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LINHAS CRUZADAS | Felicidade | 07/05/2026

08 de maio de 202652min
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Em um mundo onde parecer feliz virou uma meta de vida, o programa faz uma pausa para entender: o que realmente mudou na nossa busca por bem-estar? Deixando de lado as frases motivacionais, Thaís e Pondé percorrem a história desse conceito — da sabedoria dos antigos e do conforto da fé até a moderna 'ciência da felicidade'.

O programa discute um paradoxo atual: por que, com tantas ferramentas para evoluir, a busca pelo bem-estar virou, muitas vezes, uma nova fonte de cobrança?

Um debate inteligente e bem-humorado sobre o que significa, de fato, ser feliz nos dias de hoje.

Assuntos3
  • Felicidade e propósitoFelicidade como realização de desejo · Felicidade como estado da alma · Felicidade como propósito de vida · Felicidade como dádiva ou sorte
  • Alegria CristãFelicidade encontrada na religião · Sacramento da reconciliação · Vazio preenchido por Deus · Paz que excede todo entendimento
  • Controle dos desejos e paixõesContenção de desejos na antiguidade · Realização de desejos na contemporaneidade · Paradoxo da busca por felicidade
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A felicidade hoje pode ser definida por alguma virtude? Olha, acho difícil. A felicidade hoje é mais definida por realização de desejo. Dá para ser feliz sem precisar de alguma misericórdia em algum momento da vida? Eu acho que não. A busca de felicidade hoje pode ser uma causa de infelicidade? Com certeza pode. Hoje se mente mais sobre ser feliz? Tenho a impressão que sim, porque está todo mundo fazendo marketing digital.

Olá! Hoje vamos falar de felicidade e de como ela foi entendida em quatro épocas diferentes. Na Antiguidade, na Era Cristã, na Modernidade e agora, no século XXI. Oi, Pondé! Oi, Thaís! Pondé, vamos começar pelos antigos.

Entre as várias fases da Antiguidade, as várias escolas filosóficas da Antiguidade, tem alguns traços em comum, alguns denominadores comuns, que façam a gente entender como é que os antigos viam a felicidade? Olha...

antigos, compreendendo gregos e romanos, que são os nossos antigos, basicamente. Acho que sim. Uma delas é que, primeiro, a felicidade era pensada como algo no âmbito da moral. Hoje não é. Hoje é pensada no âmbito de sensações, desejos. Era pensada no âmbito da moral, ou seja, tinha a ver, portanto, com o esforço virtuoso da pessoa. Isso aparece...

Na antiguidade como um todo, né? Felicidade não era algo que é da ordem do eu estou me sentindo bem, como se fala hoje. Outra característica que também é comum é a felicidade fruto da ação. Se ela é fruto do esforço virtuoso para cumprir certas virtudes no convívio coletivo, certo?

Quando você fala em ética na antiguidade, está sempre pensando no coletivo. Coletivo no sentido de cidade, não coletivo artístico. E ação é fruto da ação, do esforço. Não é um barato. Mas quando você fala que ela era esforço da virtude, isso quer dizer o quê? Se você fosse bravo, digno, corajoso, isso automaticamente te fazia sentir feliz?

Primeiro que não se fala muito em se sentir feliz, né? Mas sim, se você fosse corajoso no campo de batalha, e você ia ser reconhecido como corajoso, e a sua coragem deu frutos, então você era feliz. Agora, por exemplo, tem virtudes ligadas diretamente à felicidade, como prudência, temperança.

Então, para o antigo, a ideia de você ter uma vida bela, boa, nesse sentido, dependia de você ser uma pessoa prudente na sua vida. Você não sair por aí fazendo besteira.

Mas então a gente pode entender que a felicidade para os antigos era mais um reconhecimento do que propriamente um sentimento subjetivo? É, a gente está longe da ideia de sentimento subjetivo na antiguidade, bem longe. Inclusive porque não há exatamente esse vocabulário, né? Mas, sim.

A felicidade, na antiguidade, era muito pensada em termos de grupo, certo? Então, o fato de você se esforçar, de você cumprir, você ser, por exemplo, generoso, demonstrar generosidade para as pessoas, as pessoas iam reconhecer isso em você e você era visto como alguém que tinha uma vida bela. Essa é a ideia.

No começo do programa, você diz que hoje em dia a felicidade está muito ligada à realização dos desejos. Como era na antiguidade? Como ficavam os desejos?

Algo não necessariamente maldito, como uma certa corrente cristã vai colocar, todo o problema do pecado, do desejo, luxúria, sabe, essas coisas normalmente, ou comida, gula. Então não há uma maldição, digamos assim. Mas os antigos entendiam que o desejo é alguma coisa que deve ser colocado sob medida.

Ou seja, contenção. Contenção. Não a contenção absoluta e total. Aí você tem variações, por exemplo, os estoicos, talvez fossem um pouco mais, digamos, graves na contenção do desejo. Mas os epicuristas que passaram para a história como hedonistas, não tem nada a ver com o hedonismo atual. O prazer para o epicurista era você...

