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VIVENDO A PÁSCOA – “Uma conversa pode mudar uma vida”

05 de maio de 202627min
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VIVENDO A PÁSCOA – “Uma conversa pode mudar uma vida”, mensagem proferida pelo Pr. Mário no CULTO DA CEL REDENTOR, 5º Domingo de Páscoa | Domingo da Hora luterana, 03 de maio de 2026, 9h30.

Participantes neste episódio1
P

Pr. Mário

HostPastor
Assuntos5
  • Cura de NaamãNaamã, general sírio com doença incurável · A escrava israelita que oferece esperança · Profeta Eliseu e o mergulho no Rio Jordão · A cura como ato da vontade de Deus · Transformação de Naamã e sua devoção a Deus
  • A mulher SamaritanaA posição social e civil das mulheres na época · A mulher samaritana desprezada pela sociedade · Jesus quebra barreiras sociais ao falar com a mulher · A revelação de Jesus como Messias e a água da vida · A conversão da mulher e de sua cidade
  • Justiça divina versus mérito humanoDeus age por vontade própria, não por mérito · A inversão de valores: o poderoso desprezado, o desprezado falado por Deus · A busca por méritos e diplomas diante de Deus · Davi, o pastor que derrota Golias · A cruz de Cristo como igualadora de todos
  • Privacidade e vazamento de conversasConversas cotidianas e troca de relacionamentos · Deus criando o ser humano através da palavra · A conversa como sopro de vida ou de morte · Alianças firmadas e momentos de pecado
  • Exegese Evangelho JoaoO exemplo da escrava de Naamã · A missão de dar sopro de vida sem julgar merecimento · O caso de crime chocante e a dificuldade de perdoar · A missão da igreja de levar o evangelho a todos
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Que a graça e a paz do Senhor seja conosco hoje. Amém. Nós temos diversos encontros ao longo da vida e, no mesmo dia, também diversas oportunidades para conversar com as pessoas. Alguns dizem que o ser humano gasta mais ou menos, em média, de 4 mil a 10 mil palavras.

por dia, em trocas cotidianas de informações, mas mais do que informação, nós trocamos relacionamento, nós firmamos alianças. E nós temos ao longo de toda a Bíblia esse valor que é dado ao encontro que se media por meio de palavras, de conversas.

Por isso, uma conversa pode mudar uma vida. Pode iniciar um namoro, terminar um casamento. Pode ser o ápice de uma memória afetiva que você tem. Ou pode ser também uma lembrança muito amarga que você guarda rancor e mágoa até hoje. Se você for olhar para a Bíblia, vai perceber que Deus cria o ser humano como o que numa conversa.

Primeiro, Deus cria tudo por meio da sua palavra, mas é uma palavra dita com autoridade, não exatamente uma conversa como nós seres humanos. Mas ao criar o ser humano, Deus parece conversar com aqueles elementos. Ele molda com as suas mãos o barro e ele sopra numa conversa sagrada a vida no ser humano.

Mais ou menos é assim a conversa que nós temos entre nós. Se com o resto da criação Deus dá uma palavra de ordem, com o ser humano ao dar uma palavra de ordem Ele dá um sopro de vida. E a nossa conversa uns com os outros deveria ser assim. Não simplesmente ordens dadas ou informações fornecidas, mas sopro de vida que sai com a sua palavra e vai para uma outra pessoa.

A conversa também pode ser um sopro de morte, como o próprio diabo fez com Eva. Perceba que o diabo não fez insinuações apenas com uma imagem, ele não possuiu Eva mentalmente, não. O diabo fala, conversa.

Será que Deus disse isso? Será que você vai realmente morrer? Será que Deus não está com medo que você seja igual a Ele? O diabo conversou, usou da palavra para assoprar a sua morte. E assim nós vemos ao longo de toda a Bíblia, tantas alianças firmadas por meio da palavra, mas também tantos momentos de pecado e desavença.

Se você notar nas leituras de hoje, o Salmo fala para termos uma palavra que agrade a Deus.

