Quando consistência vira vantagem competitiva
Neste episódio de O Futuro Vem do Futuro, Leandro Costa conversa com Felipe Yagi, da Volvo Cars, sobre uma jornada que começou em 2015, quando ele entrou na companhia como estagiário, e passou por América Latina, Brasil e um ciclo de um ano e meio liderando o marketing na África do Sul, um país com onze idiomas oficiais e uma operação que precisava de recuperação. É dessa trajetória que ele tira a lição que atravessa toda a conversa: mercados diferentes exigem flexibilidade, mas resultado exige consistência.
A conversa organiza o debate porque parte de uma decisão concreta e acompanha as consequências dela ao longo de oito anos. Em 2017 a Volvo escolheu eletrificar o portfólio em um cenário sem infraestrutura de recarga, sem demanda declarada do consumidor e sem concorrentes disputando o mesmo espaço. Em vez de esperar o mercado amadurecer, a empresa investiu ao mesmo tempo em produto e em rede de recarga, financiando carregadores que não fechavam em uma conta tradicional de payback. Em 2025, com cerca de dez novas marcas eletrificadas entrando no país, a operação brasileira fechou o melhor ano da sua história.
O ângulo de liderança aparece quando Felipe aplica o mesmo critério à inteligência artificial. No produto, com IA embarcada, Gemini integrado e leitura das câmeras do veículo. Na operação, com uma camada analítica sobre dados de jornada do cliente que encurtou relatórios de quinze dias para dois ou três. E na governança, com uma política global que impede cada mercado de testar por conta própria. Ele nomeia os dois erros que mais vê em quem lidera hoje: surfar o hype sem saber o que se quer resolver e usar o dado apenas quando ele confirma a decisão já tomada.
Ao longo do episódio, você vai ouvir reflexões sobre:
- A aposta em eletrificação como estratégia de diferenciação de uma marca menor
- O dilema do ovo e da galinha entre produto e infraestrutura de recarga
- IA embarcada e o carro como plataforma conectada
- A camada de IA sobre dados de jornada e o tempo de reação da operação
- Governança global de uso de IA e o limite de autonomia dos mercados
- O perfil do líder de marketing que fala a linguagem do negócio
Um episódio para executivos que precisam decidir entre acompanhar o movimento do mercado e sustentar uma estratégia própria de longo prazo.