Viver segundo desejos que são naturais e necessários. Comer, dormir, beber, ter amigos, fazer sexo. Mas tudo comedidamente. Comedidamente. Você não se tornar escravo do desejo. A felicidade está muito mais perto.

daquilo que ele chamava de ataraxia, que é uma alma tranquila, sem inquietações, do que uma alma cheia de inquietações e desejos. Então, para o epicurista e para o estoico, por exemplo, luxo, material, nada a ver com felicidade.

Então, daria para a gente resumir que esses denominadores comuns para os gregos e romanos seriam, então, a felicidade é igual à prática da virtude, a boa convivência na polis, ou seja, no coletivo, e a administração dos desejos? Sim, pode dizer isso.

Então tudo isso parece bastante diferente do que é a felicidade hoje. É, então, quando se estuda a felicidade na história da filosofia, normalmente se toma um susto, digamos assim, porque a filosofia, não só na antiguidade, a filosofia sempre teve muita desconfiança do desejo, como a gente devia ter até hoje, não no sentido de demonizá-lo.

Mas, como eu falei, um estoico, um cético, claramente entendia o estado de espírito, digamos assim, feliz, como uma alma que não tinha muita inquietação. O que hoje pode parecer uma vida sem graça, mas que também pode ser uma ilusão em certos momentos.

Então vamos ver agora, será que para ser feliz é preciso colocar o pé no freio e controlar os desejos? Vamos ver o que as pessoas nas ruas responderam. De forma alguma, a gente só consegue alcançar a felicidade realizando os desejos, as vontades e indo atrás do nosso sonho. Então, conter é ficar parado e não chegar nunca, não alcançar nunca.

A felicidade é um estado da alma, é um estado, é uma aquisição, é a paz interior conquistada através dos sofrimentos, conquistas, alegrias, possibilidades. Não, é sobre encontrar quais desejos vale a pena ir atrás e se satisfazer com as escolhas. Viver em sociedade quer dizer que eu não vou poder extravasar todos os meus desejos, que uma coisa ou outra eu vou necessariamente conter um pouco mais.

Acho que não, porque você está se limitando, né? Acredito que desejo é algo que você quer muito, como você vai se limitar a não fazer por alguns motivos financeiros ou porque simplesmente não consegue? Vai te frustrar. Eu acho que isso é, sim, uma forma de você ficar até mais triste, na verdade. Não.

Porque se você tem o desejo de fazer uma coisa, você tem que ir atrás do que você quer fazer. Porque o dia é hoje, amanhã, só Deus sabe como vai ser, né? Então eu acho que é isso. Eu acho que não, acho que tem que deixar seu desejo a ser liberto, na verdade, né? Eu acredito que nisso. Conter os desejos não exatamente seja totalmente o caminho para a felicidade, mas eu acredito que o que...

Seja o caminho para a felicidade e ter um propósito na vida. Eu acho que se for tudo que vier à sua cabeça, você for fazer, tudo sai do controle. Todo mundo perde o controle e não vai ter mais uma direção. Eu acho que tudo tem uma regra ali e um caminho a ser seguido.

Olha aí, esse aí é mais estoico, não é? Mais epicurista até. Mas todos os demais não querem saber de controlar desejo. Pelo menos não acham que isso significa felicidade. É o oposto disso. É, como a gente já sabia, né? Quer dizer, a primeira menina, inclusive, deixou isso...

Claro, inclusive, na amplitude do sorriso dela, muito bonito. Quer dizer, a felicidade é realizar desejo, é você correr atrás do que você quer. Teve uma menina que falou ter um propósito na vida, que é uma expressão muito comum hoje em dia, principalmente entre jovens. Não há dúvida que ter propósito na vida, eu considero uma boa experiência.

Mas a verdade é que com o passar do tempo, as condições materiais, as demandas de sobrevivência, normalmente esmagam a imensa maioria dos propósitos. E muitas vezes a gente acha que tem um propósito em um determinado momento.

Em outro momento a gente percebe que aquele propósito não serve mais, não cabe. Mas você tem que viver um pouco mais para perceber isso. Mas não há dúvida que eles comprovam, a maioria deles pelo menos, comprova a tese de que hoje felicidade está vinculada à realização do desejo, é isso aí. Vamos agora para o nosso jogo rápido. Pondé, nós sabemos que você tem um fraco pelo estoicismo.

Dá para ser feliz sendo contido? Então, depende do que se chama ser feliz, né? No sentido antigo, em alguma medida dá. Os estoicos eram mais, digamos assim, de certa forma, rígidos com relação a isso. A questão do estoicismo é você identificar o que está sob seu controle e o que não está.

A maior parte não está. Então você é obrigado a aceitar. E o que está, você deve ficar atento, porque o desejo facilmente faz você meter os pés pelas mãos. Hoje, com o entendimento que se tem de felicidade hoje, eu acho que o estoicismo hoje ainda é mais necessário do que era na antiguidade. Thaís, você acha que a felicidade é a coisa mais importante na vida?