A leitura de Naamã e do Evangelho também diz sobre encontros que mudaram duas vidas. E Colossenses fala que as nossas palavras devem agradar a Deus e principalmente sermos sábios para falar com aqueles que não são cristãos. Então as leituras enfocam que a missão cristã e a missão de Deus tem a ver com conversas que nós temos.

Vamos lá para o Antigo Testamento. Naamã era a maior autoridade militar do mundo na época. A Síria era uma das grandes, se não a maior potência militar naquele mundo antigo. Eles tinham um grande orgulho de ser um império que não era escrito apenas com o derramamento de sangue, com os impérios que cercavam ao redor.

Mas eles usavam a máquina militar para gerar medo, respeito e então conquistar sem grandes perdas de vida, tanto do lado inimigo como deles próprios. Eles eram extremamente eficientes na sua máquina de guerra. E o homem mais poderoso da terra naquele momento era sim o general, o chefe das forças armadas da Síria, Naamã.

Só que esse homem, com todo esse poder que ele tinha, pega uma doença incurável de pele, e nós conseguimos imaginar que ele teve conversas com vários médicos, especialistas de todo canto do império e talvez até de fora dele. Pessoas que tentaram curá-lo, mágicos, magos, feiticeiros, enfim. E nada era possível fazer.

É possível imaginar o sacerdote do império, do deus Dagon, fazendo seus rituais também, e Dagon então incapaz de curar o general. Aí o interessante nessa história do Naaman é que a pessoa talvez mais desprezível naquele contexto traz uma palavra de alento que era a escrava da esposa dele.

A gente consegue imaginar que Naaman já estava num estágio da doença que era algo público e que por ser público Naaman já não deveria ter contato com outras pessoas. Então nós imaginamos um drama familiar, a esposa e os filhos sem poder ter contato com aquele homem contaminado por uma doença que era considerada um castigo dos deuses. Talvez num ato de desespero, num ato de choro, de lamento, aquela escrava vê a sua dona chorando.

E essa escrava israelita que foi dominada numa invasão da Síria lá no país dela em Israel, ela teria talvez todos os motivos para não dar um sopro de vida, para dar um sopro de morte, mesmo que no seu íntimo apenas. Seria muito natural ela fazer como nós fazemos hoje. Sírio bom é sírio.

Morto, né? Bandido bom é bandido morto. Eu não quero que o outro lado da ideologia política seja abençoado. Quem mandou votar no ciclano agora aguenta. Aceita que dói menos no outro lado. A gente torce para que aquele lado dê errado mesmo. E a gente se cala. Se não damos um sopro de morte, no mínimo ficamos quietos e esperamos que a pessoa se dê mal. A gente retém o sopro de vida.

Aquela menina israelita, ela não apenas estava assim, ela não tinha motivos para odiar Naaman do ponto de vista ideológico nosso, sabe? Não foi um voto diferente, uma ideia diferente, não. Ela viu provavelmente os pais, os irmãos e os homens da cidade dela serem massacrados pelos sírios.

Ela viu a família ser repartida entre os homens poderosos da Síria. Uma irmã para um lado, a mãe para um outro lado, ela para o general da Síria e assim por diante. Ela tinha todos os motivos fortemente humanos para dizer que morra. Está pagando pelo que fez ao meu pai, ao meu irmão e aos meus primos. No entanto, essa menina, ela diz um sopro de vida.

Ela fala para a esposa do Namã, lá na minha terra que vocês aniquilaram, lá na minha terra tem um profeta que pode trazer um sopro de vida, que pode mudar a vida de Namã. Ele é capaz de curá-lo. A notícia chega da esposa até Namã e Namã vai com parte das suas tropas até Israel.

Chega lá, fala para o rei, olha, eu vi falar que tem um cara aí capaz de me curar, quero que você me cure. Está aqui uma carta do imperador da Síria, do rei da Síria. O rei de Judá, ele fica assim, o rei de Israel fica num...

