, está aí um problema. Ela tem um problema de lembrar o nome.
Fui lá e, em questão de menos de uma hora, eu criei um aplicativo que escaneia o bichinho, gera uma certidão de nascimento, armazena numa biblioteca para ela, que depois ela vai lá, escaneia o bichinho, ele busca qual que é, traz a certidão de nascimento do bichinho, com todas as informações, ficou feliz da vida, fora que está gastando horas bibliotecando os bichinhos dela. É isso, é tudo que falasse...
Tem uma dificuldade aqui, é um problema e tem uma forma de solucionar hoje, sem dúvida nenhuma. A execução está muito fácil, tem que executar o tempo inteiro. Você vai executar 30 coisas para talvez usar uma, né, Carol? Mas é essa uma que talvez eu venda para a Matel, esse aplicativo, e resolva a minha vida.
Carol, suas considerações finais, dicas, recomendações? Gente, experimente, sabe? Eu vou dar uma dica do que não fazer. Não passe um fim de semana como eu passei, antes do nosso download, assistindo todos os vídeos do YouTube sobre o futuro do trabalho com AI. É apocalíptico. Eu fiquei realmente pensando, meu Deus, o mundo...
está caótico. Então, eu acho que existe muita oportunidade. Então, a gente vai ver uma onda de empreendedorismo gigantesca, com muitas oportunidades, com soluções baseadas em inteligência artificial.
muita solução para o nosso dia a dia. Então, experimente, separe um tempo da sua agenda para testar ferramentas novas, para brincar com aquilo e pensar no que você pode fazer diferente.
Obrigado, Bruno. Obrigado, Carol. Papo riquíssimo aqui. A gente ficaria horas aqui, mas de novo, a gente gosta de ser contra o tempo. Então, queríamos agradecer e ficar com esse gostinho de quero mais e seguir nessa conversa. O papo aqui ainda segue. Vamos para o próximo talk. Obrigado, Bruno. Obrigado, Carol. Obrigado, gente.
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