Bom, eu acho que a felicidade é importante, mas ela não pode ser a coisa mais importante da vida, porque ela é episódica, não é? E não permanente. O que os gregos chamavam, como você disse, de ataraxia, me parece uma coisa mais, digamos, sustentável que a felicidade. E isso que você falou...

Eu acho que também está ligada a esse sentimento mais sustentável da ataraxia, que é justamente o fato de você reconhecer que você não tem controle sobre tudo, inclusive sobre a felicidade dos outros, porque acho que uma fonte de infelicidade muito constante é quando você vê o outro fazer, o outro de quem você gosta, por quem se tem afeto, fazer coisas.

que vão trazer sofrimento para ele. Mas aí, quando você reconhece que você não tem controle sobre nada, inclusive sobre a vida do outro e sobre as besteiras que o outro faz, isso te dá, eu imagino, essa sensação que você mencionou, esse estado de ataraxia. Concordamos que os antigos estavam certos. É, pois é, concordamos. Ficamos com os antigos.

E no próximo bloco, a felicidade no cristianismo. Com Deus na equação, felicidade passa a ser a superação do pecado.

Estamos de volta falando sobre felicidade e como ela foi entendida em quatro épocas diferentes. No primeiro bloco, a gente falou sobre como os antigos viam a felicidade e ela estava ligada, antes de tudo, à prática da virtude. Agora a gente entra na era cristã e Pondé vai nos dizer como é que o cristianismo via a felicidade. Olha, primeiro a gente tem que dizer que felicidade mesmo.

só no reino de Deus. Outro barato, outra dimensão. Coisa a ver com a alma eterna. Isso se você não fosse para o inferno. Mas durante muito tempo, os cristãos sustentaram uma visão de ser humano que era muito marcado e atravessado por pecados. A felicidade seria resistir a eles, superá-los.

Então, de novo, há contenção, assim como na época dos gregos e romanos. Ficou parecido porque antes o cristianismo, o estoicismo, por exemplo, era muito importante em Roma.

A filosofia estoica, né? Inclusive, Marco Aurélio, Sêneca, grandes nomes do estoicismo eram romanos. Está na moda agora também. É, é verdade. É uma pena que estar na moda significa gente falando coisas como viva como imperador, pense como imperador, né? E autoajuda, né? Que é sempre uma literatura complicada, no mínimo, quando você está querendo pensar alguma coisa séria.

mas é parecida mesmo. E isso, Thais, isso nos fala de um certo entendimento que durante, talvez, milênios, se tenha chegado até a antiguidade, e mesmo a Idade Média.

de que a gente deve tomar cuidado com os nossos desejos, que a gente deve ter algum grau de contenção, entende? Eu, pessoalmente, acho que os antigos, neste assunto, não necessariamente em todos, neste assunto, eram mais sábios do que nós.

Então a contenção era um elemento comum entre os antigos e os cristãos da era que sucedeu, a antiguidade. Mas, de alguma forma, então tinha uma diferença. A contenção antigamente se dava pela virtude, pelo exercício da virtude, e agora a contenção se dá pela fé e pela superação do pecado, é isso? E pela ação da graça. Mas a graça só para alguns.

Sim. Os outros têm que... Muito bem, olha só, a escola dominical apareceu, né? Eu fiz. Não, não, verdade, quer dizer, o conceito de graça, ele está cercado por uma noção de escolha de Deus.

Esse personagem Deus, com todo respeito, não quero dizer que ele seja só um mero personagem, mas tratando-o como fruto de uma literatura, ou seja, de fora da fé, esse personagem Deus de Israel, ele é o cara das escolhas.

Escolhe um povo, escolhe uma pessoa dentro daquele povo, não escolhe a outra. E o cristianismo herda esse negócio. Escolhe para quem ele vai dar graça, para quem ele não vai dar graça. Agostinho vai chamar de teoria da predestinação, Calvino também. Eu falei isso porque esse é o grande barato. Mas sempre houve um debate dentro do cristianismo de se eu conseguiria superar o pecado.

portanto me tornar livre do pecado, portanto ser feliz no mundo de alguma forma, que não tem nada que ver com sair no bloquinho de carnaval, essa felicidade, pelo amor de Deus, já que a gente está falando de Deus. Se eu só conseguiria isso com a graça, ou se eu conseguiria isso em alguma medida com esforço.

com a doutrina, conseguindo os preceitos da igreja, vivendo como Jesus viveu, e tudo aquilo que a gente conhece como história do cristianismo. E a ideia de que Deus escolhe alguns para dar graça, então esses conseguem sair do pecado, ainda que sofram no processo.