É um pretexto para a guerra, porque é óbvio que eu não tenho poder de curar alguém com essa doença. Ele está só fazendo isso para dizer que eu não fiz o que o rei está determinando e o rei vai mandar exterminar meu povo. É um pretexto para começar uma guerra. Mas, no entanto, ele lembra, puxa, tem um tal de Eliseu ali que enche o nosso pé, né?

Ó, o Eliseu vai pra lá, fala com o profeta Eliseu. Na mão pega seus homens, vai até Eliseu. E é interessante que Eliseu não se dá nem ao trabalho de falar com o homem mais poderoso da terra.

Muito interessante. Mas ele manda um servo. Olha, fala lá para o Daman, eu já sei, ele está doente. É só ele se mergulhar ali no Rio Jordão sete vezes e ele vai ser curado. Daman fica extremamente ofendido com a falta de educação de Eliseu. Eu sou o homem mais poderoso da terra, eu tenho a tropa mais forte dessa região e o profeta, que não é ninguém, não é capaz de me receber.

Manda o empregado dar um recado e você acha que vou nesse riozinho de nada aqui? Lá na Síria nós temos rios muito maiores e mais bonitos. Por que eu vou mergulhar nesse riozinho, nesse riacho? Ele estava pronto para ir embora. Mas os homens de Naaman então dizem, Senhor, não custa tentar.

Naamã vai sem fé nenhuma, mergulha no rio sete vezes, e aquilo que aquela menininha disse para a esposa dele se cumpre. Naamã é curado.

Nós temos várias formas de imaginar essa cena. O profeta não fala com ele. Mergulhar sete vezes, não só uma. Então imagina a pessoa mergulhando uma, duas, nada acontece. Ela tem que manter uma certa estrutura para chegar na sétima vez. A gente consegue imaginar até o mau humor do Naamã, até torcendo para não ser curado, para dizer que eu falei, tinha razão, nada está acontecendo. Estou falando, nada acontece. E na sétima surpresa.

Aquele homem é curado. Essa história e essa conversa que muda uma vida, ela traz algumas lições para nós. Será que Naaman seria considerado um exemplo de fé? Não, ele duvidou até o fim. Ele era um exemplo de devoção ao Deus verdadeiro? Não. Ele seguiu os mentores e os coaches da época?

que falam, não, você vai, entrega sua vida a Deus, segue esse, esse passo. Será que ele ouviu o Pablo Marçal da época? Tem que ser um homem forte, tem que ser um cara viril. Não, ele simplesmente era o pior dos piores. Duvidou, debochou, quis ir embora e só mergulhou assim do tipo, ah, não vou perder nada mesmo, vou mergulhar.

Então a história de Namã mostra uma coisa muito forte para nós. Primeiro, que se Deus age, Ele age quando, como e onde Ele quiser. E que você não tem mérito nenhum com isso.

que não vai depender que você subiu um monte e virou um legendário número 2347 para Deus abençoar a sua família. Deus vai abençoar de qualquer forma sem um mérito seu. Não é o tamanho da sua oração, não é as suas promessas, os seus votos, não são os seus méritos o que você faz, a programação mental de coach, de mentor, que vai fazer Deus mover um centímetro a seu favor.

porque Deus curou um homem como Naamã, quase um blasfemo, quase um herege, alguém que duvidou, alguém que não acreditava e Deus o curou.

Por que Deus curou Naamã? Porque ele quis. A Bíblia não fala exatamente por quê, a gente tem hipóteses. Mas uma das hipóteses diz que Deus curou Naamã não foi muito pensando em Naamã, pensando nele, mas sobretudo na mudança que Deus faria no mundo por meio dele.

Alguns dizem que as tropas sírias, depois desse evento de um deus pequeno como o de Israel, dando um tapa no deus Dagon da Síria, mostrava que forças militares não eram exatamente a coisa mais importante do mundo, que talvez os sírios e Damasco deveriam repensar sua posição e sua gana de conquista. Era uma lição de humildade que a gente vê acontecer aqui.