Mas, Pondé, espera um pouco. Na graça, a superação dos pecados não vem, com perdão do trocadilho, de graça? Ou seja, sem esforço? Não é trocadilho, é fato. Português é muito bom para falar disso. Graça é de graça. Não leva em conta a economia dos méritos.

como se fala em teologia. Não, quando eu falo sofrimento, não é o sofrimento para ter a graça. É o sofrimento que a instalação da graça causa numa natureza que sempre foi pecadora. Entende? Então, é como se isso fosse causando um estranhamento em relação ao mundo, que é uma espécie de contrato de concupiscências. Entendeu? É nesse sentido o sofrimento. Não o desforço.

Não, a graça é dada de graça. Entendi. Então, voltando à felicidade, ao conceito de felicidade na era cristã, o conceito de felicidade na era cristã estava associado à superação do pecado. Para quem tinha graça, essa superação do pecado era fácil. Para quem não tinha graça, que é a infinita maioria, tinha que ser na base do esforço.

Do esforço, e assim, e há que se levar em conta, porque talvez hoje para nós isso não seja tão óbvio, é que os pecados, eles eram vistos, e são vistos quando se fala disso até hoje, como fonte de sofrimento.

Porque senão eu ia pensar, ah, luxúria, sexo, delícia, né? Comer comida, que delícia. Não, o conceito de pecado pressupõe, digamos assim, o atravessamento do samba, no sentido de que você exagera, certo? Então, é claro que o sexo sempre foi uma coisa...

Vista com certo cuidado. Isso também não é invenção do cristianismo, hein? Porque todo mundo sabe que é uma das formas mais fáceis de se perder a cabeça, é pelo sexo. Mas assim, é parte da vida, né? Mesma coisa se você é uma pessoa orgulhosa, né? O orgulho faz você sofrer.

Porque o orgulho, no sentido cristão da teologia dos pecados, ele está sentado numa mentira, num vazio. Eu tenho que ficar mentindo para mim o tempo inteiro. É mais ou menos como imaginar alguém que fica postando virtude no Instagram hoje. Tem que ficar mentindo o tempo inteiro, que é legal. Ou alguém que fica postando férias maravilhosas, para dizer que tem férias melhor do que os outros. Todo mundo que inveja.

Estou falando aqui alguns pecados. Todo mundo que sofre de inveja sabe o quanto isso é sofrido. Você tem inveja de uma pessoa, sua inveja é muito poderosa, você sofre só porque ela respira do seu lado, entendeu? Você quer acabar com aquela pessoa, porque ela é muito melhor que você. Então não é achar, não, tinha que superar pecado. Tinha que superar pecado porque a vida era compreendida como infernizante.

Vamos ver agora para algumas pessoas, a felicidade tem um denominador comum, que é a fé. Vamos conhecer algumas histórias de quem encontrou a felicidade por meio da religião.

Eu acho que eu passei por um momento que todo adolescente passa, que é de tentar seguir a vida com as próprias pernas e desacreditar e questionar. E com isso eu fui me afastando daquilo que tinha sido a fundação na qual eu fui criada, que era a igreja.

No meio da pandemia, minha mãe foi diagnosticada com câncer. E assim, minha mãe era uma parte de mim, literalmente. Era a pessoa pra quem eu contava os meus segredos. Não era só minha mãe, mas a minha amiga também, confidencial. Porque na minha cabeça, minha mãe ia ser curada a partir de uma atitude minha. Eu acreditava que naquele Deus da Bargan. Então se eu fizesse tudo isso, minha mãe seria curada.

Eu cresci num lar muito desestruturado, então muito cheio de briga, de gritaria e tudo mais. Então foi uma infância muito complicada, muito difícil nesse quesito. E aí em algum determinado momento da minha vida eu comecei a questionar a Deus, por que eu passei por isso?

Na quaresma de 2025, eu tive uma surpresa muito grande. Eu acabei vindo até a igreja e me confessei. E ao confessar, eu senti o que a própria igreja católica chama de sacramento da reconciliação, que é o momento que você se volta para os braços do pai e se sente acolhida. E dizem que o ser humano tem um vazio que é exatamente do tamanho de Deus.

Quando eu pisei na igreja, me confessei e participei da Santa Missa na quinta-feira santa, eu senti esse vazio sendo preenchido de um jeito que eu nunca tinha sentido antes.

Foi quando eu ouvi uma palavra que Deus disse assim, eu sou um Deus vivo e não um Deus morto. Eu morri na cruz para que você pudesse ter vida. Eu sou Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó. No meu vocabulário não existe a palavra morte, mas a palavra vida. Eu entendi que a felicidade, a paz que Deus fala é a paz que excede todo entendimento. Mesmo diante do luto eu consigo encontrar a paz, eu consigo encontrar Deus. Então a minha felicidade está pautada nele.

Na presença dele, de ter um pai. E isso que me faz viver, entender que eu não estou sozinho. E eu entendo que tudo que aconteceu teve um propósito na minha vida. E hoje eu posso falar disso com alegria, porque eu sei que Deus estava comigo. Então eu sou muito feliz e muito completa hoje com a presença de Deus. Eu comecei a entender a felicidade de outra forma, antes...