Naaman também foi transformado, tanto que ele leva pedaços da terra de Israel para fazer sacrifícios e orações ao Deus de Israel e não mais ao Deus do Império Sírio. Uma conversa de uma menina que tinha todos os motivos para odiar Naaman mudou a vida dele e talvez mudou a vida de todo o Oriente Médio na época, de toda a Síria e de toda aquela região. Deus agiu pela boca de uma menina desprezada.

Agora a gente vai para um outro texto. Esse texto fala da mudança de um homem poderoso, o mais forte da época. O texto do Evangelho mostra o outro lado da moeda. A mudança na vida de uma mulher que era a pessoa provavelmente mais desprezada daquela região também. A gente tem que considerar que na época da mulher samaritana e de Jesus, civilmente as mulheres tinham uma posição abaixo do homem.

Tanto que a mulher não tinha voto nas assembleias da cidade. Mulher não podia ocupar cargos públicos. E num tribunal, o testemunho da mulher não valia. Ela precisava, no mínimo, de uma outra mulher e uma terceira, quem sabe, porque se fosse duas de Mafam, Mafama deveria ter uma terceira para validar aquele testemunho. A palavra de um homem, dependendo da posição social dele, a palavra de um homem sozinho já valia. Então a mulher já tinha um...

um patamar civilmente abaixo na sociedade. Agora você pega a mulher samaritana, que dentre as mulheres, por ser samaritana já era considerada abaixo dos judeus, ela ainda era desprezada pelas próprias samaritanas, porque provavelmente ela tinha muita má fama. Jesus fala, busca o seu marido, ela fala, eu não tenho marido. E Jesus disse, realmente ele não é seu marido, é mais um casinho que você tem aí.

Então a mulher era desprezada tanto que ela vai ao poço no meio-dia. A gente não quer inventar muito como alguns pregadores fazem. Não, ela foi porque não podia ir de manhã e à tarde. De repente ela foi porque acordou tarde. A gente não sabe exatamente por que ela foi meio-dia.

Mas há de se considerar sim que quem disse que ela foi meio-dia foi porque as outras mulheres não queriam companhia dela de manhã e no final da tarde quando o sol é mais ameno. É uma boa hipótese essa. Ela tinha que ir sozinha ao poço buscar água. E nessa ida sozinha ela encontra Jesus, um homem judeu, que tem a audácia de falar com ela algo proibido. Judeu não fala com samaritano, homem não fala com mulher. Desacompanhada.

Jesus quebra todos os conceitos sociais, as barreiras e até, digamos assim, o bom senso e fala com uma mulher ele sendo solteiro e ela estando sozinha.

Seria algo de muita má fama para um homem falar com uma mulher nessas condições. Mas Jesus fala com aquela mulher. E ela, a mais desprezada de todas, tem a revelação de que Jesus é o Messias, capaz de dar água da vida para ela. Olha o elemento da água de novo. Namã mergulha no mesmo rio que, anos mais tarde, Jesus foi batizado.

A mulher bebe de um poço que seu antepassado Jacó cavou para ela e os descendentes de Jacó. E Jesus oferece a ela uma água da vida que nós recebemos, que é o Espírito Santo. Recebemos no batismo. Ela crê em Jesus. E essa mulher volta para sua cidade e compartilha o que ela ouviu.

Os homens da cidade vão até o poço, encontram com Jesus, ouvem o que Jesus tem a ensinar, e a conversa de Jesus com a mulher e com aqueles homens muda a cidade. A tal ponto que o texto bíblico diz que os homens então disseram, olha, a gente acreditava mais ou menos porque você falou, mas agora a gente acredita mesmo porque nós ouvimos e vimos com os nossos ouvidos e com os nossos olhos.

De fato, esse judeu, nazareno, galileu, ele é capaz de dar água da vida, ele é capaz de nos dar vida, perdão e salvação. Uma conversa no poço mudou a vida daquela mulher e de muitas pessoas da sua cidade. Essa segunda história mostra, de certa forma, uma inversão da primeira.