Eu a procurei em locais que me levaram à morte. E não necessariamente morte física, mas espiritual, morte emocional. E hoje eu sinto que a minha felicidade está embasada em algo com quem eu posso contar. Então eu não deixo de pecar porque é errado e é condenável. Não necessariamente. Eu deixo de pecar porque eu quero ser uma pessoa agradável a Deus.

parece até três pessoas fazendo um discurso do período medieval, né? E quando eu digo medieval, não estou falando medieval no sentido irônico, estou falando da forma como eles falam. Inclusive, a primeira menina, uma hora ela falou assim, que ela sentiu a reconciliação, lembra? Que ela foi confessar e tal.

e que ela sentiu que havia um... Aí ela fala assim, dizem que a gente tem um vazio, lembra disso? Dizem que a gente tem um vazio, porque é um vazio que era para ser preenchido por Deus. Ela fala essa frase. Esse dizem dela é o Santo Agostinho.

Agostinho diz que esse vazio é porque, na realidade, o nosso desejo foi feito originalmente, antes do pecado, para se desejar a Deus e se viver com Deus. Essa menina, ela diz que ela não deixa de pecar porque ela acha que o pecado é errado. Ela diz que supera o pecado, como a gente estava falando, para ser mais agradável a Deus.

É, então isso é muito medieval. Quando eu digo medieval, de novo, estou dizendo, tem a ver com o que se entendia como felicidade na Europa cristã medieval. Um entendimento muito forte. E essa temática do vazio que aparece no Santo Acostinho e vários outros filósofos, e vai aparecer muito na filosofia da existência, no século XX.

já no XIX com Kierkegaard, é porque há um vazio mesmo. Independente de você interpretá-lo na chave cristã, agostiniana, do vazio, porque não temos Deus conosco e quando nós temos Deus conosco, esse vazio é preenchido. Independente dessa interpretação, há um vazio.

E no próximo bloco, a felicidade na modernidade. Quando a felicidade passa a depender do progresso.

Voltamos a falar como quatro diferentes épocas entenderam a felicidade. Falamos da visão dos antigos, da visão cristã, e agora vamos ver como a chegada da modernidade mudou o conceito de felicidade. Pondé, por que a ideia do progresso está no centro da ideia de felicidade na modernidade? Porque se você olhar na história da filosofia, e aí...

A filosofia sempre pensou a felicidade dentro da história da moral, da filosofia moral. Você tem um momento em que, na Europa, a filosofia começa a superar a ideia de que a natureza humana é miseravelmente pecadora. Isso é um embate. Para nós parece uma coisa distante hoje. Mas do ponto de vista da história da filosofia é muito claro. Começa a aparecer já no século XVII.

Pouquinho antes, no 16, começa a aparecer a ideia de que o ser humano é perfectível. Essa expressão que se usa. Pelo uso da razão, ele consegue controlar a vontade desregrada, a tal da vontade desregrada. E esse crescimento acumulativo faz com que ele vá conseguindo cada vez mais se aperfeiçoar.

no modo de viver, no modo de conduzir suas decisões. E isso está acontecendo em paralelo com a criação da ciência, a Revolução Industrial no final do 18. Então, você vê uma experiência histórica concreta.

dos europeus se distanciando da noção da vida como uma maldição, como uma queda no sentido adâmico, como a dependência unicamente da intervenção de Deus, entende? Então, não estamos falando só de progresso técnico, estamos falando de progresso moral também. E aí vem aquela ideia, desde aí, de que você, indivíduo, tem que se tornar uma pessoa melhor?

Se você quer dizer melhor do ponto de vista de ser menos cruel, menos egoísta, de ser uma pessoa que convive socialmente, respeitando o contrato social, aí tem enormes debates na filosofia com relação a isso. Mas sim, porque se antes eu só me tornaria melhor na medida que eu recebesse a graça,

ou que eu obedecesse os preceitos da igreja, que eu vivesse de acordo com o que mandava o Deus de Israel, de Abraão, de Jacó, de Jesus Cristo e tal, agora não, agora eu posso me construir como uma pessoa.

que vive melhor, que divide a vida melhor, que toma decisões melhores, a partir do avanço do meu pensamento, da minha razão, inclusive, logo, logo, com mais conhecimento, entendendo como as coisas funcionam, entendeu? Então eu viro uma pessoa melhor.

A inquietação nos leva à sensação de que sempre precisamos e queremos mais, mas a satisfação é passageira. É o que diz o cientista da felicidade Arthur Brooks no vídeo que nós vamos ver agora.

É o dia que o boss vem e diz, você é um linchpin em esse negócio. 40% bonus, ou seja, e você vai embora e você abre a champanhe com a sua esposa. É tão ótimo. E três meses depois, ele mostra o seu cheque e você está, e você está, e você está, e você está, e você está, e você está, e você está, e você está, porque você não pode ter no satisfação.

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ou poder, ou seja, ou seja, você está. Você vai querer ir para sempre. Mas você está e você não está. Então você conclua, eu acho que eu precisava mais. É o hedonicicão.