O mais poderoso, ele sequer fala com o profeta, mas ele é abençoado. A mais desprezada fala com o próprio Deus. Que estranho, né? O mais poderoso ser vai até esse Deus e nem o seu profeta é esnobado.

A mulher samaritana mais desprezada de todas também não fez nenhum programa de coaching, não fez uma mentoria poderosa, não virou uma mulher das youtubers, as novas mulheres tradicionais, ela não seguiu a nova influencer para ser uma menina da casa.

Uma dama, não, ela era uma mulher de má fama, vivendo um caso, sei lá, com o quinto amante dela, ela não teve nenhum mérito de recato, nada, não começou a usar véu na igreja, não começou a ser toda recatada do lar, tal, tradicional, pra daí falar com Deus, não.

Ela não queria nada com Deus, ela era desprezada, tinha a vida de pecado dela. E, no entanto, o próprio Deus fala com ela. Olha que interessante. O homem mais forte é desprezado pelo profetinha. A mulher pior de todas, o próprio Deus fala com ela.

A Bíblia mostra para nós que realmente nós não temos grandes sistemas de mérito e quando a gente tenta conquistar um mérito diante de Deus, mais ele nos despreza. A sorte é que mesmo desprezados, Deus ainda envia a sua mensagem para chegar a nós e mudar a nossa vida como mudou a de Naaman.

A nossa sorte e nossa bênção, na verdade, é que quando nós julgamos que não merecemos nada porque somos os piores, como a mulher samaritana se julgava, quando a gente sequer busca a Deus, Ele nos busca. E por meio de conversas, Deus traz o sopro de vida e muda a nossa vida. É isso que essas histórias mostram.

Na hora luterana a gente tem vários exemplos disso acontecendo. Pessoas que vêm até nós, alguns até cristãos formados que não entendem a lógica de Deus. Puxa, eu sou, cresci na igreja, meu filho se desviou, enfim. A pessoa ainda vive como se diante de Deus você tem que angariar méritos.

Você tem que angariar diplomas e é como se o cristão fosse aquele... Você vai completando a quilometragem. O jovem fala, né? Você tem que farmar aura diante de Deus. E quanto mais tem, mais vai ser abençoado, mais a sua casa vai brilhar, mais você vai estar protegido. Porque você tem muita aura, você tem muito mérito. Você é um cristão exemplar, né? Você fez tudo. Deus é uau pra você, né? Você é um uau pra Deus.

E a Bíblia constantemente mostra que Deus às vezes usa o que nós desprezamos e muda a nossa vida. Então você quer ser um bom marido, um bom cristão, não faça isso para angariar mérito diante de Deus. Faça isso porque Deus quer que você faça.

Na igreja cristã a gente não deve perguntar por que eu faço ou para que eu faço. A gente deve perguntar quem mandou fazer Deus. Então eu vou fazer pontos final. Não vou pensar se eu tenho mérito, se eu não tenho, se eu mereço ou não. Eu simplesmente faço porque é da minha natureza cristã fazer o que eu tenho que fazer. Estudar mais a Bíblia, ter mais contato com Deus. Mas eu não penso nisso no sentido de virar alguém com mérito especial. Eu faço...

Porque é da minha natureza de filho de Deus fazer, mas não exatamente com uma grande finalidade. Quando a gente entende isso, a gente vive a fé cristã de uma forma muito mais natural. A gente pode pegar talvez o exemplo de Davi.

Não consigo imaginar Davi sendo pastor de ovelhas, seguindo um plano de leitura bíblica, digamos assim, do tipo, um dia vai ter um propósito na minha vida muito especial, eu tenho que estar pronto, porque o homem tem que estar pronto. Então deixa eu fazer aqui um plano de ser um ótimo pastor de ovelhas, vou usar minha funda, vou fazer uma arte marcial, vou ser um cara que eu tenho que estar pronto. Não, a gente imagina Davi sendo um menino e um bom pastor de ovelhas.

E quando ele vai derrotar Saúl, ele não faz como um soldado que foi treinado, que foi forjado, que virou legendário, que subiu a montanha, que fez... Não, ele chegou lá tanto que todo mundo riu dele, até os irmãos moleque, vai pra casa, seu lugar não é aqui.