Você sabe que o Brooks, ele conta uma história interessante no livro dele, Happiness Files, Arquivos da Felicidade, que ele diz que ele era um cara, estava bem de vida, professor, tinha família e tal, mas que só via deprimido. E que um dia uma mulher vira para ele e fala, por que você não vai estudar?

Isso, que você vive deprimido, você tem uma vida boa, certo? E você está o tempo inteiro triste, reclamando. E aí ele resolveu estudar felicidade por causa disso e virou um super popstar da área. Agora, veja bem, é engraçado porque ele fala mal da nature o tempo inteiro.

A ideia de que existe uma mother nature, apesar que não é essa expressão que os estoicos usavam, é muito próxima da ideia do logos estoico, de que existe uma pronóia, como se falava, uma organização, uma providência que tem sentido, e que a gente está encaixado nela. Só que aí ele vai falar na linguagem, o emprego, o bônus, o casamento, mas você tem aquilo e depois você volta.

Há um estágio tranquilo, né? E daí você tem outra, aí depois você volta. Então tem um movimento contínuo em que você não fica no êxtase o tempo inteiro de ter adquirido aquilo. Porém, sem dúvida nenhuma, como ele diz, a gente vive no mundo em que tem uma verdadeira histeria.

hedonista, digamos assim, gigantesca, uma espécie de moinho, de máquina, que fica o tempo inteiro fazendo você desejar, desejar.

E qualquer pessoa de juízo sabe que isso faz sofrer. É uma boa imagem essa, porque você não consegue descer da esteira, né? Aquilo vai rodando, rodando, rodando, você precisa de mais, mas não consegue descer daqui. É, não passa nunca. E, bom, é claro, se a gente imaginasse uma situação absurda e um estoico vendo isso, ou um epicurista, ele dizia, eu não avisei?

Mas a gente tem que levar em conta que os antigos não tinham e não podiam ter a mínima noção do que é uma vida construída em grande parte em cima da realização de desejos materiais, o nível que a gente tem hoje.

Vamos conversar agora com Alessandra Ribeiro, ela é professora de gestão da PUC Minas e estudiosa da Ciência da Felicidade. Seja bem-vinda, professora. Obrigada por estar conosco. Olá, eu que agradeço por participar do programa, Olá, Pondé, Olá, Thaís. É uma honra estar aqui para falar de um tema tão interessante que é a felicidade.

Então, professora, a senhora é uma estudiosa da chamada Ciência da Felicidade, da qual o professor Arthur Brooks, a gente viu o vídeo dele agora mesmo, é um dos precursores. A Ciência da Felicidade diz que a felicidade não é uma dádiva, mas algo que se constrói e que tem que ser praticado. Como é que a gente constrói a felicidade, professora?

Olha, no meu ponto de vista, observando não só os estudos, mas práticas que acontecem, essa construção da felicidade acontece no cotidiano, no dia a dia, porque muitos vinculam essa ideia de felicidade ao propósito de vida, ao você ter esse encontro místico.

ou buscar por esse encontro místico com a felicidade. Mas a felicidade é composta da nossa vida cotidiana, dos altos e baixos, das alegrias, das tristezas, daquilo que nos faz ser humano e perceber a vida diante dessa nossa humanidade.

A gente está deixando de lado o ócio, a gente está extremamente digitalizado, a gente entra no elevador, a gente está com o celular, a gente está no metrô, a gente está com o celular, a gente está esperando na sala, a gente está na sala de espera de uma consulta médica, a gente está no celular, e aí, antes de dormir, a gente está no celular, e aí a gente...

impede essa reflexão sobre quem sou eu.

como é a minha vida, o que é a minha vida, o que eu quero, a gente acaba sendo inundado por essa informação, por todas essas informações, e deixando em aberto um espaço importante para que o nosso cérebro faça essas conexões do que é efetivamente importante para mim e o que significa felicidade para mim. Porque a felicidade é diferente.

Ser feliz para mim é diferente de ser feliz para você do que ser feliz para Thais. Cada um de nós tem uma concepção, embora exista um senso comum, mas cada um de nós tem uma percepção que deseja algo quando pensa em felicidade.

Professora Alessandra, muito obrigada pela sua participação e até breve. Muito obrigada, agradeço a vocês e até breve. Bom, Dé, então se a felicidade na modernidade está ligada ao progresso, isso significa que a gente tem que progredir sempre? É, é o inferno. Que nem a esteira lá do... Que você nunca sai. É como se fala em filosofia, o mal infinito.

É o infinito que é o tormento, na verdade. Ainda mais hoje em dia, a ideia é que se você para, é porque você não chegou até onde você tinha que chegar. Porque se você se mexesse, você descobria algo que você não conhecia. E, Thais, o pior é que isso pode ser verdade.