O rei da armadura de soldado ele não consegue vestir, ele não se preparou para aquele momento. Ele não se preparou para ser soldado. Ele derrota Golias não como um guerreiro, um soldado. Tem um desenho, uma animação que mostra isso de uma forma muito bonita. Davi não vai lá com a técnica de samurai dele que ele treinou de forma secreta nas montanhas de Israel, que ele achou um guru que fez ele virar um Jedi e tal. Não, ele vai...

Ele derrota Golias como um pastor de ovelhas, com uma funda. Ele não derrota, não é um soldado matando o outro, não é uma batalha, um duelo. Ali é um pastor de ovelhas defendendo o rebanho de Deus. Então Deus usa a gente onde nós estamos, como Ele usou a escrava de Namã.

como Jesus usou a mulher samaritana para atrair os outros habitantes da cidade, como Deus está usando vocês, aonde vocês estão. Então, meus irmãos, a nossa vida é apontar para esse Jesus aqui, que na cruz oferece a água da vida. Para o Jesus que na cruz oferece seu sangue para redimir os piores.

mas também para dar uma lição de humildade e salvar aqueles que nós julgamos os melhores e os mais poderosos. Na cruz de Cristo nós temos a união daquele que é desprezado e daquele que é aclamado. Nós temos a equalização de todos diante do sacrifício de Cristo na cruz para perdão dos nossos pecados. Tem um teólogo antigo que fala, a cruz de Jesus nivela todos os homens, todos os seres humanos, por baixo.

E Deus não espera muito de ninguém. Tanto que Ele tem que fazer o seu filho se abaixar ao ponto mais desprezível da realidade humana para alcançar o ser mais desprezível possível. Então pensa naquela pessoa que você diria, esse merece morrer. A gente pensa isso, eu penso. E eu sei que é difícil dizer assim. Mas quem sabe Deus tenha uma mensagem, um sopro de vida mesmo para esse que eu desprezo.

Hoje mesmo de manhã recebi uma notícia, né? Todo mundo deve estar sabendo. Um maior de idade e quatro menores fizeram um impensável com uma criança de 10 e outra de 7 anos aqui na Zona Leste, né? Saiu em tudo que é jornal. Gravaram na rede social e a polícia pegou três dos menores e hoje de manhã pegou o maior de idade na Bahia.

O policial baiano fala, olha, pela lei eu tenho que entregar esse cara vivo, a vontade é outra, tem direitos humanos e tal, tem que entregar vivo, mas a gente vai colocar ele numa cela, que os presos façam o que ele merece. No meu interior de pai, interior de homem, eu falo, cara...

Bem feito, isso mesmo. Que aconteça o pior que esse marginal. Esse merece realmente. Pena que tem isso e aquilo outro. Mas ao mesmo tempo eu falo, poxa, mas hoje de manhã eu vou pregar algo em que uma escrava que viu seus pais morrerem levou a um sopro de vida. Será que eu conseguiria, se eu fosse um capelão penitenciário, será que eu conseguiria levar um sopro de vida para esse rapaz de 21 anos que fez o impensável, o pior?

impossível que você pode imaginar? Será que eu conseguiria? Humanamente eu não conseguiria, eu falo. Eu iria pela força do dever de Deus que diz, seja como a menina escrava de Naamã, dê sopro de vida a quem realmente não merece e para quem você não quer dar.

Assim também é a nossa vida. A gente dá sopro de vida sem pensar se a pessoa merece ou não. Que a nossa vida firmada na cruz de Cristo possa também nos fazer descer.

ao pior nível possível, de vez em quando, para levar o impensável evangelho a quem a gente julgaria que não deveria receber uma mensagem de salvação. É assim que a igreja cristã mudou a história do mundo, especialmente do ocidente, levando essa mensagem a todos os rincões de todos os impérios, nações e países. Que essa seja a nossa missão também. Amém.

E aí