Talvez, se você continuasse, você descobrisse alguma coisa que você não descobriu e que podia ser importante. É por isso que é o inferno. Porque pode ser verdade. E aí você tem que, sei lá, é quase uma utopia. Você tem que ser capaz de chegar uma hora e dizer não, eu não quero ser mais feliz do que eu sou hoje. E no século XXI, será que a felicidade fracassou? A gente já volta.

Estamos de volta com as quatro visões da felicidade. Falamos da felicidade na Antiguidade, na Era Cristã e agora há pouco na Modernidade, que prometeu a felicidade pelo progresso. E agora nós chegamos no século XXI e o Pondé vai dizer como é que ficou a tal da felicidade no século XXI. O que é a felicidade para os nossos contemporâneos hoje, Pondé? Meio que não ficou, né?

Se a gente pensar na utopia moderna, que em relação a esse assunto era basicamente a ideia de que nós nos tornaríamos autônomos. A salvação pelo progresso. A salvação pelo progresso, pelo avanço, pelo aperfeiçoamento. E também a salvação pela ideia de que a gente teria chegado a uma condição tal que nós não precisaríamos obedecer.

Deus, clero, rei, e sim que a gente é um ser autônomo nas nossas escolhas, que a gente é capaz, é puro cante, que a gente é capaz de introjetar a lei moral e isso faz de nós pessoas mais felizes, com a vida moralmente mais organizada e isso na sociedade, isso ia num processo de avanço, isso não aconteceu.

Tudo isso que você descreveu era uma utopia da modernidade. Hoje é uma utopia, hoje a gente vê isso como utopia, apesar de que isso permanece, houve um momento de que se entendia que a felicidade ia ser realizada pela política.

Hoje tem gente que continua pensando assim, que a felicidade pode ser realizada pela política. Agora, hoje, na verdade, a felicidade está mais para aquilo que você segue no TikTok, aquela coisa que você compra, se você consegue ou não fazer uma viagem, de repente, para meditar no Vietnã, se você tiver uma grana.

para fazer isso. Então, você não tem um entendimento único de felicidade, como existia na modernidade. Porque, no final das contas, Thais, essa ideia de felicidade sempre resvala em utopia, principalmente da modernidade para cá, porque a espécie não é feliz.

Não é, é difícil. E o desejo, como é que fica nesse século XXI? A gente lembrou lá atrás que a contenção do desejo caracterizava tanto a antiguidade como em outra medida, de outra forma também.

a era cristã. Depois, na modernidade, esse desejo ficou vinculado a essa ideia de progresso, de coisas que melhoram, inclusive moralmente. E agora, o desejo está exacerbado, o desejo está contido. Como é que a felicidade no século XXI vê o desejo?

Em relação a essa característica, eu acho que a felicidade no século XXI e o desejo está vinculada à noção de que eu tenho o direito de realizar os meus desejos.

Então, você introduziu uma variável que não existia antes, que é a ideia de que é um direito ser feliz. E dado que isso, que o direito não garante a realização, existe então muita ansiedade e muita frustração. E uma constante ameaça de você descobrir...

que você não tem direito de ser feliz. Ninguém tem direito de ser feliz. O que não significa que você tem a obrigação de ser infeliz. A gente tem sempre que hoje organizar as ideias, porque uma das mortes da inteligência no século XXI é a literalidade. Então, a gente tem que ficar o tempo inteiro lembrando disso. Mas não há direito de ser feliz. Onde? A gente tem direito de continuar vivo. Eu até aceito.

que a gente tem direito de continuar vivo, dadas certas condições do contrato social. Porque das pedras não brota direito de coisa nenhuma. E achar que o contrato social deve nos dar o direito de ser feliz é exagerar um pouco. E de onde veio essa ideia de que todo mundo tem o direito de ser feliz? Eu acho que isso veio da experiência...

do progresso, do avanço, do aperfeiçoamento, então, das melhores condições de vida, do combate à miséria que se vivia. Do mundo mais igual. Exatamente. Então, se a gente começa a abandonar a ideia de hierarquia...

que existem pessoas que têm direito a ter mais riqueza, mandar e outras, a maioria imensa que não tem. Então, é até razoável se entender que pessoas comecem a querer também uma parte do bolo. Então, isso é compreensível, inclusive do ponto de vista de lutas políticas do século XVIII, XIX. Agora...

Isso não é um direito, entende? Não é alguma coisa que eu, por definição, tenho direito a isso. Isso é felicidade, eu quero dizer. É uma coisa que você persegue, que você busca. Então, não existe o direito, quanto menos existe a garantia de que o seu direito será observado, virará realidade. Então, diante disso, o que acontece? Qual o resultado disso? Qual o resultado dessa frustração?

O resultado dessa frustração é o século XXI que a gente conhece. Ridículo, maníaco, todo mundo querendo ser relevante. Eu não digo todo mundo, mas é uma massa gigantesca disso. Então, ao mesmo tempo que se afirma diferenças entre as pessoas, se renega o fato de que existem potenciais diferentes e que tem pessoas que têm mais potencial do que outras. Quer dizer, ou seja, o século XXI...

Perdida a utopia, o século XXI teve que começar a mentir sobre isso. Entendeu? Então, acho que isso é uma... Além dos sofrimentos de saúde mental, frustração, medicação. E uma das formas muito comuns do século XXI para resolver a infelicidade, inquietação, ansiedade, é você tomar remédio. Tá, então eu vou te contar aqui...

de um levantamento da Sindus Pharma, que é o sindicato das indústrias farmacêuticas, que mostra que de 2019 a 2022, o consumo de remédios para ansiedade no Brasil cresceu 10% e de antidepressivos, 34%.

São dois números bem mais altos do que a média, segundo boas pesquisas também. Então você tem um crescimento evidente aí de ansiedade e de depressão, como você queria demonstrar. CQD, como queríamos demonstrar, porque no final as fórmulas vendidas para ser feliz, elas funcionam muito mal. Todas elas.

Funciona mal, mesmo a ideia de que você estabelece uma ciência positiva sobre isso.

Agora, a medicação, guardado os limites dos efeitos colaterais, a indústria farmacêutica, ela é uma das experiências científicas mais bem-sucedidas da história da ciência. Eu sei que tem gente que fica xingando, não sei o quê, mas não existe ciência médica sem indústria farmacêutica. A indústria farmacêutica é a ciência médica.

Isso é uma mesma coisa. E muitos remédios resolvem muitos problemas. Inclusive no sentido mais imediatista.

agora eu não vou dizer que com isso significa que se você passar a vida inteira tomando esse ansiolítico, vai ser suficiente, inclusive porque provavelmente, sendo ele tarja preta, provavelmente vai parar de fazer efeito, e você vai ter que tomar mais, e vai ter que tomar mais, daí o problema de que tem que ser sob controle, medicação sob controle, mas eu entendo que o século XXI é muito imediatista.

Ele é tão imediatista que você tem gente de 17 anos que emite juízo sobre pessoas de 60, como elas viveram ou vivem, quando você tem 17 anos. Você não entende nada de coisa nenhuma. Você não sabe da missa, não vou dizer nem a metade, um décimo da missa, certo? Isso acaba produzindo infelicidade.

E vamos agora para o nosso jogo rápido. Pondé, você fez suas considerações sobre o aumento dos antidepressivos e ansiolíticos, mas ainda assim eu te pergunto, você acha que a felicidade química pode ser o novo passo da humanidade? Eu acho que se a indústria farmacêutica conseguir continuar aperfeiçoando os efeitos, inclusive possivelmente mais duradouros.

com redução de efeitos colaterais indesejáveis, certo? Se a indústria farmacêutica continuar performando, como se fala hoje em dia, e ela desenvolver cada vez melhores medicamentos dessa área, acho que sim.

A felicidade pode se tornar cada vez mais fruto de princípios psicoativos que produzem sensação de bem-estar, redução de ansiedade, menor insegurança. Porque na realidade, uma das coisas, um dos problemas da ansiedade é querer controlar tudo. Thaís, você acha que a felicidade, no final das contas, é para idiotas?

Não, acho que a felicidade, ou os momentos de felicidade são para sortudos, na verdade, porque com todo respeito ao professor, eu acho sim que a felicidade é uma dádiva, é uma sorte, é um acaso.

Mas eu acho que a busca da felicidade, sim. Essa a gente pode dizer que é para idiotas, porque é que nem buscar o pote de ouro no fim do arco-íris, né? Só idiotas. É que é difícil não ser feliz, né? É difícil viver uma vida sem algum grau de felicidade.

Entendeu? Mesmo que seja episódica, que seja uma dádiva. Eu acho que muitas vezes, eu acho que tem pessoas que têm temperamentos mais afeitos, a leveza, a felicidade, entendeu? A série Mad Men, que retrata o mundo das agências de publicidade nos anos 60, tem uma cena final que retrata bem a nossa conversa. Vamos dar uma olhada.

Vão ser pronta. No dia. No ideias. Novo. Vão ser pronta. Aum.

Eu gostaria de comprar o mundo um casa e fechar com amor. Criar árboles e árbitros e árbitros e no white turtledo. Eu gostaria de ensinar o mundo a cantar comigo.

Brilhante, brilhante, né? Assim, como entendimento do ser urbano, né? Assim, os publicitários de hoje deviam se inspirar nesse tipo de coisa, ao invés de achar que vão salvar o mundo vendendo banco, né? Quer dizer, ele captura na aula de yoga. Imagina, o cenário maravilhoso daquele, né?

E aí ele tem a ideia, olha, vamos vender Coca-Cola, que é gostoso, e fazer um discurso a favor do mundo. Da diversidade. Melhorar, tem a diversidade também no meio do pacote. Esses publicitários eram brilhantes mesmo, no entendimento da natureza humana. Por isso eram tão perigosos. O de hoje não morde. E o Linhas Cruzadas fica por aqui, mas na semana que vem a gente está de volta.